Sábado, um presente para a humanidade

“Seis dias da semana procuramos dominar o mundo, no sétimo dia nós tentamos dominar o eu”

As agências de viagens, ou colônias de férias não sabem, mas o homem foi criado para o descanso. Ao contrário do que insistimos em imaginar, Deus não criou o homem para o trabalho; o criou primeiro para o descanso, e só depois para o trabalho. A criação é tomada como ponto de partida para essa afirmação uma vez que Deus, ao criar céus e terra (Gn 1.1), após haver dito: “haja luz”, decretou a luz como Dia, e as trevas, Noite. E foi então tarde e manhã, o primeiro dia (Gn 1.5).
O relato segue com a mesma descrição, sempre “tarde e manhã” na conclusão de cada dia (Gn 1.5; 1.8; 1.13; 1.19; 1.23; 1.31). Ainda no sexto dia, antes de Deus decretar o sétimo dia, após criar o homem, ele ordena: “enchei e sujeitai a terra” (Gn 1.28). Porém, antes do trabalho do homem, Deus havia concluído sua obra, então, “Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação.” (Gn 2.3 NVI)
Deus descansa, abençoa e santifica. Mas Deus se cansa? Isaías afirma que não, Deus não se cansa! (Is 40.28). Então, qual é de fato o sentido de “descansou Deus no sétimo dia”? Gerard Von Groningen afirma que o “termo traduzido por ‘descansou’ traz o sentido de que Ele ‘sabateo’”, isto é, que Ele celebrou o término do que havia criado, tendo declarado sua obra como acabada, completa. Ele escolheu aquele dia como um Dia Santo, no qual desfrutou do que era bom, perfeito e completo.”
É preciso entender, então, este tempo, uma vez que a criação é realizada no tempo. O que Deus quer de fato ensinar ao homem com o sábado é que o homem não é dono do tempo. Em outras palavras, o tempo, como parte da criação de Deus (Gn 1.1-5), não está no poder do homem; Deus o controla, e o faz de tal forma que separa, abençoa e santifica um dia em especial. Esse controle do tempo é estabelecido como um padrão na criação. No sétimo dia, o homem deveria cessar, parar e se preparar para um momento de encontro com Deus. Em outras palavras, só é ser humano à imagem e semelhança de Deus aquele que se expõe a esse tempo, o sábado do Senhor.
O sábado é o dia de guardar as ferramentas, as pastas e os computadores; é o dia de celebração, é o dia da festa da criação, como bem afirmou Heschel: “O significado do Schabat é, antes, o de celebrar o tempo, e não o espaço. Seis dias da semana vivemos sob a tirania das coisas do espaço; no Schabat tentamos nos tornar harmônicos com a santidade do tempo.” Deus santificou o dia de sábado e desfrutar dessa santidade exige um total abandono do comércio, da ganância, e dizer adeus ao trabalho, pois o mundo já foi criado. Afirma Heschel: “Seis dias da semana procuramos dominar o mundo, no sétimo dia nós tentamos dominar o eu.” O sábado é um presente para humanidade porque é dedicado à vida; é um Deus amoroso que nos mostra de forma prática que não somos “animais de carga”, mas homens e mulheres criados à imagem e semelhança de Deus, portanto, não precisamos apenas descansar o corpo, mas festejar a obra realizada, celebrar a vida sustentada.
Cessar o trabalho é parar no tempo para encontrar um outro tempo, não terreno, não humano, mas o tempo da eternidade posto como desejo profundo dentro de nós (Ec 3.11). Com isso, Deus quer nos levar a entender que, durante seis dias, somos sufocados pelos nossos afazeres, mas o sétimo dia é quando saímos do que é terreno para adentrarmos no que é eterno.
É evidente que Deus cessou a obra dele, pois tudo que deveria estar criado, assim estava. Mas nós, homens e mulheres de hoje, temos uma obra que aparentemente não cessa, semana após semana insistimos em trabalhar como máquinas. Então o que o Senhor nos quer ensinar com o sábado? Acredito que seja nos levar na direção do Salmo 23. Entender o cuidado de Deus é tomar consciência de que nada sentimos falta. Ou seja, trabalhamos de domingo a sexta-feira, mas no sétimo dia, no sábado do Senhor, nós damos nosso trabalho como encerrado, nossa obra cessa. Quando fazemos isso, estamos afirmando: “o Senhor é o meu pastor, e de nada eu sinto falta”, ou seja, no Schabat, no sábado do Senhor, devemos repousar como se toda a nossa obra estivesse sido completada, até mesmo tirando o nosso pensamento do trabalho, e nos entregando nas mãos de um Deus que tem cuidado de nós.
Quando nos desviamos de guardar o sábado do Senhor, condenamo-nos a uma vida egoísta e prepotente, fugimos da criação de Deus, queremos nos tornar independentes, mas quando praticamos o sábado do Senhor, temos um vislumbre do que seja o descanso eterno (Hb 4). Quando, pela fé,  enxergamos isso, trabalharemos seis dias, mas teremos um coração inflamado pelo descanso e a celebração no Sábado, o dia do Senhor. Que nos mantenhamos firmes experimentando aqui na terra o que há de ser o Sábado eterno, o descanso da eternidade. Este é o maior presente para a humanidade: o Sábado do Senhor.

Referências
A Bíblia Anotada. Primeira edição. São Paulo, Mundo Cristão.1994
A Torá. Primeira Edição, São Paulo, Abba Press e SBIA. 2010
A Torá, Lei de Moisés. São Paulo, Editora Sêfer. 2001
BUNIM, Irving M. . A Ética do Sinai. São Paulo, Editora Sêfer. 1998
CARSON, D.A. Do Sabbath ao Dia do Senhor. São Paulo, Cultura Cristã. 2006
GARCIA, Paulo Roberto. Sábado: A mensagem de Mateus e a Contribuição Judaica. São Paulo, Fonte Editorial. 2010
GORODOVITS e FRIDLIN. Bíblia Hebraica. São Paulo, Editora Sêfer. 2006
GRONINGEN, Gerard Van. São Paulo, Fides Reformata 3/2 1998 p.149-167
HESCHEL, Abraham Joshua. O Schabat, seu significado para o homem moderno. São Paulo, Perspectiva. 2009
MEHL, Ron. A Ternura dos Dez Mandamentos. São Paulo, Editora Quadrangular. 2006
PORTELA, Solano. A Lei de Deus Hoje. São Paulo, Editora Os Puritanos. 2000
REIFLER, Hans Ulrich. A Ética dos Dez Mandamentos. São Paulo, Vida Nova. 2009

A moeda mais valiosa é o tempo!

Portanto, não o gaste com futilidades e coisas sem sentido

Não é o dinheiro que faz alguém tornar-se o melhor pianista do mundo, mas o tempo investido praticando. O dinheiro compra a festa de casamento dos sonhos, mas é o tempo investido na pessoa amada que faz um casamento bem sucedido. A moeda mais valiosa é o tempo! Portanto não gaste seu tempo com futilidades e coisas sem sentido. “Você pode perder dinheiro e recuperá-lo, mas o tempo perdido não se recupera”.
“A vida é muito curta para ser pequena”, já dizia Benjamin Disraeli. A vida é curta demais para ser pequena, ela pode ser relevante, ter um grande significado, exatamente no tempo que vivemos. O Pr. Martin Luther King Jr. Morreu aos 39 anos de idade. Morreu novo, sua vida foi curta, porém grande, cheia de significado, tornando-se um marco importante pela luta dos direitos dos negros nos EUA.
“Faze com que saibamos como são poucos os dias da nossa vida para que tenhamos um coração sábio.” (Sl 90:12- NTLH). Invista sua vida no que realmente importa!
Reflita comigo: Você está realmente disposto a assistir às cinco temporadas de uma série em que cada uma delas tem 14 episódios de 50 minutos? São mais de quatro meses de sua vida em horas. Vale mesmo a pena? Vai fazer de você uma pessoa melhor?
Precisamos viver o tempo presente com o que realmente importa, pois o passado já se foi e o futuro ainda não nos pertence e quem não viver o tempo presente, aprendendo com o que viveu no passado para preparar o seu futuro, adoecerá. Acabará ficando ansioso, depressivo e frustrado pelo excesso de passado, e preocupações com o futuro, sofrendo com as decepções pelo tempo não aproveitado, pela vida não vivida.
Troque seriados por um bom livro, troque a novela por um curso, aprenda coisas novas, gaste tempo conversando com seus avós, ligue pra seus pais, brinque com as crianças, valorize o tempo em relacionamentos, principalmente com Deus, pois é Ele quem ensina o real sentido da vida!
Valorize o seu tempo, escolha bem com quem e com o que você irá gastá-lo. Para que no final da vida não perceba que perdeu tempo, pois tempo todos nós tivemos! Que Deus abençoe sua vida presente, preparando-lhe para a futura vida eterna!
 

O nascimento de um povo

Voltando ao 24 de janeiro de 1932

Penso que a manhã de 24 de janeiro de 1932 para João Augusto deve ter sido de inquietação, desassossego, ele mais tarde falaria como vinha se sentindo. É, ainda era cedo, mais a tarde iria chegar. Fazia um bom tempo que João queria saber sobre a Promessa do Pai, afinal… “a promessa é para todos quantos o nosso Senhor chamar”… e ele tinha certeza, também era um chamado, havia sido missionário, não podia estar confuso. Deus, ele sabia, …não é Deus de confusão… Ainda era cedo, mas a tarde iria chegar, chegaria com uma enorme e belíssima resposta, explicaria tudo. Provavelmente, arrisco afirmar, o almoço entre João e sua esposa tenha sido de poucas palavras. Não sabia, mas à tarde, ele falaria em novas línguas.  Ainda era cedo, mas aquele era o dia e não passaria, ele falaria novas línguas.  Salomão disse: “Deus tem dia, tempo e propósito para todas as coisas aqui na terra”.
Em São Paulo havia crises, coisas de gente descontente com os governos humanos, coisas que os fazem convulsionar ou, como dizemos, revolucionar. Mas isso certamente não inquietava Augusto que também era da Silveira. O que vinha à sua mente era: “Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus chamar”. (Atos 2:39).  Ele acreditava, mas lhe falaram que não é coisa para se buscar, pois já ficou muito para trás, ficou lá no famoso dia de Pentecostes. Inventaram uma palavra para quem assim pensa: “cessacionismo.” Seu coração, porém, recusava aceitar.  Ainda era cedo à tarde, ele recém almoçara, mas não saciara sua fome e sede. Ele estava com muita sede, daquela água prometida, sob a redação do profeta Isaías: “Porque derramarei água sobre o sedento e rios sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes” (Is 44.3).
O sol já ia alto, mas ainda não era tardezinha, pois somente na tardezinha daquele dia as inquietações de João Augusto iriam findar. Sim, ele teria suas respostas. Deus tem destas coisas, ele sabe de todas as coisas, e pode nos dizer: “Esperem, esperai, até que do alto…” É do alto que vem boas coisas, é do alto que vem o dom perfeito.
Enfim a tarde chegou e nosso pioneiro, com absoluta resolução, entrou em seu quarto para orar. Decidido a tirar todas as dúvidas, se expõe e clama:  “Pai não me deixe morrer em condições tão incertas.” João Augusto da Silveira estava sincero e sedento diante do Pai. Queria respostas, e  naquele momento, foi cheio do Espírito Santo e começou a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhe concedia que falasse.
Maravilhado e sem saber o que fazer, pergunta em tom quase gritado para Marciolina: “Mulher! O que faço?” “Conte! Conte aos outros, marido, o que te aconteceu”, respondeu ela.
Cheio do Espírito Santo saiu jubiloso, contando, orando, debatendo e explicando que a Promessa diz respeito a todos quantos nosso Senhor Jesus chamar. Nasce um povo.
 

A tua infidelidade, a nossa infidelidade

Ficamos aprisionados pelo raciocínio mundano travestido de religiosidade ativista – a maior infidelidade que o povo de Deus pode cometer!

 
A palavra infidelidade causa calafrios a todos: homens e mulheres, namorados, noivos ou cônjuges. Passam pelas mentes inúmeras possibilidades, sempre revestidas pelo medo como emoção principal: medo de ser traído, medo de ser traído novamente, medo de trair novamente, medo da exposição pública, medo de Deus. Mas, também aparecem a raiva, a tristeza, a frustração, a insegurança, o desprezo, os ciúmes, a soberba, a solidão, a auto piedade, dentre tantas outras possibilidades dolorosas e desagradáveis para ambas as partes envolvidas.
A infidelidade nos relacionamentos é um dos eventos mais antigos da história do ser humano e, também, o mais caótico em suas consequências… A meu ver, também é o evento menos compreendido e o mais tratado indevidamente, sobretudo no meio cristão, pois, comumente, o “infiel” é visto como o grande e único vilão da história… A minha experiência no acompanhamento de indivíduos e casais, mostra que não é bem assim… Não se trata de vítima e vilão. Nem tão pouco se trata de um problema limitado ao casal. Família e igreja também têm participação, admitindo ou não!
Forçamos o jovem seminarista a casar logo para ter “carreira de pastor”; proibimos a vivência da sexualidade antes do matrimônio, mas não ensinamos a lidar com ela; não impedimos pessoas de casarem por mera carência porque há risco de perder o membro da igreja; estamos cheios de atividades e não sobra tempo para cuidar das pessoas; não acompanhamos casais desde o namoro porque romanceamos a juventude e a paixão; evitamos tratar os problemas do próprio casamento por orgulho de admitir que líderes também sejam imperfeitos; exigimos dedicação sobre-humana dos líderes, afastando-os de suas famílias e exigimos que tenham famílias exemplares. E ainda colocamos tudo na conta de Deus… ou do diabo. Tudo isso também é infidelidade, participação no pecado. Infidelidade à aliança estabelecida com Deus acima de tudo. Afinal, a questão não é achar culpados e sim assumir responsabilidades Uma parte do corpo adoecida significa que todo o corpo está afetado… Não levamos isso a sério.
Preocupados com as aparências, negociamos a qualidade pela quantidade de membros ou de líderes nas igrejas, o que é incompatível com os valores do Reino de Deus. Deixamo-nos aprisionar pelo raciocínio mundano travestido de religiosidade ativista – a maior infidelidade que o povo de Deus pode cometer!
Felizmente a misericórdia divina renova-se a cada manhã e sempre há tempo de arrepender-se e alinhar-se ao Reino. Que a nossa meta de 2020 seja acima de tudo viver diariamente a sinceridade ao dizer: “Vê se em minha conduta algo te ofende, e dirige-me pelo caminho reto” (Sl 139.24).

Um presente muito esperado

Neste final de ano, que tal presentear com sua atenção?

Fala-se muito em como alcançar uma boa comunicação, mas na verdade, o segredo é simples e está ao alcance de todos, conforme as palavras de Tiago: “Todo homem seja pronto para ouvir e tardio para falar!” (Tg. 1:19). Cursos, palestras e bons livros podem ser úteis, mas a comunicação eficiente, aquela que funciona para ambos os envolvidos, só acontece mesmo quando estamos dispostos a por em prática esta regra de ouro.
Numa sociedade tecnológica, onde tudo acontece muito rápido,  parar para ouvir parece mera perda de tempo, ficando essa tarefa cada vez mais reservada para aqueles que fazem dela profissão ou sacerdócio. Mas não deveria ser assim, porque embora existam situações que necessitam de  escuta especializada, muitos sofrimentos do dia-a-dia  que tiram a nossa paz, poderiam ser amenizados ou até mesmo resolvidos numa conversa amiga e atenciosa. Adoecemos emocionalmente por vários motivos, mas poderíamos adoecer menos se fôssemos mais ouvidos, pois ainda que a solução do nosso problema pareça impossível, quando ouvimos o que estamos falando podemos refletir e compreender a nossa própria experiência, além de alcançar a calma e o alívio emocional.
Podemos até achar que somos bons ouvintes, mas na prática, a arte de ouvir é para poucos, já que a nossa a nossa tendência natural é de dar atenção à fala de alguém que acreditamos ter algo a nos acrescentar ou que discorre sobre algo que nos interessa ou nos agrada. Só que esse o ouvir é uma mera manifestação do nosso ego, porque está focado em nossos interesses e não nos da outra pessoa.
Ouvir de verdade é pensar no outro, nas suas necessidades e interesses, colocando-o em primeiro lugar, antes dos meus problemas, das minhas necessidades, do que eu penso ou deixo de pensar. Implica em tempo, disposição, atenção, paciência e, principalmente respeito. É não ceder à tentação de interromper ou dar soluções, mas apenas demonstrar o quanto a outra pessoa é importante e que o momento é dela. Ouvir, não é só para psicólogos, é para quem ama e se importa a ponto de “não buscar seus próprios interesses…” (I Cor 13). Faz bem pra quem fala, faz bem pra quem ouve!
Podemos demonstrar afeto de muitas maneiras: com um presente,  com uma palavra ou com um abraço. Porém quando emprestamos nossos ouvidos não podemos mais ficar indiferentes, deixar a pessoa ir embora, porque ouvir nos envolve, nos compromete. Talvez por isso, poucos tenham essa disposição!
Neste fim de ano, que tal deixar o smartphone de lado, desligar a TV, desligar-se um pouquinho de si mesmo e dar um presente que certamente vai agradar esposa, marido, filhos e amigos: seus ouvidos atenciosos! Tem alguém precisando, tem alguém esperando!

Abatidos, mas não destruídos

Lembrando das palavras de Deus quando somos feridos
Vivemos em uma época de grandes avanços tecnológicos e facilidade para o  conhecimento, num mundo cada vez mais globalizado pela internet. Então esta é a geração mais satisfeita, saudável, equilibrada, feliz e realizada de todos os tempos? Não!
Esta é a geração da multiplicação de doenças da alma como: ansiedades, depressão, síndromes, fobias e das doenças físicas como: infecções, diabetes, colesterol, hipertensão, câncer e outras. Temos despesas médicas todo mês. E, com o passar do tempo, temos mais comprimidos do que comida no nosso café da manhã.
No Salmo 4.1, Davi faz a seguinte oração: “Responde-me quando clamo, ó Deus que me faz justiça! Dá-me alívio da minha angústia; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração.
Cansados, angustiados, com a alma aprisionada por sentimentos ruins, palavras “‘malditas”, mal faladas que atormentam a mente, traumas e decepções acumuladas ao longo da vida. Dá-me alívio da minha angústia, tem misericórdia de mim e ouve a minha oração”. Essa é a oração do salmista. Eu  pergunto: Quem se identifica com esse momento? Você já fez uma oração assim?
Somos sequestrados pelas nossas próprias emoções, que nos aterrorizam e tentam nos controlar. O carcereiro é a angústia, que toma todo nosso peito, e junto com a ansiedade, parece que vai nos tirar todo o ar.
Se não fosse o bastante, temos que saber lidar com a falta de amor das pessoas. Quantas vezes não ficamos com uma palavra presa em nossas mentes durante todo o dia, palavras que nos machucam e nos humilham. Alguns exemplos?  “A culpa é sua”; “Você é gorda!”, “Você nunca vai conseguir”, “É melhor nem tentar”.
Somos simplesmente escravos de tudo isso? Devemos simplesmente aceitar isso tudo como uma verdade?
Jesus não nos chamou para a morte, mas para a vida, e vida em abundância, cheia, completa, plena. Há poder no sacrifício de Cristo, nas palavras de nosso Deus, que nos dizem assim: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus.”. “Pois, os que confiam no Senhor serão com os montes de Sião que não se abalam, mas permanecem para sempre”.
Não importam as palavras “malditas” que falaram a você, não se apegue às palavras pessimistas e desencorajadoras que ouviu dos outros ou até de você mesmo. Escute o que Deus tem falado. “De todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de Jesus, para que a vida de Jesus também seja revelada em nosso corpo.” (2 Co 4: 8-10).

O segredo de Maria

Precisamos desenvolver a capacidade de definir prioridades para fazer a escolha certa em cada momento

 
A narrativa de Lucas 10.38-42, que descreve as diferentes posturas de Marta e de Maria junto a Jesus, normalmente é tratada focando-se a questão de escolher “a boa parte” e não se deixar preocupar com as atividades mundanas. Contudo, nunca paramos para pensar sobre como Maria soube escolher “a boa parte”. Qual é o segredo dessa mulher? Certamente Jesus não desprezava – e nem despreza – a importância da manutenção da vida diária, das atividades rotineiras humanas, até porque é uma necessidade de todos, assim como foi dele também enquanto encarnado. Trabalhar, estudar, comer, dormir, passear, namorar, ir à igreja, tudo isso é importante para a vida humana e necessário ao desenvolvimento. Então, o que esse texto bíblico tem a mais de conhecimento que não nos atentamos a entender e que é o segredo de Maria?
Trata-se da capacidade de definir prioridades para fazer a escolha certa em cada momento, pois “tudo tem seu tempo determinado e há tempo para todo propósito debaixo do céu” (Ec 3.1). Precisamos saber viver, saber aproveitar cada momento devidamente. Não temos o domínio sobre o tempo, mas temos a capacidade de discernir como melhor utilizá-lo, geri-lo. Mas, isso requer uma boa consciência de escala de valores e de princípios, já que o primeiro passo é saber o que de fato tem mais importância na vida do cristão.
Consequentemente, vem o exercício ético devido, que se manifesta em atitude, em agir. Naquele momento da vida de Marta e de Maria, uma delas já sabia que estar com Deus é de um valor imensurável, princípio de tudo, e que, o momento era de usufruir da presença do próprio Messias prometido, encarnado e ali dentro da casa delas! Desejo e necessidades; eu e o outro; planejar e agir; direitos e deveres; espiritualidade e religiosidade; existência e rotina diária são os eixos mais difíceis de equilibrar-se na vida humana e, exatamente por isso, é fundamental saber discernir prioridades. Marta não tinha esse discernimento naquele momento e afligia-se, além de criticar erroneamente a irmã, posicionando-se como vítima por achar-se mais responsável – algo que fazemos comumente com os outros… Felizmente, a Marta que encontramos em João 12.1-8 é outra. Continua dedicada ao serviço, mas não está preocupada nem inquieta; e nem critica a irmã por estar ungindo os pés do Mestre com um caro perfume e enxugando-os com seus cabelos. Esse evento ocorre depois da morte e ressurreição de Lázaro (Jo 11), fatos em que Marta ainda se apresentava ansiosa e crítica, até com Jesus… O que a fez mudar finalmente?
Certamente foram vários fatores, mas arrisco a dizer que dois deles devem ter sido mais significativos: a morte do irmão querido e sua ressurreição. A morte confronta-nos e traz à consciência a brevidade do nosso tempo aqui e a urgência do desapego. Quanto à ressurreição, lembra-nos da eternidade prometida por Deus, fundamento da confiança.
Você não precisa presenciar a morte e a ressurreição para desenvolver o desapego e a confiança. Assim como Maria, aprenda a estabelecer prioridades na intimidade com Deus, na vida de oração e na meditação na Palavra, que permite a organização da mente para o autoconhecimento e o apossar-se de sua verdadeira identidade pela santificação. Este é o grande segredo! Saber quem você é com Deus e desenvolver a sua santificação na compreensão dos verdadeiros valores e princípios, que geram vida em abundância.

Tempo a sós

A importância da oração secreta que Jesus ensinou

 
“Então seu Pai, que vê no secreto, o recompensará.” (Mateus 6:6)
É muito lindo participar de momentos com nossos irmãos onde podemos servir, adorar, exaltar ao Senhor e viver a comunhão. É bom, é bíblico, é agradável a Deus, mas eu realmente creio que esses momentos não podem substituir nosso momento em secreto.
Nesse contexto do livro de Mateus, Jesus se referia a esmolas (ação), oração e jejum, disciplinas espirituais que deveriam ser feitas em secreto.
Refletindo nessa ordem de Cristo, me lembrei que chamado de Moisés foi em secreto, os Dez Mandamentos foram dados a sós, o chamado de Samuel aconteceu quando estava sozinho, assim como Davi. O anjo falando com Maria e o próprio Jesus teve seu tempo a sós com Deus, em secreto.
O secreto revela a grandiosidade de Deus e a nossa pequenez, traz intimidade, amizade, revelação, consolo, ânimo, paz, glória, recompensa, traz Ele! “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês.” (João 15:4)
Em um tempo onde o ativismo reina, Jesus pede para que priorizemos nosso tempo com Ele, o que mais uma vez me leva ao Éden… Ele quer um relacionamento e pelo simples fato de que “ sem Ele nada podemos fazer”. (João 15.5).
Faça do seu tempo a sós com Jesus uma prioridade em sua vida!
 

A morte trágica de Gugu Liberato

Ficamos abalados mas precisamos refletir sobre como temos vivido

Na última sexta-feira, o Brasil acordou com a notícia da tragédia do acidente e morte de Gugu Liberato. Uma vida calçada no trabalho e na família, que imprevisivelmente foi ceifada. E os que o admiravam choraram sua perda. Atualmente não atuava com tanta frequência na TV como antes, no auge de sua carreira, mas agora com essa tragédia, os fãs se deram conta que já não o veriam mais. A oportunidade de vê-lo em vida já não mais existia.
A verdade é que o ser humano não foi criado para morrer, e com isso sofremos profundamente quando perdemos um ente querido. Algumas pessoas sofrem somente quando perdem alguém próximo, outras sofrem por todos, até os desconhecidos. Mas o fato é que sofremos.
A partir do momento que entendemos, através das Escrituras Sagradas, que fomos feitos pelas mãos de Deus, criaturas à imagem do Deus Altíssimo para a eternidade, quando nos deparamos com a morte, nosso coração e mente ficam abalados com a perda. E nesse momento são despertados em nós alguns alertas sobre como estamos cuidando diariamente desse presente divino, nossa alma vivente, que recebemos com tanto amor de Deus. Pura graça. Como estou cuidando desse corpo para que um dia seja glorioso e incorruptível? Com o quê o estou alimentando? Tenho ingerido alimentos saudáveis, que irão nutrí-lo por um todo? Ou alimentos que nos alegram na hora que o ingerimos, mas durante a digestão nos fazem sentir mal, e vão nos matando aos poucos? Peixe morre pela boca, já dizia minha avó. Se não cuidamos do que entra pela boca, o corpo reage, e aparecem diabetes, pressão alta, constipação, obesidade mórbida, e por aí vai…. Sem contar o mal estar emocional que se instala, tudo isso porque não cuidamos do presente recebido.
Por não cuidar, qual o legado que deixarei aos familiares e amigos quando  morrer? Boas lembranças ou um alívio pela nossa morte? Saudades de momentos felizes ou lembranças tristes de momentos que não valem a pena relembrar ou reviver ou até mesmo contar com satisfação? É um caso muito sério a pensar, o que estamos fazendo com nossas vidas.
É muito importante nos atentarmos para nossas atitudes, ações, realizações e motivações do presente, porque dele vêm a mudança para um futuro melhor. Do passado recebemos informações diversas, boas e ruins, experiências de vida, também boas e ruins, que irão alterar o nosso futuro. O presente só tem sentido se o passado tiver alguma utilidade para uma melhora de vida presente e futura. Na Bíblia Sagrada temos muitos bons exemplos de vida com mudanças benignas: apóstolo Paulo, José do egito, a rainha Ester, Jó, Moisés e muitos outros. Seus legados, as lembranças que deixaram, nos motivam a lutar por uma vida melhor até os dias de hoje.
Você quer mudar sua vida hoje, para ter um futuro melhor, e alcançar uma vida eterna e plena com Jesus Cristo? Se me permite, seguem algumas sugestões do que tenho aprendido ao longo da vida, nos estudos bíblicos, juntamente com a atitude de orar e agir:
– esvazie seu coração das mágoas e dores que hoje deixam você impossibilitado de sorrir, ser feliz;
– libere perdão mesmo estando certo. Você vai sentir um alívio tão grande, parecendo que um peso enorme saiu dos seus ombros! E se a pessoa a quem pediu perdão não a perdoar, sua carga será dobrada, pois com certeza já carrega o peso da dor da discórdia e separação da amizade, e passará a carregar o peso do perdão não recebido. Ore pela reintegração de vocês, pois por vezes o diabo nos cega para atrapalhar a obra do Espírito Santo em nossas vidas;
– siga as orientações do mestre Jesus Cristo, o único exemplo perfeito.
– alimente-se bem, cuide da sua saúde física, mental, corporal, espiritual e financeira;
– doe parte do seu tempo para olhar ao redor e ver quem está precisando de ajuda, aquele que não está conseguindo caminhar sozinho. Parece estranho esse pensamento, mas quando nos dispomos a ajudar o próximo a carregar seu fardo, chegamos a nos esquecer momentaneamente dos nossos problemas, que passam a ficar em segunda escala;
– distribua amor, atenção, oração, abraços, beijos, palavras amigas e incentivadoras, orientações bíblicas com exemplos do Mestre, parceria na caminhada. Doação nos renova espiritualmente, nos traz paz interior, nos faz valorizar a vida. Lembra do samaritano na estrada? Se fosse você, agiria assim?
– repeite os limites da outra pessoa. Não ultrapasse o permitido. Deus não age assim. Mesmo Deus, que identifica nossas falhas e nos conhece, não nos invade. Vá até onde têm permissão. A partir desse ponto, continue somente orando, na esperança do Espírito Santo completar o incompleto, através das oportunidades espirituais que a pessoa permitir.
No mais, lembre-se sempre: “de todos os lados somos pressionados, mas não desanimados; ficamos perplexos, mas não desesperados; somos perseguidos, mas não abandonados; abatidos, mas não destruídos. Trazemos sempre em nosso corpo o morrer de jesus, para que a vida de jesus também seja revelada em nosso corpo. Pois nós, que estamos vivos, somos sempre entregues à morte por amor a jesus, para que a sua vida também se manifeste em nosso corpo mortal. De modo que em nós atua a morte; mas em vocês, a vida.” (2 Coríntios 4:8-12)
 
 

Sejamos gratos por tudo

Além de agradecer pelo ano, devemos planejar boas sementes para o próximo

Ao nos deparar com mais um ano que acaba, muitos sentimentos vem à tona. Muitos se lembrarão com pesar da perda de alguém especial; de um sonho que não se realizou; de um sofrimento que vivenciou. Outros, no entanto, experimentarão a alegria de lembrar-se da chegada de alguém importante: um filho, um sobrinho, um irmão; de uma grande bênção recebida; de um sonho que se realizou. Enfim, são diversas as possibilidades.
Seja como for, a Bíblia nos ensina que em tudo devemos ser gratos (I Tessalonicenses 5:18). No entanto, por conta das dificuldades, perdemos o real sentido de ser grato e qual é a razão de sermos incentivados pelo Espírito Santo a assim agirmos.
Gratidão no senso comum é um sentimento, uma emoção que surge diante de algo que fazem por nós, um agradecimento por um bem recebido. Na visão de muitas pessoas, independente de religião, parece existir um consenso de que ser grato é algo correto, de bom tom e que traz coisas boas para nossas vidas. Muitas publicações nos incentivam a sermos gratos, especialmente nessa época do ano.
Devemos ser gratos… pelo emprego, pela saúde, pela família, pela igreja, pelos talentos, pelos amigos. Como não ser grato por estas dádivas!
Mas nossa gratidão, para todo aquele que entende que ser dependente de Deus é a melhor e maior razão para ser feliz, ah, nossa gratidão é mais profunda. Nossa gratidão existe não só pelas bênçãos maravilhosas da vida aqui, não só pelo bem que recebemos, não só pelas coisas materiais que temos, afinal, nossa gratidão não está ligada somente à felicidade que o mundo conhece (lembre-se dos textos de Mateus 5).
Então, agradeça a Deus pelo ano que passou, pelo que vai sendo iniciado, pelas suas grandes alegrias, mas pelas suas grandes tristezas também, pois somos sustentados por Ele e pelo Seu Santo Espírito. Agradeça pela sua amada família, pelos seus amigos, pela sua igreja, por seu emprego, por seus bens materiais, pela sua saúde… agradeça, sim, irmão!
Depois de agradecer, avance, afinal o Ano Novo se aproxima e já se ouvem os “Jingle bells”. Uma nova etapa se inicia. Um novo campo está à frente. Temos um vasto e belo terreno para plantar belas flores. E tais flores serão tão belas (ou não!) quanto suas sementes. Esta comparação não é absurda, esta comparação é  pertinente. O mundo e o coração nada mais são do que um fértil e vasto campo. É fundamental o que plantamos. Então, lance, semeie, cultive sementes boas. Não haverá boa colheita se não houver boa plantação. Vamos nessa, encha sua mão de sementes de carinho, de amizade, de amor sincero e lance. Tenha um feliz e agradável ano novo, vida nova, sob a soberana graça de nosso Deus. Que Seu amor e Seu exemplo sejam as sementes que você lançará neste novo campo.
 

Ofereça o ombro, em vez de apontar o dedo

Se desejamos obter reconhecimento e respeito, nós, mulheres, precisamos começar por nós mesmas, valorizando o trabalho das outras, vendo-as como irmãs, não inimigas e sendo solidárias

Um dia desses, voltava do trabalho de ônibus quando ouvi um comentário sobre a condutora: “Com essa mulher dirigindo vamos chegar amanhã!”. Sabemos que situações como essa são comuns, principalmente quando uma mulher ocupa função tradicionalmente masculina e, vamos combinar, até mesmo quando não! A realidade é que muitas pessoas têm a tendência de desqualificar um trabalho pelo simples fato de ser feito por uma mulher. O mais triste é quando isso vem de outra mulher, como nesse caso. Mas isso também não é novidade, pois o preconceito não tem gênero!
Talvez uma das razões para isto é que, historicamente, estamos acostumados a reconhecer a figura masculina associada à força, provisão e liderança e a feminina ao cuidado, apoio e assistência.  Então, quando nos deparamos com uma situação destoante dessa convenção, nossa tendência é reagir com desconfiança.
Por outro lado, desde pequenas, as mulheres são incentivadas a assumir funções que envolvem dependência e não iniciativa e autonomia, o que gera nelas próprias dificuldade para confiar no trabalho e na capacidade feminina, quando requerem essas habilidades. Quem nunca ouviu uma mulher dizer: “Prefiro médico homem”, “Ter mulher como chefe? Longe de mim!”
Mas, infelizmente não é somente em relação à questão profissional que mulheres têm reservas umas com as outras. Somos as primeiras a criticar outras mulheres quando erram. Cobramos mais retidão moral da mulher do que do homem. Aceitamos com certa naturalidade que um homem tenha passado por vários relacionamentos, sendo até capazes de atribuir isso a “falta de sorte”. Já uma mulher, na mesma situação costuma ser vista como alguém de “moral duvidosa”.
Por outro lado, parece que estamos sempre prontas a reparar e criticar a aparência de outra mulher: cabelo, roupas, forma física, marcas da idade, dentre outras. Também achamos normal um homem desleixado acompanhado de uma mulher que se cuida, mas torcemos o nariz quando acontece o contrário. Da mesma forma, um homem bem mais velho que sua companheira pode até inspirar elogios à sua virilidade, enquanto uma mulher mais velha que seu marido parece destoante até mesmo para olhos femininos.
Lamentavelmente, além dos aspectos sociais, também perpetuamos visões deturpadas em relação ao nosso próprio gênero, quando nos referimos a outras mulheres como: invejosas, pouco confiáveis, potenciais inimigas e sempre dispostas a nos roubar algo. Mitos como da sogra má, da mãe que inveja a filha, da “amiga fura olho” nos fazem acreditar que não somos capazes de desenvolver entre nós vínculos baseados no amor e na confiança.
A verdade é que mulheres, tanto quanto os homens, precisam ter autocrítica e reconhecer suas potencialidades e limitações, mas isso não significa  viver em função de expectativas que criaram para nós e que acabamos assumindo e cobrando umas das outras. Falta-nos empatia e por isso tratamos outras mulheres com a mesma crítica e falta de tolerância que experimentamos em nossa vida, num ciclo que nunca acaba.
Se desejamos quebrar este ciclo, obter reconhecimento e respeito, precisamos começar por nós mesmas, valorizando o trabalho de outras mulheres; vendo-as como irmãs e não inimigas; sendo solidárias, mesmo quando pensamos diferente; repudiando palavras ofensivas ou que exponham outra mulher; oferecendo o ombro em vez de apontar o dedo. E por que você faria isso? Simplesmente porque você é uma delas!

A batalha entre os gêneros

A serpente me enganou ou foi a mulher que me deste?

O relato da queda do ser humano em Gênesis 3 marca a ruptura do equilíbrio nas relações interpessoais evidenciando o que seria a prática comum dali para frente: subjugação, a começar entre gêneros, e a dificuldade de assumir responsabilidades. Adão tratou de culpar Eva e Deus; e Eva culpou a cobra que, a bem da verdade, apenas provocou a tentação do agir, mas não foi autora dos atos.
Dali para frente, sempre que um ser humano depara-se com outro, consciente ou inconscientemente, trata de categorizá-lo como superior ou inferior a si mesmo e, consequentemente, subjuga ou deixa-se subjugar em continuidade à tentação. A condição anterior que seria apenas de diferenciação de responsabilidades, mas de unidade de propósitos, distorceu-se em percepção de lugar social mais favorável de uns sobre outros, assimilada como condição de poder e autoridade abusiva, opressora e, por vezes, violenta, definindo dominadores e dominados, em total desunião.
O exemplo mais antigo dessa realidade ainda é a batalha entre gêneros. Nos primórdios da humanidade caída o desenvolvimento socioeconômico e político deu-se em um contexto onde a força mecânica definia a sobrevivência, o que selou milênios de subjugação da mulher. Mas, a partir do advento da mecanização pela Revolução Industrial e, agora, com o avanço da cultura digital, onde o diferencial intelectual é soberano ao físico, e o ativismo imediatista requer pessoas com capacidade multitarefa, a mulher está em vantagem.
O cérebro feminino lida melhor com múltiplas atividades, segundo a neurocientista Dra. Ragini Verma (Universidade da Pensilvânia) e a digitalização da vida eliminou a dependência maior da força física; sem falar que as mulheres estudam mais e estão mais informadas. Além disso, irão superar numericamente pela proporção de nascidos do gênero, pela maior longevidade e menor índice de morte por violência, suicídio e doenças. Esta já é uma realidade calculada e comprovada pela Organização Mundial da Saúde e pelo último Censo do IBGE, assim como é fato a descaracterização do movimento feminista em movimento de discriminação do homem, afirmando a “superioridade da mulher”.
Milênios de subjugação do feminino serão substituídos aos poucos por milênios de subjugação do masculino? Que a humanidade desconhecedora do Evangelho continue assim, não é de estranhar, mas e a Igreja? A promessa cumprida em Jesus Cristo permite-nos o resgate do equilíbrio nas relações interpessoais, como o apóstolo Paulo bem definiu em suas cartas: em termos universais, enquanto seres humanos, a igualdade foi restaurada (ex: Gl 3.8); quanto à particularização da pessoalidade, as responsabilidades de cada papel social foram recuperadas (ex: Ef 5.21-6.29) e a singularidade pessoal foi reconhecida, porém, com o propósito do alcance da unidade (ex: Ef 4.10-13).
A Igreja de Cristo, em cada cristão, homem ou mulher, não pode continuar a valer-se de culpar o outro ou o Maligno para extravasar seus desejos egoístas, sua competitividade ambiciosa ou as mágoas não resolvidas. No Evangelho somos chamados à liberdade com responsabilidade; somos chamados a assumir as decisões que tomamos e suas consequências. Não haverá outra expulsão do jardim… nem outros a culpar. Não é mais uma questão de atribuir culpa. É uma questão de amadurecer-se para a eternidade ou desgovernar-se para a aniquilação.
 
 

Amigo, estou aqui

A importância de sermos alguém que encoraja os outros

Onesíforo, esse homem de nome pouco comum, e citado apenas uma vez nas Escrituras, teve fundamental importância na vida de Paulo. Todos conhecemos Paulo: apóstolo, homem temente a Deus, ousado, corajoso, entre outras qualidades, mas quem poderia imaginar que esse homem tão cheio do Espírito Santo tivesse passado por momentos de desânimo?  É nesse momento que entra o papel fundamental de Onesíforo.
“O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes ele me reanimou” (2 Tm 1:16)
Por muitas vezes, Paulo esteve desanimado, seja por cansaço físico, decepções, tristezas, solidão. Nessas situações, seu amigo o procurava para encorajá-lo, animá-lo e servi-lo no que fosse necessário.
Em um mundo tão egoísta e mesquinho, onde cada dia mais as relações são virtuais e não reais, baseadas na reciprocidade e não na abnegação, Deus quer levantar “Onesíforos”: homens e mulheres que se dispõem a servir, amar, cuidar de pessoas.
Não desista do seu marido, dos seus filhos, da sua “amiga complicada”, de um parente querido! Todos passamos por momentos difíceis de tristeza, dor, desanimo, solidão, questionamentos etc.
Que sejamos impulsionadas por Deus a sair da nossa zona de conforto e cheias de compaixão, fazendo a diferença na vida das pessoas que estão a nossa volta, consolando, animando, encorajando, levando para perto do Senhor, porque um verdadeiro amigo, assim faz!

Faça da sua vida sua missão!

Não podemos ser indiferentes aos sofrimentos de toda uma geração

 
“Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Pelo contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte;  porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho. E já não sei o que escolher! Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça no corpo.” (Fp 1.20-24).
A intensidade, a completa entrega e a certeza demonstrada nesses versos por um apóstolo já velho e desgastado, mas de alma ardente e flamejante em vívida luz do evangelho, que brilha intensamente em seu íntimo. Nem a ideia da morte faz com que diminua sua missão de realizar seu trabalho. Ele diz: “Caso continue vivendo no corpo, terei fruto do meu trabalho”. Um dos grandes homens que fez do seu amor por Cristo, sua missão!
Esses versos não constrangem você? Não faz pulsar seu espírito? Pois eu fico constrangido e ao mesmo tempo contagiado e de espírito pulsante ao ler estes versos, simples, sinceros e intensos, de alguém que realmente entendeu e viveu seu proposito. Não tendo uma missão na vida, mas fazendo de sua vida sua missão! O pr. Martin Luther King Jr. confirmou essas palavras quando disse: “Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver.”.
O apóstolo Paulo foi o grande missionário da sua geração. E cada geração  tem a responsabilidade de responder aos desafios do seu próprio tempo e desenvolver a missão em sua cultura.
Estar envolvido em missões vai muito além de entregar panfletos e dizer para os outros: “Deus tem um propósito em sua vida”. Vai muito mais além de enfeitar a igreja em setembro com bandeiras, realizar cultos temáticos com louvores preparados, peça de teatro e jograis. Jesus nos deu uma missão: “Vão pelo mundo todo e preguem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16.16).
Missões envolvem amar nossos irmãos e trabalharmos juntos em um propósito, não devendo nada a ninguém, exceto o amor. Vamos começar a fazer missões quando amarmos a Deus acima de tudo, a nós mesmos, e a nossa família. Pois, sem amor não se faz missões! Será meu amor por Cristo o combustível da minha missão!
Escute essa história: “Deus leva o profeta Jonas acima de um monte e lá o profeta fica para assistir a morte e a destruição de toda uma geração”. Depois Deus faz com que uma planta nasça e dê conforto a Jonas, dando-lhe sombra, e o profeta se alegra. Mas com a morte da planta ele se irrita e, indignado, reclama a Deus sobre o motivo disso. Deus lhe responde assim: “Como você pode se importar mais com uma planta do que com centenas de vidas que se perdem e não sabem distinguir o certo do errado, e por isso sofrem tanto? Não sente a dor delas? Saiba, eu as amo muito.”
Por vezes, estamos como o profeta, descansado, de alma magoada e indiferente aos sofrimentos de alma de toda uma geração, que se importa mais com plantas do que com pessoas. Vamos nos lembrar que nosso amor por Cristo é a nossa missão!
 

Saia do comum, seja normal

Vida missional não é um rótulo, é um estilo de vida

 
Já se viu lendo um texto, aleatoriamente, e de repente perceber que Deus traz à sua mente algo que precisa fazer, realizar ou mudar?  Estudando a lição da semana, resolvi ler o capitulo todo, o qual me chamou atenção uma situação atual, que faz lembrar algo que muitos têm vivido. Em vez de tomarmos uma atitude e resolvermos, nos escondemos atrás de diversas justificativas, todas coerentes com o contexto da nossa vida, mas incoerentes com a palavra de Deus.
Nos últimos anos, o que mais temos aprendido, ouvido, assistido, refletido, vivenciado, alertado e estudado é sobre vida missional, viver todos os momentos do nosso dia para Cristo, desde o acordar até o deitar. Viver como Cristo viveu, onde quer que estejamos, lembrarmos e anunciarmos a Cristo.
Já sei que você irá retrucar dizendo: “não posso falar de Cristo durante meu expediente, não ganho pra isso!”, ou “na escola, preciso focar no professor, se me distrair, não aprendo o que está ensinando!”, e por aí vai… E acredite, concordo plenamente com você. Há momento para tudo. Porém em todos os momentos, mesmo durante nossas tarefas diárias, vivamos Cristo, evangelizando de formas diferentes.
Deus nos capacitou para pregar o evangelho. Creia nisso. Em Êxodo 31:1-11, Deus disse a Moisés quem ele escolheu para preparar o lugar santo, e também seu ajudador (Moisés não pode escolher nem o ajudador). Para que o escolhido fosse capacitado, Deus o encheu do Espírito Santo, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística para realizar o design de Deus (significa que ele não teria se Deus não o tivesse dado) e capacitou todos os artesãos do local, para que executassem exatamente do jeito dele, como ordenou (capacitou até os que já exerciam a profissão).
Então por que deixamos de nos relacionar intencionalmente com nossos amigos, vizinhos, familiares? Crie metas para alcançar essas vidas para Cristo! Elabore reuniões de bate-papos informais, com pipoca, pizza, cachorro quente. Conte algo que aconteceu em sua vida, uma benção recebida, intencionalmente, para que desperte o interesse da pessoa em saber detalhes. Convide para passear de bicicleta e fale intencionalmente sobre algum lugar que visitou com um grupo de amigos da igreja, despertando o interesse da pessoa em fazer parte desse grupo. Faça um chá da tarde e convide as  vizinhas para se conhecerem, reúna as crianças da rua e façam uma brincadeira dirigida com elas e os pais… Temos muito a oferecer ao mundo.
Atualmente, a cada quatro segundos uma pessoa se suicida, e sabe por quê? Porque não encontrou nenhum propósito real e motivador para continuar vivendo. Você pode ser essa pessoa motivadora. Nós nos esquecemos muito rapidamente da quantidade de bençãos que recebemos de Deus, e justamente esses testemunhos podem salvar vidas. Não escolha ser um crente de banco, inútil para a obra. Tome a atitude de fazer algo na casa de Deus e ao seu redor.
Por vezes escutamos algumas justificativas do tipo: “ainda não descobri meu dom, na igreja tudo que já pensei em fazer, tem alguém fazendo…”. Que tal começar na portaria, chegando uns 15 minutos mais cedo, recebendo as pessoas com um sorriso no rosto, um abraço acolhedor? Sabe quantas pessoas chegam à igreja, para cultuar pela última vez, por que já perderam a esperança de que Deus irá atender seu clamor? Já pensou que pode ter algum ministério trabalhando com dificuldades, porque não tem ninguém que, além de se dispor, tome a atitude de ajudar? Já tentou ligar para os irmãos que estão adoecidos fisica ou espiritualmente, para simplesmente dizer: “lembrei de você hoje, e senti o desejo de orarmos juntos”.
Nosso deserto, seja ele financeiro, moral, profissional, estudantil ou familiar, dói muito menos do que os que não conhecem a Cristo, ou estão fracos na fé, pois já estão desacreditados do seu futuro. O nosso deserto é de dor também, mas regado com paz de espírito, com alegria ao cantarmos louvores, ao cultuarmos. Nossa ansiedade cai quando o Espírito Santo trabalha em nós, nossa fé aumenta à medida que o deixamos agir.
Não perca o foco! Deus se importa com você e com a obra que realiza, seja ela qual for. Pode ser comum a muitos cristãos viverem na orla do Reino mas não é normal viver assim! Deus nos criou para o adorarmos e evangelizarmos! Vida missional não é um rótulo, é um estilo de vida! Saia desse marasmo, ponha a mão no arado, e siga avante! Se para a maioria das pessoas é comum viver a sua própria vida cristã, sem se preocupar com o próximo, não significa que é um pensamento normal. Normal é tomar uma atitude quando presenciar uma vida sem Cristo, é ajudar a salvar quem pensa que não tem mais solução. Foi assim que Jesus Cristo agiu e nos ensinou. E lembra de Paulo? Combati o bom combate. Você está combatendo o bom combate? Ou só incentivando quem está na luta?

Há tempo para todas as coisas!

No tempo do “inverno”, Deus está preparando nosso coração para a primavera, que vai chegar

 
“Para tudo há uma ocasião, e um tempo para cada propósito debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou, tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir, tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar, tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter, tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de lançar fora, tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar, tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz.” (Ec 3.1-8)
Tudo em nossa vida requer tempo, por menor que seja: tempo para cozer alimentos, tempo para ficar na fila do supermercado, tempo para abastecer o veículo, tempo para carregar o celular, tempo para ligar o computador, tempo para encher o copo com água, tempo para que alguém atenda a chamada do outro lado da linha. Até a natureza é regida pelo tempo, por suas estações (primavera, verão, outono, inverno). Também há tempo para se esperar o agir de Deus e ver o cumprimento de uma promessa.
O texto bíblico nos lembra que há tempo para tudo, de rir, mas de chorar também, de procurar e lutar, mas de desistir também. Tudo porque Deus tem um propósito, um plano a ser posto em ação.
A ideia de que tudo sempre tem que estar bem, que sempre temos que estar felizes talvez seja a ideia de filmes, novelas e sermões da prosperidade. Mas  nem sempre as coisas são assim, porque há tempo para tudo, até para sofrer, chorar, desistir, derrubar, arrancar e se calar.
A história do povo de Israel sempre me chama muita atenção, porque somos exatamente o reflexo do que eles foram há mais de 3000 anos. O livro de Êxodo relata como foram os dias do povo de Israel enquanto escravos, livres, no deserto, aos pés do monte Horebe e em toda caminhada rumo à Terra Prometida.
Para eles houve tempo de chorar as dores de viver na escravidão, pois viveram como escravos de Faraó, de se alegrar quando Deus usou Moisés para libertá-los, de dançar quando conseguiram passar a seco pelo Mar Vermelho, de se calar enquanto o Deus todo poderoso falava, tempo de morrer por conta das guerras enfrentadas, tempo de construir templos, enfim houve tempo para tudo!
Em vários momentos tiveram que esperar e esse tempo de espera foi de profundas e constantes reclamações. Chegando em Mara, não puderam tomar água, por serem amargas e eles precisariam esperar para encontrar água boa, então inicia-se um processo de queixas; eles se esqueceram de todo o agir do Senhor (de ter livrado seus filhos da morte dos primogênitos, de livrá-los com vida) e passaram a murmurar, chegando a dizer: ”quem nos dera tivéssemos morrido pela mão do Senhor na terra do Egito, pelo menos lá tinha comida e bebida” (Ex 16.3)
E assim foi durante toda jornada do povo; se tivessem que esperar, eles reclamariam e se revoltariam contra o Senhor. Prova disso foi quando Moisés subiu ao monte para receber os mandamentos, e o povo achou que Moisés estava demorando demais e resolveram fazer um bezerro de ouro para ser seu deus. Infelizmente, o povo de Israel nos dá um péssimo exemplo em como se portar durante o tempo de espera.
 
Um excelente exemplo em Jesus
Na vida de Jesus também houve tempo para tudo: tempo de nascer, tempo de rir, tempo de ensinar, tempo de chamar discípulos, tempo de celebrar curas, tempo de destruir barracas no templo, tempo de ficar em silêncio enquanto via um a um sair depois de ter acusado a mulher adúltera, tempo de ficar em silêncio diante dos seus acusadores, tempo de falar do amor de Deus enquanto partiam o pão da ceia, tempo de suar gotas de sangue, tempo de morrer e tempo de ressuscitar.
Jesus teve que esperar ser adulto, esperar para ser batizado por João, esperar para que se cumprisse através dEle todas as profecias, esperar pelas acusações, esperar pela dor, esperar pela cruz, esperar para estar novamente a direita de Deus Pai.
 
E como foi a resposta de Cristo frente ao tempo de espera?
Oração, tempo com o Pai, silêncio, lágrimas sim, mas em nenhum momento revolta, desânimo ou vontade de desistir. Diante do tempo de espera, ele adorava ao Pai com sua vida. E nós, enquanto esperamos o tempo difícil passar, como vamos nos portar?
O Senhor permite todas as “estações” em nossas vidas para que Seu caráter seja aperfeiçoado em nós! Para que a glória dEle seja vista em nós!
Talvez hoje, você esteja passando por momentos que diz pra você mesmo: eu não aguento mais, são tantas lutas, parece que é uma atrás da outra. Mas se lembrarmos o tempo da natureza, que tem várias estações, podemos aprender com isso. Cada estação do ano tem sua característica: verão (calor), inverno (frio), primavera (flores) e outono (frutos).
Para a natureza, o inverno é o pior período, porque é um tempo em que as plantas e árvores hibernam, ‘se fecham’, a aparência dos galhos é feia, seca, sem vida; mas esse período é reservado para produzir substratos (seiva) fundamentais para a próxima estação, que é a primavera, estação de lindas flores e suaves aromas. Por fora a visão é feia, mas por dentro está produzindo vida.
Isso se aplica às nossas vidas, quando pensamos: como está difícil ver o milagre acontecer! Neste tempo de “inverno” o Senhor está preparando seu coração para a primavera, que está para chegar.
E qual será a nossa resposta enquanto estivermos no inverno?
Que como Jesus, possamos orar, ter tempo com Ele, adorar com nosso testemunho de vida, ficar em silêncio, sem murmurar, sabendo que Ele age em todas as coisas para o nosso bem (Rm 8.28) e a primavera vai chegar, apenas espere!