Desafios à vista

O que vamos fazer neste ano, pela propagação do evangelho?


Desafios, quem não gosta? No ano retrasado houve um modismo nas redes sociais, nas quais víamos pessoas serem desafiadas  a fazer o que lhes era pedido pelos amigos on line. Quem não se lembra do “balde de água gelada” e dos vídeos em que se gravava textos da Bíblia? Houve um que a pessoa se deixava fotografar doando sangue e indicava três amigos a fazerem o mesmo. Tirando os desafios de  bizarrices, alguns foram didáticos, instrutivos e até colaborativos nos quesitos sociais e chamaram a atenção de maneira positiva.Continue reading

83 anos de caminhada

Somos parte da igreja invisível de Deus no mundo


“Só posso crer no que você diz. E o que vai fazer agora?”. Esta foi a frase ouvida pelo Pr. João Augusto da Silveira, vinda da boca da sua esposa, Marcionilia Ferreira da Silveira, logo após ele receber o batismo no Espírito Santo, em 24 de janeiro de 1932. Em resposta afirmou: “Se eu pregava a necessidade do batismo no Espírito Santo, sem ainda o ter recebido, com maior convicção o farei doravante”. Depois disso, abraçaram-se e choraram muito (Marcos que Pontilham o Caminho, 2002, p.51). Esta é só uma das cenas narradas no livro que conta a história da Igreja Adventista da Promessa sobre este dia.
 
O dia 24 de janeiro de 1932 é muito caro para os crentes em Jesus da Igreja Adventista da Promessa. Nesta data, o fundador do nosso movimento, recebeu o batismo no Espírito Santo, experiência que serviu como uma das molas propulsoras para a existência da IAP. Conforme entendemos, o batismo no Espírito Santo é uma experiência espiritual intensa em que a vida do crente é submersa no Espírito de Deus, cercada, cheia, coberta do poder e da presença de Deus. Como uma roupa que é imersa na água, assim os crentes se acham cercados, cobertos, cheios do poder e da presença do Espírito Santo (O Doutrinal, 2012, p.99).
 
Assim como disse a sua esposa, logo após ser batizado no Espírito Santo, o pr. João Augusto da Silveira saiu a campo para pregar sobre esta dádiva. No dia seguinte já saiu de casa e iniciou sua caminhada para contar a seus amigos, parentes e tantos quantos desejassem ser informados. Só voltou para casa uma semana depois! E várias pessoas também experimentaram o batismo no Espírito Santo por onde ele passava com esta mensagem. Até que surgiu, naturalmente, mesmo não sendo esta sua intenção (pois nunca teve a pretensão de ser fundador de uma igreja ou líder de um movimento religioso), a Universal Assembleia dos Adventistas da Promessa, registrada em cartório em Recife (PE), em 17 de dezembro de 1936. Só em julho de 1943, numa assembleia em São Paulo, o nome seria mudado para Igreja Adventista da Promessa.
 
Fato é que, a contar da experiência vivida em 24 de janeiro de 1932, já completamos 83 anos de caminhada em 2015. São 83 anos caminhando e contando sobre esta dádiva. Os nossos pés continuam sendo instrumentos a nos levar a anunciar, para quem desejar ouvir, que Jesus batiza no Espírito Santo. Cristãos cheios do Espírito, com a vida rendida ao Salvador, têm sido usados no decorrer deste tempo para proclamar as boas novas de salvação e para sinalizar o reino de Deus com palavras e obras, nos lugares que Deus tem permitido que chegue a IAP.
 
E assim continuaremos a nossa caminhada. Somos parte da igreja invisível de Deus no mundo (expressão muito usada pelo Pr. João Augusto). Fazemos parte da igreja edificada por Jesus, pertencente a ele, contra a qual as portas do inferno não prevalecem (Mt 16:18). E porque nosso mestre fala de portas que não prevalecem contra sua igreja? Jesus falava no contexto das cidades muradas, onde a porta é o último bastião, a última defesa; se as portas não resistem ao ataque, a cidade é invadida e tomada (RAMOS, Ariovaldo. Igreja: e eu com isso?, 2012, p.22). Então, Jesus usou esta imagem, pois a igreja que seria edificada; seria uma igreja vitoriosa! Somos parte deste povo!
 
No poder do Espírito Santo, continuemos firme nossa caminhada, ao lado de Jesus!
 
Pr. Eleilton William de S. Freitas é colaborador do Departamento de Educação Cristã (DEC) da Igreja Adventista da Promessa.

Pequenos grandes males

“Porque eis que passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;
Aparecem as flores na terra, o tempo de cantar chega, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.
A figueira já deu os seus figos verdes, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, meu amor, formosa minha, e vem. Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.” (Cânticos 2:11-13, 15)
 
Há pecados e pecados, não é assim que alguns pensam? Vez ou outra, queremos classificar pecados grandes e pecadinhos pequenos, alguns socialmente aceitos e até justificados com texto bíblico, principalmente os de ordem moral que são fragmentados do texto para justificar os erros pessoais, como “a carne é fraca mesmo”. O texto completo diz: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mateus 26:41).
Outras pessoas dizem: “peco mesmo, mas nesta igreja tem gente pior do que eu”. O critério dessas pessoas que adotam este comportamento é valer-se do pior, o caráter delas não é valer-se de Cristo, no qual todos devemos espelhar, mais do pior, para justificação do seu caráter e comportamento ruim.
Não tropeçamos em pedras grandes, delas desviamos. Tropeçamos em pedras pequenas, elas sim, não estão no raio de visão que os nossos olhos e atenção detectam, por isso, nos ferimos acidentalmente.
É difícil falar em nome de Deus, porque para agradar a todos ou a maioria, é só não apontar erros de ninguém, isso também não é um suave veneno, letalmente destruidor?
Se uma igreja prega na Bíblia só aquilo que lhe é conveniente e de seu mero interesse, ela está pregando uma “meia verdade”, e meia verdade é mentira. “O meu povo cometeu dois crimes: eles abandonaram a mim, a fonte de água viva e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água.” (Jr 2:13).
Pela reta justiça, em João 7:24, associada à inteligência espiritual, não podemos racionalizar pecado, não podemos suavizar erros, isto seria fazer pouco caso da graça e da revelação que tivemos de Deus, que recebemos mediante a revelação divina, que temos e conhecemos via Bíblia Sagrada.
Deus quer nos gerenciar, ele quer dirigir as nossas vidas em escalas de valores crescentes (Pv. 4:18). “Ser hoje melhor que ontem e amanhã melhor do que hoje”. “Ele tem um objetivo maior para você e para mim que é chegar a unidade da fé, ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito à medida da estatura completa de Cristo.” (Efésios 4:13).
Não vivemos de utopias, sonhos lúdicos e sim da razão da Palavra de Deus. ”Filho meu, atenta para as minhas palavras, às minhas razões inclina o teu ouvido”. (Pv 4:20). As razões da Palavra de Deus me dizem que haverá um juízo final, um ajuste de contas, a vinda de Jesus, tribunal de Deus, lago de fogo para os infiéis, vergonha e desprezo eterno (Dn 12:2) e até indiferença da parte do Senhor quando ele disser aos infiéis: “Não vós conheço” (Mt 25:12). Portanto vale considerar hoje, agora, urgente, “os pequenos grandes males” existenciais das nossas vidas e usar a graça de Deus, ainda disponível a nós, para banir, expulsar e expurgar todos eles.
 
Pr. Omar Figueiredo dos Santos é responsável pelas IAPs em Jardim Paineira e Itaquera, na Convenção Paulistana Leste.

 

Cristãos carpideiros

Chorar com os que choram não é chorar porque os outros choram!

Na época dos apóstolos, era comum uma família que tinha um ente querido morto contratar as carpideiras para chorar em seu velório.
Isso mesmo! Carpideira era uma profissão!
Contratavam-se mulheres que chorariam por toda a cerimônia fúnebre.
Esses profissionais não tinham qualquer laço com a pessoa falecida ou mesmo com a família. Podemos dizer que não sentiam a mesma dor que a família estava sentindo por tamanha perda.
No Brasil, no entanto, não temos esta profissão de carpideira, mas há relatos das carpideiras voluntárias. Não recebiam nenhum valor para chorar nos enterros e mesmo assim, voluntariamente, choravam a perda de alguém!
A Bíblia, em Romanos 12.15, diz que devemos nos alegrar com os que se alegram e chorar com os que choram.
O choro aqui relatado é o de profunda tristeza por alguém que tem para nós profundo valor.
Choramos porque conseguimos entender a dor daquele que está chorando.  Porque entendemos as lágrimas e compreendemos a revolta e os “porquês”.
O fato é que existem cristãos no nosso tempo que são verdadeiros cristãos “carpideiros”. Permitam-me assim colocar!
Eles lamentam os lamentos das outras pessoas, apenas por que elas estão lamentando!
Reclamam apenas por que os demais estão reclamando!
Revoltam-se apenas por que existem os revoltados.
Choram por que os outros estão chorando!
Não procuram saber os “porquês” e o contexto dos fatos!
Esses cristãos “carpideiros” normalmente não se alegram com os que estão alegres na igreja!
Não exultam de alegria com aqueles que estão exultantes com o dono da igreja, que é Cristo!
Não louvam com os que estão louvando ou não oram com os que estão orando!
Chorar com os que choram não é chorar porque os outros choram!
 
Edgar Simão é obreiro voluntário em Itatiba (SP).

Não alimente seus monstros

Mesmo sem intenção, podemos fazer crescer sentimentos que nos maltratam
monstros
 Monstros bonitos e feios. Monstros pequenos e grandes. Monstros perigosos e de periculosidade imensurável. Monstros quietos e barulhentos.

Sim, tenho vários monstros em mim e não no armário ou debaixo da cama. Até porque, já sou bem grandinho para acreditar nisso, mas precisei ficar grande para acreditar que monstros existem.

Monstros que foram libertos pelo pecado da prisão de segurança máxima chamada inocência (Genesis 3:6-7).

Monstros que alimentei com ou sem intenção. Uns cresceram mais, outros menos.

Monstros que me levam a acreditar, sem saber que estou acreditando, na autossuficiência e perdendo a fé na dependência do Eterno.

Monstros que me enganam me fazendo acreditar, sem saber que estou acreditando, que o universo gira em torno do meu umbigo e que nada, absolutamente nada, ao meu redor acontece sem mim.

Monstros que me fazem acreditar, sem saber que estou acreditando, que fofocas são preocupação demasiada da vida daqueles que me cercam tornando lícito o ilícito e nomeando como: “compartilhamento sadio da vida alheia”.

Monstros que me fazem acreditar, sem saber que estou acreditando, que a inveja descarada que sinto é apenas desejo de crescer como os que estão a minha volta cresceram.

Monstros que me fazem acreditar, sem saber que estou acreditando, que eu preciso ser afagado, acariciado, elogiado pelo trabalho árduo e sacrificial que eu tenho dispensado em minha igreja, trabalho ou até mesmo no meu lar.

Monstros que fazem acreditar, sem saber que estou acreditando, que minhas culpas são imperdoáveis e me cegam não me permitindo olhar para Cruz.

Monstros que me fazem acreditar, sem saber que estou acreditando, no pseudo-humilde.

Monstros que já tentei matar ou prender, mas entendi que é impossível.

Porém, aprendi, pelas Sagradas Escrituras, que podemos dominá-los deixando-os com fome.

Monstros que sempre existirão, no entanto, fracos e desnutridos não nos assombrarão.

Não alimente seus monstros!

 

Da. Anderson Zanella congrega na IAP em Itatiba (SP).

O silêncio no deserto

Passamos a olhar onde não costumamos olhar: para dentro 

Pelas nossas escolhas (Gálatas 6:7) ou por sermos levados pelo Espírito, todos passaremos pelo deserto (Mateus 4:1). De forma figurada, entenda o deserto como quiser: provas, aflições, lutas, perseguições etc. O deserto é sem cor, sem vida, muito quente pela manhã e muito frio pela noite.
Passar algum tempo no deserto desestabiliza nosso raciocínio e faz as emoções chegarem à flor da pele.
Ninguém consegue “pular” o deserto.
Ninguém dá as boas-vindas ao deserto.
Só tem uma coisa boa no deserto: o silêncio.
Não o silêncio opressor ou o silêncio da solidão do deserto. Mas sim, o silêncio que torna o deserto uma escola. Uma escola de um aluno só, não sozinho, mas só.
O silêncio é importante para saber distinguir as vozes que são ouvidas no deserto (Mateus 4:3).
Silêncio que nos fará olhar onde não costumamos olhar quando estamos fora do deserto: olhar para dentro. E olhar para dentro, às vezes, custa caro; pois podemos não gostar de nos conhecer em meio ao deserto. Mas no deserto não vai haver muita coisa para se apreciar mesmo. E os benefícios de se olhar para dentro são enormes.
O silêncio no deserto é o grito da calma que irá nos ensinar a organizar as nossas ações, emoções e desejos; pois nenhum deserto justifica o pecado (Mateus 4:4).
Por isso, quando estiver no deserto, aprecie o silêncio. Ele te acalmará e provocará fome na sua fé, que deve ser alimentada pelo discernimento.
E aguarde, pois no fim de todo deserto há vida, há cor, há alimento e há recomeço (Mateus 4:11).
Deus trabalha no silêncio.
Da. Anderson Zanella congrega na IAP em Itatiba (SP).