Malhando o corpo e a alma

Mais pessoas estão frequentando as academias, mas quantas estão exercitando a vida espiritual?

O portal de notícias Meio e Mensagem noticiou, em 20/06/11, que “66% dos 4,2 milhões de brasileiros” têm acesso a academias e são das classes emergentes (C, D e E), movimentando um mercado que já é um dos maiores do mundo.
Devido a essa frequência, as academias estão barateando o preço das mensalidades para alcançar cada vez mais as camadas populares, além de criar marcas mais baratas, a fim de suprir esse público. O Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) tem cerca de 19.681 academias registradas, fora as que não constam nos dados oficiais, o que nos leva a concluir que, diariamente, temos novos corpos malhados na sociedade.
Mais músculos, “esculturas” humanas, curvas, mudança de hábito e apelo ao bem estar. Em todos os espaços da sociedade, há muitos frequentadores, tanto de academias como de outras atividades, físicas e esportivas.
A Bíblia, Palavra de Deus, fala um pouco desse assunto. Assim Paulo falou a Timóteo: “O exercício físico é bom, porém, o exercício espiritual é muito mais proveitoso. (…)” (1 Tm 4.8a NBV). Aqui Paulo diz que o exercício físico é bom. Veja que o apóstolo não é contrário à prática de exercício físico e nem a favor do sedentarismo. Lembremo-nos que a Bíblia ainda fala do atleta de corrida (1 Co 9.24-26a) e do pugilista, o praticante do boxe hoje (1 Co 9.26b-27).
Em segundo lugar, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21), não para só por aí. Ele também fala de outra categoria de exercícios: os espirituais. Exercitar-se espiritualmente é muito mais proveitoso. Em outras traduções encontramos a palavra piedade, que é ser devoto ou dedicado a Deus. E ser piedoso, exercitar-se espiritualmente, é nosso grande desafio. Isso é “malhar” o coração por dentro!
Nossa tarefa é praticar todos os dias as PDD’s (Práticas Devocionais Diárias) que foram organizadas pela FUMAP (Federação de Mocidade Adventista da Promessa). Encontramos uma verdadeira “academia espiritual”, na verdade, tiradas da Bíblia: ler e meditar na Palavra de Deus; orar; jejuar, eis alguns exercícios que podem nos levar a uma vida mais piedosa diante de Deus. Israel Belo Azevedo, no livro Sete Passos e Meio para a Felicidade, faz um importante comentário sobre esta passagem: “Esta é uma boa lembrança diante da supervalorização do corpo. Também é verdade que o nosso corpo é para ser cuidado, o que implica exercícios físicos, para que haja saúde.”
Paulo prossegue nos falando dos resultados destes exercícios espirituais: “(…) Portanto, exercite-se espiritualmente porque isso ajudará, não só agora, nesta vida, mas também na vida futura.” (1 Tm 4.8b NBV). Portanto é de grande proveito praticar a vida piedosa, tanto para com Deus, como para com nossos irmãos (Tg 1.27). A prática devocional diária nos leva a controlar todo nosso ser, fazendo ficarmos mais parecidos com Jesus (Rm 8.29).
Andrei C. S. Soares é missionário da IAP Igarapé-Açu (PA).

Luz no fim do túnel

A crise pode ser uma oportunidade, se nos voltarmos a Deus
 A Bíblia fala sobre ela há muito tempo! À medida que a volta do Senhor se aproxima, ela alcança maiores proporções (II Tm 3). Hoje, ela tem sido uma das principais manchetes dos noticiários. Temos nos acostumado a ouvir e até nos arriscamos a falar sobre ela. Ela está cada vez mais próxima a nós e, direta ou indiretamente, nos afeta. Ela é a CRISE!
Crise na família, crise na saúde, crise na educação, crise na segurança, crise moral, crise nos relacionamentos, crise política. No Ministério dos Transportes, há quase dois meses, um esquema de cobrança de propinas foi descoberto, o diretor-geral do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Luiz Antônio Pagot, caiu e mais de 20 funcionários foram exonerados. No Ministério do Turismo, empresas de fachada e de propriedade de membros que faziam parte do esquema, foram usadas para direcionar licitações e firmar convênio em que recursos eram desviados. Crise nas nações: Líbia, Egito, protestos na Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Síria, Arábia Saudita, Bahrein, Marrocos, Sudão e Omã. Crise na paz: Londres em Guerra, atentado na Noruega. Crise na economia: Grécia não consegue dinheiro emprestado para se financiar; Estados Unidos no vermelho, risco de calote americano. Crise na natureza: terremoto e furacão em Nova Iorque.
Não podemos deixar de pensar em tudo isso no aspecto espiritual. Afinal, não estamos imunes à crise. As crises vividas em todos esses ambientes citados são, sem dúvida, reflexo do distanciamento do homem do seu criador! Portanto vivemos também uma crise espiritual.
Essa crise espiritual é percebida e sentida em nossos cultos. Muitas vezes começa nos púlpitos, através das heresias pregadas, da enxurrada de palavras sem unção do Espírito, da pregação que infla o nosso ego, desprovida de abnegação e de cruz (Mc 8.34), e se reflete em nosso dia a dia.
Olhe para as nossas Escolas Bíblicas! Há mais ou menos trinta anos elas foram substituídas, abolidas ou quase não existem em muitas igrejas, sob o argumento de não serem atrativas e por falta de participação. Sejamos sinceros! Olhe para o horário em que as pessoas chegam à Escola Bíblica e ao culto, e muitas, sem a mínima motivação ou interesse. A crise não é apenas política, econômica, familiar, sócio – ambiental, a crise é, sobretudo, espiritual.
Entretanto, sob todos os aspectos, principalmente o espiritual, a crise pode ser uma oportunidade!
Olhemos para a Bíblia. Há muito tempo atrás, no Salmo 46, o salmista já nos indicava um mundo em crise, uma natureza em crise (v. 2,3 ); nações em crise (v. 6,9). Os cenários vividos por nós hoje, são descritos anos trás. Para ele, a crise não impõe medo ou terror (v2)! Ela é vista como uma oportunidade e isso nos ensina muito!
 
A crise é uma oportunidade de reconhecer que as coisas não vão bem!
Só podemos escapar dela se acreditarmos que ela existe. Por isso, admita a crise! Reconheça seus problemas, suas dificuldades, seus erros. No meio dela, podemos nos arrepender da nossa desonestidade, dos nossos esquemas, dos nossos pecados! Afinal, nada há encoberto que não seja revelado (Mt 10.26), e de Deus não se zomba, pois tudo que o homem semear, também ceifará (Gl 6.7).
 
A crise é uma oportunidade de colocar Deus no centro da sua vida!
Num cenário crítico, os versículos 4 e 5 são uma declaração consoladora da presença poderosa e sustentadora de Deus no meio da sua cidade. Está faltando Deus nas nossas vidas no meio da crise! É a sua oportunidade de reavaliar sua vida e restabelecer Deus como sua prioridade (Mt 6.33).
 
A crise é uma oportunidade de pensar sobre o que tem sido sua segurança.
Para onde você corre em tempos de crise? Só existe estabilidade física, emocional, espiritual, econômica, familiar, ambiental, ou em qualquer outro aspecto, em Deus! Ele é o nosso refúgio e fortaleza, nosso socorro! (v1).
 
A crise é uma oportunidade para fortalecer sua fé na soberania de Deus.
Deus não perdeu o controle e muito menos o interesse em nós! O nosso desafio é descansar em sua soberania. Observe a declaração do v. 8: “Venham, e vejam as obras do Senhor!”. Ele é o Deus que faz, é aquele que dirige e que permite a história. A crise existe sob a soberania de Deus!
 
Em último lugar, a crise é uma oportunidade para vencer a autossuficiência. Não somos e não podemos nada sem Deus(Jo 15.6)!  Engana-se quem pensa que suas estratégias, sua inteligência, seus métodos falíveis, o livrarão. Deus se revela como refugio, fortaleza, socorro bem presente na hora da crise! Ele ajuda, ele efetua, somente ele põe fim as guerras! “Aquieta-vos” (v.10), nos diz o Senhor, literalmente, “parem de lutar”, não confiem em si mesmos! Na crise, ele é o único a ser exaltado.
 
Pr. Alexandro Jorge da Silva é responsável pela IAP em Jundiaí (SP).

Portas fechadas para o evangelho

A cada mês, cerca de 200 igrejas viram prédios na Europa 
“Quatorze apartamentos de luxo em uma igreja restaurada” é o que dizia a enorme faixa pendurada em frente a uma igreja histórica fechada na Europa, segundo o Portal G1, em 05/09/11. Nada de novo. Nos últimos dez anos, 200 templos, em média, por mês, fecharam as portas em toda a Europa.  Os países que abrigaram igrejas cristãs por séculos possuem hoje uma ínfima porcentagem de fiéis. O berço da reforma protestante carece hoje de um grande reavivamento. Os dantes protestantes já não protestam mais. Aculturaram-se, tornaram-se céticos; foram tragados pela cultura emergente; pelo pluralismo, pelo relativismo moral e pelo processo histórico de secularização que varreu toda a Europa.
As igrejas ainda estão lá, mas, na grande maioria, sem nenhuma relevância para a sociedade moderna. Já não são o que a princípio deveriam ser. São igrejas na essência, mas também prédios que se tornam alvos da cobiça imobiliária. Igrejas de 200 anos – e até mais antigas – estão fechando as portas na Europa. Os edifícios, cheios de tradição, estão sendo ocupados por livrarias, estúdios de música e até boates, ainda segundo o Portal G1. Em uma sociedade pós-moderna e, consequentemente, secularizada esta é a única “função” que uma igreja poderia exercer.
Penso que esta não seja uma exclusividade das igrejas centenárias da Europa. As igrejas do Brasil também andam perdendo a “função” que outrora já desempenharam e, o mais incrível, sem fecharem as portas. Por aqui, as igrejas também oferecem entretenimento e luxo assim como as igrejas da Europa, que se transformaram em boates e hotéis luxuosos. A secularização é um processo complexo e se desenvolve de diversas maneiras dentro de uma cultura ou sociedade, absorvendo as peculiaridades de cada contexto.
Nós, os evangélicos brasileiros, somos tão criativos que desenvolvemos uma nova maneira de secularização: uma que não precise fechar as igrejas. Os padrões de nossa sociedade consumista e materialista são reproduzidos em nossos cultos e congregações claramente. No Brasil, a secularização se desenvolve nas igrejas com as portas abertas. Por aqui as igrejas não fecham, pelo contrário, crescem. No entanto, tão rápido quanto o crescimento das igrejas evangélicas do Brasil, é o espantoso crescimento dos “sem-religião”. Aliás, as igrejas evangélicas deste país, com seus escândalos financeiros, apelos materiais e falsas promessas, são os grandes agentes desse crescente número de frustrados e decepcionados com a religião. De maneira que nos perguntamos: o crescimento evangélico é, de fato, benéfico em nosso país?
Mara Maravilha, cantora gospel e proprietária de uma loja de artigos evangélicos na rua Conde de Sarzedas, em São Paulo, disse em uma reportagem exibida pela BBC Brasil: “Graças a Deus que se abrem muitas igrejas. É melhor do que abrir botequim”. Desculpe-me o ceticismo, mas será mesmo?  Será benéfica uma mensagem distorcida do evangelho que produz resistência nas pessoas contra o verdadeiro evangelho de Jesus?
Devemos repensar. É possível que já tenhamos mais de 20 milhões de pessoas no Brasil que se declaram sem-religião. Em um país aparentemente religioso, cresce a indiferença e até mesmo a antipatia pelas expressões religiosas. Temos diante de nós, como igreja, um grande desafio: alcançar pessoas indiferentes e ariscas ao cristianismo institucional. Temos a incumbência de proclamar Jesus a pessoas cada vez mais céticas e frustradas com a religião.
Diante dos desafios que despontam no horizonte dessa geração urge a necessidade de uma igreja relevante, capaz de romper as barreiras intransponíveis e proclamar com verdade e simplicidade o evangelho de Jesus Cristo. O mundo precisa de uma igreja que consiga dialogar com a cultura, comunicando o evangelho de maneira clara e compreensível às pessoas dessa geração. Não fomos chamados para pregar à geração passada, somos chamados para proclamar o evangelho a essa geração. Decifrar os códigos de nossa época, traduzir o evangelho de Jesus numa linguagem acessível e compreensível às pessoas dessa geração é missão da igreja.  Estamos no limiar de uma nova história. Nasce uma nova geração, surgem novos desafios, agigantam-se novas barreiras que impedem o crescimento do Reino nos corações humanos. Somente uma igreja relevante e missionária poderá vencer estes desafios e alargar as fronteiras do Reino de Deus no solo desta terra. Que Deus nos ajude.
 
Kassio F. P. Lopes é  missionário da IAP em Corumbá (MS).
 

Dois seres em um

Nos teatros, usava-se uma máscara chamada “persona”, que é uma palavra italiana derivada do latim para um tipo de máscara. A psicologia usa o termo “persona” para definir a função psíquica relacional voltada ao mundo externo, ou seja, é o que somos por fora, é o que vendemos aos outros acerca de nós. Existe uma necessidade de vender uma imagem acerca de si mesmo a qual está, quase sempre, ancorada nas coisas que se fala, na maneira de se vestir, nos bens que são ostentados e na maneira de se comportar. Em resumo, “persona” é o que somos por fora, é a nossa personalidade.
Mas, quando pensamos em caráter, nos remetemos ao que somos por dentro. É aquele ser que existe em nós que, de fato, encaramos no silêncio do quarto ou nos desertos da vida. Caráter é sua índole, sua natureza pelo que você é por dentro. Davi, pensando em seu caráter, faz uma oração a Deus e diz o seguinte: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos” – Sl. 139:23.
Coração no hebraico é: לבב lebab, significa o homem interior, sua mente, vontade, coração, alma. Davi não tem a menor preocupação em impressionar a Deus. De fato ele procura ser autêntico, sem máscara alguma, diante das mentiras e enganos que nele existem. Quem é esse que existe dentro de nós, que nos dias de culto põe a “roupinha de ver Deus” e vai ao templo, pensando enganar ao Senhor como aos irmãos, falando o que não vive, pregando e “teologando” empolgadamente, sem nunca ter experimentado a realidade do evangelho na vida íntima e pessoal? Quem é esse que existe dentro de nós que canta empolgadamente nos cultos e durante a semana cobiça, adultera, inveja e mente, como se isso já fizesse parte da vida da vida “secreta” e “íntima”? Quem é esse que existe dentro de nós, que vive o “transtorno de personalidade aparente”? Quem é esse que existe dentro de nós, com suas máscaras, tomando forma ao ponto de conseguir adorar ao Senhor com o coração carregado de mágoa, ressentimento, ódio, desprezo, ciúmes e sordidez? Quem é esse??? Quem é esse que vive se escondendo por trás das máscaras?
As duas perguntas que devem provocar verdadeiro pânico e desespero em nós são: a quem Deus procura na terra para serem os seus verdadeiros adoradores? Os que tentam impressionar pela roupa que vestem, pelas coisas que falam ou pelo cargo que possuem? A resposta é simples. Quem Deus procura é uma gente íntegra no caráter, segundo o evangelho de João 4:23: “Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores”. Nos íntegros e sinceros existe um ser dentro cuja máscara não consegue esconder; é esse ser que faz a adoração tornar-se verdadeira. A segunda pergunta é: diante desse caos existencial, quem se salvará, afinal? A resposta é muito simples e absurdamente desesperadora em Hb 12: 14: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”
A palavra santificação no grego é αγιασμος (hagiasmos), que significa santificação de coração e vida, ou seja, o que somos por dentro e não o que aparentamos com o discurso de “santificação” eclesiológico e teórico para impressionar os ouvintes com nossas máscaras.
Então, o que deveria nos fazer perder o sono, seria a existência dessas duas pessoas dentro de nós, a de fora e a de dentro. A quem o Senhor quer como adoradores e servos? Vejamos apenas três textos bíblicos para concluirmos.
Tiago 1:8 – “… homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.”
Tiago 4:8 – “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.”
A palavra para “dobre” no original grego é διψυχος (dipsuchos), que significa: duas almas, duas pessoas, mente dupla, vacilante, incerto, duvidoso, de interesse dividido. Tiago descreve a figura de uma pessoa que usa máscara na igreja ou em público sendo uma, e outra quando está na intimidade da vida, no secreto, sem máscaras, no deserto onde está a sós, e precisa encarar a si mesmo com suas incongruências, contradições e antagonismos.
O outro texto que podemos analisar é o de Apocalipse 3.15, quando Jesus fala à igreja de Laodiceia: “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”
A palavra no original para “obras” é εργον (ergon). Ergon tem um significado bem apropriado à vida íntima, secreta, pessoal, podendo ser traduzido como a mente. Nesse caso, o escritor poderia ter usado a palavra “ergonai” que seria melhor traduzido para a vida pública e não à vida íntima, só que Jesus não está interessado pelo que fazemos publicamente com uso das máscaras mas sim, pela nossa vida íntima, secreta, pessoal, que ninguém está vendo.
Portanto, tiremos as máscaras da hipocrisia, do fingimento, do sensacionalismo eclesiástico, desse ser que é o que não é. Oremos para que Deus nos livre do transtorno de personalidade “aparente”, ancorado em figuras ou tipos carregados de aparência com exteriorização religiosa daquilo que não é segundo o coração de Deus. Vigiemos para sermos íntegros e sinceros em tudo.
Tiago 1:4: “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.”
Filipenses 2:15: ”… para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo.”
A palavra sincero no grego é ακεραιος (akeraios), que significa mente sem misto de maldade, livre de malícia, inocente, simples.
Que Deus nos desmascare enquanto há tempo!
Pr. Irgledson Irvson Galvão é tesoureiro da Região Paulista e pastor da IAP em Jardim Aeroporto (Campinas – SP).

Dia do Orgulho Hétero?


Temos o direito, sim, de manifestar nossa posição, baseada nos ensinamentos da Bíblia
Há alguns dias, fui surpreendida pela minha filha com a seguinte pergunta: “Mãe, você é contra ou a favor da criação do ‘Dia do Orgulho Hétero’”? Assustei-me não pela pergunta em si, afinal minha filha já tem 17 anos, mas porque eu havia separado uma matéria sobre o assunto para ler, pois havia me chamado muito a atenção. Ela me disse que na escola em que estuda – o Colégio Adventista de Campinas – eles debateram este tema.
Minha resposta foi: “Ainda não sei, não li nem refleti o bastante para me posicionar, mas se for para responder à queima roupa, sou a favor.”
Comecei, então, a ler os artigos que havia separado e, para surpresa minha, deparei-me com uma situação, no mínimo, curiosa. O Dia do Orgulho Hétero  foi aprovado pela Câmara dos Vereadores de São Paulo no último dia 2 de agosto e gerou uma grande reação da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais), pois não concordam  com a criação do mesmo.
O site do vereador que criou o projeto foi invadido, houve reações contrárias no twitter, e dentre as inúmeras declarações, uma delas feita pela comunidade gay me chamou a atenção, pois afirmava que uma sociedade que precisa aprovar o Dia do Orgulho Hétero é uma sociedade insegura. Por quê?
Curioso que somente eles podem defender seu ponto de vista, mas nós não, somente eles querem se manifestar e nós não podemos, por que? De que lado está a insegurança?  De que lado está a falta de respeito? De que lado está a agressividade? De que lado está a intenção de enfiar “goela” abaixo um pensamento?
A meu ver, essas coisas não estão de um lado ou de outro, mas sim, dentro do caráter de cada ser humano. Existem aqueles que respeitam e os que não respeitam. Existem os pacíficos e existem os agressivos. Mas não posso deixar de pensar que, vendo a reação tão contrária da comunidade gay, demonstra o quanto eles querem dominar e determinar o pensamento de todos. Se não nos manifestarmos, logo perderemos nossa liberdade de expressão e de pensamento assegurada pela Constituição. Ainda temos o direito de não concordar com pensamentos e ideias diferentes das nossas.
Respeito é uma coisa e ter que pensar de forma igual é outra bem diferente. Com isso, vemos que ser heterossexual não é ser ET, é defender um modo de vida apresentado por Jesus. Sim, temos um manual de instruções, a Bíblia, e ela nos ensina como devemos nos comportar, o que Deus espera de cada um de nós.
Enfim, não estamos sozinhos sofrendo afrontas, como pensou Elias quando foi se esconder na caverna. Assim como Deus disse a Elias que havia ainda sete mil que não se dobravam a Baal, nós também não estamos sozinhos. Precisamos proclamar a salvação do Senhor a todas as pessoas, pois breve ele virá. Amém!
Dsa. Maria Regina Guimarães Longo Mendes congrega na IAP em Pq. Itália (Campinas – SP) e atua no Departamento Ministerial.

Um regime em colapso

Como o povo líbio deseja o fim da ditadura de Kadhafi, ansiamos pelo fim do império das trevas
Muammar Kadhafi é uma das personalidades mais mencionadas pela mídia mundial neste ano. Isso, no entanto, não aconteceu por acaso. Ditador da Líbia por quase 42 anos, Kadhafi viu o seu regime ser ameaçado diante dos protestos de milhares de pessoas que saíram às ruas reivindicando a sua renúncia ao poder. Os motivos para os protestos do povo líbio não são incomuns: alto índice de desemprego, o preço exorbitante dos alimentos, importação demasiada de alimentos necessários ao abastecimento, gastos excessivos com o arsenal militar do regime, entre outros. Em outras palavras, a população estava sendo refém de uma pobreza alarmante e do desprezo de um governo opressor.
O país economicamente estava em boa situação. Isso pode ser facilmente constatado pelo fato de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou que só, no ano passado, a Líbia cresceu 10,6%, com previsão para crescimento de 6,2% em 2011. Para o povo líbio, é inadmissível que tamanha riqueza e crescimento não se destine à população. O ditador, porém, não entregaria o poder de “mãos beijadas”. Ele enfrentou os manifestantes na base da força. Não hesitou em mandar suas tropas oprimir e massacrar violentamente aqueles que se opunham ao seu poder. A situação tornou-se tão grave e alarmante que outros países como EUA, França, Itália e Canadá tiveram de intervir militarmente.
Após muito derramamento de sangue e várias mortes, o regime de Kadhafi caiu. No domingo, dia 21 de agosto, o presidente americano Barack Obama já declarava que o regime mostrava “sinais colapso”. Foi, sem dúvida, uma boa notícia para o povo líbio, pois trouxe a esperança de dias melhores e sem opressão.
Mas a realidade do povo líbio nos chama a atenção para outro fato importante, a saber, a opressão do diabo. Paulo diz que ele é o deus deste século, que cega o entendimento dos incrédulos (II Co 4:4). O seu império encontra-se fortificado na vida daqueles que não se renderam ao Senhor Jesus e que resistem ao evangelho. Tais pessoas andam segundo as inclinações da carne, fazendo a vontade desta e dos pensamentos (Ef 2:3). Além disso, elas estão mortas em seus delitos e pecados (v.1).
Mas há uma boa notícia. Este império diabólico alicerçado em mentiras, seduções, opressões e pecado está com os dias contados! Quem nos assegura isso? A Bíblia, a Palavra de Deus. Ela afirma que na cruz, Cristo já triunfou sobre o diabo e seus principados e potestades (Cl 2:15). A morte de Cristo é a garantia de que o regime da maldade está em colapso (Hb 2:14)!. O destino de Satanás e dos que o servem será o lago de fogo e enxofre (Ap 20:10). Portanto, os que foram salvos pela graça divina podem festejar a queda do maligno, pois para este, pouco tempo lhe resta (Ap 12:12).
Ms. Jailton Sousa Silva é colaborador do Departamento de Educação Cristã da IAP.

Alerta de tsunami – II


Alerta de tsunami – II : Inculcar os ensinamentos no coração de um filho é mais do que se preocupar com seus amigos ou suas notas
Na primeira parte deste texto falamos da importância do diálogo e do ensino para proteger nossos filhos dos males da sociedade atual, à luz da passagem de Dt 6:6-8. Aqui refletiremos sobre um desafio ainda maior: o de colocar os ensinamentos no coração deles.
A psicanálise afirma que os pais são os principais agentes de repressão ou adiamento dos desejos e impulsos, tendo papel importante para que os filhos possam, eles mesmos, desenvolverem o autocontrole. Espera-se que, com o tempo, em vez de o pai dizer: não faça isto ou aquilo, haja uma voz interior que os impeça de fazer. Freud chamou a isto de superego, outros chamam de “internalização”. Chamaremos de “inculcar no coração”.
“Inculcar no coração” é quando as regras passam a existir em nós e fazemos o certo sem depender de que alguém nos vigie e muito menos para evitar punições, mas simplesmente porque sabemos e acreditamos ser o melhor para nós. A grande dificuldade dos pais é fazer que seus ensinos assumam significado na vida dos filhos, mesmo quando estão longe de seus olhos.
Tenho a impressão de que a geração de nossos pais conseguiu nos passar  uma clara noção de certo e errado e das consequências de nossos atos, mesmo  desconhecendo fórmulas ou princípios educacionais retirados de livros. Nem sempre deixávamos de errar, mas quando o fazíamos, tínhamos noção disso, o que nem sempre acontece com nossos jovens.
Hoje parece ser muito mais difícil educar, possivelmente porque a realidade é outra: diferentemente de alguns anos atrás, os pais não são a única referência de comportamento para seus filhos, pois concorrem com a mídia, as redes sociais, os amigos, a escola. Não podemos ignorar esta realidade nem tão pouco aceitá-la passivamente, pois se já não somos a única referência para eles, temos que lutar para sermos a mais importante.
Para que isso aconteça, precisamos entender que colocar o ensino no coração não é um ato de memorização, de imposição e nem fruto apenas de insistência, mas de uma relação de confiança e de intimidade que se estabelece desde muito cedo entre pais e filhos, e continua ao longo da vida.
Muitas vezes, os pais ficam ausentes da vida dos filhos porque estão preocupados em trabalhar muito e pagar uma boa escola para eles, esquecendo de que a verdadeira educação acontece com a presença deles na vida dos filhos. Não se trata apenas de perguntar onde estão, com quem e fazer cobranças; é preciso estar aberto para ouvir e entender o que os filhos comunicam em cada comportamento, em cada gesto, em todos os momentos.  Os pais precisam conhecer seus filhos além do boletim escolar, interessar-se mais em estar perto deles, do que apenas preocupar-se com os amigos deles!
Há um experimento clássico na psicologia, em que macacos recém-nascidos foram colocados junto a estruturas de arame que se pareciam com mães-macacas, onde haviam mamadeiras acopladas, para alimentá-los. Ao lado, havia “mães” cuja estrutura era recoberta com uma flanela macia e quente, mas sem as mamadeiras. O que os cientistas observaram foi que os filhotes se alimentavam nas “mães de arame”, mas permaneciam o restante do tempo agarrados às mães recobertas de flanela.
Somente a convivência intensa, envolvendo o exemplo, o diálogo, a disciplina e o carinho possibilitam que nossos filhos resistam às inúmeras ciladas da vida e corram para perto de nós e não para longe, quando tiverem dúvidas ou problemas.
Nada pode ser mais importante ou urgente na vida de um pai ou de uma mãe do que investir no relacionamento com seus filhos, sem esperar um alerta, que poderá vir tardiamente!
Romi Campos Schneider de Aquino, psicóloga, é diaconisa na IAP em Curitiba (PR).

Alerta de tsunami – I


Não devemos esperar uma crise para iniciar o diálogo com nossos filhos sobre drogas, sexualidade e namoro.
O problema das drogas já é tão recorrente que não conseguimos imaginar como possa ainda nos surpreender ou nos tocar. No entanto, recentemente vi num telejornal uma cena que me causou muita dor: uma repórter entrevistava uma criança de 10 anos viciada em crack desde os sete. O menino narrava, apertando as mãozinhas e com uma voz totalmente infantil, como começara a mendigar e depois a furtar para alimentar o vício.
Infelizmente, esta realidade não está longe dos lares cristãos. Apesar de toda instrução na Palavra de Deus e do conhecimento secular que temos, nossos filhos não estão imunes a vícios em drogas, alcoolismo, violência, sexualidade precoce e diversas depravações. Muitas vezes, nós, pais, nos sentimos impotentes diante destas situações, pois ficamos esperando alguma sirene tocar para agirmos. Como no caso de alerta de tsunami, muitas vezes quando ele chega, pouco ou nada pode ser feito.
Sabemos que a Palavra de Deus é um guia infalível sobre a educação de filhos e promoção do desenvolvimento moral e espiritual deles.  Um excelente exemplo de orientação para os pais está em Deuteronômio 6:5-8: “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. As inculcarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.”
Há uma grande riqueza de ensinamentos neste texto, mas destacaremos inicialmente os versículos 5 e 6, que dizem respeito à autoridade de nosso ensino. Eles nos mostram que, antes de ensinar a nossos filhos, precisamos amar a Deus intensamente ao ponto de que a sua Lei e seus mandamentos estejam profundamente arraigados em nosso coração. Sabemos que as crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelas palavras; portanto, a integridade e autoridade daquilo que falamos devem partir, em primeiro lugar, de nosso testemunho e exemplo.
Não somos pais perfeitos e jamais devemos tentar passar esta imagem, mas precisamos ser coerentes e exigir deles o que somos capazes de fazer. Se  mentimos, descumprimos nossas promessas ou temos uma vida cristã relaxada, não podemos esperar e exigir deles atitudes contrárias.
Um segundo aspecto importante está no versículo 7, que nos mostra que precisamos “inculcar” os ensinamentos em nossos filhos. Inculcar pode ser traduzido como “imprimir no espírito de alguém”. Mas como isso acontece?  “…falando assentado em casa, andando pelo caminho, sentando-se e levantando-se”, ou seja, repetindo insistentemente, em todos os lugares e ocasiões, aproveitando e criando oportunidades.
Até mesmo os estudiosos do comportamento humano concordam, ao afirmar que o caminho para a prevenção e superação dos dilemas desta geração é o diálogo. Justamente por entender essa necessidade, devemos conversar  muito mais com nossos filhos do que nossos pais conversavam conosco. Informamos, orientamos, alertamos e… nem sempre tem funcionado. Parece que cada vez exercemos menos influência sobre as atitudes deles, pois estão entrando na vida sexual precocemente, envolvendo-se com drogas, prostituição, degradando-se moralmente e espiritualmente.
Mas, se conversamos mais com nossos filhos, porque parece que não está funcionando?
Talvez, justamente porque não estamos seguindo corretamente o ensino da Palavra: estamos demorando demais para agir!. Normalmente esperamos para iniciar o diálogo com nossos filhos em momentos de crise ou quando achamos que estão se tornando mais vulneráveis, por exemplo, no início da adolescência. Infelizmente pode ser tarde! Temas como drogas, sexualidade e namoro devem fazer parte do dia-a-dia de nossa casa, como banho, alimentação e estudo, pois é com essa naturalidade que as informações deturpadas entram na vida deles, através da TV, internet e até mesmo da escola.
Diálogo e insistência são atitudes fundamentais para “inculcar” ou colocar ensinamentos na mente de nossos filhos, mas são apenas o começo.  É preciso ir além, fazendo com que estes ensinos entrem também no coração deles, como estão no nosso. A memória pode falhar e a mente se corromper, mas o que eles guardarem em seu coração, jamais será esquecido. Este, possivelmente, é o maior desafio que temos como pais.
Romi Campos Schneider de Aquino, psicóloga, é diaconisa na IAP em Curitiba (PR).