A Bíblia nos oferece a postura do “enfrentamento pela fé”
A primeira pergunta que muitos fazem em momentos de tragédia é: “Onde está Deus, que permite tudo isso?” A outra, muito comum, é: “Onde tudo isso vai parar? É o fim do mundo!”. Essas posturas vêm acompanhadas de duas interpretações, ambas prejudiciais ao coração humano e distantes do ponto de vista bíblico sobre a tragédia. Alguns se revoltam contra Deus, como se ele não se importasse ou nem mesmo existisse. Outros, encontram culpa nas pessoas e situações a tal ponto de dizer que essas tragédias são castigos infringidos por Deus, por conta da conduta moral dos que sofrem.
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O livro de Jó apresenta praticamente um tratado sobre o assunto a partir da grande tragédia que acometeu a vida desse homem e de sua família. A primeira coisa que aprendemos é que tragédias podem acontecer com qualquer pessoa: “Na terra de Uz vivia um homem íntegro que temia a Deus e evitava o mal” (Jó 1.1). Tragédias não são castigos, porque mesmo um homem íntegro como Jó enfrentou calamidades. Quantos de nós já nos vimos em uma situação em que concluímos que não merecíamos passar por aquilo ou que não entendemos como algo tão ruim pode acontecer conosco ou com alguém querido. Em Lucas 13.1-4, Jesus apresenta a mesma ideia ao dizer que tragédias não tornam os homens e mulheres que as enfrentam mais culpados que todos os demais.
Chegamos então ao segundo fato sobre as tragédias, pela perspectiva bíblica: elas são próprias a um mundo em desequilíbrio. Jó 2.1 diz que, junto com os filhos de Deus, se apresentou diante dele, Satanás. Não pode parecer normal aos nossos olhos a não ser que aceitemos o fato de que o mundo entrou em desequilíbrio. Junto com os anjos, temos um adversário, que seduziu a humanidade ao dizer que seria possível a vida independente de Deus.
A quebra do relacionamento entre humanidade e Deus, no Éden, causou, pelo menos, quatro grandes desequilíbrios:

- emocional: o casal, ao perceber que estava nu, pela primeira vez enfrentou um sentimento estranho, o medo, e esse descompasso de medo, ansiedade e depressão nos acompanha até hoje;
- relacional: homem e mulher se colocam pela primeira vez em lados opostos (…a mulher que tu me destes…) e, daí por diante, está estabelecida a luta entre gêneros, classes e tantas outras;
- ecológico: a relação do ser humano com a terra seria de luta, retirando o fruto dela à força e tornando-a cada vez mais hostil ao domínio desenfreado exercido pela humanidade;
- espiritual: Deus disse que, no dia em que o homem decidisse pelo caminho da desobediência, ele se encontraria com a morte; portanto, distante de Deus, o homem perdeu o acesso à vida abundante.
Como cristãos, temos que adotar algumas reações. Jó, ao final do livro, diz: “sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2). A Bíblia nos oferece a postura do “enfrentamento pela fé”. Deus é soberano. Mesmo sem o completo entendimento de todas as coisas, Jó decide confiar naquele que tudo pode.
A fé que é exercida todos os dias por homens e mulheres ao entrarem em elevadores, subirem em aviões, saírem para o trabalho sem ter certeza de como será o dia, precisa ser direcionada para o lugar certo: o Deus Todo-poderoso. Jó, inclusive, é exemplo de fé de algo que ele não viu: em Jesus, o Pai decidiu amar o mundo de tal maneira e terminar com a morte e as tragédias. Nós aguardamos a manifestação final do Filho de Deus que devolverá, por seu Reino, o completo equilíbrio entre Deus, a humanidade e a natureza.
Também é exigida do cristão a “resistência através do diálogo”. Jó conversou com Deus por longos capítulos. Ele não se fechou, mas sofreu em seu interior a ponto de explodir internamente. Óbvio que foram dias difíceis, mas o texto de Jó nos ensina a resistir com diálogo.
E por fim, precisamos nos encher de esperança “presente em relacionamentos saudáveis e ações sociais”. Jó diz: “meus ouvidos já tinham ouvido a seu respeito, mas agora os meus olhos te viram” (Jó 42.5). Esse é o último capítulo e todo esse processo de enfrentamento, resistência e esperança para Jó acontece antes dele ver qualquer solução para sua crise. Nós, que estamos olhando essas tragédias de longe, precisamos oferecer esperança às pessoas e a nós mesmos com um relacionamento crescente com Deus e uma atitude de oração e ajuda humanitária naquilo que está ao nosso alcance.
Por: Pr. Junior Mendes | Secretário da Convenção Geral das Igrejas Adventista da Promessa.
Conteúdo original de: O Clarim.
Publicado por: APC Jornalismo.
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