“Filho de pastor, ‘pecadorzinho’ é”

“Flavinho, vem aqui. Você é filho de pastor! Tem que ser exemplo!” Esta foi a frase de um diácono segurando firmemente no meu braço, quando estava correndo no pátio da igreja, acompanhado de outras crianças da mesma faixa etária. Esta é uma das recordações que tenho da minha infância.
O pastor de uma igreja tem muitos filhos, espiritualmente falando, e até adotivos. Todos os cultos ele ensina, prega, atende o seu rebanho. O desejo de muitas pessoas é ficar mais tempo perto deste homem de Deus para absorver toda a sabedoria dele. Alguns devem pensar: privilegiados são os filhos legítimos por terem um pastor só para ele em casa! Será? Com essa pergunta refleti muito sobre minha trajetória de vida e experiência como filho de pastor, e analisei as vantagens e desvantagens, com auxílio do meu irmão, Fabiano (da IAP em Barão Geraldo – Campinas, SP), que me ajudou a enriquecer esta reflexão.
A maior desvantagem que vejo, por ser filho de pastor, são as pressões que sofremos pelo ministério do pai. Devido a essas pressões, muitos se decepcionam com a experiência de serem filhos de pastor. Não foram poucas as cobranças, piadas no colégio, na rua, na lanchonete, por parte dos professores que desprezavam cristãos por escândalos de pastores, mas a pressão maior era na própria igreja, onde a cobrança de uma vida em santidade é inevitável para os filhos de pastores.
Mas, nem sempre é verdadeiro o ditado: “filho de peixe, peixinho é”. Com esse conceito equivocado, de que os filhos de pastores devem ser os mais santos possíveis, perfeitos, referência em todas as áreas, as pessoas se esquecem que, na verdade, “filho de pastor, ‘pecadorzinho’ é”. Como toda a humanidade é, dependente da graça de Deus. Sempre querendo ser algo que as pessoas esperavam, chegou um tempo da adolescência em que comecei a pensar: afinal, quem sou eu???
Então, tentei quase tudo: ter sucesso com as meninas, ser o músico da escola, ser poeta, ter as melhores notas, ter as piores notas, usar terno, usar calça jeans rasgada, ter cabelo comprido, ter cabelo raspado, adotar estilo esportista, ter estilo intelectual, ser rebelde, ser pacifista, enfim, comecei a experimentar várias identidades, que eu encontrei em filmes, sonhos, vídeo games. Qualquer coisa que fosse diferente do meu pai e parecido com o que o mundo esperava.
Foi o período em que eu dizia frases agressivas, mas que refletiam minha crise interna: “Quero um pai, não um pastor!”, “Quem é você agora, pai ou pastor?”, “Pelo menos me trate como uma de suas ovelhas”, “Eu, pastor? Jamais!!” ; “Cuide de sua igreja e me deixe em paz!”.
Mas hoje, com a maturidade, vejo que foi um grande privilégio ser filho de pastor. Agradeço a Deus porque tive um pai que sempre me instruía na verdade bíblica, com sua experiência, fé, amor e compreensão, que sempre manifestava nas longas conversas que tínhamos a sós. Ele nunca esqueceu que tinha uma família para cuidar, talvez não cuidasse do modo como ele gostaria, mas fazia o sempre máximo.
Em um desses dias em que eu estava perdido tentando encontrar minha identidade, numa dessas conversas, ele deixou claro que tudo aquilo estava acontecendo porque eu ainda não havia encontrado a minha identidade em Deus. Eu não tinha entendido o real motivo da minha existência.
Existe um plano de Deus estabelecido para cada filho de pastor. Assim como para cada um dos filhos de Deus. Não aquilo que pressionam você a ser, mas, aquilo que Deus criou você para ser.
Sei que o inimigo tenta mostrar para todos os filhos de pastores só o lado ruim de ter pais no ministério, mas, aprenda a ser grato a Deus por ter nascido em um lar cujo o foco é Jesus,  no qual os seus pais tiveram um encontro com Deus de tal forma que isso fez com que eles tivessem a coragem de largar tudo para servir ao Senhor, doando o seu tempo de forma integral. Quando você se encontrar naquilo que Deus criou você para ser, nunca mais vai se sentir pressionado por ser filho de pastor.
Gostaria de deixar dois pequenos conselhos, para pastores e filhos.   Pastores, lembrem-se que vocês têm família. Nunca se esqueçam que o primeiro ministério de vocês é leva-la aos pés de Jesus. Em suas orações, peçam a Deus sabedoria e conhecimento para guiar competentemente sua família (2 Crônicas 1:10).
Quanto aos filhos de pastores, é muito comum ouvirmos que filhos de pastores não precisam aceitar Jesus ou ter comunhão com Deus, porque seus pais “fazem isso por eles”. Mas esse é o maior engano em que podemos cair. O relacionamento dos nossos pais com Deus é o relacionamento deles. Eles construíram, individualmente, ao longo dos anos. Cabe a nós fazermos o mesmo, afinal, temos a nossa própria caminhada com Deus para seguir.
Flávio Dias dos Santos, filho do Pr. Ozias e Dsa. Elena dos Santos (jubilados), casado com Jéssica Sanches Dias. É pastor em tempo integral na IAP em Vila Virginia, Ribeirão Preto (SP).

Esposa de pastor = mulher perfeita

Mito ou realidade?

“As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias no seu viver, como convém a santas, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras no bem; Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos, a serem moderadas, castas, boas donas de casa, sujeitas a seus maridos, a fim de que a palavra de Deus não seja blasfemada.” (Tito 2. 3-5)
A esposa do pastor precisa ser hospitaleira, boa dona de casa, auxiliadora, ter domínio próprio (sobre a língua, sobre o consumismo etc), cuidar dos filhos, ser amorosa, disposta ao trabalho, amiga, confidente, entre tantas outras coisas. Sim, a esposa precisa ser tudo isso, mas não só a esposa do pastor: a esposa do mecânico, a esposa do professor, a esposa do aposentado, enfim a esposa!!!
Não há na Bíblia uma lista de características de como deve ser a esposa do pastor, mas há várias qualidades que a esposa deve ter!
Lembro-me que quando me casei, logo no começo do ministério, as cobranças começaram: você é a esposa do pastor, precisa fazer isso, aquilo, precisa se comportar assim, não pode tal coisa, etc. Eu entrei no esquema e tentava de fato fazer tudo porque eu era esposa do pastor, até que cheguei em um determinado ponto em que me sentia tão frustrada, imperfeita, incapaz e infeliz. Foi nesse momento que Deus me disse algo que marcou e mudou minha vida para sempre: Para mim, você é simplesmente filha! E minha perspectiva mudou.
Somos mulheres cristãs (lembrando que cristão significa pequeno Cristo). É nele que nossas forças precisam se concentrar. Porque se eu me empenho em ser parecida com Cristo, eu serei uma esposa melhor, mãe melhor, amiga melhor, pessoa melhor. E não só isso: minhas ações (visitar, orar pelas pessoas, amar, ter compaixão, ser boa dona de casa, auxiliadora) acontecerão naturalmente, não pelo fato de ser esposa de pastor, mas por ser filha do Pai. Em resposta a essa filiação, eu atuarei de forma que o nome dele seja glorificado em mim.
Se você é esposa de pastor, busque conhecer sua identidade em Cristo. Não acumule as pressões impostas pelas pessoas que ainda não tiveram o conhecimento bíblico sobre o seu papel. Entregue cada palavra diante do trono do Pai Celestial e seja livre para amar, servir, cuidar, renunciar, porque Ele te amou primeiro.
Não importa se somos esposa de pastor, médico, gari, professor ou funcionário públicos. Tudo que fizermos, seja em palavra ou em ação, devemos fazer para o Senhor!
E por último, lembremos que somos pecadoras, imperfeitas, vamos errar. Não se cobre em demasiado. “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.” (Pv 4:18). Não desista de você, não entregue os pontos. “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fl 1:6)

Danubia Guarnieri congrega na IAP em Catanduva, é esposa de pastor e atua no Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral.

Não desista de pastorear!

Fixe o olhar no que tem peso eterno: nas vidas alcançadas e salvas em Cristo

Estamos vivenciando uma das mais terríveis crises pastorais na igreja de Cristo. Tempos de dor, perdas, decepções e desistências. Não faltam artigos, notícias e pesquisas que apontam o trabalho pastoral como uma das ocupações mais desgastantes do mundo atual. O interessante é que, quando olhamos para a Bíblia, vemos que esse “desgastar-se” do pastor não é algo somente deste século; ele sempre existiu. É possível notar isso no ministério pastoral de Paulo, e de tantos outros nas Escrituras. No entanto, podemos ver mais que isso. A boa notícia é que podemos ver não só o “ônus” do ministério pastoral na vida de Paulo, mas também o “bônus” de pastorear a igreja de Cristo. Não só aquilo que tira as forças pastorais, mas também o que traz renovo.
Paulo não esconde as aflições que enfrentava ao pastorear a igreja. Perseguições, decepções, traições, retrocessos, rejeições, privações e perigos (2Co 4:7-12; Gl 4:12-20) eram realidades constantes em seu ministério. Entretanto, apesar do desgaste e do sofrimento por pregar a Cristo, ele sabia que mais pessoas estavam sendo alcançadas pela graça e por isso afirma: “nunca desistimos. Ainda que nosso exterior esteja morrendo, nosso interior está sendo renovado a cada dia. Pois estas aflições pequenas e momentâneas que agora enfrentamos produzem para nós uma glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre. Portanto, não olhamos para aquilo que agora podemos ver; em vez disso, fixamos o olhar naquilo que não se pode ver. Pois as coisas que agora vemos logo passarão, mas as que não podemos ver durarão para sempre” (2Co 4:13-18 – NVT).
É certo que pregar a Cristo e pastorear a sua igreja geram desgastes. Mas, segundo Paulo, tudo isso se torna em pequenas e momentâneas aflições quando comparado com a “glória que pesa mais que todas as angústias e durará para sempre”. Como é possível isso? Como Paulo consegue superar as aflições pastorais? Simples: seu olhar está naquilo que tem “peso eterno” e não no que é passageiro. Por mais lutas que enfrentasse, Paulo tinha suas forças renovadas na gloriosa visão de ver vidas sendo salvas. “Afinal, o que nos dá esperança e alegria? E qual será nossa magnífica recompensa e coroa diante do Senhor Jesus quando ele voltar? Serão vocês! Sim, vocês são nosso orgulho e nossa alegria”, disse ele à igreja em Tessalônica (1Ts 2:19-20 – NVT).
Quando tudo parecer difícil e as aflições momentâneas tentarem tirar de você a esperança e a alegria de pastorear, não desista. Fixe o olhar naquilo que dura para sempre, no que tem peso eterno: nas vidas alcançadas e salvas em Cristo. Essa deve ser uma das causas maiores da motivação de seguir pastoreando! Quando vemos pessoas se convertendo ao Evangelho de Cristo, sendo transformadas pelo Espírito através da nossa pregação e do nosso ministério, somos renovados. Esse era o segredo de Paulo: “Agora, revivemos por saber que vocês estão firmes no Senhor” (1Ts 3:8 – NVT). Não desista de pastorear!

Pr. Anderson Guarnieri pastoreia a IAP em Catanduva (SP) e integra a equipe do Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral

Pausa necessária

Pastores e esposas da Convenção Ceará em Congresso

Com a participação de 16 casais, foi realizado no último final de semana o Congresso Ministerial em Fortaleza,  na Convenção Ceará.  Com uma audiência animada e participativa, o evento foi bastante motivador, proporcionando uma pausa necessária na agenda dos pastores e esposas, para refletirem o que tem os pressionado no ministério e como fazer frente a isso, sob a perspectiva bíblica. Os casais puderam vivenciar a prática dos Pequenos Grupos, discutindo os temas abordados.
Parabenizamos à Diretoria da Convenção e MVP Regional pelo empenho na realização do Congresso. Pelo Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral participaram o pr. Aldo de Oliveira e sua esposa, Dsa. Lilian Oliveira.

Leitura importante para o Ministério Pastoral

“O Drama das Escrituras” e “Introdução à Cosmovisão Cristã”

Há poucos dias recebi a nova série de Lições Bíblicas do trimestre julho a setembro deste ano que trata de forma especial sobre 14 “Vidas Missionais”. Profundas, práticas e indispensáveis para o nosso rebanho. Mas como aproveitar o máximo estas lições para que as mesmas nos impulsionem a sermos mais missionais? Recentemente dois livros me levaram a refletir sobre os valores bíblicos e os valores da sociedade atual. “O Drama das Escrituras” e “Introdução à Cosmovisão Cristã”, escritos Por Michael W. Goheen e Craig G. Bartholomew, publicados pela Editora Vida Nova.
O pastor normalmente é desafiado a entender as gerações que compõem a sua igreja e comunicar a elas os valores essenciais da Bíblia Sagrada.
No livro “O Drama das Escrituras”, os autores apresentam a Bíblia toda, de uma forma coerente, ressaltando seis atos principais: criação, pecado, Israel, Jesus, missão e nova criação. Ressaltando que há também uma reflexão interessante sobre o período interbíblico ou intertestamentário. Estes atos se encaixam entre si dando um significado especial no plano de redenção de Deus, ficando compreensível a conexão da nossa história pessoal com a história da Bíblia.
O livro “Introdução à Cosmovisão Cristã” traz uma proposta desafiadora de como os cristãos podem viver os valores bíblicos na cultura contemporânea, analisando desde o período clássico até a pós-modernidade. Como viver a Bíblia nas áreas de educação, mundo acadêmico, economia, política e igreja? Estas são as preocupações dos autores que mostram que é possível ser cristão num mundo de constante modificações.
Com certeza, bem compreendidos, estes dois livros ajudarão em muito o ministério pastoral na área pessoal, de exposição das Escrituras Sagradas e aconselhamento. Aproveite o máximo.
Pr. Elias Alves Ferreira, integrante da equipe do Ministério de Vida Pastoral

Convenção Mineira

Pastores e esposas participam do Congresso Ministerial

Um evento cheio de comunhão com Deus e uns com os outros. Assim foi o Congresso Ministerial da Convenção Mineira, realizado no último final de semana (8 e 9/06) em Belo Horizonte (MG), com a presença de 15 casais.
Pastores e esposas foram ministrados pelo Pr. Elias Alves e Dsa. Marilsa, do Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral, enfocando temas relevantes para ajudar os que estão no ministério a resistir às diversas pressões que enfrentam.
Rico tempo de aprendizado e uma pausa necessária no exercício do ministério, para voltarem renovados para suas igrejas locais. Deus seja louvado pela Diretoria da Convenção e MVP Regional, que não pouparam esforços para agradar a todos os participantes.

 

Congresso Ministerial

Paulistana foi a primeira na etapa dos Congressos 2019
Pastores e esposas da Convenção Paulistana reuniram-se no último sábado para a realização da V Etapa dos Congressos Ministeriais, com o tema “Resistindo às Pressões”. Os 32 casais participantes desfrutaram de momentos importantes de reflexão, oração e comunhão, na Chácara Recanto Promessista.
Louvamos a Deus pelo empenho da equipe Ministerial da Convenção Paulistana e da Diretoria Regional, na realização do evento.
As avaliações mostraram que os participantes julgaram os temas muito relevantes e práticos no exercício do ministério.
Pelo Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral – participaram o pr. Elias Higino, Dsa. Andrea, Pr. Beto Soares, Kizie e o pr. Aldo de Oliveira.

Antes de mudar qualquer coisa na nova igreja

Pastor, faça essas 3 perguntas

Os pastores que entram em igrejas já existentes são rapidamente sobrecarregados pelas mudanças necessárias para melhorar a igreja.  Para a maioria de nós, o desafio está em saber quando e como essas mudanças precisam ser feitas.  Se você está se perguntando como escolher sabiamente essas batalhas, primeiro receba este excelente conselho que recebi quando entrei em meu primeiro cargo de Pastor Sênior em uma igreja claramente precisando de mudança e revitalização: “Pregue a Palavra, ame sacrificialmente essas pessoas e não mude nada por um tempo”.
Agora, tendo compartilhado este conselho inestimável que deve ser aplicado primeiro, aqui estão três perguntas a serem feitas à medida que você se prepara para fazer a mudança que é necessária, e para fazê-las com discernimento e sabedoria:
1) É bíblico ou uma preferência? O que quer que você deseje mudar, certifique-se de ter um forte argumento bíblico para fazê-lo. Se você deseja mudar a estrutura de sua igreja para uma pluralidade de presbíteros/pastores ou elevar o compromisso de todos os membros da igreja de reunir-se regularmente aos domingos (Hebreus 10:25), essas são mudanças bíblicas apropriadas que devem ser buscadas. Se você quiser mudar a tradução da Bíblia usada para pregar, o estilo da música, ou remover a imagem gigante de um Jesus branco de seu lobby, essas mudanças não possuem um argumento bíblico tão claro. Se é bíblico ou uma preferência pessoal importa para como você faz mudanças e, em muitos casos, se deve mesmo mudar ou não.
2) É a hora certa? Só porque um argumento bíblico pode ser feito em favor da mudança não significa que seja o momento certo para fazer a mudança. Muitos jovens pastores entram em uma igreja existente, fazem mudanças rápidas e necessárias porque “está na Bíblia” e não pensam em pastorear uma congregação no curso dessas mudanças. Eles então se perguntam por que, depois de dezoito meses de pastorado, metade da igreja permanece, e há uma falta geral de confiança e suspeita em relação ao pastor. Isso ocorre porque o novo pastor estava ocupado demais tentando descobrir o que “precisava mudar” em vez de primeiro amar e pastorear aquela congregação, para que, mais tarde, ficassem receptivos à mudança.
3) As possíveis consequências valem a pena? Determinado se a mudança pode ser ensinada como bíblica, considerado se o momento é correto, então um pastor deve ponderar se as consequências o consideram sensato e dignas do risco. Por exemplo, eu não dividiria a igreja pela causa da pluralidade de presbíteros/pastores ou um papel inflado de membro nos primeiros anos em uma igreja. Essas são mudanças que podem vir depois com bom ensino e paciência. No entanto, eu arriscaria ser demitido confrontando um diácono encontrado em adultério aberto ou um ataque à divindade de Cristo, quer a igreja estivesse pronta para isso ou não. Escolher as batalhas certas com sabedoria envolve saber se você está disposto a enfrentar as possíveis consequências de sua decisão, bem como se posicionar diante de Deus com uma consciência limpa.
Esse é um modelo geral a ser seguido quando você determina as mudanças que deseja fazer e como elas devem ser escolhidas e executadas. Faça o que fizer, escolha as batalhas com sabedoria, como se você fosse estar naquela igreja por dez anos ou mais. Isso lhe dará uma perspectiva diferente e ajudará você a ser paciente.
Ah, e mais uma coisa. Ouça sua esposa. Minha esposa me impediu de ser demitido algumas vezes por suas sábias advertências sobre algumas coisas diferentes que eu estava prestes a mudar. Sua esposa é sua ajudadora e será uma ajuda especial para evitar que você faça algo que possa se arrepender. Ouça-a.

Por: Brian Croft. © Practical Shepherding, Inc. Website: practicalshepherding.com. Traduzido com permissão. Fonte: 3 Ways to Know Which Battle to Choose.
Original: Pastor, faça estas 3 perguntas antes de mudar qualquer coisa na nova igreja. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com.

Nota de falecimento

Oremos pela família da Dsa. Diva (MT)

Foram setenta e três anos de vida. Na manhã de hoje, 2 de maio de 2019, a Dsa. Diva de Oliveira Vieira descansou de suas lutas. Deus decidiu tomá-la para si, após vários dias de intenso tratamento hospitalar. Ela congregava na IAP em Cristo Rei, Várzea Grande (MT).
O Senhor Jesus, como prometera por meio do Espírito Santo esteve com sua serva até o último instante. Como uma filha querida, foi acompanhada por seu Salvador até o fim. Deu a ela o sono dos justos, garantia de estar na primeira ressurreição, no maravilhoso e terrível dia do Senhor. Nesse dia, a família e a igreja verão outra vez a Dsa. Diva, com o corpo totalmente glorificado, na presença do Deus Trino, dos santos anjos, dos patriarcas, profetas, apóstolos e irmãos de todos os tempos e de todas as tribos, línguas, povos e nações, dizendo:
“Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças… Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre.” (Ap 5:12 e 13)
Em nome de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da IAP e de todo seu povo, expressamos gratidão pela vida exemplar, pela fé inabalável em Jesus e pelo testemunho de vida vigoroso deixado pela Dsa. Diva de Oliveira Vieira. Esposa do Pr. Francisco José Vieira, deixou oito filhos (Melki, Abadia, Zilá, Enos, Asenate, Ângelo, Marcos e Jucélia), vinte netos e sete bisnetos. Para quem a conheceu sabe que ela exerceu com esmero o dom da hospitalidade. Dessa forma, ao longo de sua existência pode agregar em sua casa inúmeras pessoas. Gente que é testemunha viva de sua fé em Cristo, e de seu compromisso com o Reino de Deus. Com certeza, ela combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé.
O casal foi responsável pela plantação de várias igrejas no estado de Rondônia, onde foi uma das famílias pioneiras.
O Espírito Santo consola toda a família com estas vigorosas e verdadeiras palavras de Jesus:
E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia. Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 6:39-40)
Pr. Josiel Peixoto, genro e superintendente da Convenção Sul Matogrossense

Pontos aprovados em JGD

Extrato da Ata da Reunião da Junta Geral Deliberativa da Igreja Adventista da Promessa, realizada nos dias 25 e 26 de novembro de 2009, na Estância Árvore da Vida, Sumaré -SP. 

Dia 25


PONTO 085:
 LIBERAÇÃO DE UM DOMINGO POR MÊS PARA DESCANSO PASTORAL. O Departamento Ministerial solicitou que a Junta Geral Deliberativa autorizasse a liberação um domingo por mês para o descanso pastoral, com a possibilidade dele se ausentar do culto nesse dia. O pastor Hermes Pereira Brito disse que os pastores têm dificuldade em desfrutar do descanso na segunda-feira com a própria família.  O pastor Efraim Silvino Teixeira disse que para a maior parte dos pastores a segunda-feira não é dia de descanso: é dia de solidão, pois o pastor não pode contar com a família nesse dia.
ECISÃO: A proposta do DEMI foi aprovada.

A “perfeita” esposa de pastor

Como lidar com a expectativa da igreja, diante de uma mudança

Ninguém é capaz de dar o melhor de si, se o seu coração não estiver envolvido. E nesse caso, o envolvimento de que estamos falando é com a obra do ministério. O que se passa no coração de uma esposa de pastor quando tem que mudar de campo pastoral? Como lidar com essa situação?
Precisamos entender o chamado pastoral do esposo e acompanhá-lo. Parece fácil mas não é. No entanto, quando acontece essa mudança, a esposa do pastor vai para a nova igreja trazendo dentro do seu coração muitas esperanças verdadeiras e falsas. Ela sabe que está sendo analisada em todos os aspectos, bem como sua prole, e isso gera um misto de ansiedade, apreensão, tensão, nervosismo e insegurança; se será bem recebida, amada ou desprezada.
Muitos da igreja esperam que ela seja a pastora auxiliar, esperam que ela tenha uma grau de santidade invejável, esperam que nunca se queixe, que seja mãe exemplar, assídua nos cultos e reuniões, que nunca fique doente. Que seja ativa ( líder das mulheres, dada ao ensino, regente do coro, professora das crianças), bom exemplo em tudo, dona de uma grande maturidade espiritual e emocional, mulher de oração, boa conselheira, evangelista e viva à disposição da obra do Senhor em tempo integral e não ouse ter um trabalho remunerado – “ a mulher perfeita”.
O problema se instaura quando a igreja pensa que a esposa do pastor precisa fazer tudo na igreja para demonstrar seu compromisso com Deus. Mas compromisso com o Criador não se baseia em ativismos que levam a um verdadeiro esgotamento físico e mental. A esposa do pastor precisa ter uma vida íntima com Deus, procurando entender qual a vontade dEle para a sua vida; ela sabe que seu papel como esposa e mãe é primordial e não deve negligenciar isso. Deve buscar a cada dia crescer espiritualmente em comunhão com Ele pois somente assim conseguirá enfrentar as pressões ministeriais, com a graça divina por meio da oração.
Toda esposa de pastor recebe seu dom do Espírito Santo assim como qualquer crente e precisa desempenhá-lo para edificação do corpo de Cristo, sabendo que não deve se preocupar em trabalhar em todas as áreas da igreja porque é esposa do pastor, pelo contrário, deve desenvolver seu ministério assim como cada membro em Cristo Jesus e fazer sempre o melhor que puder.
Ela deve ser uma pessoa autêntica que busca a felicidade de sua família e a estabilidade do seu casamento. Muitas sentem-se satisfeitas com as congregações e abraçam a causa trabalhando ombro a ombro com seu esposo. Outras mulheres, no entanto, jamais se sentirão satisfeitas com as novas igrejas e vão se manter inativas, dando lugar a críticas que geram frustações, tristezas e até depressão.
Em Pv.15.22 lemos: “Onde não há conselhos fracassam os projetos, mas com os muitos conselheiros há bom êxitos”. Então fica a dica: a instrução primordial para a esposa de pastor é viver aos pés do Salvador; é ali onde a esperança traz alívio ao sofredor, é ali onde se encontra a fonte do amor, pois o melhor lugar do mundo é aos pés do Criador.

Zildelí Ferreira do Carmo Del Pozzo Dsa. Zildelí Ferreira do Carmo Del Pozzo congrega na IAP em Vila Kéllen (Campo Grande – MS) e atua no Ministério de Vida Pastoral – Convenção Sul Matogrossense

Perdendo o rumo

Nove sinais que servem de alerta para todo pastor
Paul David Tripp, em seu livro “Vocação Perigosa”, dentre tantas questões importantes sobre a vida pastoral, trata de alguns sinais de como um pastor pode se encontrar em perigo e até mesmo questionar sua vocação pastoral.
*Primeiro*, ele ignora a evidência clara de problemas. Não vê ou encontra em si mesmo problemas. Justifica dizendo que o que lhe ocorre é causado pelas circunstâncias ou mal entendidos.
*Segundo*, vê e trata o problema dos outros, mas não os seus próprios, até porque não encontra problemas em si. É a questão do lado obscuro da liderança.
*Terceiro*, falta de vida devocional. Ter capacidade de interpretar textos (hermenêutica), pregar bem (homilética) e conhecimento teológico não significa ter vida íntima com Deus. O que motiva, traz perseverança, humildade, amor, paixão e graça é a vida devocional. É ter um relacionamento com a Palavra, e com o Deus da Palavra.
*Quarto*, não pregar o Evangelho para si mesmo. É não descansar na graça salvadora e consoladora do Evangelho libertador de Cristo. E começar a buscar realização e identidade nas coisas e pessoas, de forma messiânica. Isso gera autodefesa, autocomiseração e mágoas. Só Jesus é nosso Salvador.
*Quinto*, não ouvir as pessoas mais próximas. Sempre há pessoas conversando com pastores sobre seu comportamento e de como trata os outros, e isso deve levar à ponderação e mudança de atitudes. É preciso humildade da parte dos pastores para isso. Pastores são humanos e falhos. Não adianta sublimar os erros.
*Sexto*, o ministério começa a tornar-se pesado demais. “O impacto de todas essas coisas juntas é que você descobre que o seu ministério é cada vez menos privilégio e alegria e cada vez mais peso e dever”.
*Sétimo*, começar a viver em silêncio. O pastor começa a se isolar como um mecanismo de defesa. Porém a vida cristã é comunitária e orgânica.
*Oitavo*, o pastor questiona sua vocação. Cogita que realmente não foi vocacionado para o pastorado, coisa essa que não pensava há tempos atrás.
Por fim, pensa em abandonar o ministério. Alimenta em seu coração exercer outra atividade à parte da vida pastoral.
Paul David Tripp reconhece que nem todos esses sinais possam se evidenciar. Reconhece também que esse processo é mais comum do que parece. Sua preocupação é com a cultura das igrejas, que permite que essas coisas estejam acontecendo com seus pastores, sem que seja visto e tratado.
“Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus”. (At 20.24)

Pr. Robson Rosa Santana

Por que pastores se suicidam?

Não podemos ignorar nossas fragilidades da alma
 
 “Chama-se suicídio a toda morte que resulta mediata ou imediatamente de um ato positivo ou negativo realizado pela própria vítima.”
(DURKHEIM, Émile. O suicídio: estudo de sociologia. Tradução Andréa Stahel M. da Silva. São Paulo: EDIPRO, 2014. Págs. 13-15 e 391.).
Por que se suicidam os cristãos-evangélicos?
Nunca havia passado em minha vida a possibilidade de um evangélico tirar a própria vida, muito menos ainda um pastor. Isto porque em minhas observações pessoais e particulares costumava a comparar o instinto de vida do homem com os das demais espécies e, nessa comparação observava que este instinto em nós é muito mais evoluído do que nas outras espécies.
Por outro lado, também, observei, em minha leitura pessoal, que esse instinto de vida poderia ser profundamente danificado, corroído, destruído, por uma intervenção maligna (possessão diabólica): “O ladrão, vem pra matar roubar e destruir…” (João 10:10). Particularmente, já lidei com pessoas que tentaram suicídio que estavam literalmente possuídas por demônios.
Em se tratando, pois, de evangélico, que é assim, porque conhece na experiência própria a Maravilhosa Graça e as Escrituras, isso tudo nos levaria à impossibilidade de tal ato violento para conosco mesmo e para com a sociedade.
Porém, ainda com a constatação inequívoca de que gente crente-evangélica, ou ainda mais, líderes evangélicos também cometem este ato de violência, isso me causou uma grande dificuldade de compreensão. Primeiro, porque de uma forma geral, o suicídio aponta que quem comete esse ato, o faz também como revolta a própria sociedade, e no ato teológico entendo que tirar a vida seja, indiretamente, também, um ato violento contra o Autor da vida. Segundo, causa-me espanto, também, que evangélicos se suicidam porque ele tem em si a presença do Espírito Santo e, que, portanto, o maligno não tem o poder de possuir as suas mentes. Para mim, então, estes dois argumentos, eram suficientes para assegurar que uma pessoa serva de Cristo jamais cometeria conscientemente o suicídio.
Mas, o dilema, em relação aos irmãos da verdade da fé, que tiraram suas vidas fez-me a reler as Escrituras e constatar, que mesmo indivíduos que tem o temor de Deus, também, correm o risco de desistir da vida. Vemos Elias esgotado de suas lutas contra as trevas espirituais, escondido numa caverna, na qual Deus vê seu esgotamento e providencia o seu sucessor. E um outro personagem, Jonas, depois de longa jornada exaustiva de pregação declara: “Peço-te, pois, ó Senhor; tira-me a vida, porque melhor me é morrer do que viver”. (Jonas 4:3).
Em Elias e Jonas podemos observar um esgotamento tanto espiritual quanto emocional. Nessas circunstâncias, fica implícita a desistência da vida. Por conseguinte, entendo, hoje, que nossos esgotamentos físico-emocionais (psicológicos) como também os espirituais podem nos levar de modo enfermo ao suicídio.
E quais ainda seriam as outras razões pelas quais um pastor tiraria a própria vida?
1º.) Por não atender às exigências de santidade e pureza, tanto por ele ensinada e exigida das suas ovelhas.
Na maioria das vezes não temos um relato explicito dessa razão, porém, quando  aparece vem do resultado de não atender às exigências de santidade e pureza, tanto por ele ensinada e exigida das suas ovelhas e porque agora é ele o transgressor e a vergonha se tornou insuportável por ele, diante de sua família que o tinha como exemplo, diante da sua igreja que o tinha como ícone da santidade e pureza.
2º.) Por uma compreensão teológica, ainda deficitária, no que diz respeito à doutrina do perdão divino
 O desejo de morte, pode ocorrer também ao pastor, por uma compreensão teológica, ainda deficitária, no que diz respeito à doutrina do perdão divino. Ao bem da verdade, Deus exige mais, porém, “onde abundou o pecado superabundou à graça” (Rm.5:20b) e em meio ao esgotamento psicológico e espiritual essa convicção fica horrivelmente enfraquecida.
3º.) Categoria Pastoral Competidora
Em terceiro lugar, ainda que não oficialmente, mas pouco se fala ou se trata de pastores feridos em nosso meio. É comum eles serem convidados a se retirarem. Por outro lado, segue a fama de difamação de outros colegas numa tentativa estranha de afogá-lo cada vez mais na lama em que entrou, pisando mais e mais sobre suas cabeças (talvez seja esse o único momento em que alguns crescem ou aparecerem no cenário denominacional). Este motivo então, pode contribui para a o seu autoflagelo final.
4º.) Ignorar a nossa fragilidade às doenças da alma
É preciso compreender que somos tão seres humanos quanto os demais, sujeitos às mesmas chuvas e tempestades da vida. E, em relação à depressão, não é difícil identificar na mídia as informações de suas causas, sintomas e os seus prognósticos.
A questão, hoje é: Como podemos trabalhar para minimizar o número de líderes que acabam desistindo da sua própria vida? Minha sugestão é que em primeiro lugar sejamos humildes e reconheçamos que em nossa denominação não somos tão autossuficientes assim. Costumo dizer que os muros de Jericó foram derrubados não apenas com o serviço de uma tribo, mas de todo o povo de Deus. Daí, proponho uma aproximação com grupos que já há algum tempo, investem profundamente na área de cuidados da liderança eclesiásticas.
ABPP (Associação Brasileira de Pastoreio de Pastores) em uma estatística comprovou o motivo da solidão pastoral, que para mim, também é um das causas fundamentais do suicídio, mostrando em sua pesquisa que pastores não buscam ajuda por alguns dos itens abaixo:1
1º.) Dificuldade de confiar nos outros (88%)
2º.) Falta de tempo (68%)
3º.) Falta de motivação ou visão (49%)
4º.) Não sentir a necessidade (32%)
5º.) Dificuldade de encontrar um mentor (27%)
6º.) Falta de uma estrutura que encoraje isso (25%)
Sem analisar os resultados, mas fazendo apenas um destaque vê-se que o primeiro motivo, que causa a solidão pastoral e as suas consequências é a falta de confiança nos outros, caminho para as consequências nefastas.
Creio, que precisamos nos equipar em cuidados profiláticos e tratamento dos colegas já adoecidos.
Que Deus tenha misericórdia de nós e que nós tenhamos misericórdia uns dos outros. Como está escrito: “Sede misericordiosos como é misericordioso o vosso Pai Celestial” (Lucas 6:36)
Joel Baptista de Souza, pastor da 1ª Igreja Batista da Enseada no Guarujá (SP), formado em Psicologia pela Universidade Católica de Santos

Cristocêntricos, sempre!

O maior erro de um sermão não está na estrutura mas na falta de referência clara à pessoa e obra de Cristo

“E começando por Moisés e todos os profetas, explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras. ” (Lucas 24.27)
O contexto mostra que Jesus havia ressuscitado e dois discípulos caminhavam tristes, da cidade de Jerusalém para a aldeia de Emaús. A razão era por não compreenderem e experimentarem ainda, a alegria da Ressurreição do nosso Senhor. (Lc 24.13-17). Foi quando Jesus aproximou-se deles e, após ouvi-los, ministrou-lhes sobre a importância da Sua morte e ressurreição, baseando-se nos escritos de Moisés, o Pentateuco, em todos os profetas e em todas as demais Escrituras, possível referência aos Livros Históricos e Salmos.
A Bíblia, apesar de ter sido escrita por mais de 40 escritores, de posições sociais diferentes; de estarem separados por mais de 1.500 anos entre Moisés, o primeiro e João, o último; de ter sido escrita originalmente em três idiomas – o hebraico, o aramaico e o grego, em três continentes – África, Ásia e Europa; de possuir internamente 66 livros, mas, por milagre de Deus, é inerrante, possuindo apenas um enredo principal, uma única história prevalecente, uma árvore de apenas um caule, um único rio transbordante de graça, que é Jesus, o Cristo. Toda linguagem tipológica das Escrituras Sagradas culmina no Filho de Deus.
Por isso, nossos ensinos e pregações não podem fugir deste padrão. Para sermos, de fato, um povo “evangélico”, não devemos deixar de pregar os detalhes do “Evangelho”, que é a Humanização, os Ensinos, a Morte, a Ressurreição, a Ascensão e Segunda Vinda de Cristo. O que jamais conseguiríamos por nós mesmos, Cristo fez por nós, o qual aceitamos pela fé e nos é doado gratuitamente, sem merecimento da nossa parte.
O exemplo do próprio Cristo, ao aquecer o coração dos dois discípulos na estrada de Emaús, foi embasar a Si próprio nas Escrituras. E mesmo antes da cruz afirmou: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito. ” (Jo 5.39).
Nossas mensagens não devem ser apenas bíblicas, mas Cristocêntricas, ou seja, Cristo no centro. Por exemplo: Se pregarmos sobre Davi, no episódio em que derrotou o gigante Golias (1 Sm 17) estaremos sendo bíblicos, mas temos que ter o cuidado de não pregarmos apenas algumas partes com conteúdo de autoajuda. Ou ainda, Davi, um jovem que apenas mata um gigante, fazendo dele um herói. Porém, se conectarmos esta história à espinha dorsal de todo panorama bíblico que é Jesus, estaremos pregando o Evangelho. Os Filisteus estavam oprimindo a nação de Israel. O gigante Golias estava desafiando as tropas Israelitas. E, não havia alguém capaz de lutar com ele. Até que veio Davi, que não aceitou as armaduras de Saul, que foi no poder do Espírito de Deus e em nome do Senhor dos Exércitos, e com apenas uma pedra o derrotou. Satanás e os pecados também atacam, oprimem, roubam a paz, e não apenas de uma nação, mas de toda a humanidade. E não há nenhum ser humano capaz de derrotá-lo, pois todos pecaram (Rm 3.23).
Até que veio Jesus, o “Filho de Davi”, que viveu humildemente entre nós, em completa santidade, que não aceitou armadura ou ajuda externa, e venceu todas as forças do mal, todo pecado, escravidão e temor. E não com uma pedra, porém, pelo Seu sangue na cruz: “Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões; e, tendo despojado os poderes e as autoridades, fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz. ” Cl 2.13 e 15 e ainda: “quanto mais, então, o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu de forma imaculada a Deus, purificará a nossa consciência de atos que levam à morte, de modo que sirvamos ao Deus vivo! ” – Hb 9.14. Quando fazemos isso, pregamos o Evangelho. Cristo é glorificado.
O maior erro homilético não são as divisões de um sermão, as frases de transição, as concordâncias e palavras pronunciadas de forma errada, mas, a falta de referência clara à Pessoa e Obra de Cristo. Jesus é o alvo de todo o universo e de toda a história e deve ser de nossos ensinos e sermões. O que mais as pessoas precisam é de Cristo. A maior missão da Igreja é falar incansavelmente da cruz do nosso Senhor. Quando o fazemos, acertamos porque pregamos o Evangelho. Quando omitimos, erramos. Não esqueçamos jamais que Jesus Cristo é o nosso tudo.

Pr. Elias Alves Ferreira congrega na IAP em Boqueirão (Curitiba – PR) e integra a equipe do Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral.

Como a luz da aurora

Brilhar cada vez mais, num mundo corrompido pelo pecado, nem sempre é fácil, mas o espetáculo vale a pena!

Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. (Provérbios 4:18)
A Bíblia diz que nosso caminho é como a luz da aurora, o nascer do dia, brilhando mais e mais, até ser dia perfeito. Não é de repente, mas vale a pena! Para Deus, o espetáculo é lindo, porque ele está nos tornando cada dia mais brilhantes para Ele, muito embora a gente, às vezes, não entenda. Pode ser que a gente reclame, porque o caminho nem sempre é tranquilo e suave, mas o resultado – Deus sabe – será, um dia, radiante!
Ele está nos aperfeiçoando pela santificação, até que Jesus volte.
Mas como viver, neste mundo mau e perverso, sendo de fato, como a luz da aurora, brilhando mais e mais? No contexto do capítulo 4 de Provérbios, Salomão está nos dando um precioso conselho: adquira a sabedoria, o conhecimento!
“Se precisar, venda tudo e compre a sabedoria! Procure entendimento! Agarre-a com firmeza – acredite, vc não se arrependerá… ela fará sua vida gloriosa – cheia da indescritível e maravilhosa graça – enfeitará seus dias com a mais pura beleza.” (versão A Mensagem)
Tantas pessoas vem a nós, como ajudadoras no cuidado com o rebanho. Se somos mulheres sábias, teremos um bom conselho, uma boa palavra.
Quero estimular você a investir nisso! Lembre-se de que Deus está desejando produzir em você: um dia cada vez mais brilhante. Não se acomode à escuridão, queira crescer, queira conhecer mais o Senhor, saia da sua zona de conforto. Sua caminhada com Ele pode ser inesgotável, se você o buscar.
Em Provérbios 4, versículos 23 a 27, Salomão traz conselhos bem práticos para nutrir a sabedoria:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida”. Como está seu coração? Leve ou pesaroso, cheio de fé ou cheio de desânimo? Cheio de perdão ou cheio de ressentimento? Na versão A Mensagem, está escrito: “vigie sempre seus pensamentos, deles depende sua vida”.
Deus é quem tem o poder de limpar, renovar seu coração, se você quiser. Se com sua boca, colocar diante dele o que está no seu coração, Ele tem o poder de limpar, animar, renovar a fé.
“Desvia de ti a falsidade da boca, e afasta de ti a perversidade dos lábios”. Como andam nossas conversas? Será que temos nos alimentado de fofocas, conversas fúteis, que não promovem a sabedoria, pelo contrário, enchem nossa mente do que não é bom? Nossas conversas revelam Deus? No whatsapp, no celular, pessoalmente, na família, com o marido, com os filhos? Quando Deus nos observa, Ele se alegra com o que falamos, porque nossas conversas são sempre permeadas pelos valores eternos?
“Os teus olhos olhem para a frente, e as tuas pálpebras olhem direto diante de ti.” O que estamos colocando diante de nossos olhos são opções sábias? Estamos assimilando conteúdo relevante para nossa vida ou perdemos tempo assistindo programas na TV que nada edificam? Em nossos dispositivos móveis, o que temos assistido? Os vídeos são tão enriquecedores que queremos compartilhar ou ficamos vendo piadinhas tão discriminatórias que não queremos que Deus veja! No que temos colocado nossos olhos?
Será que temos colocado nossos olhos cobiçando algo que não é nosso? A casa, a roupa, o homem que não é nosso! Será que não temos sido tentadas pelo que estamos olhando?
Sejamos sábias no olhar. Podemos e devemos discernir o que assistimos, o que vemos, o que compartilhamos.
Salomão encerra os conselhos para adquirir a sabedoria, dizendo: “Pondera a vereda de teus pés, e todos os teus caminhos sejam bem ordenados! Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.” A versão AM diz : “que o chão que pisar seja bem firme”. Você já pisou em terreno escorregadio? Não sentimos firmeza, temos medo de cair. Não ande por um caminho assim. Ande pelo caminho que Deus conduz você! Esse será firme, independente da adversidade. Poderá ser difícil em algum momento, mas estará firme, porque é o caminho que Deus está guiando, não um atalho que você pegou.
“Não olhe para a direita nem para a esquerda”. Tantas coisas confrontam nossa fé, querem nos fazer desviar o olhar de Deus. O inimigo usa muitas armas para nos fazer desistir de Deus, da fé em Cristo, do ministério.
Talvez você já tenha pensado: “por que mesmo aceitei o chamado do Senhor, para passar por isso?”; “por que mesmo me dedico tanto às pessoas para receber isso em troca?”; “como parece que as pessoas à minha volta parecem mais felizes, mais completas?”
Lembre-se: seu caminho é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser dia perfeito. Deus sabe exatamente o que faz em sua vida, Ele jamais erra.
Busque a sabedoria no Senhor. Quanto mais você buscar, mais sede terá dele. Isso a fará passar pelos períodos de tribulação de forma menos difícil, porque você olhará para Ele, o autor e consumador de sua fé.

Dsa. Lilian Mendes congrega na IAP em Vila Maria a integra a equipe do Ministério de Vida Pastoral (MVP).

Fora da caverna

Lá está a jornada mais importante de nossas vidas

Em I Reis 19.11-12, lemos: “E Deus lhe disse: Sai para fora, e põe-te neste monte perante o Senhor…”
Por vezes, em nossa caminhada, enfrentamos situações difíceis e dolorosas. E somos tentados a achar que estamos sozinhos e esquecidos por Deus. O profeta Elias vivenciou esta situação. Escondido no interior da caverna, ele lamentava a injustiça que estava sofrendo e o sentimento de abandono tomou conta de seu coração.
O lugar perfeito para Elias era o aconchego que encontrou na caverna, mas o lugar que Deus queria que ele estivesse era do lado de fora…
Em tempos cavernosos, Deus quer nos falar, mas por vezes estamos fechados em nossas emoções e não conseguimos ouvi-lo. A nossa razão está aberta para a fé, mas as emoções estão fechadas para o agir de Deus.
Conhecemos a Palavra, no entanto não desenvolvemos em nós o que ela ensina… “Entrega tuas preocupações ao Senhor! Ele te sustentará; jamais permitirá que o justo venha a cair.” (Sl.55:22)
Deus nos chama para sair do lugar perfeito, que achamos ter no fundo da alma para nos esconder e ir para onde Ele está: fora da caverna… Lá está a jornada mais importante de nossa vida.
Elias tinha cumprido com sucesso sua missão, mas após encontrar-se com Deus fora da caverna, sua vida tomou um novo rumo e Deus deu a ele um recomeço.
Deus quer tratar nossas emoções…
1. Descubra o que coloca você para baixo.
2. Quais os sentimentos que permanecem em seu coração e que precisam do tratamento divino. O Espirito Santo ajudará você a superá-los e a pensar nas coisas do alto.
3. Deus tem para você uma linda jornada fora da caverna!

Ilma Souza, ministra de Educação Cristã, professora do Seminário Betel Brasileiro, membro da equipe de Mulheres em Ministério/SP, esposa de pastor na Primeira Igreja Batista da Enseada no Guarujá (SP).