“Porque de vós repercutiu a palavra do Senhor, não só na Macedônia e Acaia, mas também por toda parte se divulgou a vossa fé em Deus…” (1 Tessalonicenses 1:8)
O Setembro Azul é mais do que uma data de conscientização: é um movimento de valorização da identidade cultural e linguística da comunidade surda. A bandeira criada por Arnaud Balard, artista e ativista surdo, simboliza luz, esperança e união. Suas cores falam de uma comunidade que se comunica com o coração e com as mãos, onde cada gesto é um convite a enxergar a beleza dessa cultura.
Ser surdo é viver uma forma única de perceber o mundo. É uma identidade que reflete a criatividade divina e nos desafia a compreender o Evangelho como uma mensagem que ultrapassa sons e palavras. O apóstolo Paulo nos lembra que a fé verdadeira repercute e ecoa além das fronteiras. Assim deve ser a comunicação do Evangelho: uma mensagem viva que alcança todos os povos, línguas e culturas. Cristo não está limitado à voz ou ao idioma; Ele fala ao coração de cada pessoa. A Igreja é chamada a discipular e se relacionar intencionalmente com a comunidade surda.

Evangelizar é incluir, aprender LIBRAS, compreender a cultura e comunicar o amor de Cristo de forma acessível. O Evangelho não depende da audição, mas da revelação. Mais do que traduzir palavras, evangelizar é viver o Evangelho em relacionamento. O discipulado é o caminho pelo qual o amor de Cristo se torna visível: vida compartilhada, amizade genuína e fé que se expressa em gestos. Ouvir com o coração e falar com as mãos é uma forma poderosa de tornar Cristo conhecido.
Cada gesto pode ser uma semente de salvação. Precisamos nos lembrar que Jesus é o Senhor de todas as línguas, culturas e povos. Seu chamado é universal: “Ide e fazei discípulos de todas as nações.” Isso inclui a comunidade surda, que também é parte do corpo de Cristo e destinatária da Boa Nova.
Portanto, o Setembro Azul é um lembrete de que a missão não termina quando o mês acaba. A missão vai além: é diária, relacional e transformadora. Que nossa fé repercuta, como a dos tessalonicenses, e alcance cada coração, seja por palavras, gestos, sinais ou silêncio. O Evangelho é para todos. Cristo deseja que todos cheguem ao conhecimento da verdade.
Texto: Diaconisa Luzia Regina Guedes Padovan | Líder de Libras da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral
Foto de capa: Reprodução/Internet









