Semear amor

Já percebeu como é bom fazer algo a dois? Estar sozinha as vezes é bom e necessário, mas tem coisas que são muito mais prazerosas quando compartilhadas, desde atividades em família como cozinhar ou assistir um filme, ou até com alguém do convívio fora de casa, como uma amiga, experimentando uma receita de bolo diferente, tomando sorvete, conhecendo novos lugares e sabores, descobrindo coisas em comum, orando…
Espere! Talvez você esteja se perguntando: Oração? Ela disse oração mesmo? Sim, eu disse orando. A aproximação de Deus por meio de palavras, aquela conversa particular e especial que envolve confissão, entrega, feita tantas vezes com lágrimas e preocupações entregues diante da presença daquele que pode aliviar, curar, restaurar, transformar, tocar corações e responder de acordo com sua vontade. A oração pode ser tanto intercessora, quando oro por alguém com um propósito específico, quanto compartilhada entre duas pessoas, por exemplo quando combinado com alguém de orar juntos em determinado horário, mesmo que cada um na sua casa.
No livro de Eclesiastes 3 versículos 1 a 8, na Bíblia, o autor fala sobre o tema “Há tempo para tudo”, já no versículo 1: “Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu”; e mais especificamente na segunda parte do verso 3 diz que há “tempo de plantar”. Plantar ou semear, essas duas palavras possuem o mesmo significado.
Descobri que esse tem sido um tempo propício para semear amor. Estamos vivendo um ano atípico, uma pandemia, pessoas doentes, outras perdendo a vida ou alguém querido, ansiedade, desemprego e insegurança. A angústia consome, muitos beiram ao desespero, a solidão é imensa e o desânimo abate. A maioria das pessoas se sente sozinha, precisa de alguém para conversar, abrir o coração ou mesmo suprir necessidades físicas. Como ser humano, o que mais se deseja é alguém do lado, que o entenda e ajude.
Olhando 2020 por uma outra perspectiva, descobri que também é tempo de plantar, ou seja, semear. Como? Através da empatia, do colocar-se no lugar do outro. E a oração é uma forma de fazer isso. Quando oro, posso tanto apresentar minha vida quanto de outras pessoas diante de Deus, mas a oração também é algo que pode ser feito em parceria, em conjunto. A oração é uma semeadura que pode ser feita na companhia de alguém, mesmo que cada um esteja na sua casa.
Quando me comprometo a orar por alguém ou com alguém, estou dizendo que me preocupo a ponto de querer ajudar a buscar a resposta e direção de Deus. A oração é uma forma de semear amor.
E às vezes tudo que a pessoa precisa é de alguém para estar ao seu lado e mostrar que para Deus não há impossível, o choro e a tristeza podem se tornar em alegria e paz, a doença em cura. Mesmo que distantes fisicamente, podemos estar próximas através de uma mensagem de esperança, lembrando a pessoa de que Deus existe e está perto de nós, pronto para nos ouvir e abençoar.
Semear amor, através da oração…
Já reparou na expressão do rosto de uma pessoa quando você diz que está orando por ela e por sua família que estão enfrentando um grande desafio? Ou quando assume o compromisso de orar com ela por um propósito específico? Na resposta de alívio ao perceber que não está lutando sozinha? No sorriso ao ver que o tempo nublado e pavoroso pelo qual tem passado está se transformando em um novo dia? Que a tempestade é acalmada pelo Mestre dos Mestres e que a paz voltou a reinar?
A Bíblia Sagrada nos diz em 1 João 3:18 diz: “Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade.”
Wiersbe comenta que amar “de palavra” significa, simplesmente, falar sobre uma necessidade, mas amar “de fato” significa fazer algo para suprir essa necessidade. Amar “de boca” é o oposto de amar “de verdade”, significa amar sem sinceridade. Amar “de verdade” é amar uma pessoa de forma autêntica, não só da boca para fora.
Orar é uma atitude de amor…
E então, aceita semear amor através da oração? Esteja preparada porque a semente se torna fruto, e eles virão e serão vistos, mas o mais importante é que serão compartilhados com aquele gostinho bom de vitória, por você e por uma amiga de oração.
Adriana Cristina Mantelato Coveiro, casada com Ailton Góis Coveiro, é agente de viagens, formada em Administração de Empresas e congrega na Igreja Adventista da Promessa em Jardim América, Jales/SP.
 

Pega na minha mão!

“E lhes darei um só propósito, um só coração e um só Caminho.. Jeremias 32:39
Uma mulher que admiro muito certa vez me disse que éramos como os dedos de uma mão (certo, duas mãosII). Muito diferentes de todas as formas, mas juntos tínhamos um propósito. Ah, sim, ela tem muito crédito no auge de seus quase cem anos de vida e experiência: minha mãe! E falava de nós, seus filhos… Vai lá, tenta segurar um prato com um dedo, e vai entender a força e o propósito de uma mão!
A vida nos ensina que há momentos também para a solitude, para os passos solitários e até decisões individuais. São necessários para o amadurecimento de cada um… E nessa jornada seguimos agregando muitas pessoas que de certa forma nos ajudam a melhorar, a crescer, alcançarmos sonhos e objetivos.
Família, amigos e até alguns que encontramos uma única vez! Já vivenciou algo assim? Um auxílio inesperado ao realizar algo?
Anos atrás, num dia de tempestade, ofereci meu guarda-chuva a uma moça desconhecida, elegante, de salto, para ir até o estacionamento. Lembro até hoje da surpresa em seu olhar… e ainda nos alegramos ao recordar esse dia. Sim! Hoje, amigas! Íamos ao mesmo lugar, mas somente eu tinha a proteção para a chuva, que gentilmente dividi.
Somos muitas por aí, nos lares, nas faculdades, nos trabalhos, nas ruas, com propósitos individuais e únicos, com sonhos, anseios e expectativas.
Juntas podemos atravessar não somente ruas alagadas, dividindo guarda-chuvas, mas sim fazer a diferença nesse mundo maravilhoso criado por Deus.
Trocarmos experiências (que vão além da receita do bolo, mas aceito a sua!), aprendermos sobre resiliência (eu sofro, você sofre, mas contamos uma com a outra!), ensinarmos e aprendermos!, e nas horas difíceis ajudar a lembrar que somos filhas amadas diante de um Pai que está no controle de tudo!
Juntas num só propósito, como os dedos das mãos.
Propósito de cumprir a missão conforme Jesus nos ensinou, espalhar o amor de Deus por aí como sementes que germinem flores, até em frestas no asfalto, de tal forma que em todos os lugares todos sintam o cheiro delas… cheiro de amor.
E disso todas entendemos bem! “Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como amamos a nós mesmas”. (Marcos 12:29-34).
Pega na minha mão, amiga. E oferece a sua também!
Deus nos abençoe!
Escrito por Genilda Farias, casada com Silas Farias e mãe do Pedro José. Formada em Letras e Pedagogia, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP.

Perdas e Lutos

A vida é cheia de fins e despedidas. Mas, os finais de algumas coisas, em geral, indicam o início de outras. Um bom exemplo são as fases da vida. Ao nascer perdemos o conforto e o  aconchego uterino, mas ganhamos a possibilidade de ver a luz e respirar por nós mesmos. Depois perdemos a comodidade de ser carregado no colo e ganhamos a possibilidade de ser livres e andar com as próprias pernas. Perdemos os privilégios e a dependência da infância, mas, aos poucos, vamos ganhando a liberdade e a responsabilidade do adulto. Perdemos o vigor da força e da beleza física do jovem, mas ganhamos o acúmulo da experiência e a capacidade de ver o que antes não conseguíamos. E assim por diante.
Isso sem contar com as perdas do dia a dia. Um objeto perdido, algum item que nos foi roubado ou alguma coisa destruída, alheia à nossa vontade, como a quebra de algo valioso. Temos também as despedidas da natureza. O dia termina, para que a noite se inicie, e vice-versa. A primavera se vai, para que o verão chegue.
No entanto, temos dificuldade em nos despedir do que se foi e muitos ficam tão presos ao que já está morto ou desaparecido que se tornam incapazes de elaborar toda a dor da perda para conseguirem reorganizar as próprias vidas e enxergarem o novo que pode surgir.
As perdas ocasionam tristezas e exigem um desapego dolorido que podem desembocar no luto. Isso é verdadeiro para pequenas e grandes coisas, até chegarmos à experiência das perdas da vida: alguém que morre. Mas quem não sabe se despedir das “mortes” pequenas terá muito mais dificuldade em se despedir de grandes perdas, como as que ocorrem nas catástrofes, ou das pessoas, quando a morte chega.
Nem todos passarão pelo horror de tragédias como enchentes, furacões e acidentes. Mas, com certeza, todos nós passaremos pelo desconforto de pequenas perdas e pela dor horrorosa da perda de alguém querido pela morte. E é muito mais desesperador e dolorido quando a morte nos surpreende ou acontece de maneira precoce, como no caso de pais que perdem filhos.
Elisabeth Kluber Ross, médica que passou anos acompanhando portadores de doenças chamadas “terminais” e famílias enlutadas, em seu livro Sobre a morte e o morrer, afirma que, no processo do luto, passamos pela negação, pela raiva, pela barganha, pela depressão para, finalmente, nos adaptarmos à nova realidade.
Penso que estas frases não acontecem nesta ordem e desta forma para todos, mas posso afirmar que é preciso passar pelo desencanto que as perdas geram.
Quando conseguimos nos despedir de algo ou da pessoa que se foi, teremos mais recursos para dar um novo significado à vida.
O que fazer, então?
A primeira etapa é tomar consciência da realidade da vida e da finitude do corpo. Se estamos conscientes de que a cada dia que passa caminhamos para a nossa própria finitude, temos também a consciência de aproveitar melhor cada momento da vida. Somos todos terminais. Mesmo para os que creem na ressurreição – e eu creio – há o dia em que a vida que temos neste corpo tem seu fim.
Tomar consciência do nosso fim pela morte não é viver em um clima de morte antecipado. Pelo contrário, é estar certo da realidade de que a vida, como diz o salmista, é como a erva que hoje está linda e amanhã já pereceu (Sl 103.15,16).
É escolher fazer as coisas que valem a pena, enquanto temos força e saúde. É escolher gastar o tempo com o que é eterno. Só Deus e as pessoas, depois de ressurretas, são eternos! Não é preciso ter um câncer para mudar o foco da vida.
Tanto os portadores de doenças terminais como os saudáveis caminham para o final da vida aqui. Então, que saibamos viver bem, a cada dia.
O segundo passo é não temer entrar em contato e sentir toda a dor de uma perda. Seja ela pequena ou grande, próxima ou distante. A promessa divina é que teremos o consolo quando andarmos no vale da sombra da morte. Mas é no vale que o consolo nos espera. É preciso entrar no vale e atravessá-lo.
Há vários relatos bíblicos nos quais encontramos pessoas sofrendo diante da perda ou da possibilidade da perda. Jó sofreu desesperadamente quando perdeu seus filhos e seus bens materiais, a ponto de amaldiçoar o dia do seu nascimento (Jó 3.3). O sofrimento dele era tanto, diante de tantas perdas, que seus amigos chegaram e ficaram sete dias ao lado dele em silêncio (Jó 2.13).
O rei Davi, segundo o relato de I Samuel 30, antes de ser coroado rei, teve seus bens saqueados e sua família sequestrada pelos amalequitas, quando estava ausente do seu acampamento montado em Ziclague.
Quando voltou e viu o estrago feito e a intensidade das suas perdas, chorou em alta voz até não ter mais forças (v. 4). Mas depois deste choro, suas energias foram refeitas e ele foi atrás de seus bens e do resgate da sua família (v. 9).
Cristo Jesus chorou e identificou com o sofrimento de Maria quando Lázaro, seu irmão, morreu (Jo 11.35). Ele não disse nada para Maria, apenas chorou com ela. Forte não é aquele que esconde ou camufla sua dor, mas é aquele que tem coragem de expressar seu sofrimento e seu desamparo na hora da dor pela perda.
Além do mais, o sofrimento camuflado ou negado vai surgir na vida pessoal, sob a capa de outro nome. Pode ser uma doença física, emocional ou mental, que é desencadeada tendo como propulsores a tristeza e o luto negados.
Como lembra o cantor Fagner, em sua canção Revelação, diz: “sentimento ilhado, morto e amordaçado, volta a incomodar”.
Quem aprende a experimentar o próprio sofrimento advindo das perdas terá mais recursos para caminhar com qualquer pessoa que esteja passando pela dor do luto e ajudá-la mais eficazmente.
A melhor forma de auxiliar alguém enlutado é perguntando para a própria pessoa sobre o que ela mais precisa naquele momento, respeitando o desejo expresso, sem abandoná-la.
Há também pessoas que, quando passam pelo luto, entram em uma dor tão profunda que necessitam de alguém por perto, que a veja e dê a ajuda necessária, até que o sofrimento diminua. Um bom exemplo é a história da viúva de Naim, mãe do jovem, filho único, que veio a falecer (Lc 7.11-17). A dor dela era tanta, que ela não conseguiu ver que Cristo passava por ali. Mas Cristo, que em quase todos os milagres perguntava se a pessoa queria ser curada, ou o que a pessoa desejava, dessa vez, toma a iniciativa, e caminha na direção da mulher enlutada.
Finalmente, penso que, em geral, não é preciso dizer muito para uma pessoa que atravessa o luto. Mais importante do que dizer alguma coisa é ouvi-la e, se for possível, fazer como Cristo: chorar com ela.
Esther Carrenho é psicóloga clínica, teóloga e autora do livro Depressão: tem luz no fim do túnel publicado na edição 66

Pequenas conquistas

“Já faz um mês e minha suculenta não morreu!” Pode parecer engraçado, mas para quem já matou um cacto afogado, isso é uma grande conquista. E eu celebro pela minha plantinha, pois é o começo de um lindo jardim.
Nosso status de “se sentindo feliz” não pode estar linkado apenas a grandes realizações, pois a felicidade, tão almejada por todos, vai se construindo no passo a passo, nas pequenas e breves vitórias da vida.
Inúmeras vezes deixamos de celebrar algo por achar que aquilo é tão ínfimo, e nos frustramos por ainda não termos alcançado um status de “super”. Outras incontáveis vezes iniciamos projetos e, por não comemorar os pequenos avanços, nos entristecemos e desistimos. E quantos já não destruíram sonhos ou desprezaram a alegria de alguém por minimizarem suas conquistas.
O povo escolhido de Deus foi repreendido por desprezar as coisas ditas “pequenas” (Zacarias 4:10), mas foi levado a compreender o cuidado e o amor do Senhor e perceber que o mesmo Deus que agia num templo luxuoso, também agiria em um mais simples.
Deus não se agrada de gente ingrata e que passa seus dias reclamando. Quanto mais celebramos, mais demonstramos nossa gratidão ao Senhor pelo cuidado dele nos singelos detalhes da vida.
Tudo que temos ou fazemos é dádiva de Deus! Portanto, comemore os humildes começos e as mínimas vitórias.
Comemore um passo, uma palavra, uma planta sobrevivente, uma receita concluída, uma parede finalizada da construção. Faça festa ao terminar de ler uma página, um capítulo, um livro. Fique feliz por orar durante 5 minutos, meia hora, duas horas. Compartilhe a alegria quando seu amigo aprender uma nota musical. Festeje com seu filho quando ele realizar uma tarefa escolar, ainda que pareça simples. Celebre com seus queridos! Não despreze sonhos, valorize realizações!
Alegre-se em todo tempo, e sinta leveza sendo acrescentada à sua vida!
A densa trajetória da vida é suavizada com corações gratos e festivos!
Francieli Capellari Gonçalves é casada com o Pastor Silvio Gonçalves, contadora, formada em Teologia pelo Cetap e congrega na Igreja Adventista da Promessa em Londrina-PR

E se eu falhar?

O sentimento de incapacidade e o medo de falhar podem ser comuns nos corações de muitas crianças e adolescentes. Muitos filhos sentem-se emocionalmente e psicologicamente pressionados por aqueles pais que lhes depositam uma carga excessiva de cobranças e altas expectativas em relação à vida escolar, acadêmica e profissional, da infância à juventude.
Por vez, e na melhor das intenções, ao sonharem com um bom futuro para os seus filhos, muitos pais acabam se tornando rigorosos ou bem exigentes, e alguns chegam até a projetar neles aquilo que não puderam ter ou ser. O problema é que tal atitude impõe uma carga emocional muito pesada de se carregar ao longo de toda a vida familiar e social.
Outro problema é que este comportamento pode gerar um sentimento de amor condicionado. Isto é, crianças e adolescentes podem crescer com a falsa ideia de que precisam agradar os pais e lhes atender as expectativas e investimentos empregados com altas performances e grandes resultados, pois só assim serão verdadeiramente amados.
Perceba que neste caso os filhos podem tornar-se pessoas frustradas com o medo de decepcionar. É por isso que os pais precisam saber que as crianças e os adolescentes falham! É importante que os filhos saibam que os pais também falham! Sendo assim, pais e filhos precisam desenvolver uma relação de confiança e respeito mútuo, em família e em amor.
É bem verdade que os filhos devem obediência aos pais (Ex 20:12; Ef 6:1-3), por outro lado a Bíblia orienta: Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem (Cl 3:21 – NVT). Os pais devem ser os maiores incentivadores e apoiadores dos seus filhos. Se estes falharem, devem ouvi-los, corrigi-los, abraçá-los e amá-los, para que sejam grandes homens e mulheres de Deus.
Luis Cesar Galvão Camargo, casado com Meire Helen Cristina de Souza Camargo, congrega na Igreja Adventista da Promessa- Maracaí/SP e é pastor e líder do Ministério de Crianças e Adolescentes das IAPs – MCA Geral. Formou-se como Tecnólogo em Marketing, possui Licenciatura em Pedagogia e estudou Teologia no Centro de Estudos Teológicos Adventista da Promessa.

Avalie sua saúde mental com ajuda de 6 letrinhas

Setembro tem cor e é o amarelo, neste mês o enfoque é a prevenção do suicídio e o debate sobre a saúde mental toma força de uma maneira geral. Saúde mental pode ser definida, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), como um bem-estar integral, em que o indivíduo se encontre pleno em suas capacidades afetivas e comportamentais para manter-se ativo e participativo em sua comunidade. Isso mesmo, o conceito de saúde mental perpassa a capacidade do indivíduo atuar bem no meio em que está inserido, observando a funcionalidade e percepção de bem-estar.
Problemas de saúde mental têm se tornado cada vez mais comuns. A ansiedade, por exemplo, atinge mais de 260 milhões de pessoas e o Brasil é o país com o maior número de pessoas diagnosticadas com ansiedade no mundo, além de ocupar posições importantes em outros transtornos mentais, principalmente a depressão. Esses números são reflexo da realidade que estamos vivendo, o enfrentamento de situações difíceis e as exigências sociais às quais somos expostos diariamente. Em um mundo de superficialidades nossa complexa essência humana encontra-se esmagada.
Quando as pessoas sofrem com oscilações constante das emoções, raiva e longos períodos de tristeza, muitas vezes não dão a devida atenção, mas precisamos entender que o cérebro é um órgão e assim como qualquer outro ele também adoece. As ditas doenças da alma, como qualquer outra doença, são tratáveis e quanto mais cedo diagnosticadas, mais fácil curar e proporcionar qualidade de vida para o paciente. Mas você, que lê este artigo pode estar se perguntando: Como identificar se minha saúde mental precisa de maior atenção e cuidado? A seguir vamos conceituar aspectos para auxiliar nessa análise através de algumas letrinhas, são 2A e 4D.
• Autoestima ( baixa): Desvalorização de si mesmo, menosprezo à própria capacidade, tendência a priorizar mais as pessoas à volta do que as próprias necessidades.• Ansiedade ( alta): Excesso de preocupação mesmo com assuntos pequenos, dificuldade em descansar, desligar-se e sensação de cansaço mental constante.
• Descontrole emocional: nesse sentido devemos observar a oscilação de humor intensa e dificuldade de autocontrole das emoções, como se estivesse atolada em uma emoção (medo, raiva, angústia, agitação), se sente sobrecarga emocional e tem dificuldade para sair desse estado para outro de maior equilíbrio.
• Desânimo: O mundo parece desmoronar em seus ombros e a pessoa sente-se cansada por longos períodos, nesse caso é muito comum persistir uma sensação de aperto no peito frequente e dificuldade em socializar, se comunicar e manter as atividades diárias.
• Descontentamento: aquela sensação de que alguma coisa está faltando. Não adianta uma pessoa ter: casa, filhos, doutorado, casamento, profissão. Pois, o que vai preencher esse vazio não está no ter. Num primeiro momento a pessoa tenta suprir essa “falta” e pode canalizar essa sensação nos excessos, como no ativismo. Trabalha ainda mais, se dedica a algo a ponto de fazer daquilo um vício, não se permite descansar, está sempre atarefada, esse movimento chega à exaustão e quando a pessoa nota que não adianta, o descontentamento é de ordem existencial e não física, mergulha na culpa, insatisfação, frustração, depressão ou na sensação de que sempre falta algo, que ela não consegue atingir.
• Desesperança: Costumo dizer que esse é o último ponto do efeito cascata do adoecimento psíquico e ele é muito perigoso, quando a pessoa está no estado do “tanto faz”, deixa de ver sentido na vida, como se toda aquela dor emocional não fosse passar. Quando perdemos essa capacidade de confiar, de acreditar e de ter expectativas sobre nossa vida, presente ou futura, podemos até pensar que não vale a pena viver.
O corpo está sempre dando indícios quando a saúde não vai bem e não é diferente com a saúde mental, portanto, se você identificou qualquer um desses itens em você ou em alguém próximo, fique atenta, busque apoio e ajuda profissional. Considere o seguinte: qualquer sinal de palpitação ou desconforto no peito vai te mandar correndo para o consultório do cardiologista. Isso vale para dor nas costas, dor de cabeça e alergias, você espera um ou dois dias e se não passar procura ajuda, sua saúde mental merece o mesmo cuidado. Portanto, cuide das suas emoções, cuide de você por inteiro.
Jéssica Fernanda Pupo Vermelho, psicóloga especialista em Saúde Mental (FAMERP), casada com Yuri Vermelho, congrega na Igreja Adventista da Promessa do Jardim Urano em São José do Rio Preto/SP.

Executando sonhos

Sonhos… Esta palavra eleva nossa mente às alturas, põe um sorriso em nossos lábios e acelera o nosso coração. Mas, quando eles não se concretizam, logo a realidade nos surpreende, nos puxando com força, colocando nossos pés de volta ao chão cheio de obstáculos que aparentam ser maiores que os sonhos. Nesse momento, o prensar dos lábios e o franzir da testa são inevitáveis. Em situações como essas, a vontade de realizar é trocada pela vontade de adiar, cancelar, esquecer.
Diante dessas dificuldades devemos aprender o ensino descrito em Isaías 55:9, onde Deus revela que os “Seus pensamentos são mais altos do que os nossos pensamentos”. Se buscamos a realização dos nossos sonhos, então este princípio deixa claro que eles precisam estar alinhados com os planos do Senhor, que sempre prevalecem com êxito.
Colocando em prática este ensinamento, vejamos alguns princípios e exemplos, baseados na palavra de Deus, que nos ajudam na conquista dos sonhos, não importando o tamanho deles:
1) planejar: a história da rainha Ester mostra que a forma como ela se planejou para falar com o rei Assuero foi fundamental, pois para alcançar a libertação do seu povo, ela organizou as orações, os jejuns, e até mesmo o modo de usar sua beleza para convencer o rei (Ester, capítulo 4 e seguintes).
2) aproveitar as oportunidades: a mulher do fluxo de sangue é um exemplo de que devemos estar atentas às oportunidades, e não as deixar para depois. Ela ouviu falar que Jesus passaria pela cidade, reuniu as poucas forças que tinha, foi até Ele, tocou orla do manto do Senhor e foi curada (Marcos 5.24-35).
3) trabalhar com excelência: Rute ensina que podemos ser honradas e reconhecidas quando trabalhamos com esforço e dedicação, movidas por um propósito humilde e agradável aos olhos do Senhor (Rute, capítulo 1 e seguintes).
4) ser determinada: depois que a juíza Débora recebeu a orientação do Senhor, sobre como Israel deveria enfrentar e vencer o general opressor cananeu Sísera, o general israelita Baraque hesitou, e insistiu para que ela o acompanhasse na batalha. Então, sem se importar com as dificuldades que enfrentariam, com determinação ela se levantou e o seguiu até a batalha, focada na vitória, que se tornou uma realidade para seu povo (Juizes, capítulos 4 e 5).
Portanto, a realização de nossos sonhos depende do quanto eles demonstram sabedoria do alto, organização eficiente, e busca perseverante. Assim eles serão realidade para a glória de Deus e para nossa felicidade.
Bons sonhos!
Rosana Ronca, é casada com Pr. Carlos Eduardo S. Silva, serve como diaconisa na IAP Xaxim em Curitiba-PR; líder do ministério de mulheres na Conv. Reg. Sul; é graduada em gestão de pessoas e formada em Teologia pelo Seminário Martir Bucer.

Seja forte e corajosa!

Texto base: Josué 1:9
A história narrada no livro de Josué revela exemplos de liderança, obediência, promessa, conquista, coragem e perseverança.
Sucessor de Moisés, Josué recebeu de Deus a grande missão de liderar o povo para continuar a caminhada à conquista da terra prometida. Esse desafio estava carregado de grandes obstáculos árduos de encarar, tais como liderar um povo difícil, enfrentar inimigos terríveis e em uma cidade de muros altos.
As chances eram mínimas, ou quase impossíveis de se pensar em enfrentar. Mas o encorajamento veio de Deus, através de sua promessa de que lhes daria a terra e que estaria com eles, dando a certeza da vitória.
Josué era obediente e escutava as orientações de Deus. Esse era seu segredo. Ele se atentava às orientações do Senhor e as cumpria conforme lhe ordenava.
O poder que Josué aparentemente possuía não vinha dele. Era resultado de uma vida alicerçada em Deus, que o encorajava e dava recursos para enfrentar tais obstáculos.
Do mesmo modo que Josué entregava a sua vida e seus planos para o Deus altíssimo, confiava que tudo o que fosse feito seria conforme orientação dEle e o resultado não fugiria ao Seu controle, precisamos acreditar e descansar nas promessas do Senhor, dedicando nossas vidas na obediência e na confiança de que Ele fará e não nos desamparará. Não importa o tamanho do muro ou os inimigos a encarar, Ele tudo pode fazer é irá cumprir o que prometeu.
Assim, o Deus poderoso convida você a ser forte e ter coragem. Somente se esforce, vivencie os milagres do Senhor em sua vida através da obediência e da dedicação exclusiva à oração e comunhão ativa com Ele. Não tema e não desanime, pois mesmo que as circunstâncias ao seu redor venham mostrar o contrário, o Deus que lhe sustenta pode todas as coisas e escolheu você para que siga em frente, pois o que lhe está reservado virá de dEle!
Seja forte e corajosa!
Thaiane Evelyn Chaves Lima dos Santos, casada com Fábio Ribeiro dos Santos Lima, mãe do Lorenzo, congrega Igreja Adventista da Promessa em Santa Maria/ DF e é líder do Ministério de Mulheres Regional do Centro Oeste.

Juntas num só propósito!

Você já se perguntou se você tem um propósito? Já ficou na dúvida se Deus te criou para algo em específico? Hoje eu venho te dizer que a maioria de nós mulheres já se fez essa pergunta.
Às vezes pode ter acontecido com você como aconteceu comigo: fazer um milhão de coisas e se perguntar o porquê.
A primeira coisa que precisamos entender é que Deus nos criou de forma singular e nos entregou dons e talentos, não para nos sentirmos bem, confortáveis, plenamente felizes com nós mesmas, mas nos chamou para cumprirmos seu propósito (cf. Romanos 12:8).
Quando olhamos para as mulheres da Bíblia, encontramos diversas vocações e, dentro de cada vocação, um só propósito.
A Bíblia nos apresenta duas mulheres que tinham sororidade, essa palavra vem do latim “soror”, que traduzida significa irmãs. Estou falando de Rute, nascida em Moabe e Noemi, israelita. Noemi já era viúva quando seus dois filhos morreram e uma de suas noras, Rute, decidiu acompanhá-la de volta à sua terra natal. Uma jornada impressionante com um final surpreendente. Rute casa-se novamente e continua cuidando da sogra. A história está registrada no livro de Rute, recomendo a leitura desse recomeço familiar, vale a pena!
Encontramos nesse exemplo duas mulheres com perfis e vocações diferentes, porém com um só propósito. Quando Noemi se abateu e decidiu voltar para sua terra, Rute não permitiu que ela fosse só. Rute respondeu: “Não insista comigo para deixá-la e voltar. Aonde você for, irei; onde você viver, lá viverei. Seu povo é o meu povo e o seu Deus é o meu Deus.’’ (Rute 1:16).
Rute não sabia o que a esperava lá, mas estava certa de que essa era a sua missão. Ela estava pronta a ajudar Noemi num só propósito. Uma pode contar com a outra!
Conta-se que um carregador de água tinha dois potes grandes pendurados em cada lado de uma vara que ele colocava no pescoço. Uns dos potes era perfeito e sempre se mantinha cheio de água até o fim da longa caminhada entre a fonte e a casa de seu senhor.
O outro pote tinha uma rachadura e, quando chegava ao destino, estava com água apenas pela metade. Durante dois anos o pote perfeito sentia orgulho de sempre entregar água suficiente, enquanto o pote rachado se sentia triste por suas imperfeições, que só o permitiam realizar metade do que ele desejava.
Até que certa vez, o carregador de água pediu ao pote rachado que observasse as lindas flores ao longo do caminho, que haviam crescido justamente devido à água que caía durante o trajeto. Tais flores trouxeram beleza e alegria à casa do seu senhor.
Essa história nos mostra que ambos tinham um só objetivo de servir ao seu senhor, porém cada um o servia de uma forma.
Eu e você fomos criadas para um só propósito e, assim como Rute e Noemi, e como os dois potes, precisamos entender nosso real papel para seguirmos sempre juntas a um único objetivo.
Eu conto com você. Você conta comigo. Deus conta com a gente!
Escrito por Lis Marina Carriel Salles, casada com o pastor Felipe Salles, congregam nas igrejas adventistas da promessa em Piracambaia e Jaguariúna (Convenção Paulista), formada em Teologia (Cetap Paulista) e Análises Clínicas

Inclusão, por favor!

Uma história promessista.
Ela era cadeirante, mas a Igreja não tinha rampa.
Ela não tinha família crente, mas tinha uma cadeira de rodas.
Ela era uma criança, mas a fé nasceu em seu coração.
E agora então, como vai ser?
Todo sábado, bem cedinho, o irmão Zé levava sua família para a igreja, deixava a esposa e filhos no pátio e já vinha o irmão Dito se oferecendo pra ir junto no carro… E  assim seguiam no trajeto, toda vez na maior prosa falando sobre a vida, sobre o tempo, sobre as notícias do dia a dia e, entre um papo e outro, algum sempre dizia “É final dos tempos, irmão!” … “Ôhh, si é!”. Após manobrar naquela mesma rua mal asfaltada, chegavam na pequena viela onde os moradores, costumeiros, já diziam: “ô gente, os irmãos da igreja já chegô!”
Ah! Que belo sorriso se via ao ouvir esse anúncio, pois na casinha lá de baixo, nos fundos da viela, aguardava Maria, toda arrumadinha, feliz com a chegada das visitas tão esperadas. O irmão Zé – o mais forte da igreja- pegava Maria no colo pois precisava subir uma longa escadaria até chegar ao carro, enquanto isso o irmão Dito lançava mão da cadeira de rodas e, sem nenhum constrangimento e com largo sorriso, se despedia dizendo “Não se preocupe dona Zefinha que a gente cuida dela direitinho”.  Pois bem, lá ia Maria, sorrindo e acenando pra todo mundo, convidando vizinhos e amigos pra irem pro culto (e muitos, de fato, ela levou!). Logo chegavam no portão da igreja e outros irmãos, de prática, armavam rápido a cadeira. Agora, com todos juntos, a celebração começou. E assim o tempo foi passando, às vezes chovia, às vezes ventava, às vezes o carro quebrava. Mas, sábado após sábado, aquela igreja se organizava, e sempre Maria estava, raramente ao culto faltava. Mesmo que tivesse eventos ou outros movimentos, os irmãos daquela comunidade não concebiam ficar sem sua irmã querida, buscavam soluções e lá estava Maria, pois em tudo a incluíam, e do todo fazia parte.
Maria cresceu, se batizou, casou, se tornou mãe, e mesmo em meio a lutas e adversidades, com apoio dos irmãos de sua comunidade, segue firme na caminhada da fé, testemunhando sobre o Deus que mudou a história de sua vida.
 
Aquela igreja não tinha rampa, mas tinha Cristo.
Aquela menina não tinha família crente, mas encontrou irmãos pela cruz!
Aquela igreja não tinha rampa, mas tinha a Luz!
Aquela igreja é a Igreja de Jesus.
 
E na igreja de Jesus é assim que deve ser.
Seja a igreja de Cristo, e onde quer que você for, a inclusão irá com você.
 
*uma história baseada em fatos reais ocorridos numa igreja Adventista da Promessa.
Escrito por Juliana Menezes Duque José, enfermeira, casada com o Pastor Felipe José, mãe do Pedro e do Samuel. É líder da Secretaria de Inclusão da Igreja Adventista da Promessa e serve a Cristo na Igreja do bairro de Santana, São Paulo – SP, como líder do Ministério de música.

10 motivos pelos quais devemos orar por nossos filhos

“Os filhos são como flechas nas mãos do guerreiro ” Salmo 127:4
Popularmente ouvimos que não criamos filhos para nós mesmos. Pensando no salmo acima, de fato, isso é verdade! Filhos são como flechas: não permanecem nas mãos do guerreiro, mas se bem lançadas, alcançam o alvo.
Muitas são as expectativas que todo pai/mãe tem com relação aos filhos. E a insegurança concernente aos métodos utilizados na criação, formação e orientação oferecidas a eles, ao longo da vida, fazem parte das preocupações paternas. Da maternidade à idade adulta, sempre nos sentiremos responsáveis por essas vidas tão parte de nós.
A Palavra de Deus nos diz que “filhos são herança do Senhor” (Salmo 127:3). Entendemos herança como algo de valor que nos é deixado…e que deixamos, também, com o objetivo de que seja bênção à sua geração!
Aprendemos com o próprio Deus que, se ensinarmos nossos filhos, o quanto antes, em qual caminho devem trilhar, mesmo quando envelhecerem e quando não mais estivermos por perto, essas orientações estarão vivas em suas mentes (Prov. 22:6).
Nos preocupamos com muitas coisas, mesmo quando a maioria delas nem está ao nosso alcance garantir aos filhos, mas é certo que nada é mais primordial que a oração, entregando nossos filhos nas mãos do onipotente e amoroso Deus. Afinal, tudo que não podemos fazer, o Altíssimo pode e muito além do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20).
Somente o Senhor pode, de fato, proteger, abençoar e livrar. Pode nossa preocupação mudar alguma coisa? A resposta é ‘não’! Mas há algo que tem o poder de alterar qualquer circunstância a favor de nossos filhos: a ORAÇÃO ao único Deus, conforme aprendemos na bíblia, em Nome de Jesus, Nome que é sobre todo o nome! (Fil. 2:9)
Oremos por situações que conhecemos e por aquelas que sequer sonhamos! Oremos pelo presente e pelo futuro! Oremos para que a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” se concretize na vida de nossa Herança!
Motivos para orar por seu filho e por sua filha:
1. Ore para que cresça e se desenvolva perfeitamente, permanecendo com saúde física, mental e emocional;
2. Que reconheça a Deus como único e soberano, buscando sempre em Sua palavra, as direções da vida;
3. Que se veja como alguém único, idealizado por Deus, amado de Deus, alguém por quem Jesus morreu! Que entenda seu próprio valor, não caindo nas armadilhas da vida;
4. Que saiba fazer boas escolhas, das companhias e amigos, à profissão e cônjuge, sendo sempre dirigido pelo Espírito Santo de Deus em todas as suas decisões;
5. Devemos orar para que saibamos imprimir em nossos filhos o caráter de Cristo e que tenham o temperamento controlado pelo Espírito Santo de Deus;
6. Que entenda que nosso Senhor é Deus de Aliança e que se agrada disso! Que, em toda sua vida, sempre encontre bons e especiais amigos, servos verdadeiros de Deus, que tenha sempre com quem contar e que, da mesma forma, saiba ajudar os que precisam. Que seja alguém que se doe pelo outro, cumprindo seu papel, representando Cristo na terra;
7. Que, ao longo de toda sua vida seja semeador de justiça, que aja com virtudes para com os outros e para com o mundo e que, assim, colha o bem;
8. Que saiba cuidar de tudo que lhe vier às mãos, inclusive de si mesmo! Que tenha responsabilidade com seu próprio corpo e que administre com sabedoria tudo quanto o Senhor lhe entregar, fazendo o que lhe couber com excelência, sendo relevante em sua geração;
9. Que sua fé seja inabalável! Que, em cada obstáculo da vida, saiba buscar a direção e sabedoria de Deus, reconhecendo que todas as coisas, no final, contribuem para o bem. Isso o tornará forte!
10. Ore para que sua vida seja entregue a Cristo. Que seu nome esteja escrito no livro da vida e que ouça Jesus dizer em alto e poderoso som: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado a vocês desde a criação do mundo.” (Mt. 25:34 NVI)
Por Simone de Macedo Bastos da Silveira, graduada em Letras e Pedagogia, especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação (PUC-SP), Coordenadora Pedagógica, casada com Álvaro Augusto da Silveira, mãe da Vanessa e Fernanda. Congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP.

Mantenha tudo Sob Controle!

Já aconteceu com você de perder o controle em determinada situação? E até mesmo não querer mais continuar? Principalmente nesse período de pandemia em que você teve que assumir diversas tarefas com as quais não estava acostumada? Então, continue esta leitura a partir de uma ótica do controle de Deus.
Saiba que o controle exercido por Deus nos dá a paz que precisamos, diante de todas as circunstâncias da vida, pois Ele mantém a ordem no universo. Pela fé, compreendemos que o universo foi criado por Deus e tudo o que nele existe (Hb 11.3; At 17.24), nisto observamos que em tudo Deus está presente, cuidando da desordem criada pelo homem em um mundo organizado por Ele. Encontre nele direção para controlar suas emoções, sentimentos, impulsos, ansiedade e medo.  Afinal, “ter a gestão dos nossos sentimentos é muito importante para que possamos nos compreender melhor, ressignificar as sensações ruins e respeitar os próprios limites em diferentes situações” .
Jaynes em seu livro “Surpreendida pela Glória” (Jaynes, 2015) explica sobre os sentimentos que inquietam nossa vida, principalmente nos momentos em que estamos esgotadas. Ela os compara como um anseio por algo mais, que na verdade são sensações que temos quando precisamos parar tudo o que estamos fazendo e apenas deixarmos Deus nos surpreender com seus cuidados, esses ela descreve como “momentos de glória”.
Não precisamos nos desgastar, o Deus do universo sempre está disposto a nos surpreender com seus cuidados. Também não precisamos carregar tudo nas costas como se fossemos heroínas. Deixe Deus surpreendê-la!
Ele me surpreendeu diversas vezes. Quando entramos no ministério pastoral, passei a me dedicar à família e igreja, mas continuei tentando manter o controle de tudo, pois era o que eu sempre fiz. Porém, tudo que eu procurava resolver, da minha maneira, não dava certo. Perguntava para Deus todos os dias se eu havia feito a escolha certa, de deixar tudo por Ele, porque tudo dava errado. Lembro que, em todas as vezes que me abri verdadeiramente a Deus, e O deixei assumir o controle,   Ele agia e me surpreendia com seus cuidados, das mais diversas formas inesperadas. Demorei para perceber isso!
Hoje sei que a partir do momento em que eu e minha família decidimos trabalhar para Ele, com certeza assumiu o controle de tudo relacionado a nós, e não eu.
Certa vez recebi uma estudante em minha casa, que vendia doces para pagar os estudos e ela se ofereceu para fazer uma oração, sem mesmo nos conhecer e em um trecho de sua oração disse: “Pai, assim como eles cuidam daquilo que é teu, cuida de tudo que é deles”.
Até hoje Ele me surpreende com seu controle e cuidado com minha família.  Como bem constatou Ribeiro, “O Soberano não perde a soberania, o Soberano não está atado pelas leis humanas”, (RIBEIRO, 2006, p.19).
Então cabe a você, tomar a atitude e fazer a decisão certa que é entregar a Deus o controle do tempo, da rotina e da vida e descansar em seus braços de amor. Deixe Deus surpreender com o que tem para sua vida e assumir o controle!
 
Texto escrito por Eula Paula Basto de Araújo, esposa do Odeir pastor da IAP de Piracicaba, mãe da Julia. Integra a equipe do Ministério de Ensino da Convenção Paulista. Cursa Letras e MBA em Gestão Escolar e é formada   em Gestão Empresarial e Teologia.
 
REFERÊNCIAS:
Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.
DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. Companhia das Letras, 2019.
JAYNES, Sharon. Surpreendida pela Glória. Tradução de Maria Emília de Oliveira. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.
RIBEIRO Renato J. Hobbes; HOBBES, R. O Medo e a Esperança. WEFFORT, Francisco C.(organizador). Os Clássicos da Política, v. 13, 2006.

Um joelho de ouro para correr! Inspire-se nessa história de superação.

Por peraltice, em 1997, me acidentei com uma tonelada de chapa de aço galvanizada. Na época estava com 19 anos e no 2º ano da faculdade. O acidente foi terrível e lesionei apenas “partes moles” (ligamentos, tendões e meniscos) de meu joelho direito, além de me livrar de uma hemorragia interna, porque havia travado o sangue na safena (uma veia importante da perna).
A primeira cirurgia foi na semana seguinte, depois a segunda em 2000, para uma pequena correção, mas durante esta, apareceram algumas complicações. Em 2001, foram mais duas, já com um médico especializado em joelhos (eu conto como duas, mas o ortopedista me informou que foi uma cirurgia em dois tempos, com intervalo de um mês). Para piorar, durante a fisioterapia, eu simplesmente perdi toda a correção ao tropeçar num buraco, em uma das calçadas do centro de São Paulo.
Em 2002, fui submetida à quinta cirurgia, com milhões de recomendações. Em 2004, surgiu a notícia da sexta operação, foi quando perguntei ao médico se, além da cirurgia, existiria outra possibilidade para uma melhora no joelho. Ele informou  que eu seria uma aluna com frequência permanente numa academia e que calçados com salto alto e exercícios de impactos estariam excluídos da minha vida.
Demorei para tomar a decisão, porém, em 2007, matriculei-me na academia onde estou até hoje!
Depois  vieram os desafios… Um deles é que sempre fui obesa e não ligava para isso, queria apenas evitar mais uma cirurgia e acabar com as constantes dores. Na academia, consegui fortalecer muito o joelho e o médico disse que estava livre  da suposta sexta cirurgia. Voltei a perguntar sobre meus sonhos, se já poderia usar salto alto e correr. Infelizmente sua resposta foi: “ um joelho operado não é o mesmo feito pelas mãos de Deus” e que para estes tipos de desafio eu teria que mudar muita coisa em mim, uma delas era o sobrepeso. Confesso que saí chateada da consulta, naquele dia.
Continuei firme na academia e, pela imensa vontade de correr, iniciei treinos com um personal trainer, compartilhando com ele os meus desafios e alvos. Foi muito difícil dar os primeiros passos caminhando numa esteira, mas depois de algumas insistências, eu já estava trotando!
Em janeiro de 2010, quando vi uma reportagem sobre os últimos colocados da São Silvestre (uma prova de 15Km desafiantes) tomei como meta enfrentá-la em dezembro do mesmo ano. Conversei com minha família e com o treinador, e todos concordaram. Fui conversar com o ortopedista, que ficou muito surpreso com a decisão e passou mais recomendações e tarefas para executar durante o ano: nutricionista, endocrinologista e personal trainer foram sugeridos para o tratamento.
Por alguns anos, eu lutei com o sobrepeso e, com esta meta, consegui perder vários quilos,  juntamente com o “massacre” na academia. Muitas vezes pensei em desistir porque já não tinha mais fôlego para os treinos, ainda bem que eu tinha uma equipe dando força nesses momentos.
Realizei provas de corridas de rua, que foram utilizadas como treino para ter um bom desempenho na São Silvestre.
Finalmente chegou dia e, enquanto eu esperava a largada, meditei nas mudanças ocorridas em minha vida: antes do acidente, era obesa e sedentária e depois estava ali, pronta para cumprir a meta do ano e me tornei corredora de rua, de coração, corpo, alma e joelho.
Consegui completar a prova em 2h02, com muita felicidade, emoção, grata aos profissionais que me ajudaram e o mais importante, muito grata a Deus por permitir a realização deste meu sonho!
Minha mente, que sempre se ocupava com a frase: “não posso fazer nada de atividade física, pois tenho um ‘joelho de cristal’”, agora, por graça divina, foi mudada. Antes, era joelho de cristal, mas agora Deus me deu um joelho de ouro.
Talvez você já tenha conhecido essa minha história, porém ela não parou por aí, mas continuou.
Fiz outras corridas de 10k, 12k, 16k, e em novembro de 2011 conquistei minha primeira meia- maratona ( 21,098Km) , claro que a São Silvestre permanecia no plano de provas a realizar.
Tudo corria bem , treinos de segunda a sexta e algumas provas aos domingos com a convicção de que um dia chegaria a percorrer uma maratona (42,195Km) mas aconteceu algo diferente comigo em dezembro de 2011. Eu já tinha feito minha inscrição para São Silvestre, tudo preparado, porém na véspera do dia 25 de dezembro ocorreu um problema em minha saúde comecei a ter visão dupla no início de cada dia e isso me preocupou, pensei até ser algo muito sério. Consultei os médicos mas como era período de férias,  um deles sugeriu que eu procurasse um neurologista imediatamente.
Estava me sentindo bem, não imaginava ser algo neurológico e procurei uma segunda opinião com um especialista que já conhecia. Ele me fez alguns questionamentos e fiz alguns exames, a vontade de correr a São Silvestre era imensa e eu sentia “apenas  uma visão dupla pela manhã”.
O dia da São Silvestre chegou e eu já tinha agendado uma consulta com um neurologista, afinal, mesmo buscando uma segunda opinião é bom respeitar as orientações médicas para sanar dúvidas, e dia 31 de dezembro levantei ainda com a visão dupla como nos dias anteriores. Esperei o problema melhorar e fui para a são Silvestre. Já estava com o corpo físico preparado para realizar a corrida, mesmo assim  corri com mais cuidado, pois o dia estava com chuva muito forte, mas a alegria de estar numa São Silvestre compensava o banho de chuva.
Após as comemorações da virada de ano, no dia seguinte, além da visão dupla,  comecei a andar sem equilíbrio, pensei que podia ser labirintite, como já tinha a orientação de procurar um neurologista,  fomos ao pronto socorro comunicar toda a situação ao Neurologista de plantão, que me encaminhou para internação. Foi difícil de acreditar, eu achava que estava bem, sem mal estar ou dores, apenas uma visão dupla e falta de equilíbrio. Agradeço a Deus por dar entendimento aos médicos. Seguimos para uma semana de internação, vários exames e uma medicação  forte de “corticosteróides (Solu-Medrol)”. Foram 5 seções de pulsoterapia para a cura dos sintomas.
Após a solução destes sintomas, não causados pela corrida, e esta é a parte feliz, recebi a notícia de que sou portadora de uma doença chamada Esclerose Múltipla – E.M., é uma doença autoimune que afeta o cérebro, nervos ópticos e a medula espinhal (sistema nervoso central). Confesso que fiquei sem rumo, achando que tudo de mim se acabou, meus sonhos e meus planos desmoronaram e o medo tomou conta, sei que eu tenho um único Deus que é o governador da minha vida, Ele tem os planos perfeitos e  estava cuidando de mim, saber disso me ajudou muito para o recomeço.
Iniciei o tratamento com uma medicação chamada “beta_interferona”, cumpri com todas orientações médicas e, claro que não podia faltar, questionei sobre minhas corridas ao neurologista, a feliz resposta foi que eu teria uma vida normal com alguns cuidados e que sim, poderia continuar com corridas, porém com menos intensidade que antes, um dos limites era não aquecer muito o corpo. Desde então, além de ter um ortopedista amigo, passei a ter um neurologista amigo, sempre os mantenho informados sobres minhas corridas e, antes de cada desafio, envio informações e peço orientações. Agradeço a Deus por estes médicos-amigos… sei que dou um pouco de trabalho a eles!
Em 2012 passei por um período de conhecimento do meu corpo com a E.M., realizei as mesma corridas do ano anterior, e num ritmo maior continuei com algumas atividades físicas na academia. Sabia que praticando atividade física iria me ajudar a lutar contra a depressão, pois com a prática da mesma  o nosso corpo produz endorfina (endorfina é chamado de neuro-hormônio que, ao ser liberada, estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria.  Não foi fácil, a cada fim de treino prometia a mim mesma que não voltaria no dia seguinte mas arrumava a mala novamente, caso eu tivesse vontade de ir, como já estava com a mala pronta ia até a academia para ver se dava para fazer algo e, já que estava na academia, por que não fazer alguma coisa? Dessa forma eu não desisti das minhas atividades físicas.
Em 2013, ainda não tinha a segurança sobre minhas limitações, procurei novamente  fazer as mesmas corridas e, o mais frustrante, foi a decisão de parar de realizar provas em maio/2013.
Eu me senti uma perdedora. Mesmo assim continuei com a prática de atividade física.
Infelizmente em 2014 me esforcei para fazer apenas uma única  corrida feminina com minhas amigas. Ao longo destes 3 anos e meio pude entender minhas limitações junto com o  tratamento da E.M. e foi o tempo de recomeçar uma nova história,.
Foram tantos recomeços, porém o mais importante é que Deus nos permite esses recomeços.
No segundo semestre de 2015, comprei um novo tênis de corrida, comuniquei aos médicos que estava voltando para as corridas e fui atrás de uma ajuda profissional para voltar a correr.
Retornei aos treinos de corrida e fortalecimentos musculares,  foram corridas curtas de 5Km e 4Km mas estava animada.
Planejei minhas corridas para 2016, estava focada nos treinos e a E.M. se fez presente. Tive um episódio de surto no final do mês de Fevereiro/16, perdi a visão esquerda, inflamação no nervo ótico, fui para o hospital e fiquei internada por alguns dias para tomar algumas doses de corticóides.
Conversei com o médico sobre minhas atividades e que em duas semanas teria uma corrida,  felizmente o médico não via problemas para realizar esta corrida. Voltei para os treinos e realizei a corrida.
Durante os treinos fui questionada sobre qual seria o meu alvo para o retorno às corridas e respondi que ainda faltava realizar o sonho de correr uma maratona, sonho este que foi interrompido, e que queria realizar este desafio numa prova que havia visto nas revistas de corredores, uma corrida nos Estados Unidos em Orlando. Iniciamos os treinos, foram treinos e provas durante o ano de 2016 e 2017, o plano era para correr a maratona em 2018, mas lesionei de novo o joelho. Desta vez foram necessárias apenas infiltrações de um gel sinovial no joelho e muito fortalecimento. Não parei de treinar e nem de correr, apenas prorroguei a maratona para 2019.
Comuniquei aos médicos (ortopedista e neurologista) sobre a maratona, mas não seria uma maratona, e sim  o Desafio do Dunga no parque da Disney, este desafio é composto por 4 provas uma em cada dia com 5km,10km, meia-maratona e maratona, quem cumprisse a meia-maratona e maratona também cumpria o desafio do Pateta, desafio este que lia nas revistas; os médicos acharam uma loucura e, como sempre, deram as recomendações.
Janeiro de 2019, lá estava eu, de malas prontas no aeroporto e coração apreensivo de como seria vencer a desafiante maratona. Chegamos na cidade e um dos fatores que ajudou para cumprir o desafio foi o clima frio, lá o mês de janeiro é inverno, já que não poderia aquecer muito o corpo. Eu me acomodei no hotel, compartilhei o quarto com uma senhora maratonista de 71 anos.  Pessoas assim me inspiram a continuar lutando.
Todas as corridas realizadas pela manhã em qualquer lugar no Brasil ou não, são feitas bem cedo, e por incrível que pareça, todo o corredor ou a grande maioria, levanta nos domingos de madrugada na empolgação, eu não sei responder o porquê,  mas sei que levantar de madrugada em pleno domingo para correr é dia de muita euforia, mais ainda quando a corrida é feita com os amigos. Convido você a experimentar!
Primeiro dia de prova, muito frio, atletas jovens, adultos, idosos e, sim, crianças,  para a corrida/caminhada de 5Km(3,1 Milhas); prova concluída, medalha na mão e a comemoração por finalizar a prova.
Segundo dia de prova, atletas de todas as idades para a prova dos 10Km (6,2Milhas). Mais uma prova concluída e medalha no peito. Terceiro dia de prova, os atletas eram mais preparados pois era a meia-maratona (13,1Milhas), prova concluída e terceira medalha no peito. Durante o dia houve preparo para a maratona no dia seguindo, os músculos, mesmo preparados, estavam cansados e doloridos, a solução era um bom descanso recuperativo para a prova seguinte. Quarto e último dia de prova, a tão esperada maratona, medo e emoção são dois sentimentos que andaram juntos no momentos da largada da maratona (26,2Milhas), eram muitos atletas,  a largada era feita por ondas (por grupo de atletas), demorei uns 25 minutos para aguardar a minha hora de largar, estava tão ansiosa que parecia estar demorando a chegar minha vez e iniciar a maratona.
Não apenas corri, fui no meu limite, se não dava para correr, caminhava, me diverti a cada quilômetro percorrido.
Torcedores ao longo do caminho, fiz a prova em 6h30. Alimentação neste período? Sim, levei alguns suplementos para o consumo.
Fim da prova, gritava emocionada: EU CONSEGUI!! EU CONSEGUI!!, cruzava a linha de chegada transbordando de alegria.
Finalmente a medalha da maratona no peito, mas à frente mais duas medalhas: do desafio do Pateta (meia e maratona) e a medalha que demorei, mas conquistei, a do Desafio do Dunga (78Km corridos).
Foi um longo caminho cheio de recomeços, mas não consegui sozinha, minha família esteve ao meu lado me ajudando na recuperação e comemorando a cada medalha conquistada (até hoje foram: 122 corridas, 1.380Km corridos em prova).
Minha mãe foi uma mulher forte, me acompanhou em todos os momentos, cada internação tanto para as cirurgias no joelho como para as pulsoterapias, lá estava ela com sua malinha se internando junto. Quando me via sem direção, meus irmãos estavam por perto me apoiando e quando necessário, dando broncas.
Em todas as corridas que realizo, quando chego em casa,  meu pai faz questão de pegar as medalhas na mão, e cada vez que ele faz isso,  eu me lembro do quão limitada sou e tenho seu apoio para continuar lutando. Meus pais e meus irmão foram meu porto seguro neste período.
Não posso deixar de falar dos meus irmãos em Cristo, nos momentos em que eu não podia sair de casa, em cada visita que recebia, eu sentia um amor muito grande refletido por eles que me enchia de esperança.
O cuidado e carinho ao ir para a igreja de muletas (até recebi fisioterapia em pleno retiro de verão),  e as orações que eram como um refrigério para mim e a certeza de que o Deus que sirvo estava cuidando de mim. Quando comecei a correr, meus irmãos tiveram a preocupação e cuidado, estavam sempre me perguntando sobre meu joelho e se estava tudo bem.
Um cuidado que permanece até hoje, cada corrida compartilhada em minhas redes socias meus irmãos em Cristo também comemoram comigo e no decorrer dos anos alguns deles não apenas comemoram, mas  se tornaram corredores, e outros retornaram às corridas.
Quando fui diagnosticada com Esclerose Múltipla e me vi num caminho sem rumo, minha família e meus irmãos em Cristo estavam firmes em oração por mim e isto me fazia buscar forças para não desanimar.
Ter um joelho operado não é tão complicado do que viver com a E.M.. Existem diversos tipos de E.M. o meu é do tipo Surto e Remissão. Com um joelho operado, sabemos que passamos por um período em recuperação e com disciplina no tratamento se consegue ter uma vida firme e tranquila. O convívio com a E.M., no entanto,  é um caminho de incertezas, temos o constante sintoma da fadiga e cansaço, temos que estar atentos para não desanimar, ter a consciência de que planejar nem sempre será algo realizado, é uma vida de dúvidas, não conseguimos prever o próximo episódio de surto, nem saber onde acontecerá e nem qual será a intensidade ou se deixará sequelas ou não, pois é no sistema nervoso central.
E preparar-me psicologicamente para o inesperado, pois é preciso parar para se cuidar. Tenho 4 cicatrizes da E.M. no cérebro, 1 no nervo ótico, 1 na coluna cervical e na última ressonância magnética foi localizada mais uma, não sei até quando Deus me permitirá continuar correndo, mas vou continuar testemunhando sua imensa graça por mim. Oro para que seja correndo pelas ruas.
 
Escrito por Kenia Benocci de Macedo, maratonista, formada  em Ciências da Computação e atua também como projetista e supervisora de obras civis, intérprete de Libras, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP/SP
 

#Juntas, até que Ele venha!

“Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”  Provérbios 17.17
 
Durante toda a nossa existência, conhecemos muitas pessoas. Há aquelas que encontramos uma única vez, ou aqueles colegas de um curso que, após concluir, nunca mais vemos. Há também aqueles com quem iremos conviver por toda a vida, pois fazem parte da família. Mas há ainda aquelas pessoas que, mesmo não tendo o mesmo sangue, um dia encontramos e elas passam a fazer parte da nossa vida como se nunca tivéssemos passado um dia sem conviver. Aqueles amigos que a bíblia nos descreve como “mais chegados que um irmão” (Provérbios 18.24), e é por isso que nos identificamos tanto.
Enquanto aqui viveu, Jesus teve amigos. Claro que seus discípulos eram seus amigos, mas a Bíblia nos mostra que havia três deles que estavam o tempo todo com o Mestre, e um em especial, a quem Jesus amava como a um irmão. A palavra de Deus também nos relata que Jesus era amigo de três irmãos: Maria, Marta e Lázaro, e que Jesus chorou quando Lázaro morreu. Mesmo sabendo que o ressuscitaria, Ele sentiu a dor das suas amigas naquele momento, e chorou com elas.
Esse mesmo Jesus nos afirmou que nossos dias aqui não seriam fáceis, os dele não foram. Contudo, mesmo sabendo que não poderiam mudar o destino do amigo e Mestre, esses amigos estiveram com Jesus até o fim e O fortaleceram no momento de dor. Mas também comemoraram a sua vitória e se alegraram com sua ressurreição.
Na verdade, assim como a família, amigos são pessoas que Deus coloca em nossas vidas para que, juntos, um fortalecendo o outro, passemos por tudo o que temos que passar neste mundo, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas.
Portanto, cultive boas amizades, aquelas que levam você para perto de Deus. Valorize essas pessoas especiais que Ele colocou em sua vida.
Juntos o que é pesado se torna mais leve, e vamos vencendo as adversidades, até que Cristo venha.
 
Mariluzi Dalava Lopes Sales é casada com Juraci Madeiro de Sales, mãe da Giulianna e da Isabella, é advogada e serve a Cristo na Igreja Adventista da Promessa em Santana, São Paulo – SP e na equipe do Ministério de Mulheres Geral.

Quantas vezes preciso me perdoar mesmo?

Vamos combinar, pedir perdão não é fácil, porque primeiro precisamos ter a noção de que erramos… e essa é a parte difícil.
Afinal, quem sempre tem razão? As corajosas de plantão responderam “Eu”, com certeza!
Em Mateus 18:21 a 35, Jesus disse que devemos perdoar as pessoas, se preciso for, até 490 vezes (setenta vezes sete). Pelo menos umas 16 vezes ao dia no decorrer de um mês. Muito? Bem, não há menção a ser por dia… ou por hora, ou por uma vida.
Às vezes no primeiro erro do outro já excluímos das redes e bloqueamos no wathsapp!
Mas vou dizer algo… prestem atenção, é importante: mais difícil do que perdoar o outro é perdoar a si mesma… Conseguir lidar com o peso da culpa, da tristeza e do sofrimento e compreender que esses sentimentos precisam ser descartados.
Muitas pessoas seguem martirizadas com culpas que nem deveriam existir em suas vidas, pois já esquecidas e perdoadas!
Lembrou de algum peso que tem carregado? Hoje é dia de liberar espaço e colocar o amor de Cristo no lugar!
Certa vez Jesus disse a um grupo de pessoas que desejavam atirar pedras numa mulher adúltera, como era costume da época: “Aquele que não tiver pecados, que atire a primeira pedra”. Ninguém atirou. (leiam em João, capítulo 8.)
A seguir, Ele disse para a mulher: “Eu também não te condeno, vai e não peques mais”.
Vai, amiga… levanta a cabeça, anda dignamente diante do Pai! Coragem.
Quando colocamos nossos erros e falhas diante do altar de Deus, ali o Espírito Santo, em forma de amor, intercede com gemidos inexprimíveis! (Romanos 8:26).
Isso é maravilhoso, temos Jesus Cristo, com seu infinito amor, e o Espírito Santo, com sua imensurável ternura!
E lá no livro de Hebreus lemos que Deus usa de misericórdia e se esquece de nossos erros (Hb 8:12). Ele nos perdoa e esquece. Simples assim.
Sabe por que? Porque nos ama.
E tomando como base esse amor, que possamos aprender o seguinte: quando o perdão é liberado sobra bastante espaço no lugar da culpa. Preencha com amor por si mesma.
Ande livre da condenação, procurando não errar mais, tendo uma vida digna diante de Deus.
E termino pedindo um favor…
Procure um espelho e olhe… a pessoa ali refletida é muito especial para o Criador!
Seja mais carinhosa e complacente com ela…Perdoe!
Escrito por Genilda Farias, casada com Silas Farias e mãe do Pedro José, formada em Letras e Pedagogia, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP/SP

Dependência Emocional – Quando amar não faz bem

Ela tinha um brilho intenso e diferente no olhar quando lhe perguntaram: “Porque, apesar de tudo, você ainda está com ele?” E ela respondeu sem hesitar: “No momento em que o conheci, percebi que não poderia mais viver sem ele! Eu realmente não consigo!”.
Quem não viveu esta euforia romântica quando encontrou seu primeiro amor, especialmente na adolescência? Uma sensação muito forte de que a nossa vida realmente perderia o sentido se não tivéssemos a pessoa amada ao nosso lado?
No entanto, quando uma mulher madura e experiente se dispõe a passar por cima de sérias falhas de caráter do companheiro, porque não consegue deixá-lo, alguma coisa está fora do eixo!
Provavelmente, conhecemos ou sabemos de alguém que é capaz de cumprir exigências absurdas, e até submeter-se ao abuso físico e psicológico, para evitar o término de um relacionamento.
Muitos de nós já tivemos em algum momento da vida uma amizade “sufocante”, que exigia exclusividade, atenção total e aprovação absoluta. Aquela pessoa que parecia não ser capaz de resolver seus problemas sem a nossa ajuda, necessitando de apoio e conselhos continuamente, até para escolher uma roupa ou decidir sobre sua carreira.
Também não é raro nos depararmos com pessoas que exibem tudo o que fazem nas redes sociais, ficando extremamente frustradas e ressentidas quando não recebem os likes que esperam ou são alvo de alguma crítica.
Esta submissão passiva às vontades do outro, a dificuldade para tomar decisões sozinha e a extrema necessidade de aprovação social são algumas das características da pessoa emocionalmente dependente. Ela geralmente vive de acordo com os desejos dos outros, para ter a garantia de que não será abandonada. Está sempre esperando que chegue alguém que lhe entenda por completo, o parceiro ideal, a amiga perfeita.
Isso a torna extremamente vulnerável a relacionamentos abusivos com pessoas que se aproveitam de sua fragilidade. Muitas vezes não percebe os abusos físicos e verbais que sofre ou até valoriza o controle e os ciúmes doentios como expressões de amor. Se, por alguma razão, questiona as atitudes da pessoa amada, é facilmente convencida a permanecer no relacionamento por promessas vazias de mudança.
Quais são as causas?
Embora não sejam as únicas, as mulheres são as maiores vítimas da dependência emocional, o que parece ter estreita relação com fatores culturais.
A mulher aprende desde cedo que deve colocar os outros em primeiro lugar. Começa na casa dos pais, assumindo mais tarefas e responsabilidades do que os filhos homens. Na idade adulta, abre mão de suas necessidades e vontades pelos filhos e pelo casamento. Quando seus pais envelhecem, geralmente cabe a ela o papel de assisti-los. Acostumadas com a ideia de que a mulher deve sempre estar pronta para servir, algumas acabam levando este modelo de conduta para sua vida afetiva.
É óbvio que nem todas as mulheres, que abrem mão de algo em função de um amor, são emocionalmente dependentes. Ter um relacionamento que busca a satisfação do outro e não somente a sua é uma forma madura e cristã de amar, pois o amor verdadeiro é capaz de se doar e se sacrificar pelo outro (1 Co 13).O problema ocorre quando as mulheres fazem de um relacionamento o centro de suas vidas, ignorando suas próprias necessidades, dispondo-se a suportar humilhações, vícios e graves falhas de caráter para não ficarem sozinhas.
Outro fator que pode contribuir para o desenvolvimento de uma conduta dependente é o ambiente onde a pessoa cresceu. Segundo Gary Collins (2004), pais ausentes, negligentes ou excessivamente rígidos e incapazes de demonstrar afeto estão, geralmente, na história de vida de quem sofre de dependência emocional.
Uma pessoa que não foi amada nem aprendeu a amar de forma saudável pode repetir o mesmo comportamento com o parceiro, procurando dar a ele mais do que lhe é pedido, esperando receber em troca o carinho de que necessita.
Por outro lado, pais que fazem tudo pelos filhos, que os protegem demais e que não os ensinam a ter responsabilidades, podem passar a informação de que o filho é incapaz de tomar decisões e agir sozinho, gerando um adulto inseguro e dependente.
Também há evidências de que a baixa autoestima está na base de comportamentos dependentes, em boa parte dos casos. Pessoas que não reconhecem o seu valor são propensas a colocar os outros em primeiro lugar e a sacrificar sua felicidade pessoal pela dos outros.
De acordo com Collins (2004): “Uma boa dose de autoestima nos dá a confiança necessária para cultivar relacionamentos profundos. Por outro lado, baixa autoestima faz com que a pessoa se sinta fraca e tímida. Isto resulta em uma tendência ao retraimento, algumas vezes acompanhada de excessiva dependência”.
Quem tem a autoestima extremamente baixa, no fundo não acredita que mereça ser feliz. Torna-se dependente do parceiro, e mesmo quando esta relação traz sofrimento, não consegue abrir mão dela porque não acredita ser capaz de viver um relacionamento satisfatório.
A necessidade de autoafirmação pode acabar sufocando o parceiro com excesso de cobranças, levando a sucessivos fracassos amorosos, alimentando ainda mais a insegurança e o comportamento dependente.
Como superar?
Todos nós temos carências, vazios, mas não podemos esperar que os outros venham suprir essas lacunas emocionais! O primeiro passo para superar a dependência emocional é admitir sua existência e decidir fazer algo a respeito.
Para tanto, é preciso abandonar a ideia romântica de que amor é sinônimo de sofrimento, pois geralmente a pessoa que tenta nos convencer disso não está disposta a dar a sua cota de sacrifício pelo relacionamento. Quem nos ama de verdade vai fazer de tudo para nos ver felizes, jamais para nos machucar e entristecer.
Também é essencial desenvolver a autoestima, aprender a lidar com a crítica e a rejeição, lembrando que Deus nos ama e nos valoriza, a despeito de nossas imperfeições. Ele nos fez com capacidade para cuidarmos de nós mesmas e com características peculiares que nos tornam capazes de atrair e cultivar relacionamentos sinceros, nos quais não precisamos abrir mão da nossa individualidade, da aceitação e do respeito.
Para quem sofre de dependência emocional parece mais fácil viver à sombra dos outros, buscando uma felicidade que vem de fora. No entanto, a verdadeira segurança afetiva vem de dentro de nós, quando cultivamos o respeito pessoal e decidimos assumir o controle de nossas vidas.
No entanto, o passo mais importante para que isso aconteça é aprender a confiar em Deus e desenvolver um relacionamento íntimo com Ele, crendo que só Ele nos ama de forma perfeita e somente nele nossos vazios são preenchidos.
Romi Campos Schneider de Aquino, mãe do Henrique e do Davi, é psicóloga, auxilia seu marido Luciano no pastorado das Igrejas Adventistas da Promessa de Ana Terra e Monte Castelo, em Colombo -PR e integra a equipe do Ministério Vida Pastoral Geral da IAP.
*texto publicado na edição 67 da revista O Clarim (jul a dez/ 2016)