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Por que pregar o Evangelho para pessoas com deficiência mental profunda?

Saiba três razões que justificam a pregação para pessoas com deficiência cognitiva profunda ou que não se comunicam (verbalmente ou oralmente).

 

Por que pregar o Evangelho para pessoas com deficiência mental profunda? É uma pergunta legítima. Afinal, como vamos pregar para pessoas que, aparentemente, não entendem? Pretendo, neste pequeno texto, apresentar três razões que justificam plenamente a pregação do Evangelho para pessoas com deficiência cognitiva profunda, ou pessoas que não falam (não se comunicam verbalizando ou oralizando), ou que tenham qualquer tipo de impedimento dessa natureza, isto é, que apresentem em si fatores que as impedem de oferecer uma resposta pronta e nítida a um interlocutor que as interpelar sobre qualquer eixo comunicacional plausível.

Em primeiro lugar: porque Deus se comunica!
Isso quer dizer que o próprio Deus é quem estabelece o eixo de comunicação com o ser humano e, por isso, essa comunicação é plenamente eficaz. O que estou tentando dizer, de forma prática, é que, quando se trata do Evangelho, o êxito da comunicação não ocorre somente por código de sinais conhecidos que usamos, mas sim pelo fato de que o próprio Deus, através do seu Espírito, se revela a nós (1Co 2:10-12; Jo 16:13).

O Salmo 19:1 diz que os céus fazem uma declaração a todos os seres humanos sobre o Deus de toda glória a quem devemos adorar: “Os céus manifestam a glória de Deus. O firmamento anuncia a obra das suas mãos”. O texto ainda afirma que não há linguagem nem fala audível, e, ainda assim, a comunicação acontece. Ou seja, os canais de comunicação estabelecidos por Deus com o ser humano estão muito além dos códigos comuns inteligíveis que estabelecemos para nos comunicar. Deus tem seus próprios códigos!

 

Em segundo lugar: porque a Palavra de Deus tem o poder de transformar.
Isaías diz que a Palavra de Deus não volta vazia; muito pelo contrário, uma vez que ela é lançada, gera frutos, pois em si mesma é eficaz (Is 55:11). Ela é tão poderosa que realiza uma “cirurgia” que nenhum cirurgião, por mais habilidoso que seja, consegue fazer: penetra na divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas (Hb 4:12). Ela transforma as partes mais internas das pessoas. 

Essa é a operacionalidade das Escrituras Sagradas, que opera “tudo em todos”. A Palavra de Deus é poderosa e refrigera a alma (Sl 19:7). A Bíblia é o bisturi de Deus! São afirmações como essas que deixam a metafísica de “cabelos em pé”. Como assimilar o poder dessa Palavra? Bem, acredito que a escolha mais razoável é a seguinte: ou você crê ou você não crê.

 

Em terceiro e último lugar: porque Jesus mandou pregar para todos.

É importante obedecer às ordens do Mestre. Em Marcos 16, Jesus ordena que preguemos o evangelho a toda criatura (Mc 16:15). Não há nenhum critério elegível de distinção aqui. “Toda” é, necessariamente, toda.

Você pode até eleger seus critérios de distinção, mas saiba que isso não vem de Deus. Também não há abertura para que preguemos apenas quando o processo de conversão é compreendido por nós. Cada ser humano tem uma peculiaridade que só ao Criador é possível alcançar: a conversão é tão sobrenatural quanto a própria concepção. A realidade de “nascer de novo” é uma ação que só Deus pode realizar; e Ele o faz . O que cabe a nós é obedecer, pregar, ouvir e crer.

E obedecer é lançar a semente, sabendo que o ato de crescer pode não ser compreendido por nós, mas é gerado por Deus. O que cabe a Deus não caberá a nós. Entenda somente isso e cumpra o seu pequeno papel: pregue sem distinções! Você é o canal de Deus para alcançar corações. Quem estabeleceu isso foi o Senhor. Fique tranquilo, vai dar certo. Apenas faça o que Ele mandou.

Para concluir, deixo o texto de Romanos 1, que coloca os homens como indesculpáveis (Rm 1:20). Não importa a condição, pois o Senhor se revelou em sua criação, em sua Palavra e em seu Filho, Jesus Cristo (Hb 1:1-2). Poderia eu mostrar cientificamente que pessoas com deficiência cognitiva profunda têm níveis de compreensão, assim como autistas não verbais entendem, mas não conseguem falar de forma usual. Mas isso não é o fundamental aqui. Nossa base precisa ser estabelecida pela Bíblia. Obedeçamos. O resto é adjacente.

Como diz o antigo hino: “Pois obedecer é melhor do que sacrificar”.

Texto: Juliana Duque José é Líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral.

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