Skip to content

Entre enlatados e odres: “…não vos conformeis com este mundo!”

A igreja não deve entrar nas propostas enlatadas dos valores mundanos, nem dar respostas rasas, de acordo com o que o mundo quer.

Quando o apóstolo Paulo escreveu aos Romanos as aplicações de sua carta, a partir do capítulo 12, ele explicou: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2).

A palavra em destaque no texto é “conformeis”, que, no grego, é “syschēmatízō”. A ideia é que o sistema de valores contrários a Cristo tem uma forma, um molde, como se fosse um enlatado no qual deseja colocar os discípulos de Cristo. Na proposta apostólica, o crente em Jesus vive em “metamorphóō”, ou seja, em constante mudança e renovação da mente e do comportamento, o que o alinha à vontade de Deus.

Como escreveu o Pastor britânico William Barclay em seu comentário bíblico: “Não tentem amoldar sua vida com todas as modas do mundo; não sejam como o camaleão que toma a cor do meio que o rodeia; não sigam o mundo; não deixem que o mundo dite como serão.” Assim, a igreja não deve entrar nas propostas enlatadas dos valores mundanos, nem, muitas vezes, dar respostas rasas conforme o mundo espera.

 

Destampando a lata

A resposta escrita de Pedro para a igreja foi a seguinte: “Amados, peço a vocês, como peregrinos e forasteiros que são, que se abstenham das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma, tendo conduta exemplar no meio dos gentios, para que, quando eles os acusarem de malfeitores, observando as boas obras que vocês praticam, glorifiquem a Deus no dia da visitação.” (1Pe 2:11-12 NAA). Ou seja, a resposta da igreja se dá com palavras e ações; é sua santidade, seu amor e sua verdade manifestados na sociedade.

O mundo sugere que a igreja é como um enlatado, cheio de conservantes maléficos; mas a Palavra de Deus aponta para uma transformação contínua, de amor e verdade, por meio das boas obras; é como se ele abrisse a lata para que o cristão saia e brilhe no mundo: “Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos.” (1 Pe 2:15) Observe que Pedro diz que, quando vivemos a mensagem do Evangelho, nossa conduta serve para silenciar o deboche dos que não creem no Senhor.

A Palavra de Deus convoca a igreja a responder à razão de sua fé com firmeza e mansidão (1Pe 3:15), levando em conta que os sofrimentos fazem parte da jornada cristã, assim como ocorreu com o Senhor e com os primeiros cristãos. A igreja também não deve “pegar corda” com qualquer crítica, pois é ela é a noiva de Cristo. 

Tanto Paulo quanto Pedro rejeitam os enquadramentos do mundo; eles não descem ao nível dos que estão mortos em delitos e pecados, mas usam as acusações como oportunidade para que estes mesmos glorifiquem o Pai, por meio de uma vida que cresce “de glória em glória na imagem do Senhor” (2Co 3:18).

Lembremo-nos de que Jesus ensinou que o “vinho novo” deve ser colocado em odres novos (Mt 9:17), onde pode fermentar e crescer sem romper o recipiente. Por isso, os cristãos devem recordar que sua verdadeira identidade, dada pelo Criador, é livre dos moldes propostos pelo mundo.

 

Texto: Agência Promessista de Comunicação (APC)

Notícias