UMA VEZ SALVO, SEMPRE SALVO?

No meio acadêmico não é difícil ouvir o famoso chavão: “Uma vez salvo, sempre salvo”. É sobre ele que queremos falar neste texto. É correto fazer tal afirmação? Um cristão pode ou não perder a salvação? Sobre esta questão, existem dois grupos de defensores: (1) os que ensinam que ela não pode ser perdida; (2) e os que ensinam que ela pode ser perdida.
Mas, e a Bíblia, o que ela diz? Nela, aparentemente, há base para a defesa das duas posições; só “aparentemente”. Um exame mais cuidadoso mostrará que a segunda opção é a mais correta. Comecemos com os textos bíblicos que, em primeira instância, parecem negar a doutrina de que um crente pode perder a sua salvação e cair da graça. Dois textos principais se destacam como os mais usados para defender esta doutrina: João 6:38-40 e 10:27-30.
O primeiro deles diz: a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6:39). Esta afirmação foi dita por Jesus. Com base nela, alguns autores afirmam que os que foram dados pelo Pai ao Filho, jamais se perderão. Dizem que todos os que verdadeiramente creram em Cristo permanecerão fiéis até o dia final. Mas, será isso que o texto está dizendo?
Em primeiro lugar, observe atentamente a expressão: a vontade de quem me enviou (grifo nosso). Jesus está dizendo que, a manutenção da salvação de todos aqueles que lhes foram dados, é a vontade de Deus. Entenda bem, esta é a “vontade” de Deus. Isso não significa que será assim. Em I Timóteo 2:4 lemos que Deus, nosso Salvador: …deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Veja, isso é um desejo, mas não significa que acontecerá. Todos os homens serão salvos? Todas as pessoas de todos os tempos conhecerão a verdade?
Muito bem, mas você ainda pode questionar: Mas esta é a vontade de Deus para Jesus – que nenhum eu perca de todos os que me deu (grifo nosso) -, sendo assim, se alguém se perder, isso não significaria que Jesus não estaria cumprindo a vontade do Pai? A resposta é não! O fato de alguns se perderem mesmo sendo enviados por Deus, não quer dizer que Jesus não está cumprindo a vontade do Pai. No que diz respeito a Ele neste processo, ele fará de tudo para que todos sejam salvos.
Mas, agora leiamos o que diz o versículo seguinte: De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6:40 – grifo nosso). Preste atenção nas palavras “vir” e “crer”, destacadas no texto. No texto original os termos são theõron (ver) e pisteúon (crer). Estes dois verbos estão em um tempo grego chamado “particípio presente”, que indica uma ação continuada ou repetida.
Então, a idéia dos termos no versículo é: a vontade de meu Pai é que todo homem que “continuar olhando” o Filho e “continuar crendo” nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Nós recebemos a salvação pela graça e escolhemos continuar crendo ou não. Por causa do livre arbítrio, as pessoas podem escolher abandonar a Cristo, se apostatar.
Deus não quer que isso aconteça, e o Filho, através do Espírito, se empenha para que não ocorra. Todavia, é possível que aconteça. Se o ser humano não puder fazer esta escolha, como alguns ensinam, infere-se que ele não tem o direito de escolher. E, nesse caso, não é de fato livre.
O outro texto usado para amparar a doutrina que diz que uma vez salvo, sempre salvo, é João 10:27-28, que diz: As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão (grifo nosso). Por causa desta afirmação grifada, alguns entendem que este texto está ensinando que uma pessoa que se rendeu a Cristo está eternamente segura, independente do que faz no que diz respeito ao seu relacionamento com Deus.
Entretanto, o que o texto está apresentando é uma preciosa promessa de que “nada exterior ao homem pode destruí-lo, enquanto ele estiver depositando sua fé em Deus”.[1] Ou seja, ninguém arrebatar uma pessoa da mão de Deus, só ela mesmo. Aqui, o mesmo principio do livre arbítrio, trabalhado no texto anterior, é ressaltado.
Agora, quanto aos textos que ensinam que o salvo precisa preservar a sua salvação, podemos citar vários deles. De início, pensemos no que disse Jesus sobre esse respeito. Ele alertou os seus discípulos, quanto ao perigo de serem desviados e abandonarem a caminhada cristã (Mt 24:3-14). Será que ele faria isso, se não houvesse a possibilidade de isso acontecer?
Além do mais, em algumas ocasiões, Jesus enfatizou a necessidade de permanecer fiel até o fim (cf. Jo 8:31-32; Mt 10:22; 24:13; Ap 2:10). “Mas quem perseverar…” dizia Jesus. Porque esta expressão se é impossível que alguém que creia nele não persevere? Isso é uma prova evidente de que, é possível alguém que creu, não perseverar. Paulo também mostra que é preciso permanecer na fé: agora, porém, vos reconciliou no corpo da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis, se é que permaneceis na fé (Cl 1:22-23 – grifo nosso). Além de Paulo, no livro de Hebreus, existem dois alertas que não fazem sentido se o crente não puder realmente se desviar e se apostatar (cf. 2:1; 3:12-14).
A Bíblia insta aos crentes a continuar na fé: Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança (Hb 6:11). Esse encorajamento foi feito, porque neste mesmo capítulo de Hebreus, existe um texto claro que diz ser possível se apostatar e assim, perder a salvação: É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo (…), e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento (Hb 6:4-6).
A palavra “caíram” não se refere a um simples tropeço de um cristão fraco, mas a apostasia; a uma “rejeição deliberada de Jesus Cristo”.[2] Para eles não há chance de arrependimento, pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública (Hb 6:6 – NVI). Eles não choram mais pelo sangue derramado na cruz. Ignoram-no, e agora, o envergonham abertamente pela sua apostasia.
Não podemos nos esquecer que Hebreus não está sendo escrito para crentes simpatizantes, mas para cristãos regeneradas. Cristãos regenerados também continuam correndo o risco de se apostatarem de maneira final e irrevogável[3]: …se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo (Hb 10:26-27).
O texto de Hebreus não nos diz se alguém chegou a esse ponto. Entretanto, o que fica muito claro é que, se o terrível pecado da apostasia de pessoas salvas não fosse ao menos remotamente possível, todas estas admoestações não teriam sentido algum.
Precisamos perseverar! …corramos com perseverança a carreira especial que Deus pôs diante de nós (Hb 12:1 – BV). Por fim, lembramos que, dizer que nós precisamos preservar a nossa salvação, não é defender salvação por meio das obras. É preciso um pouco de cuidado nesta parte. A salvação é recebida gratuitamente pela fé. É pela fé, também, que permanecemos no caminho. Todo o nosso esforço para fazer a vontade de Deus é uma resposta grata a salvação que recebemos gratuitamente. Por amor, e só por amor, devemos perseverar até o fim. A salvação é, do início ao fim, pura graça de Deus para os seres humanos!
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
EARLE, Ralph; MAYFIELD, Joseph H. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 7, Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
 
TAYLOR, Richard S. e outros. Comentário Bíblico Beacon. Vol. 10, Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
 
[1] Earle; Mayfield (2006:100).
[2] Taylor e outros (2006:57).
[3] Ibidem.

A fé e a prudência em tempos de coronavírus

“Nesse porto, o centurião encontrou um navio de Alexandria, que estava de partida para a Itália, e nos fez embarcar nele. Navegando vagarosamente muitos dias, foi com dificuldade que chegamos às imediações de Cnido. Não nos sendo permitido prosseguir, por causa do vento contrário, navegamos ao abrigo de Creta, na altura de Salmona.
Costeando a ilha com dificuldade, chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto do qual estava a cidade de Laseia. Depois de muito tempo, tendo-se tornado a navegação perigosa, e já passado o tempo do Dia do Jejum, Paulo os aconselhou, dizendo: — Senhores, vejo que a viagem vai ser trabalhosa, com dano e muito prejuízo, não só da carga e do navio, mas também da nossa vida. Porém o centurião dava mais crédito ao piloto e ao mestre do navio do que ao que Paulo dizia.”

Você deve conhecer o capítulo 27 de Atos. Ele é dos mais incríveis e vívidos de todo o Novo Testamento. Lucas relatou com um nível de detalhe impressionante a viagem do prisioneiro Paulo até Roma. Antes, quero somente relembrar alguns detalhes que compõem o cenário desse capítulo. Essa história começa no capítulo 20. Paulo está em Mileto e convoca uma reunião com diversos líderes (At. 20.17) e comunica sua decisão de ir a Jerusalém. Vários deles tentam demover Paulo da ideia. Já mais próximo de Jerusalém, em Cesareia, novamente tentam demover Paulo da viagem à Jerusalém e ele apresenta sua fé veemente: “O que estão fazendo, ao chorar assim e partir o meu coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” – At. 21.13. Note a convicção de Paulo quanto a “morrer por Jesus”. A partir daí, ele é preso (injustamente) em Jerusalém e apela a César. No início do capítulo 27, Paulo é enviado a Roma, sob a custódia do centurião Júlio. Um homem da guerra, pouco afeito a temores, corajoso. Depois de alguns contratempos na viagem, a embarcação está em Bons Portos e tudo indica que o mar não está favorável para a navegação. Então, aparece Paulo, o prudente, que aconselha ao centurião a ficar ali por mais alguns dias, devido a possibilidade de danos materiais e físicos se a decisão fosse contrária.  O texto diz que Júlio prefere ouvir o mestre do navio e o seu piloto, do que seguir o conselho de Paulo.
Quem é o homem da fé nesse texto? Júlio, os comandantes do navio ou Paulo? A resposta é óbvia: Paulo é o homem que conhece as promessas e o poder de Deus. Paulo, ao longo de sua carreira cristã, já viu e viveu muita coisa, inclusive milagres e livramentos. Paulo, como lemos, não tem medo de enfrentar a morte por Jesus. O detalhe é que nada disso retira o fato de que o homem da fé também é o único prudente na cena. O centurião, o mestre e o piloto são homens do mar, são profissionais, são valentes e não se deixaram impedir por um prisioneiro e seus receios. A única coisa que parece que eles não têm é fé. Quem decide ser prudente? O homem da fé. Quem decide ser ousado e enfrentar os ventos contrários e as ciladas do mar? Os homens valentes e experimentados na vida marítima.
Isso precisa nos falar alguma coisa. Ter as devidas precauções, cuidados e seguir as orientações não se trata de falta de fé, mas da prudência necessária aos homens de fé em tempos ou situações de crise evidente. A dinâmica do Espírito que nos dá ousadia para viver e morrer por Jesus é aliada da sabedoria bíblica, da prudência e da convicção que devemos ter cuidado de nós mesmos (I Tm. 4.16). É hora de abençoarmos as pessoas com o cuidado necessário e o compromisso de cidadania para o bem de nossas comunidades locais. Sem alarmismo ou medo, mas com fé e prudência. É hora de testemunharmos da nossa fé em Cristo por meio da coerência, da boa vontade e da celebração da vida, protegendo nossos idosos, as crianças e os demais grupos de risco. O coronavírus vai passar, assim esperamos. Os tempos ruins também iriam passar e eles poderiam viajar com mais tranquilidade para Roma. A melhor decisão era ficar em Bons Portos, mas eles decidiram partir e, por conta de Paulo, Deus entrou com providência. Por fim, perceba que Deus não se decepcionou com a prudência de Paulo, mas ele viu a bênção e o milagre da salvação em meio ao mar bravio. Ele não tentou a Deus, partindo de peito aberto para uma situação de alto risco, mas ele foi socorrido diante da crise.
Tenhamos fé em Deus, que a desesperança não nos contamine. Mas, também, sejamos prudentes. Afinal homens de fé também são homens prudentes. Sejamos homens e mulheres de Deus nesses tempos difíceis em que passa o nosso mundo. Que a fé não seja desculpa para não exercermos a prudência. E, também, que a prudência não seja revestida de medo. Que a sua fé e a sua prudência glorifiquem a Deus durante essa crise de saúde que estamos enfrentando.
 
 

#DAVIEGOLIAS – “QUANTO BALDE DE ÁGUA FRIA!”

Por quarenta dias a voz de Golias ecoou no Vale de Elá entre os exércitos Israelitas. Cada vez que ia e voltava o gigante parecia maior para as tropas amedrontadas com sua presença pessoal. Até mesmo o rei estava com medo. Mas menino, de aproximadamente 20 anos ou menos, ousou perguntar aos soldados medrosos, sobre a recompensa que o rei daria aos que lutassem contra o gigante (1 Sm 17:24-27).

E porque Davi ousou perguntar sobre Golias? Porque se disporia lutar contra o mesmo. Ele não tinha seus olhos no tamanho do gigante, mas no tamanho do seu Deus. Diferente do povo de Israel, que não demonstravam confiar em Deus. Pois bem, depois de suas perguntas e de sua disposição para enfrentar Golias, Davi começa a receber uma série de “baldes de água fria”. Um balde de água fria é uma situação inesperada, que tenta nos fazer desistir, que tenta transformar nossas expectativas em desilusão.

Em primeiro lugar, Davi foi criticado. O irmão de Davi o ridicularizou quando soube que ele estava fazendo perguntas sobre Golias. Na verdade, com suas palavras invejosas Eliabe tentava esconder sua covardia. Davi não permitiu que aquelas palavras o entristecesse, pois sabia que era em Deus que devia confiar (1 Sm 17:28-29).

Em segundo lugar, Davi foi desmotivado. O próprio Saul, olhando de maneira racional, também desencorajou Davi: não poderás ir pelejar contra ele (1 Sm 17:33). Mas, ele se esqueceu de colocar Deus na equação. Só olhou para Davi e sua inexperiência. Saul não sabia que estava na frente do futuro rei de Israel, na verdade no maior deles. Não sabia que estava na frente naquele que livraria Israel da mão dos estrangeiros.

Davi já havia experimentado o poder de Deus em sua vida. Ele já havia visto Deus lhe dar forças para derrotar um leão e um urso. O texto quer que suponhamos que ele fez isso por intervenção divina! Agora, via Golias como mais um animal atacando as ovelhas de Israel e queria, como um pastor usado por Deus, lutar contra ele (1 Sm 17:34-37).

Apesar das críticas e conselhos desanimadores, Davi confiou no Senhor e foi! O que você faz diante dos “baldes de água fria” que tentam jogar contra você, quando decide fazer a obra de Deus? Quando decide pelejar e militar no exército do Senhor? Davi não se deixou abater, nem com as críticas das pessoas de sua própria família, nem com a avaliação negativa por parte do rei. Ele estava indo batalhar em nome do Deus vivo. Não dê ouvido aos pessimistas. Não dê ouvidos às críticas invejosas. Não dê ouvidos aqueles que tentarem lhe desencorajar com palavras de desânimo. Confia no Senhor e vai!

QUAL A ALTURA DAS CHAMAS DO INFERNO?

por Eleilton William de Souza Freitas
O que é inferno? Pegue o dicionário e você terá, dentre outras, pelo menos estas duas respostas: 1) De acordo com a mitologia, habitação dos mortos; 2) De acordo com a religião, lugar destinado ao castigo eterno da alma dos pecadores, por oposição ao céu.[1] Além destes, segundo Champlin, a palavra “inferno” é de origem latina (infernus) e significa “o que está embaixo”, “inferior”. De acordo com as mitologias gregas e romanas, o inferno diz respeito às prisões subterrâneas onde as almas ficam encarceradas depois da morte física, sendo atormentadas.[2] Pois bem, será que algum destes entendimentos é o bíblico, sobre o inferno? Quando os tradutores colocaram esta palavra nas Bíblias em português, podiam até estar com este conceito em mente, mas segundo o que cremos, ele não pode se sustentar, à luz da exegese bíblica.
Apesar de esta palavra aparecer em nossas Bíblias, em português, esta concepção não é a bíblica, nem judaica nem cristã. Não existe, no presente, nenhum lugar chamado inferno nos termos que nos são apresentados, isto é, como lugar de tortura, onde os ímpios estão sendo torturados. Segundo o nosso entendimento, em linhas gerais, as palavras “inferno” que aparecem na Bíblia tem dois sentidos: Em primeiro lugar refere-se à sepultura, que é destino de todos (justos e injustos); e, em segundo lugar, ao lugar apresentado na Bíblia como sendo o destino final dos ímpios, onde estes serão jogados, depois do juízo final, e aniquilados, isto é, destruídos completamente. Vejamos, então, estes dois conceitos:
 
Inferno como sepultura
A Bíblia é clara em dizer que a sepultura – o pó da terra – é o lugar para onde vão todos os mortos (Ec 3:19-20; Sl 104:19; Jó 17:1; 30:23; 34:15; Jo 5:28). Biblicamente, este é o chamado estado intermediário. Neste estado não planejam (Sl 146:4); não têm consciência (Ec 9:5-6); não podem louvar a Deus (Sl 6:5). Só sairão dali por ocasião da ressurreição do último dia (Jo 5:28). Observe que no evangelho, quando Jesus ressuscitou Lázaro, este não foi chamado a descer do céu. A ordem de Jesus foi direcionada ao sepulcro onde este estava (Jo 11:43-44).
A palavra hebraica sheol e a palavra grega correspondente (gr. hades), traduzidas em nossas Bíblias por “inferno”, dizem respeito a sepultura ou cova (cf. Dt 32:22; Sl 9:17; 116:3; Pv 5:5; 9:18; Os 13:14; Mt 11:23; 16:18; Lc 10:15; 16:25). Segundo a Bíblia, todos vão para o sheol ou hades, e não somente os injustos (Ec 6:6; Jó 3:17-19). Até Jesus o foi. O livro de Atos afirma que o corpo de Jesus foi para o hades (At 2:27,31). Obviamente que o sentido é sepultura!
 
Inferno como destino final dos ímpios
Com relação ao futuro dos ímpios, depois do juízo final, Jesus falou mesmo sobre um lugar destinado àqueles que serão rejeitados no julgamento. Para este lugar só vão os ímpios. Quando falou sobre ele, Jesus usou o termo grego Geena, traduzido em nossas Bíblias também por “inferno”. Geena é uma referência ao “Vale de Hinom” (Js 15:8), um estreito vale que margeava Jerusalém pelo sul. Neste vale os israelitas queimaram, num período de sua história, crianças a Moloque (2 Rs 23:10; 2 Cr 28:3; 33:6; Jr 7:31-32). Por isso este vale passou a ser símbolo da condenação final. Os judeus usaram este nome para denotar o lugar de punição futura. [3] Jesus também faz uso deste termo neste sentido (cf. Mt 5:22, 29-30; 10:28; 18:9; 23:15, 33; Mc 9:43, 45, 47; Lc 12:5). O Geena é o local que melhor corresponde ao imaginário popular sobre o inferno, pois, aparentemente, indica um local  exclusivamente preparado para o castigo de pessoas condenadas no juízo final (cf. Mt 25:13, 33; 25:41, 46). Deus trará este juízo com fogo (Sf 1:14-18; Ml 4:1; Mt 3:12). Ele está, em sua maioria, associado com fogo (cf. Mt 5:22; 13:42,50; 18:8; Mc 9:43,47; Mt 25:41).
Este fogo, por sua vez, é chamado de “eterno”. No Novo Testamento temos tanto a expressão “Geena de fogo”, quanto “fogo eterno”. Daí surge os questionamentos: as pessoas enviadas para o Geena (inferno), depois do juízo final, serão atormentadas e torturadas de modo consciente para todo o sempre, ou serão aniquiladas, isto é, deixarão de existir, serão completamente destruídas? Segundo acreditamos, os ímpios serão aniquilados ao invés de ficarem sendo atormentados para todo o sempre. Naum escreveu sobre uma época em que os ímpios seriam completamente destruídos (1:15). O Salmo 37:10, neste sentido, também diz: … o ímpio não mais existirá; olharás para onde ele mora, mas ele não estará ali. O Senhor extinguirá a maldade completamente: … não ficará nem raiz nem ramo (Ml 4:1). A destruição completa de todo mal é comparada ao desaparecimento da fumaça: Mas os ímpios perecerão (…) desaparecerão, sim, como fumaça se desfarão (Sl 37:20). O diabo também será destruído, pois Jesus veio a este mundo também com esse objetivo (Hb 2:14).
John Stott[4] afirma que o vocabulário de destruição é usado frequentemente em relação ao destino final dos ímpios. Jesus fala sobre temer o que pode “destruir” a alma no Geena (Mt 10:28). Em vários outros textos bíblicos temos a ideia de destruição (1 Ts 5:2-3; 2 Ts 1:9; 2 Pd 3:7; Tg 4:12), de os ímpios sendo “consumidos” ou devorados (Hb 10:25-27; Ap 20:9), de “perecer” (Jo 3:16; 10:28; 17:12; Rm 2:12; 2 Pd 3:9). Segundo Stott, [5] se os crentes são aqueles que estão sendo salvos (hoi sõzomenoi), os ímpios são aqueles que estão perecendo (hoi apollumenoi). Veja os textos (1 Co 1:18; 2 Co 2:15; 4:3; 2 Ts 2:10). É difícil imaginarmos um processo perpetuamente inclusivo de perecer. Assim como os salvos serão definitivamente salvos, os que estão perecendo perecerão por completo!
Quanto ao “fogo eterno” e ao “castigo eterno”, citados por Jesus, precisamos levar em conta, também, o uso da palavra eterno, que é a tradução da palavra grega aiônios. Esse termo, muitas vezes, é usado não para se referir à duração de algo, mas aos seus resultados permanentes. Em Judas 7, temos um exemplo comprobatório dessa afirmação: Sodoma e Gomorra (…) foram postas como exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. Neste texto, “eterno” não se refere à duração; afinal, Sodoma e Gomorra não estão queimando até os dias de hoje. O fogo foi eterno em seus resultados ou efeitos, isto é, as cidades foram totalmente queimadas. Ao mencionar o fogo eterno, Jesus se refere à destruição eterna dos perdidos, não ao tormento eterno destes. [6] O mesmo vale para a referência que ele faz a “castigo eterno” (Mt 25:46). Jesus está se referindo a uma punição de efeito permanente. Que o Senhor nos livre disso!
 
Só a Ele a glória!
 
BIBLIOGRAFIA
 
BACCHIOCCHI, Samuele. Imortalidade ou Ressurreição?. Engenheiro Coelho: Unaspress, 2007.
 
CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 5 Ed., São Paulo: Hagnos, 2001.
 
EDWARDS, David L.; STOTT, John. Evangelical essentials: a liberal-evangelical dialogue, London: Hodder & Stoughton, 1988.
 
ROBINSON, Edward. Léxico Grego do Novo Testamento. Tradução: Paulo Sérgio Gomes. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
 
 
[1] Busca pelo verbete Inferno (In) Dicionário da Língua Portuguesa Priberam. Disponível em: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=inferno > Acesso em 25/06/2013.
[2] Champlin (2001:323).
[3] Robinson (2012:173).
[4] Para mais detalhes: Edwards; Stott (1988:312-329).
[5] Idem.
[6] Bacchiocchi (2007:199).

#DAVIEGOLIAS – QUEM É ESSE ZÉ NINGUÉM?

A história de Davi e Golias, presente em 1 Samuel 17, é uma história que existe para alimentar a nossa esperança. É uma história para nos mostrar que toda história, por mais trágica que esteja, pode ter um final diferente, afinal de contas, servimos ao Deus que faz coisas improváveis e, por vezes, inacreditáveis aos olhos humanos.

 O cenário da história é o de uma guerra. Os exércitos de Israel e os exércitos filisteus estavam acampados no Vale de Elá, um na colina do sul e outro na colina do norte (1 Sm 17:1-3). Entre ambos os exércitos existia um vale, por isso, cada lado aguardava o ataque do outro. Quem se aventurasse primeiro teria grandes baixas, pois teria de descer o vale e subir ao encontro do inimigo.

Diante deste cenário, saiu do arraial dos filisteus um homem incomum. Um guerreiro praticamente invencível: Golias. Golias era um gigante de quase 3 metros (2,90 Mts., aproximadamente), vestia uma couraça de escama pesando mais de 60kg e carregava uma lança de quase 10kg. Alguém calculou que o peso total da armadura de Golias estava na casa dos 115 quilos, e a dos homens comuns, na época, pesavam 27 quilos. Pois bem, este homem se apresentou para batalha diante dos exércitos de Israel, durante 40 dias a fio, duas vezes ao dia (1 Sm 17:4-10, ).

Era comum na época, em vez de se atacarem numa matança coletiva, enviarem um valente para representar os exércitos. Aquele que vencia, vencia em nome de seu exército, e aquele que perdia, perdia em nome do seu exército. Nem sempre isso era respeitado depois da luta, mas acontecia.

O problema é que no caso de Israel, ninguém quis enfrentar Golias, nem mesmo Saul, um dos mais altos homens de Israel. Todos temiam (1 Sm 17:11). Na tentativa de deixar a proposta mais atraente e incentivar alguém a ir ao campo de batalha, Saul ofereceu recompensas generosas. Quem se prontificasse a enfrentar Golias, casaria com a sua filha, receberia muitas riquezas e a casa do seu pai seria isenta de impostos. Mas ainda assim, ninguém se prontificou.

Até que Davi chegou ao acampamento onde as tropas estavam reunidas, exatamente em uma das ocasiões em que Golias estava afrontando o exército Israelita. Ele se indignou com aquilo e não entendeu porque todos fugiam dele. Deus era com Israel. Afrontar Israel era afrontar Deus. Quem ele pensava que era para afrontar o exército de Deus? Davi tinha certeza de que Deus seria com quem fosse contra ele. Aquele gigante era um “zé-ninguém” para o jovem pastor. Mas, em Israel os homens estavam apavorados (1 Sm 17:11-26).

Davi questionou: Quem é este incircunciso, este pagão, este que não faz parte do povo de Deus, para vir até aqui e afrontar a Deus e ao seu povo? Ele havia entendido o âmago da questão. A história de Davi não foi escrita para nos ensinar a tão somente vencermos os nossos gigantes pessoais. Para Davi, provocar o exército de Israel era provocar o Deus de Israel (1 Sm 17:45). Ele não aceitou que se zombasse do seu povo e do seu Deus. Por isso, prontifica-se para a batalha. Para Davi, o gigante não passava de um anão. Gigante para ele era Deus, que o ajudaria na batalha.

Alguma vez você já presenciou alguém insultando o seu Deus e a sua fé, os seus irmãos em Cristo? Já viu seu Deus ser questionado pela mídia? Na Universidade? Por um amigo? Por um familiar? Como lidou com a situação? Temeu a tais afrontas? Precisamos, cada vez mais, de cristãos mais incomodados com a profanação do nome de Deus. Davi é um exemplo de coragem para todos nós. Confiando apenas em Deus, se dispôs a lutar com aquele gigante brutamonte presunçoso. E venceu!

É assim que Deus faz. Ele age a partir de gente que, mesmo a despeito de sua pequenez, fraqueza, falta de habilidades, se dispõem a confiar nele. Faça isso. Não deixe nenhum gigante que vem afrontar sua fé e seu Deus lhe apavorar. Deus faz coisas improváveis. Do lado dele, por vezes, o fraco vence o forte, o pequeno o grande, o inexperiente o habilidoso, o humilde o arrogante! Creiamos nisso!

Ainda estamos fora de casa

Uma análise de 2 Coríntios 5:8
 
Em 2 Coríntios 5:8 Paulo expressa sua preferência em “estar ausente do corpo e habitar com o Senhor”. Será esta uma referência ao estado intermediário do cristão, pós-morte? Será que Paulo está ensinando que, imediatamente após a morte, o cristão vai viver na presença do Senhor num estado incorpóreo, isto é, “em espírito”? Paulo estaria, então, desejando a morte para poder ficar mais perto do Senhor? Entendemos que a respostas para estas perguntas todas é não.
 
Paulo, neste mesmo capítulo, compara a morte com um “despir”. Ele compara o corpo mortal do ser humano com uma tenda, e diz que temos um edifício da parte de Deus, uma casa eterna no céu, que será o nosso novo corpo transformado e imortal. Enquanto estamos nesta tenda atual, isto é, neste corpo mortal, gememos, querendo ser revestidos da nossa habitação celestial: o nosso corpo imortal. A garantia que temos de que isso ocorrerá é o Espírito Santo (v. 5). Todavia, antes que a nossa tenda terrena seja revestida da nossa futura habitação celestial, precisaremos nos despir, isto é, morrer. A morte é o despimento. Quando morremos, despimo-nos e ficamos aguardando, a nossa nova roupa: o nosso novo corpo transformado. Contudo, Paulo diz que não quer ser despido (v. 4). Ele deseja alcançar a transformação do corpo, sem precisar morrer. Somente os justos que estiverem vivos, na ocasião do retorno de Jesus, não morrerão. O próprio Paulo fala sobre eles, em duas oportunidades (1 Co 15:51-52; 1 Ts 4:15-17). Ele deseja ser uma destas pessoas! Quer ser transformado sem ter de experimentar a morte.
 
Aqui esta o “x” da questão. Se a interpretação cristã tradicional do v. 8 – que diz que o cristão após a morte vai viver com o Senhor – está correta, Paulo não estaria sendo contraditório em suas aspirações dentro do capítulo? Como ele pôde dizer no v. 4 que “geme e se angustia” por não desejar a morte, e no v.8 dizer que quer a morte para “estar com o Senhor”? Numa afirmação ele tem uma visão totalmente negativa da morte, e, na próxima, outra totalmente positiva. Há algo errado nisso, concorda? O apóstolo não pode não querer a morte numa frase, e na outra desejá-la! Quão contraditório Paulo estaria sendo! Será, o apóstolo aos gentios, tão volúvel? É óbvio que não. O que está equivocada, na verdade, é a interpretação cristã tradicional deste versículo. Vamos retomar, então, o contexto do texto, e harmonizar, de maneira coerente, ambas as descrições.
 
Paulo fala de uma “temporária habitação terrena” (v. 1), como sinônimo de nossa presente vida no corpo mortal e corruptível. Depois, fala de uma “casa eterna nos céus” (v.2), como sinônimo do novo corpo que receberemos por ocasião da ressurreição, que acontecerá com a volta de Jesus. Por ocasião da ressurreição, o nosso corpo mortal será absorvido pela vida (v. 4). E, depois que recebermos este novo corpo, seremos apresentados ao Senhor (2 Co 4:14), ou seremos levados “a “presença dele” (NTLH). O próprio Paulo, noutra carta, afirmou que depois da ressurreição: “estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4:17). Então grave isso: quando formos revestidos com a nossa “habitação celestial”, por ocasião da ressurreição, seremos colocados ao lado do Senhor e estaremos para sempre com ele.
 
Observe que no v. 6, Paulo afirma que, enquanto “habitamos neste corpo” estamos “ausentes do Senhor”. Mas, em que sentido, estamos ausentes do Senhor? Afinal de contas, mesmo na presente existência, contamos com a presença de Deus. Na verdade, o que Paulo está dizendo é que ainda não somos tudo o que deveríamos ser; ainda não recebemos aquilo que “temos” da parte de Deus, aquilo que já pertence a nós em razão do que Cristo fez (v.5), e, por não termos recebido o que nos está garantido no futuro, ainda não desfrutamos de maneira total a presença de Deus, fato que acontecerá quando formos “revestidos de nossa habitação celestial”. Por enquanto, em algum sentido, o apóstolo entende que estamos “ausentes do Senhor” (v.6). A palavra grega traduzida em nossas Bíblias por “ausente” (v. 6) é ekdemeo e era usada para falar de alguém que saía de seu país, ia para o exterior, viajava para longe de casa; de alguém que estava em um lugar que não era a sua casa. É esta nossa condição hoje. Como ainda não fomos transformados, estamos ausentes da habitação proposta por Deus, e, por conseguinte, “ausentes” dele em plenitude. A razão: “habitamos neste corpo”, isto é, no corpo terreno (v. 6). A palavra “habitamos” é a tradução do grego endemeo, que significa “estar em seu próprio país”, ou “estar em casa” ou “estar presente em algum lugar”. Ou seja, Paulo está dizendo que, enquanto a nossa casa for a “temporária habitação terrena” não podemos estar na nossa futura casa, a “habitação celestial”, com o Senhor. A Bíblia de Jerusalém traduz assim o texto em estudo: enquanto habitamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão, longe do Senhor.
 
Por esta razão Paulo deseja de maneira tão intensa ser revestido da “habitação celestial” (v. 2). E quer que isso ocorra logo. Deseja receber o novo corpo sem experimentar a morte (v.3). Quer ser encontrado “vestido” (isto é, vivo) quando este dia chegar. O apóstolo se angustia com a possibilidade contrária, isto é, morrer antes de ser revestido (v.4). O desejo de Paulo, então, no v. 8 não é pela morte. Ele não contraria o que diz no v.4. Na verdade, Paulo está reforçando o pedido dos vs. 2-3. Paulo está expressando seu desejo de “abandonar a mansão deste corpo para ir morar junto do Senhor” (v.8, BJ). Se enquanto estamos neste corpo, estamos fora da nossa mansão e longe do Senhor (v.6), ele quer então, o quanto antes, poder abandonar a “mansão” deste corpo para poder estar junto com o Senhor!
 
Esta ideia é reforçada estudando as palavras gregas do v. 8. Quando Paulo fala de desejar estar “ausente do corpo”, advinha? Ele usa a palavra grega ekdemeo, que, como vimos, era usada para falar de alguém que saía de seu país, ia para o exterior, viajava para longe de casa; de alguém que estava em um lugar que não era a sua casa. Paulo entende que o estado atual do seu corpo não é o final, e que existe algo melhor! Quando ele fala de “habitar com o Senhor”, usa a palavra grega endemeo, que significa “estar em seu próprio país”, ou “estar em casa”. Entendeu? “Estar em casa” para Paulo e estar com a futura “habitação celestial”, junto com o Senhor. Ele faz um contraste com o que havia afirmado no v.6. Vamos juntar os dois (2 Co 5:6,8) e ver como fica?
 
Portanto, temos sempre confiança e sabemos que, enquanto estamos [endemeo] no corpo [na “temporária habitação terrena”], estamos longe [ekdemeo] do Senhor [nossa futura casa, a “habitação celestial” com o Senhor no corpo ressurreto]. Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes [ekdemeo] do corpo [a “temporária habitação terrena”], e habitar [endemeo] com o Senhor [nossa futura casa, a “habitação celestial” com o Senhor no corpo ressurreto].
 
Paulo deseja, desta forma, que Cristo volte logo, para que ele receba o corpo glorioso. Ele não está tratando, desta forma, de um estado desincorporado. Nem está falando sobre o estado intermediário do ser humano depois da morte. Simplesmente, esta expressando seu desejo de estar vivo na volta de Jesus e receber um corpo transformado, e poder ficar para sempre junto do Senhor. Para Paulo isto não foi possível. Mas ele, assim como aqueles que já morreram, aguarda a promessa: se for destruída a temporária habitação terrena em que vivemos, temos da parte de Deus um edifício, uma casa eterna nos céus, não construída por mãos humanas (2 Co 5:1-2, NVI). Um dia Paulo, e todos os que morrerão em Cristo, ressuscitarão para verem cumprida, esta promessa! Receberão o corpo glorioso, e aquilo que é mortal será absorvido pela vida!
 
 

Gratidão pelo que Cristo fez e faz por nós

Nove leprosos não se lembraram de agradecer a quem os havia curado

 
No capítulo 17 do livro de Lucas, vemos Jesus curando 10 leprosos. Mas apenas um – estrangeiro – voltou para agradecer. “E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? (Lc 17.17)
Trazendo para os nossos dias, imagine as seguintes situações:
Primeiro, em um dia de muita chuva, você entra no ônibus para ir ao trabalho, ele sai do terminal e quando você vai passar pela catraca percebe que esqueceu de carregar o bilhete único. Você abre sua carteira e … nada de dinheiro. Você fica desesperado pensando que terá que andar uma distância enorme até o trabalho ou terá que pegar um Uber, que está com preço altíssimo por causa da chuva. Você decide arriscar e explica a situação ao cobrador. Ele olha pra você, pensa um pouco e libera a passagem da catraca, como cortesia! Que dia mais feliz! Com certeza você vai contar pra todo mundo na sua casa sobre esse bom gesto e vai se lembrar por um tempo do cobrador.
Outra situação: uma das matérias mais difíceis da sua faculdade, você estuda como se não houvesse amanhã e faz a prova precisando de 9. Após longos dias de aflição, o professor lança a nota no sistema: 8,9. “Meu Deus! Tão perto! Não é possível! Fazer exame final por 0,1!” Você decide enfrentar seu medo e vai falar com o professor, que, após ouvir você, decide arredondar sua nota. Que alívio! Você com certeza irá contar a boa notícia para a família, para os amigos e talvez até testemunhar na igreja.
Com certeza você agradece imensamente e espalha a boa obra que o cobrador e seu professor fizeram por você.
Mas será que você agradece imensamente e espalha a boa obra do sacrifício de Cristo na Cruz, que nos redime de todo o pecado e nos torna filhos de Deus por adoção?
Eu confesso minha fé em Cristo, reconheço a soberania de Deus e o agir do Espírito Santo. Contudo, percebi que, assim como os nove leprosos que foram curados no contexto da pergunta de Jesus, não agradecia pelo ato mais belo e poderoso que a humanidade já viu. Vamos agradecer mais?
 
Estevão Cardoso de Oliveira é estudante de Direito e congrega na IAP em Vila Maria (São Paulo, SP)

The Send

Se os participantes estiverem com o mover do Espírito Santo dentro de si, o mundo inteiro poderá ser impactado

 
“Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.
E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se alegrem” (João 4:35-36)
O fim de semana do dia 08/02/2020 foi especial pra todo cristão. Pessoas de todo Brasil e da América do Sul se encontraram para participar do THE SEND BRASIL. Muita gente mesmo… de todas as denominações, ministérios com participação massiva de jovens! Pude acompanhar um pouco as transmissões ao vivo e notava-se o ambiente festivo e propício para tomada de decisões relevantes para essa geração.
Foi um evento especial e intenso. As mensagens foram impactantes, os louvores marcantes. Vi, ouvi e conheci vários jovens que lá estiveram. Era notável o fervilhar em seus corações. Eles estavam eufóricos e prontos para dizer: “me envie… estou pronto… eu vou”.
Como isso é maravilhoso… como é especial ver jovens dispostos a redefinir suas vidas pelo Evangelho. Como é glorioso perceber que muitos tiveram a chance de encontrar seu propósito de vida em Cristo. Foram mais de 170 mil participantes… Uau! Já pensou no impacto disso? Eu pensei e se estes estiverem com o mover do Espírito Santo ardendo dentro de si, em poucos anos, o mundo inteiro poderá ser impactado.
Então ficam algumas perguntas e penso que elas devam ser enraizadas em cada coração (principalmente dos que estiveram lá): o que vai ser feito disso? De toda a Palavra dada e recebida? Foi só um show ou mais… muito mais? A qual geração você pertence: a que ouve e pratica ou a que só quis curtir algo que todos estavam curtindo? Você esteve lá pra ser marcado pela Palavra ou para ser marcado nas redes sociais? Para marcar as novas gerações com a pregação do Evangelho ou só pra ganhar curtidas ou visualizações no face e insta?
Se não foi só mais um show, se você ouve e pratica, se foi pra ser marcado, se você foi para marcar… então iremos ver nossos jovens compartilhando o que aprenderam. Além disso, o que vamos ver são nossos jovens VIVENDO o que aprenderam. E se assim fizerem vai ser uma benção para Igreja de CRISTO!
Se não foi só mais um show, se você ouve e pratica, se foi pra ser marcado, se você foi para marcar… então iremos ver muito mais do mãos levantadas, veremos mãos estendidas. Veremos muito mais do que saltos de alegria, veremos joelhos dobrados diante do Rei! Veremos muito mais do que espontaneidade, veremos submissão ao Dono da Obra. Veremos mais do que um país que louva a Cristo,  veremos um país que vive o que Cristo ensinou e fez!
O Senhor reina! Façamos com que outros conheçam essa verdade. Que sejamos  parte dos que plantam, vão, enviam e colhem.
Se seu coração e mente estavam realmente lá, vai ser uma benção. Caso contrário será só mais um álbum nas suas redes sociais.
Então viva o que Deus espera de você. Cumpra o propósito da sua vida, vivendo a vida dEle!
 
 
 

Para quem as pedras clamam?

Jesus avisou que o amor de muitos esfriaria

 
Dias confusos no Brasil… nos últimos 20 anos! Dias esses em que o discernimento e a sabedoria deveriam vir do próprio povo de Deus, mas curiosamente é o caos que emerge. Teologias diversas para todas as minorias, conforme o gosto do freguês; verdades pessoais e individualistas vendidas como bíblicas. O certo e o errado trocando de lugar conforme o interesse de quem lidera e o adoecimento psicológico abundando.
Não é mais possível negar que algo na mecânica institucional das igrejas está errado. Cresce o número de atividades e de formatos com a intenção de incrementar o Evangelho – como se Ele precisasse. É show (e em estádio!), é marcha, é maratona, é partido. Tudo para sofisticar e justificar a agenda do ano. Proclamam-se os eventos, não o Evangelho, como provam os crescentes números de desigrejados, desinstitucionalizados e não convertidos.
Sem falar em alguns frequentadores de igrejas que, por hábito permanecem, mas cuja disciplina espiritual se foi há muito. Casal que ora junto, cadê? Jovem que preserva sua sexualidade, cadê? Dizimista, cadê? Sem dúvida não podemos nem devemos esperar perfeição, mas passamos do limite… e fundimos as nossas fronteiras com as do mundo.
Nosso estilo de vida não convence mais. Ao contrário, escandaliza e gera questionamentos a ponto de sermos confrontados em pleno Carnaval, através de uma escola de samba que ousou questionar-nos sobre o amor ao próximo. Mesmo que o mundo confunda o acolher (receber) com o apoiar (aceitar o pecado), será que não fomos nós que confundimos primeiro a eleição (separados por Deus) com a discriminação (somos superiores)? Hoje somos uma igreja que se considera superior à humanidade, de maior valor e, por isso, instrumento de lei, capaz de decretar vida ou morte à humanidade. Tomamos o lugar de Deus sem nenhuma cerimônia. Um lugar que, ao invés de estar ocupado pela misericórdia, compaixão, justiça e humildade – como mostra o caráter de Cristo – encheu-se de soberba, frieza, protecionismos, ganância e ostentação.
Mas, imagino que você já conhece tudo isso… Pois é… É aí mesmo que morre o perigo… O que você, indivíduo, tem feito por isso? Continua trancado em sua vida, indo do trabalho para casa; de casa para a igreja; e crê que está tudo bem? Leu este texto e pensa que está bem com Deus porque não faz parte dos apontamentos feitos nessas palavras? Cuidado! Por muitos pensarem assim, é que as pedras estão clamando. A igreja omissa, que se coloca a parte de tudo isso, é a maior responsável. Pessoas que vivem a oração do fariseu, agradecendo por não serem pecadoras. É você quando pensa que não tem nada a ver com isso.
Jesus avisou que o amor de muitos esfriaria e convoca-nos, através do capítulo 2 do livro de Apocalipse, a resistir e perseverar até o seu retorno. Por outro lado, também afirmou que se seus discípulos calassem a voz da sua anunciação, as pedras clamariam… e chorou avistando a grande cidade de Jerusalém, lamentando por esta não ter reconhecido a oportunidade concedida por Deus (Lc 19.39-44). Você já sabe que a verdadeira Igreja vai muito além da instituição. É aquela que, legitimamente unida, vai para além das paredes e dos finais de semana. Manifesta a divindade no dia a dia porque liberta os cativos, dá vista aos cegos, levanta os abatidos, ama os justos e protege o estrangeiro, além de sustentar o órfão e as viúvas, como bem diz o Salmo 146. Sobre esta Igreja, sim, as portas do inferno não prevalecerão. Assim, questione-se…para quem realmente as pedras clamam?

“Onde você estava?”

A pergunta de Deus a Jó nos faz refletir sobre a grandeza e soberania dele

 
Bill Gates perde toda a sua fortuna em razão da quebra da Microsoft. Bill Gates perde seus imóveis e se torna morador de rua. Bill Gates perde todos os seus filhos em um único desastre. Bill Gates é diagnosticado com tumor maligno em fase terminal.
Chocante, não? Foi o que aconteceu com Jó. Inicialmente a comparação com Bill Gates pode parecer exagero, mas se lembrarmos que Jó era o homem mais rico do Oriente (1:3), os exemplos se aproximam.
As tragédias listadas seriam lastimáveis para qualquer um de nós, mas por que nos causa um espanto maior se acontecessem com Bill Gates, afinal,  aconteceram com Jó? Porque, de acordo com a mentalidade que impera nos dias de hoje, o dinheiro passa a ideia de estabilidade e de segurança. Afinal, todos nós estudamos para conseguir um emprego legal, que proporcione a nós e à nossa família estabilidade financeira.
Se outras perguntas de Deus a personagens bíblicos podem ser consideradas filosóficas, brandas, talvez essa seja a mais desafiadora. “Onde você estava quando lancei os alicerces da terra…?” (Jó 38.4) Com esse questionamento, Deus nos mostra que não importavam os bens de Jó, nada disso se compara à grandeza e soberania de Deus.
Onde a gente estava quando Deus criou os céus? Quando separou a terra dos mares? Quando pensou em cada etapa do plano de salvação? Para todas essas perguntas a resposta é a mesma: em lugar nenhum. Para concluir, vamos ficar com dois pensamentos.
Primeiro, é legal estudarmos, conquistarmos nossos feitos, alcançarmos nossas metas, mas absolutamente nada do que ganharmos, fizermos ou formos se compara à grandeza de Deus. Aquele que criou o Universo inteiro e sustenta a vida em todas as suas formas não pode ser comparado.
Segundo, a consequência disso é nossa obrigação em nos afastarmos de Deus ante a sua grandeza e a nossa insignificância? Absolutamente não! Deus nos faz essa pergunta não para nos rebaixar, mas para nos mostrar que não há o que temer, que qualquer tentativa de nos preocuparmos é em vão. As ondas podem vir, mas alguém também está no barco. Três podem ser lançados na fornalha, mas quatro serão vistos em meio ao fogo. Confie!
 
Estevão Cardoso de Oliveira é estudante de Direito e congrega na IAP em Vila Maria (São Paulo, SP).

Quatro maneiras de acabar com sua igreja

Atitudes que comprometem a vida da igreja e que devemos evitar

Diversos fatores envolvem a vida de uma igreja. É óbvio que ao fazermos essa afirmação, não estamos nos referindo aos fatores ontológicos da igreja, pois nesse sentido, nada falta à igreja, pois é sustentada pelo próprio Cristo que é o Senhor dela. Por outro lado, o cotidiano de uma igreja se relaciona com diversas atividades que o Senhor da igreja, Jesus Cristo, entregou a homens e mulheres. Neste sentido, relaciono algumas atitudes que comprometem a vida da igreja.
1 – Falte aos cultos da sua igreja. Uma das maneiras mais eficientes de acabar com a sua igreja é quando você deixa de frequentar os cultos públicos. Quanto menos se vai à igreja, mais a igreja fica ameaçada. Não é possível que você acredite na igreja, entenda a igreja como um lugar onde os salvos em Cristo são edificados, e mesmo assim, não frequente a igreja. Sua contribuição será generosa para o fim da sua igreja. Frequentar a igreja é parte fundamental do desenvolvimento e crescimento mútuo. Quem não frequenta os cultos, acaba sofrendo de fraqueza, de soberba, e o reflexo disso é acabar com a comunidade. O escritor ao Hebreus, capítulo 10, v. 25, nos chama atenção para esse fato: “não deixemos de congregar, como é o costume de alguns, mas encorajemos uns aos outros, ainda mais quando se aproxima o dia”.
2 – Não se envolva com os ministérios da sua igreja. Outra maneira comum de acabar com a sua igreja, é simplesmente cruzar os braços. Deus dá à igreja dons, mas também dá ministérios. Tudo isso tem um fim comum: edificar os salvos em Cristo. O pertencimento à uma comunidade nos impulsiona para mais do que apenas frequentar os cultos, mas para que façamos parte da igreja; quando insistimos em negar esse chamado, vamos aumentando a nossa contribuição para acabar com a nossa igreja.  Todo cristão recebeu de Deus um dom, um talento natural, e tudo isso precisa contribuir para o crescimento e desenvolvimento da igreja local. Paulo afirma em Efésios, capítulo 4, v. 11, que Deus concede dons e ministérios para o aperfeiçoamento da igreja. Quando não nos envolvemos, matamos a nossa igreja de inanição.
3 – Não colabore com os dízimos e ofertas da sua igreja. Uma igreja precisa da provisão financeira para continuar existindo. Neste ponto, alguns dsavisados poderiam afirmar: “mas a igreja sou eu…”. Bom, em primeiro lugar, igreja é plural, e nunca singular. Não existe o “eu sou a igreja”, nós somos igreja. A igreja, enquanto comunidade física, possui um local físico e, consequentemente, contas de água, luz, telefone, internet, suprimentos dos mais variados. Além disso, a missão da igreja de levar o evangelho e chamar pessoas à Cristo também precisa ser custeada. Como tudo é sustentado e viabilizado? Através das contribuições financeiras. Quando você não contribui financeiramente com a sua igreja, você está automaticamente contribuindo para que ela deixe de existir. Não é apenas isso. Paulo chama a nossa atenção para que a contribuição seja alegre, voluntária, porque Deus ama aquele que doa dessa maneira. (2 Co 9.7).
4 – Fale mal da sua igreja em todos os lugares. Existem pessoas que dão uma contribuição extraordinária para o fim da sua igreja, criticando sem medida. Para pessoas assim, nada está bom na igreja, nada dá certo e nada presta. O problema é que como elas não se envolvem, não participam e não contribuem para melhorar as coisas, acabam por desabafando em redes sociais ou para pessoas em igual situação. O resultado é desastroso, vai aos poucos minando a força da igreja, e por fim, acabam com ela. Nossa igreja local é o lugar da comunidade, lugar de edificação mútua, de generosidade, respeito, mas acima de tudo, é o lugar onde somos acolhidos e acolhemos. A igreja é perfeita? Não, nesse plano terreno ela jamais será, mas ela continua sendo o local onde Deus decidiu reunir o seu povo salvo de todos os lugares. Cristo amou a igreja, Cristo se entregou por ela, para que ela seja purificada, portanto, não podemos negligenciar o sacrifício de Cristo por ela, falando mal da noiva de Cristo. (Ef. 5.25-27).
É evidente que esta não é a lista completa dos fatores que levam uma igreja ao fim, mas nos ajuda a refletir sobre o nosso papel no desenvolvimento da comunidade local. Jesus ama a igreja, morreu por ela, para que fosse entregue sem máculas diante de Deus. Portanto, precisamos amar nossa igreja local, e fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que ela seja edificada e cresça na proclamação do Evangelho de Jesus Cristo.

Gratidão por sermos salvos

“Como posso retribuir ao Senhor toda a sua bondade para comigo?” (Salmos 116.12)

Hoje refletiremos sobre amor e gratidão para com Deus pela salvação. É importante saber que o autor deste salmo encontrava-se em estado de profunda angústia e tristeza, com o coração apertado, sentindo a morte bater em sua porta: “Cordéis da morte me cercaram e a angústia do inferno se apoderaram de mim, encontrei aperto e tristeza” (Sl 116:3).
Reconhecendo-se em plena angústia e tendo exauridas suas forças e esperanças, o salmista clamou ao Senhor: “Ó Senhor, livra a minha alma” (Sl 116:4). Então Deus, piedoso, misericordioso e justo, sentiu seu coração pranteado, sua alma aflita, viu suas lágrimas e o livrou.
Este não foi qualquer livramento, foi um grande livramento! O versículo 8 nos diz que foi um livramento espiritual (livrou a alma da morte), livramento emocional (livrou os olhos das lágrimas) e um livramento moral (livrou seus pés da queda).
É neste contexto de livramento e de bençãos que o salmista exalta o poder do Senhor, declarando seu amor: “Amo ao Senhor, porque ele ouviu a minha voz e a minha súplica” (Sl 116:1).
Neste sentimento de perceptível exaltação, o autor do salmo então pondera: “Como posso retribuir ao Senhor toda a sua bondade para comigo?”
O próprio salmista irá responder esta indagação a partir do versículo 13,  dizendo que tomará o cálice da salvação e pagará seus votos ao Senhor o louvando, ou seja, glorificará a Deus em tudo e para todos, pois o Deus de Israel com ele foi grandioso, poderoso e ouviu as suas súplicas!
Mas, o que eu posso oferecer a Deus?  “Oferecer” ou “dar” não se refere a um tipo de pagamento pelo “benefício” recebido de Deus. Antes, refere-se a uma adoração, uma glorificação de agradecimento.
Na experiência do salmista, Deus o livrou da morte naquele episódio, mas a mensagem do salmo para o povo de Deus é maior, referindo-se ao imenso e glorioso benefício da vida eterna, conquistada através do Cristo Jesus que, por amor a nós, morreu na cruz. Por isso, é verdadeira a frase: “o maior eu te amo da história, foi dito em silêncio, em uma cruz, para provar que o amor verdadeiro é vivido e não falado”.
Considerando ser a salvação o maior de todos os benefícios, o que podemos oferecer a Deus não é outra coisa senão amor e gratidão eterna.
O que você pode oferecer a Deus, pela bondade dele em sua vida?
 
 
Alexandro Alves Ferreira congrega na IAP em Afonso Pena (Curitiba, PR) e é estudante de Teologia.

De joelhos e mãos dadas

Orando pela unidade da igreja

O que você faria se tivesse que alimentar 10 mil crianças órfãs daqui a três horas e você não tem um único grão de trigo, nem dinheiro e não há ninguém para pedir emprestado? George Müller (evangelista e missionário inglês)  respondeu a essa pergunta de joelhos. Conta a história, que numa manhã, reuniu todas as crianças no refeitório e as orientou a orar pelo alimento. O detalhe é que não havia nenhum alimento nem à mesa e nem na dispensa. Terminada a oração, ouviu-se um agudo toque na campainha, e do lado de fora, um senhor, com uma carroça quebrada lhes oferecia toda a sua carga de pães, uma vez que não conseguiria chegar ao destino da sua entrega. Dizem que existem registradas pelo menos 50.000 orações respondidas de Müller, que nunca pediu nada a ninguém, tudo sempre foi resolvido de joelhos.
Isso nos desperta para uma pergunta: vale a pena orar, mesmo sabendo que Deus já sabe de tudo o que preciso? Ou mesmo: vale a pena orar mesmo sabendo que Deus sempre exercerá a sua soberania? A resposta é simples, sim. Talvez, esse seja o grande desafio, lidar com o que é simples. A oração é simples, e ao mesmo tempo é uma arma poderosa, de tal maneira, que “o crente que não ora”, diz Bounds, “não é crente”. Em toda a Escritura, essa é uma verdade inquestionável: Deus muda a realidade por meio da oração do seu povo. E isso acontece porque, ao mesmo tempo em que Deus é soberano, ele também decide cumprir os seus propósitos no mundo por meio da oração do seu povo. É comum encontrarmos na Bíblia homens de Deus intercedendo para que realidades mudem. O próprio Jesus Cristo, em Lucas 11, nos oferece um panorama dessa doutrina bíblica da oração falando da oração insistente.  Tiago afirma que Elias orava insistentemente e coisas extraordinárias aconteciam. Portanto, orar para que realidades sejam mudadas, transformadas de maneira poderosa e extraordinárias, é a arma mais poderosa que o crente em Jesus possui. Ela foi dada pelo próprio Deus, poderoso e soberano, nos levando a entender que Deus exerce seu poder no mundo por meio da oração dos crentes.
Mas alguém pode perguntar: “qual o sentido de mãos dadas?” Essa pergunta é respondida em 11 de fevereiro de 2020, quando pela manhã, toda a liderança da igreja Adventista da Promessa compreendeu que Deus faz coisas extraordinárias por meio da oração, e sendo assim, decidiram juntar as mãos para orar a Deus pela unidade da igreja. A unidade da igreja também é um milagre que só o Espírito de Deus pode realizar, então, vale a pena dobrar os joelhos e orar de maneira intencional e insistente para que Deus nos dê unidade, mas o maior gesto daqueles que creem no poder da oração é orar confiantemente na realização, por isso, oramos de joelhos e demos às mãos, reafirmando o que cremos e o que queremos diante de Deus.
Que tal você aceitar esse desafio? Se estivermos de joelhos e de mãos dadas, Deus pode fazer coisas extraordinárias entre nós. De joelhos diante de Deus e de mãos dadas em família, com a esposa, com o marido, com os filhos. Na igreja, na comunidade, no trabalho, na faculdade, no colégio, creia, quem anda de joelhos não tropeça; de joelhos podemos vivenciar coisas poderosas da parte de Deus, e de mãos dadas podemos experimentar o milagre da unidade. Que Jesus nos conduza a essa experiência.

O que você faria se tivesse que alimentar 10 mil crianças órfãs daqui a três horas e você não tem um único grão de trigo, nem dinheiro e não há ninguém para pedir emprestado? George Müller (evangelista e missionário inglês)  respondeu a essa pergunta de joelhos. Conta a história, que numa manhã, reuniu todas as crianças no refeitório e as orientou a orar pelo alimento. O detalhe é que não havia nenhum alimento nem à mesa e nem na dispensa. Terminada a oração, ouviu-se um agudo toque na campainha, e do lado de fora, um senhor, com uma carroça quebrada lhes oferecia toda a sua carga de pães, uma vez que não conseguiria chegar ao destino da sua entrega. Dizem que existem registradas pelo menos 50.000 orações respondidas de Müller, que nunca pediu nada a ninguém, tudo sempre foi resolvido de joelhos.
Isso nos desperta para uma pergunta: vale a pena orar, mesmo sabendo que Deus já sabe de tudo o que preciso? Ou mesmo: vale a pena orar mesmo sabendo que Deus sempre exercerá a sua soberania? A resposta é simples, sim. Talvez, esse seja o grande desafio, lidar com o que é simples. A oração é simples, e ao mesmo tempo é uma arma poderosa, de tal maneira, que “o crente que não ora”, diz Bounds, “não é crente”. Em toda a Escritura, essa é uma verdade inquestionável: Deus muda a realidade por meio da oração do seu povo. E isso acontece porque, ao mesmo tempo em que Deus é soberano, ele também decide cumprir os seus propósitos no mundo por meio da oração do seu povo. É comum encontrarmos na Bíblia homens de Deus intercedendo para que realidades mudem. O próprio Jesus Cristo, em Lucas 11, nos oferece um panorama dessa doutrina bíblica da oração falando da oração insistente.  Tiago afirma que Elias orava insistentemente e coisas extraordinárias aconteciam. Portanto, orar para que realidades sejam mudadas, transformadas de maneira poderosa e extraordinárias, é a arma mais poderosa que o crente em Jesus possui. Ela foi dada pelo próprio Deus, poderoso e soberano, nos levando a entender que Deus exerce seu poder no mundo por meio da oração dos crentes.
Mas alguém pode perguntar: “qual o sentido de mãos dadas?” Essa pergunta é respondida em 11 de fevereiro de 2020, quando pela manhã, toda a liderança da igreja Adventista da Promessa compreendeu que Deus faz coisas extraordinárias por meio da oração, e sendo assim, decidiram juntar as mãos para orar a Deus pela unidade da igreja. A unidade da igreja também é um milagre que só o Espírito de Deus pode realizar, então, vale a pena dobrar os joelhos e orar de maneira intencional e insistente para que Deus nos dê unidade, mas o maior gesto daqueles que creem no poder da oração é orar confiantemente na realização, por isso, oramos de joelhos e demos às mãos, reafirmando o que cremos e o que queremos diante de Deus.
Que tal você aceitar esse desafio? Se estivermos de joelhos e de mãos dadas, Deus pode fazer coisas extraordinárias entre nós. De joelhos diante de Deus e de mãos dadas em família, com a esposa, com o marido, com os filhos. Na igreja, na comunidade, no trabalho, na faculdade, no colégio, creia, quem anda de joelhos não tropeça; de joelhos podemos vivenciar coisas poderosas da parte de Deus, e de mãos dadas podemos experimentar o milagre da unidade. Que Jesus nos conduza a essa experiência.

O que é a Junta Geral Deliberativa?

Qual a importância dessa casa para a IAP

 Todo o começo de ano, ou em momentos que se fazem necessário, você já deve ter ouvido falar sobre a Reunião da Junta Geral Deliberativa (JGD). Seja porque seu pastor ou missionária foram participar, ou então porque se pede oração, para que Deus abençoe o momento, em que a direção da Igreja Adventista da Promessa estará reunida. Uma dessas reuniões está acontecendo nesta semana, de 10 a 13 de fevereiro de 2019, com importantes decisões para a denominação, no Espaço Promessa em Cosmópolis (SP).

Entendendo o que é a Junta Geral Deliberativa
A Junta Geral Deliberativa é uma reunião de líderes da CONVENÇÃO GERAL, composta por sua:
DIRETORIA GERAL, seus Diretores de Ministério, o Diretor do Conselho de Educação Adventista da Promessa – CEAP, o Diretor da Junta de Missões, o Diretor da Associação de Ensino Teológico Adventista da Promessa- AETAP; e as Diretorias das CONVENÇÕES REGIONAIS.
 
A importância de suas reuniões
E o que é decidido em suas reuniões? Pelo menos em duas ocasiões no ano, em maio e novembro dele, além de reuniões extraordinárias, a JGD tem uma grande contribuição para o andamento da denominação. Veja algumas das principais decisões que são tomadas nessas reuniões:

Definir critérios para abertura e fechamentos de IAP’s;
Aprovar o Planejamento Estratégico da Denominação para quatro anos;
Analisar os relatórios financeiros da Diretoria Geral, Convenções Regionais, Ministérios e instituições;
Decisão sobre critérios de venda de bens e imóveis;
Aprovar a grade curricular do Ministério de Ensino, para as Lições Bíblicas.;

Para saber de todas as deliberações da JG, consulte o Estatuto Geral da Convenção (http://backup.portaliap.org/wp-content/uploads/2018/12/Estatuto-0518.pdf), especificamente, as páginas 13 a 16, onde mostram as atribuições deste importante expediente para a Igreja Adventista da Promessa. É importante a oração, para que a direção do Espírito Santo sobre a liderança da Igreja neste período reunidos.

E quando tudo vai mal?

Seria tolice imaginar que passaríamos incólumes pela vida sem as marcas do sofrimento

Uma vez, numa conversa sobre a bondade de Deus e a maneira como ele interage conosco, uma pessoa me perguntou: “e quando tudo vai mal?” Essa pergunta parece sem sentido num primeiro momento, mas a realidade da nossa vida nos empurra para questionamentos como estes.
“Pastor”, diz alguém, “logo agora que tudo parecia estar indo bem, recebo a notícia de que estou com câncer”. “Pastor, logo agora que eu consegui o emprego dos meus sonhos e tudo parecia feliz, recebo a notícia de que meu pai tem pouco tempo de vida”. “Logo agora, pastor, que pensei que teríamos  uma família, recebemos a notícia de que o nosso bebê não vai sobreviver.” “Este ano em que eu mais estudei, não passei no vestibular.” Sempre nos deparamos com dores, lutas, desafios cotidianos, decepções e frustrações que nos fazem questionar: e agora?
A Bíblia não esconde e não nega a possibilidade de momentos assim na vida de inúmeros personagens. Aliás, seria tolice imaginar que passaríamos incólumes pela vida sem as marcas do sofrimento. Abraão recebe a promessa de ser pai de uma grande nação, mas sua esposa é estéril e nos seus descendentes essa realidade se repete: Rebeca, esposa de Isaque, é estéril; Raquel, esposa de Jacó, é estéril.
E o que dizer de Elias? Depois de derrotar os falsos profetas, é acometido de um estado de tristeza tão profundo que deseja a morte. Davi, por sua vez,  precisa lidar o tempo todo com tragédias em sua casa, inimigos do lado de fora, ataques contínuos do lado de dentro. Em um determinado momento, no Salmo 13, Davi expõe o estado do seu coração dizendo: “Até quando me esquecerás, Senhor? Para sempre? Até quando encobrirás de mim a tua face?”. E o salmista continua: “Até quando sofrerei preocupações e tristeza no coração, dia após dia? Até quando prevalecerá o inimigo contra mim?”.
A única explicação para estas palavras do salmista é que tudo aparenta estar indo de mal a pior. Entretanto, do versículo 3 em diante, o salmista retoma o controle das suas emoções, e na sua situação de angústia ele clama a Deus:
“Olha para mim e responde, Senhor, meu Deus. Renova o brilho da vida nos meus olhos…” E completa no versículo 5 fazendo uma verdadeira pregação ao seu próprio coração: “Contudo, eu confio em teu amor; o meu coração se enche de alegria e satisfação em tua salvação. Desejo cantar ao Senhor por todo o bem que me tem feito”. O salmista não nega a inevitabilidade do dia mal, do sofrimento, da decepção e do medo, entretanto, nos traz preciosas lições a respeito do que fazer em dias assim.
Primeiro, precisamos aprender a colocar nossas angústias diante do Senhor por meio da oração. Paulo faz essa afirmação em Filipenses 4. O resultado disso é que a paz de Deus, que excede a compreensão humana, guarda o nosso coração e a nossa mente.
Em segundo lugar, o salmista nos ensina a pregar para o nosso próprio coração. Existem momentos da nossa vida que somos ministrados por alguém, mas existem momentos que temos que ministrar ao nosso próprio coração com a palavra. E é isso que o salmista faz, ele não espera que o seu coração determine o que ele acreditará, pelo contrário, por meio daquilo que ele acredita, ele determina o que o seu coração sentirá, e com isso, não permitirá que a angústia domine sua vida.
E por fim, o salmista nos ensina a cantar as bênçãos de Deus. Não importa qual seja a situação difícil da sua vida, Deus continua sendo um Deus bom, e tudo aquilo que ele faz na sua vida por meio da sua bondade e graça dá a você muito mais razões para cantar o bem do Senhor do que chorar as tragédias do cotidiano.
Pense nisso: mesmo em meio à situação adversa que esteja vivendo, vcoê deve se lembrar que há um Deus de amor que continua cuidando de você com soberania e controle, e no final, o nome dele será glorificado.

Santidade combina com alegria

O sábado é um dia separado, para nos alegrar no Senhor

Santidade. Basta ouvir essa palavra e muitos cristãos a associam com postura rígida, rosto sem sorriso, mau humor. Nada de boas brincadeiras, conversas informais ou boas piadas. Infelizmente, santidade é muitas vezes associada a um temperamento sisudo, com uma seriedade extrema, sem espaço para gargalhadas e descontração. Porém, será que santidade nos levar a ter uma postura que não nos permite combiná-la com leveza, simpatia e felicidade?
Bom, pelos menos para o Senhor, a alegria é uma boa combinação com santidade. Quando Neemias, numa leitura coletiva da Palavra, junto com Esdras e os levitas, liam e explicavam a Lei do Senhor para uma multidão de homens, mulheres e todos os que podiam entender (Ne 8:1-8), a reação inicial foi o choro. Estavam com saudades de ouvir a Lei. O choro era de quebrantamento pelos seus pecados, por não estarem vivendo de acordo com a Palavra.
Aliás, era um dia sagrado: “se pode deduzir de Levítico 23.23-25 que eles se reuniram ‘no primeiro dia do sétimo mês’, por ser considerado dia do descanso consagrado ao Senhor, provavelmente o festival do Ano Novo. Levítico chama o primeiro dia do sétimo mês de ‘dia de completo descanso’”[1]. Portanto, para muitos, era de se esperar um pedido da liderança ao povo, de rostos fechados e corações entristecidos, entretanto o que a liderança pediu é bem diferente:
“... Este dia é consagrado ao SENHOR, nosso Deus, e por isso vocês não devem prantear nem chorar. (Ne 8:9b) … Portanto, não fiquem tristes, porque a alegria do SENHOR é a força de vocês. (v.10c) Os levitas tranquilizaram todo o povo, dizendo: — Acalmem-se, porque este dia é santo. Não fiquem tristes.” (v.11) Em pelo menos três versículos, ecoa-se o mandamento de se alegrar no dia sagrado.
Quando pensamos no dia do Senhor, o sábado, devemos pensar nesse princípio de Neemias: um dia separado, para nos alegrar no Senhor. Um dia para nos lembrar que nosso Criador é a nossa alegria, e que ele deseja que nossa vida seja uma constante celebração de sua graça salvadora e de uma obediência amorosa. Em Neemias 8, percebemos como santidade e alegria podem caminhar juntas, afinal, como diria C. S. Lewis, “No céu a alegria é levada a sério”.
 
 
 
[1] Neemias 8.1-3, 5-6, 8-10. Disponível em: https://www.luteranos.com.br/textos/neemias-8-1-3-5-6-8-10. Acesso: 31/01/20