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A missão de pregar aos surdos

Pregar o evangelho aos surdos não é simplesmente traduzir palavras em sinais. É transmitir o amor de Cristo de forma que seja compreendido no coração.

 

Paulo escreveu aos cristãos de Corinto um texto interessante sobre a pregação da Palavra: “Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” (1 Coríntios 9:22) Ele nos mostra com sua vida e ministério que o evangelho não é comunicado de forma única e rígida. Ele se adaptava (na comunicação) às diferentes realidades para que a mensagem de Cristo fosse compreendida e recebida. Essa disposição de se doar e se moldar ao outro é o coração da missão. O evangelho não é apenas anunciado; ele é vivido e transmitido de maneira que faça sentido dentro da realidade de cada pessoa. 

 

No dia 24 de abril, celebramos um marco importante: o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) como língua oficial. Essa data nos lembra que cada povo, cada comunidade, cada grupo tem sua própria identidade, cultura e forma de se comunicar. Quando Jesus nos chama para “ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15), Ele não fala apenas de lugares geográficos, mas também de universos culturais e linguísticos, de gente de todo tipo.

Pregar o Evangelho aos surdos não é simplesmente traduzir palavras em sinais. É transmitir o amor de Cristo de forma que seja compreendido no coração. É reconhecer que o evangelho precisa ser vivido e comunicado dentro da realidade de cada pessoa. 

A missão não é sobre cumprir uma escala ou uma agenda no fim de semana ou no momento do culto, mas sobre se doar. Paulo compreendeu essa necessidade de adaptação. Ele sabia que a missão exige responsabilidade e entrega. Por isso disse: “Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, chegar a salvar alguns.” Muitas vezes queremos que as pessoas se adaptem a nós, mas Paulo nos ensina que o Evangelho nos leva ao encontro da necessidade do outro. É doar-se, relacionar-se intencionalmente, conhecer o universo que os cercam. E isso significa ir além das palavras: ter um olhar atento, mergulhar na cultura, aprender seus modos de expressão e valorizar sua identidade. 

 

Embora surdos e ouvintes percebam o mundo de formas diferentes, ainda é possível aproximar-se ao máximo, diminuir as diferenças e construir pontes de compreensão. Assim, aprender LIBRAS é mais do que adquirir uma habilidade. É abrir portas para que o evangelho seja compreendido. É dizer, com atitudes, que o amor de Cristo alcança todas as culturas e todas as línguas. A missão é relacional: não é sobre sinais apenas, mas sobre presença, cuidado e amor.

 

Texto: Diaconisa Luzia Regina Guedes Padovan | Líder de Libras da Secretaria de Inclusão da Convenção Geral

 

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