Lágrimas nas alturas

O piloto Andreas Lubitz levou consigo todas as respostas
Andreas Lubitz, um jovem piloto alemão de 27 anos, na terça feira, 24 de março, fez uma manobra absurda, extremamente difícil de se compreender. Silenciosamente, por oito terríveis minutos, fez uma viagem para a morte, levando impiedosamente consigo outros 149 passageiros. Fechou-se para si e para o mundo. Gritos, apelos e lágrimas de angústias não lhe significaram nada. Não houve razão que o fizesse mudar de ideia. Sua ofegante respiração, registrada na famosa “caixa preta”, denunciava o desequilíbrio de uma alma confusa e culposa. Coube à dureza gelada dos Alpes franceses interromper tamanha dor, destroçando brutalmente jovens visionários e velhos sonhadores, abrindo uma cratera de interrogações por toda a terra.  Por quê? Meu Deus, por quê?  Andreas levou consigo todas as respostas.  A única certeza: “nas alturas havia um rastro de lágrimas”!
Tragédias com essa magnitude costumam nos fazer pensar sobre o quanto desconhecemos de nós mesmos. Quem somos, afinal?
“Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou”! (Pedro Bandeira)
Entrar no mundo desconhecido da mente humana nunca foi fácil. Nunca será. Da mente humana, tudo podemos esperar. Com a palavra, Caim, o primogênito de Adão… Primeira geração dos conhecedores do bem e do mal. Mesmo quando Deus pediu que abrisse a porta do coração, escolheu precipitar-se com Abel a bordo de sua ira. No Éden, houve o desastre dos desastres. A queda de todas as quedas. De lá, o jovem Andres Lubitz iniciou sua viagem, com escala para a morte.
Uma produção de Shakespeare na tragédia de Hamlet, ajuda-nos a definir Andres Lubitz: “Ser ou não ser?  Eis a questão.” Será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer? Morrer, dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores. É a conclusão que devemos buscar. Morrer,  dormir; dormir, talvez sonhar.
Ele escolheu morrer. Preferiu não enfrentar o mar de obstáculos. Não houve nobreza. Foi trágico. Sim foi trágico, por isso faço depressa o meu lamento, pois sei que o anonimato faz a tragédia virar história, apenas mais uma história. Aos que são de casa, o tempo não apaga, o tempo não afaga. Impossível riscar da festa quem nunca precisou ser convidado. Para os de casa haverá sempre a lembrança: nosso amado derramou lágrimas nas alturas.
Meu lamento vem com a esperança de que todas as interrogações serão respondidas por Cristo, aquele que enxugará de nossos olhos todas as lágrimas.
 
Pr. Ismael Narcizo é responsável pela IAP em Douradina (MS).

“Uma mentirinha não dói”

A sinceridade, nos dias atuais, está se tornando virtude cada vez mais rara

“Vós sois filhos do Diabo, e tendes vontade de cumprir os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque não há nele verdade. Quando ele diz uma mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e o pai da mentira.” (João 8:44)

Com a proximidade do dia 1 de abril, tido como o dia da mentira, vale a pena refletir: existem crentes mentirosos? Infelizmente sim, de tanto mentir, alguns acostumam, se acomodam com a mentira, usada em brincadeiras, em falas de defesa a si próprios, para se livrar de alguma deficiência de caráter, punição, se dar bem etc. O mentiroso deveria ter vergonha de se olhar no espelho, pois se assim fazer, verá a imagem de uma fraude refletida ali.

Deus trata a mentira como pecado muito grave. ele nos declara neste texto que quem é o pai da mentira, o idealizador, o mantenedor  da mesma,  é o nosso adversário, como diz Apocalipse 12.9: “Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que tem a capacidade de enganar o mundo inteiro.” 

A mentira dita social é algo natural para aqueles que não conhecem a Deus, mentem sempre, descaradamente. Alguns se destacam neste contexto, como  políticos sem escrúpulos, empresários sonegadores, comerciantes desonestos  e outros trapaceiros.

Ser honesto, ser correto, não mentir nos dias atuais está se tornando virtude, e não mera obrigação de todos nós, infelizmente

O que preciso fazer para não ser uma fraude diante de Deus e dos homens? Os mentirosos podem até se dar bem por um tempo, todavia, um dia a verdade vem à tona e a “casa cai”, como diz o dito  popular.

O texto bíblico nos chama a atenção para sermos verdadeiros em todo o tempo, mesmo fracos, mas verdadeiros. “Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade”. (2 Coríntios 13.8).

Seja sincero, aliás, a palavra sincero(a), semelhante em várias línguas, provavelmente vem do latim sincerus, cujo significado é limpo ou puro. Há quem acredite, entretanto, que a palavra originou-se num antigo hábito de passar cera nas esculturas em mármore para esconder as imperfeições. O senado romano teria decretado, então, que toda a escultura deveria ser entregue sine cera, ou seja, sem cera. A partir daí, a o termo teria assumido o significado de “sem trapaça”, e posteriormente, sincero.

É grave falar mentiras, é condenável, nestas palavras de Jesus, ser mentiroso, ainda mais que Ele, Jesus, é o Caminho, a Verdade e a Vida. (João 14.6)

O desafio que Deus nos traz através deste texto é que devemos amar a verdade e não a mentira (você sabe quem é o pai dela). A perdição eterna virá sobre aqueles que não amaram a verdade, foram mentirosos e insistiram em ser

“Porque não receberam o amor da verdade para se salvarem.” (2 Ts. 2.10)

Portanto, tome cuidado com suas  palavras, “para depois não dizer diante do anjo que foi erro” (Eclesiastes 5.6). Até Sara, esposa de Abraão, caiu em contradição quando mentiu e foi repreendida pelo anjo (Gênesis 18.15). A essência da mentira procede do diabo, portanto não minta, fale a verdade sempre e Deus será contigo

Pr. Omar Figueiredo dos Santos é responsável pelas IAPs em Jardim Paineira e Itaquera, na Convenção Paulistana Leste.

Não é ferindo que nos defendemos

Uma jovem morta em perseguição policial foi vítima de quem deveria protegê-la

A perda de alguém que amamos é uma ferida que demora cicatrizar. Somente o amor de Deus pode acelerar este processo e nos fazer superá-lo. O dia 2 de agosto de 2014 ficou difícil de ser esquecido para seu Ironildo e sua esposa, Sônia, pais de Haíssa Vargas Motta, estudante de 22 anos, que foi morta durante uma abordagem policial desastrosa feita na cidade do Rio de Janeiro.
A notícia ganhou audiência nacional e levantou comoção na maioria das pessoas, inclusive em mim, enquanto acompanhava o caso nos jornais. Foi aí que me lembrei de que algo parecido aconteceu durante a noite em que nosso Senhor Jesus estava sendo preso e que foi registrada a ocorrência pelo apóstolo João no capítulo 18, versículos 1 a 11 do livro que leva seu nome.
De fato, era uma noite sombria quando Jesus e seus discípulos foram abordados por Judas e por um grupo de 100 soldados armados, além de outros líderes da época. Entre eles, estava o servo do sumo sacerdote, o qual era responsável por certificar-se de que tudo aconteceria como seus superiores haviam planejado.
No momento daquela abordagem, o pavor pairava naquele lugar. Pedro,  tomado pelo medo e pela expectativa de que algo assim realmente acontecesse (isso explica o motivo de estar com uma espada na cintura) agiu precipitadamente e, sem pensar, feriu Malco, o servo do sumo sacerdote.
Pelo clima tenso apresentado no texto, até justificamos o erro de Pedro, afinal Malco foi curado pouco tempo depois por Jesus, não é mesmo? Mas Jesus não justificou o erro de Pedro e lhe deu uma bronca feroz: “Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu?”
Ainda que Malco estivesse errado, tornou-se vítima quando foi atingido por Pedro. Jesus estava ensinando a todos os “Pedros” que estão espalhados por todo o mundo que não é ferindo as pessoas que nos defendemos.
E se não fosse Jesus ter curado Malco, uma tragédia maior aconteceria naquele dia. Malco, além de curado, foi marcado pela graça e Pedro teve a vida preservada enquanto Jesus nos ensinava como lidar com situações de alta tensão.
Cuidado para não ferir ninguém enquanto pensa estar se defendendo, caso contrário, o mal pode ser muito maior! E não foi isso que aconteceu com os PM’s que abordaram a jovem Haíssa?
Tenho certeza que ao ser curado, Malco jamais se esquecera de Jesus e muito menos Pedro. É exatamente isso que esperamos que aconteça com todos aqueles que feriram e foram feridos durante o decorrer da vida: sejam marcados pela graça e pelo consolo que vem do amor de Deus, inclusive os pais daquela jovem, que foi morta naquela noite, por aqueles que defendendo,  acabaram ferindo.
 
Mis. Franilson G. Santos é responsável pela IAP em Goioerê e Campo Mourão, ambas no Paraná.

O valor de uma mulher

Não está relacionado à sua forma física, ao saldo de sua conta bancária e nem à sua próspera evolução profissional, segundo a Bíblia

Comemoramos o Dia Internacional da Mulher em 8 de março, mas aproveito ainda esses dias para refletir sobre a figura feminina. Nessa data muitas pessoas lembram-se do papel e da importância da mulher para a família, para a sociedade e até mesmo para as igrejas. São muitos os exemplos de mulheres que fizeram a diferença ao longo da história da humanidade e são outras tantas que têm influenciado o mundo em que vivemos.

A Bíblia Sagrada também fala sobre as mulheres. Podemos ler nas páginas sagradas o exemplo de mulheres que desobedeceram a Deus e por isso pagaram um alto preço pela decisão equivocada. No entanto, são vários os exemplos bíblicos de mulheres que temeram ao Senhor e que se dedicaram a ele. Essas mulheres foram alcançadas pela graça e pela misericórdia de Deus, se entregaram a ele, amaram-no de todo o coração e por isso, puderam cumprir o propósito do Senhor para as suas vidas.

Temos visto que, em alguns casos, o valor das mulheres em nossa sociedade está relacionado a sua forma física, ou ainda, naquilo que ela possui. Entretanto, segundo a Palavra de Deus, o valor da mulher não está relacionado à sua forma física, ao saldo de sua conta bancária e nem à sua próspera evolução profissional. “Mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada.” (Provérbios 31: 30).

Para a Bíblia, uma mulher valorosa é aquela que encontra no Senhor a sua prioridade de vida e a sua razão para viver, é a que reconhece que necessita desesperadamente da graça e da misericórdia do Senhor, é a que coloca em primeiro lugar a vontade de Deus para a sua vida. É mulher que ama a Cristo a tal ponto que entregou toda a sua vida a ele. É aquela que está disposta a lutar para construir um lar e educar seus filhos conforme os ensinamentos daquele que morreu na cruz para salvá-la e para salvar a todos os que ela ama. É a que ama a Deus, o seu lar, e as pessoas, justamente pelo fato do Senhor a ter amado primeiro.

Ao refletirmos sobre o papel e o valor da mulher, o nosso coração se enche de gratidão a Deus, o Criador dessa tão especial criatura. Deus criou a mulher para ser auxiliadora e companheira do homem. Mas também o Senhor a criou para que, por meio do seu jeito tão particular, de suas palavras e de suas atitudes, a mulher demonstre o cuidado, o amor e a compaixão de Deus através de sua vida. Por isso, se você é um homem, louve a Deus pelas mulheres preciosas que o Senhor tem colocado em sua vida. Se você for mulher, agradeça e adore ao Deus Todo – Poderoso que lhe formou, criou e tem sustentado e fortalecido. Faça isso durante durante todos os dias da sua vida.

Que Deus continue abençoando a todas as mulheres virtuosas que tem construído uma vida alicerçada em Cristo!

Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infanto Juvenil Regional.

Tão cheios… mas tão vazios!

São Paulo vive o paradoxo: excessivo e racionado

A tarde e a noite do dia 25 de fevereiro foram a manifestação do caos para quem faz uso do transporte público na cidade de São Paulo e Região Metropolitana. Com as fortes chuvas que atingiram a capital, muitos pontos da cidade ficaram submersos. Na região da Vila Prudente (Zona Leste), a água submergiu diversos carros e ilhou muitas pessoas. Santo André, no ABC Paulista, teve diversos pontos de alagamento com águas chegando a quase um metro e meio. Não faltou enchente. Não faltou água em São Paulo ontem.

“Peraí!”. Faltou água sim! As represas continuam com baixíssimos volumes de água disponíveis para a população paulistana, ainda há racionamento, ainda existe o risco de faltar água de vez.

São Paulo vive o paradoxo: cheio e vazio; abundância e escassez; excessivo e racionado. O mesmo bem, a mesma água. A diferença está em uma questão vital (e óbvia, também): São Paulo padece por falta de água potável, límpida e cristalina; pura e brilhante. São Paulo está cheia de água barrenta e poluída; uma água que transborda das galerias de esgoto da cidade, que traz consigo doenças, algumas fatais. São Paulo sofre porque lhe faltam mananciais de água pura.

Muitas vezes os cristãos estão parecidos com a maior metrópole brasileira: vivendo o paradoxo do cheio e do vazio. Talvez eu esteja assim, talvez você esteja assim. Cheio, e ao mesmo tempo, vazio de água.

Tomo como exemplo a mulher samaritana, encontrada por Jesus à beira do poço. Uma mulher cheia de águas barrentas: desilusões, imoralidades, tristeza, discriminação. Vazia de água limpa. Corria ao poço todos os dias, mas aquela água não lhe lavava a alma, não lhe purificava a mente, não lhe curava o coração. Corria de volta para suas desilusões e enchia-se de águas turvas, sujas, poluídas. Até que encontrou-se com Aquele que prometeu que, do interior dela, fluiriam rios de águas vivas, que jorrariam para a eternidade.

Escrevo pensando em mim, em todas as vezes que rejeitei as limpas águas do amor de Deus em troca das águas sujas do pecado. Escrevo com tristeza no coração pela nossa inconstância diante de Deus e frente ao Seu amor. Diferente de São Paulo, os reservatórios das “águas potáveis de Deus” não se esgotaram e jamais se esgotarão.

O problema é que nós deixamos de procurar tais reservatórios. O problema é que aparentemente as águas sujas nos preenchem e nos saciam, mas por pouquíssimo tempo. Logo após voltamos a ter sede e ficamos sedentos, sem paz, sem descanso. E assim vivemos: tão cheios… mas tão vazios!

Que Deus, por sua infinita bondade, nos conduza sempre à fonte de águas tranquilas (Salmo 23.2) onde há refrigério para a alma de todo aquele que é pastoreado por Deus!

 
Eric de Moura é seminarista em Vila Medeiros e congrega na IAP em Vila Falchi (Mauá, SP).

Ainda falta uma coisa

Despertar para a vida, viver mais, experimentar mais e fazer amigos ainda não é o suficiente para fazer a vida valer a pena

 

Não é de hoje que fico admirado com a criatividade dos produtores de propagandas. Eles são, de fato, geniais naquilo que fazem! Se for pra chamar atenção para o que não presta, o fazem com excelência. Se é pra motivar a comprar algum produto, ninguém resiste, mas tem aqueles que se preocupam em trazer qualidade de vida para seus expectadores e, por incrível que pareça, tem muitos por aí. Há pouco tempo vi uma propagando muito boa que dizia assim:

“Contar o numero de aniversários talvez não seja a melhor maneira de medirmos a vida, então que tal deixarmos o calendário um pouco de lado e experimentar contar o tempo de um jeito diferente? Troque o numero de dias pelo numero de sorrisos, de abraços, de amores, de amigos, ou de grandes emoções. Comece a contar desde agora, saia da janelinha e pegue o volante. Desperte para a vida. Viva mais. Experimente mais. Faça mais. Mande uma mensagem para alguém que você ama, divirta-se, reúna mais amigos, mesmo que não seja pessoalmente. Troque a cor do cabelo. Seja turista na própria cidade. Faça horas extras com quem você mais gosta. Faça a vida valer a pena!”

Emocionante não é mesmo? Agora imagine isso com belas imagens, uma boa música de fundo e uma narração de tirar o fôlego! Convence qualquer um!

Porém, com tudo isso, ainda notei que faltava alguma coisa.

A vida naquela propaganda parecia ser realmente bela e aqueles conselhos não pareciam que dariam errado. Mas do pouco que já vivi, aprendi que, sem Deus, a vida até pode confundir-se com contos de fadas, mas uma hora a realidade bate à nossa porta.

Eu de fato quero contar o tempo de um jeito diferente. Eu quero despertar para a vida e quero fazê-la valer a pena. Mas me lembro bem das palavras de Jesus quando disse que Ele era o caminho, a verdade e a vida (Jo 14:6), que Ele é a videira verdadeira e sem Ele nada podemos fazer (Jo 15:5), que sua palavra nos libertaria (Jo 8:36) fazendo fluir em nosso interior a sua perfeita vontade (Jo 7:38) e, assim, como um rio flui em direção ao mar (Ec 1:7), nós fluiríamos para Deus.

Acho que foi assim que Pedro se sentiu quando disse: “Senhor só tu tens palavras de vida eterna”. Ele disse isso em meio a tantas propagandas enganosas que se apresentavam diante dos seus olhos. Pedro sabia que só Jesus traria sentido a sua vida. Acho que de forma diferente, senti o mesmo e meu coração se recordou das palavras de João 6:68.

 
Mis. Franilson G. Santos é responsável pela IAP em Goioerê e Campo Mourão, ambas no Paraná.

Idolatria cristã

Somos muito esclarecidos sobre o que a Palavra de Deus diz em relação à adoração de imagens e o culto a outros deuses. Êxodo 20:3-6 e Salmo 115, entre outros textos, são bem claros e enfáticos em relação à idolatria. Mas será que nós, cristãos, não a praticamos de alguma forma? O que dizer dos fã-clubes evangélicos, em que artistas, cantores e até pastores arrastam milhares de fanáticos que dariam tudo por um minuto ao lado do seu “ídolo”. Num evento de que esses famosos da fé participam, os fãs entram num histerismo que beira a loucura: uns gritam sem parar; outros jogam objetos pessoais, invadem o palco e até desmaiam. Não seria isso idolatria?
Eu estava me lembrando daquela situação que ocorreu em 12 de outubro de 1995, com um pastor da igreja Universal do Reino de Deus, quando, querendo mostrar para os fieis de sua igreja que a idolatria era pecado e que o ídolo nada é no mundo, chutou a imagem daquela que é considerada pelos católicos como a padroeira do Brasil. Aquilo causou uma enorme repercussão no Brasil e no mundo.
Por que me lembrei disso? Não queremos entrar no mérito da questão, a atitude do pastor, até porque ele nega que tenha chutado, diz ter feito apenas um gesto parecido com chute. Eticamente, foi um problemão, pois mexeu e ofendeu a fé de milhares de pessoas em rede nacional. Agora, queremos refletir um pouco, depois de pincelarmos sobre o comportamento estranho de muitas pessoas diante de um “ídolo gospel”, sobre o que acontece, dentro de muitas igrejas evangélicas, com relação aos seus templos. Alguns idolatram o templo; proíbem as crianças até de chorar dentro deles; alguns objetos são intocáveis; algumas pessoas que trabalham na limpeza de alguns temlos chegam ao cúmulo de utilizar um rodo ou vassoura de cabo bem longo, pois receberam ordens expressas para não subirem no espaço que chamamos de púlpito. Não ousam tirar algo do lugar, um banco, uma mesa ou uma cadeira, por exemplo. Tratam essas coisas como santíssimas. Isso é muito preocupante.
Em certa ocasião, em uma igreja local, percebi quando um líder se levantou do seu lugar. Para ir onde desejava, precisava passar pela lateral do púlpito. Ele, discretamente, deu uma leve parada e se inclinou na direção deste. Esse ato me causou um susto e uma enorme preocupação. Fui conversar com ele sobre isso, ao que ele me respondeu que havia sido ensinado que aquele lugar era diferente; era necessário ter mais reverência. Na mente dele, a maior prova de reverência era parar em frente do púlpito e se inclinar, antes de passar para o lugar a que desejava ir. Não seria isso idolatria?
Claro que devemos ter cuidado com os utensílios da casa do Senhor, mas  não vamos exagerar, pois “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há é o Senhor do céu e da terra, e não habita em santuários feitos por mãos humanas. Ele não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo, porque ele mesmo dá a todos a vida, o fôlego e as demais coisas. De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar. Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós. ‘Pois nele vivemos, nos movemos e existimos’, como disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Também somos descendência dele’. Assim, visto que somos descendência de Deus, não devemos pensar que a Divindade é semelhante a uma escultura de ouro, prata ou pedra, feita pela arte e imaginação do homem. No passado Deus não levou em conta essa ignorância, mas agora ordena que todos, em todo lugar, se arrependam. Pois estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou. E deu provas disso a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (Atos 17: 24-31 – NVI).
Diante disso, vamos procurar ser verdadeiros adoradores e não deixar que as coisas nos afastem de Deus e de uns dos outros. Pessoas são muito mais importantes do que coisas. Pessoas têm um valor incalculável: preço de sangue. As coisas ficarão, mas as pessoas herdarão o céu. Não deixe de ir pra lá por causa de coisas. Deus ilumine você.
 
Pr. Magno Batista congrega na IAP em Vila Medeiros (SP)

O clima carnavalesco

É possível obeceder a Deus mesmo no meio de tanta folia

Fevereiro é o mês em que se comemora o carnaval em nosso país. Neste  período do ano, muitos irão buscar por mais desse clima carnavalesco. Eles pedem mais festas, mais músicas, mais danças, mais sambódromo, mais trio elétrico, mais folia, mais fantasia, mais sensualidade, mais bares, mais bebida, mais cerveja e drinks, mais casas noturnas, mais camarotes (se possível vips), mais drogas, mais TV, mais Big Brother, mais sexo, mais carne, mais e mais e  mais…Continue reading

Charlie?!?

Eu sou eu e só

 
“O gênero humano não pode suportar muita realidade”, escreveu T.S. Eliot num de seus poemas. Se ainda fosse vivo, ficaria impressionado com a realidade de sua poesia. O nível de estresse entre as gentes beira o insustentável. Os acontecimentos dos últimos dias mexeu com opiniões, preferências, ideologias, crenças, valores, esperanças.Continue reading

Je Suis Charlie?

E os nigerianos mortos na mesma semana, quem se lembra deles? 

Na manhã do dia 7 de janeiro de 2015 ocorreu em Paris, na sede do jornal humorístico Charlie Hebdo, um dos mais sangrentos atentados terroristas da história da França. Doze pessoas morreram e pelo menos 11 ficaram feridas.
A cobertura jornalística foi impecável: enviados de diversas emissoras do mundo foram até a sede mundial do glamour, a Cidade Luz, para cobrir os momentos mais trágicos para muitas famílias enlutadas e muitos franceses solidários. A comunidade internacional sensibilizou-se a ponto de promover uma Marcha Pela Paz (da qual nossa presidente não participou), reunindo diversos líderes mundiais e milhares de cidadãos franceses. Todos os jornais do mundo noticiaram detalhadamente as operações policiais em busca dos irmãos muçulmanos que foram os responsáveis pelos ataques. O motivo dos ataques? Os cartunistas da revista satirizavam constantemente o profeta Maomé, adorado pelos islâmicos.
Na Nigéria, quatro dias antes, também houve um atentado. Mas a imprensa praticamente não noticiou. Nenhuma rede de TV,  nenhum jornal de vulto mundial, nenhuma linha no New York Times, nem 30 segundos na BBC de Londres. Em Paris morreram 12; na Nigéria fala-se em centenas de mortos, podendo chegar a dois mil mortos. Quase não há jornalistas na região e o acesso à internet é precário, então, as informações são escassas. Mas também não houve interesse da imprensa por saber mais. Será que a mídia usa de dois pesos e duas medidas? Será que o jornalismo tem sido tendencioso?
Nas redes sociais, após o atentado francês, começou a circular a hashtag “Je Suis Charlie”, que significa “Eu Sou Charlie”. Milhares de pessoas, comovidas pelo  atentado francês, não deram a mínima para o atentado nigeriano.
Não as culpo. Sabe por quê? Porque a natureza do ser humano é essencialmente má e egoísta e só vê o que lhe interessa. Talvez a nossa reação fosse (ou tenha sido) de profunda indiferença, tanto com um quanto com o outro caso. Porém, não  existem vidas mais importantes que as outras. Os franceses são tão importantes quanto os nigerianos e vice-versa.
Convido você a colocar em prática a teoria do amor cristão e a separar um momento do seu dia, nesta semana, para colocar diante de Deus nossas indiferenças: pelos franceses e nigerianos, mas também pelo mendigo de rua pela qual passamos todos os dias, pelo vizinho viciado em álcool, pelo amigo que usa drogas, enfim, por todos aqueles que temos tratado com indiferença e que precisam de nós.
Pratiquemos o que está escrito em 1 João 3.18: “Filhinhos, não amemos de palavra, nem de boca, mas em ações e em verdade”.
Que Deus nos ajude a vencer a indiferença que nos rodeia.
 
Eric de Moura é seminarista em Vila Medeiros e congrega na IAP em Vila Falchi (Mauá, SP).

Continuemos a perseverar!

Não podemos parar nem retroceder, pois nossa corrida ainda não terminou

 
 Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus. Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3:12-14)
O ano de 2014 chegou ao fim… Cada um de nós pode refletir a respeito do saldo que o “ano velho” nos deixou: lutas, dificuldades e lágrimas; vitórias, bênçãos e sorrisos… Bem, o fato é que 2014 ficou para trás e 2015 está bem diante dos nossos olhos.  Provavelmente viveremos desafios e incertezas, mas certamente poderemos experimentar o cuidado e a misericórdia constantes do Senhor sobre nossas vidas.
O ano de 2015 pode representar um novo momento para muitos de nós, mas na verdade, a nossa corrida em direção a Cristo estará apenas continuando. Por isso, é fundamental e imprescindível que não percamos o nosso alvo, que é Cristo Jesus, e que perseveremos sempre no Senhor. É justamente essa perseverança (independente das situações) que Paulo enfatiza nesse trecho de Filipenses. Ele comparou a vida cristã a uma corrida, cujo prêmio maior é a salvação em Cristo. Uma das características marcantes de um atleta é justamente sua perseverança, seja nos treinos, seja em sua dieta, seja até mesmo quando está machucado e debilitado.
Quem nunca viu o exemplo de algum atleta que teve que lutar contra a dor física para alcançar seu objetivo: o de conquistar o 1º lugar em sua modalidade esportiva? No entanto, o objetivo de Paulo não era o de alcançar um prêmio terreno e perecível, como a grinalda de folhas que era concedida aos atletas vencedores. Seu propósito foi o de cumprir a vontade de Deus em sua vida, sempre, independente das circunstâncias. Ele aprendeu e reconheceu o que era realmente importante e prioridade para sua vida: a salvação em Cristo. Para o apóstolo, viver com Deus era muito mais importante do que qualquer outra coisa. Cumprir o chamado divino tornou-se imprescindível para ele. E nós? Qual o nosso propósito de vida? O que almejamos para 2015? Será que desejamos cumprir os propósitos do Senhor?
Devemos saber que o objetivo de Deus é operar em nossas vidas, capacitando-nos a perseverar em nossa corrida e a vencê-la, para a glória de Cristo. O Senhor opera em nós para que sejamos instrumentos em suas mãos, para que, por nossa vida, outros sejam estimulados a correr em direção a Cristo. Por isso, não podemos ser derrotados pelos problemas ou pelas circunstâncias adversas que estamos vivendo, ou que iremos viver. Mas, ao olharmos para o nosso Autor e Consumador da fé, sejamos motivados a permanecer firmes, dedicando nossas vidas ao Senhor e praticando a sua Palavra, sempre em direção ao nosso alvo.
Que em 2105 nossas vidas continuem firmadas naquele que morreu na cruz para nos salvar!
 
Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infanto Juvenil Regional.

Começando tudo outra vez

Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa.” Atos 16:31

 
Quase todos nós passamos pela situação de ter que recomeçar a vida. Seja uma mudança de residência, uma crise, uma dificuldade financeira ou mesmo vivenciando uma nova fase da vida (como o nascimento de um filho), todos esses fatores podem impulsionar o homem e a mulher para um recomeço.
Em Atos 16: 25-33, a Bíblia Sagrada nos mostra um exemplo de uma mudança de vida radical que aconteceu com um carcereiro. Este homem estava vigiando, além de outros presos, Paulo e Silas na prisão, que estavam louvando a Deus, mesmo encarcerados. Um terremoto destruiu as celas e abriu as portas da prisão.
O carcereiro, sabendo que todos os presos poderiam fugir, se desespera e pensa em se suicidar. No entanto, Paulo afirma que nem ele, nem Silas e nem os outros presos haviam fugido. O carcereiro então, reconhecendo que o terremoto era uma obra exclusiva do próprio Deus, pergunta: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?” (Atos 16: 30). Paulo e Silas então apresentam Jesus a esse homem, que reconhece a Cristo como Senhor e Salvador. Aí começa uma nova vida para esse homem e para a sua família, a salvação chegou até o seu lar. Ele tem a maravilhosa oportunidade de começar a viver com Cristo. É um recomeço para sua vida.
O próprio Paulo teve essa oportunidade. Antes de ter Jesus como Senhor de sua vida, ele perseguia os cristãos de sua época, no entanto, ao ter um encontro com Jesus, ele pôde recomeçar conforme a vontade de Deus. Ele creu em Cristo e passou a obedecê-lo com toda a sua força, seu coração e seu entendimento. Como nós podemos observar, a Bíblia está repleta de exemplos de pessoas que estavam desesperançadas, desamparadas, angustiadas, sem direção ou orientação, sem razão para continuar vivendo. Mas, ao entregarem suas vidas a Deus, tais homens e mulheres encontraram a razão pela qual viver, além de encontrarem também fortes motivos para recomeçarem suas histórias.
Dessa maneira, assim como o Senhor deu a oportunidade para milhares de homens e mulheres recomeçarem, ele também deseja que todos nós possamos reiniciar nossas vidas ao seu lado. Deus anseia que coloquemos os nossos projetos, os nossos sonhos, a nossa família diante dele, porque com toda a certeza seu amor e misericórdia são abundantes e sem limites. Não importa a situação que possamos estar vivendo ou a dificuldade que possamos estar enfrentando, o Deus da Bíblia pode e vai intervir em nosso favor, permitindo que nós recomecemos uma nova história em nossa vida.
 
Cláudia dos Santos Duarte é diretora do Dijap Regional da Convenção Noroeste Paulista e congrega na IAP em Votuporanga (SP).