Novos poços em Moçambique

Perfurações vão acontecer entre abril e julho, quando as chuvas diminuem
Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, a paz do Senhor.
Quero agradecê-los por todas as orações feitas em favor da abertura de poços artesianos nas localidades de Mutai e Nacuca.
De fato as dificuldades só aumentaram em razões de as chuvas terem se intensificado no país. As vossas orações foram extremamente úteis para que a nossa equipe de viagem, também em oração, decidisse adiar a perfuração dos mesmos para o período entre abril e julho deste ano, após o período das grandes chuvas cessarem.
Isso ocorre por mais duas razões substanciais: (1) por ter muita água na superfície, os perfuradores podem nos dar um furo raso que, no período da seca, se tornará infrutífero; (2) o deslocamento das máquinas para os furos se torna extremamente caro, devido às péssimas condições das estradas (muita lama).
Devemos, entretanto, continuar orando para que os irmãos dessas comunidades sejam poupados de doenças graves em razão de usarem água inapropriadas.
Recebam meu abraço fraternal, em Cristo Jesus!
Pastor José Lima de Farias Filho

Água que dá vida

Ele está a ajudar um dos pedreiros
São precisamente 13h30
O sol arde como pimenta indiana
Tem nas mãos duas canecas de plástico duro
Cheias de água limpa
– É para beber?
– Sim!
Bernardo vira uma das canecas na boca
Bebe com gana, com vontade
Água do poço de Nataleia
O líquido desliza pelo peito a molhar a camisa surrada
– Isso é água boa, pastor! Água que dá vida!
– Graças a Deus!

Não só para os pobres

O Evangelho  não vê classes sociais
O Evangelho não vê classes econômicas
O Evangelho não vê classes étnicas
O Evangelho é para todos
São 21h40 do dia 05 de fevereiro
Estamos reunidos a cantar a Deus
Com a família mais rica de Malema
Têm profundo respeito pelos pastores da IAP
Por isso ouvem o Evangelho, cantado e falado
Um dos momentos sublimes da missão
O Espírito Santo age com poder
Não se interessa apenas pelos pobres
 
 
O sanfoneiro
Casa de barro e palha
Quase em frente à IAP em Nataleia
A depender do dia, o viajante era atraído pela música
O Sr. Nacuco e seu acordeon
A tocar sozinho no serrado africano
Mas agora o músico cego já não mais toca
Seu precioso instrumento quebrou
Pois os ouvidos estão mais pobres
A alma, menos sensível
E os viajantes procuraram por um som que sumiu

Orem com urgência

Há seis dias em Malema
Necessidade urgente de dois poços
Contato todos os dias com a empresa
Ontem, a notícia: a empresa está impossibilitada
Crianças, idosos, jovens e adultos
Tomando água suja
Estamos a buscar novas alternativas
Mas parece não haver opções
Todavia, já vimos Deus fazer proezas por aqui
Por isso, pedimos: orem, orem, orem…
 
 
Açúcar no bolso
Na pensão de Malema
Estou a doar1 kgde açúcar para um rapaz
O plástico rasga e um pouco do pó precioso se derrama
Cem gramas no bagageiro do carro
Peço ao moço da limpeza que me ajude
Ele se abaixa e usa as mãos
O açúcar desliza suavemente ao bolso de sua bata de trabalho
– É muito açúcar, senhor, não se pode perder…
Ele se foi e eu fiquei ali a pensar
– Cem gramas de açúcar, meu Deus…
 
 
Dijap na chuva
Estamos na estrada de volta à vila de Malema
Acabamos de servir almoço para os trabalhadores
Estão a construir a igreja e a horta comunitária
Uma chuva forte cai
À nossa frente, um bolo de crianças
Com um plástico a cobri-las da tempestade
Todas da IAP em Nataleia
Se divertindo na chuva
– Oi!
– Oiiiiiiiii!
Subitamente, a Dsa. Scheila saca um sabonete
– Eiiiiii… É isso, é isso, é isso…
PUlação, gritaria, festa…
Quinze crianças a se banharem na estrada
 
 
Pr. José Lima
 
 
 
 

Sábado

Estamos rumo á igreja em Nataleia
Felizes por encontrar o povo de Deus
Adorar a Deus com música africana
Que privilégio!
Idosos, adultos, jovens e crianças a cantar
Um coral na igrejinha, em meio à plantação
É sábado!
Deus seja engrandecido!
 
 
 
 
Um banquete espiritual
É sábado, dia do Senhor!
Dia de descanso, de adoração, de deleite
Dia de posse do Pr. Almir e Dsa. Scheila
Vão assumir mais uma parte do trabalho de Jesus
Agora no sul de Moçambique, em Nataleia
A igreja de barro e palha é baixa e pequena
Muita gente para pouco espaço, então…
Plásticos debaixo das mangueiras
Tábuas da construção ao chão
Num instante, uma congregação a céu aberto
Começa a Escola Bíblica, derrama-se a sabedoria de Cristo
Começa o culto, explode o poder de Deus
Música, música espiritual
Um “coral” africano de arrepiar
Alegria, muita alegria
Crianças, jovens e adultos a dançar com decência e ordem
Almir e Scheila empossados
A igreja não resiste:  entrega-se à celebração
Um por um, a abraçar o casal missionário
E nós, a olhar e chorar ante essa maravilha divina
Quem tem méritos para estar aqui e viver isso?
“Oh, Senhor, que não nos falte a tua graça”.

Chuva, montanhas e nuvens

Chuva, muita chuva
A noite inteira de chuva grossa
05h20, estamos na estrada
Rumo a Nataleia
As torrentes se foram e o cenário da manhã é deslumbrante
As nuvens brancas e gigantes são como monstros de neve
Elas abraçam as altas e imensas montanhas, como a namorar
Enrolaram-se, deram um laço nos grandes picos
Estão bem perto da terra como querendo tocar em nós
Trazendo um frio inacreditável no serrado africano
“Deus é Senhor da natureza”.
 
 
Intervenção divina
 
Tudo preparado para a construção da IAP em Nataleia
Materiais, trabalhadores, alimentação…
A comunidade decidira que a vida se daria em redor do poço
Como em torno do rio
Antes, subitamente, a notícia: “o filho não permite a construção em redor do poço”
Situação inesperada e de difícil solução
Em Moçambique, a liderança familiar é um misto patriarcal / tribal
Uma decisão de ontem pode ser outra amanhã, conforme os interesses
“Se tem homem branco, tem muito dinheiro”
O filho da senhora do terreno quer um valor difícil de operar
Vinte e quatro horas de apreensão
Centenas de crianças, dezenas de idosos, muitos adultos inseguros
Vêem suas esperanças se desvanecendo
Joelhos no chão, conversa franca com Deus, choro e clamor
Conversa espiritual com a comunidade
No dia seguinte, a notícia abençoada: “Podem construir!”
E sem uso de nenhum centavo
Festa, alegria, júbilo!
Eles sabem que o homem jamais cederia
Eles sabem que Deus interviu na mente dele.
Eles acreditam e afirmam: “Foi um milagre de Deus!”
 
 
Doeu na alma
Em junho de 2012 ela foi alvo de uma destas singelas “crônicas”
Menina humilde, coração alegre
Ela vibrou quando ouviu sobre o Projeto Plantando Esperança
Agora está triste, quieta, cabeça baixa…
– Oi, Maria (nome fictício)
– Oi
– Tudo bem?
Silêncio
– Você está indo à escola?
– Não
– Posso saber por que?
– Humm… dinheiro…
– Não teve como pagar, é isso?
– É…
Mas não é. Porém, ela não é mentirosa
No caso dela, a verdade é difícil de ser expressada
Quando uma criança é violentada, a alma morre
Agora está recebendo carinho, atenção, orientação
Vai voltar a estudar
Vai voltar a ser feliz
Porque o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo que crê.
 
 
Os meninos na ponte
São cinco metros de altura
Uns estão de calção, outros do jeito que nasceram
“Um, dois, três, iaaaaa…”
Os corpinhos se soltam no ar a se encontrar com a água
Água corrente, mas poluída, contaminada
Em um minuto, estão em cima da ponte outra vez
Um vai e vem sem fim
Única alegria, única diversão.
 
 
 
Dona Alda
Ela merece ser mencionada, conhecida
Não é exagero dizer que ela é como um anjo de Deus para nós
Em todas as dificuldades, dona Alda “mexe os pauzinhos”
As portas se abrem quando ela faz uma ligação, um contato
Ela é pessoa ativa do Plantando Esperança
Deus a usa de forma especial, singular
Ela tem profundo respeito pelo trabalho que a IAP faz
Ela é a mulher mais abastada de Malema
Mas não se exibe, não é esnobe
Vive a nos ajudar a ajudar os desvalidos
Ela merece a oração dos promessistas
 
 
 
 

O vendedor de lenha


Estrada enlameada
O vendedor de lenha empurra a bicicleta na ladeira
Um feixe robusto de galhos secos
Paramos o carro a seu lado
– Boa tarde! Você vende essa lenha?
– Sim!
– Quanto custa?
– Cem meticais! (R$ 6,60)
O vendedor põe humildemente a lenha no carro
Ele iria empurrar a bicicleta por25 km
“às vezes, ninguém compra e eu trago de volta”
– Quem são seus pais?
– Só tenho mãe. Tenho também irmãos.
Nos contou que o dinheiro da lenha é para dar de comer à mãe e aos irmãos
Demos-lhe 250 meticais (R$ 16,60)
– Obrigado, papa!
Não o fizemos por pena.
Precisamos de lenha para fazer nosso jantar
E o lenhador voltou radiante

 

Pescoços e bicicletas


Pescoços e bicicletas
 Sacos de carvão
Sacos de manga
Feixes de lenha
Tudo o que se possa vender e trocar se vê
Nas cabeças e pescoços rígidos
Nas bicicletas de pneus baixos
Nos passos lentos ao chão
Nas pedaladas cansadas
Nas estradas sem fim
Na esperança de uma vida melhor
 
Beleza teimosa
Apesar da chuva que
Destrói e mata
Apesar da malária e da cólera virulentas
Apesar da pobreza impiedosa
Apesar da desesperança
A chuva esverdeia as pradarias
As nuvens carregadas beijam os montes
As flores colorem e acalmam a alma
As crianças correm na chuva e se banham nas poças
E os viajantes
Desfrutam dessa beleza teimosa
 
A menina da pasta azul
 
São 7h30
Ela vê nosso carro e pisa firme
Tem medo de homens brancos
Braço esquerdo a apertar a pasta azul
Dentro estão caderno, lápis e borracha
São cinco quilômetros até a escola
Tem apenas cinco anos
Ta chovendo e, para seus padrões, frio
A menininha africana está só na estrada
E é linda
 
 Bolos
 
Não, não falo de trigo, nem fermento
Não falo de festas de aniversário
Não falo de brigadeiros salivantes
Falo de crianças juntas na beira da estrada
São vistas aos montes
Coladinhas uma nas outras, se aquecendo do frio
Bolos de crianças
 

Luz em meio a trevas

Comprando material de construção, o Evangelho é pregado


Estamos a comprar material para construção
Músicas e rezas muçulmanas dentro da loja
Um empregado pára em frente ao patrão
É humilhado em minha frente
Tem mais de 60 anos de idade e 15 de serviço
Foram-se os senhores portugueses, chegaram os indianos
Os moçambicanos parecem estar sempre debaixo de chicotes
Constrangido, dirijo-me a outro balcão
Surpreso, vejo outro empregado idoso, mas com a Bíblia na mão
“Ele quer prova bíblica da promessa”, informa o Pr. GElson
Fora despertado através do nome “Adventista da Promessa”
“Leia Atos 4, 5 e 8. Veja Lucas 24: 49…”
Ele anota os textos, apreensivo, o patrão não pode vê-lo
Mas não aguenta: lê ali mesmo a palavra de Deus.
A gente vê, literalmente, a luz de Jesus brilhar.
E o Espírito Santo abrindo a mente do homem para salvá-lo.
 
Pr. José Lima
 
 
 
 

Fraca e debilitada

Oremos pela Sandra, esposa do Ms. Marcelino, de Moçambique
 
 
 
Muçulmanos
Eles são quase onipresentes
Tem negócios no aeroporto
Nos hotéis e supermercados
Nas principais lojas da cidade
Nos bancos e lojas de câmbio
Nas escolas e mesquitas
Nos postos de combustíveis
Nos restaurantes e farmácias
Se infiltram, se espalham, se derramam
“Eu sou a luz do mundo, aquele que me segue não andará em trevas,
Mas achou a luz da vida” – Jesus
 
 
Mal persistente
– A paz do Senhor, Ms. Marcelino!
– A paz, pastore!
– Como está sua esposa, irmã Sandra?
– Está doente… Tem malária…
Silêncio
Fomos vê-la: está magra e fraca
Onde mora é um reino de mosquitos
Providências estão sendo tomadas
Orem, orem, orem
 
Pr. José Lima
 
 

Poemas da África

Leia os primeiros relatos do Pr. José Lima, na forma de versos

Chegando
Chegar, olhar, sentir…
Dar continuar à missão
Mirar os campos brancos
Proclamar Jesus
Plantar e regar para colher
Faz-se essa obra em todo lugar
Mas na África o coração treme
Ainda não sei explicar porquê
 
 
 
Missão e Capacitação
Gente, muita gente
De todas as cores e matizes
Americanos, africanos, europeus, asiáticos
Joanesburgo ferve em diversidade racial, idiomas, línguas e dialetos…
“Quanta gente precisando de Jesus”
Só a vontade de pregar não basta
Há de se ter mais preparo
 
 
Pr. José Lima
 

Pastores embarcam para Moçambique

Representantes da Diretoria Geral e o casal que assumirá o campo visitarão as IAPs

Nesta quarta (23) embarcou para Moçambique uma caravana de pastores  composta pelo Pr. Lima, Pr. Osmar, Pr. José Carlos, Pr. Gelson (Convenção Sul), Pr. Almir e Dsa Scheila, a fim de darem continuidade no Projeto Plantando Esperança. Pedimos a todos que orem por esses pastores, pela viagem, saúde, estadia naquele país, por todo o trabalho que precisa ser desenvolvido e também por suas famílias que aqui ficam.

O desafio é enorme: construir uma igreja em Nataleia, abrir dois poços artesianos, matricular 134 crianças, construir uma caixa d’agua em Nataleia para irrigar canteiros que serão construídos, legalizar a IAP e o pastor Almir, Sheila e o filho Mateus.
“Vamos atrás de um grande terreno para construção da base missionária em Nampula.”, diz o pr. José Lima. As circunstâncias são bastante adversas, principalmente no campo espiritual, pois é um país infestado pelo ocultismo e satanismo. Portanto, pedimos a todo o povo promessista que clame a Deus, nos lares, nos cultos nos templo, ore, jejue para que este desafio que Cristo colocou nas mãos da IAP prospere.