Os cristãos diante da homossexualidade

Nosso desafio é acolher sem ser omissos, tendo paciência e confiando que Deus pode mudar corações. 

A Bíblia possui um ensino claro e direto contrário à homossexualidade. São vários os textos bíblicos que tratam do assunto (Gn 19.4-7; 2Pe 27; Jd 7; Lv 18.22; 20.13; 1 Co 6.9; 1 Tm 1.10; Rm 1.24-27). Os textos não deixam dúvidas de que a prática homossexual é um pecado, condenado pela Escritura. Dar vazão aos desejos homossexuais contraria a vontade de Deus. 

De todos esses textos, destacamos o da carta de Paulo aos Romanos, talvez, um dos mais fortes contra esta prática. Neste trecho, o apóstolo trata de como os seres humanos negaram a Deus e rejeitaram sua revelação (Rm 1.18-23). Em razão disso, o criador os entregou às paixões desonrosas (Rm 1.24-25). Uma das manifestações destas paixões é a homossexualidade. O apóstolo Paulo apresenta ao menos cinco características do pecado da homossexualidade em Romanos 1.26-27: 

1) É uma paixão vergonhosa: por isso, Deus os entregou às paixões desonrosas (v.27a); 

2) É uma distorção do padrão divino da prática sexual: porque até as suas mulheres substituíram as relações naturais pelo que é contrário à natureza (v.27b); 

3) São práticas baseadas em desejos contrários à natureza: os homens, da mesma maneira, abandonando as relações sexuais com a mulher, arderam em desejo sensual uns pelos outros (v.28a); 

4) Uma ação indecente: …cometendo indecência (Rm 1.28b);

5) Um erro de conduta ou desvio do caminho, que traz consequências: recebendo em si mesmos a devida recompensa do seu erro (Rm 1.28c).

 

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O que Cristo faria? 

A homossexualidade altera o padrão divino e distorce “a ordem divina para a prática sexual” (Rm 1.26)¹. As relações sexuais foram idealizadas por Deus para uma união entre um homem e uma mulher, no contexto do casamento (Gn 2.24; Mt 19.5). Quem tem a Bíblia como sua regra de fé e conduta não pode fugir desta conclusão: a homossexualidade é uma prática pecaminosa e os desejos homossexuais devem ser combatidos. 

 

Um pecado, mas não o pior – Mas, ressaltamos que estamos falando de um pecado grave, mas não do pior dos pecados. Toda imoralidade sexual é pecado (Rm 1.24-32; 1 Co 6.9-10; 1 Tm 1.10). Perceba que sempre que a Bíblia fala da homossexualidade, a coloca junto com outros pecados. Não podemos achar que este é o pior dos pecados, pois, isso pode acabar nos afastando das pessoas que estão lutando contra este comportamento. Quem comente o pecado da homossexualidade também é alvo do amor de Deus e do sacrifício redentor de Cristo! 

Inclusive, o evangelho fala de pessoas que abandonaram a prática homossexual. Escrevendo para a igreja de Corinto, Paulo diz que aqueles que se submetem às práticas homossexuais e aqueles que as praticam não herdarão o reino dos céus (1 Co 6.9- 10). Ele diz na sequência: “Alguns de vós éreis assim. Mas fostes lavados, santificados e justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus” (1Co 6.11 – grifo nosso). Havia cristãos, em Corinto, que conseguiram vencer os desejos pecaminosos e abandonar as práticas homossexuais. 

Por isso, cremos que, pelo poder do evangelho e com a ajuda do Espírito Santo, é possível sim, para um homossexual, vencer os seus desejos e práticas sexuais contrários à natureza e voltar a ter desejos heterossexuais. A graça de Deus educa nossas paixões, nos ensinando a dizer “sim” e a dizer “não” (Tt 2.11-14). É óbvio que isso não é tão simples. Esse processo não acontece com todos os que se converterem a Cristo, instantaneamente, da noite para o dia. Pode levar tempo. 

Com a conversão, entramos no processo de santificação. Em alguma medida, a maioria de nós tem pecados contra os quais lutamos por muito tempo, mesmo depois de convertidos. Algumas pessoas, talvez, terão de lutar por toda vida contra os desejos homossexuais para manter seu corpo e sua mente puros. Este caminho pode ser bem menos angustiante se elas encontrarem apoio na igreja onde servem a Cristo. 

 

Importante – Em vez de abrirem a boca para fazer piadas contra gays e lésbicas, os cristãos deveriam abrir os braços para acolhê-los. A igreja não cumprirá o seu papel se apenas argumentar contra a homossexualidade. Precisa oferecer apoio e encorajamento. Caminhar com aqueles que estão lutando contra este pecado e ajudá-los a suportar suas lutas, oferecendo amizade e companheirismo. 

Este é o chamado da igreja. Ela deve amar o homossexual e apresentar-lhe a poderosa mensagem do evangelho. Enfim, a igreja deve agir como Cristo. O que Cristo faria ao deparar-se com um homossexual? Ofereceria acolhimento ou preconceito? Iria lhe apresentar o evangelho confrontando sua prática, ou o deixaria no pecado sem alertá-lo? Nosso desafio é acolher sem ser omissos, tendo paciência e confiando que Deus pode mudar corações. 

Oremos para que Deus nos ajude a amar o nosso próximo, aqueles por quem Jesus morreu, especialmente os que a cultura, secular ou eclesiástica, diz que não deveríamos nos importar e nem amar (Lc 10.25-37). Isso é o que Deus espera de nós. Afinal de contas, se Cristo morreu por nós, perdoou nossas transgressões e transformou a nossa vida, não há ninguém que ele não possa transformar!

 

Leia o texto completo no site da Revista O Clarim: https://abrir.link/zsoFz 

Por: Pr. Eleilton Freitas | Vice-Presidente da Convenção Geral das Igrejas Adventistas da Promessa, Mestre em Teologia e Diretor da Editora Promessa. 

Publicado originalmente: Revista O Clarim “O desafio da homossexualidade”. Ministério de Mulheres da Convenção Geral, edição 70, 2018, pp. 38-41. 

Editado por: APC Jornalismo. 

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Referências: 

CRAIG, W. L. Apologética para questões difíceis da vida. São Paulo: Vida Nova, 2010. KELLER, T. Romanos 1-7 para você. São Paulo: Vida Nova, 2017. SANTOS, V. da S. Uma perspectiva cristã sobre a homossexualidade. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. STOTT, J. A mensagem de Romanos. São Paulo: ABU, 2000.

1 – Santos (2006, p. 41). 2 – Stott (2000, p. 85).