Deixando a "Ilha de Caras"

A mulher de Ló amava mais as coisas do que a Deus

Lembrai-vos da mulher de Ló.” (Lc 17:32)
Irmãs, imaginem aquele vestido caro, aquele sapato alto; pensem naquele batom especial, naqueles cosméticos diferenciados. Aquela bolsa dos sonhos? A casa espaçosa, confortável e bem acabada? Aquele guarda-roupa variado? Morando num lugar seguro e bonito? Aquele chá da tarde com as amigas, e depois passar no shopping com o cartão de crédito ilimitado?
Se você tivesse tudo isso e muito mais, além de uma família maravilhosa que se desloca em viagens periódicas aos lugares mais encantadores, como se sentiria?
Mas, de repente, de uma hora para a outra, inesperadamente, toda essa encantadora vida vai ruir. O marido comunica a família que terão que deixar tudo para trás, porque todo aquele ambiente onde a ostentação foi estabelecida vai ser destruído. O pecado contaminou todas as áreas da sociedade e Deus não pode mais suportar.
Ló, sua esposa e filhos têm que sair depressa, correndo, porque o fogo destruidor se aproxima daquele paraíso do consumo.
A família de Ló dá trabalho para os anjos de Deus; não querem deixar aquela “ilha de Caras”. Ela, a mulher de Ló, não tem tempo para pegar nada no closet.
Quando o fogo atingiu Sodoma e Gomorra, ela corria trôpega e de má vontade, e ao sentir o cheiro de queimado de suas joias, perfumes, cosméticos, sapatos e roupas de marca, quis ver pra crer: olhou pra trás e foi transformada numa estátua de sal. Pensou que o aviso de Deus era um blefe. Seu coração estava lá, naquele closet. Ela amava mais as coisas do que a Deus.
Milênios depois, a voz de Jesus ecoou essa cena dramática: “Lembrai-vos da mulher de Ló.”
Ore e peça a Deus pra nunca esquecer dessa intrigante mulher.

Pr. José Lima Farias Filho, segundo secretário geral da IAP

E agora, José?

Aguarde, em silêncio, a salvação do Senhor

Graças ao seu Deus, nos últimos tempos, a sua vida vinha dando certo em tudo. Mas desde que a mulher do outro, que não segurou a onda da atração sexual por você, armou feio para o seu lado, a sua vida virou um drama de novo (Gn 39:17). Diante disso, a sua festa acabou, a sua luz apagou, o seu povo sumiu, a sua noite esfriou, como diria o poeta das Minas Gerais. E agora, José?
Agora, fique calado!
Você sabe que “há hora de falar e hora de calar” (Ec 3:7). A hora agora pede que você se cale. Ele está muito irado com o que ouviu da mulher dele (Gn 39:19). E uma fala sua pode agravar muito as coisas para o seu lado. Melhor preso do que morto, José. Lembre-se, José, de que “bom é aguardar em silêncio a salvação do Senhor” (Lm 3:26). Diga para a sua alma: “Somente em Deus, ó minha alma, espera silenciosa” (Sl 62:5).
Agora, aceite trabalho!
Nada de ficar à toa vendo a banda passar. Aceite a função que lhe derem para ajudar a cuidar dos presos (Gn 39:22). E faça tudo o que se deve fazer. E Deus vai abençoar tudo o que fizer. A pior coisa que você pode fazer é não fazer nada. Se optar por viver assim a sua mente vai perder a saúde. Você vai surtar. Você vai pirar. Não seja, portanto, inerte. Mãos à obra!
Agora, seja solidário
A sua aflição é enorme. A sua cara não nega. Mas, por favor, não se ocupe apenas da sua aflição. Nada de achar que a sua dor de alma é a maior e única dor que há. Não é mesmo, José. Tem um monte de gente doída ao seu redor (Gn 40:6). Basta olhar para os seus rostos. Estão tristes, aflitos, tensos. Vamos, José, faça alguma coisa para ajudá-los. Use o dom que Deus lhe deu para o bem deles (Gn 40:8).
Agora, saiba esperar!
Não fique bravo porque as coisas não ocorrem no seu tempo. Deixe o tempo rolar. Alguém não se lembrou de você (Gn 40:23)? Deus se lembra sempre. Acaso pode um mãe não se lembrar do filho que ainda mama? Pois ainda que isso ocorra, Deus nunca vai deixar de se lembrar de você. Nunca, José! (Is 49:15). Aguarde, com paciência o desenrolar da história! A sua hora vai chegar (Gn 41:41). Chega para todo mundo.

Pr. Genilson Soares da Silva é responsável pela IAP em Vila Camargo (Curitiba – PR).

O vento sopra onde quer

“O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.” (Jo 8:3)

Sorriso no rosto, pernas a correr na direção do campo de terra batida, no bairro cidade nova, na cidade de Óbidos, Pará. Pipa nova, linha com cerol à espera do vento perfeito. Ele vinha e a gente o recebia de peito aberto e feliz. Pipa no ar. Ela subia e se exibia, pancosa no céu de Deus. Alegria, festa, felicidade, gritaria, diversão garantida pra dezenas de curumins. Tive infância feliz amados!
Você soltou pipa alguma vez? Se não, pelo menos viu o vento a levar solene, pra bem perto das nuvens?
Já andou de jangada? Ou pelo menos já viu o vento a conduzir mar a dentro em parceria com o jangadeiro?
Pois é, Jesus compara a ação gloriosa, poderosa e imprescindível do Espírito Santo ao vento que levanta a pipa às nuvens e leva a jangada além mar.
O vento, você sabe, é uma força poderosa que a gente sente, mas não o vemos. Nós sabemos que ele é real, nós o experimentamos, mas nós não o enxergamos. Ele é invisível mas real.
Assim é o Espírito Santo, diz Jesus. O Espírito Santo é presença misteriosa e real dentro dos salvos em Cristo Jesus. Ele habita em nós para nos dar forças, ânimo e sabedoria. Ele habita em nós para criar em nossa natureza caída o caráter de Cristo, e assim garantir a nossa plena salvação. Ele arranca a gente de todo o marasmo e ignorância, nos fazendo produtivos e otimistas quanto ao futuro, afinal é Ele quem nos guia em toda a verdade.
É esse Deus misterioso e real que sopra onde quer, faz o que lhe apraz dentro de nós, muitas vezes contra a nossa vontade, contra a nossa frieza, descrenças, acomodação, teimosia, impaciência, em fim, Ele prepara a nossa “pessoa interior” para receber as novas missões e desafios que Jesus tem pra nos dar nesta vida.
Atenção amado e amada: o Espírito Santo é misterioso mas Ele sabe muito bem para onde quer levar você: moldar o seu caráter ao de Cristo Jesus.
Quer ser levado pelo Espírito Santo às “nuvens de Deus” como o vento faz com a pipa? Quer ser levado ao “mar de Deus” como o vento conduz a jangada?
Peça ao Pai, em oração contrita e perseverante, em nome de Jesus.
O Pai o atenderá e fará você “voar” e “navegar” no Espírito de Deus.

Pr. José Lima, segundo secretário geral da IAP

O paradoxo de Jó

Quando ele estava sem nada, ele encontrou tudo

O livro de Jó nos mostrar a história real de um homem que teve todos os motivos para blasfemar contra Deus ou então negá-lo ou abandoná-lo, mas decidiu seguir confiante, reconhecendo que Deus é soberano e que tudo o que sucede aos homens é vindo da parte de Deus. Tal história tem sido estudada por vários teólogos e historiadores que buscam entender como pode um ser humano permanecer fiel em momentos de crises. Muitos chegam a afirmar que o livro de Jó relata apenas uma história fictícia, pois seria impossível para um ser humano permanecer com uma vida íntegra em meio a tanto caos e desgraças. O que é colocado em jogo no livro de Jó é se há uma expectativa por parte de nós, seres humanos, em obter algo de Deus, como uma recompensa diante de nossa devoção a Deus?
Quando começamos a ler o livro, podemos perceber claramente que há uma conversa acontecendo entre Deus e Satanás. Quando Satanás diz para Deus que estava vindo da Terra, depois de ter andado por ela, Deus lhe pergunta se ele havia visto o servo Jó. Perceba que quem coloca Jó na conversa é o próprio Deus. O Criador faz um testemunho maravilhoso acerca do seu servo. Deus chega a dizer para Satanás que Jó era uma homem reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Deus começa então, a elogiar Jó, por sua bela conduta e devoção.
Ao ouvir toda explanação feita por Deus, Satanás faz um questionamento que não mexe apenas com Jó, mas com todos que se declaram cristãos. Será que nossas motivações em relação a Deus têm sido puras? Será que temos nos aproximado de Deus com um coração carregado de interesse? O que é colocado em jogo por Satanás é se Jó está sendo fiel porque realmente ama a Deus ou se ele obedece a Deus simplesmente por que tem tudo o que precisa, até porque Jó possuía propriedades, filhos e filhas, casa etc.
Mesmo com a afirmação de Deus, Satanás ainda continua insistindo com a ideia de que Jó é fiel apenas porque tem tudo o que precisa. Surge então uma aposta. Satanás pede para que Deus tirasse tudo que pudesse motivar Jó nesta vida. Todas as suas posses e bens afetivos que pudessem provocar em Jó algum sentimento de gratidão. Deus sabia que Jó era temente por devoção e não por barganha, portanto Ele aceita a aposta. Em pouquíssimo tempo, tudo o que Jó possuía foi reduzido a nada. Suas propriedades foram saqueadas e queimadas. Seus filhos e filhas foram mortos. Todas as suas posses foram aniquiladas. Mas mesmo com tudo isso acontecendo, Jó afirma que Deus é soberano sobre tudo e todos, e se foi Deus quem deu, Ele também pode tirar.
Jó olha para si mesmo e percebe que assim como veio, nu do ventre de sua mãe, nu ele voltaria e que, comparado a Deus, não somos absolutamente nada. Ao ver a atitude de Jó, Satanás mais uma vez se achega perante Deus e lhe diz que Jó permanece fiel, pois ele tem saúde. Então Satanás pede permissão para tocar na pele e nos ossos de Jó. Mais uma vez, Deus aceita a aposta. Deus apenas determina que Satanás não tirasse a vida de Jó. Logo após isto, Jó é atacado por uma lepra que toma todo o seu corpo. Agora sem filhos, sem casas, sem bens, Jó se encontra também doente com uma das piores – senão a pior – doença de sua época. O que poderia causar revolta no coração de Jó, é o fato de Deus se calar quando tudo isso começa a acontecer. Jó poderia muito bem começar a murmurar, perguntando a Deus onde é que Ele estava, ou então, perguntar sobre qual seria a causa de todo este sofrimento. Jó entendia que tudo procede de Deus e que Ele, em sua infinita graça e poder, poderia, se fosse da sua vontade, tirar Jó do meio de toda aquela cena terrível. Mesmo com Deus calado, Jó permanece fiel. Até agora, Deus está ganhando a aposta.
Todo este sofrimento que Jó passou o fez pensar em tudo que lhe motivava. Distante das bênçãos e da presença evidente de Deus através de coisas e bens, agora Jó se depara com uma realidade nunca provada por ele antes. Agora ele não tem nada. Ele se encontra solitário e vazio, ele acha um lugar de solitude. É neste contexto que Jó pôde se esvaziar de todo o egoísmo que poderia haver em si e se encher mais de Deus. Em todo este cenário de desolação, Jó pode, cada vez mais, entrar em seu coração, analisando realidades espirituais que até então eram despercebidas. Foi exatamente quando ele estava sem nada que ele encontrou tudo.
Surgem na história os amigos de Jó. Estes têm papel imprescindível no desenrolar do contexto. Os amigos de Jó vão nos apresentar uma realidade também vivida por nós. O questionamento por parte deles a Jó é que Deus abençoa o justo e amaldiçoa o ímpio, logo, Jó havia pecado. Tanto Jó como nós, sabemos que ele não havia cometido pecado, pelo menos não que justificasse tal sofrimento. Sabemos que tudo o que está acontecendo é resultado de uma aposta de Deus e Satanás. Quando seus amigos lhe apresentam tal hipótese, vemos aqui mais uma forte arma que dá à Satanás mais um ponto. Com esta afirmação dos amigos, Jó é desafiado a confessar seus pecados para que Deus o abençoasse novamente, mas se Jó fizesse isto, Satanás teria uma vitória certeira nesta aposta, pois assim, poderia afirmar que Jó apenas adorava e amava a Deus pelo que Deus podia oferecer. Embora Jó concordasse, em partes, com este pensamento de que Deus abençoa o justo, ele permanece fiel a Deus mesmo sem saber os motivos que o levaram a tal sofrimento.
Após todas estas acusações por parte de seus amigos, Jó ouve a voz de Deus depois de muito silêncio. Jó perguntava o tempo todo sobre os motivos de seus pecados, mas agora, quando Deus fala com ele, não lhe apresenta os motivos de seus pecados, mas faz com que Jó pense na soberania de Deus. Todas as falas de Deus para Jó revelavam que Deus não se enquadrava em nenhuma teologia criada por homens. Deus não se limita a pensamentos e ideologias humanas. Ele é o soberano e está acima de todos os pensamentos que venhamos a ter. Diante do posicionamento de Deus, Jó não resiste e se rende. Ele escolhe ser fiel mesmo assim e se lança nos braços de Deus, reconhecendo que antes, ele conhecia Deus por palavras, mas agora Jó o conhecia, pois havia andado com ele.
Agora, após ver esta conduta de Jó, me questiono sobre a quantidade de cristãos que lotam os templos. Igrejas cheias de pessoas vazias de Deus. Pessoas que estão se achegando à Deus apenas pelos benefícios que Ele pode oferecer e não pelo que Deus é em essência. Nosso desafio é buscar nos aproximarmos a Deus, adorá-lo e amá-lo pelo que, de fato, Ele é. Ele é Deus e isso nos basta.

Lucas Timóteo Moraes é seminarista, da Convenção Paranaense

Ame sem pressa

Talvez você não aguente mais viver apressado mas tenha receio de reclamar com quem o apressa em tudo

Nas minhas voltas pela manhã, pelo parque que fica perto de casa, cruzei um dia com um casal bem no meio da ponte de tábua que liga as margens do lago. Nessa mesma hora, ouvi da boca da mulher, meio brava, a frase: “você anda com pressa demais”, porque quem vinha ao lado dela havia dito algo sobre apressar os passos.
Nem todo mundo anda no mesmo ritmo. Alguns andam com pressa. Outros, sem pressa. Mas a pressão dos que andam com pressa sobre os que andam sem pressa é enorme e diária. Quem anda com pressa não se satisfaz em andar com pressa sozinho. Quer levar quem está por perto a fazer o mesmo. E a maior parte, para evitar atritos, não se opõe à pressão do apressado.
Entra, então, no ritmo do outro, do que anda com pressa. De início, leva numa boa. Mas chega uma hora que cansa. Talvez este seja o seu caso. Não aguenta mais viver com pressa, mas tem receio de abrir o verbo com quem apressa você em tudo, até no que não pode haver pressa: na troca de afetos.
O bordão de quem anda com pressa é aquele que diz que não é certo deixar para amanhã o que se pode fazer hoje. Mas, fala sério, de que adianta fazer hoje, mas fazer com pressa? De que adianta beijar hoje, mas beijar com pressa? De que adianta abraçar hoje, mas abraçar com pressa? De que adianta cuidar hoje, mas cuidar com pressa?
Ame a si mesmo, ame o outro, ame a Deus (Lc 10:27), mas, por favor, ame sem pressa. Quem ama sem pressa, ama bem amado. Quem ama sem pressa, vai longe no amor! Troque o “fast love” pelo “slow love”. Concluo com um trecho da canção “Tocando em frente“, interpretada por Almir Sater: “Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente”.

Pr. Genilson Soares é responsável pela IAP em Vila Camargo (Curitiba – PR).

Deus não está longe

Ele não se atrasa, nem deixa de nos ouvir

“Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.” (Sl 145:18)
Já teve você a sensação de que Deus está atrasado em lhe socorrer? E a impressão de que ele não o escuta? Aquela percepção forte de que Deus está distante quando você mais precisa dele deve ser bastante frustrante, não é?
Pois é, essa é uma experiência comum a maioria das pessoas religiosas, até mesmo entre os que têm clareza de que Ele é amoroso, bondoso, gracioso, misericordioso, poderoso, santo e justo.
Isso acontece porque a nossa percepção sobre a realidade espiritual de Deus é bastante prejudicada pelo pecado que habita em nós, de forma que o melhor que podemos compreender de Deus é parcial. Como diz a Bíblia, “em parte conhecemos, em parte profetizamos”.
Na realidade, Deus jamais está longe de sua criação, sobretudo de seus filhos e filhas, como garante o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam”.
Como experimentar essa realidade espiritual? O salmista responde: invocando-o “em verdade”! Se você de fato buscar a Deus com o coração inteiro experimentará o quão perto Ele está de você a ponto de constatar a sua presença.

Pr. José Lima, segundo secretário da Convenção Geral

João-de-barro ou João-de-Deus?

Jesus sabia o que dizia quando, em seu sermão do monte, pediu para a gente dar uma olhada nas aves do céu (Mt 6:26). Mas de todas as ordens deste sermão, talvez essa seja a que mais se ignora. E por fazê-lo, perde-se a chance de viver de bem com a vida.
Numa manhã dessas, acordei irritado. Normal. Todo mundo acorda assim, uma vez ou outra. Não sei a sua irritação, mas a minha nem sempre tem uma causa objetiva. Na maior parte das vezes, sou um irritado sem causa. Simplesmente acordo assim.
Pois bem, com a alma assim, peguei uma xícara de café e fui para perto da janela da pia da cozinha. Entre um gole e outro, olhava a chuva caindo sem parar. Do nada, fui surpreendido por um João-de-Barro pousando no muro.
As penas dele davam pena. A água da chuva as molhou todas. Mas mesmo assim, o João-de-Barro ergueu o bico, bateu as duas asas e cantou com toda a força que tinha. Cantou na chuva. Quem nunca ouviu dizer que quem canta os seus males espanta?
Ao cantar, o João-de-Barro espantou os meus próprios males – os males da irritação. Creio que o João-de-Barro foi um enviado da parte de Deus para me mostrar que aquela minha irritação, assim como a irritação de Jonas (Jn 4:9), não era razoável. O João-de-Barro virou João-de-Deus. O meu Deus usa aves! Elias que o diga (I Rs 17:6).

Pr. Genilson Soares da Silva é responsável pela IAP em Vila Camargo (Curitiba, PR).

A oração de Ana

A riqueza em estar de joelhos diante do Pai

Então Ana orou, dizendo: O meu coração exulta no Senhor; o meu poder está exaltado no Senhor; a minha boca dilata-se contra os meus inimigos, porquanto me regozijo na tua salvação.” (I Sm 2:1)
De joelhos diante do Pai, a alegria de nossa alma é garantida, a nossa fé é fortalecida em Cristo, as nossas batalhas contra Satanás são vencidas, e tempos de vitórias e celebração serão preparados por Deus para a gente viver.

Pr. José Lima, segundo secretário da Convenção Geral da IAP

Nos braços do Pai

Sabemos quem somos e a quem recorrer

Há alguns dias, estávamos jantando com alguns amigos e nosso filho Caleb, de quatro anos, se machucou enquanto brincava com os coleguinhas.
Voltamos para casa e ele continuava chorando muito, dizendo que havia quebrado o braço. E nesse momento, de muita dor e choro, ele se sentou na cama, fechou seus olhos, segurou seu bracinho e orava assim: “Jesus me cura, me abençoa, me ajuda, eu sou teu filho, aquele menino pecador não tem Jesus no coração e me machucou, mas me ajuda, me cura…
Ao olhar aquela cena, uma pequena criança chorando e orando, eu também comecei a chorar com uma mistura de sentimentos: tristeza, diante de tamanha dor sentida por meu filho; mas muito feliz e grata a Deus por vê-lo orando daquela maneira.
O que mais me chamou atenção foi que ele sabe a quem recorrer, ele sabe o que somos sem ter Jesus no coração e ele sabe quem ele é!
Muitas vezes, esses são os grandes dilemas da vida adulta. Muitos choram e sofrem por não saber a quem recorrer, por não ter uma real noção da necessidade de Cristo e por não ter uma identidade definida.
Quando as más notícias chegam, a quem temos recorrido?
O meu socorro vem do Senhor!” (Salmo 121. 2ª)
Quando alguém peca contra nós, nos enchemos de mágoas, rancor, ou entendemos que essa pessoa também precisa de Jesus?
Livrem-se de toda amargura… perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo!” (Efésios 4:31-32).
Qual é a nossa identidade?
Aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus!” (João 1:12)
Caleb me dizia que o menino o chamava de tonto, mas ele respondeu: mamãe eu não sou tonto, eu sou filho de Deus! Nossa identidade deve estar baseada em quem somos em Deus, e Ele diz que somos filhos amados!
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

Danúbia Guarnieri é missionária da IAP na Argentina

Senhor, salva-me!

Como Pedro, devemos pedir por socorro antes de nos afogar

Assim como Pedro, estou ciente de que não estou nem no meio nem no final do processo de afogamento. Estou apenas no início dele. Apesar do vento forte, a minha boca ora fica acima do nível da água, ora fica abaixo do nível da água. Mas sei, pelo que aprendi com o mesmo Pedro, que é nessa etapa inicial que devo gritar por ajuda. Os meus olhos leram hoje que este seu aprendiz “começando a ir para o fundo, clamou, dizendo: Senhor, salva-me” (Mt 14:30).
Ainda não me afundei nas águas do alcoolismo, da infidelidade, do desânimo, da ansiedade, do desespero, da vergonha, do consumismo, da vingança, do remorso, da depressão, da imoralidade, da homossexualidade, mas estou começando a ir para o fundo. Estou realmente muito aflito com tantas águas, mas confesso que não tenho como salvar a mim mesmo delas. Também reconheço “que nenhum outro nome foi ou será designado para nossa salvação” (At 4:12 – A Mensagem). Apenas o Senhor pode me salvar.
Não quero, porém, ser como Jonas, que deixou para pedir para ser salvo só quando o mar o cobriu completamente e as plantas marinhas se enrolaram na sua cabeça (Jn 2:5). Eu quero ser, sim, como Pedro, que pediu para ser salvo no inicio de tudo. Assim, peço agora: “Senhor, salva-me”.

Pr. Genilson Soares da Silva é responsável pela IAP em Vila Camargo (Curitiba – PR)

Onde está a sua alegria?

Como “permanecer” no Senhor pode fazer toda a diferença

O livro de Habacuque me chama muito a atenção. Ele conta a história de um profeta, um homem temente a Deus, conhecedor da Palavra, mas totalmente indignado, triste, abatido com a condição do povo de Judá. Ele faz muitas perguntas para o Senhor e começa seu livro com essa: “Até quando, Senhor, clamarei por socorro, sem que tu ouças? Até quando gritarei a ti: ‘Violência!’ sem que tragas salvação?” (Hb 1:2).
Deus, por sua misericórdia, traz repostas a Habacuque, mas as respostas não eram favoráveis, as coisas iriam piorar. E mesmo diante de tamanho caos, o profeta termina o livro declarando que: “Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação.” (Hb 3. 17-18)
O profeta começa o livro de forma tão intensa, tão questionadora, inconformado com o que estava vendo ao seu derredor, mas ele termina declarando que mesmo que tudo vá mal, a alegria dele está colocada no Senhor, Deus da Salvação.
O que aconteceu com esse homem? Como pode mudar tão rápido de postura? Eu encontrei a resposta no primeiro versículo do capítulo 2: “Ficarei no meu posto de sentinela e tomarei posição sobre a muralha; aguardarei para ver o que ele me dirá e que resposta terei à minha queixa.”
Habacuque decidiu permanecer na presença do Senhor.
Nem sempre Deus vai mudar as circunstâncias da nossa vida, porque na realidade o maior interesse de Deus é mudar o nosso coração.
O coração desse homem foi tocado, a forma dele enxergar a vida foi transformada, a maneira de falar, de se comportar foi mudada porque ele decidiu permanecer na presença do Senhor e nesse tempo com Deus, nesse tempo de espera, ele entendeu que a alegria dele não poderia depender de nada mais, somente do Pai.
Pode ser que você esteja orando por uma situação há anos, na sua igreja, família, trabalho, nação, e talvez as coisas estejam apenas piorando. Sempre se lembre dessa verdade absoluta encontrada no livro de Habacuque: Deus deseja transformar o nosso coração a tal ponto que nossa alegria dependa somente dEle!

Danúbia Guarnieri é missionária da IAP na Argentina

Deus está sempre ao seu lado

Diante da luta, sempre temos duas opções: reclamar ou persistir, tendo o Senhor como nosso aliado?

Deus não pode ser encontrado em forma física e visível, mas em todo tempo está nos vendo, nos guiando, nos protegendo, nos livrando do mal e nos dando a esperança de que a nossa luta tem um tempo determinado, um dia e hora marcados por Ele próprio para terminar. Ainda que a noite pareça não ter fim, que a escuridão e as trevas insistam em continuar, num dado momento, de repente, o sol volta a brilha, então se cumpre a Palavra que diz: “… o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã” (Salmo 30:5b).
Temos pelo menos duas opções para tudo o que escolhemos na vida. Por exemplo, ao passarmos por alguma dificuldade, temos a opção de reclamar, com a expectativa de derrota e destruição, ou passarmos ao lado do Senhor, louvando, orando, chorando aos seus pés, e com a expectativa e esperança de vitória? A decisão é nossa.
Se o caminho está difícil, pediremos para voltar, para pararmos, ou pediremos forças para continuar adiante, até chegarmos ao fim? O Reino de Deus está sempre em movimento e quem lança mão ao arado, não pode olhar para trás (Lucas 9:62). Portanto, prossigamos adiante e coloquemos os nossos olhos nele! A palavra em Hebreus 10:38 diz que “o justo viverá pela fé, e se ele recuar, a alma do Senhor não terá prazer nele”.
Nós não fomos criados por Ele para recuarmos, não fomos criados para a destruição e sim para a conservação da nossa alma, para herdarmos a terra prometida, para conhecermos o céu, para entrarmos novamente no Jardim e comermos da árvore da vida. Lá não haverá mais anjos anjos proibindo a entrada e nem espada de fogo rodeando o seu caminho, poderemos entrar e comer livremente do seu fruto.
Assim como há esperança para a árvore que foi cortada, de voltar a brotar (Jó 14: 7-9), há também esperança para nós que estávamos mortos em nossos delitos e pecados, mas fomos regenerados pela Graça. Estávamos perdidos e condenados, mas Deus decidiu nos salvar enviando seu filho unigênito, aquele que é como Ele próprio, que tem a mesma natureza e o mesmo poder que o Pai. Aquele que era, que é, e que há de vir, o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, a brilhante Estrela da Manhã, o Sol da Justiça, o que vive por toda a eternidade, o Justo e Soberano, o Arquiteto da criação, o Senhor, o Conselheiro, o Deus Forte e Pai da Eternidade, o Príncipe da Paz, o Emanuel.
Portanto, entregue a Ele os seus dias, a sua existência e todos os seus planos, pois dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. Adore-o de todo o seu coração, com todas as suas forças e com todo o seu entendimento. “Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). Que Deus abençoe você!

Pr. Magno Batista da Silva, secretário geral da IAP

Identidade promessista

Sobre o nosso amor próprio

Certamente já vivemos alguns momentos de nossa história institucional de grande perigo, quando sustentávamos ser “o único povo de Deus na Terra”. Tese nunca defendida por nosso fundador, Pr. João Augusto da Silveira, e que nos provocou um pouco de jactância denominacional.
Superado tal momento, vivemos um período, guardada as proporções, de uma falta de amor denominacional. Em que muitas vezes, não olhamos com amor próprio nossa história e nem a temos como tão significativa.
Amamos com afinco os doutores da Igreja (Agostinho, Atanásio, Tertuliano); os Reformadores (Lutero, Calvino, Armínio); os avivalistas (Jonathan Edwards, Finney, Parham, Seymour), e grandes nomes atuais. Até nos admiramos com a história das denominações e somos capazes de defender muitas igrejas, porém, quando se trata do Promessismo, nossas forças não são tão usadas.
Isso se reflete numa incapacidade em preservarmos a nossa própria história, ou seja, a tendência de não levarmos a sério a preservação de nossa memória. Nas palavras da escritora brasileira Nélida Piñon, “nós somos as traças que comemos nossa própria história.”
Tenho revisitado nos últimos anos a história promessista e percebi como estava sendo uma “traça” para com o legado que nos foi dado. Ao me deparar tendo que dar aula de nossos pontos doutrinários, que são mais da Bíblia do que da IAP, me deparei também com nossa história: das pessoas envolvidas, dos casos contados, da simplicidade que nos acompanha; da coragem que nos impulsionou.
Certamente Deus está conosco, nestas mais de oito décadas. Certamente há decepções que marcam o caminho, mas, há a possibilidade de um “reavivar” nosso amor próprio. Não o que nos diz que só nós seremos salvos, mas, aquele capaz de dizer, que somos parte do Corpo de Cristo e temos uma missão peculiar no meio do evangelicalismo: a de pregar a necessidade do enchimento com o Espírito Santo e a guarda dos mandamentos, por meio da graça de Cristo.
Por isso, temos de nos dar mais uma chance. De olhar nossa simples história, censurar nossos equívocos institucionais e seguir em frente. Como João Augusto, folhearmos Atos 1 e 2, relembrando de como Deus visita seu povo. Crendo que o vento do Espírito que nos fundou é o mesmo que nos trouxe até aqui e que continuará a soprar sobre nós, até o Dia de Jesus.

Andrei Sampaio Soares é colaborador do Departamento de Educação Cristã da IAP.

85 anos

Homenagem à Igreja Adventista da Promessa

Adventista da Promessa,
Nome forte e de poder,
Nasceu de uma oração,
E o Senhor a fez crescer,
Foi numa tarde de angústia,
Que João Augusto suplicou,
O Batismo no Espírito Santo,
E Deus, sua oração escutou,
Aquela angústia terrível,
O Senhor arrefeceu,
A alma outrora angustiada,
De grande alegria se encheu,
Depois de ser batizado,
A promessa ele entendeu,
Foi contar aos seus amigos,
Sobre o poder que recebeu,
Primeiro a sua esposa,
Ele a notícia contou,
Depois de se abraçarem,
Copiosamente chorou,
Chorou de alegria,
Pelo poder que recebeu,
Compreendeu de forma completa,
Aquilo que sempre creu,
Depois de uma semana,
Contando o que aconteceu,
João Augusto da Silveira,
Do seu lar não se esqueceu,
Voltou, mas por pouco tempo,
Pois pra São Paulo ele desceu
Para resumir a história,
Pois é grande por demais,
A igreja da Promessa,
Cresce cada vez mais,
São milhares de pessoas,
Que esta fé acolheram,
Uma doutrina Santa,
Dada toda por Deus,
De norte a Sul, Leste a Oeste,
Do nosso querido Brasil,
A IAP tem crescido,
Com força e muito brio,
Não somente no Brasil,
Mas no mundo está espalhada,
A doutrina Promessista,
Que dantes por Deus foi dada,
Muitos países foram alcançados,
Dos quais podemos citar,
O Espírito Santo tem impulsionado,
Para desta Promessa falar,
Argentina, Espanha e Bolívia,
Paraguai, Colômbia e El Salvador,
A Palavra tem sido falada,
Com muita fé e muito amor,
Agradeço sempre a Deus,
Por este grande Privilégio,
De ter nascido Promessista,
Pois meus Pais já criam neste Evangelho,
Não quero com esta Poesia,
Outras igrejas menosprezar,
Só falo como Promessista,
Pois é a minha forma de homenagear,
Deus a muitos tem chamado,
Para nesta Igreja ingressar,
Quem é Promessista sabe,
O quanto é bom d’ela participar,
Deus continue abençoando,
Este povo promessista,
Mantendo-os sempre firmes,
Até o fim dos dias,
Porque a Promessa é real,
Feliz é quem nela acredita,
Sê Fiel até a morte,
Para receber a coroa da Vida,
Parabéns à nossa IAP,
Por mais um ano de vida,
Que o Espírito Santo continue,
Dirigindo esta Igreja querida.

Gerson Vargas Peixoto – IAP Boqueirão, Curitiba – PR – 13 de Dezembro de 2016.
Fontes: Livro Marcos que Pontilham o Caminho – Edição 1973 e http://portaliap.org/

Uma reflexão para 2017

Sabemos quem nós somos e qual é o verdadeiro propósito de nossa existência?

Esse foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era. Ele confessou e não negou; declarou abertamente: “Não sou o Cristo”. Perguntaram-lhe: “E então, quem é você? É Elias? ” Ele disse: “Não sou”. “É o Profeta? ” Ele respondeu: “Não”. Finalmente perguntaram: “Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio? ” João respondeu com as palavras do profeta Isaías: “Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor’ “. (João 1:19-23).
O início de um novo ano é um período em que muitos de nós refletimos em nossa vida. Pensamos no que fizemos (ou deixamos de realizar) no ano anterior, mas principalmente planejamos e organizamos a nossa vida, tendo em mente o ano que acabou de começar, com os sonhos, desejos e anseios que projetamos nele. Alguns de nós vamos mais a fundo, e meditamos em quem realmente somos e qual é a nossa verdadeira missão aqui na Terra, pois precisamos definir um propósito para a nossa vida. Quem de nós nunca se perguntou: quem eu sou? Por que existo? Tais perguntas são extremamente importantes, pois descobrimos as grandes “paixões” de nossa vida quando sabemos quem somos nós e com que finalidade nós estamos aqui.
Em João 1: 23, lemos uma afirmação muito importante feita por João Batista: “Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Façam um caminho reto para o Senhor”. O profeta João dá essa declaração num contexto bem interessante: os fariseus estavam questionando João Batista a respeito de quem ele era e perguntaram-lhe se era Moisés, um profeta ou o próprio Salvador. João negou ser um destes homens e afirmou que ele era “a voz do que clama no deserto”. A resposta deste profeta nos ensina que João sabia quem ele era e mais, sabia qual era o seu propósito de vida no mundo. João era o profeta enviado por Deus com a missão clara e específica de “preparar o terreno” para a vinda do Salvador Jesus Cristo, que estava prestes a iniciar o seu ministério terreno.
E eu e você? Será que sabemos quem nós somos e qual é o verdadeiro propósito de nossa existência? Quando nós não temos a visão correta de nós mesmos, num momento ou no outro, podemos sucumbir diante dos desafios e obstáculos da vida. Para saber quem somos nós e qual é o nosso propósito de vida aqui, é imprescindível atentarmos para o que está registrado na Palavra de Deus. Sendo assim, o que a Bíblia Sagrada nos ensina sobre nós mesmos? Que somos criação de Deus, mas também pecadores, e que por isso precisamos desesperadamente da graça de Cristo (Rm 3: 23, 6: 23). Que a partir do momento em que cremos em Jesus como Senhor e Salvador de nossas vidas, somos alcançados pela salvação que somente encontramos nele (Ef 2: 8). Que somos filhos de Deus, totalmente dependentes do seu amor e do seu cuidado (Jo 1: 12 e 13).
Nas linhas acima, mencionamos apenas alguns aspectos que a Bíblia afirma sobre nós mesmos, aspectos esses que são fundamentais para que tenhamos uma visão correta sobre nós mesmos. E com relação ao nosso propósito de vida? Para que existimos? Novamente vamos buscar a resposta na Palavra de Deus. É ela que nos ensina que vivemos para glorificar a Deus e para vivenciar a sua vontade em nossas vidas (1 Co 10: 31; Rm 12: 1 e 2)! Nossa prioridade de vida deve ser amar a Deus de todo o nosso coração, alma e entendimento, dedicar a ele todos os dias de nossa vida e aprofundar o nosso relacionamento com o Senhor.
Deste modo, concluímos esta reflexão desejando que, neste novo ano que está apenas começando, cada um de nós possa ter uma visão bíblica do que somos e do propósito de Deus para as nossas vidas e que, isso norteie os nossos pensamentos, palavras e atitudes não somente em 2017, mas durante todos os dias que vivermos!

Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infantojuvenil Regional

“O Espírito Santo virá sobre ti”

A concepção sobrenatural de Jesus

Não é sustentável, pela fé cristã, que não se creia na concepção sobrenatural do Senhor Jesus Cristo. É muito claro pelas narrativas dos evangelhos que Jesus foi concebido por um milagre do Espírito Santo.
Mateus 1.18 narra que: “O nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava comprometida a casar-se com José. Mas, antes de se unirem, ela achou-se grávida pelo Espírito Santo.” Não é possível pensarmos na concepção como uma “narrativa disfarçada”, para encobrir uma possível relação sexual entre José e Maria, pois antes que eles se unissem, após o nascimento de Cristo, Maria achou-se grávida.
Também não é razoável pensarmos que a concepção fora uma relação sexual entre Maria e o Espírito Santo, como muitos mitos ao redor de Israel, cujos relatos mostravam divindades que desciam até as mulheres e concebiam com elas, numa espécie de “lenda do boto”, contada na Amazônia.
Não! Pela narrativa dos evangelhos, Jesus foi concebido pelo poder do Espírito Santo, como disse Lucas: “O anjo respondeu: ‘O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso aquele que nascerá será santo e será chamado Filho de Deus’.” (1.38). Ou seja, da mesma forma como Deus disse “haja” luz a partir do nada (Gn 1.3), Ele fez o embrião Jesus, aparecer no ventre da virgem Maria, não por uma relação sexual, mas pelo poder miraculoso do Altíssimo.
Diante deste conhecimento a respeito da concepção sobrenatural de Jesus, temos algumas verdades a aprender, conforme mostrou o teólogo Karl Barth. Elas nos ajudam a entender, que o problema não seria simplesmente uma relação sexual entre José e Maria, já que no matrimônio isso não é errado, mas, porque foi necessária a concepção pelo Espírito.
Por que a concepção sobrenatural de Jesus foi necessária?
Verdade 1: Porque a concepção sobrenatural mostra uma sentença sobre a humanidade. Afinal, José e Maria que eram justos, mas, nasceram com o pecado original, não poderiam “produzir um Salvador”, bem como toda a humanidade.
Por isso, foi necessário que Jesus fosse concebido sobrenaturalmente. Paulo fala que: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”. (Rm 5.12) O Salvador deve vir de fora.
Verdade 2: A concepção sobrenatural mostra que Jesus e o evangelho são sobrenatural. Jesus veio do céu: “O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu.” (1Co 15.47) E o evangelho é de Deus: “Depois de João ter sido preso, foi Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus” (Mc 1.14 ).
Verdade 3: A concepção sobrenatural mostra que em Jesus há um novo começo para a humanidade. Como afirmou Paulo: “Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação; as coisas velhas já passaram, e surgiram coisas novas.” (2 Co 5.17). Pela fé em Jesus, todos nós, podemos ser transformados em novas pessoas: mente e atitudes, por obra da graça de Deus: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (Jo 1.13)
Portanto, celebremos a Deus pela concepção sobrenatural de Jesus, que nos mostra o poder criador do Senhor, o interesse em nos salvar e nos dá um novo começo.

Ms. Andrei Sampaio Soares é colaborador do Departamento de Educação Cristã da IAP