Câncer de mama

Curando estigmas e preconceitos

Já se foi o tempo em que relacionávamos a palavra “câncer” a uma sentença de morte. Com os avanços da medicina, especialmente na área oncológica, hoje é bastante comum convivermos com pessoas curadas de câncer.
Em relação ao câncer de mama – o que mais atinge as mulheres – a campanh Outubro Rosa têm um importante efeito no sentido de alertar as mulheres e a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, como também desmistificar alguns aspectos da doença.
Ainda assim, há fortes estigmas que permeiam o câncer de mama, porque ele atinge uma área do corpo da mulher repleta de símbolos. No decorrer da história, o seio foi considerado expressão de maternidade, fertilidade e até mesmo de reivindicações políticas e sociais. Na cultura moderna sua valorização está voltada para a feminilidade e o erotismo, ideia fortemente explorada pela mídia.
Por isso, é comum que o diagnóstico traga, além do medo do tratamento e dos possíveis desdobramentos, a preocupação sobre os efeitos na aparência e na feminilidade, o que pode parecer fútil para muitos. No entanto, a mulher em tratamento pode ver sua estética corporal mudar rapidamente em decorrência da perda dos cabelos, do ressecamento da pele e até mesmo da retirada da mama, quando necessária. Some-se a isto a possibilidade do aparecimento precoce da menopausa e consequente diminuição do desejo sexual. Esse conjunto de situações pode levar a mulher a sentir-se deformada e esvaziada de sua auto-confiança, passando a duvidar de que ainda possa ser fonte de atração para o homem, gerando um intenso medo de rejeição.
Mas além de uma possível crise de identidade quanto a sua feminilidade, ela também está sujeita a uma série de preocupações relacionadas aos papéis sociais estabelecidos pela cultura. Para quem se acostumou a vida toda a ser cuidadora dos irmãos pequenos, do marido, dos filhos, dos pais, dentre outros, aceitar ser cuidada pode não ser tão fácil.  Por isso, a mulher que necessita por um período depender dos outros, até mesmo para atividades antes simples, como tomar banho e vestir-se, pode ter o seu sofrimento intensificado pela culpa de não atender as necessidades dos outros e ainda pela sensação de “dar trabalho”.
Esses sentimentos, somados aos medos e ansiedades que a doença naturalmente provoca, podem ganhar contornos mais fortes e evoluir para uma depressão se ela não contar com o apoio e a sensibilidade das pessoas que a cercam. Nas palavras de uma paciente em tratamento: “não é o câncer que mata, mas a rejeição”. Por isso, especialmente na área da sexualidade, precisa haver muita compreensão e carinho por parte do marido, entendendo que, em momentos como esse, o amor sacrificial, espelhado em Jesus (Efésios 5:25-29) precisa ser praticado  em sua essência.
Aos demais familiares, cabe a reciprocidade e o exercício do cuidado como uma pequena expressão de gratidão por tudo o que já receberam daquela que gerou, cuidou, é amiga e companheira quando dela necessitam. É momento de refletir sobre a graça de poder dar, em vez de receber cuidado, e de expressar amor verdadeiro, que vai muito além das palavras.
Para a mulher que vivencia o câncer de mama é essencial saber que sua atitude diante da doença é elemento determinante para o sucesso do tratamento e para a cura. É preciso ter consciência de que todo o desgaste vivenciado, na maioria dos casos, é temporário e que será possível retomar a intimidade do casamento, suas rotinas e o controle da vida novamente. Quanto ao corpo, as consequências do tratamento diminuem com o tempo e a reconstrução pode reduzir muito as marcas físicas, possibilitando um novo modo de se ver e se aceitar.
Deixar-se cuidar sem culpa por aqueles que usufruiram de seus cuidados a vida toda também traz um precioso alívio, neste momento tão delicado. Sobretudo, é essencial exercitar a fé, olhando principalmente para os inúmeros testemunhos de cura que presenciamos todos os dias! A certeza do amor incondicional de Deus e do seu poder para curar é um bálsamo no vale da aflição.

Referências
http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n2/a05v13n2, acesso em 24/9/2019
https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=beleza+%C3%A9+fundamental+biblioteca+virtual+de+sa%C3%Bade, acesso em  24/9/2019
https://www.google.com/search?client=firefox-b-d&q=cancer+e+auto-estima#, acesso em 24/09/2019

Ao sabor do café

Um jovem sorridente destoava no mercado, cheio de pessoas atarefadas e sisudas

Em uma fria tarde de nosso inverno, minha esposa e eu saímos para fazer compras.  Aproveitávamos os últimos dias de férias para repor algumas coisas que nos faltavam. Como a parte que me coube eram as frutas e verduras, acabei primeiro e então decidi tomar um café enquanto a aguardava. A espera permitiu-me ser mais observador que o comum, a começar pela mensagem na pequena embalagem de açúcar – “curta seus amigos”.  A clássica lembrança que devemos nos fazer de tempos em tempos.
De onde eu estava, podia ver também as reações e expressões faciais das pessoas enquanto faziam suas compras. Cada qual não tinha olhos para ninguém, giravam e apertavam laranjas, tomates, cebolas, certificando-se que levariam o melhor para casa. No chão, embaixo das bancas via-se o resultado de mãos e mentes apressadas sem que ninguém se importasse com isso, exceto por uma laranja que, ao cair, rolou em direção de uma jovem senhora que abaixando e com pressa, recolocou no monte, tão depressa que parecia estar fazendo a coisa errada. Um senhor aparentando ter uns 70 anos, cabelos bem alvos, as duas mãos descansando nos bolsos de um comprido casaco preto, daqueles que não se propõem a ser bonitos, apenas quente, confortável, observava os preços, pensava, pensava e seguia fazendo suas pesquisas mentais. Não sei se achou caro ou se apenas estava passando o tempo, não  comprou nada. Saiu indiferente. Nenhum sorriso na face, rosada pelo frio e enrugada pelos muitos anos. Ele era o “retrato” de todos que ocupavam aquele hipermercado. Cada um por si e para si.
O que destoou no ambiente foi a entrada de um jovem rapaz, cabelos encaracolados, denunciando serem batidos com as mãos. Trajava uma bermuda jeans, abaixo dos joelhos, no qual prendia um grande chaveiro. Usava  uma camiseta escura que, acredito, foi pensada por uma mãe para combinar  com seu belo rapaz. À medida que se aproximava, eu notava que ele ria abertamente, sem proibições. Não havia como não notá-lo, era vida no meio de nós. Enquanto cumprimentava, percebi que não era correspondido, senão por uma criança, que, ao seu aceno, retribuiu com um sorriso verdadeiro. Neste momento, ele olhou para mim e fez uma graciosa saudação, com a mão destacada acima de sua cabeça e, acreditem, de novo, o largo sorriso, daqueles que vão de canto a canto da boca, próprio dos seres humanos especiais. Senti-me abraçado. Como bem disse um desconhecido: o sorriso é um abraço que se dá de longe.
Envolto em muitos pensamentos, ali estava eu, aprendendo a viver melhor com uma criança e um jovem, porque me permiti um café. Também fiquei com uma leve tristeza, ao perceber o quanto estamos nos distanciando uns dos outros, ferindo e sendo feridos pela mortal indiferença. Tão perto e ao mesmo tempo tão longe uns dos outros. De súbito, acordei do que não foi um sonho. Na tela do celular lia: “esposa,”. Levantei os olhos e lá estava ela, linda como sempre, trazendo um carrinho cheio das coisas que gostamos.
 
 

Glutonaria intelectual

É necessário investir tempo com qualidade naquilo que realmente importa

Leia com cuidado: “E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem”. (Lc 21:34-36)
Nunca na história tivemos tantos recursos para nos entreter, como: filmes, séries, redes sociais (Instagram, Facebook, Twitter), Youtube, games, entre outros. Estamos tão conectados ao mundo virtual, que o mundo espiritual tem ficado de lado, o que tem nos deixados: vazios, secos, frios, alienados, carentes, ansiosos e depressivos.
Fazemos parte de uma geração que tem tanto e, ao mesmo tempo, parece que nos falta tudo. Uns dos problemas é que andamos entretidos e não preenchidos, buscando a satisfação no momentâneo em vez de buscar no Eterno.
Estamos ocupando todo nosso tempo com entretenimento, muitas vezes vazios. Assistindo à quinta temporada de uma série, repetindo os mesmos vídeos do Instagram ou lendo os status de nossos amigos, apenas para nos manter ocupados.
A glutonaria intelectual tem nos levado a ler mais livros, artigos, e-books, olhamos mais imagens, ouvimos mais música do que podemos absorver e o resultado dessa glutonaria não é uma mente culta, mas consumista; o que se lê, olha e ouve é imediatamente esquecido. É necessário investir tempo e tempo com qualidade naquilo que realmente importa.
O filósofo Mario Sérgio Cortella diz: “Cuidado, a vida é muito curta para ser pequena. É preciso engrandecê-la. Tem muita gente que cuida demais do urgente e deixa de lado o importante”. Não deixe de investir seu tempo e esforço no que realmente importa. Intensifique seu relacionamento com Deus, sendo fortalecido, preenchido, vivendo uma vida plena em maturidade espiritual, experimentando o que tem de melhor na vida.
Na próxima vez que for para seu quarto e fechar sua porta para se retirar do mundo, faça isso com sua Bíblia, encoste-se em sua cama, em sua mesa ou até mesmo no cantinho do quarto e faça sua oração, sem pressa, sentindo o Espirito Santo e ouvindo cada uma de suas palavras. Faça o que Jesus aconselhou e descubra o segredo de se alimentar do que realmente importa: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está no secreto. Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará”. (Mt 6:6).

Ame, respeite e inclua

Como uma mãe demonstra isso na prática, por seu filho adotivo, autista e cego

Nesta semana (23.09), a brasileira Silvia Grecco foi premiada pela FIFA (Federação Internacional de Futebol) por ter sido eleita a melhor torcedora do ano. Tal reconhecimento veio por conta do seu cuidado e disposição em narrar, as partidas do Palmeiras para o filho Nickollas, de 12 anos de idade, que é adotivo, deficiente visual e autista. Em meio a tantas notícias trágicas divulgadas todos os dias, é reconfortante abordar um episódio tão marcante e positivo como esse. Mesmo para aqueles que não são amantes do futebol, esta mãe conseguiu chamar a atenção para as pessoas com deficiência.
No discurso que fez por ocasião da premiação, Silvia mencionou a seguinte frase: “A pessoa com deficiência existe, e precisa ser amada, respeitada e incluída”.[1] Essas palavras trazem à tona a dura realidade: a pessoa com deficiência nem sempre é notada; ela tem direitos, que nem sempre são respeitados. Sua dificuldade de acesso às necessidades básicas tais como, locomoção, educação e profissionalização, por vezes, põe em risco sua dignidade.
Não podemos fechar os olhos às necessidades das pessoas com deficiência. Quem lê a Bíblia, sabe que Jesus Cristo não as ignorou. Ao contrário, estendeu a mão a elas. O cego de Jericó, Bartimeu, clamou por Jesus e foi curado por ele (Mc 10:46-52). Em Cafarnaum, Jesus curou um paralítico e perdoou os seus pecados (Mc 2:1-12). Na região de Decápolis, as atenções do bondoso Mestre voltaram-se para um homem surdo, que também possuía sérias dificuldades para falar, tendo sido curado por Jesus (Mc 7:32-37). Os socialmente desfavorecidos podem se encontrar à margem da sociedade, mas nunca distantes da atenção de Cristo. Jesus se importa com as pessoas com deficiência. Ele as ama profundamente. Elas são portadoras do amor de Deus.
Como seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus e, como cristãos, precisamos atentar para, ao menos, três importantes desafios relacionados às pessoas com deficiência. Em primeiro lugar, o desafio de amá-las. O amor se baseia no cuidado, no respeito, na atitude altruísta em favor dos que precisam. Davi acolheu em seu palácio o jovem Mefibosete, que havia ficado paralítico ao sofrer uma queda na infância, e o tratou com dignidade (2 Sm 9:10).
Em segundo lugar, o desafio de incluí-las. Precisamos dedicar atenção e esforços ao projetos que facilitem à inclusão de pessoas com deficiência. Ao construirmos ou reformarmos nossos templos, devemos pensar na acessibilidade desse público. A nossa liturgia precisa se interessar em cativar a atenção deles. O mesmo vale para a produção dos nossos materiais didáticos.
Por fim, devemos atentar para o desafio de valorizá-las. Pessoas com deficiência podem colaborar em favor do reino de Deus. O nosso Pai as capacita com dons espirituais. Lembre-se: deficiência e ineficiência não são a mesma coisa. Portanto, não menospreze uma pessoa com deficiência e nem a impeça de trabalhar na obra de Deus.

[1] Fonte: https://www.terra.com.br/esportes/palmeiras/fifa-premia-mae-que-narra-jogos-a-filho-deficiente-visual,a13a4406240c3755e5a1fd580403ca2b2zhn3jac.html, acessado em 24 de setembro de 2019.

Sexualidade, um presente de Deus para a humanidade

É preciso resgatar o entendimento da vivência sexual sadia como culto a Deus

Vergonha, constrangimento, dúvida e culpa são mais comumente associados à sexualidade humana do que beleza, união e manifestação divina. A Palavra de Deus apresenta o ser humano como sua imagem e semelhança manifesta na forma masculina e na feminina, sendo ambas orientadas a multiplicar (ex. Gênesis) e a viver o prazer físico (ex. Cântico dos Cânticos), o que só é possível verdadeiramente alcançarem juntas.
Como unidade integrada nas dimensões do espírito (nous), mente (psique) e corpo (soma), em sua experimentação de vida e de fé, os seres humanos têm, através da sexualidade, a possibilidade de realizarem a integração do casal nessas três dimensões, pelo 1) prazer da partilha e complementaridade dos corpos; 2) da existência do amor e da responsabilidade consciente das mentes; e, 3) da comunhão espiritual, transcendental, na experiência de êxtase atingido no orgasmo.
Para a cultura semita, do mundo antigo, o reconhecimento e a integração dessas três dimensões e o papel da sexualidade sempre foram claros e devidamente tratados como saúde integral pelos terapeutas cristãos (os curad´almas) até o século I d. C.
Esse presente maravilhoso dado por Deus, contudo, teve seu uso e compreensão descaracterizados ao longo da história humana e na própria história da igreja, o que acabou, inclusive, banalizando a importância da continuidade da vida, do milagre do desenvolvimento da gravidez e do nascimento em si. Hoje temos um mundo onde se difunde o sexo feito de qualquer jeito, a qualquer momento, com qualquer pessoa, sem qualquer objetivo e, infelizmente, os reflexos desse pensamento têm influenciado os membros das igrejas.
No aconselhamento de casais cada vez mais ouço sobre a pobreza ou o adoecimento da convivência sexual, sempre desarticulando a tridimensionalidade humana. Já com os adultos solteiros, ouço muitos argumentos mundanos, pelo desconhecimento da seriedade da questão da sexualidade aos olhos de Deus confundido com contextualização de pós-modernidade ou, no extremo oposto, uma castidade de identidade reprimida, frustrada, sem falar na ocultação da orientação homossexual por medo profundo e o não saber o que fazer ou para quem pedir ajuda.
Diante desse cenário, certamente temos que parar com a cultura do proibir, condenar e ocultar, e desenvolver a cultura do explicar, cuidar e ensinar a lidar. É preciso resgatar o entendimento da vivência sexual sadia como culto a Deus, comunhão de gratidão, por sua criação maravilhosa, e manifestação de amor, da própria divindade em nós, por nós e através de nós.

Não temos cheque em branco

Ao corrigir alguém, temos que fazer a coisa certa, da maneira certa

A peregrinação no escaldante deserto era apenas uma história que pais contavam para seus filhos. O milagre de se atravessar o Jordão pisando no solo seco, quando teve suas águas repartidas em duas partes, era como que uma lenda. A história da queda da temível cidade de Jericó não encantava mais aquela geração. A terra prometida não era mais uma promessa, agora era uma experiência a ser desfrutada dia a dia. Os rios estavam lá como prometidos, peixes, água limpa e abundante. A terra era fértil, a nação era forte e temida, as sementes germinavam e o gado multiplicava.
Terra de Canaã! Terra que mana leite e mel! Os juízes se foram! “Queremos um rei que governe sobre nós”(I Sm 8). Deus deu o rei que desejavam! Apenas três deles puderam reinar sobre todo o povo; o reino se divide, o pecado mancha de sangue a terra dos sonhos. Pecados dos reis! Pecados dos sacerdotes! Pecados dos levitas! Pecados do povo! Antes e na época dos juízes, antes e na época dos reis, “cada pessoa fazia o que lhe parecia direito” (Jz 21.25) e Deus se enfureceu com o seu povo. O povo que havia se perdido entre os deuses do Egito, o povo que havia se corrompido no deserto devido à cobiça, à idolatria, à fornicação e às murmurações, agora finalmente é o povo que se afasta da presença de Deus, mergulhando nos pecados de Canaã. Como “Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. (Gl 6:7), o povo do norte semeou idolatria e imoralidade e colheu “Assíria”, o povo do sul semeou rebeldia e apostasia e colheu “Babilônia”.
Reis pagãos foram instrumentos de Deus para castigarem ao rebelde Israel; afiaram suas espadas, poliram suas botas, costuraram suas fardas, engraxaram suas bigas de guerra, alimentaram seus cavalos e marcharam, sob permissão e direção de Deus para impor pesadamente o castigo que o “filho” rebelde precisava. Mas, após missão cumprida, esses reis foram igualmente castigados pelos seus muitos pecados: “ Eu, o Senhor Todo-Poderoso, não abandonei Israel e Judá. Mas o povo da Babilônia tem pecado contra mim, o Santo Deus de Israel. Fujam da Babilônia! Salve-se quem puder! Não sejam mortos por causa do pecado da Babilônia. Agora, eu me vingarei dela e lhe darei o castigo que merece” (Jr 51.5-6). O fato de terem sido usados por Deus para cumprirem seus propósitos, não lhes deu imunidade para agirem da forma como gostariam; de forma que Deus “pegou” Israel por seus pecados e à Babilônia pelos seus.
Diante deste cenário, gostaríamos de lembrar do devido cuidado que devemos ter para que vençamos a tentação de agir de forma equivocada (carnal) com um irmão que tenha cometido algum erro. Às vezes, acreditamos que podemos falar asperamente com alguém que esteja procedendo de forma equivocada. Esteja certo que nosso Senhor terá seu “acerto de contas” com aquele que agiu de forma leviana, mas, esteja certo que Ele também “acertará as contas” contigo pela indelicadeza de sua fala. Ou você acredita que pelo fato de estar falando a verdade, outros princípios cristãos, igualmente importantes, podem ser ignorados? Neste caso, específico, lembre-se: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” Pv 18:21 e “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4:6). Este é apenas um exemplo, e para todos os outros, o princípio é o mesmo: faça a coisa certa, da forma certa.
“Nós teremos que prestar contas a Deus de tudo que fizemos” (Ec 12.14), disso todos sabemos. Por isso, ao agir em nome de Deus e para o reino de Deus, você precisa estar consciente de que precisa fazer a coisa certa, da forma certa; você precisa falar a coisa certa, da maneira certa, você precisa lidar com os pecados dos outros da forma certa; há de se praticar o devido equilíbrio entre a correção e e a misericórdia, de forma que “não esmague a cana quebrada e não apague o morrão que fumega” (Mateus 12:20), “…para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. (1 Co 9:27).
 
 

Porque você é cristão? II

Continuando nossa reflexão, caso você tivesse de responder de surpresa, a esta pergunta: “Por que você é cristão?”, o que diria? O teólogo John Stott continua nos ensinando, em seu livro com este mesmo título, publicado em 2003.
Quarta resposta de John Stott
– Porque Jesus nos purificou quando morreu por nós na Cruz e pode nos tornar novos!
Aqui John Stott avança para um dos temas mais caros para a filosofia, de cunho ontológico, ou seja, o “SER”: Quem sou eu? o que é o homem? O que nos torna humanos?
O homem, para o teólogo, é um paradoxo em si, de um lado, foi feito à imagem e semelhança de Deus, com capacidades de (pensar, escolher, criar, amar e adorar), ou seja, é este homem que é solidário, que constrói hospitais para cuidar dos doentes, que constrói  universidades para aquisição de sabedoria, igrejas para adoração a Deus.
Diametralmente a estas qualidades, está o coração do homem, pois é nele que habitam os riscos para degradação humana. Para explicitar este tópico, o autor cita (Mc 7.21-23), que diz: “Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.”
O homem traz consigo a predisposição para o mal, e o mal nos torna impuros aos olhos de Deus. É esse mal que faz com o que o homem construa câmaras de tortura, os campos de concentração, abasteçam seus arsenais nucleares, eis que surge o paradoxo da nossa humanidade.
John Stott, defende que Jesus Cristo e suas boas novas tratam de resolver o paradoxo do homem, à medida que os evangelhos nos purificam da degradação e nos ofertam um novo coração: “Pois Cristo morreu para nos purificar e nos tornar novos. Essa é a aplicação lógica do Evangelho em resposta ao paradoxo de nossa humanidade. Eis a quarta razão porque sou Cristão” (p.86)
 
Quinta resposta de John Stott
– Porque Jesus Cristo é a chave para liberdade
Para o autor, liberdade é um tema em princípio amplo, afinal, para a liberdade pode ser civil, individual, econômica, entre outros.
Contudo, não é esta liberdade (ou salvação) que Stott se refere, mas aquela que Jesus nos proporcionou com sua morte.
John Stott nos apresenta os três tempos da salvação:
a)     Passado: Fui Salvo (ou liberto) no passado da penalidade do pecado por um Salvador crucificado;
b)     Presente: Estou sendo salvo (ou liberto) no presente do poder do pecado por um Salvador vivo;
c)     Futuro: Serei salvo (ou liberto) no futuro da presença do pecado por um Salvador que virá.
 
Pois isso a liberdade possui conceito diferente do que pressupõe o senso comum. A  liberdade cristã é uma libertação do eu, “é a liberação de uma preocupação com o meu pequeno eu, tolo, a fim de ser livre para amar a Deus e ao meu próximo”, conceito este encontrado em Mc 8.35 “quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará” (p.101)
 
Sexta resposta de John Stott
– Porque Cristo supre nossas aspirações humanas e nele experimentamos a plenitude da vida.
Sem dúvida, a expressão que mais define este conceito é a de Santo Agostinho que registra em suas confissões o propósito da vida e a busca do homem à Deus: “nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso” (p.106).
Para o teólogo, Cristo é o meio para cura de todas nossas aflições, todo desencanto de uma sociedade dissolvida de valores, que clama por sentido. Cristo é a fonte para toda angústia do homem: “Há uma fome no coração humano que ninguém senão Cristo pode satisfazer. Há uma sede que ninguém senão ele pode saciar. Há um vazio interior que ninguém senão ele pode preencher”
Cabe-nos perguntar: Você se considera um cristão autêntico?
 
Alexandro Alves Ferreira, pós graduado em filosofia da religião e em história das religiões, formado em história e filosofia, bacharelando em Teologia.
Elias Alves Ferreira, Pastor, atualmente congrega na IAP em Boqueirão (Curitiba-PR) e atua no Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral.
 

A ação do Espírito Santo

O agir dele em nós é tão importante quanto a obra de Cristo por nós

Lembro como se fosse hoje o dia que minha filha, à época com uns 5 anos, chegou em casa, depois de um culto na igreja local onde servimos a Deus, perguntando-me quem era o Espírito Santo. Me esforcei para ajudá-la a entender, dentro do que era possível naquele momento. Minha oração é para que, quanto mais ela cresça, mais ela deseje entender a pessoa e a obra do Espírito, questões fundamentais para maturidade de um cristão.
Alguém já escreveu que a ação do Espírito Santo em nós é tão importante quanto a obra de Cristo por nós, visto que não desfrutaríamos dos benefícios da obra de Cristo por nós sem a obra que o Espírito opera em nós. Na carta de Paulo aos Efésios é impressionante o quanto o apóstolo trata da obra do Espírito. São nada menos que 12 menções a pessoa do Espírito Santo e sua obra, nos 6 capítulos da carta. Vejamos o que ele diz!

A garantia da salvação
Nele, quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória (Ef 1:13-14 – NVI, grifo nosso).
A primeira informação que Paulo apresenta sobre o Espírito Santo na carta aos Efésios está relacionada com o selo. Quando o evangelho nos foi pregado e cremos na palavra da verdade (“quando vocês ouviram e creram”), recebemos o selo do Espírito Santo. O que isso significa? Na antiguidade, um selo ou marca com o símbolo do proprietário ou remetente era afixado ou atada a um objeto para, dentre outras coisas, garantir a autenticidade do mesmo; garantir que ele era verdadeiro. Era, também, a garantia de que o objeto selado havia sido transportado intacto. Paulo diz que os cristãos foram selados com o Espírito por ocasião da sua conversão. Ser selado significa receber a habitação do Espírito. A presença do Espírito Santo na vida é o selo.
A presença do Espírito Santo na vida de uma pessoa é o que autentica a veracidade da sua fé e mostra que ela é, realmente, filha de Deus. Paulo diz que o selo do Espírito é a “garantia da nossa herança até a redenção” (v.14). Algumas versões bíblicas utilizam a palavra “penhor”. O termo grego utilizado pelo apóstolo era aplicado, no mundo comercial da época, para o pagamento antecipado ou parcial em alguma negociação, como garantia de que o pagamento total seria feito. A mensagem é clara: a presença e atuação do Espírito Santo, na vida do cristão, no presente, é uma antecipação e uma garantia daquilo que será seu quando a salvação for completada; é a garantia de que seremos salvos, definitivamente, no futuro!
Vale ressaltar, ainda, que Paulo fala do “Espírito Santo da promessa” (v.13). Poderíamos traduzir esta expressão para “O Espírito Santo prometido”. Os profetas do Antigo Testamento prometeram que um dia o Espírito Santo seria derramado em profusão (Is 44:3; Ez 36:26-27; Jl 2:28). O Senhor Jesus também falou sobre a vinda do Espírito (Jo 14:16,17; 15:26: 16:13). Todas estas promessas se cumpriram e é esse Espírito prometido que habita em cada cristão e o conduz seguro rumo a redenção!

O conhecimento de Deus
E peço ao Deus do nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai glorioso, que dê a vocês o seu Espírito, o Espírito que os tornará sábios e revelará Deus a vocês, para que assim vocês o conheçam como devem conhecer (Ef 1:17 – NTLH, grifo nosso).

A partir do v.16 de Efésios 1 Paulo diz que tem orado pelos cristãos e apresenta alguns dos seus pedidos a Deus em favor dos mesmos. Um deles: ele pede que os cristãos recebam o Espírito de sabedoria e conhecimento de Deus. Uma vez que os cristãos já possuem a presença do Espírito, conforme foi dito nos vs. 13-14, o que exatamente Paulo está pedindo? Junto com outros autores, Stott diz que, embora o texto traga espírito com “E” minúsculo, é provável que a referência seja ao Espírito Santo, o mestre do povo de Deus. Seguindo esse entendimento, os tradutores da NTLH traduziram assim o texto: dê a vocês o seu Espírito. Neste caso, então, Paulo estaria orando pelo ministério de iluminação do Espírito na vida dos crentes, que já possuem sua habitação.
É somente através da atuação e iluminação do Espírito Santo que nós, crentes em Jesus, podemos nos tornar sábios e conhecer a Deus mais plenamente e sua vontade, conforme expressa em sua Palavra. É bom que se diga que a “revelação” ou “conhecimento” que o Espírito nos dá não tem a ver com revelação além daquilo que já está revelado na Escritura, mas com uma iluminação da parte do Espírito Santo na vida do crente para que ele possa ver claro as verdades espirituais, e realmente compreendam quem é Cristo e sua obra.
É o Espírito Santo quem nos ajuda a entendermos cada vez mais o evangelho. Ele abre nossa mente para entendermos a razão do nosso chamado e o valor da nossa herança (v.18).
Apenas por estas duas menções que Paulo faz ao Espírito Santo já é possível perceber o quanto ele é importante em nossa vida cristã. Você consegue reconhecer isso? Que tal louvar a Deus pelo selo do Espírito em sua vida, que é garantia da sua salvação e orar para que ele ilumine seu entendimento, cada dia mais, para entender as verdades eternas do evangelho!
Até o próximo texto! Quem sabe voltemos a falar das outras dez menções de Paulo ao Espírito em Efésios!

Pelo caminho do deserto

Pode ser que você esteja vivenciando a “ansiedade, excesso de futuro; a “depressão, excesso de passado ou o estresse, excesso de presente”

Deserto, segundo o dicionário, é um lugar solitário, desabitado, abandonado. Logo, não é lugar desejável para se viver nele. A Bíblia menciona esse lugar em várias situações, como na jornada do povo de Deus ao sair do cativeiro do Egito e seguir para a terra de Canaã, prometida por Deus aos descendentes de Abraão. O povo enfrentou as adversidades do deserto por 40 anos. Aquela gente se cansou, quis voltar ao Egito, mas a liderança forte e firme de Moisés sempre prevaleceu, porque Deus estava com o povo durante o tempo no deserto.
Em Gênesis 21:14-20 temos narrada a experiência de Agar e Ismael, que nos traz lições valiosas para compreendermos como o Senhor, nosso Pai, está ali presente conosco. Abraão, a pedido de sua esposa legítima, Sara, decidiu mandar embora do convívio familiar a Agar, com quem o patriarca tivera o filho Ismael, que era ainda uma criança. Assim, Abraão preparou alguns pães e um cântaro com água, pôs sobre os ombros de Agar e despediu-a com o menino. O texto bíblico relata que mãe e filho ficaram vagando pelo deserto de Berseba, que significa “poço do juramento”.
Quando acabou a água, Agar colocou o menino debaixo de um arbusto e ficou a certa distância para não ver o filhinho morrer. Diz a palavra (v. 15) que o coração da mãe doeu muito por ver aquela difícil situação, então começou a chorar. Mas Deus estava ali. Ele ouviu o choro do menino e da mãe, com certeza. Trouxe consolo e solução, indicando uma fonte de água próxima do local onde estavam. O menino foi saciado em sua sede, a mãe, aliviada da dor da angústia e uma promessa de Deus foi feita para o futuro de Ismael. Ele cresceu e viveu no deserto, tornando-se arqueiro e pai de uma descendência. É assim que Deus faz, vem estar conosco mesmo pelos caminhos do deserto.
Isaias 64:4 declara que Ele é o Deus forte e poderoso que trabalha em favor daqueles que nele esperam. Ao seu povo na jornada para a terra prometida, não deixou faltar o alimento e a água. O pão veio do céu, o maná; a água saiu da rocha (Sl 105:40, 41). Para Deus, tudo é possível.
Elias, o profeta, viveu a experiência da vida no deserto. Foi um homem forte e valoroso no propósito de Deus. Quando desafiado, também desafiou, não a um, mas a 450 profetas de Baal (o supremo deus dos cananeus), conforme relata I Reis 18:19. A luta não era pela espada, mas pela verdade: Deus ou Baal? Precisavam decidir quem era o verdadeiro Deus. No Monte Carmelo, Elias pôde provar a suprema superioridade do seu Deus. Quando preparou o altar e colocou sobre ele a oferta, orou a Deus e fogo veio do céu e queimou toda a oferta do sacrifício. Resultado? Os 450 profetas de Baal foram mortos por Elias junto ao ribeiro de Quison (v.40).
Quando Jezabel soube o que havia acontecido, prometeu matar Elias até o dia seguinte. Aqui começa o deserto do profeta de Deus. Homem tão destemido, corajoso, agora é atacado pelo medo da morte e foge (I Reis 19:1-4). Elias passou por um momento desesperador! Imagine, ele fugiu com medo: no deserto, pediu a morte! Como estava a mente de Elias? Foi ali, deitado debaixo de uma árvore, cansado da viagem e desiludido, que ele recebeu a visita de Deus através do anjo que lhe dizia: “levante-se e coma”. É como se o anjo dissesse a ele: “vamos rapaz, coragem, você não é homem fraco, já lutou muito e sempre foi vitorioso, confie em Deus que sempre foi o seu ajudador”.
Elias levantou-se, comeu e bebeu, mas voltou a deitar-se. O ser humano é fraco por natureza, por isso, nas adversidades da vida, por vezes, demonstra a sua fragilidade. Novamente o anjo ordena a ele: “levante-se e coma, porque você tem um longo caminho pela frente”. Elias ainda temia pela sua vida. Comeu, bebeu e caminhou por 40 dias até Horebe, o monte de Deus. Chegando ali, entrou numa caverna e passou a noite. O deserto dele ainda não havia acabado.
Agora é o próprio Deus que fala: “O que você está fazendo aqui, Elias?”. Lá de dentro da caverna, ele tenta se justificar (I Reis 19:9, 10). O Senhor determina: saia (da caverna) e fique no monte, o Senhor vai passar.  Ele percebeu soprando um forte vento, em seguida um terremoto e depois um fogo. Deus estava mostrando ao profeta nessas manifestações da natureza que Ele não aprovou a ameaça de Jezabel contra ele, porque, em seguida, Elias ouviu uma voz mansa e delicada, a voz de Deus que traz paz e bênção. Cumpriu-se aí o que declara Isaías no capítulo 54:17. Só assim Elias saiu do seu deserto e continuou destemidamente o seu ministério profético, até quando foi  arrebatado ao céu pelo seu grandioso Deus (II Reis 2:1 e 11).
Qual é o seu deserto? A solidão, a escassez, os sofrimentos, a depressão, qual? No livro “O Poder da Esperança”, seus escritores chamam a “ansiedade” de excesso de futuro; a “depressão” de excesso de passado e o “estresse” de excesso de presente. Há pessoas que estão chorando nos seus desertos, muitas sem saber o motivo. Tudo o que citamos acima pode estar causando essa situação desconfortável. Para algumas, a solidão, para outras, os sofrimentos; ainda para outras, a depressão.
Como afirmam os autores do livro citado: “A depressão é o mal que predomina nas consultas psiquiátricas e de psicologia clínica. Em breve ela poderá ocupar o segundo lugar entre as causas de doenças e de incapacidade, ficando atrás apenas dos problemas cardiovasculares.”
Lembre-se da palavra inspirada: “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” (Sl 30:5). O Senhor nos dá plena esperança: “Com certeza o Senhor consolará Sião e olhará com compaixão para todas as ruínas dela; ele tornará seus desertos como o Éden, seus ermos como jardim do Senhor” (Is 51:3).
Que Deus maravilhoso é o nosso Deus! Com ele a promessa divina conforta o coração e dá certeza da vitória sobre todas as adversidades da vida. “Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome ou a nudez, ou o perigo da espada? Eis a resposta: ¨Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” : Jesus, que por nós intercede diante do Pai (Hb. 7:25; Rm. 8:35 e 37). Você quer sair do seu deserto, de sua caverna? Então, “entregue o seu caminho ao Senhor, confie nele e ele tudo fará.” (Sl 37.5)

Por que eu sou cristão?

“Porque Cristo me perseguiu, porque foi dele a iniciativa!”

Considere que você esteja em uma roda de amigos ou familiares, ou mesmo no trabalho, entre um café e outro, e durante uma conversa, uma pergunta lhe é direcionada:
– Por que você é cristão?
Pego de surpresa, e considerando que o cristão é sempre chamado a prestar contas, qual seria sua resposta?
Bem, para apresentar um caminho seguro, podemos nos valer do texto de Mateus 16.15, que narra a chegada de Jesus em Cesaréia de Filipe: e perguntando aos seus discípulos disse-lhes: – E vós, quem dizes que sou? Pedro então respondeu a Cristo: – Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo!
Neste sentido, estaríamos em solo firme, se quando inquiridos, respondêssemos: “Porque Jesus é o filho do Deus Vivo, que veio ao mundo trazendo-nos a boa e indispensável notícia da salvação! Porque ele carregou nossos pecados para cruz! E na cruz, foi julgado e morreu por nós! Nos libertando do pecado e nos dando nova vida! Para nos ensinar o amor verdadeiro! Porque Cristo, cumpriu as profecias do antigo testamento sendo de forma inequívoca o Messias! O ungido que ressuscitou e voltará em breve para nos apresentar uma nova terra!”
Bem, a esta altura, acreditamos possuirmos contornos suficientes para responder à pergunta! Mas para contribuir para nossa reflexão, trazemos algumas breves considerações e as respostas dadas a esta mesma questão – Por que sou cristão? – feita pelo pastor, escritor e teólogo britânico, John Stott.
John Stott foi autor de mais de 40 livros, dentre os quais está “Cristianismo básico”, que vendeu mais de 2 milhões de cópias, sendo traduzido para mais de 60 idiomas. Dentre outros, ele foi eleito em 2005 uma das 100 mais importantes personalidades do mundo. Dedicou 73 anos de sua vida à propagação do cristianismo, vindo a falecer em 2011, aos 90 anos de idade.
Em 2003, publicou o livro “Por que sou Cristão” e responde a esta questão de seis formas distintas.
 
Primeira resposta de John Stott à pergunta “Por que sou Cristão?”
– Porque Cristo me perseguiu, porque foi dele a iniciativa!
John Stott tornou-se cristão, não porque seus pais eram cristãos, muito menos porque teve educação cristã, mas sim, porque Jesus o caçou, o perseguiu até sua aceitação em 1938: “O fato de eu ser cristão não se deve em última análise à influência de meus pais e professores, nem à minha decisão pessoal por Cristo, mas ao Cão de Caça do Céu, ou seja, ao próprio Jesus Cristo, que me perseguiu incansavelmente” (p.17).”  O autor é categórico ao afirmar que não foi ele que encontrou a Cristo, mas sim, Cristo o encontrou, o perseguiu, o cutucou e aguilhoou até sua entrega: “Se somos de fato cristãos, não é porque tenhamos nos decidido por Cristo, mas porque Cristo se decidiu por nós” (p.20)
Para ilustrar essa ação de perseguição de Cristo, esta “caça”, o autor cita alguns exemplos dentre os quais estão o de Saulo de Tarso. Stott nos relembra que em relação a Saulo (Paulo), Jesus vinha o procurando o “cutucando, o perseguindo” – em sua mente, em sua memória, em sua consciência – até culminar no decisivo e transformador encontro na estrada de Damasco que trataria de convertê-lo imediatamente, transformando o coração de Saulo, o levando a ser o principal apóstolo de Cristo.
 
Segunda resposta de John Stott à pergunta “Por que sou Cristão?”
– Porque as palavras de Cristo são verdadeiras, portanto, o cristianismo é verdadeiro!
“Eu Sou O Pão da Vida”; A Luz do Mundo; O Caminho, A Verdade e A Vida; A Ressurreição e a Vida…” “Venham a Mim e Sigam-me”.
A segunda resposta que Stott apresenta para a indagação que registrou o título do livro se refere as afirmações de Jesus que, para o autor, são verdadeiras, portanto, o cristianismo é verdadeiro, verdade esta que o fez cristão!
 
Terceira resposta de John Stott à pergunta “Por que sou Cristão?”
– Porque Cristo morreu para expiar nossos pecados, para revelar o caráter de Deus e para vencer o mal!
Julgamento e perdão. Essas duas condicionantes que estão vinculadas à mensagem da Cruz era, para Stott, um dilema divino e este dilema foi resolvido quando da crucificação. Sim, pois ao morrer na cruz, Deus em Cristo nos julgou e nos perdoou: “Quando Jesus morreu na cruz, o próprio Deus, em Cristo, recebeu o julgamento que merecíamos, e a fim de nos dar o perdão que não merecíamos” (p.60). Para o autor, há uma estrutural diferença entre o perdão que existe entre os homens, e o perdão de Deus, isto porque Deus é Santo! Ele não poderia julgar (como a justiça requer) nem perdoar (como o amor invoca) dada sua santidade: “perdoar é para o homem a mais simples das tarefas; para Deus é o mais profundo dos problemas” (p.59). Contudo, ao ser crucificado, Deus julgou as iniquidades dos homens e perdoou nossos pecados resolvendo o dilema divino: “A pena plena do pecado foi paga – não por nós, mas por Deus, em Cristo” (p.61) ”.
Continua em breve
 
Alexandro Alves Ferreira[1]
Elias Alves Ferreira[2]
[1] Pós graduado em filosofia da religião e em história das religiões, formado em História e Filosofia, bacharelando em Teologia.
[2] Pastor, atualmente congrega na IAP em Boqueirão (Curitiba-PR) e atua no Ministério de Vida Pastoral – Convenção Geral.
 

Conferindo as motivações

Mais do que checar as intenções de voto, cada candidato a um cargo na igreja deve checar as intenções do seu coração

Enfim, chegamos a mais um final de gestão. Mais uma etapa vencida. Mais avaliações pessoais sobre tudo que foi realizado e não realizado, o que realmente foi bom, foi útil, foi alcançado, foi necessário, foi conquistado e as coisas que não deram certo. Avaliamos o passado para acertarmos mais no futuro. Pontuamos o passado para melhorarmos o futuro. Mas será que entendemos realmente o que é, qual o objetivo e como acontece uma eleição?
Eleição nada mais é que um processo em que um grupo de pessoas elege outra(s), por meio de uma votação direta e secreta, para ocupar determinado posto e cumprir determinada função por um período pré-determinado.  O eleito tem o objetivo principal cuidar do povo que o elegeu, através do cumprimento de leis/regras já existentes, e principalmente de cumprir o que se propôs fazer para o bem de todos após ser eleito.
Agora vem a pergunta que vale um milhão: para que você quer ser eleito? Qual seu objetivo ao participar de uma eleição? Quais as regras/leis/normas que você entende que precisam ser alteradas, para uma melhoria na vida desse grupo que o elegeu?
Para quem ainda tem dúvidas sobre as respostas, vamos analisar alguns fatos que nos estimulem às respostas:
Lendo I Tessalonicences 1:3-10, com destaque para o versículo 4 “conhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição;”, qual a nossa eleição? Deus nos escolheu para sermos filhos, sermos imitadores dos bons exemplos e do Senhor, sermos modelo para todos os crentes e realizarmos o nosso trabalho de amor, a nossa obra de fé e firmeza de esperança, na salvação dos que ainda não se converteram dos seus ídolos pessoais e encontraram a Deus, o Deus vivo e verdadeiro, que nos tira da morte espiritual para a vida eterna.
Lendo Tiago 2: 21-23: “porventura não foi pelas obras que nosso pai Abraão foi justificado quando ofereceu sobre o altar seu filho Isaque?” Sim! Eu quero ser como Abraão, que pela fé cumpriu a ordem divina, tomando a atitude mais dolorosa imputada a um pai. E, através da equação fé + obra, resultou em ser chamado amigo de Deus!
Lendo Romanos 11:13: “mas é a vós, gentios, que falo; e porquanto sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério”. Sim! Eu quero ser como Paulo, incitar as pessoas a serem como eu ou melhores do que eu e, como resultado, levá-los à salvação eterna!
Lendo I Samuel, percebemos o porquê Davi era conhecido como um homem segundo o coração de Deus. Sim! Eu quero ser como Davi! Quero ficar cheio do Espírito Santo, ser direcionado por Ele! Quero ser guerreiro e vencedor no que faço e, principalmente, reconhecer e me arrepender dos meus erros perante Deus, com humildade, tendo consciência de que sou pecador e dependente total de Deus! (Salmos 51:1-4)
Chegamos a mais um final de gestão e outra em breve se iniciará! Prepare-se, seja candidato na obra do Senhor, cumprindo seu papel: “…ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15). Com direcionamento do Espírito Santo, sem preconceitos, com palavras claras e objetivas, sem rodeios, e com muita convicção de que há poder nas palavras de salvação! Foi para isso que você foi chamado e eleito!
 
 
 
 
 
 

Tenha a verdade como estilo de vida

Assim, não ensine a criança mentir para a professora para justificar a ausência na aula e não minta para o governo a fim de não pagar imposto

 Não mintais uns aos outros, uma vez que já vos despistes do velho homem com os seus feitos (Cl 3:9).
No primeiro texto sobre a mentira, alertamos sobre um dos graves prejuízos provenientes da prática mentirosa: a perda da credibilidade. Sem confiança, relacionamentos se esfacelam como um castelo de areia atingido pela água. No presente texto, veremos que a mentira pode prejudicar, além da credibilidade, a espiritualidade de uma pessoa. Sem atitudes verdadeiras, um ser humano jamais cultivará um relacionamento verdadeiro com o próximo, muito menos, com Deus.
Aos pés do Senhor, somos fortes. Esse Deus, todavia, não atua em engano, pois é verdadeiro e não pode mentir (Tt 1:2). Se somos salvos em Cristo, pertencemos à família de Deus, a igreja, que foi incumbida de lutar pela manutenção e defesa da verdade. Em confirmação a essa ideia, o apóstolo Paulo orientou ao jovem Timóteo da seguinte maneira: …fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3:15).
Uma pessoa, família ou comunidade cujas palavras e ações se baseiam em mentiras, não pode viver no centro da vontade de Deus e nem representá-lo. Na verdade, todos aqueles que se afastam da verdade, tem por pai não o Deus da verdade, mas o deus deste século, o diabo. Aos mentirosos, Jesus acusou no evangelho de João 8:44: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o principio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.”
Você se lembra da história do conhecido casal Ananias e Safira? Pois bem, eles faziam parte da família de Deus no primeiro século da era cristã. Um dia, porém, resolveram se apegar à mentira. Eles intentaram enganar ao Senhor e a igreja, mentindo sobre o valor da propriedade que haviam vendido. O resultado? Ambos foram punidos com a morte (At 5:1-11). Mentir não vale a pena.
Você, querido leitor, que perseverou na leitura desse texto, faça valer a pena o tempo que você empregou nele. Como? Sendo verdadeiro diante de Deus. Não desonre ao Senhor com palavras e atitudes falsas. Não se deixe moldar pelo engano. Preserve em seu estilo de vida a verdade, a honestidade, a seriedade e a honra. Seja bom exemplo para os outros. Recordo-me de uma professora que fazia questão de lembrar: “Espelhem-se nos melhores”. Tomando carona nesse conselho, sugiro que nos inspiremos naqueles que preservaram a reputação de um caráter moldado pela verdade e, ao mesmo tempo, sejamos dignos de inspirar os outros de forma positiva.
Se você almeja que a sua família preserve a espiritualidade em Deus, não ensine a criança mentir para a professora para justificar a ausência na aula; não minta para o governo a fim de não pagar imposto; não minta para o pastor para reter o dízimo que pertence ao Senhor; não minta para o cobrador a fim de não pagar o que deve. Custe o que custar, fale a verdade, viva a verdade, estimule a verdade e defenda a verdade.

Amor inexplicável

A emoção de quem vive o primeiro Dia dos Pais

 
“Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá” (Salmos 127:3)
O Facebook abre sua página sempre perguntando: “no que você está pensando?”. Neste momento não tem como responder a essa pergunta de maneira objetiva. “No que eu estou pensando?” Sinceramente não sei… bobo é como estou. Um sentimento está claro: gratidão. Uma palavra é a realidade: amor. E eu ainda não sei como esse amor funciona, não sei ainda em que nível, e não sei até onde ele vai. Mas é incrível como ele surge com um simples choro repentino!
Há poucos dias ouvia esse choro pela primeira vez. Ali, naquele momento, um suspiro de alívio… ufa… ali uma lágrima de paz… ali o início de algo que nem sei ainda o que será, mas ali uma incrível e agradável sensação de gratidão! Ali o sonho consolidado. Ali, naquele momento, a percepção da mordomia, da herança, que Deus estabelecia sobre mim e sobre minha esposa. Deus dizia ao nosso coração: “aí está o que vocês pediram… ela é minha, mas a deixo sobre a responsabilidade de vocês! Podem chamar de filha… aliás, chamem de princesa se quiserem, mas se lembrem sempre: ela é minha”.
Como essa frase reverberando em meus ouvidos entendi a ideia de herança e recompensa presente no louvor do Salmo 127. Isso gera em mim e na minha esposa  grande responsabilidade: o valor dessa herança é indizível, incalculável. Hoje então nos vemos diante da benção de vivenciar um amor ainda desconhecido e da profunda percepção de que é com a orientação do Senhor que nossa Sara se tornará a mulher que Ele deseja.
A você que deseja esta experiência, continue buscando! É demais! Tudo é demais: o cheirinho, os olhinhos, as mãos perdidinhas, os barulhinhos, o choro, a forma como pede comida, a forma como dorme… tudo é lindo. Daqui a pouco vou começar a escrever como falo com ela, então é melhor parar por aqui! Rsrs
Uma frase final é essencial: obrigado, Senhor!
 
 

Bem mais que romance

Comparações e expectativas irreais podem nos impedir de reconhecer o amor verdadeiro, aquele que é demonstrado por atitudes do dia a dia

Celebrado em verso e prosa desde a antiguidade, o romance, sempre foi um tema apreciado em todos os tempos. Além da literatura, o cinema, a televisão, o teatro e a música sempre exploraram o assunto, embalando nossas fantasias e dando um colorido especial aos nossos relacionamentos. Mas foi nos últimos tempos, com o advento do mundo digital e das redes sociais, que a associação entre amor e romance tornou-se praticamente obrigatória.
Amamos histórias recheadas de romance e, de preferência, com final feliz. Embora haja homens muito românticos, parece que as mulheres são mais  fisgadas pelo tema, pois além de demonstrarem mais seus sentimentos, buscam com maior intensidade manifestações íntimas e públicas de amor.
Ocorre que a associação entre felicidade e romance está tão impregnada em nossa mente que a falta dele tem sido a razão de muitos casamentos frustrados e até desfeitos. Há mulheres que não conseguem usufruir de seus relacionamentos devido a expectativas irreais, criadas pela mídia e cobradas pela sociedade. Outras perseguem um relacionamento ideal espelhando-se em modelos de outros casais. Há também dentre elas uma queixa bem comum: a de que o romantismo do início do casamento se perdeu.
Romance é uma delícia e não há problema em buscá-lo! O erro está em achar que um relacionamento amoroso pode ser alicerçado nele: não pode! Assim como o amor pode ser expressado de formas diversas, romantismo nem sempre é sinal de amor. Tomemos como exemplo os relacionamentos abusivos, que geralmente são iniciados com sedução e mantidos com juras de amor eterno, a despeito de agressões e humilhações, tornando as pessoas cativas de uma gangorra emocional que alterna sofrimento e felicidade.
Romance sem amor é ruim; amor com romance é perfeito.  É sempre o amor  que deve prevalecer num relacionamento. Mas, o que é o amor? A mais completa expressão de amor que podemos encontrar é a que está em I Cor 13: “Quem ama é paciente e bondoso. Quem ama não é ciumento, nem orgulhoso, nem vaidoso. Quem ama não é grosseiro nem egoísta; não fica irritado, nem guarda mágoas. Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo com fé, esperança e paciência. O amor é eterno.”(versos 4,5,6 e 8a)
Nesse texto não vemos menção ao amor eros, romântico, apaixonado, com desejo e atração física, mas sim ao amor ágape que se doa, que se entrega, que é incondicional. É esse amor que sustenta um relacionamento, porque ele “é eterno”, não sucumbe ao tempo e às circunstâncias.
Todo relacionamento passa por mudanças, por diferentes ciclos e isso é natural! Em meio ao nascimento dos filhos, situações de estresse, crises conjugais, problemas financeiros ou ao próprio envelhecimento, o amor romântico, ligado ao eros, pode esfriar.  No entanto, o amor ágape subsiste a tudo isso, até mesmo à perda da atração física.
Calma: não precisamos abrir mão do romance para ter um relacionamento feliz, mas também não precisamos ter um casamento frustrado pela falta dele. O romantismo deve ser estimulado e renovado com esforço e criatividade sempre, pois é um investimento que enriquece a relação. Mas não podemos esquecer que cada pessoa tem a sua forma peculiar de demonstrar seus sentimentos e entender isso facilita muito o relacionamento.
Assim, precisamos tomar cuidado para que comparações e expectativas românticas dos tempos de namoro não nos impeçam de reconhecer o amor verdadeiro: aquele  que não é apenas falado, cantado ou publicado; aquele que é demonstrado por atitudes do dia a dia, pela fidelidade, pelo companheirismo e pelo respeito. Por mais romântico que seja, nenhum relacionamento pode ser feliz sem isso!

A idolatria do bem estar

Temos uma tendência a questionar Deus quando as adversidades chegam

Arthur Ashe foi um grande tenista afroamericano nascido em Virginia, Estados Unidos. Foi o primeiro negro a fazer parte da equipe que disputaria a Copa Davis, sendo campeão por duas vezes e também campeão em Wimbledon. Além disso, Ashe foi um lutador contra as políticas raciais no Sul da África.
Em 1988 veio o grande golpe. Após uma transfusão de sangue devido a uma cirurgia, ele contraiu o vírus da AIDS. Por ser um ícone americano, muitas pessoas mandaram cartas de apoio e, em uma carta específica, a seguinte pergunta: “Por que Deus teve que escolher você para essa terrível doença?”
Arthur respondeu: “No mundo, 5 milhões de crianças aprender a jogar tênis, 5 mil conseguem jogar em torneios importantes, 50 chegam a Wimbledon, 2 a final.
Quando eu estava levantando os troféus nunca perguntei a Deus – “Por que eu Senhor?” e hoje, na minha dor, eu não vou perguntar.”
Temos uma tendência a questionar Deus quando as adversidades chegam em nossas vidas. Temos a dificuldade de lidar com problemas de saúde, morte, problemas financeiros, solidão, dificuldades nos relacionamentos etc. O ser humano busca uma constante satisfação e bem estar e, geralmente, a primeira pessoa a ser colocada “contra a parede” é o próprio Deus.
Em contrapartida, quando recebemos um aumento de salário, ganhamos um presente, somos curados, estamos cercados de pessoas que nos amam, desfrutamos de uma vida de paz, não questionamos ao Senhor: “Por que eu?, porque comigo?”. Pensamos que é algo merecido e que Deus tem a obrigação de nos abençoar.
Esse tenista nos ensina a mesma lição de Jó quando perdeu tudo: “O Senhor deu, o Senhor levou, bendito seja o nome do Senhor.”
No mundo teremos aflições, vamos sofrer, vamos perder pessoas que amamos, vamos adoecer, vamos sentir saudades, vai ser difícil!!! Mas Jesus disse: “tenham bom ânimo, eu venci o mundo”.
Que Deus nos ajude a viver a palavra: “Dando sempre graças POR TUDO a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.” (Efésios 5:20)
Gratidão gera intimidade e é isso que o nosso Pai quer.

Uma mentirinha só…

A verdade, não a mentira, deve ser a base dos relacionamentos

“Não mintais uns aos outros, uma vez que já vos despistes do velho homem com os seus feitos” (Cl 3:9).
Mentir parece ser algo bom. Só parece! Imagine um pai ou uma mãe que costuma mentir para os filhos. Que benefícios eles colherão no futuro? Nenhum! Pelo contrário, essa atitude põe em risco a formação ética e moral deles. Um filho que costuma ouvir os pais mentirem para obter benefícios, não demorará fazer o mesmo. De tanto ouvir mentiras, aprenderá a pronunciá-las também. Engana-se quem pensa que a mentira traz boas consequências para a vida de quem a profere. Jacó mentiu, e pagou um alto preço. Seus filhos o imitaram e, depois, se viram em grandes apuros.
A prática da mentira é um grave desvio de comportamento. Quem se acostuma à mentira, tem dificuldade de viver sem ela. Logo, não cultive a mentira em sua vida. Caso contrário, ela poderá destruir você. Cuidado para que o seu relacionamento com o cônjuge e com os filhos não se baseie em palavras e atitudes falsas, pois o prejuízo será incalculável. Exemplo disso é a perda da credibilidade. Na manutenção dos relacionamentos, a prática da verdade é fundamental, conforme orienta o texto de Efésios 4:25: …deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros. Se você não quer perder a credibilidade de suas palavras e não deseja levar má fama, fale a verdade com o seu próximo. A verdade, não a mentira, deve ser a base dos relacionamentos.
Sobre o dano à credibilidade de uma pessoa, é preciso considerarmos duas verdades necessárias. Em primeiro lugar, atitudes hipócritas abalam a credibilidade. Falar uma coisa e viver outra é hipocrisia. O hipócrita defende um pensamento, mas suas atitudes nada tem a ver com o mesmo. Um pai hipócrita exige honestidade do filho, quando em si mesmo, não há honestidade alguma. Uma mãe hipócrita exige controle financeiro da filha, mas ela mesma não se contém diante da oportunidade de “torrar” o limite do cartão de crédito. Não minta para as pessoas. Se der um conselho para alguém, seja você o primeiro a segui-lo.
Em segundo lugar, a perda da confiança abala a credibilidade. Quem mente perde a confiança dos outros. As palavras dos mentirosos perdem a credibilidade até quando são verdade. Há uma frase antiga que decreta: “a mentira tem pernas curtas”. Esta é antiga e verdadeira. Quantos cônjuges deixaram de confiar no (a) companheiro (a) por causa da mentira? Quantos patrões perderam a credibilidade porque agiram de má fé com seus subordinados? Quantas amizades se desfizeram, vítimas do engano? Isso é um risco que eu e você não precisamos correr. O texto sagrado é um conselheiro fiel de todos nós: não mintais uns aos outros … (Cl 3:9).  Credibilidade não se ganha, se conquista. Então, não seja uma farsa. Não destrua a sua família por conta da mentira. Fale a verdade. Se você errou, admita o erro. Se alguém errou, mostre-lhe, com amor, o erro. Não minta para ficar bem com as pessoas. Não engane, não ludibrie. Seja verdadeiro. Seja autêntico.