Não sei se todos conhecem minha trajetória de vida, em relação à saúde. Achei por bem tocar neste assunto, como forma de desabafo e limpeza do coração.
Nasci com catarata congênita, uma doença visual séria, que normalmente é diagnosticada em pessoas idosas. A origem de tal doença, até hoje, ninguém sabe dizer. O fato é: nasci com a visão prejudicada. Com a finalidade de resolver o problema, fui submetido a cirurgias de transplante de cristalino (uma lente natural, que todos possuem) e tive, no olho esquerdo, um rompimento de córnea, aquela membrana que protege os olhos. Por conta disso, outras cirurgias foram necessárias, até o transplante de córnea, no olho esquerdo. Tudo corrias às mil maravilhas no processo pós-operatório até que, durante a retirada dos pontos da cirurgia, fui acometido por uma úlcera corneana, que me impossibilitou de enxergar com o olho esquerdo.
A partir daí, o quadro se estagnou. O resultado foi: visão do olho esquerdo totalmente perdida e a visão do olho direito comprometida em 80%, restando 20%, que é o que eu enxergo hoje.
Durante todo o processo de cirurgias e dificuldades, acredito que não aconteceu nenhuma oração intercessória nos cultos da comunidade cristã da qual eu fazia parte que eu não fui à frente, na certeza de que algo sobrenatural aconteceria. Insistentemente e repetidamente eu estava lá, crente e complexado. Jogando Deus na parede, na certeza de que Ele era “obrigado” a me dar a cura.
O tempo foi passando, a idade chegando e eu lá, todo culto “recebendo oração”… Até que um dia eu entendi, por meio da voz de Deus, de maneira sobrenatural, que eu não precisava de cura física. Meu problema era só a aceitação. Deus queria que eu aceitasse a condição em que estava, pois era assim que Ele queria que eu testemunhasse de Sua glória.
Eu fui curado! Fui curado dos meus traumas e complexos, da minha raiva de Deus e das minhas concepções errôneas em relação a Ele. Fui curado da ingratidão, pois Ele fez-me entender o quanto eu era agraciado por ainda ter os 20% e com eles poder fazer o que mais amo: ler! Ler o Evangelho, ler os livros sobre o Evangelho. Ele me deu uma baixa visão, mas uma vontade tremenda de falar (rs) e Ele usa isso pra glória dele!
Eu nunca mais pedi a Deus para enxergar plenamente. Eu peço a Ele para fazer o que for melhor, segundo a sua vontade. Minha postura, hoje, é de filho agradecido e não de criança birrenta, que exige presente na hora que quer.
Por fim, deixo minhas palavras de incentivo, repetindo as palavras de Jeremias: “Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor, pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que esperais.” (Jr. 29.11)
Os planos de Deus sempre são melhores! A Ele, louvor, honra e glória pelos séculos dos séculos!
Eric de Moura é seminarista em Vila Medeiros e congrega na IAP em Vila Falchi (Mauá, SP).