A participação da liderança na temática da inclusão é estratégica, afirma líder da Secretaria da Inclusão

Para a diaconisa Juliana Duque, líderes como pastores e missionárias podem ajudar a mudar a mentalidade da igreja de forma mais consistente.

 

De acordo com a líder da Secretaria de Inclusão, Juliana Duque, falar sobre a igreja local como um espaço para a Pessoa com Deficiência (PCD) é algo que deve começar pela liderança, como pastores e missionárias, além dos líderes de ministérios e demais ordenados. Para a líder geral, “é um movimento muito importante, fundamental para a igreja. É um ponto estratégico para a gente pensar no tema da inclusão com este público”.

Ela avaliou essa questão durante entrevista ao Promessistas.org, ao relembrar a Trilha “Espaços de Ensino Inclusivo na Igreja”. Os slides podem ser baixados no link abaixo, junto com o material da maioria dos conteúdos ministrados no 2º Congresso de Educação Cristã (conteúdo disponível abaixo), realizado no dia 2 de maio, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá (MT). “Ter essas pessoas, que são estratégicas para movimentar e mudar a mentalidade da igreja, porque a inclusão começa com mudança de mentalidade, foi muito positivo”, relembrou.

 

A líder também definiu que a inclusão é, acima de tudo, uma postura de vida. Segundo ela, como a liderança influencia a igreja, foi importante ter esse público no evento. A entrevistada explicou que havia em sua trilha pastores, presbíteros, missionárias, professores e professoras da Escola Bíblica e do ministério infantil. “Muito bacana tê-los para a gente conversar sobre isso.”

 

A igreja como espaço de inclusão

Ju avaliou que, apesar de o tema parecer difícil, a igreja precisa ser uma centro de referência para pcd’s, numa visão mais ampla, até mesmo para o bairro. “Porque nós temos igrejas da Promessa construindo até espaços específicos. É importante a igreja local, de fato, assumir essa pauta. A igreja é a maior célula de transformação social do mundo”, afirmou a líder, que destaca a importância da comunidade local.

Para ela, como a igreja é um reflexo de Jesus, ela precisa ter espaços de ensino inclusivos. “O Mestre era assim. Quando Jesus falava para alguns públicos, ele usava parábolas, para públicos mais simples. Quando ele falava com os fariseus e doutores da lei, havia debate teológico. Quando ele curava o surdo, ele usava sinais para ‘falar’, gestos”, ponderou.

 

Jesus fala a todos os públicos. A igreja deve falar também

A líder da SI lembrou que, em Marcos 7:37, quando Jesus cura um surdo, ele falou “Efatá” (aramaíco que significa “abre-se”), olhou para o céu e curou o homem. “Jesus é esse mestre que fala para todos os públicos. Assim, a igreja precisa refletir esse caráter de Jesus no ensino, pois ela é um ponto do reino aqui neste mundo. Ela é esse lugar que impacta a sociedade, que gera mudança, que oferece essa transformação.”

Em sua avaliação, num mundo caído, cheio de exclusão e com pessoas esquecidas, “é na igreja que a gente encontra essa convergência do reino, onde todos são importantes, onde todos têm o seu lugar, onde todos têm a sua dignidade garantida, porque nós fomos restaurados e inseridos nesse projeto do reino pelo nosso mestre Jesus”, finalizou.

 

Momento de preparação – A Secretaria de Inclusão está preparando o Fórum Presencial Casa Cheia, um encontro nacional que reforça o compromisso missionário da igreja com a inclusão. O evento ocorrerá de 25 a 27 de setembro de 2026, no Espaço Promessa, em Cosmópolis (SP), e contará com trilhas formativas, oficinas, devocionais e momentos de adoração, reunindo ministros, líderes, voluntários e membros que desejam viver a inclusão como parte essencial da missão da igreja.

O investimento é de R$ 810,00 (PIX) ou R$ 850,00 (em até 10x no cartão), incluindo hospedagem, alimentação completa, Kit Inclusão e certificado. As inscrições já estão abertas, e o link está disponível no Instagram da SI (link abaixo) ou pelo WhatsApp: https://forms.gle/SBxtn1cxFHV3Ymo57

Siga a Secretaria de Inclusão no Instagram: @inclusaopromessista

Texto: Andrei Sampaio/APC

A missão de pregar aos surdos

Pregar o evangelho aos surdos não é simplesmente traduzir palavras em sinais. É transmitir o amor de Cristo de forma que seja compreendido no coração.

 

Paulo escreveu aos cristãos de Corinto um texto interessante sobre a pregação da Palavra: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” (1 Coríntios 9:22) Ele nos mostra com sua vida e ministério que o evangelho não é comunicado de forma única e rígida. Ele se adaptava (na comunicação) às diferentes realidades para que a mensagem de Cristo fosse compreendida e recebida. Essa disposição de se doar e se moldar ao outro é o coração da missão. O evangelho não é apenas anunciado; ele é vivido e transmitido de maneira que faça sentido dentro da realidade de cada pessoa. 

 

No dia 24 de abril, celebramos um marco importante: o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como língua oficial. Essa data nos lembra que cada povo, cada comunidade, cada grupo tem sua própria identidade, cultura e forma de se comunicar. Quando Jesus nos chama para “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15), Ele não fala apenas de lugares geográficos, mas também de universos culturais e linguísticos, de gente de todo tipo.

Pregar o Evangelho aos surdos não é simplesmente traduzir palavras em sinais. É transmitir o amor de Cristo de forma que seja compreendido no coração. É reconhecer que o evangelho precisa ser vivido e comunicado dentro da realidade de cada pessoa. 

A missão não é sobre cumprir uma escala ou uma agenda no fim de semana ou no momento do culto, mas sobre se doar. Paulo compreendeu essa necessidade de adaptação. Ele sabia que a missão exige responsabilidade e entrega. Por isso disse: “Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” Muitas vezes queremos que as pessoas se adaptem a nós, mas Paulo nos ensina que o Evangelho nos leva ao encontro da necessidade do outro. É doar-se, relacionar-se intencionalmente, conhecer o universo que os cercam. E isso significa ir além das palavras: ter um olhar atento, mergulhar na cultura, aprender seus modos de expressão e valorizar sua identidade. 

 

Embora surdos e ouvintes percebam o mundo de formas diferentes, ainda é possível aproximar-se ao máximo, diminuir as diferenças e construir pontes de compreensão. Assim, aprender LIBRAS é mais do que adquirir uma habilidade. É abrir portas para que o evangelho seja compreendido. É dizer, com atitudes, que o amor de Cristo alcança todas as culturas e todas as línguas. A missão é relacional: não é sobre sinais apenas, mas sobre presença, cuidado e amor.

 

Texto: Diaconisa Luzia Regina Guedes Padovan | Líder de Libras da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral

 

Por que pregar o Evangelho para pessoas com deficiência mental profunda?

Saiba três razões que justificam a pregação para pessoas com deficiência cognitiva profunda ou que não se comunicam (verbalmente ou oralmente).

 

Por que pregar o Evangelho para pessoas com deficiência mental profunda? É uma pergunta legítima. Afinal, como vamos pregar para pessoas que, aparentemente, não entendem? Pretendo, neste pequeno texto, apresentar três razões que justificam plenamente a pregação do Evangelho para pessoas com deficiência cognitiva profunda, ou pessoas que não falam (não se comunicam verbalizando ou oralizando), ou que tenham qualquer tipo de impedimento dessa natureza, isto é, que apresentem em si fatores que as impedem de oferecer uma resposta pronta e nítida a um interlocutor que as interpelar sobre qualquer eixo comunicacional plausível.

Em primeiro lugar: porque Deus se comunica!
Isso quer dizer que o próprio Deus é quem estabelece o eixo de comunicação com o ser humano e, por isso, essa comunicação é plenamente eficaz. O que estou tentando dizer, de forma prática, é que, quando se trata do Evangelho, o êxito da comunicação não ocorre somente por código de sinais conhecidos que usamos, mas sim pelo fato de que o próprio Deus, através do seu Espírito, se revela a nós (1Co 2:10-12; Jo 16:13).

O Salmo 19:1 diz que os céus fazem uma declaração a todos os seres humanos sobre o Deus de toda glória a quem devemos adorar: “Os céus manifestam a glória de Deus. O firmamento anuncia a obra das suas mãos”. O texto ainda afirma que não há linguagem nem fala audível, e, ainda assim, a comunicação acontece. Ou seja, os canais de comunicação estabelecidos por Deus com o ser humano estão muito além dos códigos comuns inteligíveis que estabelecemos para nos comunicar. Deus tem seus próprios códigos!

 

Em segundo lugar: porque a Palavra de Deus tem o poder de transformar.
Isaías diz que a Palavra de Deus não volta vazia; muito pelo contrário, uma vez que ela é lançada, gera frutos, pois em si mesma é eficaz (Is 55:11). Ela é tão poderosa que realiza uma “cirurgia” que nenhum cirurgião, por mais habilidoso que seja, consegue fazer: penetra na divisão da alma e do espírito, das juntas e medulas (Hb 4:12). Ela transforma as partes mais internas das pessoas. 

Essa é a operacionalidade das Escrituras Sagradas, que opera “tudo em todos”. A Palavra de Deus é poderosa e refrigera a alma (Sl 19:7). A Bíblia é o bisturi de Deus! São afirmações como essas que deixam a metafísica de “cabelos em pé”. Como assimilar o poder dessa Palavra? Bem, acredito que a escolha mais razoável é a seguinte: ou você crê ou você não crê.

 

Em terceiro e último lugar: porque Jesus mandou pregar para todos.

É importante obedecer às ordens do Mestre. Em Marcos 16, Jesus ordena que preguemos o evangelho a toda criatura (Mc 16:15). Não há nenhum critério elegível de distinção aqui. “Toda” é, necessariamente, toda.

Você pode até eleger seus critérios de distinção, mas saiba que isso não vem de Deus. Também não há abertura para que preguemos apenas quando o processo de conversão é compreendido por nós. Cada ser humano tem uma peculiaridade que só ao Criador é possível alcançar: a conversão é tão sobrenatural quanto a própria concepção. A realidade de “nascer de novo” é uma ação que só Deus pode realizar; e Ele o faz . O que cabe a nós é obedecer, pregar, ouvir e crer.

E obedecer é lançar a semente, sabendo que o ato de crescer pode não ser compreendido por nós, mas é gerado por Deus. O que cabe a Deus não caberá a nós. Entenda somente isso e cumpra o seu pequeno papel: pregue sem distinções! Você é o canal de Deus para alcançar corações. Quem estabeleceu isso foi o Senhor. Fique tranquilo, vai dar certo. Apenas faça o que Ele mandou.

Para concluir, deixo o texto de Romanos 1, que coloca os homens como indesculpáveis (Rm 1:20). Não importa a condição, pois o Senhor se revelou em sua criação, em sua Palavra e em seu Filho, Jesus Cristo (Hb 1:1-2). Poderia eu mostrar cientificamente que pessoas com deficiência cognitiva profunda têm níveis de compreensão, assim como autistas não verbais entendem, mas não conseguem falar de forma usual. Mas isso não é o fundamental aqui. Nossa base precisa ser estabelecida pela Bíblia. Obedeçamos. O resto é adjacente.

Como diz o antigo hino: “Pois obedecer é melhor do que sacrificar”.

Texto: Juliana Duque José é Líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral.

Audiobook do livro “O Apocalipse” está disponível na TV Viva Promessa

A iniciativa tem foco em pessoas com deficiência visual ou visão monocular, mas atende também ao público em geral.

Uma parceria entre a Secretaria de Inclusão, a Editora Promessa e a Agência Promessista de Comunicação (APC) disponibiliza, na TV Viva Promessa no YouTube (www.youtube.com/@tvvivapromessa), o audiobook do livro O Apocalipse. O material tem foco em pessoas com deficiência visual, irmãos cegos e pessoas com baixa visão ou visão monocular, entre outras realidades, mas também atende ao público em geral que consome conteúdos em áudio.

A playlist pode ser acessada aqui:

 

Atualmente, já são três audiobooks disponíveis (clique nos nomes para ir aos conteúdos): O Doutrinal, Trilho do Discipulado e, agora, o livro O Apocalipse, todos da Editora Promessa.

Em entrevista ao Promessistas.org, a líder da Secretaria de Inclusão, Diaconisa Juliana Duque, explicou que há um público expressivo que pode consumir gratuitamente o conteúdo em áudio. “Entendemos que existe um público importante de pessoas com deficiência visual — irmãos idosos que perderam a visão por conta de diabetes, catarata ou outras condições —, irmãos cegos e muitos que têm baixa visão ou visão monocular, entre outras realidades, que não conseguem acessar conteúdos teológicos, doutrinários ou mesmo devocionais de forma habitual por meio da leitura”, analisa.

Ela explica a importância do material: “Essas pessoas não deixam de ler por preferência, mas por necessidade. Elas precisam de conteúdos em áudio para desenvolver a fé, continuar conhecendo e prosseguindo em conhecer Cristo e a sua Palavra”.

Segundo Juliana, muitos irmãos se emocionam por poder acessar O Doutrinal em audiobook, mesmo sem ter visão, ou o Trilho do Discipulado, outro material já disponível. “Agora queremos ampliar essa rede de estudos, entregando o livro O Apocalipse em áudio. Agradecemos à Editora Promessa, que nos autorizou a realizar esse projeto”.

Ela também destaca que o conteúdo atende a outros públicos. “Esses audiobooks têm servido a muitas pessoas. Na correria da vida, eles se tornaram um catalisador de estudos para o povo promessista em geral, pois geram acessibilidade aos novos contextos: dá para ouvir no carro enquanto dirige. Fiquei sabendo de um irmão caminhoneiro que estudou O Doutrinal enquanto ‘rodava’ pelo Brasil”.

Juliana conclui: “Esse é o nosso objetivo: servir uns aos outros, edificar uns aos outros e que o nome de Jesus seja glorificado”.

 

Sobre o livro
A série especial em áudio O Apocalipse é uma jornada profunda e transformadora pelo livro do Apocalipse, uma obra editada da Igreja Adventista da Promessa que auxilia na compreensão da última revelação de Jesus Cristo, não como um livro de medo, mas de esperança, consolo e vitória final de Deus.

A versão impressa do livro está disponível na loja virtual da editora:
www.editorapromessa.com.br/produtos/o-apocalipse/

Texto: Andrei Sampaio/Agência Promessista de Comunicação (APC)

‘bAutismo’: sinal da graça que encontra todos os espectros

Quando o Aautismo encontra o amor de Deus, a graça se sobrepõe a toda limitação

 

O título “bAutismo” nasceu de uma sugestão carinhosa e bem-humorada do meu amigo e irmão de caminhada Andrei Sampaio. Ele une duas palavras que, à primeira vista, parecem distantes (batismo e autismo), mas que na prática revelam algo extraordinário e disruptivo: a graça de Deus alcança todas as pessoas, sem exceções, inclusive pessoas com autismo.

Ao longo da minha jornada, tenho visto o Senhor agir poderosamente na vida de crianças e jovens autistas, conduzindo-os à fé, à comunhão com a igreja e à decisão pública por Jesus Cristo. E isso traz a tona uma verdade que precisamos nos lembrar, sem nunca esquecer:

Dentre todas as necessidades que o autismo pode apresentar, existe uma que é a mais fundamental de todas — pessoas autistas precisam de Jesus (Jo 3:16). Talvez essa afirmação cause estranhamento. Eu entendo.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) envolve inúmeras demandas: dificuldades de comunicação, desafios sensoriais, comorbidades como deficiência intelectual, epilepsia, apraxia de fala, transtornos de ansiedade, seletividade alimentar, TDAH, entre outras. Muitas pessoas passam a vida tentando responder a essas necessidades, o que de fato é importante.

Mas em meio a tantas ocupações legítimas por sinal, a verdade da cruz jamais deve ser suprimida, pois dentre todas as necessidades humanas ela deve ocupar a primazia, em primeiro lugar devemos atender a essa necessidade essencial: estar no reino, estar à sombra da cruz.

É em Cristo que pessoas autistas e suas famílias encontram força, propósito e esperança. É apenas em Jesus que elas encontrarão sentido, segurança e paz  para enfrentarem os tantos desafios da vida. É n’Ele que descobrimos que somos mais que vencedores, não por nossas capacidades, mas por causa d’Aquele que nos amou e nós capacita em cada acordar.

 

O mesmo Jesus que entregou Sua vida na cruz por amor a você, também ama profundamente cada pessoa autista. Ele toca esses corações de maneira singular. Ele transforma suas histórias, sem nenhuma restrição. Ele concede vida eterna, sem fazer acepção. Eu sei que o autismo traz desafios reais. Mas também sei que NADA pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8:35).

Por mais intenso que seja o comprometimento, por mais profundo que seja o grau do autismo, mais profundo ainda é o amor de Deus. Maior é  seu poder de alcançar e transformar. Mais extrema é a graça d’Aquele que Se entregou por amor.

A missão da Igreja não é medir níveis de compreensão, calcular capacidades cognitivas ou avaliar limitações humanas. Nossa missão é pregar o Evangelho e confiar na Palavra que alcança o coração pela ação sobrenatural do Espírito Santo — o mesmo Espírito que convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8).

 

Uma história de “bAutismo”

Essa verdade se tornou viva na minha própria história familiar por meio do Samuel, meu filho autista. Ele mal falava até os quatro anos de idade. Quando tinha apenas dois anos, ouvimos um prognóstico duro: “Ele nunca vai aprender.”

Para nós, como pais, ouvir isso foi devastador. Muitas preocupações surgiram. Mas a primeira que tomou meu coração foi: “Como vou ensinar Jesus para ele?” E a resposta foi simples: ensinando! (Dt 6:7) Falando, lendo, cantando, vivendo o Evangelho no dia a dia.

Aos cinco anos, ainda com poucas palavras, ensinei a ele e ao irmão, Pedro, a história da Páscoa. Como Samuel não conseguia explicar com palavras, pedi que desenhasse o significado. Ele desenhou Jesus na cruz. Ali eu entendi: o coração dele já havia sido alcançado. Aos nove anos, Samuel pediu para ser batizado. Achamos cedo e pedimos que esperasse.

Foto: Desenho do Samuel aos 5 anos.

 

Em cada apelo de batismo feito por seu pai, pastor da igreja, ele assentia, desejando ser candidato. E nós dizíamos: “Ainda não.” Mas ele sempre respondia: “Eu quero ser amigo de Jesus para sempre.” Quando o irmão mais velho se batizou, Samuel ficou triste por ainda não ter sido autorizado. Até que, aos onze anos, ele adoeceu com dengue. Foram dias difíceis. Ele perdeu quatro quilos em três dias e mal conseguia abrir os olhos. Tememos o pior. Oramos.

Em um momento de extrema fragilidade, ele me perguntou:

— “Mamãe, se eu morrer, eu vou para a eternidade com Jesus, como o tio Flávio?”

— “Vai, filho.”

— “Mas eu não batizei…”

 

Naquele instante, eu entendi que o desejo dele por Jesus precisava ser respeitado. Então meu marido e eu decidimos diante do Senhor que quando Samuel estivesse plenamente restabelecido, ele seria batizado no próximo culto de batismo da igreja. Três meses depois, no dia 5 de outubro de 2024, Samuel declarou publicamente sua fé nas águas batismais.

Foi um momento precioso. Um marco para ele, para nossa família, amigos de jornada cristãos ou não, e um testemunho extraordinário do poder e amor de Jesus! (E havia ainda um detalhe tocante: aquela data seria o aniversário do tio Flávio, meu irmão, que já dorme no Senhor. Para mim, foi um sinal da fidelidade e do cuidado de Deus.)

Não existe laudo, sentença ou prognóstico capaz de limitar o poder de Deus na vida daqueles que creem. Por isso, podemos afirmar com convicção, parafraseando Paulo: “Nem a morte, nem a vida, nem o autismo, nem qualquer outra condição… nada pode nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Que o bAutismo continue sendo um testemunho vivo de que o Evangelho é para todos. A Ele seja toda a glória!

 

Texto: Diaconisa Juliana Duque | líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral

Secretaria de Inclusão lança curso sobre adaptação de materiais para o ensino cristão

O investimento na capacitação é feito em parcela única, com acesso ao conteúdo por um ano. 

 

A Secretaria de Inclusão da Convenção Geral lançou o curso “Adaptação de Materiais para o Ensino Inclusivo Cristão”. O anúncio foi feito durante uma live no perfil do Instagram da secretaria, com a participação da facilitadora da formação, a pedagoga e psicopedagoga diaconisa Daniela de Oliveira.

O investimento na capacitação é feito em parcela única, com acesso ao conteúdo por um ano, ao valor de R$ 49,90, em pagamento único, não mensal. A formação está disponível na plataforma CTM, da Convenção Paulistana Central: www.ctmonline.org

“Nós cremos que Cristo é a nossa maior acessibilidade”, declarou durante a transmissão a apresentadora e colaboradora da Secretaria de Inclusão, diaconisa Marli. “Porque Cristo veio para todos. E a igreja, como agência de salvação, deve refletir o amor e a compaixão na forma como ensina, na forma como comunica, na forma como acolhe”, ressaltou, ao falar sobre o propósito e o papel formativo do rebanho do Salvador.

A facilitadora da formação explicou que o curso “nasce com o objetivo de mediar, de proporcionar aos professores, líderes, pais, responsáveis, colaboradores do ministério infantil e à igreja como um todo recursos voltados à acessibilidade”. Daniela destacou ainda que a proposta é repensar ferramentas “para que os professores consigam falar do amor de Cristo, falar da salvação, de forma clara e acolhedora, de modo que a Palavra de Deus seja acessível às crianças com deficiência ou transtornos”. A ideia é que, por meio desses recursos, o ensino do evangelho seja facilitado.

Sobre a plataforma – Para o acesso da plataforma, a pessoa interessada entra deve entrar em: ctmonline.org , clicar em “eu quero!” para se cadastrar. Ao terminar o cadastro, você acessa a plataforma e é só escolher o curso “Adaptação de materiais para o ensino inclusivo cristão.”

Promessista conduz momento de apoio à comunidade surda na Câmara de Araçatuba (SP)

 Diaconisa Luzia Regina Guedes Padovan conduziu um momento na Câmara Municipal e falou da importância de políticas públicas para pessoas com deficiência auditiva.

*Foto: Angelo Cardoso / Câmara Municipal de Araçatuba

 

A líder do Ministério de Libras (Língua Brasileira de Sinais) da Igreja Adventista da Promessa de Araçatuba, Convenção Noroeste Paulista, Diaconisa Luzia Regina Guedes Padovan, conduziu um momento na Câmara Municipal, onde abordou a necessidade de políticas públicas efetivas para a população surda no município. A promessista representou a Associação das Senhoras Cristãs Benedita Fernandes.

Durante as atividades da 38ª sessão ordinária do ano, na segunda-feira (17/11), segundo o Portal da Cidade, ela destacou a contribuição da comunidade surda para a sociedade, com ênfase na necessidade de atenção do poder público para assegurar a acessibilidade às pessoas surdas.

Ela também mencionou a data de 26 de setembro, Dia Nacional do Surdo no Brasil, em alusão à inclusão de pessoas surdas na sociedade. “Quero parabenizar porque dia 26 de setembro foi celebrado o Dia Nacional do Surdo. Não é só uma data, pois todo dia é dia do surdo. A data é importante para reconhecer, valorizar e difundir a língua própria da comunidade surda”, ressaltou Dsa. Luzia.

Fotos: Angelo Cardoso / Câmara Municipal de Araçatuba

 

A líder ainda destacou outra data e conquista importante: o Dia Internacional das Línguas de Sinais, instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas (23 de setembro); e a Lei Libras (Lei nº 10.436/2002), que reconheceu a Língua Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação e expressão para as pessoas surdas no país.

Luzia reforçou a necessidade de que órgãos públicos assegurem os direitos da comunidade surda. “O dia do surdo é marcado por uma luta histórica de preconceitos, e a comunicação dos setores públicos deve tornar o discurso acessível a qualquer pessoa. As ações são necessárias e urgentes.”

O discurso foi encerrado na Tribuna Livre, apontando a necessidade de reconhecer as barreiras linguísticas existentes para os surdos. Por fim, a representante da associação também solicitou a realização de uma audiência pública na Casa de Leis para debater políticas públicas voltadas às pessoas surdas do município.

 

Novidade – A Secretaria de Inclusão da Convenção Geral vai lançar o curso Adaptação de Materiais para o Ensino Cristão Inclusivo, voltado especialmente para o Ministério de Crianças e Adolescentes (MCA). Em breve, o curso estará disponível na plataforma Centro de Treinamento Missionário, da Convenção Paulistana Central (CPC). No próximo dia 15 de dezembro, uma live de lançamento será realizada no Instagram da secretaria com todos os detalhes da capacitação.

Texto: Agência Promessista de Comunicação (APC)
Com informações: Portal da Cidade – Araçatuba

 

Antes da deficiência, a pessoa: sobre PCD e inclusão na igreja

No primeiro sábado de dezembro, celebramos o Dia da Inclusão Promessista (DIP), por isso, é importante uma reflexão sobre o olhar que temos para as pessoas com deficiência. O termo PCD (Pessoa com Deficiência) foi criado a partir da seguinte proposição: a pessoa antes da deficiência. A ideia baseia-se no fato de que, muitas vezes, ao enxergarmos alguém com deficiência, é a deficiência que ocupa o protagonismo do olhar e da nossa percepção particular sobre o indivíduo, e isso gera estigma, preconceito e capacitismo.

Determinamos quem o indivíduo é e o que ele pode fazer a partir dessa característica. O termo “pessoa com deficiência” nos convida ao contrário: a reconhecermos, antes de tudo, que aquele indivíduo é uma pessoa — alguém sujeito à vida como nós, com desejos, sonhos, potencialidades, desafios e dificuldades inerentes à existência humana.

 

Somente depois vemos a deficiência, que, nesse caso, vem como um complemento da realidade daquele indivíduo, não como sua identidade total. Se a sociedade enxergasse dessa forma, muitas questões relacionadas às PCD seriam naturalmente resolvidas.

 

O olhar de Jesus

Essa lógica também se aplica ao contexto do evangelho. Pessoas com deficiência continuam sendo invisibilizadas na hora da pregação e, muitas vezes, desacreditadas por causa dessa deficiência do olhar: “já são anjos”, “será que podem crer?”, “estão sofrendo porque estão purgando pecado”, entre outras ideias equivocadas. 

 

 

Mas não o eram por Jesus. Quando um paralítico foi levado até o Senhor pelos seus amigos, antes de o curar fisicamente, o Mestre tratou de seu coração: “Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: — Filho, os seus pecados estão perdoados.” (Mc 2:5 NAA). Veja que ele quer levar transformação a pessoa, antes de ver sua limitação física. Ele o trata como igual, a lhe dar atenção e ao anunciar a “cura de seu interior”. Não o trata como um ente santo, mas como alguém pecador, como todos os demais humanos, que precisa da graça. 

Podemos até ver esse princípio, quando nosso Senhor recebe uma mulher aprisionada por um espírito de enfermidade, “ao vê-la, Jesus a chamou e lhe disse: — Mulher, você está livre da sua enfermidade.” (Lucas 13:12) O que vemos é um interesse de Jesus pela pessoa. Ele sabe que todos precisam da mensagem, do perdão dos pecados, da libertação do maligno, mas do que da cura do corpo. 

Olhando para esse princípio, de primeiro ver a pessoas antes da deficiência, conseguiremos ver que os Pcd, são um povo não alcançado pelo evangelho, gente que precisa  saber da graça e do pecado, do amor e do juízo divino, da forma que possam entender para que ouça do Salvador que os seus pecados estão perdoados e que podem seguir o Cordeiro que tira o pecado do mundo. 

 

Texto: Diaconisa Juliana Duque, líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral e Andrei Sampaio, jornalista da Agência Promessista de Comunicação (APC)

Diácono com deficiência auditiva testemunha: “Servir é um ato de amor!”

João Carlos, o Joca, deu entrevista ao programa Inclusão Entrevista, da TV Viva Promessa.

O Diácono João Carlos, conhecido como Joca, da Igreja Adventista da Promessa de Itatiba (SP), testemunhou sua fé e falou sobre servir ao Senhor por meio da diaconia. Ele é uma pessoa com deficiência auditiva e participou do Inclusão Entrevista, programa apresentado pela líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral, Diaconisa Juliana Duque.

Casado com Juliana e tutor de cinco gatinhos, Joca esbanjou simpatia durante a edição do programa — mediada pela Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) interpretada pela Irmã Dilma, da mesma igreja que ele — que abordou o tema: “Surdos em missão através da diaconia”.

 

Vindo do budismo na infância e, mais tarde, tendo passado pelos Testemunhas de Jeová, Joca percorreu várias cidades até encontrar Jesus na Promessa, em Itatiba: “Eu conheci Jesus e é um sentimento de amor por mim”, testemunhou. 

Hoje, ele ensina sinais em LIBRAS referente aos serviços da igreja, como distribuição de água e orientação para os banheiros, além também de servir a comunidade: “Eu ajudo a igreja hoje, para que a comunicação aconteça. Me esforço, arregaço as mangas, ensino mesmo as pessoas que precisam com muita satisfação”Ele destacou ainda que servir vai além da função — é missão: “Servir é um ato de amor, compartilhar o evangelho.”

A apresentadora Juliana também reforçou a importância de mais pessoas que colaborem para tornar a comunhão efetiva e garantir que a inclusão aconteça. Ela perguntou a Joca sobre a necessidade de mais diáconos surdos, ao que ele respondeu com firmeza: “O evangelho precisa ser falado para os surdos. Ajudar, conversar, compartilhar. Porque Jesus conhece todas as pessoas”, afirmou o ordenado, destacando a necessidade do ensino contínuo.

Assista o programa aqui: 

 

Com Libras: https://www.youtube.com/watch?v=VM4i1gyK8H8 

 

Texto: Agência Promessista de Comunicação (APC). 

A pessoa idosa e a deficiência

Como tratamos os idosos com deficiência que congregam em nossas igrejas?

Você já se viu chegando à terceira idade? Ou você já faz parte do grupo dos 60+? A dita “melhor idade” realmente é a melhor idade? Vamos bater um papo a respeito desse tema de relevante importância no nosso meio. 

A Lei 8.842/94 estabelece a Política Nacional do Idoso e cria o Conselho Nacional do Idoso. É essa lei que define que o brasileiro com mais de 60 anos é considerado idoso. O Estatuto do Idoso avança na garantia dos direitos da população idosa, tais como: educação, saúde, alimentação, cultura, lazer, trabalho, assistência social, entre outros.

Durante a pandemia do coronavírus, houve um agravamento na saúde dos idosos devido ao isolamento social, uma vez que essas pessoas fazem parte do grupo de risco da Covid-19.

A solidão afeta a imunidade, e o isolamento pode aumentar o risco de morte em 14% nas faixas etárias mais avançadas. O estresse também acaba induzindo respostas inflamatórias. A população idosa representa o grupo que mais cresce no país, segundo o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, e, no último censo, cerca de 63% dos idosos brasileiros afirmaram ter alguma deficiência. Além disso, a população idosa é considerada “especialmente vulnerável” pela Lei Brasileira de Inclusão.

Para que as pessoas idosas possam participar da sociedade de forma igualitária, é necessário que sejam garantidos recursos de acessibilidade e que a sociedade lute contra a discriminação. A sociedade deve aceitar, acolher e auxiliar essas pessoas.

 

O PAPEL DA IGREJA

E, nas nossas igrejas, isso tem sido uma realidade? Como tratamos os nossos idosos com deficiência? Precisamos lembrar de assegurar ao idoso a dignidade, o respeito e a convivência entre nós, como diz a Escritura: “Fiquem de pé na presença das pessoas idosas e as tratem com todo o respeito; e honrem a mim, o Deus de vocês. Eu sou o Senhor.” (Levítico 19:32 NTLH).

Em relação às deficiências visuais, auditivas e de locomoção e suas restrições, como tratamos os nossos idosos? Para dar acessibilidade, temos que ter um olhar para as barreiras arquitetônicas, não violando seus direitos fundamentais, como o direito de ir e vir; então, faz-se necessário um cuidado especial com degraus e tapetes, viabilizar rampas e elevadores de acesso, cadeiras de rodas (caso seja necessário em algum momento), barras de apoio e até mesmo cuidadores, como medida protetiva (1 Timóteo 5:1).

De forma igualitária, devemos demonstrar amor e paciência, honrar sua existência, sua sabedoria e experiência. Aceitando os seus conselhos e sentando para ouvir as suas histórias (às vezes repetitivas), afinal, um dos mandamentos da mutualidade é exercer a paciência, e um dos frutos do Espírito é a longanimidade (Gálatas 5:22).

No ambiente da igreja, entregamos cargos de confiança e acreditamos em sua autonomia, crenças, escolhas e decisões? Acreditamos no potencial da “melhor idade” para nos instruir e repassar seus ensinamentos e experiências de vida? Lembremos da promessa aos fiéis: “Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida.” (Salmos 92:14 NTLH)

Na sua igreja local há pessoas idosas na liderança de grupos e ministérios? Qual é a posição da igreja para com os nossos idosos e idosos PcDs (pessoas com deficiência)? Existem muitas interrogações sobre esse tema tão primordial.

Que Jesus continue sendo o nosso norte para nos orientar em como tratar os nossos idosos com deficiência. Que essas pessoas sejam amadas, respeitadas e enxergadas por todos nós, pois, queira Deus, num futuro próximo, e talvez num futuro “bem” próximo, seremos nós que estaremos nesse lugar, carecendo desses cuidados. 

Não se esqueça: envelhecer é para todos!

 

Ana Cláudia Almeida Reis | Tradutora e Intérprete de Libras, Ledora e Transcritora, diretora financeira na Secretaria de Inclusão da Convenção Geral e congrega na Promessa Vila Maria. 

Há cadeiras de rodas onde você congrega?

Você já precisou andar de cadeira de rodas? Se não, quem sabe, um dia, pelas circunstâncias, poderá usá-la.

 

Dias desses, um irmão da igreja sofreu um acidente. Fiquei observando ele, que até então não precisava de uma cadeira de rodas, mas agora, devido ao acidente que prejudicou sua locomoção a pé e por conta de uma cirurgia, passou a necessitar de uma cadeira. Ou seja, as circunstâncias o obrigaram a essa necessidade.

Você já precisou andar de cadeira de rodas? Se não, quem sabe, um dia, pelas circunstâncias, poderá usá-la.

Saí de Cuiabá, Mato Grosso, e fui até a Argentina. Passei por algumas Igrejas Adventistas da Promessa. Cruzei os estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul de carro. Fiquei feliz quando cheguei a uma Igreja da Promessa e lá havia uma cadeira de rodas. Sim, feliz, porque, se algum visitante ou idoso precisasse, por alguma circunstância alheia à sua vontade, no âmbito da locomoção física, naquele templo encontraria uma cadeira para ajudá-lo.

Poderia recorrer à proteção dos Direitos Humanos, pois ela normatiza, no âmbito internacional, o que tange ao direito à igualdade, ao direito à acessibilidade, ao direito à mobilidade, ou seja, a ter uma cadeira de rodas em um ambiente coletivo, mas prefiro recorrer à consciência, pois só ela poderá mostrar a empatia (capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa, compreendendo seus sentimentos, vontades e ações). Daí a importância de se ter uma cadeira de rodas em nossas comunidades.

Diáconos e Diaconisas ficariam felizes de ter uma cadeira de rodas para auxiliá-los naqueles momentos mais difíceis, por exemplo, quando alguém passa mal na igreja, para socorrer a pessoa idosa ou com deficiência.

Por meio deste pequeno exemplo, entenderam a importância de se ter uma cadeira de rodas em cada Igreja Adventista da Promessa? Isso é inclusão, isso é praticar o serviço cristão ao próximo, além de ser uma questão humanitária.

Assim, faço novamente a pergunta do título deste artigo: há cadeiras de rodas onde você congrega?

Pr. Luciano Souza de Arruda | Teólogo, Advogado, Filósofo, Mestrando em Teologia, colaborador da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral.

DIA DA INCLUSÃO PROMESSISTA: A deficiência é consequência do pecado?

 

“Quem pecou: ele ou os pais dele para que ele nascesse cego?” Essa pergunta, feita pelos discípulos a Jesus, ainda ressoa nos corações de muitos: “Afinal, a deficiência é consequência do pecado?” Para abordar essa questão, o mais novo episódio do programa Inclusão Entrevista, da TV Viva Promessa, trouxe o tema à tona. A apresentadora, Diaconisa Juliana Duque, líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral da Igreja Adventista da Promessa, recebeu o Pastor Josias Lima, Vice-Superintendente da Convenção Paulistana Leste (CPL), para responder a essas reflexões.

O programa foi norteado por cinco perguntas centrais:

  • Por que existem pessoas com deficiência no mundo?
  • Pessoas com deficiência também refletem a imagem e semelhança de Deus?
  • Deus tem um propósito na vida dessas pessoas?
  • Pessoas com deficiência têm dons e talentos e podem servir na igreja?
  • Como a Igreja de Jesus deve lidar com as pessoas com deficiência?

No dia da Inclusão Promessa, celebrado anualmente no primeiro sábado de dezembro, confira a resposta do teólogo. 

Por que existem pessoas com deficiência no mundo?

O Pr. Josias iniciou com uma explicação teológica, que explicou a originalidade de todas as modificações no corpo humano. “A causa principal e primária de todo tipo de deficiência, segundo a teologia bíblica, é o pecado original. Ele trouxe a deficiência aos seres humanos em todas as áreas”, afirmou. “Adão e Eva, antes da queda, eram seres excepcionais, extraordinários. Mas, após a queda, surgiram doenças e enfermidades, deteriorando a capacidade humana. O ser humano de antigamente era bem mais saudável do que somos hoje.”

Ele acrescentou que, de certa forma, todos carregamos algum tipo de limitação física. “Por exemplo, eu tenho uma deficiência física na visão. Deveria usar óculos, mas não uso, porque consigo me virar. De perto, enxergo bem, mas de longe tenho dificuldade. Isso já é uma deficiência física, mesmo que muitas vezes não nos consideremos deficientes. Ninguém é perfeito, seja no físico, no espiritual ou no moral.”

Pessoas com deficiência refletem a imagem e semelhança de Deus?

Juliana Duque questionou: “Pessoas com deficiência refletem a imagem e semelhança de Deus?”. “Sim”, respondeu Josias. “Em Gênesis 1:26-27, a Trindade declara: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança’. O ser humano carrega esse valor imensurável. Tanto é que Deus enviou Seu Filho para nos resgatar, pagando um alto preço. Isso mostra a dignidade que temos.”

Ele enfatizou que o olhar das pessoas deve mudar: “Dizer que uma pessoa com deficiência não reflete a imagem de Deus por causa de um detalhe físico é incorreto, teológica e biblicamente. Todos nós somos criados à imagem e semelhança de Deus.”

Juliana complementou: “Essas características não nos definem. O que nos dignifica é sermos feitos à imagem do Criador, cada um de nós do seu jeitinho.”

Deus tem um propósito na vida dessas pessoas?

Josias destacou o relato de João 9: “Quando Jesus curou o cego, deixou claro que a deficiência não era punição, como muitos acreditavam. A origem é o pecado original, não o pecado pessoal.”

Ele afirmou que a glória de Deus se manifesta de várias formas, não somente por meio de uma ação miraculosa do Senhor. “Alguns esperam que a glória de Deus seja visível na cura, mas, mesmo sem cura, Deus é glorificado. Quando pessoas com deficiência vencem barreiras, vivem com alegria e determinação, isso também glorifica a Deus.”

Pessoas com deficiência têm dons e talentos para servir na igreja?

“Com certeza”, afirmou o pastor. “O Espírito Santo distribui dons conforme Sua vontade. Todos, incluindo pessoas com deficiência, fazem parte do Reino de Deus e recebem habilidades para edificar a igreja.”

Como a Igreja de Jesus deve lidar com as pessoas com deficiência?

Josias reforçou que o modelo está nas Escrituras, ele é embasado naquilo que Jesus fez pela humanidade. “Sempre digo: siga a Bíblia, que não erra. Efésios 2:14 diz que Cristo derrubou o muro de separação entre os povos. Como Igreja, devemos continuar derrubando barreiras e construindo pontes, promovendo acessibilidade uns aos outros. A obra de Cristo nos chama a quebrar muros e a incluir todos, independentemente de limitações ou diferenças.”

 

Texto: Agência Promessista de Comunicação (APC). 

Igreja promove palestras sobre inclusão de pessoas com deficiência em Cuiabá (MT)

O evento ocorre nos dias 26 e 27 de outubro, com entrada gratuita. 

Nos dias 26 e 27 de outubro, a Igreja Adventista da Promessa, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá (MT), será palco do evento “Inclusão”, que visa conscientizar a igreja sobre a importância da inclusão de pessoas surdas, cegas e  outras pessoas com deficiência nesse contexto. A programação acontecerá das 9h às 19h, com palestras ministradas por especialistas da área.

Entre os palestrantes, destacam-se a Diaconisa Juliana Duque, líder da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral, de São Paulo (SP), o Pastor Sandro Santos, que é surdo, e as missionárias Sara Lopes e Marlene Santos, do Paraná. O evento é gratuito e aberto ao público.

Serviço:

  • Evento: Inclusão – direcionado a pessoas surdas, cegas ou com deficiência.
  • Data: 26 e 27 de outubro
  • Horário: 9h às 19h
  • Local: Igreja Adventista da Promessa, bairro Bosque da Saúde, Cuiabá (MT)
  • Contato: (65) 98404-0593 – Professor Luciano (organizador)

Texto: APC Jornalismo 

O Pacto de Lausanne e a inclusão de pessoas com deficiência na igreja

A forma como a igreja inclui e acolhe pessoas com deficiência serve como um poderoso testemunho do amor de Cristo.

Tive a oportunidade de realizar uma viagem de férias com meu marido, o Pb. Ton Corso, para a Europa. Sim, Deus realiza nossos sonhos e faz ainda mais: nos ensina quando estamos dispostos a aprender. Nesta viagem, fui visitar minha grande irmã e amiga Sandra Nunes, que hoje vive em Londres, UK. Quando visitamos pessoas tão queridas, geralmente levamos mimos. E digo mimos porque não é o valor que importa, mas a intenção.

Aproveitando que as filhas da minha amiga estão vivendo a delícia do primeiro amor com Cristo e que estou intimamente ligada à inclusão na igreja, achei por bem confeccionar camisetas com os temas da Secretaria de Inclusão. Temos que pregar o Evangelho em tempo e fora de tempo, e a inclusão se comporta da mesma maneira: devemos praticá-la em tempo e fora de tempo.

Dois dos mimos eram camisetas com a frase “O Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”. Na ocasião, eu não conhecia a história dessa expressão e, infelizmente, não pude explicá-la. Porém, ao retornar de viagem e voltar à minha rotina, pesquisei e relacionei o significado da frase à inclusão.

 

A explicação
A expressão “O Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens” surgiu em um Congresso Evangelístico em Lausanne, na Suíça, em 1974. Um dos pontos discutidos nesse congresso foi que nem todos os males da humanidade são espirituais. Concluiu-se que o homem é matéria e está neste mundo, onde sofre com diversas coisas, como fome, medo, tristeza e relacionamentos. O homem está sujeito a adversidades físicas e psíquicas, então não pode ser visto apenas da perspectiva espiritual; suas necessidades materiais, sentimentais e psíquicas também devem ser satisfeitas.

Essa frase significa exatamente isso: o Evangelho não veio apenas para nossa vida espiritual, ele vai além. O Evangelho é sinônimo de misericórdia, e devemos usá-lo em sua plenitude para encontrar remédio para toda a nossa vida e a do próximo. Já encontramos a resposta para a segunda parte da frase: o Evangelho não é apenas para aqueles que têm plena capacidade mental ou para quem consegue se comunicar perfeitamente, nem só para quem é considerado “normal”. Agora, temos toda a frase representada.

A relação com a inclusão
Agora que já entendemos o contexto da Convenção de Lausanne, podemos nos perguntar: qual é a ligação entre essa convenção e a inclusão de pessoas com deficiência na igreja? A ligação é total e se dá de várias maneiras, refletindo sobre a missão integral da igreja e a necessidade de atender a todas as dimensões da vida humana. Aqui estão sete conexões entre o evento e a pauta da inclusão:

  1. Universalidade do Evangelho: O Evangelho é para todos, sem exceção. Isso inclui pessoas com deficiência, que muitas vezes enfrentam barreiras sociais, físicas e espirituais. A inclusão dessas pessoas na comunidade de fé é fundamental para que o Evangelho seja verdadeiramente acessível a todos (Romanos 3:23-26).
  2. Dignidade e Valor: A mensagem do Evangelho afirma a dignidade e o valor de cada ser humano, independentemente de suas capacidades. A inclusão de pessoas com deficiência na vida da igreja e da sociedade reflete a crença de que todos são criados à imagem de Deus e merecem respeito e amor. “Criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1:27)
  3. Atendimento às Necessidades: O conceito de “homem todo” implica que a igreja deve se preocupar com todas as necessidades das pessoas, incluindo aquelas com deficiência. Isso envolve a criação de ambientes acessíveis, programas de apoio e ministérios que atendam às suas necessidades específicas (Mateus 25:40).
  4. Participação Ativa: A inclusão de pessoas com deficiência na vida da igreja permite que elas participem ativamente da missão e do ministério. Isso não apenas enriquece a comunidade, mas também oferece oportunidades para que compartilhem suas experiências e dons, contribuindo para a edificação do corpo de Cristo (1 Coríntios 12:12-14).
  5. Quebra de Barreiras: A missão integral do Evangelho desafia a igreja a quebrar barreiras que excluem pessoas com deficiência. Isso inclui não apenas barreiras físicas, mas também preconceitos e estigmas que podem existir dentro da comunidade (Gálatas 3:28).
  6. Cuidado e Apoio: A inclusão também envolve o cuidado e apoio às famílias que têm membros com deficiência. A igreja pode ser um lugar de acolhimento e suporte, oferecendo recursos e assistência para ajudar essas famílias a enfrentar os desafios que encontram (Gálatas 6:8).
  7. Testemunho de Amor: A forma como a igreja inclui e acolhe pessoas com deficiência serve como um poderoso testemunho do amor de Cristo. Isso demonstra que a comunidade de fé é um espaço onde todos são bem-vindos e valorizados (João 13:35).

A inclusão de pessoas com deficiência está intrinsecamente ligada ao princípio de “O Evangelho todo, para o homem todo, para todos os homens”, pois reflete a missão da igreja de atender a todas as pessoas em suas diversas necessidades, promovendo um ambiente de amor, aceitação e dignidade.

Texto: Alessandra Corso – Secretaria da Secretaria de Inclusão – Congrego na IAP Taipas.

Edição: APC Jornalismo. 

 

A salvação é o maior milagre!

Pessoas com deficiência, ou não, precisam saber que existe um Deus que as ama.

Segundo as Escrituras, em Marcos 16:15, Jesus disse aos discípulos: “Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura”. Ele nos comissionou, e, portanto, precisamos assumir o papel de evangelização e discipulado, sem discriminação ou preconceito, olhando para as necessidades individuais de cada pessoa.

Nossa responsabilidade vai além de um ato social. Devemos ver a pessoa surda como um povo ainda não alcançado, um grupo com cultura e língua próprias. O objetivo não é apenas trazer surdos para a igreja para que se tornem crentes, mas sim que desenvolvam um relacionamento com Deus, para que compreendam Sua vontade e a pratiquem. Isso também se aplica a todas as pessoas com deficiência (PCD).

Na maioria das vezes, quando alguém entra em nossas igrejas com alguma enfermidade, nossa primeira prioridade é orar pela “cura” — seja para dores de cabeça, nas costas, deficiências físicas, surdez, cegueira, entre outras. Embora isso seja possível, certamente não é a única prioridade de Deus. Sabemos que Ele pode curar literalmente, como Jesus fez em certa ocasião: “E se maravilhavam sobremaneira, dizendo: Tudo tem feito bem; faz até os surdos ouvir e os mudos falar” (Marcos 7:37).

Eles receberam a cura física, mas a maior cura que alguém pode receber é a da alma, espiritual. A Salvação é o maior MILAGRE! Se a pessoa será salva, enxergará, ouvirá, falará ou andará, não cabe a nós decidir. O que nos compete é cumprir o “Ide”. Os surdos precisam “ouvir” sobre Jesus, os cegos precisam “ver” Jesus, os paralíticos precisam “andar” com Jesus, e os autistas precisam se relacionar com Jesus.

 

COMPARTILHAR O AMOR QUE RECEBEMOS

Quantos são os que não têm esperança, paz e, pior, salvação. Paulo escreve em Efésios 2 sobre a condição das pessoas sem Cristo: “Mortos em seus delitos e pecados, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos”. Assim éramos nós, mortos em nossos pecados, fazendo as coisas do jeito que achávamos certo. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo — pela graça sois salvos.”

O amor que recebemos deve nos impulsionar a compartilhar esse Deus misericordioso, amoroso e bondoso que, pela Sua graça, nos salvou. Pessoas com deficiência, ou não, precisam saber que existe um Deus que as ama, que pode mudar suas histórias, trazer paz e salvação.

 

Autora: Luzia Regina Guedes Padovan, esposa do Pastor Ermelindo, mãe da  Vitória  e do Davi , Pedagoga especialista em libras. Servem no pastoreio na igreja Adventista da Promessa  na cidade de Araçatuba (SP).

 

Assista na TV VIVA PROMESSA: 

 

Campanhas de conscientização de setembro: saiba mais

O Promessistas.org e a Secretaria de Inclusão explicam sobre as campanhas de Setembro Amarelo, Verde e Azul; entenda.

 

Setembro é um mês marcado por diversas campanhas de conscientização importantes, conforme divulgado pelo perfil da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral. Neste mês, três cores representam causas significativas: o Setembro Amarelo, Setembro Verde e Setembro Azul.

Para a Diaconisa Juliana Duque, líder de Inclusão Promessista, os cristãos têm o papel de responder a essas demandas sociais, sendo um reflexo do amor de Deus e do evangelho para aqueles que necessitam. “Como igreja, temos o dever de nos atentar a essas dores que a sociedade está expondo e de nos posicionarmos na ‘brecha’, falando do amor de Jesus, acolhendo essas pessoas e trazendo respostas do Evangelho para as dores contemporâneas”, ressalta Juliana.

A seguir, confira o significado de cada uma dessas campanhas:

Setembro Amarelo

Focado na prevenção ao suicídio, com o dia 10 de setembro como data central, que marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A campanha incentiva todos a estarem atentos e oferecerem apoio às pessoas em risco.

Setembro Verde

Dedicado à inclusão social da pessoa com deficiência (PcD), sendo o 21 de setembro o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Além disso, o mês também é marcado pela conscientização sobre a doação de órgãos.

Setembro Azul

Voltado para a conscientização sobre os direitos das pessoas surdas e a promoção da igualdade e respeito à comunidade surda. Algumas datas importantes são:

  • 23 de setembro: Dia Internacional da Língua de Sinais
  • 26 de setembro: Dia Nacional do Surdo
  • 30 de setembro: Dia Internacional do Surdo e Dia Internacional do Tradutor e Intérprete

Juliana Duque vê essas pautas profundamente ligadas à missão da igreja. “É impossível falar de missão urbana e de intencionalidade missionária sem tocar nessas causas. A igreja deve olhar para o sofrimento das pessoas e essas campanhas refletem onde está a dor que a igreja precisa alcançar”, afirma.

Ela também reforça que, embora tratamentos e programas sociais sejam importantes, “sabemos que somente o Evangelho pode preencher plenamente a alma humana e transformar vidas”, enfatiza Juliana.

Além das campanhas de setembro mencionadas, os promessistas têm a oportunidade de participar da Campanha de Missões 2024, promovida pela Junta de Missões, com destaque para o Dia de Missões e Evangelismo em 12 de setembro, e o Dia do Jovem Promessista, celebrado em 15 de setembro.

 

Texto: APC Jornalismo.