De volta ao simples

Para o ano que vai se iniciar, faça pedidos e propósitos simples

“Ah, se eu pudesse voltar atrás para uma vida simples, largaria tudo para voltar ao passado, à infância, a cidade simples do interior!” Talvez esse tem sido o pensamento de muitas pessoas bem sucedidas na vida, porém, infelizes com o estresse, os problemas e as lutas que parecem não ter fim! Como é bom o simples! Melhor ainda é escolher ter uma vida simples, mesmo com uma posição social de prestígio, uma educação refinada, com títulos e diplomas conquistados através de sacrifício, vários anos de estudos e trabalho e ainda com muitos recursos tecnológicos e boas condições financeiras.
A vida é cheia de coisas simples que, às vezes, não valorizamos! Sentimos falta quando não temos a oportunidade de ter ou fazer algo com pessoas que simplesmente amamos, por graça e presente de Deus… a família!
Simples como… tomar um café e pão com manteiga, comer arroz e feijão com bife, cebola e polenta…
Simples como uma saudação diária… Bom dia! Tudo bem! Por favor! Seja bem vindo! Muito obrigado! Eu te amo! Um abraço apertado; um estender de mãos para ajudar!
Simples como o sorriso de uma criança, o cuidado de uma mãe, os quitutes da vovó, às lágrimas do pai com o nascimento do primeiro filho. Simples como congregar e estar perto do amado irmão nos cultos! (Sl 122 e 133).
Ao findar o ano, não se esqueça das coisas simples realizadas com a permissão e a graça de Deus!
Simplesmente, agradeça ao Pai Nosso pela vida e por mais um ano!
Para o ano que se inicia, faça pedidos e propósitos simples para conseguir cumprir! Por exemplo, ligar para um amigo, iniciar uma caminhada de um quilômetro, ler um texto bíblico por dia, um livro de 30 páginas, beber água etc…
Aprendendo a ser simples… Com o Cristo, o Senhor da Igreja. Ele é o Rei da glória, mas deixou o céu para nascer na manjedoura, cresceu na carpintaria, não teve onde deitar sua cabeça (Mt 8:20), por fim, carregou a cruz e morreu por simplesmente amar a todos as pessoas! Ele não se preocupou com o exterior das pessoas, mas mostrou que a transformação precisa ser de dentro para fora. Por fim, ele nos convida a aprendermos a ser ovelhas… Cheios da graça, de virtudes que ele concede: mansidão, humildade, perdão, serviço, a ser gentil. A amar, a ouvir e a respeitar as pessoas! (Mt 11:28-30; Gl 5:22; Rm 12:2; I Jo 4:18-21).
As pessoas da igreja precisam aprender a viver o simples com o Cristo!
O Evangelho de Cristo é Simples! Poder de Deus para salvação! (Rm 1:16).
A Igreja deve ser simples porque o dono dela é simples! (Fl 2:5-11).
Somos convidados a voltar ao simples! Que o Senhor abençoe a todos com saúde, Paz, alegria, prosperidade e felicidades em 2017 e sempre!

Sandro Soares de O. Lima, pastor nas IAPs Centro e Toledo (Cascavel – PR), Convenção Paranaense.

Achados e perdidos

A parábola do filho pródigo nos mostra dois tipos de pessoas. Qual tipo somos?

E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos; Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;” (Lucas 15:29-31)
Estamos diante de uma parábola famosíssima. A parábola que Jesus usou para exortar os fariseus e os escribas. Ao relatar os dois filhos na parábola, o mestre estava mostrando dois estilos de pessoas que existem dentro da igreja. Dois tipos de religiosos. Jesus estava ensinando sobre o infinito amor de Deus, mas ao mesmo tempo, estava chamando a atenção dos escribas e fariseus que estavam questionando suas atitudes. Vamos meditar sobre filhos que estão perdidos:
O filho que se perde fora de casa, um dia é encontrado
Vemos que o filho mais moço chega para o pai e lhe pede a parte que lhe cabe da herança. Quando ele faz este pedido, ele demonstra que não possui nenhuma consideração pelo seu pai. A herança era dividida apenas quando o pai viesse a falecer, logo, se o filho está pedindo a seu pai que lhe dê a sua parte da herança, ele está querendo dizer “Pai, para mim o senhor já não tem importância! Para mim, o senhor já morreu. Me dê a parte de minha herança, pois vou embora!”
Assim também há dentro das igrejas, pessoas que não dão importância a Deus. A Palavra de Deus diz que na vida do ímpio não há lugar para Deus (Sl 10:4). É muito fácil encontrarmos crentes que estão dentro da igreja e vivem uma religiosidade barata. Talvez este seja o grande dilema a ser enfrentado nos dias atuais: a religiosidade, no lugar de Cristo. Não há espaço para Deus. Ele perdeu a importância.
Podemos notar também que o filho mais moço sai de casa levando tudo o que tem: “ajuntando tudo o que era seu”. Este trecho nos dá a entender que ele saiu de casa disposto a não voltar. Ele leva tudo o que lhe pertencia, para que não ficasse nada naquela casa que o prendesse ou desse motivos para regressar para a casa do pai. Ele queria conhecer o mundo que estava ao seu redor por todo este tempo e agora, com o dinheiro em mãos, ele tem esta oportunidade. Não perde tempo nenhum e gasta tudo rapidamente.
Logo após gastar tudo o que havia ganhado em sua parte da herança, a Bíblia nos informa que o filho mais jovem começa a passar por dificuldades, devido a uma crise que se instalou na região. Até que ele cai em si e decide voltar para casa. O relato de Jesus sobre a volta deste rapaz é incrível. Cristo diz que quando o filho ia se aproximando de casa, seu pai saiu correndo ao seu encontro. O amor do pai, demostrado nesta parábola, é algo sensacional. Mesmo depois da atitude de menosprezo de seu filho, o pai ainda estava o aguardando. Ele não hesitou. Correu ao encontro de seu filho e o beijou. O filho que fora embora voltou. Aquele se perdeu fora de casa, enfim voltou.
O filho que se perde dentro de casa nunca é encontrado
Mas o que nos chama mais a atenção é o filho que fica em casa. Ele pouco aparece e pouco se fala nele. Mas temos muito a aprender com este filho que fica em casa, com seu pai. Ele representa uma grande parte das igrejas das atualidades: pessoas que se perdem dentro da igreja. Crentes que estão perdidos dentro da casa do Pai. Sobre esta situação, o Senhor repreende o povo de Israel, dizendo: “este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honram, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu.” (Is 29:13). Esta passagem reflete a sociedade de hoje, na qual muita gente – sobretudo os jovens – estão dentro da igreja apenas porque seus pais vão ou então por causa de uma espécie de “obrigação”, como caminho que leva ao céu.
1. Quem se perde dentro de casa, não reconhece o pai: veja como ele se dirige ao pai:Há tantos anos que te sirvo”. Podemos notar que ele se dirige ao pai como se fosse um escravo. Ele diz que serve ao pai durante toda a sua vida e o pai nunca lhe havia oferecido nada. Quem está perdido dentro da igreja não consegue conhecer o pai. Ele até vê os feitos de seu Pai, mas permanece insensível, pois seus olhos foram fechados pela cegueira espiritual. Sobre isso, Jesus chamou a atenção na explicação da parábola do semeador, onde disse: “Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos.” (Mt 13:14-15a).
2. Quem se perde dentro de casa, se sente isolado: ainda em sua fala para o pai, ele diz: “vindo, porém, esse teu filho”. Para o filho mais velho, ele está sozinho no mundo. Embora ele afirme que tinha amigos, ele alega que não possuía família. Primeiro ele se dirige ao pai como um escravo, logo seu pai seria seu patrão e agora ao invés de se referir ao filho mais novo como “meu irmão”, ele diz “esse teu filho”. Ele não aceitava nem seu pai nem seu irmão.
Em apocalipse 3:20 lemos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo.” É interessante que na maioria das vezes usamos esta passagem para evangelismo, contudo, Jesus não escreve esta carta para pessoas desviadas ou perdidas, que nunca o conheceu, mas ele escreve para uma igreja. Isto mesmo, Jesus escreve para uma igreja e diz que, se ela ouvir a voz de Cristo e abrir a porta, Ele entrará e fará uma grande festa. A igreja de Laodicéia é um exemplo de igreja que está perdida. Temos hoje muitas igrejas lotadas de pessoas vazias. Templos cheios de pessoas podres por dentro. Pessoas que estão cegas e surdas. Pessoas que falam bonito, cantam bonito, ensinam bonito, mas apenas da boca pra fora. Precisamos nos cuidar, pois a estes tipos de crente, Jesus disse que a única palavra a ser dirigida a eles é: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim.

Lucas Timóteo Moraes é seminarista, da Convenção Paranaense.

Depressão

A síndrome dos dias cinzentos

Sabe aqueles dias em que tudo amanhece cinza? O sol brilha na janela, mas o seu mundo está cinza? Esses dias existem e são mais comuns do que se possa imaginar. São dias crueis, difíceis e dolorosos. São dias de lágrimas, tristeza e profunda dor. Esses tais “dias cinzentos” são uma expressão da incapacidade humana de lidar com os revezes da vida de forma equilibrada e bem sucedida. São dias em que a fé balança, os princípios aprendidos durante toda a vida ficam em segundo plano e tudo que se enxerga são problemas, dificuldades, confusão mental e angústia.
Esses dias podem ser um episódio perdido em meio a dias ensolarados e felizes. E quando isso acontece, não geram maiores prejuízos, pois são passageiros e logo são superados. Basta uma boa noite de sono, um jantar com amigos, uma conversa com o marido / esposa ou qualquer outra atividade que produza prazer para que esse dia cinzento termine e o sol volte a brilhar com força total nos dias seguintes. Por vezes, o problema causador não foi nem resolvido, mas o indivíduo consegue olhar para ele sob outro prisma e aquilo já não causa mal algum.
O problema surge quando esses dias cinzentos tornam-se a rotina da vida humana, em uma sequência de dias em que o sol não brilha e a tristeza é a tônica das atividades. Quando nos deparamos com essas situações estamos diante de um quadro depressivo. Estamos diante do mal do século (ou talvez do milênio?) que tem acometido milhares e milhares de pessoas, sem escolher entre classes sociais, religiões, etnias, cores de pele ou gostos musicais. A depressão tira as cores da existência e tudo passa a ser visto em preto e branco, como nas antigas televisões dos nossos avós. As flores não têm cores. As refeições não têm gosto. As companhias não tem sentido. A vida perde a graça. E o suicídio passa a ser uma opção frequente.
Sim! Precisamos falar disso! Para quem está passando por problemas depressivos, a vida não tem tanta importância assim e, por mais que aos olhos de todas as outras pessoas isso seja impossível, para ele a morte é uma solução dos problemas. Todos veem como uma fuga, e talvez seja, mas para ele é a solução de todos os seus problemas. Afinal, para quem vive entristecido, morrer não deve ser tão ruim, não é mesmo? Não podemos fugir desta realidade e precisamos tratá-la com a devida seriedade, sem diminuir e sem superlativar sua importância. Devemos observar as pessoas com mais atenção e empatia, com mais amor e cuidado e apresentar a elas o lado bom da vida. Pintar as cores que foram apagadas e devolver sabores que foram suprimidos. Colocar alegria onde só há tristeza e colocar sentido onde não há direção.
Personagens bíblicos importantes, como Davi e Elias, passaram por quadros depressivos. Homens de Deus, cheios do Espírito Santo, com a vida em ordem perante Deus entraram em depressão. Homens que foram poderosamente usados por Ele não souberam lidar com suas próprias dores e fraquezas e esconderam-se em cavernas, assim como muitos de nós fazemos hoje. O fato é que Deus não os deixou lá para sempre. Em algum momento, a cura e a restauração vieram; tanto para um quanto para outro. Assim como pode – e há de vir – para cada um de nós que tem passado por isso.
Um poeta brasileiro canta com muita segurança os seguintes versos:
“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei”
E ele tem razão, pois a própria Bíblia confirma esta verdade, por meio do salmista que cantava e registrou o seguinte verso no Salmo de número 30, verso 5:
“Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda;
o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria.”
Nossa oração é no sentido de que todas as pessoas que porventura estejam passando por uma fase de dias cinzentos possam encontrar esperança e ânimo. Que as palavras do salmista revigorem sua alma, que as esperanças sejam restauradas por meio dos exemplos bíblicos apresentados e que a cura que provém do Altíssimo seja derramada sobre todos os corações angustiados.

Ms. Eric de Moura congrega na IAP em Jardim Maringá (Mauá).

Não fuja do refúgio

Pela justiça da cruz, não precisamos mais ter medo, como se Deus fosse um inimigo vindo nos destruir

“E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim. E chamou o Senhor Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.” (Gn 3:8-10).
Estava lendo o texto acima e refleti: quando o homem caiu, ele estava do lado de lá do evento do calvário. Estava, portanto, sem cruz ou, pelo menos, sem a consciência dela. O estado do pecado, somado à ignorância acerca da cruz, fez do homem um ser decaído e tolo. Ao ouvir os passos de Deus, ele achou que poderia esconder-se (v.8). A mente passou por um retardamento absurdo. Então, ele e sua mulher, agora distantes – pois é isso que o pecado causa, um distanciamento abissal – concluem, com base em pressupostos meramente humanos, que podem se esconder de Deus. O homem se esqueceu, ao que parece, de quem era Deus. Esqueceu-se de sua soberania concluindo que algum lugar poderia ser um eficaz refúgio dele. Vejam só que absurdo, refugiar-se de Deus, não mais em Deus.
Apesar disso, foi-lhe possível ouvir o Criador falar, chamando-lhe pelo nome. Aquela voz, outrora desejável, tornou-se terrível, amedrontadora. Nada havia mudado em Deus, ele é perfeito e não muda. Tiago disse que, no Pai das luzes (em Deus), não há mudança nem sombra de variação (Tg 1.17).
O Senhor, portanto, era o mesmo dos encontros agradáveis de todos os dias. O problema é que o homem não era mais o mesmo. Teve sua humanidade manchada pelo pecado da rebelião. Adão, quem sabe, concluiu que era seu fim, escondeu-se de Deus porque achou que o encontro com ele seria desastroso. Mas, ao ouvir sua sentença, bem como a de sua mulher, não obstante estivessem com o raciocínio afetado pelo pecado, foi possível ter um lampejo de esperança, pois apesar de um dia retornar ao pó, ele ainda veria sua mulher dar à luz filhos. Tal esperança ganha um tom especial ao ouvir Deus declarar, na condenação da serpente, que esta teria sua cabeça duramente golpeada pela semente da mulher.
A cruz cumpriu cabalmente esta promessa, e mais do que isso, ela nos redimiu de toda a culpa e nos salvou do pecado que causava separação do Criador (Cl 1.20; 2.14 e 15). Hoje nos refugiamos, não de Deus, mas em Deus, pois ele é o Deus da cruz. Hoje podemos ter esperança, pois Jesus é a esperança, a cruz é a esperança. Por meio da cruz, vemos não um Deus assustador, ela nos faz enxergá-lo melhor.
Pela justiça da cruz, não precisamos mais ter medo, como se Deus fosse um inimigo vindo ao nosso encontro para nos destruir. À sombra da cruz estamos resguardados, protegidos, estamos a salvos. Salvos da condenação e da ira vindoura. Pela justiça da cruz hoje nos refugiamos nele, e não dele. Jamais seria possível escondermo-nos de Deus (Sl 139.7-12). Sem cruz não há salvação, portanto o perigo não é a proximidade de Deus, mas o distanciamento dele. Por essa razão, não fuja do Criador, aproxime-se, com lamentos, com prantos, com arrependimento e você encontrará misericórdia, salvação e refúgio (Tg 4.8-10).
Não precisamos mais ser servos do pecado, fomos libertos dele. Entretanto, como ainda não fomos salvos da presença do pecado ainda há a possibilidade de tropeço. Porém, se isso vier a acontecer, não corramos dele, mas para ele. Por Cristo, pelos méritos dele, pela cruz, Deus, graciosamente, nos receberá. Temos um advogado junto ao Pai, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda maldade, injustiça ou pecado (1 Jo 2.1).
Deus ainda caminha em mossa direção. Por enquanto, para salvar a humanidade que caiu e procura se esconder dele de diversas maneiras, negando, inclusive, que ele exista. Você não precisa fazer isso. Não fuja do refúgio, o perigo está lá fora, onde se pensa está seguro e bem abrigado. Corramos para o Criador, somente nele há perdão, salvação e segurança. Amém.

Não vale a pena amar o mundo

Se dizemos que amamos a Deus, não há como amar as coisas do mundo ao mesmo tempo

Quando estamos apaixonados, nossa rotina muda. O sol parece brilhar mais. A chuva parece uma deliciosa canção que rega a terra. Não existem distâncias que nos possam desestimular diante da pessoa que amamos. Fazemos de tudo para estar perto. Quando estamos longe, tentamos manter contato. Quando não somos correspondidos, lutamos para chamar a atenção.
Porém, existem certamente “amores” que não compensam. É de um deles que queremos tratar. O apostolo João, no capítulo 2 de sua 1ª carta, faz uma série de observações em relação a vários aspectos da vida cristã. Ele começa falando sobre não pecar e sobre perdão de pecados (vv.1-2); ele fala sobre a obediência aos Mandamentos de Deus (vv.3-11); além de falar sobre a vitória do que tem fé em Jesus sobre Satanás (vv.12-14) e o mundo (vv.15-17). É sobre este último que queremos refletir. João nos fala que não vale a pena amar o mundo!
Não vale a pena amar o mundo, pois isto é oposição a Deus!
João basicamente diz que é pela fé no Senhor que nós vencemos o mundo. Este mundo, não é o mundo físico (Sl 24.1), e nem o mundo (pessoas) de João 3.16, mundo aqui, é a oposição a Deus, seu Reino e sua Igreja. É todo sistema dominado por Satanás, o príncipe deste mundo (Jo 16.11; 1Jo 5.19), que influencia pessoas, instituições, governos, religiões, artes, cultura, música e mídias (sem generalizações, é claro).
João mostra que os seguidores de Jesus não devem amar este mundo. 1Jo 2.15a diz: “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo”. A vida mundana, ou seja, a vida guiada por valores e ideias deste sistema maligno, não compensa. Não deve ser amada pelos seguidores de Jesus. Isso porque o amor ao mundo está em oposição ao amor de Deus: “Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele”. (v.15b)
Portanto, se queremos e se dizemos que amamos a Deus, não há como amar as coisas do mundo ao mesmo tempo. E como identificamos as “coisas” do mundo? Quando pecamos habitualmente (pecado como vício); quando não guardamos a Lei de Deus (Êx 20); quando não ajudamos o nosso irmão necessitado. Quando não amamos a Deus e ao próximo, estamos amando o mundo! Portanto, busquemos a Deus, para que nosso amor não esteja preso a este mundo.
Não vale a pena amar o mundo, pois suas práticas não vem de Deus!
João mostra na prática quais valores são contra Deus e por isso não vale a pena adotá-los: “o desejo da carne, o desejo dos olhos e o orgulho dos bens…” (1Jo 2.16b). O“desejo da carne”representa todas as nossas tendências que são contrárias à palavra de Deus e incentivadas pelo mundo a serem praticadas.
Paulo fez uma lista de algumas em Gl 5:19-21 (NTLH): “As coisas que a natureza humana produz são bem-conhecidas. Elas são: a imoralidade sexual, a impureza, as ações indecentes, a adoração de ídolos, as feitiçarias, as inimizades, as brigas, as ciumeiras, os acessos de raiva, a ambição egoísta, a desunião, as divisões, as invejas, as bebedeiras, as farras e outras coisas parecidas com essas. Repito o que já disse: os que fazem essas coisas não receberão o Reino de Deus.
O “desejo dos olhos” representa tudo que cobiçamos com nosso olhar. São propriamente: “(…) tentações que nos assaltam, não de dentro, mas de fora, através dos olhos.”¹ O salmista já lutava contra este sistema quando disse: “Não porei coisas más diante dos meus olhos.” (Sl 101.3a). Tentação que venceu Eva, pois: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos…”. Adão também caiu por consequência (Gn 3.6).
Por último, João nos fala do “orgulho dos bens”, ou “soberba ou ostentação da vida”. Isto é, dar valor somente ao que é passageiro. É amar mais as coisas do que as pessoas. É se importar mais com o que se tem, do que com o que se é: “(…) é uma arrogância ou vanglória relacionada (…) a riqueza ou a posição ou o vestuário (…)”². O apóstolo João então conclui que estas coisas “…não vem do Pai, mas sim do mundo.” (1Jo 2.16c).Você tem se deixado levar por quais coisas: os desejos da sua carne? Os desejos dos seus olhos? Ou a ostentação de uma vida de aparência?
No v.17, João concluiu o trecho dizendo o seguinte: “Ora, o mundo passa, bem como os seus desejos; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre.” Tanto o mundo como os seus desejos passam. Todas as experiências contrárias a Deus, que satisfazem nossa carne, olhos e aparência são de mentira. Produzem prazeres momentâneos, mas não nos salvam do juízo final.
Somente em Deus está o caminho para a eternidade. Somente acreditando no Jesus que veio ao mundo e é Deus, podemos ser perdoados do pecado e poderemos viver em obediência ao Pai; só pelo poder do Espírito (Gl 5.22-23) é que conseguimos dizer não aos desejos da carne; aquilo que de mal existe aos olhos e à aparência da vida. Não vale a pena o mundo, porque este sistema está caído e não pode nos libertar. Nossa vida só pode ser liberta e durar eternamente se acolhermos e vivermos a vontade de Deus, por meio de Jesus e de seu Espírito.

Andrei Sampaio Soares presta auxílio pastoral à IAP de Pedreira (zona sul de São Paulo) e colabora com o Departamento de Educação Cristã (DEC).


¹John Stott. I, II e II João (p.86).
²Ibidem, p.87.

O amanhã não existe

O tempo que temos para mudanças é hoje!

Se eu soubesse que não teria mas uma chance,
diria às pessoas que estão em minha volta, o quanto elas foram especiais para mim.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
daria um forte abraço em meus pais, um abraço de despedida.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
diria para a pessoa que me fez sofrer por amor, o quando eu precisei dela.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
viveria intensamente cada minuto de minha vida.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
teria visitado asilos, orfanatos e dado socorro aos aflitos que vieram até mim.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
teria buscado a presença de Deus com mais responsabilidade e devoção.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
correria ao ar livre para sentir a brisa pela última vez.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance,
falaria do amor de Deus para as pessoas que por muito tempo estiveram do meu lado e morreram sem salvação por minha causa.
Se eu soubesse que não teria mais uma chance…
Se eu soubesse…
Para muitos, essa tem sido a frase de maior repercussão em suas vidas.
Mas afinal, por que isso acontece?
Por que eles não fizeram tudo isso enquanto havia tempo?
Por que agora se queixam?
Porque muitos têm deixado tudo para o famoso tempo que se chama “amanhã”. Porém, o amanhã não existe.
O amanhã é uma questão de localização no espaço de tempo, porém, literalmente, ele não existe.
Afinal, quando o amanhã chegar, não será mais amanhã, mas sim, hoje.
Portanto, o dia de mudanças é hoje. Não deixe nada para amanhã. Faça hoje!
Hoje, é dia de você dizer para as pessoas que elas são especiais.
Hoje, é dia para você abraçar seus pais.
Hoje, é dia de você se declarar.
Hoje, é dia de viver intensamente.
Hoje, é dia de fazer visitas.
Hoje, é dia de buscar a Deus com devoção.
Hoje, é dia de ser livre.
Hoje, é dia de evangelizar.
Hoje é o dia.
Hoje…

Lucas Timóteo Moraes é aluno do Seminário Interno da Igreja Adventista da Promessa, vindo da Convenção Paranaense.

Mais do que palavras

Amamos a Deus quando reconhecemos que Ele nos amou primeiro e manifestamos esse amor a outros

Como amar a Deus? Que tipo de amor é este? Como definir? Como provar? Como vivenciar?
Existem três tipos de definição de amor conhecidos: amor Fileo, Eros e Ágape.  Creio que no amor Ágape existem espaços, áreas nos nossos corações e nas nas nossas vidas a serem trabalhadas pelo Espírito Santo. Como  os meus gestos, minhas ações, minhas atitudes, meu caráter, minha contribuição, meu dia a dia demonstram que amo a Deus?
A percepção de amar a Deus se dá quando reconhecemos que Ele nos ama. A percepção que Espírito Santo colocou um dia no teu coração (mente) é exposta pelo discípulo do amor, João, que usa a expressão” Amor “ em suas diversas formas. Somente entre João 4:7 e 5:3 a palavra “amor” aparece 32 vezes no original grego.
Ele espera a sua atitude relacional, em ações humanas, afetivas, que desperte afetos no Eterno. Quando isso acontecer, não será apenas apenas uma teofania (manifestação de Deus), não será meramente uma visitação e sim uma habitação.
Amar a Deus, ser amado por Deus, ser morada de Deus traz a saciabilidade, o ápice da realização humana, satisfação integral, plena.Você quer isso? Ame a Deus.
Ele tirou uma parte de si. Seu bem maior nos foi disponibilizado, mesmo nós não tendo mérito algum. Ele nos amou primeiro,e não dependeu do nosso amor para nos amar.
Jesus nos foi enviado para propiciação pelos nossos pecados. A Palavra descreve Cristo, através de sua morte em sacrifício, como apaziguando a ira de Deus por causa do pecado, retrata também sua morte expiatória garantindo expiação pelo pecado.
Amar a Deus no sentido relacional passa em primeiro lugar pelo nosso próximo. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.” (1 João 4:19-21).
Ame a Deus com palavras e obras, comprometimento sério com o Espírito Santo, pois Ele te amou primeiro. Retribua hoje com sua vida, vivendo o tempo que lhe resta servindo a Deus e o seu próximo.
Aprenda de maneira prática a amar a Deus, a viver conjuntamente de maneira digna com seu semelhante ao ponto de atrair o amor de Deus para si e para os outros, manifestada pela comunhão entre irmãos em Cristo.
Você ama a Deus,  de fato, quando reconhece o Seu amor, reconhece quem Ele enviou  e pratica o que Ele ensinou. Amar a Deus é viver na dimensão do  Espírito Santo que nos permite aprofundar no amor incondicional, sem fronteiras.

Pastor Omar Figueiredo pastoreia as IAPs em Pimentas (Guarulhos) e Jardim Paineira (Itaquaquecetuba).

Agora, está tudo bem

Ao final do túnel de pecados, existe uma luz que brilha, nos dando esperança

“Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia”. (Provérbios 28.13)
Em certos momentos pensamos ser melhores do que as pessoas ao nosso lado, certo? Reflita mais uma vez. Na carta de Tiago, encontramos uma grande verdade que nos esclarece esse questionamento: “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente” (Tiago 2.10). É, pensando bem, a nossa situação não está nada favorável.
Certa vez Jesus disse: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra nela” (João 8.7). Relaxe, respire fundo e solte a pedra que está em sua mão: nenhum de nós pode atirar a primeira, segunda ou terceira. Ou seja, nenhuma, na verdade. Atente bem ao que 1 João 1:10 diz sobre as nossas soberbas declarações de “santidade”: “Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. A coisa está ficando cada vez pior!
Mas no fim desse túnel de pecados, existe sim uma luz que brilha nos dando esperança: “O Senhor nosso Deus é misericordioso e perdoador, apesar de termos sido rebeldes” (Daniel 9:9). Aí está o nosso consolo, a nossa paz: “Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2 Coríntios 5:21).
Observe com cuidado aquele carpinteiro da Galiléia. Ele foi à cruz injustamente. Morreu. Ao terceiro dia ressuscitou! A coisa, para nós, estava mal. Mas agora, está tudo bem.
Que a nossa oração possa ser de gratidão ao Senhor pelo perdão dos nossos muitos pecados. Jamais teremos como agradecer o que Jesus fez por nós naquela cruz. Apenas devemos louvar o nome santo do Cordeiro, sempre, sempre gratos pelo sacrifício que nos trouxe vida eterna.
Que aquele que tirou o nosso pecado possa lhe trazer paz e esperança todos os dias da sua vida!

Ms. Diego da Silva Barros congrega na IAP em Piedade (RJ) e é vice-diretor do Departamento Regional de Evangelismo – Convenção Rio de Janeiro.

Vaidades

Deixamos de viver coisas essenciais na vida, porque perdemos tempo com coisas que são fugazes e passageiras

As palavras do Mestre, filho de Davi, rei em Jerusalém: “Que grande inutilidade! “, diz o Mestre. “Que grande inutilidade! Nada faz sentido!”
(Eclesiastes 1.1-2)
Você já pensou em desistir alguma vez? Você já pensou em “curtir” a vida e depois se preocupar com outras coisas? Já pensou em fazer tudo o que tem direito nessa vida para depois servir a Deus? Bebidas, festas, noitadas, jovens com os hormônios à flor da pele. O “tutstutstuts” da noite te envolvendo. Ou quem sabe, você prefira poupar aquele amontoado de dinheiro. Construir maravilhosas casas.
Já pensou nisso? Pois bem, Salomão, em todo seu vigor, no auge de sua mocidade vivencia momento prazerosos, tais como estes que acabei de citar. Ele se deleita nas bebidas, nas noitadas de festa, na mulherada, e ao final de provar tudo isso, Salomão chega ao final da vida e diz que tudo é vaidade. Que nada faz sentido. Que tudo é uma grande inutilidade.
Mas porque será que mesmo assim, sabendo que tudo não passa de vaidade – porque grande parte dos jovens sabem – muitos jovens e adolescentes já se entregaram e, muitos até hoje se entregam para tudo o que este mundo pode oferecer? Lembrem-se: ele não oferece nada de bom. O grande desafio de nossos dias é vivermos uma vida para a glória de Deus, e este é o real propósito para o qual fomos criados, pois fomos feitos para louvor da sua glória, diz o apóstolo Paulo, em Efésios, capítulo 1.
Salomão foi alguém sensacional. Eu vejo refletida nele uma grande multidão de jovens da atualidade que, assim como o sábio, filho de Davi, tem-se deixado levar pelos prazeres momentâneos que as circunstâncias nos oferecem. É muito mais fácil aceitar um convite para uma festa, do que para ir à igreja.
Mas porque será que é desta maneira, sendo que deveria ser totalmente ao contrário? Nós, muitas vezes, gastamos energia, nossa disposição e o melhor de nós brigando por causa disso e por causa daquilo; causamos até intrigas, confusões, mas, depois, vemos que nada daquilo tinha sentido, foi tudo perda de tempo. Nós deixamos de viver coisas boas, essenciais na vida, porque perdemos tempo com coisas que são fugazes e passageiras.
Olhem para os bens materiais que nós, muitas vezes, preocupamo-nos em ter; uma coisa que era muito importante para nós ontem, depois de um dia, ou passado algum tempo, já não tem mais nenhum valor, foi esquecida, foi deixada num canto, perdeu o significado. No mundo, onde as transformações são tão rápidas, automáticas, deixar-se iludir e enganar-se pelas vaidades é uma terrível tentação! Sobretudo, num mundo onde estamos nos comparando uns com os outros, queremos ter o que o outro tem, ser o que o outro é, e assim, a vaidade vai tomando conta do nosso coração.
Salomão nos oferece a oportunidade de compreender o vazio e o desespero com os quais aqueles que não conhecem a Deus têm que lidar. Aqueles que não têm uma fé salvadora em Cristo se deparam com uma vida que, no fim das contas, vai acabar e tornar-se irrelevante. Se não há salvação, e não há Deus, então não existe nenhum sentido, propósito ou direção para a vida.
O “mundo debaixo do sol”, longe de Deus, é frustrante, cruel, injusto, breve e de total “vaidade”. No entanto, com Cristo a vida é apenas uma sombra das glórias por vir em um paraíso que só é acessível por meio dele.
De nada irá nos adiantar corrermos iguais loucos para realizarmos nossos prazeres e sonhos. Não que isto seja pecado ou que Deus condene tais atitudes, mas temos que ter a certeza de que o temor a Deus é o princípio da sabedoria, portanto temendo a ele, teremos direcionamento em nossas vidas. Enquanto temos vida, vamos falar do amor do Pai por nós. Enquanto temos forças em nossos braços e pernas, vamos proclamar o Rei. Enquanto somos fortes, falemos de Jesus e vivamos para ele de maneira que o agrade.

Lucas Timóteo Moraes é professor da Escola Bíblica na IAP de Japurá (PR).

Surpreendido pela vida

Mesmo diante de notícias desoladoras, devemos continuar confiando em Deus

“O Senhor veio salvar-me; pelo que, tangendo os instrumentos de cordas, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida, na Casa do Senhor.” (Isaías 38.20).
A nossa vida está repleta de surpresas, sejam elas agradáveis ou não. E com os homens que viveram no período bíblico esta realidade não é diferente, como bem podemos observar na vida de Ezequias. Este rei de Israel recebeu uma notícia que o deixou estarrecido, extremamente surpreso: o profeta Isaías o procurou para avisá-lo de que Ezequias deveria se preparar, pois sua doença em breve o levaria à morte. A reação desse monarca não foi de murmuração e desespero, mas ele clamou ao Senhor através de um cântico de louvor por uma cura e pelo livramento da morte. Esse clamor foi sincero, reverente e confiante na bondade e na misericórdia de Deus. E como a própria Palavra de Deus relata, o Senhor livrou Ezequias da morte e, assim, esse homem continuou louvando e adorando ao Deus que, de forma tão misericordiosa, o livrara e curara.
No cântico de Ezequias, observamos algumas características de alguém que fora surpreendido numa situação desoladora, mas que não se abateu, porém buscou a Deus. Em primeiro lugar, esse rei reconheceu claramente as suas limitações como ser humano, percebendo que numa situação dessas nada poderia fazer, no entanto, ele buscou aquele que é o dono de toda a vida, aquele que realmente poderia solucionar completamente o seu problema. Às vezes, nós nos achamos auto-suficientes!!! A partir do momento em que reconhecemos não sermos capazes de tudo e que precisamos de Deus e do próximo, levaremos a vida de maneira menos ansiosa.
Em segundo lugar, Ezequias revela a sua total dependência da graça divina. “Senhor, por estas disposições tuas vivem os homens, e inteiramente delas depende o meu espírito; portanto, restaura-me a saúde e faze-me viver.” (Isaías 38.16). Justamente pelo fato de reconhecer os seus próprios limites, esse homem se achega a Deus, reconhecendo a ele como quem realmente pode fazer algo de concreto pela sua situação.
Por fim, Ezequias agradece a Deus por esse grande presente recebido: a restauração de sua saúde. “O Senhor veio salvar-me, pelo que, tangendo os instrumentos de cordas, nós o louvaremos todos os dias de nossa vida, na Casa do Senhor.” Ele não esquece que continuaria vivo porque Deus interveio na sua vida e por isso canta esse belo cântico com todo o seu agradecimento. Que isso seja sempre um lembrete pra nós e que nunca esqueçamos que é o Senhor Jesus quem nos dá graça e vida.
Que as surpresas que a vida nos reserva sejam sempre vividas na presença de Cristo!

Dsa. Cláudia dos Santos Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Dijap da Convenção Noroeste Paulista.

Voltar para casa

Portos, aeroportos, rodoviárias, rodovias, estradas, caminhos, “tá na hora!”
Malas, bolsas, mochila nas costas, “vamos?”
Partidas, despedidas, “até logo, eu volto!”
Lágrimas, saudades, esperas, “sempre te amarei!”
“Viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor”, ensinou-me a professora Rute Soares
Mas, imagine…
Fazer a viagem mais longa e desafiadora
Deixar o conforto, se rebaixar, humilhar-se, diminuir-se
Entrar no ventre escuro e apertado
Depender de vitaminas e proteínas
Ser matéria, ter pêlo, carne e osso
Sair de dentro do humano untado de sangue e líquido amniótico
Respirar, chorar, mamar
Crescer, aprender, desenvolver
Sentir fome, sede, frio
Trabalhar, produzir, ajudar no orçamento
Esconder-se em seu próprio mundo e admirá-lo
Discernir, entender, compreender-se especial
Convencer-se da dolorosa e gloriosa missão
“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”
Deixar as ferramentas, tirar o avental, fechar a oficina
Deixar (de novo?!) pai, família
Agora pregar, ensinar, chamar discípulos
Andar, suar, cansar
Ser rejeitado, ignorado, desprezado, traído
Julgado, condenado, surrado, ferido
Pregado, levantado, furado, em agonia profunda
Respirar ofegante, alma e corpo a dilacerar
Querer desistir, sentir o drama, “Pai, porque me abandonastes?”
O portador do pecado isolado, só
Suportar, perseverar, insistir, ir até o fim
Querer você!
Entregar-se, morrer de amor, salvar
Salvar você!
Ficar gelado, imóvel, inerte
Por você!
Silenciar a terra, o céu, o universo
Satisfazer a ira do Pai
Apavorar demônios, pôr anjos em festa
Perdoar homens, reconcilia-los, fazê-los filhos de Deus
Você?
Descer ao mundo do silêncio, ficar ali no escuro
Mas a morte a Ti nao cabe!
“Onde está ó morte a tua vitória?”
Tumba aberta, corpo quente e brilhante, mulheres ali
“Ressuscitou, ressuscitou, ressuscitou!”
“Avisem a Pedro!”
Aviso você!
Instruções finais, milagres finais, despedida
Hora do guerreiro de Deus voltar pra casa
“E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.”
“Até breve. Voltarei!”
É com você!
“Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.”
É pra você!
Porque viajar é bom, mas voltar pra casa é melhor!

Pr. José Lima de Farias Filho, segundo secretário da Convenção Geral da IAP

A segurança do amor

Um relacionamento familiar amoroso demanda esforço sincero

“… acima de tudo isso, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” (Colossenses 3.14).
Todos nós temos a necessidade de nos sentir seguros. Seja do ponto de vista profissional, material, espiritual ou emocional, todos precisamos estar seguros para poder enfrentar as dificuldades e adversidades que a vida apresenta. Na família, isso não é diferente. Posso afirmar que se não tivermos segurança dentro do nosso lar, dificilmente conseguimos superar os obstáculos que temos que ultrapassar. No entanto, um relacionamento familiar cujos membros se sintam seguros e amados realmente não acontece automaticamente, mas deve ser cultivado, como uma planta frágil. Deve ser protegido como um tesouro precioso e cuidado como um relacionamento sagrado. Somente assim, será alcançada a segurança que todos os participantes da família desejam ter.
A segurança no lar é fortalecida por intermédio de amor em abundância. Esse sentimento não é meramente um amor superficial que acabará numa primeira discussão, ou que sumirá quando a pobreza (ou a doença) chegarem. Entre esposo e esposa, entre pais e filhos, esse amor tem que ser profundo e duradouro para sobreviver a todas as provações e tribulações, amadurecendo e crescendo com a passagem dos anos. Da mesma forma, tem que ser mútuo, responsável, cultivado propositalmente e mantido por esposo, esposa, pais e filhos.
Para um relacionamento familiar seguro e firme, é preciso um esforço sincero. Ou seja, com esforço e determinação, a família pode viver em paz, alegria e segurança.
Outro fator imprescindível para alcançar a segurança no lar é uma atitude de humildade, demonstrada em pedidos recíprocos de desculpas. Essa atitude curará muitas feridas nos relacionamentos. Muitas vezes nos desculpamos com estranhos e outras pessoas, mas às vezes, negligenciamos os nossos próprios familiares. É mesmo uma pena que não peçamos perdão aos que amamos mais, o que inibe o desenvolvimento do amor. Não existe nada que você possa fazer que fortaleça mais o seu relacionamento familiar do que reconhecer humildemente as suas próprias falhas, confessando-as e pedindo perdão por elas.
Além disso, não é necessário somente que amemos uns aos outros, mas também devemos ser amáveis, devemos inspirar o amor. Não somente cada um deve tentar manter a paz, porém deve se comportar de uma maneira que incentive o outro a procurar a paz. Enfim, o amor deve ser o centro do relacionamento familiar. Esse amor deve ser dirigido em primeiro lugar a Deus, que é o criador e sustentador da família. E aos nossos cônjuges e aos nossos filhos, que são os nossos companheiros de caminhada.
 
Dsa. Cláudia dos Santos Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Dijap da Convenção Noroeste Paulista

Antes e depois

O divisor de águas chamado “salvação”

Quando Deus salva você, sua vida se torna um exemplo de “antes e depois”. Antes da salvação, você podia facilmente manter Deus à distância; descartá-lo, elegantemente, quando achasse necessário, guardá-lo com cuidado em sua prateleira ou até mesmo colocar fones em seus ouvidos para não ouvir a sua voz.
Não tenho dúvidas, Deus era importante, mas igualmente importante era o seu status, seu carro, sua casa de praia, seu alto salário e seu cargo executivo na empresa. Com certeza, ele ocupava um dos primeiros lugares na sua extensa lista de prioridades, mas infelizmente dividia essa disputada posição com outras coisas.
Então vieram a tempestade, as lutas, as perdas, o furor, a noite fria e sem estrelas. Então o desespero caiu como uma sorrateira névoa; você não vê mais uma luz no fim do túnel. Seus olhos só conseguem enxergar a escuridão do profundo abismo.Você sabia que não havia mais nenhuma saída.
Seu importante status não é capaz de jogar uma corda para lhe fazer sair do abismo. Sua carreira não tem a mínima capacidade de acalmar a fúria das ondas. Seu alto e desejado salário não representa valor algum para resgatá-lo. Aquelas coisas que outrora você considerava essenciais e indispensáveis, não podem fazer nada quando você mais precisa.
Em sua mente e em seu coração você se lembra de que ainda há esperança para as suas dolorosas e intermináveis noites de choro. Existe apenas uma opção: Deus! Quando você clama de todo o seu coração, ele vem ao seu encontro. Quando você estava perdido, ninguém além dele poderia ter lhe encontrado e regatado da morte. Somente Ele pode lhe resgatar das inúmeras tempestades da vida.
Inegavelmente, depois desses momentos, ele já não é simplesmente uma divindade a adorar, um sábio professor a ouvir ou um reconhecido mestre a obedecer. Ele é o seu Salvador, o único verdadeiramente digno de ser adorado. Proclame essa tão grande salvação por todos os dias da sua vida!
Ms. Diego da Silva Barros é diretor da União da Mocidade Adventista da Promessa e coordenador de Missões e Evangelismo na IAP em Piedade (Rio de Janeiro, RJ).

O Senhor é o meu pastor

Ovelha que ficou anos vagando, até ser encontrada, mostra nossa total dependência de Deus

O Senhor é o meu pastor. Ele me dá tudo de que eu preciso!” Assim começa o Salmo 23 na versão da Bíblia Viva. Já parou para refletir o quanto somos dependentes de Deus? Davi usa categoricamente a expressão: “O SENHOR é o meu pastor”, pois assim como uma ovelha depende dos cuidados e das provisões do seu pastor, sabia que (por ter sido de fato um pastor – I Sm 16:11), sem a direção do Altíssimo estaria desprovido, amedrontado e aflito (Sl 23:1-4). Sem a orientação do pastor, as ovelhas podem se perder do redil e passar por necessidades, sofrer aflições, ter apuros, serem atacadas e até mortas por um predador (I Sm 17:34,35).
No início de setembro, vimos a notícia de uma ovelha chamada “Chris”, que se perdeu do rebanho e passou alguns anos perdida pelos campos da Austrália. Ela foi encontrada vagando próximo à Camberra, capital do país. Segundo a reportagem, por ter ficado muito tempo sem cuidados, o seu tamanho era de 5 vezes o normal. O animal estava estressado à presença humana e dele foram extraídos mais de 40 quilos de lã após a tosa.
Note, amado(a), que sem o seu pastor, o ovino ficou desorientado, com medo do homem (pastor) e com a saúde debilitada. O animal dependia totalmente do seu cuidador para ter uma vida confortável e tranquila. Todavia, será que o seu pastor deixou o rebanho no aprisco e foi procurá-la? Se procurou não a achou, pois a ovelha “Chris” foi encontrada vagando, sem rumo e desorientada!
Sem o nosso Sumo Pastor somos como ovelhas dispersas, vagando de um lado para o outro, desorientadas, com medo, fome, aflitas e sujeitas ao ataque do predador. Que entendamos dia após dia o quanto somos dependentes do cuidado divino. Se estivermos em seu aprisco, nenhum outro pastor fará por nós o que Jesus faz, “porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de Ti que trabalha para aquele que nEle espera” (Is 64:4).
Da. Jonatas Ribeiro congrega na IAP em Jd. Amélia, Sumaré (SP)

Um cântico de Celebração

“Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos.” (1 Crônicas 29:14)

Com toda a certeza, não existe nada mais encorajador e inspirador para uma canção do que chegar ao final de uma caminhada com êxito ou finalizar uma jornada com sucesso. Esse sentimento pode ser percebido nas torcidas de futebol, por exemplo, no momento em que o time para o qual se torce completa o campeonato de maneira vitoriosa. Músicas alegres e que celebram a vitória são compostas e cantadas até a exaustão pelos torcedores apaixonados. Em outras situações, quando representantes da nação retornam de uma competição com a vitória (como numa Olimpíada, por exemplo), podermos observar o florescimento de um grande sentimento de amor ao país e a celebração do hino nacional como a amostra da exultação de um povo.
Da mesma forma, nas Escrituras Sagradas percebemos várias canções e louvores que foram compostos depois de lutas marcadas por vitórias. A felicidade pela vitória, depois uma penosa jornada, com grandes dificuldades e tribulações, traz-nos canções ao coração. Esse é o exemplo da canção que Davi compôs e que está registrada em 1 Crônicas 29: 1-22. Ao olhar para sua trajetória de lutas, com vários obstáculos, Davi expressa o seu louvor ao Senhor. Esse homem reconhece que a razão da vitória em sua caminhada é a presença de Deus em sua vida. Através desse cântico podemos perceber uma visão correta de Deus, mas também uma visão correta do homem.
Em primeiro lugar, o cântico de Davi destaca uma visão correta de Deus. Ele celebra a vitória no Senhor imutável e eterno (versículo 10 – “Por isso Davi louvou ao SENHOR na presença de toda a congregação; e disse Davi: Bendito és tu, SENHOR Deus de Israel, nosso pai, de eternidade em eternidade.”), que também o ajudara na batalha diante do gigante Golias. É interessante que Davi percebe que,  se ele chegou ao fim das lutas com sucesso, é somente porque Deus continuava com o Seu amor fiel e constante. Em meio aos altos e baixos da vida, o Senhor continua o mesmo. Da mesma forma, Davi reconhecia que toda a honra e toda a glória, todo o poder e toda a vitória eram provenientes de Deus somente (“Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu é, SENHOR, o reino, e tu te exaltaste por cabeça sobre todos. Riquezas e glória vêm de diante de ti, e tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; e na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo. Versículo 11 e 12”).
Ao olhar para trás, o rei Davi reconheceu o agir divino durante toda a sua existência. Portanto, um Deus soberano e Senhor, que governa e reina é exaltado nessa canção. Por fim, um outro ponto a ser destacado, é a visão de um Deus providente e sempre presente (“SENHOR, nosso Deus, toda esta abundância, que preparamos, para te edificar uma casa ao teu santo nome, vem da tua mão, e é toda tua”). Em 1 Crônicas 29: 1-22 especificamente, Davi enfatiza que a provisão para a construção do templo viera das próprias mãos do Senhor, sendo suficientes para a sua obra.
Nesse louvor Davi também expressa uma visão correta do ser humano. Ele começa questionando: “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, para que pudéssemos oferecer voluntariamente coisas semelhantes?” – versículo 14. Para muitas pessoas Davi era muito importante: o rei de Israel, comandante de grandes batalhas, mas ele sabia que era apenas um pecador que precisava de Deus. Um outro aspecto presente na canção de Davi sobre a realidade humana é a sua transitoriedade: “como a sombra são os nossos dias sobre a terra, e sem ti não há esperança.” – versículo 15. Todos nós estamos de passagem sobre essa terra. Nada aqui nos prende e nossa vida se esvai rapidamente. Por isso, devemos colocar a nossa existência diante do Deus Soberano e Eterno, que nunca falha e é fiel.
Através da reflexão contida nesse cântico, que possamos ter uma visão correta do ser humano (como alguém transitório, que necessita de Deus), mas que possamos também ter uma visão correta de Deus – o Eterno e Imutável, Fiel e que nunca nos abandona, o Provedor e Senhor que sempre nos conduz em triunfo.
 
Dsa. Cláudia dos Santos Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Dijap da Convenção Noroeste Paulista.
 

Tempo de mudança

Esse processo pode ser um presente de Deus para aprofundar nosso relacionamento pessoal com ele

 Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.” (Eclesiastes 3:1-8)
Na vida de todo o ser humano, as mudanças são inevitáveis. Todos nós passamos por vários tipos de mudanças durante a nossa existência. Para muitas pessoas o cotidiano, a experiência e até mesmo o conhecimento concedem segurança; mas a mudança, por sua vez é extremamente desconfortável, podendo gerar dúvidas, incertezas e frustrações. Isso acontece pois ninguém consegue saber o que acontecerá depois de uma grande mudança. Dessa forma, a reação das pessoas diante de uma mudança é diferente podendo até mesmo, às vezes, faltar confiança durante o período de transição. A solução para toda essa insegurança é a fé em Cristo Jesus e a obediência à Sua palavra.
A nossa vida está em contato quase constante com a mudança: casamento, filhos, doenças, profissão, mudança de moradia, aposentadoria (somente para citar alguns exemplos). Algumas dessas transformações são voluntárias; outras, forçadas pelas situações. Algumas nos deixam alegres; outras, muito nos entristecem. No entanto, a Bíblia Sagrada é categórica ao afirmar que todas as mudanças podem se tornar experiências fortalecedoras para os que se colocam sob a autoridade e senhorio de Deus.
Quando as circunstâncias estão mudando, o homem pode confiar no Senhor para receber força, orientação e persistência. Deus nunca muda (Hebreus 1: 10-12). Podemos confiar num Deus soberano e amoroso para ordenar todos os acontecimentos de nossa vida conforme a Sua vontade, mesmo em momentos de transição. A mudança pode ser também um presente de Deus para acrescentar, aprofundar e ampliar o nosso relacionamento pessoal com ele. Além disso, por meio dessas transformações em nossa vida podemos sempre lembrar que Deus é fiel ontem, hoje e sempre (Hb 13:8)!
 
 
Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infanto Juvenil Regional.