Festas regadas a muita bebida alcoólica, com dança frenética, música e muito sexo. Talvez, ao ler essas frases iniciais, pensemos nas ruas do Brasil durante o período de carnaval, nos blocos de São Paulo, entre os trios de Salvador, no Galo da Madrugada de Recife ou durante os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Mas, além daqui, a frase descreve um pouco da adoração praticada ao deus Dionísio, também chamado Baco, que migrou da Ásia para a Grécia, segundo a Bíblia de Estudo Arqueológica.
Diante desse cenário, que tinha suas variações, Paulo escreveu em Efésios 5:18: “E não se embriaguem com vinho, pois isso leva à devassidão, mas deixem-se encher do Espírito”. Note que o apóstolo explica as consequências desse excesso que misturava vinho e devassidão, em contraste com o controle exercido pelo Espírito Santo, que conduz à vontade de Deus e ao equilíbrio (Rm 8:5-6; Gl 5:16).
Ajudando a lançar luz sobre o contexto, a Bíblia de Estudo Arqueológica explica que “nos rituais frenéticos e extáticos desse culto, a embriaguez com vinho era tida como estar cheio do espírito de Dionísio”. Ela também esclarece que “alguns neófitos da Ásia Menor estavam provavelmente levando essa adoração para a igreja ao associar o vinho com a plenitude do Espírito Santo”. Por isso, analisa: “Paulo não queria que ninguém confundisse o frenesi da embriaguez com o poder do Espírito. Repudiava esse conceito e denunciava a embriaguez, ao mesmo tempo em que associava a plenitude do Espírito com outras atividades”.
Andando na contramão dos blocos
Esse comentário ajuda a entender como eram necessárias as observações apostólicas e o chamado para permitir que o Espírito governasse as ações dos crentes (Gl 5:25). Num mundo governado pelo vinho e pelos prazeres carnais, o evangelho apostólico propunha outro tipo de caminhada, na “avenida que se chama vida”.
Nas explicações de Paulo ao longo do contexto, ele ensina que devemos andar nos passos do Pai, vivendo em amor (Ef 5:1-2); ter uma vida e linguagem sadias, não imorais (vv. 3-6); não participar de seus festejos nem concordar com o que fazem (vv. 7-14). Paulo chama esses comportamentos de “insensatez”, característica de quem age sem reflexão e discernimento (Ef 5:15-17). Seria andar na contramão dos blocos.
Ao chegar ao versículo 18, a exortação apostólica faz um contraponto e cita as consequências de ter uma vida controlada pelo Espírito: “falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando com o coração ao Senhor, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (vv. 19-20). Ou seja, longe da orgia ou de cultos desordenados, o Espírito proporciona uma vida de louvor verdadeiro, atitudes de gratidão.
Atrás do Espírito
Ele também é quem, ao governar nossa vida, promove submissão mútua (v. 21) e nos conduz a equilíbrio no lar e na sociedade (Ef 5:22–6:9). Mais forte que o vinho e diferente de suas ações destruidoras, o Espírito deve ser o verdadeiro combustível da vida cristã, capaz de produzir em nós toda sorte de boas obras.
É Ele que pela fé em Jesus Cristo, passa a habitar em nós, deve ser o guia da nossa vida, manifestado na obediência à sua Palavra (Jo 14:23; Rm 8:14). Por meio da salvação em Cristo, somos retirados das “folias” da vida longe de Deus, onde vivíamos entregues e embriagados (1Pe 4:3), para andarmos guiados e cheios do Espírito, que nos conduz a uma vida sóbria, honesta e justa (Tt 2:11-12).
Texto: Agência Promessista e Comunicação (APC)
Fotos: Canva| IA












