Pedido de oração

Vamos interceder pelo Pr. Ozias, da Convenção Norte

É hora da igreja clamar a Deus pelo Pr. Ozias Vaux Braga Dias, vice-superintendente da Convenção Norte. Aos 42 anos, foi diagnosticado há poucos dias com leucemia aguda. Está internado em Belém, aguardando transferência para um hospital de referência na mesma cidade. O quadro é delicado, mas há tratamento e grandes possibilidades de cura. Mas a fé do servo do Senhor está firmada, acima de tudo, no Deus Todo-Poderoso!
Oremos também pela sua esposa, Vanessa e pela filha adolescente, Clarice, para que tenham paz em meio a esta prova. Abracemos esta família em oração, pedindo o milagre do Senhor!

Inclusão, por favor!

Uma história promessista.
Ela era cadeirante, mas a Igreja não tinha rampa.
Ela não tinha família crente, mas tinha uma cadeira de rodas.
Ela era uma criança, mas a fé nasceu em seu coração.
E agora então, como vai ser?
Todo sábado, bem cedinho, o irmão Zé levava sua família para a igreja, deixava a esposa e filhos no pátio e já vinha o irmão Dito se oferecendo pra ir junto no carro… E  assim seguiam no trajeto, toda vez na maior prosa falando sobre a vida, sobre o tempo, sobre as notícias do dia a dia e, entre um papo e outro, algum sempre dizia “É final dos tempos, irmão!” … “Ôhh, si é!”. Após manobrar naquela mesma rua mal asfaltada, chegavam na pequena viela onde os moradores, costumeiros, já diziam: “ô gente, os irmãos da igreja já chegô!”
Ah! Que belo sorriso se via ao ouvir esse anúncio, pois na casinha lá de baixo, nos fundos da viela, aguardava Maria, toda arrumadinha, feliz com a chegada das visitas tão esperadas. O irmão Zé – o mais forte da igreja- pegava Maria no colo pois precisava subir uma longa escadaria até chegar ao carro, enquanto isso o irmão Dito lançava mão da cadeira de rodas e, sem nenhum constrangimento e com largo sorriso, se despedia dizendo “Não se preocupe dona Zefinha que a gente cuida dela direitinho”.  Pois bem, lá ia Maria, sorrindo e acenando pra todo mundo, convidando vizinhos e amigos pra irem pro culto (e muitos, de fato, ela levou!). Logo chegavam no portão da igreja e outros irmãos, de prática, armavam rápido a cadeira. Agora, com todos juntos, a celebração começou. E assim o tempo foi passando, às vezes chovia, às vezes ventava, às vezes o carro quebrava. Mas, sábado após sábado, aquela igreja se organizava, e sempre Maria estava, raramente ao culto faltava. Mesmo que tivesse eventos ou outros movimentos, os irmãos daquela comunidade não concebiam ficar sem sua irmã querida, buscavam soluções e lá estava Maria, pois em tudo a incluíam, e do todo fazia parte.
Maria cresceu, se batizou, casou, se tornou mãe, e mesmo em meio a lutas e adversidades, com apoio dos irmãos de sua comunidade, segue firme na caminhada da fé, testemunhando sobre o Deus que mudou a história de sua vida.
 
Aquela igreja não tinha rampa, mas tinha Cristo.
Aquela menina não tinha família crente, mas encontrou irmãos pela cruz!
Aquela igreja não tinha rampa, mas tinha a Luz!
Aquela igreja é a Igreja de Jesus.
 
E na igreja de Jesus é assim que deve ser.
Seja a igreja de Cristo, e onde quer que você for, a inclusão irá com você.
 
*uma história baseada em fatos reais ocorridos numa igreja Adventista da Promessa.
Escrito por Juliana Menezes Duque José, enfermeira, casada com o Pastor Felipe José, mãe do Pedro e do Samuel. É líder da Secretaria de Inclusão da Igreja Adventista da Promessa e serve a Cristo na Igreja do bairro de Santana, São Paulo – SP, como líder do Ministério de música.

10 motivos pelos quais devemos orar por nossos filhos

“Os filhos são como flechas nas mãos do guerreiro ” Salmo 127:4
Popularmente ouvimos que não criamos filhos para nós mesmos. Pensando no salmo acima, de fato, isso é verdade! Filhos são como flechas: não permanecem nas mãos do guerreiro, mas se bem lançadas, alcançam o alvo.
Muitas são as expectativas que todo pai/mãe tem com relação aos filhos. E a insegurança concernente aos métodos utilizados na criação, formação e orientação oferecidas a eles, ao longo da vida, fazem parte das preocupações paternas. Da maternidade à idade adulta, sempre nos sentiremos responsáveis por essas vidas tão parte de nós.
A Palavra de Deus nos diz que “filhos são herança do Senhor” (Salmo 127:3). Entendemos herança como algo de valor que nos é deixado…e que deixamos, também, com o objetivo de que seja bênção à sua geração!
Aprendemos com o próprio Deus que, se ensinarmos nossos filhos, o quanto antes, em qual caminho devem trilhar, mesmo quando envelhecerem e quando não mais estivermos por perto, essas orientações estarão vivas em suas mentes (Prov. 22:6).
Nos preocupamos com muitas coisas, mesmo quando a maioria delas nem está ao nosso alcance garantir aos filhos, mas é certo que nada é mais primordial que a oração, entregando nossos filhos nas mãos do onipotente e amoroso Deus. Afinal, tudo que não podemos fazer, o Altíssimo pode e muito além do que pedimos ou pensamos (Efésios 3:20).
Somente o Senhor pode, de fato, proteger, abençoar e livrar. Pode nossa preocupação mudar alguma coisa? A resposta é ‘não’! Mas há algo que tem o poder de alterar qualquer circunstância a favor de nossos filhos: a ORAÇÃO ao único Deus, conforme aprendemos na bíblia, em Nome de Jesus, Nome que é sobre todo o nome! (Fil. 2:9)
Oremos por situações que conhecemos e por aquelas que sequer sonhamos! Oremos pelo presente e pelo futuro! Oremos para que a “boa, perfeita e agradável vontade de Deus” se concretize na vida de nossa Herança!
Motivos para orar por seu filho e por sua filha:
1. Ore para que cresça e se desenvolva perfeitamente, permanecendo com saúde física, mental e emocional;
2. Que reconheça a Deus como único e soberano, buscando sempre em Sua palavra, as direções da vida;
3. Que se veja como alguém único, idealizado por Deus, amado de Deus, alguém por quem Jesus morreu! Que entenda seu próprio valor, não caindo nas armadilhas da vida;
4. Que saiba fazer boas escolhas, das companhias e amigos, à profissão e cônjuge, sendo sempre dirigido pelo Espírito Santo de Deus em todas as suas decisões;
5. Devemos orar para que saibamos imprimir em nossos filhos o caráter de Cristo e que tenham o temperamento controlado pelo Espírito Santo de Deus;
6. Que entenda que nosso Senhor é Deus de Aliança e que se agrada disso! Que, em toda sua vida, sempre encontre bons e especiais amigos, servos verdadeiros de Deus, que tenha sempre com quem contar e que, da mesma forma, saiba ajudar os que precisam. Que seja alguém que se doe pelo outro, cumprindo seu papel, representando Cristo na terra;
7. Que, ao longo de toda sua vida seja semeador de justiça, que aja com virtudes para com os outros e para com o mundo e que, assim, colha o bem;
8. Que saiba cuidar de tudo que lhe vier às mãos, inclusive de si mesmo! Que tenha responsabilidade com seu próprio corpo e que administre com sabedoria tudo quanto o Senhor lhe entregar, fazendo o que lhe couber com excelência, sendo relevante em sua geração;
9. Que sua fé seja inabalável! Que, em cada obstáculo da vida, saiba buscar a direção e sabedoria de Deus, reconhecendo que todas as coisas, no final, contribuem para o bem. Isso o tornará forte!
10. Ore para que sua vida seja entregue a Cristo. Que seu nome esteja escrito no livro da vida e que ouça Jesus dizer em alto e poderoso som: “Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que foi preparado a vocês desde a criação do mundo.” (Mt. 25:34 NVI)
Por Simone de Macedo Bastos da Silveira, graduada em Letras e Pedagogia, especialista em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação (PUC-SP), Coordenadora Pedagógica, casada com Álvaro Augusto da Silveira, mãe da Vanessa e Fernanda. Congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP.

Dicas da lição 12 – Promessistas de mãos dadas

[Legenda para o Facebook: Atenção, professores de EB! As dicas da lição trazem algumas ideias para dinamizar sua aula: chuva de ideias, mapa mental e infográfico. Confira no link]
 
Dica um: Chuva de ideias
(Ideal para a Introdução)
Ao iniciar a lição, faça uma “chuva de ideias” com sua classe. Pergunte a ela “Quais são as 31 doutrinas bíblicas promessistas”. Vá anotando em um quadro, ou peça que enviem no WhatsApp. Você terá um panorama sobre o conhecimento que seus alunos (as) têm de O Doutrinal. Enfatize a importância de conhecer as doutrinas, pois elas são o “fio condutor” da unidade promessista.
 
DICA DOIS: Mapa mental
(Utilizar durante a explicação dos 4 itens da lição)

 
Como a lição 12 “PROMESSISTAS DE MÃOS DADAS” é um resumo das crenças bíblicas promessistas, utilize para dar facilidade na exposição do assunto, o mapa mental abaixo. É interessante exibir a imagem no data-show e/ou WhatsApp. Nela se tem os temas que os 4 tópicos do estudo tratam.
 
DICA TRÊS: SORTEIO DE BÍBLIA E “O DOUTRINAL”
Após a parte explicativa da lição, sorteie uma Bíblia e um “O Doutrinal” para sua classe. Sugira leituras coletivas ou grupos de estudos para que essas crenças, que unem os promessistas, sejam estudadas ou para serem relembradas E/ou para serem aprendidas.

Mantenha tudo Sob Controle!

Já aconteceu com você de perder o controle em determinada situação? E até mesmo não querer mais continuar? Principalmente nesse período de pandemia em que você teve que assumir diversas tarefas com as quais não estava acostumada? Então, continue esta leitura a partir de uma ótica do controle de Deus.
Saiba que o controle exercido por Deus nos dá a paz que precisamos, diante de todas as circunstâncias da vida, pois Ele mantém a ordem no universo. Pela fé, compreendemos que o universo foi criado por Deus e tudo o que nele existe (Hb 11.3; At 17.24), nisto observamos que em tudo Deus está presente, cuidando da desordem criada pelo homem em um mundo organizado por Ele. Encontre nele direção para controlar suas emoções, sentimentos, impulsos, ansiedade e medo.  Afinal, “ter a gestão dos nossos sentimentos é muito importante para que possamos nos compreender melhor, ressignificar as sensações ruins e respeitar os próprios limites em diferentes situações” .
Jaynes em seu livro “Surpreendida pela Glória” (Jaynes, 2015) explica sobre os sentimentos que inquietam nossa vida, principalmente nos momentos em que estamos esgotadas. Ela os compara como um anseio por algo mais, que na verdade são sensações que temos quando precisamos parar tudo o que estamos fazendo e apenas deixarmos Deus nos surpreender com seus cuidados, esses ela descreve como “momentos de glória”.
Não precisamos nos desgastar, o Deus do universo sempre está disposto a nos surpreender com seus cuidados. Também não precisamos carregar tudo nas costas como se fossemos heroínas. Deixe Deus surpreendê-la!
Ele me surpreendeu diversas vezes. Quando entramos no ministério pastoral, passei a me dedicar à família e igreja, mas continuei tentando manter o controle de tudo, pois era o que eu sempre fiz. Porém, tudo que eu procurava resolver, da minha maneira, não dava certo. Perguntava para Deus todos os dias se eu havia feito a escolha certa, de deixar tudo por Ele, porque tudo dava errado. Lembro que, em todas as vezes que me abri verdadeiramente a Deus, e O deixei assumir o controle,   Ele agia e me surpreendia com seus cuidados, das mais diversas formas inesperadas. Demorei para perceber isso!
Hoje sei que a partir do momento em que eu e minha família decidimos trabalhar para Ele, com certeza assumiu o controle de tudo relacionado a nós, e não eu.
Certa vez recebi uma estudante em minha casa, que vendia doces para pagar os estudos e ela se ofereceu para fazer uma oração, sem mesmo nos conhecer e em um trecho de sua oração disse: “Pai, assim como eles cuidam daquilo que é teu, cuida de tudo que é deles”.
Até hoje Ele me surpreende com seu controle e cuidado com minha família.  Como bem constatou Ribeiro, “O Soberano não perde a soberania, o Soberano não está atado pelas leis humanas”, (RIBEIRO, 2006, p.19).
Então cabe a você, tomar a atitude e fazer a decisão certa que é entregar a Deus o controle do tempo, da rotina e da vida e descansar em seus braços de amor. Deixe Deus surpreender com o que tem para sua vida e assumir o controle!
 
Texto escrito por Eula Paula Basto de Araújo, esposa do Odeir pastor da IAP de Piracicaba, mãe da Julia. Integra a equipe do Ministério de Ensino da Convenção Paulista. Cursa Letras e MBA em Gestão Escolar e é formada   em Gestão Empresarial e Teologia.
 
REFERÊNCIAS:
Bíblia de Estudo NTLH. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.
DAWKINS, Richard. Deus, um delírio. Companhia das Letras, 2019.
JAYNES, Sharon. Surpreendida pela Glória. Tradução de Maria Emília de Oliveira. 1. ed. São Paulo: Mundo Cristão, 2015.
RIBEIRO Renato J. Hobbes; HOBBES, R. O Medo e a Esperança. WEFFORT, Francisco C.(organizador). Os Clássicos da Política, v. 13, 2006.

Um joelho de ouro para correr! Inspire-se nessa história de superação.

Por peraltice, em 1997, me acidentei com uma tonelada de chapa de aço galvanizada. Na época estava com 19 anos e no 2º ano da faculdade. O acidente foi terrível e lesionei apenas “partes moles” (ligamentos, tendões e meniscos) de meu joelho direito, além de me livrar de uma hemorragia interna, porque havia travado o sangue na safena (uma veia importante da perna).
A primeira cirurgia foi na semana seguinte, depois a segunda em 2000, para uma pequena correção, mas durante esta, apareceram algumas complicações. Em 2001, foram mais duas, já com um médico especializado em joelhos (eu conto como duas, mas o ortopedista me informou que foi uma cirurgia em dois tempos, com intervalo de um mês). Para piorar, durante a fisioterapia, eu simplesmente perdi toda a correção ao tropeçar num buraco, em uma das calçadas do centro de São Paulo.
Em 2002, fui submetida à quinta cirurgia, com milhões de recomendações. Em 2004, surgiu a notícia da sexta operação, foi quando perguntei ao médico se, além da cirurgia, existiria outra possibilidade para uma melhora no joelho. Ele informou  que eu seria uma aluna com frequência permanente numa academia e que calçados com salto alto e exercícios de impactos estariam excluídos da minha vida.
Demorei para tomar a decisão, porém, em 2007, matriculei-me na academia onde estou até hoje!
Depois  vieram os desafios… Um deles é que sempre fui obesa e não ligava para isso, queria apenas evitar mais uma cirurgia e acabar com as constantes dores. Na academia, consegui fortalecer muito o joelho e o médico disse que estava livre  da suposta sexta cirurgia. Voltei a perguntar sobre meus sonhos, se já poderia usar salto alto e correr. Infelizmente sua resposta foi: “ um joelho operado não é o mesmo feito pelas mãos de Deus” e que para estes tipos de desafio eu teria que mudar muita coisa em mim, uma delas era o sobrepeso. Confesso que saí chateada da consulta, naquele dia.
Continuei firme na academia e, pela imensa vontade de correr, iniciei treinos com um personal trainer, compartilhando com ele os meus desafios e alvos. Foi muito difícil dar os primeiros passos caminhando numa esteira, mas depois de algumas insistências, eu já estava trotando!
Em janeiro de 2010, quando vi uma reportagem sobre os últimos colocados da São Silvestre (uma prova de 15Km desafiantes) tomei como meta enfrentá-la em dezembro do mesmo ano. Conversei com minha família e com o treinador, e todos concordaram. Fui conversar com o ortopedista, que ficou muito surpreso com a decisão e passou mais recomendações e tarefas para executar durante o ano: nutricionista, endocrinologista e personal trainer foram sugeridos para o tratamento.
Por alguns anos, eu lutei com o sobrepeso e, com esta meta, consegui perder vários quilos,  juntamente com o “massacre” na academia. Muitas vezes pensei em desistir porque já não tinha mais fôlego para os treinos, ainda bem que eu tinha uma equipe dando força nesses momentos.
Realizei provas de corridas de rua, que foram utilizadas como treino para ter um bom desempenho na São Silvestre.
Finalmente chegou dia e, enquanto eu esperava a largada, meditei nas mudanças ocorridas em minha vida: antes do acidente, era obesa e sedentária e depois estava ali, pronta para cumprir a meta do ano e me tornei corredora de rua, de coração, corpo, alma e joelho.
Consegui completar a prova em 2h02, com muita felicidade, emoção, grata aos profissionais que me ajudaram e o mais importante, muito grata a Deus por permitir a realização deste meu sonho!
Minha mente, que sempre se ocupava com a frase: “não posso fazer nada de atividade física, pois tenho um ‘joelho de cristal’”, agora, por graça divina, foi mudada. Antes, era joelho de cristal, mas agora Deus me deu um joelho de ouro.
Talvez você já tenha conhecido essa minha história, porém ela não parou por aí, mas continuou.
Fiz outras corridas de 10k, 12k, 16k, e em novembro de 2011 conquistei minha primeira meia- maratona ( 21,098Km) , claro que a São Silvestre permanecia no plano de provas a realizar.
Tudo corria bem , treinos de segunda a sexta e algumas provas aos domingos com a convicção de que um dia chegaria a percorrer uma maratona (42,195Km) mas aconteceu algo diferente comigo em dezembro de 2011. Eu já tinha feito minha inscrição para São Silvestre, tudo preparado, porém na véspera do dia 25 de dezembro ocorreu um problema em minha saúde comecei a ter visão dupla no início de cada dia e isso me preocupou, pensei até ser algo muito sério. Consultei os médicos mas como era período de férias,  um deles sugeriu que eu procurasse um neurologista imediatamente.
Estava me sentindo bem, não imaginava ser algo neurológico e procurei uma segunda opinião com um especialista que já conhecia. Ele me fez alguns questionamentos e fiz alguns exames, a vontade de correr a São Silvestre era imensa e eu sentia “apenas  uma visão dupla pela manhã”.
O dia da São Silvestre chegou e eu já tinha agendado uma consulta com um neurologista, afinal, mesmo buscando uma segunda opinião é bom respeitar as orientações médicas para sanar dúvidas, e dia 31 de dezembro levantei ainda com a visão dupla como nos dias anteriores. Esperei o problema melhorar e fui para a são Silvestre. Já estava com o corpo físico preparado para realizar a corrida, mesmo assim  corri com mais cuidado, pois o dia estava com chuva muito forte, mas a alegria de estar numa São Silvestre compensava o banho de chuva.
Após as comemorações da virada de ano, no dia seguinte, além da visão dupla,  comecei a andar sem equilíbrio, pensei que podia ser labirintite, como já tinha a orientação de procurar um neurologista,  fomos ao pronto socorro comunicar toda a situação ao Neurologista de plantão, que me encaminhou para internação. Foi difícil de acreditar, eu achava que estava bem, sem mal estar ou dores, apenas uma visão dupla e falta de equilíbrio. Agradeço a Deus por dar entendimento aos médicos. Seguimos para uma semana de internação, vários exames e uma medicação  forte de “corticosteróides (Solu-Medrol)”. Foram 5 seções de pulsoterapia para a cura dos sintomas.
Após a solução destes sintomas, não causados pela corrida, e esta é a parte feliz, recebi a notícia de que sou portadora de uma doença chamada Esclerose Múltipla – E.M., é uma doença autoimune que afeta o cérebro, nervos ópticos e a medula espinhal (sistema nervoso central). Confesso que fiquei sem rumo, achando que tudo de mim se acabou, meus sonhos e meus planos desmoronaram e o medo tomou conta, sei que eu tenho um único Deus que é o governador da minha vida, Ele tem os planos perfeitos e  estava cuidando de mim, saber disso me ajudou muito para o recomeço.
Iniciei o tratamento com uma medicação chamada “beta_interferona”, cumpri com todas orientações médicas e, claro que não podia faltar, questionei sobre minhas corridas ao neurologista, a feliz resposta foi que eu teria uma vida normal com alguns cuidados e que sim, poderia continuar com corridas, porém com menos intensidade que antes, um dos limites era não aquecer muito o corpo. Desde então, além de ter um ortopedista amigo, passei a ter um neurologista amigo, sempre os mantenho informados sobres minhas corridas e, antes de cada desafio, envio informações e peço orientações. Agradeço a Deus por estes médicos-amigos… sei que dou um pouco de trabalho a eles!
Em 2012 passei por um período de conhecimento do meu corpo com a E.M., realizei as mesma corridas do ano anterior, e num ritmo maior continuei com algumas atividades físicas na academia. Sabia que praticando atividade física iria me ajudar a lutar contra a depressão, pois com a prática da mesma  o nosso corpo produz endorfina (endorfina é chamado de neuro-hormônio que, ao ser liberada, estimula a sensação de bem-estar, conforto, melhor estado de humor e alegria.  Não foi fácil, a cada fim de treino prometia a mim mesma que não voltaria no dia seguinte mas arrumava a mala novamente, caso eu tivesse vontade de ir, como já estava com a mala pronta ia até a academia para ver se dava para fazer algo e, já que estava na academia, por que não fazer alguma coisa? Dessa forma eu não desisti das minhas atividades físicas.
Em 2013, ainda não tinha a segurança sobre minhas limitações, procurei novamente  fazer as mesmas corridas e, o mais frustrante, foi a decisão de parar de realizar provas em maio/2013.
Eu me senti uma perdedora. Mesmo assim continuei com a prática de atividade física.
Infelizmente em 2014 me esforcei para fazer apenas uma única  corrida feminina com minhas amigas. Ao longo destes 3 anos e meio pude entender minhas limitações junto com o  tratamento da E.M. e foi o tempo de recomeçar uma nova história,.
Foram tantos recomeços, porém o mais importante é que Deus nos permite esses recomeços.
No segundo semestre de 2015, comprei um novo tênis de corrida, comuniquei aos médicos que estava voltando para as corridas e fui atrás de uma ajuda profissional para voltar a correr.
Retornei aos treinos de corrida e fortalecimentos musculares,  foram corridas curtas de 5Km e 4Km mas estava animada.
Planejei minhas corridas para 2016, estava focada nos treinos e a E.M. se fez presente. Tive um episódio de surto no final do mês de Fevereiro/16, perdi a visão esquerda, inflamação no nervo ótico, fui para o hospital e fiquei internada por alguns dias para tomar algumas doses de corticóides.
Conversei com o médico sobre minhas atividades e que em duas semanas teria uma corrida,  felizmente o médico não via problemas para realizar esta corrida. Voltei para os treinos e realizei a corrida.
Durante os treinos fui questionada sobre qual seria o meu alvo para o retorno às corridas e respondi que ainda faltava realizar o sonho de correr uma maratona, sonho este que foi interrompido, e que queria realizar este desafio numa prova que havia visto nas revistas de corredores, uma corrida nos Estados Unidos em Orlando. Iniciamos os treinos, foram treinos e provas durante o ano de 2016 e 2017, o plano era para correr a maratona em 2018, mas lesionei de novo o joelho. Desta vez foram necessárias apenas infiltrações de um gel sinovial no joelho e muito fortalecimento. Não parei de treinar e nem de correr, apenas prorroguei a maratona para 2019.
Comuniquei aos médicos (ortopedista e neurologista) sobre a maratona, mas não seria uma maratona, e sim  o Desafio do Dunga no parque da Disney, este desafio é composto por 4 provas uma em cada dia com 5km,10km, meia-maratona e maratona, quem cumprisse a meia-maratona e maratona também cumpria o desafio do Pateta, desafio este que lia nas revistas; os médicos acharam uma loucura e, como sempre, deram as recomendações.
Janeiro de 2019, lá estava eu, de malas prontas no aeroporto e coração apreensivo de como seria vencer a desafiante maratona. Chegamos na cidade e um dos fatores que ajudou para cumprir o desafio foi o clima frio, lá o mês de janeiro é inverno, já que não poderia aquecer muito o corpo. Eu me acomodei no hotel, compartilhei o quarto com uma senhora maratonista de 71 anos.  Pessoas assim me inspiram a continuar lutando.
Todas as corridas realizadas pela manhã em qualquer lugar no Brasil ou não, são feitas bem cedo, e por incrível que pareça, todo o corredor ou a grande maioria, levanta nos domingos de madrugada na empolgação, eu não sei responder o porquê,  mas sei que levantar de madrugada em pleno domingo para correr é dia de muita euforia, mais ainda quando a corrida é feita com os amigos. Convido você a experimentar!
Primeiro dia de prova, muito frio, atletas jovens, adultos, idosos e, sim, crianças,  para a corrida/caminhada de 5Km(3,1 Milhas); prova concluída, medalha na mão e a comemoração por finalizar a prova.
Segundo dia de prova, atletas de todas as idades para a prova dos 10Km (6,2Milhas). Mais uma prova concluída e medalha no peito. Terceiro dia de prova, os atletas eram mais preparados pois era a meia-maratona (13,1Milhas), prova concluída e terceira medalha no peito. Durante o dia houve preparo para a maratona no dia seguindo, os músculos, mesmo preparados, estavam cansados e doloridos, a solução era um bom descanso recuperativo para a prova seguinte. Quarto e último dia de prova, a tão esperada maratona, medo e emoção são dois sentimentos que andaram juntos no momentos da largada da maratona (26,2Milhas), eram muitos atletas,  a largada era feita por ondas (por grupo de atletas), demorei uns 25 minutos para aguardar a minha hora de largar, estava tão ansiosa que parecia estar demorando a chegar minha vez e iniciar a maratona.
Não apenas corri, fui no meu limite, se não dava para correr, caminhava, me diverti a cada quilômetro percorrido.
Torcedores ao longo do caminho, fiz a prova em 6h30. Alimentação neste período? Sim, levei alguns suplementos para o consumo.
Fim da prova, gritava emocionada: EU CONSEGUI!! EU CONSEGUI!!, cruzava a linha de chegada transbordando de alegria.
Finalmente a medalha da maratona no peito, mas à frente mais duas medalhas: do desafio do Pateta (meia e maratona) e a medalha que demorei, mas conquistei, a do Desafio do Dunga (78Km corridos).
Foi um longo caminho cheio de recomeços, mas não consegui sozinha, minha família esteve ao meu lado me ajudando na recuperação e comemorando a cada medalha conquistada (até hoje foram: 122 corridas, 1.380Km corridos em prova).
Minha mãe foi uma mulher forte, me acompanhou em todos os momentos, cada internação tanto para as cirurgias no joelho como para as pulsoterapias, lá estava ela com sua malinha se internando junto. Quando me via sem direção, meus irmãos estavam por perto me apoiando e quando necessário, dando broncas.
Em todas as corridas que realizo, quando chego em casa,  meu pai faz questão de pegar as medalhas na mão, e cada vez que ele faz isso,  eu me lembro do quão limitada sou e tenho seu apoio para continuar lutando. Meus pais e meus irmão foram meu porto seguro neste período.
Não posso deixar de falar dos meus irmãos em Cristo, nos momentos em que eu não podia sair de casa, em cada visita que recebia, eu sentia um amor muito grande refletido por eles que me enchia de esperança.
O cuidado e carinho ao ir para a igreja de muletas (até recebi fisioterapia em pleno retiro de verão),  e as orações que eram como um refrigério para mim e a certeza de que o Deus que sirvo estava cuidando de mim. Quando comecei a correr, meus irmãos tiveram a preocupação e cuidado, estavam sempre me perguntando sobre meu joelho e se estava tudo bem.
Um cuidado que permanece até hoje, cada corrida compartilhada em minhas redes socias meus irmãos em Cristo também comemoram comigo e no decorrer dos anos alguns deles não apenas comemoram, mas  se tornaram corredores, e outros retornaram às corridas.
Quando fui diagnosticada com Esclerose Múltipla e me vi num caminho sem rumo, minha família e meus irmãos em Cristo estavam firmes em oração por mim e isto me fazia buscar forças para não desanimar.
Ter um joelho operado não é tão complicado do que viver com a E.M.. Existem diversos tipos de E.M. o meu é do tipo Surto e Remissão. Com um joelho operado, sabemos que passamos por um período em recuperação e com disciplina no tratamento se consegue ter uma vida firme e tranquila. O convívio com a E.M., no entanto,  é um caminho de incertezas, temos o constante sintoma da fadiga e cansaço, temos que estar atentos para não desanimar, ter a consciência de que planejar nem sempre será algo realizado, é uma vida de dúvidas, não conseguimos prever o próximo episódio de surto, nem saber onde acontecerá e nem qual será a intensidade ou se deixará sequelas ou não, pois é no sistema nervoso central.
E preparar-me psicologicamente para o inesperado, pois é preciso parar para se cuidar. Tenho 4 cicatrizes da E.M. no cérebro, 1 no nervo ótico, 1 na coluna cervical e na última ressonância magnética foi localizada mais uma, não sei até quando Deus me permitirá continuar correndo, mas vou continuar testemunhando sua imensa graça por mim. Oro para que seja correndo pelas ruas.
 
Escrito por Kenia Benocci de Macedo, maratonista, formada  em Ciências da Computação e atua também como projetista e supervisora de obras civis, intérprete de Libras, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP/SP
 

Nota falecimento

Descansou no Senhor o Pr. Edson Andrade , de São Paulo

Toda a Convenção Paulistana Leste da IAP chora hoje pelo falecimento de seu superintendente, pr. Edson Andrade, aos 62 anos. Um guerreiro do Senhor, a quem ele deu descanso, após lutar bravamente contra um câncer no pâncreas, descoberto há alguns meses.
Ordenado ao presbiterado em 2001, Pr. Edson era incansável na obra de Cristo. Como pastor na IAP em Jardim das Oliveiras, Deus abençoou sobremaneira seu ministério, e a igreja experimentou um crescimento notável nos anos que serviu ali. Descobriu o câncer pouco tempo depois de ser eleito como superintendente, em novembro de 2019. Mesmo assim, há cerca de três semanas, ainda conduzia reuniões e quando internado, sua preocupação era com a igreja.
As palavras do apóstolo Paulo, que também zelava pela igreja mesmo do cárcere, se encaixam na vida do pr. Edson: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2 Timóteo 4:7)
Oremos pedindo consolo do Espírito Santo para a esposa, Dsa. Verginia, os filhos Ariane, Tatiane e Fabio e o neto Nicolas, também pela Dsa. Vilma Andrade, sua mãe, e todos os irmãos.
O velório será a partir das 16 hs de hoje e o sepultamento às 17 hs, no Cemitério do Carmo 1, Rua Prof. Hasegawa, 727 / 776 – Itaquera – SP.

#Juntas, até que Ele venha!

“Em todo o tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”  Provérbios 17.17
 
Durante toda a nossa existência, conhecemos muitas pessoas. Há aquelas que encontramos uma única vez, ou aqueles colegas de um curso que, após concluir, nunca mais vemos. Há também aqueles com quem iremos conviver por toda a vida, pois fazem parte da família. Mas há ainda aquelas pessoas que, mesmo não tendo o mesmo sangue, um dia encontramos e elas passam a fazer parte da nossa vida como se nunca tivéssemos passado um dia sem conviver. Aqueles amigos que a bíblia nos descreve como “mais chegados que um irmão” (Provérbios 18.24), e é por isso que nos identificamos tanto.
Enquanto aqui viveu, Jesus teve amigos. Claro que seus discípulos eram seus amigos, mas a Bíblia nos mostra que havia três deles que estavam o tempo todo com o Mestre, e um em especial, a quem Jesus amava como a um irmão. A palavra de Deus também nos relata que Jesus era amigo de três irmãos: Maria, Marta e Lázaro, e que Jesus chorou quando Lázaro morreu. Mesmo sabendo que o ressuscitaria, Ele sentiu a dor das suas amigas naquele momento, e chorou com elas.
Esse mesmo Jesus nos afirmou que nossos dias aqui não seriam fáceis, os dele não foram. Contudo, mesmo sabendo que não poderiam mudar o destino do amigo e Mestre, esses amigos estiveram com Jesus até o fim e O fortaleceram no momento de dor. Mas também comemoraram a sua vitória e se alegraram com sua ressurreição.
Na verdade, assim como a família, amigos são pessoas que Deus coloca em nossas vidas para que, juntos, um fortalecendo o outro, passemos por tudo o que temos que passar neste mundo, alegrias e tristezas, vitórias e derrotas.
Portanto, cultive boas amizades, aquelas que levam você para perto de Deus. Valorize essas pessoas especiais que Ele colocou em sua vida.
Juntos o que é pesado se torna mais leve, e vamos vencendo as adversidades, até que Cristo venha.
 
Mariluzi Dalava Lopes Sales é casada com Juraci Madeiro de Sales, mãe da Giulianna e da Isabella, é advogada e serve a Cristo na Igreja Adventista da Promessa em Santana, São Paulo – SP e na equipe do Ministério de Mulheres Geral.

Dicas da lição 11 – A NATUREZA DA IGREJA DE CRISTO

Dica um: Eu Sou a igreja?
O item 1, “O significado de igreja, à luz da Bíblia”, trata da igreja universal e da igreja local, sugerimos o vídeo “SE EU SOU A IGREJA, POR QUE TENHO QUE IR A TEMPLOS? – AUGUSTUS NICODEMUS”. Nele, o pastor esclarece pontos relevantes que ajudam a conceituar biblicamente a igreja. Acesse o vídeo aqui, compartilhe via WhatsApp e/ou exiba na hora de sua aula: https://www.youtube.com/watch?v=u39kGAYGHUU. O vídeo também pode ajudar a esclarecer o início do item 2.
 
Dica dois: Texto “Nosso nome denominacional”
(Ideal para o item 2 “o significado de igreja, à luz da história”)
 
A lição desta semana fala sobre “o significado de igreja, à luz da história” (item 2). Nele, é explicado o significado que o conceito de igreja vem sofrendo ao longo dos séculos. Recomendamos aos professores, que utilizem o artigo “Nosso nome denominacional”, do pastor e fundador da Igreja Adventista da Promessa João Augusto da Silveira. Nele o pastor explica conceitos importantes sobre a Igreja de Cristo na Terra e a nossa denominação, junto às demais. Compartilhe no WhatsApp com sua classe e/ou distribua impresso no dia da aula.
 
Baixe o texto em pdf:
Baixe o texto em png:
 
Dica três: Dinâmica “EU PERTENÇO À IGREJA”
(Ideal para os itens aplicativos)
 
O que preciso: Escreva em três folhas diferentes de papel, cada palavra que forma a frase “Eu pertenço à igreja”.
Como fazer: Escolha uma pessoa e coloque uma venda nela. Após isso, peça que a pessoa sozinha tente formar a frase. Provavelmente ela não conseguirá. Após essa tentativa, chame outros alunos para ajudar a entregar as palavras da forma correta, e assim, a frase será mais fácil de completar.
Lição para aprender: Quanto mais parceiros somos, mais a igreja local andará, e quando mais igrejas locais funcionam, mas a igreja universal será triunfante. Por isso, devemos ser gratos a benção de pertencer a Igreja de Jesus Cristo.

Quantas vezes preciso me perdoar mesmo?

Vamos combinar, pedir perdão não é fácil, porque primeiro precisamos ter a noção de que erramos… e essa é a parte difícil.
Afinal, quem sempre tem razão? As corajosas de plantão responderam “Eu”, com certeza!
Em Mateus 18:21 a 35, Jesus disse que devemos perdoar as pessoas, se preciso for, até 490 vezes (setenta vezes sete). Pelo menos umas 16 vezes ao dia no decorrer de um mês. Muito? Bem, não há menção a ser por dia… ou por hora, ou por uma vida.
Às vezes no primeiro erro do outro já excluímos das redes e bloqueamos no wathsapp!
Mas vou dizer algo… prestem atenção, é importante: mais difícil do que perdoar o outro é perdoar a si mesma… Conseguir lidar com o peso da culpa, da tristeza e do sofrimento e compreender que esses sentimentos precisam ser descartados.
Muitas pessoas seguem martirizadas com culpas que nem deveriam existir em suas vidas, pois já esquecidas e perdoadas!
Lembrou de algum peso que tem carregado? Hoje é dia de liberar espaço e colocar o amor de Cristo no lugar!
Certa vez Jesus disse a um grupo de pessoas que desejavam atirar pedras numa mulher adúltera, como era costume da época: “Aquele que não tiver pecados, que atire a primeira pedra”. Ninguém atirou. (leiam em João, capítulo 8.)
A seguir, Ele disse para a mulher: “Eu também não te condeno, vai e não peques mais”.
Vai, amiga… levanta a cabeça, anda dignamente diante do Pai! Coragem.
Quando colocamos nossos erros e falhas diante do altar de Deus, ali o Espírito Santo, em forma de amor, intercede com gemidos inexprimíveis! (Romanos 8:26).
Isso é maravilhoso, temos Jesus Cristo, com seu infinito amor, e o Espírito Santo, com sua imensurável ternura!
E lá no livro de Hebreus lemos que Deus usa de misericórdia e se esquece de nossos erros (Hb 8:12). Ele nos perdoa e esquece. Simples assim.
Sabe por que? Porque nos ama.
E tomando como base esse amor, que possamos aprender o seguinte: quando o perdão é liberado sobra bastante espaço no lugar da culpa. Preencha com amor por si mesma.
Ande livre da condenação, procurando não errar mais, tendo uma vida digna diante de Deus.
E termino pedindo um favor…
Procure um espelho e olhe… a pessoa ali refletida é muito especial para o Criador!
Seja mais carinhosa e complacente com ela…Perdoe!
Escrito por Genilda Farias, casada com Silas Farias e mãe do Pedro José, formada em Letras e Pedagogia, congrega na Igreja Adventista da Promessa em Vila Maria – SP/SP

Dependência Emocional – Quando amar não faz bem

Ela tinha um brilho intenso e diferente no olhar quando lhe perguntaram: “Porque, apesar de tudo, você ainda está com ele?” E ela respondeu sem hesitar: “No momento em que o conheci, percebi que não poderia mais viver sem ele! Eu realmente não consigo!”.
Quem não viveu esta euforia romântica quando encontrou seu primeiro amor, especialmente na adolescência? Uma sensação muito forte de que a nossa vida realmente perderia o sentido se não tivéssemos a pessoa amada ao nosso lado?
No entanto, quando uma mulher madura e experiente se dispõe a passar por cima de sérias falhas de caráter do companheiro, porque não consegue deixá-lo, alguma coisa está fora do eixo!
Provavelmente, conhecemos ou sabemos de alguém que é capaz de cumprir exigências absurdas, e até submeter-se ao abuso físico e psicológico, para evitar o término de um relacionamento.
Muitos de nós já tivemos em algum momento da vida uma amizade “sufocante”, que exigia exclusividade, atenção total e aprovação absoluta. Aquela pessoa que parecia não ser capaz de resolver seus problemas sem a nossa ajuda, necessitando de apoio e conselhos continuamente, até para escolher uma roupa ou decidir sobre sua carreira.
Também não é raro nos depararmos com pessoas que exibem tudo o que fazem nas redes sociais, ficando extremamente frustradas e ressentidas quando não recebem os likes que esperam ou são alvo de alguma crítica.
Esta submissão passiva às vontades do outro, a dificuldade para tomar decisões sozinha e a extrema necessidade de aprovação social são algumas das características da pessoa emocionalmente dependente. Ela geralmente vive de acordo com os desejos dos outros, para ter a garantia de que não será abandonada. Está sempre esperando que chegue alguém que lhe entenda por completo, o parceiro ideal, a amiga perfeita.
Isso a torna extremamente vulnerável a relacionamentos abusivos com pessoas que se aproveitam de sua fragilidade. Muitas vezes não percebe os abusos físicos e verbais que sofre ou até valoriza o controle e os ciúmes doentios como expressões de amor. Se, por alguma razão, questiona as atitudes da pessoa amada, é facilmente convencida a permanecer no relacionamento por promessas vazias de mudança.
Quais são as causas?
Embora não sejam as únicas, as mulheres são as maiores vítimas da dependência emocional, o que parece ter estreita relação com fatores culturais.
A mulher aprende desde cedo que deve colocar os outros em primeiro lugar. Começa na casa dos pais, assumindo mais tarefas e responsabilidades do que os filhos homens. Na idade adulta, abre mão de suas necessidades e vontades pelos filhos e pelo casamento. Quando seus pais envelhecem, geralmente cabe a ela o papel de assisti-los. Acostumadas com a ideia de que a mulher deve sempre estar pronta para servir, algumas acabam levando este modelo de conduta para sua vida afetiva.
É óbvio que nem todas as mulheres, que abrem mão de algo em função de um amor, são emocionalmente dependentes. Ter um relacionamento que busca a satisfação do outro e não somente a sua é uma forma madura e cristã de amar, pois o amor verdadeiro é capaz de se doar e se sacrificar pelo outro (1 Co 13).O problema ocorre quando as mulheres fazem de um relacionamento o centro de suas vidas, ignorando suas próprias necessidades, dispondo-se a suportar humilhações, vícios e graves falhas de caráter para não ficarem sozinhas.
Outro fator que pode contribuir para o desenvolvimento de uma conduta dependente é o ambiente onde a pessoa cresceu. Segundo Gary Collins (2004), pais ausentes, negligentes ou excessivamente rígidos e incapazes de demonstrar afeto estão, geralmente, na história de vida de quem sofre de dependência emocional.
Uma pessoa que não foi amada nem aprendeu a amar de forma saudável pode repetir o mesmo comportamento com o parceiro, procurando dar a ele mais do que lhe é pedido, esperando receber em troca o carinho de que necessita.
Por outro lado, pais que fazem tudo pelos filhos, que os protegem demais e que não os ensinam a ter responsabilidades, podem passar a informação de que o filho é incapaz de tomar decisões e agir sozinho, gerando um adulto inseguro e dependente.
Também há evidências de que a baixa autoestima está na base de comportamentos dependentes, em boa parte dos casos. Pessoas que não reconhecem o seu valor são propensas a colocar os outros em primeiro lugar e a sacrificar sua felicidade pessoal pela dos outros.
De acordo com Collins (2004): “Uma boa dose de autoestima nos dá a confiança necessária para cultivar relacionamentos profundos. Por outro lado, baixa autoestima faz com que a pessoa se sinta fraca e tímida. Isto resulta em uma tendência ao retraimento, algumas vezes acompanhada de excessiva dependência”.
Quem tem a autoestima extremamente baixa, no fundo não acredita que mereça ser feliz. Torna-se dependente do parceiro, e mesmo quando esta relação traz sofrimento, não consegue abrir mão dela porque não acredita ser capaz de viver um relacionamento satisfatório.
A necessidade de autoafirmação pode acabar sufocando o parceiro com excesso de cobranças, levando a sucessivos fracassos amorosos, alimentando ainda mais a insegurança e o comportamento dependente.
Como superar?
Todos nós temos carências, vazios, mas não podemos esperar que os outros venham suprir essas lacunas emocionais! O primeiro passo para superar a dependência emocional é admitir sua existência e decidir fazer algo a respeito.
Para tanto, é preciso abandonar a ideia romântica de que amor é sinônimo de sofrimento, pois geralmente a pessoa que tenta nos convencer disso não está disposta a dar a sua cota de sacrifício pelo relacionamento. Quem nos ama de verdade vai fazer de tudo para nos ver felizes, jamais para nos machucar e entristecer.
Também é essencial desenvolver a autoestima, aprender a lidar com a crítica e a rejeição, lembrando que Deus nos ama e nos valoriza, a despeito de nossas imperfeições. Ele nos fez com capacidade para cuidarmos de nós mesmas e com características peculiares que nos tornam capazes de atrair e cultivar relacionamentos sinceros, nos quais não precisamos abrir mão da nossa individualidade, da aceitação e do respeito.
Para quem sofre de dependência emocional parece mais fácil viver à sombra dos outros, buscando uma felicidade que vem de fora. No entanto, a verdadeira segurança afetiva vem de dentro de nós, quando cultivamos o respeito pessoal e decidimos assumir o controle de nossas vidas.
No entanto, o passo mais importante para que isso aconteça é aprender a confiar em Deus e desenvolver um relacionamento íntimo com Ele, crendo que só Ele nos ama de forma perfeita e somente nele nossos vazios são preenchidos.
Romi Campos Schneider de Aquino, mãe do Henrique e do Davi, é psicóloga, auxilia seu marido Luciano no pastorado das Igrejas Adventistas da Promessa de Ana Terra e Monte Castelo, em Colombo -PR e integra a equipe do Ministério Vida Pastoral Geral da IAP.
*texto publicado na edição 67 da revista O Clarim (jul a dez/ 2016)

Relato de uma vítima de violência doméstica

Maria (nome fictício), hoje com pouco mais de 50 anos, veio de uma família que viveu violência dentro de casa. Graças a Deus, ela aceitou Jesus ainda jovem e essa violência não afetou seu relacionamento com os filhos, criou todos com muito amor, bem diferente do que viveu em sua casa. Entretanto, reviveu a violência no relacionamento conjugal; violência psicológica, sexual, patrimonial, moral e física. Corajosamente, Maria aceitou compartilhar sua história aqui com a esperança de ajudar outras mulheres.
 
Quando os abusos começaram? 
Casei-me muito jovem. Desde os primeiros dias de casados comecei a perceber que era uma pessoa bem diferente do que conheci, embora tenhamos namorado muito tempo. Ele era de uma ótima família e realmente não percebia nada de violento ou de estranho no comportamento dele antes do casamento. Já no início do casamento, engravidei. Logo que minha filha nasceu, percebi o primeiro abuso do meu marido. Durante o resguardo ele não admitia ficar sem relação sexual, e me obrigou a isso, mesmo com os pontos. Doeu muito, chorei. No outro dia eu estava com o olho inchado, a mãe dele me perguntou o porquê, mas não falei nada. E essa foi a primeira violência que sofri.
 
Quais tipos de abuso sofreu?
Aceitei Jesus e meu esposo apoiou, dizendo que iria para a igreja comigo. Ficamos bem por um período. Mas, de repente, ele passou a agir de uma maneira que não consegui entender. Ele não queria que eu saísse com ele. Debochava de mim, da minha aparência, das minhas roupas e não me levava para lugar nenhum com ele por causa disso. Sentia-me agredida psicologicamente.
Quando minha filha ainda era bem pequena, descobri a primeira traição. Eu quis me separar, mas minha mãe e minha sogra não me apoiaram nisso. Diziam que eu não deveria deixar meu marido por causa de “vagabunda”, que conseguiríamos consertar a relação.
Um dia, descobri uma traição por uma carta, que estava escondida num lugar onde só ele mexia. Eu rasguei essa carta e coloquei no mesmo lugar, toda picada. Quando ele chegou e viu a carta rasgada, avançou em mim, a irmã dele tentou me proteger, não deixando acontecer nada. Ele chutava minha perna dizendo que eu havia quebrado algo dele. Eu dizia que não quebrei nada. Ele entrou dentro de casa, rasgou minha bíblia, meu doutrinal, meu Brado, as fotos do nosso casamento, eu fiquei com medo dele. Era domingo e eu fui para a igreja, orei ao Senhor. Havia uma irmã que me ajudava muito, me aconselhava, ela me aconselhou a não o deixar, pois era o inimigo que estava furioso. Meu esposo disse que a partir dali não sabia o que iria fazer comigo. Fiquei com muito medo. Minha cunhada ficava comigo, dizendo para eu ficar tranquila pois o irmão dela não era de violência. Eu queria arrumar minhas coisas para ir embora, ela dizia para eu não fazer isso. E eu fui deixando.
Ele saia e me deixava sozinha com minha filha. Chegava muito tarde da noite, batia na porta e não me explicava nada. Foi um período muito difícil para mim. Mas, eu o amava muito, era apaixonada, não queria deixá-lo.
Com o tempo, a amante dele engravidou, mas ele dizia que o filho não era dele. Foi um choque para mim. Depois ele confessou que o filho era dele. Ele começou a me deixar sozinha e sem nada, saía e levava todo o dinheiro. Minha filha era pequena e ele não me deixava trabalhar. Eu trabalhava de doméstica antes de me casar e ele me obrigou a deixar o trabalho para cuidar da casa, da nossa filha e dele. Daí começaram os abusos. Ele sempre colocava a culpa na igreja. Não me dava dinheiro para nada. Ele mesmo comprava algumas coisas e trazia para casa. Eu não podia comprar nem mesmo meus produtos de higiene pessoal, nem absorvente. Então comecei a vender cosméticos para suprir essas necessidades. Sempre alguém ajudava com roupas, para mim e minhas filhas, nunca andamos maltrapilhas.
Quando faltava o gás, eu me virava acendendo fogo no quintal de casa com pedaços de pau. Fazia a comida para minhas filhas. E tinha que estar pronta a comida para quando ele chegava, senão ele brigava, me chamava de inútil, que eu não trabalhava, que eu não prestava nem para acender um fogo, aí saia e voltava altas horas da noite.
Quando era para eu guardar o sábado (Maria professa fé sabatista), foi muito difícil, pois ele implicava querendo que eu fizesse as compras para o almoço do sábado na sexta à noite. Se eu não aceitasse, ele gastava todo o dinheiro e eu ficava a semana toda sem dinheiro para comprar até leite, frutas para minha filha. Quem me ajudava era minha mãe e minha cunhada.
Eu nunca deixei de participar da igreja por causa dessas coisas. Não comentava muito sobre o que eu passava na igreja, a não ser com uma irmã que também era casada com um homem que não era crente e sofria abusos, mas achava que era normal.
Quando era aniversário das minhas filhas, ele sumia. Todos perguntavam dele e eu não sabia o que dizer. Minha família e a dele eram muito unidas a mim. Ele sempre chegava tarde da noite e se eu perguntasse onde ele estava, me mandava calar a boca pois não era da minha conta.
Eu não apanhei mais vezes, além de uns chutes quando descobri uma de suas traições, pois eu dizia que perdoava tudo o que ele fazia comigo, mas se um dia ele tocasse a mão em mim eu o deixaria e diria a toda a família o que ele fazia. E ele tinha medo disso. Mas, embora eu não apanhasse, eu era muito humilhada, e ficava quieta.
Nessa confusão toda que foi minha vida, eu ainda consegui estudar. Comecei trabalhar muito cedo e, quando me casei, ainda não tinha concluído o ensino fundamental. Depois que eu já tinha passado por muitas lutas, resolvi estudar. Fiz um supletivo para terminar o ensino fundamental. Foi bem sofrido pois o meu esposo não deixava, e depois com as crianças pequenas era mais difícil, pois ele não cuidava delas. Numa fase que o relacionamento estava mais tranquilo, ele deixou eu voltar estudar para fazer o ensino médio. Eu tinha que me virar com o valor do vale transporte para meus estudos e dos meus filhos. Acabei engravidando, e mesmo estudando com muitos enjoos, ele nunca apoiou, nunca usou o carro (que dizia ser só dele) para me levar ou buscar. Mesmo em meio a ameaças, até mesmo em relação aos meus amigos da escola que me ajudavam, estudei até dar à luz. Parei os estudos por um período, mas depois consegui concluir o ensino médio. Ele tinha carro, celular, tudo, mas me deixava até sem gás em casa.
 
Qual foi o momento mais difícil?
O pior momento de toda essa violência, foi quando engravidei de uma das minhas filhas. Esse homem enlouqueceu, queria que eu abortasse. Trouxe comprimidos para que eu tomasse e abortasse. Eu não aceitei de jeito nenhum. Sofri demais nessa gravidez. Eu desmaiava, ele me deixava sozinha o tempo todo. Minha casa não tinha estrutura nenhuma, era muito simples. Ele não me ajudava em nada, dizia que o bebê não era dele, que era do pastor da igreja. Passei toda a gravidez assim. Ganhei muitas coisas das irmãs da igreja. Tive que trabalhar grávida, de diarista, com filha pequena, também vendendo coisas para me manter. Uma vez fugi dele durante essa gravidez, fui para uma roça, catar café na plantação. Ele ficava indo atrás de mim. Meu pai me disse que eu tinha que ir para a casa com meu marido, perguntou se estava acontecendo alguma coisa e eu dizia que não, mas que eu estava gostando de ficar na roça. Ele exigiu que eu voltasse para minha casa pois era meu marido.
Quando minha filha nasceu, ele me levou de bicicleta ao hospital e me deixou lá. As irmãs dele é que foram me buscar. Eu pedia a Deus que queria sair de lá e ir para outro lugar, pois não queria que ele nem visse minha filha, que era uma menina linda. Mas quando ele chegou e viu, se apaixonou por ela, e hoje ela é muito carinhosa com ele.
Um dia, descobri outra traição. Encontrei um vídeo que ele fez com uma mulher na cama. Mas sempre que eu descobria uma traição, ele mudava, ficava muito amoroso, carinhoso. Eu o amava e gostava disso. Tornei-me dependente demais dele. O mandei embora de casa, mas ele não ia, dizia que ia derrubar a casa toda em cima de nós. Chegou a pegar uma marreta me ameaçando disso. Ajoelhei, orei, peguei a bíblia e li que a palavra branda dissipa toda a fúria. Ele veio com toda fúria, segurei no braço dele e pedi para esperar um pouco, até que tirasse nossos filhos e depois ele poderia derrubar o que ele quisesse. Então ele se acalmou e disse que não iria derrubar mais nada. Ele apagou o vídeo.
 
Quando tudo começou a mudar? Quando os abusos terminaram? Buscou ajuda? 
Um belo dia eu orei ao Senhor, “o Senhor precisa me tirar disso”.  Eu fui para igreja com meus filhos e quando cheguei de volta em casa ele estava no portão com uma pessoa. O homem falou “que família bonita!”, ele respondeu “Que nada, vagabunda! Tava com o pastor”. Fiquei com tanta vergonha. Eu entrei, ajoelhei e falei assim “Senhor, faz alguma coisa por mim, faz alguma coisa por esse homem, salva esse homem”. Aí eu abri a Palavra de Deus enquanto ele estava lá fora e li: “Eis que estou a porta e bato, se alguém ouvir e abrir a porta eu entro”. Eu falei “Senhor, ele não vai abrir a porta, então eu entrego meu coração a ti nessa hora, faça alguma coisa por mim então. Eu preciso agir, eu preciso mudar. Eu quero sair disso. Eu abro a porta para o Senhor fazer alguma coisa por mim. Eu não gosto mais desse homem para ficar suportando esse tipo de coisa.”
Bem nessa época, chegou aquele Clarim (revista) sobre dependência emocional (edição 67, de julho a dezembro de 2016). Eu li aquele artigo e foi uma coisa maravilhosa. Eu pensei: vou orar para o Senhor me tirar dessa dependência.
Eu não era uma esposa ruim, mas eu falei para o Senhor tirar minha passividade, eu precisava reagir. Eu disse para ele que não ia mais trabalhar para sustentá-lo. Nessa época eu trabalhava com meus filhos pequeninos na casa dos outros, aí eu falei para ele “eu não vou mais trabalhar, não admito mais que você faça as compras, você vai me dar o dinheiro para fazer”. Enquanto eu trabalhava, tudo ficava por minha conta (luz, energia, comida), eu não conseguia comprar roupa para mim e meus filhos, eu cheguei a ficar com um lençol apenas na cama, uma toalha de banho velhinha.
Eu já tinha aceitado Jesus, mas eu não tinha atitude. Deus foi me tratando. Naquela oração que fiz, Deus transformou alguma coisa dentro de mim. Um dia, eu falei “Senhor, eu vou te fazer uma promessa aqui e vou começar a orar. Se for da tua vontade, o Senhor vai me dar força”. Orei muito, clamei, chorei. O Senhor usou diversas pessoas para falar comigo, em pregações, reuniões de oração.
Eu nunca contava essas coisas na igreja por medo de que as irmãs ficassem com raiva dele e não orassem mais por ele. Uma bobagem. Nunca briguei com ele na frente dos meus filhos. Eles só foram percebendo quando foram crescendo.
As pessoas não imaginavam o que eu passava, pois eu nunca fui de ficar cabisbaixa, sofrida, chorosa. Graças ao meu bom Deus e à minha igreja, eu consegui sobreviver a isso tudo. Não compartilhei tudo, mas contava com as orações de algumas irmãs que sabiam um pouco da minha luta.
Pedi a Deus provas da traição. Um dia ele dormiu enquanto mexia no celular e, como o aparelho ficou destravado (tinha senha), li as mensagens de uma conversa que ele tinha acabado de ter com a amante. Então, solicitei uma reunião com a liderança da igreja e contei tudo. Eles disseram que eu devia ter aberto esse sofrimento todo antes, e me aconselharam sobre o que deveria fazer.
Comuniquei a ele que queria a separação, mas ele não acreditou. Fui à justiça e apresentei para ele os documentos de solicitação do divórcio. Sofri muitas ameaças nesse período, tive medo, mas muita confiança que Deus estava protegendo a mim e aos meus filhos. Chegaram a aconselhar que eu denunciasse as agressões, mas para mim isso era muito difícil, por ser o pai dos meus filhos. Fui sustentada pelas orações de muitas irmãs. A justiça chamou e entramos num acordo. Separamos. Hoje eu perdoei, não tenho mágoa nenhuma dele. Agora vivo aliviada, uma coisa tão gostosa de se viver.
Teve um tempo que eu senti muita culpa. Foi outra parte em que a revista O Clarim me ajudou. Tudo quanto é palavra que vinha, parecia que era para mim: que Deus odeia o divórcio, que não deve haver o divórcio. Palavras que eu ouvia e me faziam adoecer. Eu fiquei tão doente que uma época eu vivia na UPA. Aí Deus foi me tratando. Quando eu li aquela revista que tinha o artigo sobre relacionamentos abusivos (edição 71, de outubro 2018 a março 2019), eu abri a revista um dia e tinha uma frase que dizia “Deus ama a pessoa divorciada” (artigo “Quando o casamento acaba”). Aquilo foi um refrigério para mim. A partir dali eu fui mudando. As irmãs da igreja foi me ajudando. E hoje me sinto amada por Deus e acredito que ele não me condena.
 
Seu ex-marido mostrava desejo de mudar de comportamento?
Durante os anos de casamento, ele foi na igreja umas 04 vezes, mas não foi de coração. Apenas nos momentos que ele aprontava e eu ameaçava abandoná-lo.
Quando eu descobria as traições e dizia que ia me separar, ele pedia perdão e virava um “santo”, me abraçava, beijava, passávamos uns dois meses bem. Nunca quis ir para a igreja, odiava a igreja, o pastor, e tratava mal às irmãs quando iam orar na minha casa. Ele ameaçava rasgar minha roupa na frente da igreja se eu não o obedecesse e continuasse a frequentar a igreja. Mas, mesmo assim eu ia, e ele atrás falando. Eu entrava na igreja e ele ficava lá fora.  E eu não dizia nada a ninguém, pois naquela época essas coisas não eram consideradas violência doméstica, a não ser a violência física até a morte. Então eu achava que não tinha que me queixar. Só ficava orando, clamando a Deus.
Um dia peguei minhas coisas e resolvi ir embora de casa, mas ele pegou meus filhos e não me deixou sair com eles, que se eu tivesse que sair, iria sozinha. Então, mais uma vez eu não fui.
Num outro dia, ele saiu para trabalhar, eu peguei minhas coisas e fui para a casa da minha mãe. Ela não gostou muito, dizia que eu não podia ter deixado meu marido. Ele ficou me perseguindo, parou até de trabalhar. Todos os dias ficava na porta da casa da minha mãe pedindo para eu voltar e dizendo que iria mudar. Então eu voltei, por vergonha por ele estar me perseguindo e dizendo que iria se matar e eu seria a culpada. Quando eu voltei, engravidei. Comecei a conversar com ele e passamos a nos entender como marido e mulher. Ele pontuou meus defeitos e eu os dele, e começamos a tentar mudar, mas tudo tinha que ser sempre vantajoso para ele. Minha única vantagem é que ele não iria mais me perseguir por causa do sábado, mas no domingo eu ficaria com ele e não iria para a igreja. Mas isso durou pouco mais de um mês. Depois passou a me deixar sozinha novamente. Me acusava de coisas que eu não fazia.
Eu orava para que Deus o salvasse, ou eu teria que deixá-lo. Hoje entendo que as mudanças dele, os pedidos de perdão quando ameaçava deixá-lo era tudo mentira.
 
Qual mensagem você deixa para as mulheres que hoje sofrem com a violência?
Um conselho que deixo para as mulheres: não fique esperando, os planos de Deus não se realizam na vida do outro só por sua causa não. Se Deus tiver que salvar ele, vai salvar longe de você mesmo, não precisa estar casada para Deus salvar ele. Se Deus tiver plano na vida dele, vai acontecer, não fique sofrendo violência. Eu me arrependo hoje por não o ter deixado já na primeira traição, de eu ter ouvido as pessoas, de eu ter esperado o Senhor transformar. Se a pessoa não der lugar, Deus não vai transformar. Não é a sua oração que vai transformar a pessoa. A sua oração vai te transformar, pode te mudar, pode te dar atitude. Não me arrependi de tudo, pois amo os filhos que Deus me deu, sempre quis ter, são maravilhosos, servos do Senhor. Não seguiram o pai, apesar de terem sido bombardeados com o mau exemplo dele.
Estou livre, graças a Deus. Não digo que é bom que um casamento acabe, mas quando vem de um histórico de violência, de abusos tão grande, quando você sai é um alívio. Uma coisa te digo, não espere, nos primeiros sinais de abuso saia, não suporte traição. Traição de marido é horrível, eu fui massacrada durante 30 anos de casamento. Se tive 05 anos de alegria foi muito, o restante tudo infelicidade, construímos nada de bom. Apenas nossos filhos.
 
Como é sua vida hoje sem os abusos?
Hoje eu trabalho, com o pouco que ganho, tenho conseguido me sustentar e nada tem me faltado. Meus filhos têm um bom relacionamento com o pai. Graças a Deus estou bem, estou feliz, estou livre. Agradeço muito a Deus por ter cuidado de mim.
 
 
 
 

Dicas da lição 10 – Uma comunidade atraente

 
DICA UM: MÚSICA IMAGINE
(Ideal para a introdução)
 
Para iniciar a reflexão da lição, utilize a música “Imagine” de John Lennon, composta em 1971 por ele e sua esposa Yoko Ono. Ela descreve um mundo sem fronteiras, solidário e fraterno. A partir da letra, comece fazendo uma reflexão com a proposta da lição que diz ser Deus o único a criar esse novo mundo, e que a igreja é o sinal para esse lugar no futuro, após a segunda vinda de Cristo.
Acesse o link com a letra, tradução e o vídeo aqui: https://www.letras.mus.br/john-lennon/90/traducao.html.
 
DICA DOIS: DINÂMICA PURÊ DE BATATA
(ideal para os itens 1 ou 2)
 
Faça em sua aula a dinâmica do purê de batata. Ela basicamente refere-se à ideia de que batatas juntas em uma sacola estão apenas perto umas das outras, já quando se faz um purê delas, se misturam essencialmente. Assim deve ser a unidade da igreja, profetizada por Jesus para sua Igreja. Os cristãos não devem estar apenas perto uns dos outros, mas juntos e misturados.
Material: 1 Sacola de batatas fechada;
1 Vasilha com as batatas amassadas, com o purê pronto (veja receita de purê: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/culinaria/tudogostoso/pure-de-batata,e0f4f517b9620018dbb0d78b9390feb6tw0yyiuq.html).
 
Se desejar, e sem aglomerações, você pode planejar com os responsáveis pela cozinha da igreja, fazer um momento da aula lá. Explicando a receita e enfatizado a questão da unidade da igreja. Ou se preferir, leve tudo pronto, só para mostrar o resultado do purê, e fazer uma conexão da importância da integração verdadeira, da unidade da igreja, como testemunho aos de fora.
 
(Está dinâmica e/ou reflexão é encontrada em vários sites de igrejas, ela sofreu adaptação para ser colocada nesta publicação).
 
Dica três: Vídeo “Oração Sacerdotal de Jesus”
Compartilhe com sua classe o vídeo (link abaixo), que trata da oração em que Jesus ora pela unidade de sua Igreja. Nela ele mostra o quão importante é a unidade de seu povo. O vídeo fala também da negação de Pedro. A oração é feita a partir dos 2min37s.
Acesse o vídeo aqui: https://www.youtube.com/watch?v=MY3Ss2wPVIw.
Boa aula!