Empreendedorismo e missão: expedição ao Marajó leva “sementes” para desenvolvimento local

A comunidade local teve atividades voltadas à produção de renda sustentável no Plantando Esperança Tajapuru; loja colaborativa foi aberta no Instagram.

 

Paula Santos, de 21 anos, é uma das jovens alcançadas pelo Projeto Plantando Esperança no Tajapuru, em Breves (PA), desde o início dos trabalhos e durante a Expedição 2026 da Agência Humanitária Promessista (AHP), ela pôde ser despertada para um lado que jamais imaginaria: o empreendedorismo, um dos focos da ação vivida entre os dias 11 e 16 de janeiro, na Ilha do Marajó.

 

Com a participação da irmã Juliana Mateusa, da Igreja Adventista da Promessa de Cotia, Convenção Paulistana em São Paulo (SP), que trabalha com projetos ligados ao empreendedorismo e a iniciativa Mulheres da Promessa, Paula sentiu-se tocada a estruturar pequenos negócios que ajudarão a movimentar a economia local, gerando renda e um legado permanente para os moradores.

“A vinda dos voluntários abrilhantou pra gente começar a investir em trabalhos artesanais, como, por exemplo, trabalhos que a gente faz aqui e que a gente pode colocar à venda online, que pode gerar valores e que pode ser reconhecido em outros lugares”, explicou a moradora. Com as primeiras noções de empreendedorismo dadas durante a missão, Paula e os demais moradores que vendem artesanato e roupas poderão escoar a produção. “A gente abriu uma loja online que se chama Tajapuru na rede. A gente vai começar a expor lá os trabalhos feitos artesanalmente e, assim, tentar vender pra outras pessoas”, explicou, sorridente, pela nova oportunidade.

Paula conta que, por meio da parceria dos voluntários, a visão foi ampliada. “Com as ideias que o pessoal deu, a gente tá tendo o reconhecimento de que o trabalho é valoroso e que a gente vai conseguir ir além”, ressaltou.

 

Empreendedorismo de mãos dadas com a missão

Por meio da parceria entre a AHP, a Convenção Norte e as igrejas da Promessa em Breves, serviços em saúde, psicologia, assistência social, atividades com crianças, além da pregação do Evangelho de Cristo, foram levados em quase uma semana de atividades. Assim como o empreendedorismo, que mais do que uma ajuda circunstancial, busca orientar uma ideia de sustentabilidade a longo prazo.

A voluntária Juliana, durante os dias da expedição, fez uma espécie de mapeamento no início dos trabalhos, quando observou e conversou com os líderes comunitários, viu o forte trabalho ligado com o açaí, e outras potencialidades para gerar sustentabilidade para os ribeirinhos.
“A gente pensou primeiro, criar uma liderança local para viabilizar melhor a comercialização desses produtos, para eles entenderem o valor de tudo que eles fabricam aqui, de quanto é bonita a arte deles, com os recursos que eles têm da natureza”, explicou Juliana.

A liderança local para organizar na produção dos artesanatos ficou a cargo de Paula. Também foi realizada uma feirinha no último dia da expedição, com artesanato produzido da comunidade: tapetes, remos, brinquedos de madeira, cestas de talas de árvores locais e paneiros estavam entre os produtos comercializados. Além disso, um Instagram foi aberto para ajudar a tornar a produção conhecida e vendável (@tajapurunarede), o que contribui para o desenvolvimento da região, mostrando que a expedição e o Projeto Plantando Esperança Tajapuru se comprometem com o desenvolvimento comunitário e a dignidade das pessoas, como valores vindos do Evangelho.

 

“Fazendo tendas” no Tajapuru

Juliana lembrou à reportagem que Paulo, enquanto pregava o Evangelho, também produzia tendas (Atos 18:1-3). Ela ressaltou que a assistência com cestas é importante, assim como a pregação do Evangelho, e que o empreendedorismo chega para somar, destacando a importância da pessoa nesse processo.
“Deus deu a todos dons e talentos. E quando a pessoa coloca isso em movimento, ela honra a Deus com isso, glorifica Deus com os dons dela, serve uns aos outros, sai daquela posição de só receber, mas passa também a agir, é incluída na missão”, ressaltou. “Então, acho que o empreendedorismo, além de gerar renda e dignidade financeira, é esperança, gera inclusão. Ele inclui a pessoa, inclui aquela comunidade na missão.”

Juliana destacou que a ideia é incentivar uma produção local para que, ao produzir artesanato, esse material sirva de lembrança para quem visita a missão, gerando legado e fonte de renda locais. “Isso vai trazer valor, eles vão se sentir reconhecidos em cada objeto. Traz muitos legados que vão além de recursos, além de dinheiro. São coisas muito profundas e significativas. Todos os negócios, quando são para o Reino, podem transformar.”

Além dos produtos artesanais, Paula, a empreendedora local, recebeu um “capital semente”, uma oferta pessoal, para que possa investir em uma loja de roupas e revender para os moradores da região. “A gente tá deixando um capital semente, com as irmãs da nossa igreja, para iniciar um negócio na área de vendas de roupas, e a ideia que a gente já colocou na cabeça dela, já identificou e já repassou, é que isso é uma forma de fazer missão”, pontuou. 

“Porque, ao vender uma roupa e atender os ribeirinhos, ela pode estar levando amor, a missão, fala de Deus; vende com segurança, comodidade e carinho. É usar os negócios não só para comercializar, mas para amar as pessoas por meio dos negócios, levar o evangelho e transformar realidades. Relacionamento, essa é a chave”, concluiu.

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