Relato de uma vítima de violência doméstica

Maria (nome fictício), hoje com pouco mais de 50 anos, veio de uma família que viveu violência dentro de casa. Graças a Deus, ela aceitou Jesus ainda jovem e essa violência não afetou seu relacionamento com os filhos, criou todos com muito amor, bem diferente do que viveu em sua casa. Entretanto, reviveu a violência no relacionamento conjugal; violência psicológica, sexual, patrimonial, moral e física. Corajosamente, Maria aceitou compartilhar sua história aqui com a esperança de ajudar outras mulheres.
 
Quando os abusos começaram? 
Casei-me muito jovem. Desde os primeiros dias de casados comecei a perceber que era uma pessoa bem diferente do que conheci, embora tenhamos namorado muito tempo. Ele era de uma ótima família e realmente não percebia nada de violento ou de estranho no comportamento dele antes do casamento. Já no início do casamento, engravidei. Logo que minha filha nasceu, percebi o primeiro abuso do meu marido. Durante o resguardo ele não admitia ficar sem relação sexual, e me obrigou a isso, mesmo com os pontos. Doeu muito, chorei. No outro dia eu estava com o olho inchado, a mãe dele me perguntou o porquê, mas não falei nada. E essa foi a primeira violência que sofri.
 
Quais tipos de abuso sofreu?
Aceitei Jesus e meu esposo apoiou, dizendo que iria para a igreja comigo. Ficamos bem por um período. Mas, de repente, ele passou a agir de uma maneira que não consegui entender. Ele não queria que eu saísse com ele. Debochava de mim, da minha aparência, das minhas roupas e não me levava para lugar nenhum com ele por causa disso. Sentia-me agredida psicologicamente.
Quando minha filha ainda era bem pequena, descobri a primeira traição. Eu quis me separar, mas minha mãe e minha sogra não me apoiaram nisso. Diziam que eu não deveria deixar meu marido por causa de “vagabunda”, que conseguiríamos consertar a relação.
Um dia, descobri uma traição por uma carta, que estava escondida num lugar onde só ele mexia. Eu rasguei essa carta e coloquei no mesmo lugar, toda picada. Quando ele chegou e viu a carta rasgada, avançou em mim, a irmã dele tentou me proteger, não deixando acontecer nada. Ele chutava minha perna dizendo que eu havia quebrado algo dele. Eu dizia que não quebrei nada. Ele entrou dentro de casa, rasgou minha bíblia, meu doutrinal, meu Brado, as fotos do nosso casamento, eu fiquei com medo dele. Era domingo e eu fui para a igreja, orei ao Senhor. Havia uma irmã que me ajudava muito, me aconselhava, ela me aconselhou a não o deixar, pois era o inimigo que estava furioso. Meu esposo disse que a partir dali não sabia o que iria fazer comigo. Fiquei com muito medo. Minha cunhada ficava comigo, dizendo para eu ficar tranquila pois o irmão dela não era de violência. Eu queria arrumar minhas coisas para ir embora, ela dizia para eu não fazer isso. E eu fui deixando.
Ele saia e me deixava sozinha com minha filha. Chegava muito tarde da noite, batia na porta e não me explicava nada. Foi um período muito difícil para mim. Mas, eu o amava muito, era apaixonada, não queria deixá-lo.
Com o tempo, a amante dele engravidou, mas ele dizia que o filho não era dele. Foi um choque para mim. Depois ele confessou que o filho era dele. Ele começou a me deixar sozinha e sem nada, saía e levava todo o dinheiro. Minha filha era pequena e ele não me deixava trabalhar. Eu trabalhava de doméstica antes de me casar e ele me obrigou a deixar o trabalho para cuidar da casa, da nossa filha e dele. Daí começaram os abusos. Ele sempre colocava a culpa na igreja. Não me dava dinheiro para nada. Ele mesmo comprava algumas coisas e trazia para casa. Eu não podia comprar nem mesmo meus produtos de higiene pessoal, nem absorvente. Então comecei a vender cosméticos para suprir essas necessidades. Sempre alguém ajudava com roupas, para mim e minhas filhas, nunca andamos maltrapilhas.
Quando faltava o gás, eu me virava acendendo fogo no quintal de casa com pedaços de pau. Fazia a comida para minhas filhas. E tinha que estar pronta a comida para quando ele chegava, senão ele brigava, me chamava de inútil, que eu não trabalhava, que eu não prestava nem para acender um fogo, aí saia e voltava altas horas da noite.
Quando era para eu guardar o sábado (Maria professa fé sabatista), foi muito difícil, pois ele implicava querendo que eu fizesse as compras para o almoço do sábado na sexta à noite. Se eu não aceitasse, ele gastava todo o dinheiro e eu ficava a semana toda sem dinheiro para comprar até leite, frutas para minha filha. Quem me ajudava era minha mãe e minha cunhada.
Eu nunca deixei de participar da igreja por causa dessas coisas. Não comentava muito sobre o que eu passava na igreja, a não ser com uma irmã que também era casada com um homem que não era crente e sofria abusos, mas achava que era normal.
Quando era aniversário das minhas filhas, ele sumia. Todos perguntavam dele e eu não sabia o que dizer. Minha família e a dele eram muito unidas a mim. Ele sempre chegava tarde da noite e se eu perguntasse onde ele estava, me mandava calar a boca pois não era da minha conta.
Eu não apanhei mais vezes, além de uns chutes quando descobri uma de suas traições, pois eu dizia que perdoava tudo o que ele fazia comigo, mas se um dia ele tocasse a mão em mim eu o deixaria e diria a toda a família o que ele fazia. E ele tinha medo disso. Mas, embora eu não apanhasse, eu era muito humilhada, e ficava quieta.
Nessa confusão toda que foi minha vida, eu ainda consegui estudar. Comecei trabalhar muito cedo e, quando me casei, ainda não tinha concluído o ensino fundamental. Depois que eu já tinha passado por muitas lutas, resolvi estudar. Fiz um supletivo para terminar o ensino fundamental. Foi bem sofrido pois o meu esposo não deixava, e depois com as crianças pequenas era mais difícil, pois ele não cuidava delas. Numa fase que o relacionamento estava mais tranquilo, ele deixou eu voltar estudar para fazer o ensino médio. Eu tinha que me virar com o valor do vale transporte para meus estudos e dos meus filhos. Acabei engravidando, e mesmo estudando com muitos enjoos, ele nunca apoiou, nunca usou o carro (que dizia ser só dele) para me levar ou buscar. Mesmo em meio a ameaças, até mesmo em relação aos meus amigos da escola que me ajudavam, estudei até dar à luz. Parei os estudos por um período, mas depois consegui concluir o ensino médio. Ele tinha carro, celular, tudo, mas me deixava até sem gás em casa.
 
Qual foi o momento mais difícil?
O pior momento de toda essa violência, foi quando engravidei de uma das minhas filhas. Esse homem enlouqueceu, queria que eu abortasse. Trouxe comprimidos para que eu tomasse e abortasse. Eu não aceitei de jeito nenhum. Sofri demais nessa gravidez. Eu desmaiava, ele me deixava sozinha o tempo todo. Minha casa não tinha estrutura nenhuma, era muito simples. Ele não me ajudava em nada, dizia que o bebê não era dele, que era do pastor da igreja. Passei toda a gravidez assim. Ganhei muitas coisas das irmãs da igreja. Tive que trabalhar grávida, de diarista, com filha pequena, também vendendo coisas para me manter. Uma vez fugi dele durante essa gravidez, fui para uma roça, catar café na plantação. Ele ficava indo atrás de mim. Meu pai me disse que eu tinha que ir para a casa com meu marido, perguntou se estava acontecendo alguma coisa e eu dizia que não, mas que eu estava gostando de ficar na roça. Ele exigiu que eu voltasse para minha casa pois era meu marido.
Quando minha filha nasceu, ele me levou de bicicleta ao hospital e me deixou lá. As irmãs dele é que foram me buscar. Eu pedia a Deus que queria sair de lá e ir para outro lugar, pois não queria que ele nem visse minha filha, que era uma menina linda. Mas quando ele chegou e viu, se apaixonou por ela, e hoje ela é muito carinhosa com ele.
Um dia, descobri outra traição. Encontrei um vídeo que ele fez com uma mulher na cama. Mas sempre que eu descobria uma traição, ele mudava, ficava muito amoroso, carinhoso. Eu o amava e gostava disso. Tornei-me dependente demais dele. O mandei embora de casa, mas ele não ia, dizia que ia derrubar a casa toda em cima de nós. Chegou a pegar uma marreta me ameaçando disso. Ajoelhei, orei, peguei a bíblia e li que a palavra branda dissipa toda a fúria. Ele veio com toda fúria, segurei no braço dele e pedi para esperar um pouco, até que tirasse nossos filhos e depois ele poderia derrubar o que ele quisesse. Então ele se acalmou e disse que não iria derrubar mais nada. Ele apagou o vídeo.
 
Quando tudo começou a mudar? Quando os abusos terminaram? Buscou ajuda? 
Um belo dia eu orei ao Senhor, “o Senhor precisa me tirar disso”.  Eu fui para igreja com meus filhos e quando cheguei de volta em casa ele estava no portão com uma pessoa. O homem falou “que família bonita!”, ele respondeu “Que nada, vagabunda! Tava com o pastor”. Fiquei com tanta vergonha. Eu entrei, ajoelhei e falei assim “Senhor, faz alguma coisa por mim, faz alguma coisa por esse homem, salva esse homem”. Aí eu abri a Palavra de Deus enquanto ele estava lá fora e li: “Eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir e abrir a porta eu entro”. Eu falei “Senhor, ele não vai abrir a porta, então eu entrego meu coração a ti nessa hora, faça alguma coisa por mim então. Eu preciso agir, eu preciso mudar. Eu quero sair disso. Eu abro a porta para o Senhor fazer alguma coisa por mim. Eu não gosto mais desse homem para ficar suportando esse tipo de coisa.”
Bem nessa época, chegou aquele Clarim (revista) sobre dependência emocional (edição 67, de julho a dezembro de 2016). Eu li aquele artigo e foi uma coisa maravilhosa. Eu pensei: vou orar para o Senhor me tirar dessa dependência.
Eu não era uma esposa ruim, mas eu falei para o Senhor tirar minha passividade, eu precisava reagir. Eu disse para ele que não ia mais trabalhar para sustentá-lo. Nessa época eu trabalhava com meus filhos pequeninos na casa dos outros, aí eu falei para ele “eu não vou mais trabalhar, não admito mais que você faça as compras, você vai me dar o dinheiro para fazer”. Enquanto eu trabalhava, tudo ficava por minha conta (luz, energia, comida), eu não conseguia comprar roupa para mim e meus filhos, eu cheguei a ficar com um lençol apenas na cama, uma toalha de banho velhinha.
Eu já tinha aceitado Jesus, mas eu não tinha atitude. Deus foi me tratando. Naquela oração que fiz, Deus transformou alguma coisa dentro de mim. Um dia, eu falei “Senhor, eu vou te fazer uma promessa aqui e vou começar a orar. Se for da tua vontade, o Senhor vai me dar força”. Orei muito, clamei, chorei. O Senhor usou diversas pessoas para falar comigo, em pregações, reuniões de oração.
Eu nunca contava essas coisas na igreja por medo de que as irmãs ficassem com raiva dele e não orassem mais por ele. Uma bobagem. Nunca briguei com ele na frente dos meus filhos. Eles só foram percebendo quando foram crescendo.
As pessoas não imaginavam o que eu passava, pois eu nunca fui de ficar cabisbaixa, sofrida, chorosa. Graças ao meu bom Deus e à minha igreja, eu consegui sobreviver a isso tudo. Não compartilhei tudo, mas contava com as orações de algumas irmãs que sabiam um pouco da minha luta.
Pedi a Deus provas da traição. Um dia ele dormiu enquanto mexia no celular e, como o aparelho ficou destravado (tinha senha), li as mensagens de uma conversa que ele tinha acabado de ter com a amante. Então, solicitei uma reunião com a liderança da igreja e contei tudo. Eles disseram que eu devia ter aberto esse sofrimento todo antes, e me aconselharam sobre o que deveria fazer.
Comuniquei a ele que queria a separação, mas ele não acreditou. Fui à justiça e apresentei para ele os documentos de solicitação do divórcio. Sofri muitas ameaças nesse período, tive medo, mas muita confiança que Deus estava protegendo a mim e aos meus filhos. Chegaram a aconselhar que eu denunciasse as agressões, mas para mim isso era muito difícil, por ser o pai dos meus filhos. Fui sustentada pelas orações de muitas irmãs. A justiça chamou e entramos num acordo. Separamos. Hoje eu perdoei, não tenho mágoa nenhuma dele. Agora vivo aliviada, uma coisa tão gostosa de se viver.
Teve um tempo que eu senti muita culpa. Foi outra parte em que a revista O Clarim me ajudou. Tudo quanto é palavra que vinha, parecia que era para mim: que Deus odeia o divórcio, que não deve haver o divórcio. Palavras que eu ouvia e me faziam adoecer. Eu fiquei tão doente que uma época eu vivia na UPA. Aí Deus foi me tratando. Quando eu li aquela revista que tinha o artigo sobre relacionamentos abusivos (edição 71, de outubro 2018 a março 2019), eu abri a revista um dia e tinha uma frase que dizia “Deus ama a pessoa divorciada” (artigo “Quando o casamento acaba”). Aquilo foi um refrigério para mim. A partir dali eu fui mudando. As irmãs da igreja foi me ajudando. E hoje me sinto amada por Deus e acredito que ele não me condena.
 
Seu ex-marido mostrava desejo de mudar de comportamento?
Durante os anos de casamento, ele foi na igreja umas 04 vezes, mas não foi de coração. Apenas nos momentos que ele aprontava e eu ameaçava abandoná-lo.
Quando eu descobria as traições e dizia que ia me separar, ele pedia perdão e virava um “santo”, me abraçava, beijava, passávamos uns dois meses bem. Nunca quis ir para a igreja, odiava a igreja, o pastor, e tratava mal às irmãs quando iam orar na minha casa. Ele ameaçava rasgar minha roupa na frente da igreja se eu não o obedecesse e continuasse a frequentar a igreja. Mas, mesmo assim eu ia, e ele atrás falando. Eu entrava na igreja e ele ficava lá fora.  E eu não dizia nada a ninguém, pois naquela época essas coisas não eram consideradas violência doméstica, a não ser a violência física até a morte. Então eu achava que não tinha que me queixar. Só ficava orando, clamando a Deus.
Um dia peguei minhas coisas e resolvi ir embora de casa, mas ele pegou meus filhos e não me deixou sair com eles, que se eu tivesse que sair, iria sozinha. Então, mais uma vez eu não fui.
Num outro dia, ele saiu para trabalhar, eu peguei minhas coisas e fui para a casa da minha mãe. Ela não gostou muito, dizia que eu não podia ter deixado meu marido. Ele ficou me perseguindo, parou até de trabalhar. Todos os dias ficava na porta da casa da minha mãe pedindo para eu voltar e dizendo que iria mudar. Então eu voltei, por vergonha por ele estar me perseguindo e dizendo que iria se matar e eu seria a culpada. Quando eu voltei, engravidei. Comecei a conversar com ele e passamos a nos entender como marido e mulher. Ele pontuou meus defeitos e eu os dele, e começamos a tentar mudar, mas tudo tinha que ser sempre vantajoso para ele. Minha única vantagem é que ele não iria mais me perseguir por causa do sábado, mas no domingo eu ficaria com ele e não iria para a igreja. Mas isso durou pouco mais de um mês. Depois passou a me deixar sozinha novamente. Me acusava de coisas que eu não fazia.
Eu orava para que Deus o salvasse, ou eu teria que deixá-lo. Hoje entendo que as mudanças dele, os pedidos de perdão quando ameaçava deixá-lo era tudo mentira.
 
Qual mensagem você deixa para as mulheres que hoje sofrem com a violência?
Um conselho que deixo para as mulheres: não fique esperando, os planos de Deus não se realizam na vida do outro só por sua causa não. Se Deus tiver que salvar ele, vai salvar longe de você mesmo, não precisa estar casada para Deus salvar ele. Se Deus tiver plano na vida dele, vai acontecer, não fique sofrendo violência. Eu me arrependo hoje por não o ter deixado já na primeira traição, de eu ter ouvido as pessoas, de eu ter esperado o Senhor transformar. Se a pessoa não der lugar, Deus não vai transformar. Não é a sua oração que vai transformar a pessoa. A sua oração vai te transformar, pode te mudar, pode te dar atitude. Não me arrependi de tudo, pois amo os filhos que Deus me deu, sempre quis ter, são maravilhosos, servos do Senhor. Não seguiram o pai, apesar de terem sido bombardeados com o mau exemplo dele.
Estou livre, graças a Deus. Não digo que é bom que um casamento acabe, mas quando vem de um histórico de violência, de abusos tão grande, quando você sai é um alívio. Uma coisa te digo, não espere, nos primeiros sinais de abuso saia, não suporte traição. Traição de marido é horrível, eu fui massacrada durante 30 anos de casamento. Se tive 05 anos de alegria foi muito, o restante tudo infelicidade, construímos nada de bom. Apenas nossos filhos.
 
Como é sua vida hoje sem os abusos?
Hoje eu trabalho, com o pouco que ganho, tenho conseguido me sustentar e nada tem me faltado. Meus filhos têm um bom relacionamento com o pai. Graças a Deus estou bem, estou feliz, estou livre. Agradeço muito a Deus por ter cuidado de mim.
 
 
 
 

20 anos SARA – Entrevista

Neste mês de agosto, o Projeto SARA (Semeando Amor, Resgatando Almas) completou 20 anos de existência. Conversamos com algumas das mulheres que fizeram parte da implantação desse lindo projeto de amor, que nos contaram um pouquinho de como tudo começou. Confira aqui.
 
Como e quando surgiu o SARA?
O Projeto Sara surgiu no coração de Deus, que inspirou a diaconisa Rute Sarrazin, à época líder do trabalho feminino da Igreja Adventista da Promessa (IAP) na região Baixo Amazonas, para despertar mulheres a intercederem pelos filhos umas das outras. Lá o projeto já tinha esse mesmo nome e se espalhou com nomes diferentes por várias regionais e igrejas. Após tomar ciência desse movimento e visando engajar o maior número possível de mulheres, a liderança feminina responsável pelo projetos em nível Brasil assumiu os trabalhos.
“O Pr Hernandes Dias Lopes diz no livro Mães Intercessoras que ‘DEUS ESTÁ PROCURANDO MÃES QUE ESTEJAM PRONTAS A SE SACRIFICAR PARA VER OS SEUS FILHOS NA PRESENÇA DE DEUS.’ Mulheres, não fiquem só na dependência de que outra pessoa ore por seu filho, o projeto existe para orarmos uns pelo outros, pois enquanto oro pelo filho de outra pessoa Deus abençoa os meus.”(Nilda Quental)
Essa mesma liderança, à época, soube de um outro movimento chamado Projeto Desperta Débora, coordenado pela irmã Lenira Alice, da igreja Batista. A equipe teve então a oportunidade de conhecer também esse projeto e contou com o apoio e ajuda de suas idealizadoras para a implantação do Projeto SARA.
Em agosto de 2000, o Projeto SARA foi lançado em nível nacional. O lançamento aconteceu na Igreja Adventista da Promessa em Vila Medeiros, São Paulo – SP, com o nome SARA como acróstico de “Semeando Amor, Resgatando Almas”.
 
Quem eram as mulheres na liderança nacional do trabalho feminino daquela época?
O projeto contou com o apoio e engajamento de toda a equipe, na época formada por: Deusa Oliveira, Marli Falcão, Rosinha Gouveia, Dilce G. Paschoal Polvere, Eliude Barros, Francisca M. Escudeiro, Armelinda Pessoa, Elvira Ilse Barreira, Nilda Quental, Sara Brito, Ines Gomes da Silva, Meire Barbosa Correa e Ana Maria N. Dias, Dorinha Ribeiro, Eunice Laplaca e Ivanete Pires da Rocha, Ana Maria Ronchete David e Abisail Madeira Nascimento.
 
Como o Projeto foi divulgado? As lideranças das regionais e igrejas locais prontamente aderiram ao projeto?
O projeto foi divulgado através de folders, sendo que o Pastor Edmilson Mendes criou o logotipo. Também foram realizados encontros e reuniões locais e regionais para a divulgação. Era distribuído um folder em que as mães colocavam seus nomes e dos seus filhos para que outras mães intercedessem por eles. Todas as regionais e igrejas locais que tomavam conhecimento, aderiam ao projeto.
 
Quer compartilhar de algum testemunho, fruto do projeto, de que você se lembre?
Nos dias 16 e 17 de agosto de 2002, no Hotel Pilar, no interior de São Paulo, foi realizado um grande encontro de SARAs de todo o Brasil, onde foram relatados testemunhos edificantes do poder de Deus na vida dos filhos de coração, como curas, retorno ao caminho da salvação. Após dois anos de lançamento, o projeto já contava com mais de mil mães de oração e cerca de dez mil filhos que eram apresentados por elas diante de Deus.
“Um testemunho que me marcou está mencionado na edição 66 da revista O Clarim. Na igreja de Várzea Grande (MT), Igreja Adventista da Promessa (IAP) de Cristo Rei, a diaconisa Osia Rocha dos Santos relata o testemunho do filho de oração Ismael de Oliveira: ‘Nasci no meio evangélico e cresci frequentando a IAP, porém, aos 14 anos me desviei dos caminhos do Senhor. Passei por várias tempestades, terríveis adversidades, até que em 2014 fui acometido por um câncer. Quando eu estava no vale da sombra da morte, tomei a decisão de voltar para Deus. Voltei, pedi o batismo e hoje estou curado graças a Deus, com apoio de todos em oração e jejum. Agradeço a minha família, em especial minha mãe Judith, e minha mãe do Projeto Sara.’” (Deusa de Oliveira)
 
Qual o seu sonho para o Projeto SARA?
Todas as mulheres que participaram ativamente da implantação desse maravilhoso projeto de amor, desejam que ele continue, e que através dele muitas vidas sejam alcançadas e transformadas pelo poder da oração.
“Meu sonho é que esse projeto continue e alcance todos os filhos das irmãs da nossa igreja e quem sabe de outros lugares também, pois vamos orando, as pessoas conhecendo e o Senhor vai fazendo o trabalho, nós somos apenas instrumentos nas mãos dele.” (Rosinha Gouvêa)
 
Deixe uma mensagem para as mulheres que já são mães SARAs e às que ainda não são.
“Ser uma intercessora é ser uma benção. Muitos precisam de você. Se na sua igreja não tem esse projeto funcionando, procure saber, fale com a representante do Ministério de Mulheres local para que seja implantado o Projeto SARA na sua igreja.” (Deusa Oliveira)
“Coloque seus filhos no projeto. A oração é a base de tudo. Nunca desistam de orar, pois podemos orar a qualquer momento, em qualquer lugar. Orar sem cessar. O resultado da oração não precisa ser imediato, podemos nem chegar a ver, mas ele vem. Não desanimem!” (Chiquinha Escudeiro)
“Estamos vivendo tempos de muita dor e sofrimento. Se você, querida mulher, ainda não faz parte desse projeto, tome a decisão de ser uma intercessora de jovens e crianças. Não sabemos qual será o futuro deles, mas se você orar, o Senhor pode mudar a história deles.” (Ana Maria Ronchete)
 
SOBRE O PROJETO ATUALMENTE:
Depois desse período de início de projeto, com o crescimento do número de mães de oração, algumas adaptações foram feitas no formato do trabalho e surgiram algumas novidades.
A última foi a criação do canal Projeto Sara – Mães de Oração no Telegram, com o objetivo de permitir a ampliação do projeto para além das fronteiras denominacionais.
Os testemunhos são incríveis! Faça parte dessa iniciativa.
Para falar conosco e saber mais, escreva para projetosaraoracao@gmail.com
Baixe o aplicativo Telegram e participe do nosso canal: https://t.me/projetosaraoracao
Nossa gratidão a essas mulheres e tantas outras que têm dobrado seus joelhos e apresentado filhos e filhas do coração diante de Deus.
A Ele toda honra e toda glória!
 
Nossas entrevistadas:
Ana Maria Ronchete David
Casada com: Nivaldo Magalhães David
Filhos: Renê Ronchete David e Virginia Ronchete David Perez
Netos: Temos muitos, que amamos muito, todos de coração, nenhum biológico.
 
Deusa de Oliveira Teixeira
Casada com: Pr. Efraim Silvino Teixeira
Filhos: Felipe e Fernanda
Netos: Gustavo e Raphaela
 
Francisca Mlaker Escudeiro
Casada com: Claudionei Escudeiro
Filhos: Érica Escudeiro, Aline Escudeiro, Cláudio Escudeiro
Netos: Felipe, Gisele, Ricardo, Marina.
 
Nilda Quental Pereira
Casada com: Moacir Ricardi Pereira
Filhos: Giane Quental Solera (Genro: Ricardo Roberto Solera); Anderson Ricardo Quental Pereira (Nora: Mônica Goes); Gislaine Quental Pereira
Neta: Anna Luiza Goes Quental Pereira
 
Rosa Gouvêa
Filha: Hermínia Gouvêa Pires de Souza (genro Luiz Carlos de Souza)
Netos: Matheus, André e Priscila
 
 

Alguém grita em silêncio sim.

“Enquanto você viver neste mundo de ilusões, aproveite a vida com a mulher que você ama. Pois isso é tudo o que você vai receber pelos seus trabalhos nesta vida dura que Deus lhe deu. Eclesiastes 9:9 “
Conselho maravilhoso este, não é? Aproveitar a vida com o ser amado.
Deus se alegra quando na união o amor transborda, atingindo a todos que estão à volta, porque Ele é amor. (1ª João 4:16)
Muito se fala sobre a família feliz nos comerciais de televisão, mas a verdade é que na Bíblia o desejo de Deus para conosco é realmente a alegria, a paz e o amor, acredite.
Seria simples viver assim, mas a verdade é que de simples o ser humano não tem nada, não é?
E tantas coisas ocorrem entre quatro paredes além dos risos e da paz desejada. Há violência em muitos lares, falta de paz, compreensão e perdão. E também agressões, tapas e às vezes socos. Forte isso? Muito. E real.
A violência não está somente nas telas da TV, nos filmes e séries… já transcendeu a telinha há muito tempo. Observe!
Já me disseram que a pessoa agredida “grita em silêncio”… Consegue ouvir?
Mulheres escondendo hematomas atrás de maquiagem, meninas usando roupas com mangas longas, olhos cabisbaixos e muita lágrima segurada em público… já encontraram esta cena em seu caminho? Talvez.
Tantos e tantos casos… tantas coisas visíveis que muitos desejam não enxergar.
A Palavra de Deus orienta a desfrutar a vida com quem amamos e todos merecem isso. Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10:34), e seu amor é sem limites.
Quem ama cuida, protege, ampara, alimenta… a lista iria longe se houvesse muito espaço aqui. Como você completaria? Quem ama…
No meio familiar precisamos nos sentir amparados e ter um porto seguro. Pelo menos deveria ser assim.
Que possamos orientar, ajudar, educar no sentido de que a violência doméstica deve ser combatida!
Costumo dizer que há um círculo íntimo que a nossa vista alcança. Nesse círculo somos influenciados e também influenciadores. Proponho um olhar mais atento ao seu círculo íntimo… a princípio. Depois, com o tempo, amplie o espaço desse olhar.
E se, nesse momento perceber uma mulher que necessita de ajuda, lembre-se que por aqui estarei pedindo a Deus que conceda sabedoria para você perceber o grito silencioso que, sim, precisa ser ouvido!
Escrito por Genilda Farias, casada com Silas Farias e mãe do Pedro José. Formada em Letras e Pedagogia, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria -SP/SP.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?

O que esse clássico infantil pode nos ensinar sobre a autoestima, ou pelo menos, sobre o que não é autoestima?  Essa madrasta não estava contemplando somente sua beleza e plenamente satisfeita com ela, mas estava buscando comparação com outra pessoa, ou seja, só se sentiria plenamente bela, desde que não existisse alguém para comparar.  Vivia assombrada pela possibilidade de que outra pessoa pudesse ser mais bonita. Isso significa que precisava ter a certeza de que sua beleza era única. Quando buscamos nos comparar a outras pessoas, pode  significar que nossa autoestima ou nosso bem querer, estejam comprometidos.
Quando pensamos em autoestima, logo nos vem à cabeça algo relacionado à beleza física, mas a verdade é que até mesmo mulheres extremamente bonitas podem sofrer de autoestima rebaixada. Portanto, olhar-se no espelho e apreciar apenas os atributos físicos,  não significa ter uma autoestima elevada, inclusive pode ser que esteja escondida atrás dessa  beleza, uma autoestima comprometida.
Quantas vezes nos colocamos diante do espelho e focamos exatamente naquilo que mais reprovamos em nós, o cabelo, o nariz, a boca, os dentes etc, etc e etc e por que não procurar observar melhor partes que não costumamos muito apreciar? Comece a prestar  atenção nos detalhes do seu rosto, corpo, mas não só isso, também procure apreciar a capacidade, sua força, sua inteligência. Se olhe melhor diante do espelho, sem se julgar. Veja a si mesma, aprenda a se apreciar!
Muitas mulheres trazem em sua história alguns estigmas de sua infância e adolescência. Podem ter sofrido, por ouvirem palavras que a ridicularizavam (Bullying)  como, por exemplo; gorda , burra, feia, dentuça, quatro olhos etc . Dependendo do quão significante isso possa ter sido, essas palavras podem ter se transformado em “verdades” dentro de nós e ao longo da nossa história vamos perpetuando esses pensamentos sobre nós mesmas e ao olhar no espelho, não vemos outra coisa senão aquilo que aprendemos  ouvindo de outros, a nosso respeito.
A autoestima é ter certeza de quem você é, é valorizar-se sem comparar-se, é muito mais do quer ser ou sentir-se bela, é sentir-se capaz, sentir-se forte, é se valorizar! Você é o que é, e até que tenha aprendido a apreciar genuinamente o que possui; seus atributos físicos, intelectuais, suas qualidades, suas habilidades, se tornará refém daquilo que acreditou a vida inteira. Não transforme mentiras ditas  a você, em verdades, não perpetue um estigma, não aceite ser rotulada como desastrada, boba, esquisita, feia etc. Só farão com você o que você mesma permitir. Pense nisso! Quando precisamos de autoafirmação o tempo todo, é porque ainda não temos certeza de quem verdadeiramente somos e nem a capacidade que possuímos.
Se veja pela perspectiva de Deus. Ele a viu sendo formada dentro do ventre de sua mãe. Ele aprecia você, pois foi feita à imagem e semelhança do Criador. Ele deseja estar com você na eternidade “Deus já havia resolvido que nos tornaria seus filhos, por meio de Jesus Cristo, pois este era o seu prazer e a sua vontade”. (Efésios 1:5 NTLH). Ele a valoriza e ama com amor incondicional. Fomos feitas para adorar o autor da vida. Se compreendermos perfeitamente isso, não teremos motivos para nos sentirmos insignificantes.
Precisamos reconhecer em nós, nosso próprio valor, portanto, valorize-se! E pense assim: posso não ser perfeita, até porque não preciso e outras pessoas podem até terem qualidades diferentes das minhas ou se saiam melhor em muitas coisas, mas não preciso olhar para isso e perder tempo, ao invés disso, posso começar fazendo uma busca em mim mesma e quem sabe assim, descobrir e apreciar o que vejo no espelho, mas não só isso, principalmente o que vejo dentro de mim o  quão bonita, inteligente e capaz eu sou e com isso não precise questionar o espelho e sim responder para ele sobre o que estou vendo!
Espelho, espelho meu…
 
Rubenita Lacerda Souza é Psicóloga Clínica,  casada com  Waldeci Antônio de Souza, mãe de Abner e Débora, avó da Lara, Pedro e Samuel. Faz parte da Capelania Prisional e do Ministério Vida Pastoral Geral e congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Joaniza, São Paulo-SP.
 

Violência contra a mulher: rompendo o ciclo

Nenhuma forma de violência é aceitável, seja contra homens, mulheres, jovens ou crianças; aconteça por conta da cor da pele, da etnia, do grupo social, da religião ou questões de gênero.  Porém, a violência praticada contra a mulher tem um contorno diferente: na maioria das vezes ela é praticada pelo simples fato da vítima ser mulher.  Embora esse tipo de violência seja muito comum, há mulheres que dizem nunca ter passado por ela, possivelmente tendo em mente a violência física. Muitas não se dão conta das agressões que sofrem todos os dias e que passam despercebidas de tão naturalizadas que são em nossa cultura.
Difícil imaginar uma mulher que, na rua ou num coletivo, não tenha passado alguma vez pelo constrangimento de uma “mão boba” – quando não outra parte do corpo -, um gesto obsceno ou um xingamento direcionado, na maioria das vezes,  à sua moral; que nunca tenha recebido um convite sexual fora de propósito ou dito sim quando queria dizer não. Felizes aquelas que passam a vida sem ter que ouvir caladas, piadas ou supostas brincadeiras desmerecendo sua inteligência, banalizando seu corpo ou questionando sua dignidade; que não tiveram que abrir mão dos estudos ou da carreira em benefício de um familiar do sexo masculino, ou que não foram desqualificadas no trabalho em função de seu gênero.
Dentre outras coisas, nos acostumamos à ideia de que a mulher deve assumir a maior parte, se não todas as tarefas domésticas, “porque é coisa de mulher”. Diferente dos homens, aprendemos desde cedo que o sacrifício pessoal pelo bem de todos é uma virtude e que para não provocar discussões, devemos nos calar ou assumir culpas que não são nossas.   Não é raro ouvirmos que precisamos nos acostumar com a ideia de que o sexo no casamento pode ser uma imposição e não necessariamente uma dádiva.
Precisamos nos conscientizar de que situações como essas parecem banais para alguns, contribuem para o ciclo de violência que se perpetua contra a mulher, e que em casos extremos, pode custar sua própria vida. Ao contrário do que mostrou um clipe gospel recente, diante de uma agressão, devemos incentivar a mulher a buscar a proteção na Lei, em vez de induzí-la a se calar, contornar a situação ou mudar sua conduta para amenizar o problema.
Podemos lutar por direitos, esperar por aperfeiçoamentos nas leis, que já trouxeram grandes avanços. Podemos ainda trabalhar por mudanças na mentalidade dos homens e da sociedade, mas se queremos viver transformações profundas em relação à violência contra a mulher, precisamos urgentemente aprender a reconhecer e nos defender de suas diversas formas.   É também fundamental que repensemos o modo como nos vemos e nos colocamos nos relacionamentos, como tratamos e julgamos outras mulheres, e principalmente, como ensinamos nossos filhos e filhas sobre o que é ser mulher.
Romi Campos Schneider de Aquino, mãe do Henrique e do Davi, é psicóloga, auxilia seu marido Luciano no pastorado das Igrejas Adventistas da Promessa de Ana Terra e Monte Castelo, em Colombo -PR e integra a equipe do Ministério Vida Pastoral Geral da IAP.
 

Mestre nota 10!

Sabemos que o ensino é capaz de promover transformação social, espiritual e intelectual, porém cabe ao professor o importante papel de mediar o ensino-aprendizagem. Mas quais as características que um professor precisa para que o ensino seja transformador? Ninguém melhor que Jesus, o Mestre dos mestres para nos ensinar as características essenciais de um mestre nota 10.
É inevitável pontuar que para ser um bom professor é necessário AMOR. Pode parecer um clichê, mas se amamos o ensino da Palavra de Deus e amamos nosso próximo, todas as outras qualidades serão consequências. Jesus amou e ensinou os desfavorecidos, ricos, judeus e samaritanos, deficientes, adultos e crianças, enfim ele incluiu todos! E provou seu amor morrendo na cruz por toda humanidade. O professor que ama o ensino do evangelho tem como marcas a paciência, amabilidade, o interesse pelo outro e a dedicação.
Para que o ensino seja eficaz é necessário esmerar-se em sua prática (Rm 12:7), aperfeiçoar-se ou ensinar com a máxima qualidade. Quem tem o dom do ensino precisa ser um incansável aprendiz, aprofundar-se no estudo da Palavra de Deus, examinar as escrituras, ler e pesquisar para que compartilhe com alegria o verdadeiro evangelho.
Para ensinar um aluno com necessidades especiais, antes é necessário aprender quais são as potencialidades e limitações daquele aluno e quais são os recursos disponíveis que viabilizam o ensino capaz de transformar vidas e formar discípulos de Jesus.
Jesus foi um excelente professor e educador, sendo reconhecido e chamado de Mestre. Com ele aprendemos a importância de conhecer os alunos para contextualizar a mensagem que se deseja transmitir, no caso de Jesus ele utilizava as parábolas para ensinar verdades bíblicas. Na Educação Inclusiva é importante ter como ponto de partida as singularidades do aluno para despertar o interesse, a compreensão do ensino principal e a participação na aula.
Jesus foi o exemplo vivo de todos os seus ensinamentos, ele vivia cada palavra e demonstrava em ações. O professor também precisa ensinar na prática, vivendo as verdades do evangelho e assim desafiar seus alunos a serem discípulos de Jesus.
Refletimos sobre algumas características do Mestre dos metres e certamente podemos aprender muito mais com Jesus. Faça uma autoanálise para descobrir quais características você já possui e quais ainda precisa desenvolver. Ore a Deus e peça para que Ele o ajude em suas limitações, para que o amor pelo ensino seja constate, para que ele ilumine sua mente com estratégias e recursos para o ensino eficaz da Palavra de Deus.
 
 

Preciso casar?

Não há realização plena fora dos planos divinos, seja para a mulher casada, seja para a solteira (I Co 7).
Há bons profissionais, mas só a profissão não realiza ninguém; há pessoas bem casadas, mas a realização não se reduz ao casamento. O que traz plena realização para o cristão é poder produzir para o reino eterno, contribuir para a edificação e expansão da Igreja de Cristo e ser útil para a sociedade.
(…) como afirma Paulo: “Porque nenhum de nós vive para si mesmo, nem morre para si” (Rm 14.7).
Precisamos observar a diferença entre estar só e viver na solidão. A solidão faz parte da vida humana, não só dos solteiros, há solidão a dois. Há pessoas que vivem com a casa cheia de filhos e netos e que sofrem de profunda solidão.
Psicologicamente, a solidão é um estado emocional e concluímos, portanto, que estar só não significa sofrer solidão.
Conheço pessoas religiosas que vivem debaixo do mesmo teto e não se falam, nunca têm a companhia do parceiro para nenhuma atividade social. Há pessoas que decidem se casar apenas para não ficarem sós, mas depois sofrem duras consequências.
É necessário avaliar a ansiedade para se casar e com quem se casa, para não atender apenas ao apelo dos instintos da nossa sexualidade.
Conscientes de que a nossa vida é para glorificar a Deus por amor a Jesus, vivamos livremente a condição de estar só, abrindo mão do direito de ter um companheiro, desenvolvendo uma riqueza de valores, de caráter e de experiências de autorrealização e satisfação na totalidade do ser em adoração e serviço a Deus, para o seu reino eterno e para sua glória.
 
 
Texto extraído e adaptado do artigo Como viver de forma saudável, sendo solteira, viúva ou divorciada, de Durvalina Bezerra para a revista O Clarim – Edição 63.
 
Para ler mais, acesse: https://fesofap.portaliap.org/conteudo/vida-devocional/leia-mais-sozinha-ou-em-solidao/

Leia Mais: Relacionamentos Abusivos

“Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.” Já ouviu ou disse esta frase? Agora é hora de olharmos de outra forma este aforismo. Escrevo este texto logo após assistir ao vídeo de um cantor agredindo a ex-mulher na frente do filho de seis anos. E ainda estou perturbada com o vídeo de Luis Felipe Manvailer agredindo a esposa Tatiane Spitzner, em julho último, o mesmo acusado de matá-la. Não preciso fazer esforço para lembrar outros casos, como o assassinato de Eliza Samudio, em 2010. Os episódios de violência contra a mulher são infindáveis, infelizmente. Atualmente, o tema tem se destacado, especialmente após a criação de duas importantes leis.
Uma delas é a Lei Maria da Penha, sancionada em 2006, que carrega o nome da mulher que há 35 anos ficou paraplégica devido a um tiro nas costas enquanto dormia. O autor do tiro? O próprio marido, com quem foi casada 23 anos, nos quais sofreu repetidas agressões. A lei foi feita para a proteção da mulher em casos de violência doméstica. Para isso, a lei criou medidas protetivas para afastar o agressor e prevê apoio à mulher, com aconselhamento jurídico e orientação profissional, inclusive abrigo. A Lei Maria da Penha é reconhecida e valorizada internacionalmente.
Outra lei, de 2015, diz respeito ao feminicídio, para os casos em que o crime foi contra a mulher, por razões de ser do sexo feminino, isto é, quando o crime envolve violência doméstica ou familiar e menosprezo ou discriminação à condição mulher.
Esta prevê uma pena maior para este tipo de assassinato, que é considerado qualificado. Lamentavelmente, nem todas as mulheres conhecem seus direitos ou denunciam seus agressores. É bom que se afirme que o feminicídio é evitável, pois a mulher pode contar com as medidas protetivas e orientações que a Lei Maria da Penha propõe.
Talvez alguém pense que a lei contra o feminicídio seja desnecessária e de origem feminista.
Muitos tomam essa discussão como ideológica, pois alegam que a lei privilegia as minorias, pois os homens são realmente as maiores vítimas da violência. Não vou defender o contrário, contudo é importante destacar que os homens não são mortos pelo fato de serem homens. Em segundo lugar, grande parte das mulheres se sentem privadas do seu direito à liberdade por medo de um estupro ou da acuação do agressor. Em terceiro lugar, se esta lei não tivesse o propósito qualificador, muitas vítimas veriam seu agressor rapidamente solto e as ameaçando novamente. Para nós, cristãos, esta não é uma questão ideológica, mas de igualdade e amor ao próximo.
Dependência emocional
Mulher, não se prive do seu direito de reclamar ou pedir ajuda, se algum tipo de violência (veja box Tipos de violência) acontecer com você. Não viva isso de modo recorrente. Não se cale, denuncie seu agressor ou agressora (sim, o algoz pode ser outra mulher), ligue no 180 ou vá a uma delegacia da mulher. Além disso, não negue ajuda a outra mulher que sofre violência. E mesmo que o agressor faça parte da igreja, não se envergonhe por isso, você é vítima e não a responsável pelo crime.
Talvez você já tenha vivido algum tipo de violência e não conseguiu denunciar. Por que muitas mulheres não conseguem buscar ajuda? Alguns estudos indicam que a dependência emocional é um fator determinante. Dependência é um transtorno psicológico, e se define como concessão extrema, desnecessária e permissiva, em que a pessoa se deixa na responsabilidade total do outro. A pessoa se submete à subjugação afetiva, o faz para não perder o afeto do outro, ou por falta de confiança, ou ainda, medo. A pessoa dependente, por exemplo, permite que o outro tome decisões sobre sua vida, reluta em fazer exigências ao outro, sente-se desamparada quando sozinha por medo de incapacidade de se cuidar.
Outras mulheres são dependentes financeiramente; algumas têm a crença equivocada que o marido pode mudar o comportamento agressivo, e não o denunciam para não perder o relacionamento.
Outras razões para não denunciar seriam a vergonha, a preocupação com os filhos e o medo da falta de punição ao agressor. Para muitas dessas mulheres em sofrimento há serviço de ajuda, como garante a Lei Maria da Penha. E seria interessante buscar auxílio psicológico para ter forças e romper com este ciclo de dependência emocional e medo. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito através do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs). Nas universidades em que existe o curso de Psicologia há atendimento gratuito também, além de outras possibilidades como ONGs e profissionais que atendem por valor mínimo com fins beneficentes.
Subjugação
Agora vamos pensar a respeito do menosprezo e subjugação à mulher. Esta questão é tão antiga quanto cultural. Vale lembrar que em nada tem relação com Deus e nem com a ideia de submissão. Esta forma equivocada de tratar a mulher teve início após a queda, no Éden.
Quando Deus criou homem e mulher, os fez nos mesmos termos, ainda que o modo seja diferente (pó e costela). “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). Deus os criou com igualdade à sua imagem e deu-lhes as mesmas recomendações no versículo 28 para encher a terra, se multiplicar e dominar os animais. Ao final da criação, Deus percebeu o quanto tudo havia ficado excelente.
Após criar o homem, ficou evidente que no restante da criação não havia correspondente para ele. Então, Deus criou a mulher, correspondente perfeita para o homem. E ele a exalta quando a vê.
Deus e o homem deram a ela o devido valor. Relacionamento maravilhoso, não é?! Havia correspondência entre ambos, havia respeito e dignidade. Contudo, o pecado desvirtuou tudo. Quando lemos o relato das consequências do pecado em Gn 3.14-19, percebemos o quanto foram desastrosas. É importante salientar que este é um cenário de punição. Infelizmente, o padrão de relacionamento entre masculino e feminino, que era saudável, se corrompeu e passou a ser conflituoso.
Observe atentamente a expressão: “Seu desejo será para seu marido, e ele a dominará” (Gn 3.16b). O contexto aqui não tem qualquer relação com a submissão bíblica, que é boa e estabelecida por Deus.
A palavra “desejo”, traduzida, tem o significado de desejo de conquistar. A mulher teria o desejo de usurpar a autoridade do marido, iria desqualificá–lo como líder. E o homem, por sua vez, iria governar a mulher. Esta palavra “governar” não tem a ver com liderança familiar, mas com governo monárquico, não um governo participativo, prudente e gentil, mas ditatorial, com dureza, ou seja, com abuso de autoridade.
Isso mudou a forma de se relacionarem, Adão não lideraria de forma humilde e ponderada, e Eva não se submeteria de forma inteligente e voluntária. Podemos ver outros casos na Bíblia que comprovam esta ideia, como quando Abraão forçou Sara a fingir ser sua irmã para não ser morto e como Raquel sugeriu ao filho enganar o pai, Isaque.
Deus deu a liderança da família ao homem, antes mesmo do pecado. Era uma questão administrativa. Paulo, em Efésios 5.22-24 e Colossenses 3.18-19, ratifica a liderança masculina na família. Isso é diferente de submissão total da mulher em relação aos homens, ou seja, ela pode e deve assumir cargos de liderança em outros contextos. E esta submissão ao marido é definida, deste modo, “como ao Senhor” (Ef 5.22), o que indica que a mulher deve se submeter ao marido como se submete ao Senhor. E recomenda que esta submissão não seja absoluta, pois em situações que o marido a conduz a fazer algo fora da vontade de Deus, ela está desobrigada a submeter-se.
Por sua vez, a liderança do marido segue o padrão: “Maridos, ame cada um a sua mulher, assim como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela” (Ef 5.25) e “não a tratem com amargura” (Cl 3.19). Amor é tudo o que uma mulher precisa e merece, pois é como aprendeu a ser tratada pelo seu líder maior, Deus. Um marido com esses princípios não trata a mulher com humilhação, violência, egoísmo ou aspereza, mas a trata com dignidade, respeito e considera sua opinião.
Não podemos deixar de levar em conta que a mulher também deve respeito ao marido (Ef 5.33). Ela não deve tomar as rédeas da casa, porque se considera melhor líder, mas deve encorajá-lo a assumir sua liderança. Claro que o descumprimento deste princípio não desqualifica os princípios relacionados aos homens. Um não deixa de cumprir o propósito de Deus porque o outro deixou de obedecer. Obviamente, não falo sobre sofrer violência ou cometê-la.
Jesus e as mulheres
Vamos observar aquele que definiu perfeitamente o padrão de comportamento em relação à mulher, com base no texto de João 4.1-26, a mulher samaritana e João 8.1-11, a mulher pega em adultério. Ambas com moral duvidosa, segundo os padrões cristãos.
Como Jesus as trata? Com dignidade, algo que certamente não haviam recebido de outros homens. E Jesus oferece a elas possibilidade de mudança. À samaritana ofereceu a água que somente ele poderia dar, e à adúltera não condenou, mas a encorajou ao abandono dos pecados.
Jesus é o padrão de valorização à mulher. Sigamos seu exemplo.
A você, mulher, que sofre, conte com o apoio e empatia das outras mulheres cristãs à sua volta. E saiba que Jesus a valoriza tanto que não deseja uma vida de sofrimento e amargura nas mãos de quem não demonstra amor em suas ações. Jesus trata você com dignidade. Aos demais, peço que tenham senso de justiça e empatia, como Cristo.
 
Virginia Ronchete David Perez é psicóloga
 
 

A importância do relacionamento entre gerações

“Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos; eles anunciarão os teus atos poderosos” (Salmos 145.4).
Antigamente uma geração era definida a cada 25 anos, mas atualmente os especialistas apontam que uma nova geração surge a cada 10 anos. Esse conflito de gerações acontece no colégio, na faculdade, no trabalho e também na igreja. Pensamos diferente, porque somos de gerações diferentes.
A diferença entre gerações pode parecer uma linha que divide  o velho e o novo porém, por meio da união e troca de conhecimento entre o moderno e a experiência de vida, podemos contribuir positivamente para que haja interação entre gerações com resultados promissores.
Na vida profissional, por exemplo, o jovem possui a força de vontade. Ele vem com todo o gás, com sonhos, com garra e os mais velhos possuem a experiência, conhecimento e a história dos caminhos percorridos de sucesso e de superação. Uma geração complementa a outra. Na família, os pais ensinam os filhos e os filhos ensinam aos pais.
Não é o velho ou o novo, são gerações que precisam ser entendidas, respeitadas e procurar uma relação de parceria, porque todas as gerações possuem algo para ensinar. Precisamos nos relacionar, entender uns aos outros, unir esforços, respeitar opiniões.
A juventude tem muito a contribuir e cabe a nós agregarmos os seus valores.
Somos a geração Baby Boomer, a Geração X, Geração Y, Geração  Z, somos de todas as gerações e estamos no mesmo tempo, no hoje, no agora.
Gislaine Cuenca Neves é casada com José Otávio Neto, mãe do Matheus, Murilo e Miguel, formada em Administração de Empresas e Gestão Financeira, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila São Pedro – São Bernardo do Campo-SP e é líder do Ministério de Mulheres Regional da Convenção Paulistana.
 
 

O lugar do homem no combate à violência contra a mulher

Quando se pensa no combate à violência doméstica, em campanha contra o feminicídio, em conquistas justas para as mulheres na sociedade, convém deixar claro que esses temas não pertencem somente ao chamado “mundo feminino”, ou não devem ser objeto de conversas e conscientização só das mulheres, os homens de bem e de paz devem se levantar como defensores e promotores da proteção e combate às injustiças feitas ao sexo oposto.
Aliás, você sabia que existe um dia no calendário brasileiro, reservado para mobilização dos homens pelo fim da violência contra as mulheres? Leia mais sobre isso no final desse texto.
Agora, vamos para um papo aberto e reto com todos os homens.

O “combate” bíblico à violência contra a mulher
 
Olhando para a Bíblia e sua visão da mulher, vemos Deus apresentando-as em igualdade aos homens, embora na esfera familiar  possuam papéis diferentes (e fique claro: não estamos falando de serviços domésticos… isso é assunto para outro momento). No Gênesis, ela é vista como tendo as qualidades divinas da inteligência, sensibilidade, vontade, e governo, por exemplo, porque: Assim Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1:27 NTLH). Ver a mulher como tendo a imagem do Senhor é uma concepção que contribui para olhá-la com dignidade e amor. Isso tem que estar presente nos púlpitos e nas rodas de conversas dos cristãos.
O Novo Testamento apresenta uma série de destaques a esse olhar de igualdade e valorização feminina. Quando fala do contexto de casamento, o apóstolo Paulo trata a submissão como parceria na família, nunca como menosprezo e indignidade (Ef 5:22-24). Aliás, antes de falar da sujeição da esposa no casamento, o apóstolo nos dá um mandamento: Sujeitem-se uns aos outros no temor de Cristo (Ef 5:21). O equilíbrio nas relações, entre homem e mulher, é ensinado tanto na esfera familiar como na sociedade e na comunidade cristã.
Mas o mais radical e surpreendente é o cuidado com o qual Paulo trata do respeito de maridos para com suas esposas. O tratamento que o esposo dá à mulher é baseado no exemplo de amor de Cristo para com a Igreja. E ainda mostra porque o homem deve dispensar um cuidado tão especial: Porque ninguém jamais odiou o seu próprio corpo. Ao contrário, o alimenta e cuida dele, como também Cristo faz com a igreja (Ef 5:29). Veja que é no ambiente familiar que o apóstolo mais reforça a importância de um tratamento digno, protetivo e não violento à mulher. De certa maneira, podemos tirar deste comportamento conjugal exemplo do tipo de trato que todos os homens, especialmente os cristãos, devem ter para com as mulheres, pois: …não existe diferença entre judeus e não judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus (Gl 3:28 NTLH).
Concretamente falando, homens cristãos não podem olhar para a mulher como a cultura, que a subjuga em posição de inferioridade. Não deve permitir que homens violentos tenham espaços nas relações com elas. Devemos ser combativos, trazendo à tona este tema em rodas de conversas nas nossas igrejas; os números disponíveis pelos governos devem ser divulgados e a denúncia no 180 deve ser uma ação sempre praticada, já quando há quadros de violência verbal, evitando que a violência física seja praticada. Denunciar não é pecado, afinal …a autoridade é ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal (Rm 13:4).
O combate à violência doméstica antes de ser uma pauta feminina e/ou masculina, é uma pauta cristã! Portanto, é coisa de homem sim! Os homens cristãos devem abraçar o debate, combater a violência e dar ao assunto a importância, visibilidade e olhar cristão que ele merece. Na violência doméstica devemos lembrar que o combate vai muito mais além da oração.

6 de dezembro: Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres[1]
 
O Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres é datado anualmente em 6 de dezembro. A campanha, conhecida como “Laço Branco”, busca conscientizar o público masculino para lutar esse combate em relação às mulheres.
A data criada no Brasil para lembrar a importante pauta, é uma alusão ao que ocorreu em 1989, quando homens se mobilizaram para distribuir laços brancos e falar sobre o tema, após o genocida Marc Lepine invadir uma escola politécnica em Montreal, Canadá. Lepine pediu a retirada dos homens da sala de aula, e assassinou 14 mulheres na ocasião. O ocorrido, 6 de dezembro daquele ano, ficou conhecido como o “Massacre de Montreal” e gerou esse marco em todo mundo. Até o dia 25 de dezembro, foi estabelecido pela ONU como o Dia Internacional de Erradicação da Violência contra a Mulher.
No dia 6 de dezembro diversas entidades de governos e sociedade civil, além da distribuição de laços brancos, promovem debates, passeatas, fóruns públicos, conscientização da participação masculina no debate e combate à violência. Homens são chamados em parceria para ajudar nas conquistas femininas.
Andrei Sampaio Soares, Diácono na Igreja Adventista da Promessa em Benguí – Pará,  teólogo e graduando em jornalismo.

Não, eu nunca sofri violência doméstica! Será?

Quando pensamos em violência contra a mulher, é muito comum associarmos somente à violência física, por causa das marcas visíveis que são deixadas nas vítimas. Mas existem outras formas de agressão silenciosas, que também matam mulheres diariamente ao redor do mundo. Geralmente a violência inicia-se de forma sutil e disfarçada e vai sendo incorporada aos poucos no relacionamento, podendo ser facilmente confundidas com ciúmes ou uma forma de proteção do agressor em relação à sua vítima.
Segundo o artigo 7º da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), são formas de violência doméstica e familiar contra a mulher: I – a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal; II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause danos emocional, que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição e qualquer outro meio de controle que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; III – a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada (mesmo que com o cônjuge/ parceiro) ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. IV – a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; V – a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
Estudos apontam que a relação abusiva possui um ciclo de violência e é observado em três fases: primeiramente TENSÃO, comportamento ameaçador, agressões verbais (ofensas, humilhações), destruição de objetos da casa, intimidação e manipulação, por isso é comum nessa fase a mulher se sentir responsável pelas explosões do agressor e procurar justificativas para o comportamento violento. A segunda fase é a AGRESSÃO, comportamento efetivamente descontrolado que leva à concretização de algum ato ainda mais violento. E por fim a fase da LUA DE MEL, posição de arrependimento por parte do agressor, onde ele promete mudar de comportamento e temporariamente torna-se atencioso e carinhoso, levando a vítima a ceder.  A frequente repetição do ciclo leva a mulher à culpabilização, descontrole emocional, prejuízos físicos, relações de desamparo e afastamento social.
Imaginamos o perfil do agressor como um homem visivelmente agressivo em todos os ambientes de convívio, o que é possível, mas não devemos generalizar. Em muitos casos pode ser alguém que a comunidade tem como um homem comum, querido e até mesmo um parceiro honrado e dedicado. Por esta razão, a mulher pode permanecer muito tempo em uma relação violenta e enfrentar dificuldades para procurar ajuda, pois se sente também desprotegida socialmente. Portanto, podemos dizer que a raiz da violência contra a mulher está intimamente ligada a estrutura da sociedade, onde impera a visão de que faz parte de ‘ser mulher’ suportar algumas situações e que homens possuem direitos de controle sobre mulheres, e isso acaba por neutralizar alguns aspectos violentos.  Diante disso, torna-se vital lutarmos pela valorização da mulher, por relações familiares e sociais saudáveis e justas e investirmos em educar todo ser humano, seja ele homem ou mulher para respeitar e preservar uns aos outros.
Mulher, absolutamente nada deve justificar uma agressão! Relações saudáveis elevam pessoas não as destroem, não confunda cuidado com controle. A Palavra de Deus nos ensina que o amor é benigno e respeitoso, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade (1Coríntios 13.4-6).
Se você que lê este artigo se identificou com qualquer das formas de violências citadas, primeiro se sinta acolhida e saiba que você não precisa sofrer calada e sozinha. Busque ajuda! Ou se você conhece alguém nessa situação, não se omita, acolha. Se no seu município existe um desses serviços para atendê-la, você pode procurar apoio e orientação neles: Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Referência da Assistência Social (CRAS), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs). Ou Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da Rede de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres em todo o Brasil. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os finais de semana e feriados.
 
Jéssica Fernanda Pupo Vermelho, psicóloga especialista em Saúde Mental, casada com Yuri Vermelho e congrega na Igreja Adventista da Promessa do Jardim Urano em São José do Rio Preto-SP.

Conecte-se com a sua história

“Um povo sem memória é um povo sem história.”  Emília Viotti da Costa
O que somos hoje é reflexo do caminho que percorremos. É preciso seguir em frente, mas sem esquecer aquilo que já se passou. Lembre-se de onde você veio. Não importa se sua origem foi humilde e pobre, se você passou por privações, dificuldades e tristezas. Todos temos um passado e temos responsabilidade com ele. Seja grato. A gratidão é o reconhecimento de que para chegar onde você está, você precisou de ajuda. Lembre-se de quem te alimentou, ensinou a andar, a comunicar-se, segurou sua mão para te ajudar a levantar quando, em seus passos inseguros, você caía. Demostre gratidão por quem esteve ao seu lado e lhe educou, ensinou, apoiou, incentivou e motivou. Lembre-se de quem cuidou de você quando você precisou. Lembre-se de suas raízes.
O apóstolo Paulo, em sua segunda carta a Timóteo, advertiu que nos últimos dias sobreviriam tempos difíceis e que os homens se tornariam egoístas, avarentos, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis e inimigos do bem. (2 Tm 3.1-3). Os filhos de Deus não podem se encaixar, de forma alguma, a essa descrição.
A palavra de Deus orienta seus filhos a honrar pai e mãe. (Êx 20.12, Ef 6. 1-3). Honrar é obedecer, amar, cuidar, não importando a idade que tenham ou se foram bons ou maus.
Deus, em sua infinita misericórdia e amor, se preocupou e deixou orientações sobre o cuidado com homens e mulheres idosos. Também fez recomendações sobre o cuidado com as “viúvas” (bisavó, avó e mãe) e com os “da sua própria casa” (Família – pais, irmãos, irmãs). (1 Tm 5. 1-2,4,8). A orientação é para que filhos e netos cuidem primeiramente das mulheres viúvas de sua própria casa. Porém, quando lemos a palavra “primeiramente”, fica implícito no texto a responsabilidade de cuidar também das outras mulheres viúvas. O cuidado com as viúvas não deve ser somente o provimento material (muitas nem precisam), mas também com a provisão espiritual e emocional. Elas passam por momentos de angústias, aflições, sofrimento, tristezas e solidão. É dever do cristão cuidar das viúvas e, além disso, é mandamento de Deus. (1Tm 5.3).
Sobre “cuidar dos da sua própria casa”, é importante observar que muitas pessoas não conseguem, por si só, prover os meios de sobrevivência. Cabe a todos, portanto, o exercício da generosidade.
Cuide daqueles que fizeram e fazem parte da sua história. Valorize seus bisavós (aqueles que ainda os tem vivos), seus avós, seus pais e irmãos. Ame-os. Visite-os. Sente-se para conversar, recordar, ouvir. Não renegue a sua história.
“Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior que o descrente.” 1 Timóteo 5.8
Valdete Moraes da Cunha de Oliveira, casada com o Pastor Moisés Severino de Oliveira, é professora e congrega na Igreja Adventista da Promessa em Prado Velho, Curitiba – Pr.

Enquanto a igreja nos falta, um convite nos surge

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Rm. 8:28
Pandemia, distanciamento social, templos fechados, cultos online.
Será que Deus tem um propósito para isso tudo? Certamente sim! É tempo de, individualmente, trazermos novo significado à nossa espiritualidade.
Quando a dinâmica da igreja nos é suprimida, nos esforçamos para mostrar a nós mesmos que, ainda assim, somos corpo de Cristo. A igreja reunida tem a função de conduzir seus membros, de modo coletivo, à santidade, à adoração, à aprendizagem, ao crescimento espiritual. Hoje, por meio de lives, de Pequenos Grupos virtuais e de Grupos de Oração nas Redes Sociais, esforçamo-nos para não perdermos a sintonia que tínhamos na igreja, em nossos encontros presenciais, mantendo-nos espiritualmente saudáveis.
Cremos que, em algum momento, estaremos juntos novamente e temos ansiado muito por isso! No entanto, esse é um tempo único, no qual o Espírito Santo nos convida a colocarmo-nos realmente a sós com Deus. O Senhor nos quer de maneira mais profunda e significativa. Ele nos impulsiona agora a ultrapassarmos os limites do visível e a conhecê-lo mais!
Enquanto as atividades da igreja nos davam uma sensação de bem-estar e conforto, com suas músicas e com seu ambiente preparado a receber adoradores, agora a solidão dos pensamentos, as orações aos pés de nossa cama, a adoração em meio às tarefas nos conduz a percebermos Deus mais intimamente e nos provoca a buscarmos ao Senhor de maneira diferente e especial. Agora, na introspecção e na solitude, não há nada que nos confunda. Tudo passa a ser transparente e nítido. Mas, a busca por Deus se intensificou?
Você já pensou que talvez esse seja o propósito em tudo isso? É tempo de abrirmos as portas mais secretas de nosso íntimo e, sem receio, desfrutarmos de experiências com nosso Deus que, provavelmente, no conforto da igreja, não alcançaríamos. É tempo de avançarmos e caminharmos mais com Ele.
A oportunidade nos é dada. Podemos ultrapassar níveis inimagináveis de proximidade com o Senhor; basta um passo priorizando tempo com Deus e sua Palavra.
Há um convite da parte do Espírito Santo que, nesse tempo, ressoa em nossos ouvidos chamando-nos a seus propósitos. Que, enquanto a igreja nos falta, em tempos de distanciamento, aproximemo-nos intensamente do Senhor, respondendo ‘sim’ a seu amoroso convite, com a certeza de que, mesmo depois, quando enfim pudermos ir aos templos cultuar coletivamente, que a intimidade com Deus permaneça em nossas vidas!
Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Isaias 55:6
Por Simone de Macedo Bastos da Silveira
Graduada em Letras e Pedagogia, especialista
em tecnologias interativas aplicadas à Educação (PUC-SP).
Coordenadora Pedagógica
Casada com Álvaro Augusto da Silveira, mãe da
Vanessa e Fernanda. Membro da IAP V. Maria – SP.

Conectadas com a palavra

“Um dia o sumo sacerdote Hilquias foi ver Safã, o secretário do rei, e disse: ‘Encontrei um livro no templo do Senhor, e esse livro é o livro da lei!’…” II Reis 22:8 NBV-P
No livro de II Reis capítulos 22 e 23 encontramos a história do reinado de Josias. Ele estava reinando há dezoito anos quando resolveu consertar os estragos do templo. Safã, seu secretário, foi até o sacerdote Hilquias e repassou suas orientações. Ao executar tal ordem, o sacerdote encontrou o livro da lei do Senhor.
Como assim? O livro da lei do Senhor estava perdido? Pode parecer estranho, mas é o que está registrado nas sagradas escrituras. E, da mesma forma que aconteceu nessa história durante o reinado de Josias, é possível que muitos de nós tenhamos perdido a palavra de Deus.
Os zeladores de igreja que o digam. Quantas Bíblias são esquecidas nos bancos das igrejas e muitas vezes seus donos nem sentem falta…
Nesse momento muitos podem até dizer, eu não perdi minha Bíblia. Ok, pode ser que você a tenha na sua casa guardada em algum lugar, em alguma gaveta, bolsa, no smartphone, no computador ou até mesmo ela esteja em cima de um móvel aberta no Salmo 91. Mas, será que a palavra do Senhor não está “perdida”?
Se nós temos a Bíblia mas não a lemos, paramos de praticá-la ou ainda não permitimos que ela produza efeito em nossas vidas, então está perdida.
Não adianta termos a palavra de Deus à nossa disposição em todas as versões possíveis se a deixamos pelos cantos e não meditamos em seus ensinamentos.
O Senhor nos convida a nos conectarmos com a sua palavra, de tal modo que ela produza em nossas vidas o efeito que produziu na vida de Josias.
Quando o rei ouviu as palavras do livro, rasgou as suas vestes, abriu seu coração, se humilhou diante do Senhor e tomou a atitude de renovar a sua aliança e do povo com o seu Senhor.
Não deixemos a palavra de Deus esquecida. Precisamos todos os dias desse encontro com a palavra do Senhor. A leitura e a prática dos ensinamentos que esse livro maravilhoso contém irá produzir em nós mudança de comportamento, restauração e renovo.
Débora Hilário Pereira, casada com Dayvison Levy, Congrega na Igreja Adventista da Promessa em Osasco – SP.

Desconectadas, com a cabeça na lua

Há 51 anos o homem pisou pela primeira vez na lua, e desde então a ciência busca no cosmos respostas para diversos enigmas e solução para os problemas aqui da terra. Como a astronomia, o ser humano vive buscando longe de si a conexão consigo mesmo e com o mundo que o cerca.
Numa época dominada pela tecnologia, falar em conexão nos leva automaticamente a pensar na internet, pois ela encurta distâncias, facilita a comunicação, amplia o conhecimento e nos liga a quase tudo o que consideramos importante. Apesar de super conectadas, parece que nunca estivemos tão distantes de nós mesmas e de nossas reais necessidades.
Prova disso é que, às vezes, sabemos muito de moda, de tendências de cabelo e de maquiagem, mas pouco sobre quem somos de verdade. Conhecemos a vida de todo mundo pelas redes sociais, mas quase nada do que se passa dentro de nossas casas. Estamos informadas sobre política, ciência e sociedade, contudo não sabemos como resolver nossos problemas do dia a dia. Desenvolvemos um perfil atraente nas redes, mas não atraímos amizades verdadeiras. Ostentamos nossas aquisições, nossa vida social, entretanto escondemos o vazio que vai em nossa alma. Na busca de respostas sobre a vida procuramos literaturas, cursos, palestras, experiências imersivas¹, ajuda de couchers² e mentores³.
Porém, conexão diz respeito a uma ligação forte e profunda que não pode ser encontrada em nosso ego, numa vida de aparências ou na aprovação dos outros. Somente quando nos afastamos de prioridades vazias e nos aproximamos de Deus, passamos a nos conectar com o que pode dar significado verdadeiro às nossas vidas. Só Ele, que conhece a nossa essência (Jeremias 17:10, Romanos 8:27), é capaz de revelar nossa verdadeira identidade, de filhas de Deus (João 1:12, Gálatas 3:26) e de nos mostrar que valemos muito mais do que aquilo que vestimos, temos ou fazemos (Mateus 10:31, 6:28-30, Lucas 15:8-10). Só Ele consegue nos libertar de nossos desejos egoístas (Fil 2:3, I Cor 10:24, Jeremias 17:9) e nos ensinar o amor verdadeiro (I Coríntios 13: 4-7, I João 4:9-11), mudando nosso jeito de pensar e de agir (Efédios4:22-32). E, o mais importante: revela para nós o propósito de nossa existência (João 3:16, I Pedro 2:9, Romanos 11:36).
Desenvolva uma conexão íntima com Deus e você encontrará respostas para suas perguntas, solução para seus problemas e sentido para sua vida!
 
Romi Campos Schneider de Aquino, mãe do Henrique e do Davi, é psicóloga, auxilia seu marido Luciano no pastorado das Igrejas Adventistas da Promessa de Ana Terra e Monte Castelo, em Colombo -PR e íntegra a equipe do Ministério Vida Pastoral Geral da IAP.
 
Notas:

  1. A experiência imersiva é uma técnica onde as pessoas são convidadas a viver uma experiência intensa em ambiente interativo, que pode consistir numa situação da vida real ou paralela à sua vida quotidiana.
  2. Coach é um facilitador que presta apoio ao coachee através da identificação dos seus valores, da sua visão pessoal e dos seus objetivos, por meio de perguntas, encorajamento, tarefas e desafios.
  3. Mentor é uma pessoa mais experiente ou com mais conhecimento que ajuda a guiar uma pessoa menos experiente ou com menos conhecimento, orientando ideias, ações, projetos e realizações.

 
 
 
 

Eu sei como se sente! Será?

Este é o significado de empatia, se colocar no lugar do outro, tentar sentir o que o outro sente. Mas será realmente possível nos colocarmos no lugar do outro, ou podemos apenas imaginar como é estar no lugar do outro? Por exemplo, alguém que nunca perdeu a mãe pode dizer para o outro “eu sei como se sente”? Acredito que não. Mas então onde se encaixaria esse termo? Apesar de não termos vivido o que o outro viveu, é possível nos sensibilizarmos com seu sofrimento, com sua dor, sua angústia e muitas vezes até com suas escolhas equivocadas ou desastrosas.
Para sermos empáticos, um princípio importante a ser respeitado é não comparar, não julgar.
Dor não se compara. A dor maior sempre será a nossa, não importa o quanto ela seja insignificante para alguém. E isso se aplica para todas as pessoas.
Diante das falhas e erros do outro é possível ser empático. Empatia não significa passar a mão na cabeça de alguém e ignorar seus erros, mas sim ver a pessoa por trás dos erros. Enxergar o ser humano diante nós, com suas falhas e virtudes, assim como nós as temos.
Estamos vivendo um momento muito propício para se falar em empatia. Na verdade, não há momento melhor para as pessoas exercitarem isso como quando se trata de calamidades, catástrofes, onde normalmente as pessoas se unem em um só propósito. Como nos sensibilizamos!
Mas pode ser que nos esqueçamos que esse conceito é muito amplo e vai muito mais além de escolhermos com quem devemos ser empáticos.
Quando julgamos, discriminamos ou reprovamos o próximo, já significa uma profunda ausência de empatia.
Vivemos um período em que no dia a dia vemos tantos discursos inflamados de ódio, até daqueles que deveriam pregar a paz, disfarçados de posicionamentos políticos e tantos outros assuntos polêmicos. Não pensamos duas vezes para ofender, maltratar e humilhar.
O maior exemplo de empatia partiu de Deus, o criador, em relação à humanidade, enviando seu filho. Cristo verdadeiramente se colocou em nosso lugar , morrendo por nós, por mim, por você, por todos aqueles que eu e você podemos julgar como indignos (ladrões, homicidas, prostitutas…). E olha que não éramos bonzinhos! Na verdade, continuamos não sendo, mas ainda assim, optou por se entregar por nós. E com isso nos deixou uma grande lição: “Tente se colocar no lugar do outro”.
Na bíblia há um lindo texto (Lucas 22: 54-62) e convido você que já leu, a reler e você que ainda não leu, leia. Lá encontramos um episódio de alguém que errou e se frustrou (Pedro), porque percebeu que chateou a quem ele não gostaria de chatear (Jesus). Trata-se do momento em que Jesus foi preso e Pedro, um de seus discípulos, que por vezes era muito afoito e havia jurado que jamais abandonaria seu mestre, se viu traindo-o. Pedro, que já havia sido advertido pelo próprio Jesus de que O negaria, se vê agora diante do cumprimento dessa triste realidade. Após o galo cantar, caiu em si e quando levantou os olhos, viu o mestre olhando-o fixamente, era um olhar profundo!
Preste atenção naquele olhar de Jesus. A primeira coisa em que somos levados a pensar é que seria um olhar julgador, como se Jesus dissesse, através daquele silencioso olhar: “Tá vendo Pedro, bem que te avisei”. Li esse texto com minha neta de 10 anos e fiz uma pergunta para ela: “O que você acha que Jesus estava dizendo com esse olhar?” Ela respondeu exatamente o que foi mencionado acima… “Tá vendo Pedro…”. Mas daí perguntei: “ Não poderia ser um olhar que dizia: “ Fica tranquilo Pedro, eu entendo, você é humano e nossa história não termina aqui”? Ela respondeu: “é verdade vovó”.
Tentar se colocar no lugar do outro e entender como o outro sente não é fácil, porém é necessário. Não só daqueles que nos despertam algum tipo de simpatia, mas também daqueles que são diferentes de nós ou, por algum motivo, tendemos a julgar e maltratar.
Que o amor de Cristo em nossas vidas, a sua grande, imensa capacidade de ter se colocado em nosso lugar, nos capacite para exercermos o amor na vida daqueles que estão a nossa volta em forma de empatia!
Rubenita Lacerda Souza, Psicóloga, casada com Waldeci Antonio de Souza, mãe da Débora e do Abner, avó da Lara, Pedro e Samuel, congrega na Igreja Adventista da Promessa de Vila Joaniza