Ao cuidar de questões do corpo, igreja mostra que o evangelho atende de forma integral às pessoas.
Breves (PA) – Durante os dias da Expedição 2026 da Agência Promessista (AHP) no Tajapuru (PA), diversos atendimentos em saúde foram realizados. Isso faz parte da visão de que a igreja leva o evangelho de forma integral às pessoas.
Débora Lorena, enfermeira e promessista da Promessa de Campo Verde (MT), chegou à expedição da AHP com 28 anos e, nesta quinta-feira (15), completou 29. Ela expressou gratidão a Deus ao servir a comunidade local, por meio de cerca de 80 atendimentos em saúde.
“A experiência é transformadora pra gente, nem tanto para o paciente, mas eu acho que individualmente. Porque é uma realidade muito distinta de onde eu vim”, analisa Débora.
Durante os atendimentos, foi detectado que os principais problemas de saúde na população ribeirinha do Tajapuru estão relacionados à qualidade da água, o que leva a parasitoses e gastroenterites bacterianas, além de viroses, desnutrição e pressão arterial elevada.
Diante do cenário, a Agência Humanitária, com a ajuda de parceiros, distribuiu antiparasitários para todas as crianças e adultos que passaram por consulta. Para pessoas com problemas agudos, como gastroenterites, foram realizados atendimentos e distribuída medicação. Já para os hipertensos, a medicação foi ajustada para um tratamento mais adequado.
A enfermeira avaliou sua experiência de aniversário em missão como “bem distinta”. “Eu me sinto muito satisfeita, muito completa. Apesar da minha família estar longe, minha filha, meu marido, minha mãe, eu me sinto muito feliz”, testemunha.
Quanto à Agência Humanitária, Débora a considera de “fundamental importância” e “necessária”, um meio que a permitiu estar ali, e afirma que incentivará amigos, colegas e irmãos de fé a se engajarem em novos projetos da instituição.
Contexto sensível
Durante a expedição, a psicóloga paranaense Elza Satiko diagnosticou que, em seus atendimentos, muitas pessoas apresentavam ansiedade e depressão. Entre as causas subjacentes identificadas estavam situações de abuso, consideradas um problema social gravíssimo na região.
“Nós temos um problema social gravíssimo que a sociedade constrói. Pessoas que usam do corpo de outras mulheres para poder se beneficiar em troca de coisas materiais que essas pessoas necessitam. E parece que isso se perpetua, e teríamos que encontrar uma maneira de isso se interromper”, explicou a psicóloga. Para ela, “há uma necessidade que envolve governo, envolve uma questão social mais ampla, e isso abala diretamente o emocional”.
Apesar do difícil contexto social, Elza aponta caminhos de esperança para a realidade local.
“Deus já estava na frente, iluminando as pessoas. Nós tivemos dois últimos casos em que as duas mulheres queriam aceitar Jesus. Então, a parte da fé, daquilo que Deus proporciona, é fundamental para que a gente se organize como sujeito e para que a pessoa fique no centro da vontade de Deus”, relatou.
Ela também analisou que a espiritualidade é um item importante no processo de reorganização mental e que influencia diretamente a realidade social.
“Quando a pessoa se dispõe a receber Deus, nós já contamos com mais de 70 ou 80% do tratamento. Depois, os outros 20% dependem da pessoa; eu acabei ensinando alguns exercícios e tudo mais”, relembra. “Então, eu acho que sem fé é impossível caminhar. Esse projeto, além de fazer a parte material, teve a parte espiritual como algo fundamental.”
E concluiu sua análise da conjuntura: “Trazer os recursos para organizar o corpo, organizar a mente e ainda a Palavra de Deus; corpo, alma e espírito foram alimentados.”
Texto: Andrei Sampaio/APC
Foto: Naty Vitoria









