À procura de doutores

Muitas pessoas buscam líderes cristãos que atendam suas demandas, mas não falam o que é bíblico

Achar um bom médico no SUS (Sistema Único de Saúde) é uma tarefa difícil. Mas você sabia que existem pessoas amontoando “doutores para si”?
Paulo, escrevendo a Timóteo, nos anos de 66-67 d.C já dizia que muitos se cercariam de “doutores” conforme suas concupiscências (desejo exagerado da carne, egolatria, pecado), conforme 2 Timóteo 4:3-4.
Pessoas estudariam, se graduariam, pós-graduariam, virariam doutores e mestres com oratória impecável para atender a um grupo seleto na igreja que Paulo chama de carnal.
É possível achar um equilíbrio entre o estudo e a continuidade de um comportamento cristocêntrico na Igreja? Quais as características destes “doutores”?
As características são visíveis em líderes que percebem um público sedento e ávido a coisas novas, novidades que facilitem a cruz de Cristo e ao mesmo tempo, traga-lhes bom entretenimento.
Direcionar o evangelho a um público seleto é totalmente contrário ao que Cristo pregou. O evangelho de Cristo é inclusivo, para todos ao mesmo tempo, o tempo todo. A igreja relacional, missional visa aproximar todas as classes. Cristo rompeu estes paradigmas de separação de classes, mas os “os doutores” querem ressuscitar esta modalidade para a nossa tristeza.
Geralmente, esses líderes só gostam do púlpito, dos escritórios com ar condicionado, visitam apenas aqueles que lhes convém e que lhes pode trazer alguns benefícios, enquanto a classe de necessitados da igreja clama.
Alguns aproveitam o tempo do natal (e só) para fazer ceia natalina para os pobres ou distribuição de sopas nos viadutos das grandes cidades, com inúmeras selfies para a divulgação do “evento” nas suas redes sociais.
São avessos à oração devocional, humilhação, intercessão por uma pessoa, uma família. Lutar pela ovelha, visitar, se interessar não consta nos seus dicionários.
Deus conhece você, não se iluda com discursos bonitos se não vierem acompanhado com frutos para a salvação.
Ele nos traz a cura que necessitamos e nos faz sadios diante de Deus e dos homens. Que o grande servo sofredor de Isaias 53 nos ajude nos nossos conflitos.
“Porém, a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura, repleta de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem hipocrisia.” (Tiago 3:17)
 
Pr. Omar Figueiredo congrega na IAP em Pq. Edu Chaves (São Paulo, SP)

Ela não é poderosa

A esposa do pastor precisa ser vista como alguém que tem limites, que pode adoecer e precisar de ajuda

Servir a Deus como esposa de pastor é desfrutar de uma graça, de um privilégio. Diversos textos bíblicos, dentre eles, Atos 9.15, Efésios 4.11 e I Timóteo 3.1, mostram que o pastor é separado para uma obra especial, escolhido por Deus. Uma vez casada com este homem, sua esposa passa a ocupar um lugar especial em seu ministério.
Não é incomum encontrarmos textos excelentes e inspiradores que falam sobre o papel da esposa do pastor, seu lugar no corpo de Cristo, e o que se espera dela no exercício dessa função. Diante de muitas informações e diversas opiniões, muitas vezes, o grande desafio para a esposa do pastor é o de desenvolver o seu trabalho da forma como Deus requer, encontrando nele satisfação.
No entanto, assim como há mulheres plenamente realizadas no ministério, há outras insatisfeitas com essa posição, vendo no seu papel um fardo, algo difícil e penoso de ser exercido. Vamos refletir sobre algumas razões para isso.
A primeira é que algumas resistem em aceitar esse compromisso. Geralmente essa atitude é traduzida pela famosa frase: “O meu marido foi chamado; o ministério é dele, não meu”. Nesses casos, talvez falte primeiro compreensão bíblica a respeito do próprio casamento, pois Gênesis 2.24 diz que uma vez que um homem e uma mulher se casam, tornam-se “uma só carne”. Assim, devem seguir na mesma direção, compartilhando alegrias e tristezas, esperanças e decepções, “até que a morte os separe”.
Esquivar-se de suas responsabilidades como companheira de ministério é esquivar-se de suas responsabilidades como esposa, pois foi Deus, ao criar a mulher, quem disse:“Não é bom que o homem esteja só,farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”(Gênesis 2.18). Se entendemos que a mulher foi criada para auxiliar o marido, como pode a mulher do pastor não auxiliá-lo no ministério?
A resposta a essa pergunta pode estar relacionada à segunda razão, causada por um equívoco em relação ao papel da esposa do pastor. Muitas vezes, espera-se que ela exerça o ministério integralmente, como seu marido, ocupando diversos cargos e envolvendo-se em todas as atividades da igreja. Há até os que a chamam de “pastora”, mesmo não lhe atribuindo autoridade correspondente. Embora a Bíblia mostre a inegável importância das mulheres na história do cristianismo (Filipenses 4.3, Romanos 16.1-6), inclusive em posição de liderança, como no caso de Débora (Juízes 4.4), não há menção de mulheres exercendo o ministério de forma particular. De qualquer modo, biblicamente a ordenação é algo pessoal, não sendo nunca a extensão da ordenação de outro, mesmo que este seja seu marido. “A esposa do pastor precisa ser vista como membro normal da igreja, e não como pastora auxiliar”. (1)
Avaliadas pelos cargos
Deve-se levar em conta o fato de que, muitas vezes, a esposa do pastor estuda, trabalha fora ou exerce uma atividade remunerada dentro de casa. Como as outras esposas e mães, divide seu tempo entre marido, filhos, casa e igreja. É triste saber que algumas são avaliadas pela quantidade de cargos que ocupam e atividades que desenvolvem, sofrendo, inclusive, comparações com outras.
Nesse sentido, a forma como o pastor age com sua esposa tem grande influência na relação da igreja com ela. Quando ele valoriza suas capacidades e compreende suas limitações, esperando dela auxílio e não ativismo, ela encontra liberdade para desenvolver seus talentos com alegria, para o Senhor, e não para corresponder a expectativas. Por outro lado, se o pastor não assume o papel de líder de sua esposa, abre caminho para que outros queiram fazê-lo, inclusive ela mesma.
Em função dessas situações e dos problemas que o próprio pastor enfrenta, há esposas que adoecem física e emocionalmente. Porém, além de sofrerem com desgastes e cobranças comuns à maioria das mulheres, contam com um agravante: muitos crentes esperam que ela seja fonte de cura, e não de doenças. É como se adoecer, ter problemas e expor suas limitações seja sinônimo de despreparo ou incompetência. No entanto, é possível que a esposa do pastor, em algum momento, necessite de apoio emocional e espiritual para suportar os reveses da vida. Quando um membro do corpo de Cristo adoece ou tem problemas, precisa de oração, cuidado e tratamento, inclusive se este membro for o pastor, seus filhos ou esposa.
Por mais que tenha um custo, dizer sim ao trabalho de Deus é sempre uma alegria. Por isso a esposa do pastor, como crente, deve oferecer sempre o seu melhor! No entanto, algumas atitudes podem ajudá-la a atender às necessidades da igreja, respeitando seus limites pessoais. A primeira delas é deixar claro que, embora tenha recebido dons, certamente não tem todos e, por isso, não precisa trabalhar em todas as áreas da igreja. Deve também lembrar que o Espírito Santo dispensou dons a outros membros, conforme I Coríntios 12.7-11.Por outro lado, precisa deixar a congregação consciente de que, a qualquer momento, a família pastoral poderá estar servindo em outro lugar e isso não pode impedir a continuidade da obra.
Como todo crente, o primeiro compromisso da esposa do pastor deve ser o de agradar a Deus. Cumprir esse propósito exige vontade e abnegação, mas é sempre recompensado pela fidelidade de Deus e por muitas alegrias. Por isso, quando a esposa do pastor desenvolve seus dons a serviço do ministério, colocando-se voluntariamente como auxiliadora de seu marido, certamente cumpre o propósito para o qual foi escolhida e encontra satisfação em ocupar esse lugar!

Romi Campos Schneider de Aquino é psicóloga, diretora da Resofap Sul e auxilia seu marido no pastoreio, em Curitiba (PR). Texto publicado originalmente em O Clarim, agosto de 2014.


Referência
http://prnatanaelfarias.blogspot.com.br/2012/04/o-ministerio-da-esposa-do-pastor-co.html, acessado em14/05/2014.

Família sob nova direção

Nosso bem mais precioso deve ser a fé em Jesus

“Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, mediante a justiça de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, receberam conosco uma fé igualmente valiosa.” 2 Pedro 1:1
Você sabe qual é a pedra mais preciosa do mundo? Conforme alguns sites de notícias, o mineral mais precioso do mundo é o jadeíte, um mineral raríssimo e difícil de ser encontrado. Somente para termos uma ideia de seu valor, num leilão em Hong Kong, 0,5 milímetros desse mineral foi vendido por 9,3 milhões de dólares. Um quilate de jadeíte custa cerca de 3 milhões de dólares. É ou não é uma jóia extremamente preciosa? São vários fatores que atribuem valor às pedras preciosas: sua beleza, durabilidade e a raridade com que uma pedra é encontrada na natureza. Além disso, a tradição e a moda podem influenciar no valor, proporcionando que um mineral se torne uma pedra preciosa.
A Bíblia vai enfatizar algo que é muito mais valioso e importante do que qualquer jóia ou pedra: a fé. Ela é o que de mais precioso nós e nossa família podemos ter. Uma família sob nova direção possui uma fé preciosa.
1. Uma família sob nova direção recebe uma fé preciosa
Conforme a Bíblia Sagrada, a fé é preciosa porque ela está posta em Jesus. Quando nós e nossa família cremos nele como Salvador, nossos pecados são perdoados e somos declarados justos diante de Deus. É esta fé preciosa que nos ajuda a reconhecermos que estávamos mortos em nossos pecados e que somente em Cristo temos salvação. Tal fé é um presente, uma dádiva de Deus para nossas famílias. Atualmente vemos muitas famílias depositando a fé no dinheiro, na segurança financeira, no trabalho, na faculdade, somente para citar alguns exemplos. Mas, a Palavra de Deus nos ensina que a fé preciosa está centrada na pessoa de Cristo Jesus, no reconhecimento de que sem ele nada podemos fazer.
Desta forma, uma reflexão é importante: que fé nossa família tem reconhecido? A quem temos adorado em nossos lares? Que a fé preciosa em Cristo Jesus seja o alicerce do nosso lar.
2. Uma família sob nova direção cultiva uma fé preciosa
Além de recebermos, devemos cultivar essa fé preciosa em nossa família através de um relacionamento profundo, sincero e constante com Cristo. E de que forma podemos fazer isso? Através da oração, da leitura e estudo de sua Palavra.
Como família devemos separar diariamente um período do nosso dia para cultivarmos esta fé preciosa, seja individualmente, seja coletivamente. Os afazeres, a correria, a rotina do dia a dia não podem impedir que nossa família deixe de se relacionar com Cristo, o Deus da nossa salvação.
3. Uma família sob nova direção pratica uma fé preciosa
É interessante observarmos que uma das consequências diretas de reconhecermos e cultivarmos a fé preciosa em Cristo Jesus é a mudança de vida proporcionada pelo Espírito Santo. A partir do momento em que nossa família serve a Cristo, ela também pratica a fé através de relacionamentos restaurados, do exercício do perdão mútuo, de palavras e de pensamentos sujeitos a Cristo e de atitudes que refletem os ensinamentos de Jesus que se encontram na Palavra de Deus. Certamente isso não acontece de um dia para o outro e nem sempre é fácil, em muitos casos é um processo lento, demorado e que envolve sofrimento, pois somos quebrantados por Deus para que tenhamos o caráter de Cristo e sejamos seus imitadores. Com isso somos impulsionados a praticar a fé preciosa que confessamos.
4. Uma família sob nova direção compartilha a fé preciosa
A família que está sob nova direção tem a missão de compartilhar para as outras pessoas a respeito de Cristo, aquele que a tirou das trevas e a trouxe para a sua maravilhosa luz. O fato de ter sido alcançada pelo evangelho precisa ser a grande motivação para que eu, você e nossas famílias não fiquemos calados, mas que compartilhemos a respeito da fé preciosa em Jesus para várias outras famílias.
A salvação em Cristo é o maior presente que o Deus concedeu às famílias. Desta forma, como famílias sob nova direção somos convocados por Jesus a irmos, fazermos discípulos dele e ensinar outras famílias tudo o que Jesus tem ordenado.

Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infantojuvenil Regional da Convenção Noroeste Paulista.

Gente parada não marcha

Marcha para Jesus e Parada LGBT recebem tratamento diferente na imprensa

Quinta, 31/05/18, aconteceu em São Paulo a Marcha para Jesus. Três dias depois, no domingo, aconteceu, também em São Paulo, a Parada do Orgulho LGBT. São dois eventos consolidados na agenda da cidade. Todo ano, em dias muito próximos, ruas e avenidas famosas de São Paulo são tomadas pelos representantes de cada segmento.
A imprensa, como sempre, escancara sua preferência deixando bastante claro qual agenda prioriza. Um dia após a Marcha para Jesus, na sexta, num cantinho da página de determinado jornal, saiu a notícia com o seguinte título: “Marcha para Jesus reúne milhares e vira palanque”. Na segunda, 04/06/18, no mesmo jornal, no espaço de uma página, saiu a notícia com o seguinte título: “Parada LGBT critica políticos conservadores – Manifestantes abordam as próximas eleições com muito humor.”
No caso da Marcha para Jesus, ao associar “palanque” com “fé”, a intenção do evento já vai para o ralo e, como sabemos, muitos são leitores apenas de manchetes, não se dão ao trabalho de ler, questionar, confirmar informações e refletir. Já na manchete da Parada LGBT a construção gramatical é bem mais generosa, afinal, criticar políticos e debochar das eleições através do humor atrai simpatizantes e conquista pontos de todos os setores, tão enojados e cansados que estamos dos políticos e seus esquemas.
Eu li ambas as matérias. Embora os tratamentos diferentes nas manchetes, as semelhanças são enormes. Tanto na Marcha quanto na Parada houve palanque. Em ambos os eventos aconteceram a presença de políticos discursando e levantando suas bandeiras. Em ambos os eventos aconteceram protestos contra políticos e suas corrupções. Em ambos os eventos aconteceram gritos com pedidos que fazem parte da preferência da agenda de cada um. Em ambos os eventos milhares marcharam, sorriram e declararam publicamente suas preferências, convicções e lutas.
Então por que o tratamento desonesto na divulgação? Como já disse, a simpatia ideológica da maioria dos profissionais da imprensa é que define como se narra cada história. Mesmo que sejam iguais nos roteiros, é possível negativar ou positivar ideologias através de gramáticas no mínimo questionáveis em suas reais intenções.
Somos um povo culturalmente num beco sem saída. De um lado uma mídia que só faz debochar dos valores judaico-cristãos. Do outro lado atores, músicos, cantores, intelectuais, cada um com sua arte e conhecimento contribuindo para a desconstrução da família como concebida em Genesis 1 e 2. Atrás, vestido com a armadura da lei e do poder, pressiona o estado, aprovando e mudando leis conforme a força de cada grupo e seu lobby, administrando os recursos públicos apenas para se servir e não para servir.
O que fazer em momentos tão críticos? Marchar! Foi exatamente isso que Deus ordenou em Êxodo 14:15: “… dize aos filhos de Israel que marchem”. Marchar pra onde exatamente? Bem, naquele caso era marchar para a única direção possível e não menos assustadora, o mar. De cada lado, montanhas intransponíveis, atrás Faraó e seu exército com sede de sangue.
Precisamos nos dispor a obedecer pela fé a mesma ordem. Entregar os pontos e render-se aos inimigos está fora de questão. Seguir em frente, por mais impossível que pareça, é o único caminho que a fé aponta e é só o que podemos fazer. Abrir caminhos, portas, possibilidades, enfim, tornar possível o impossível, é só com Deus. Sempre foi assim e assim continua sendo.
Quanto aos eventos em si, evidente que se fosse obrigado a escolher, eu marcaria presença na Marcha. Porém respeito o direito de ambos e faço minhas as palavras de Voltaire: “Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o último instante seu direito de dizê-las”. Sobre a Marcha, nunca fui, penso que devo manifestar minha fé e convicções bíblicas através do meu testemunho diário. Mas também não concordo com as críticas que leio em relação à Marcha por parte de muitos evangélicos, pois entendo que os que vão o fazem com fé genuína e, ademais, minha opinião não é a única. Assim como meu jeito de adorar e expressar minha fé, existem outras formas e maneiras tão legítimas quanto, ou seja, princípios são colunas que devem ser preservadas, já questões tradicionais, litúrgicas, regionais e afins mudam de tempos em tempos, portanto, merecem sempre uma atitude de tolerância e respeito.
Esse texto, em si, não deixa de ser um tipo de “marcha”. Os dias são trabalhosos e cada vez mais difíceis. As pressões e tensões são cada vez mais assustadoras. Ninguém escapa. Continue crendo. A história da salvação sempre foi assim, quando tudo parecia perdido, a salvação chegou. Águas de todos os lados engolindo o planeta e uma arca salvou os que escolheram pela fé entrar nela. Uma lâmina afiada pronta para matar Isaque e um cordeiro surgiu para ocupar o seu lugar. Uma tumba lacrada na certeza de terem matado o Cristo e, no terceiro dia, terremoto e ressurreição. Tudo isso me lembra que gente parada não marcha. Marche. O caminho e o socorro para cada um é Ele quem garante e de forma emocionante nos conforta em Hebreus 13:5: “De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”

Pr. Edmilson Mendes congrega em IAP Pq. Itália (Campinas, SP) e integra o Ministério de Vida Pastoral (MVP) – Convenção Paulista e Geral.

Cristo é a razão da nossa esperança

Mesmo em meio às crises, podemos viver contentes

“Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação, seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito, ou passando necessidade. Tudo posso naquele que me fortalece”. (Filipenses 4: 11-13).
Ao longo destes últimos dias, estamos atentos às notícias e ao desenrolar dos acontecimentos relacionados à paralisação dos caminhoneiros em nosso país. Uma das razões principais pelas quais essa paralisação chama a nossa atenção é justamente as suas consequências e as repercussões para a vida e o cotidiano de cada um. A paralisação dos caminhoneiros nos mostra como esse grupo de trabalhadores é imprescindível para a economia de nosso país. Não vamos aqui fazer uma análise política ou social da greve, mas a partir desse acontecimento, reforçar que Cristo é aquele que nos sustenta e nos fortalece, mesmo em meio à crise e à escassez.
Em Filipenses 4: 11- 13, o apóstolo Paulo apresenta-se como alguém que já havia vivenciado vários tipos de situações: tanto boas quanto ruins. Ele já havia participado de refeições abundantes, mas também sabia o que era a crise, escassez e fome. Paulo já havia vestido belas roupas, e em outras situações, havia tido apenas o indispensável. O Império Romano vivenciou também suas crises, e certamente Paulo viu de perto algumas delas. O fato é que este homem, por causa de seu relacionamento com Deus e sua entrega a ele, aprendeu o grande motivo para não se desesperar em meio às crises: a presença de Cristo Jesus em sua vida.
A nossa esperança e o nosso contentamento não podem estar baseados nas circunstâncias externas que vivemos, mas naquele que é fiel e que nunca falhará: o nosso Salvador, Cristo Jesus. Em nosso dia a dia enfrentamos todo o tipo de situações, mas o que faz a diferença em nossa vida é reconhecermos que Cristo cuida de nós, nos fortalece e é a razão de nossa esperança. Isso não faz de nós pessoas alienadas e que não se preocupam com a situação da nossa nação. Pelo contrário, pelo fato de crermos na Bíblia Sagrada temos a oportunidade e a responsabilidade de orar pelo nosso país e exercer a nossa cidadania da melhor forma possível, conforme a orientação da Palavra de Deus. No entanto, a partir do momento em que entregamos nossas vidas a Cristo e o buscamos de todo o coração reconhecemos também que a razão da nossa esperança e de nosso contentamento é ele, e não determinada pessoa ou circunstância. Por isso, podemos afirmar que podemos enfrentar qualquer tipo de situação, pois é Cristo quem nos fortalece, cuida de nossa vida e não nos abandona.
Sendo assim, seja enfrentando um momento tranquilo e de fartura, seja enfrentando um período de instabilidade e escassez, confie no cuidado e na suficiência de Cristo, pois ele é a razão da nossa fé e esperança. Além disso, justamente pelo fato de reconhecermos a suficiência de Jesus – o Autor e Consumador da nossa fé, somos convocados a interceder pelo nosso país e a exercermos nossa cidadania para a glória de Deus.

Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infantojuvenil Regional da Convenção Noroeste Paulista.

Entre o caos e a fé

Deus é nosso refúgio e protetor, nosso provedor, nosso sustento!

Que dias turbulentos, não é mesmo? Ouvi de algumas pessoas que parece que estamos prestes a presenciar uma guerra civil!
Vi uma matéria na TV em que algumas mulheres se “estapeavam” em um posto de combustível, vi filas e mais filas em supermercados e distribuidoras de gás de cozinha, vi manifestações nas rodovias, ouvi comentários como: vai faltar comida, vão faltar remédios, como vamos para o trabalho nesta semana? E muitas outras falas negativas.
Com todo esse cenário caótico, me pergunto: como nós, cristãos, reagimos a tudo isso? Será que esse não é um daqueles momentos para demonstrar nossa fé e esperança nas promessas do Senhor Jesus Cristo? Não seria propício demonstrar nossa solidariedade para com nossos vizinhos, amigos de trabalho, de faculdade, familiares etc?
Jesus disse “Tende bom ânimo” (Jo 16.33) Também disse: “Estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20)
Independente da nossa posição política, da nossa opinião sobre greves e manifestações, precisamos estar unidos em Cristo!
Façamos uma análise: quanto nós colaboramos com o caos? Pense: “se você e eu não nos sentirmos parte do problema, também não vamos nos sentir parte da solução”!
Deus é nosso refúgio e protetor, nosso provedor, nosso sustento! Sem Ele não somos nada, e nada temos, mas quando estamos em comunhão com Ele, estamos seguros!
Acreditamos que Deus está no controle de tudo? Então, sejamos fortes e corajosos! Sejamos solidários e benevolentes! Sejamos pacientes na tribulação e confiantes em nosso Pai que está no céus!
Que Deus abençoe a todos!

Andrea Nunes
Colaboradora em Comunicação da Fumap/iD.essencial

Que chamado é esse?

Deus nos capacita a animar os aflitos, apesar de nossas lutas diárias

“O Senhor Deus me deu o seu Espírito, pois ele me escolheu para levar boas notícias aos pobres; Ele me enviou para animar os aflitos, para anunciar a libertação dos escravos e a liberdade para os que estão na prisão.” Is.61:1
Dentre os chamados descritos no texto de Isaías 61.1, um dos que mais me desperta a atenção é para animar os aflitos.
Vivemos em um mundo onde existem problemas de todas as formas e profundidades, perturbações, dificuldades, tristezas, desespero, corações contritos por conta da correria do dia a dia e da agitação dos centros urbanos, etc. Sofremos por conta do esgotamento intelectual devido às preocupações, sofremos por conta do esgotamento físico provocado por um mundo agitado e exigente, sofremos por conta de um mundo materialista incapaz de oferecer alternativas espirituais que satisfaça o homem interior, sofremos com a crise financeira que desestrutura lares, sofremos com o crescimento da agressividade e da violência em todos os níveis.
A vida, com certeza, é cheia de emoções que podem dar um colorido especial à nossa caminhada ou torná-la opaca e sem brilho.
Os sentimentos não são uma mera decoração das emoções, qualquer coisa que possamos guardar ou jogar fora. Os sentimentos geralmente são revelações do nosso estado de vida: medo, ira, remorso, tristeza, preocupação, decepção, vergonha, alegria, esperança, gratidão, felicidade. A forma como processamos as nossas emoções varia de acordo com nosso temperamento, personalidade, nossa história de vida e dos conceitos adquiridos pelas nossa fé.
As emoções, no dia a dia, nos servem de estímulos. Elas estabelecem nossa rota, nos direcionam e, até mesmo, nos corrigem. Considerando que a vida é como uma acrobacia na corda bamba, a maior parte dos sentimentos são expressões de uma luta contínua para atingir o equilíbrio.
Mas como podemos aumentar nosso próprio bem estar, mesmo em situações adversas? Existem duas maneiras de mudar o nosso dia a dia com decisão e ação: exercitar a gratidão, pois ela aumenta a apreciação das coisas boas e que nos edificam; e praticar o perdão, já que este diminui o poder dos acontecimentos negativos em promover a amargura.
Podemos sim reescrever a nossa história, transformando as más lembranças e não nos realimentando de emoções negativas. O perdão proporciona saúde física e emocional, portanto, é fundamental! Que Deus nos ajude a exercitar o auto perdão (por meio do qual podemos começar de novo, subtraindo o aprendizado da experiência sem rancores), e ainda praticar o perdão em nossos relacionamentos interpessoais (em família, na igreja e na comunidade).
A Palavra do Senhor nos faz lembrar em Provérbios 15:3 que “o Senhor Deus vê o que acontece em toda parte” e que “o Senhor Deus é bom. Em tempos difíceis ele salva o seu povo e cuida dos que procuram a sua proteção” (Naum1.7).
Por conta das emoções negativas, muitos permanecem com profundas feridas provenientes de experiências do passado. Algumas vêm da infância e continuam presentes, outras vêm de casamentos desestruturados e escolhas incertas, mas Jesus, em Mateus 19.26, nos diz que há restauração para nós, porque “…para Deus, tudo é possível”.
Certos que seremos auxiliados pelo Senhor, confessemos nossas mágoas porque o Senhor nos ouve, “Ele fica perto dos que estão desanimados e salva os que perderam a esperança” (Sl 34:18). Compreenda que Deus perdoou as nossas culpas, então, devemos ser “uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como Deus, em Cristo vos perdoou” (Ef.4:22).
Além das nossas lutas diárias, Deus nos chamou para animar os aflitos. Com certeza, Ele está conosco nesta missão. O apóstolo Pedro nos lembra que devemos entregar nossas preocupações a Deus, porque ele cuida de nós (I Pedro 5:7). Louvado seja o Senhor pelo seu cuidado para com os seus. Que Deus abençoe o nosso ministério em todo o tempo!

Dsa. Zildeli F. Carmo Del Pozzo congrega na IAP em Vila Kellen (Campo Grande – MS) e atua no Ministério de Vida Pastoral (MVP) – Convenção Sul Matogrossense

Um “sim” consciente

Estou preparada para ser esposa de pastor?

Às vezes, somos levadas a tomar decisões, analisando somente o momento, a partir de sonhos e expectativas utópicas, sem pensar no futuro que nos aguarda.
Noto que, há alguns anos, com raras exceções, os pastores assumiam o ministério já casados, com suas famílias constituídas. Assim, os dois compreendiam e enfrentavam o ministério juntos, já com alguma experiência acumulada.
Hoje estamos vivendo outra época, em que o ministério pastoral, em muitos casos, vem antes do casamento. Neste cenário, o relacionamento monogâmico e permanente, baseado nos princípios e valores do Evangelho cristão, será construído paralelamente à carreira ministerial, repleta de desafios, pressões e variações.
O que nos leva a desejar ser esposa de pastor, diante de tantas alternativas acadêmicas e profissionais, além dos fatores sociais, emocionais e psicológicos envolvidos?
Seria o reconhecimento da igreja? Ou o status pela posição de destaque, ao lado de um ministro do Evangelho? Ou ainda, o sonho de viver um relacionamento romântico ao lado de alguém que experimenta do conhecimento da Palavra de Deus e que, portanto, será mais compreensível, quase perfeito? Seria a ilusão de que nada do que planejamos dará errado, afinal, estaremos a serviço de Cristo, não sobrando espaço para questionar a nossa felicidade virtual?
O ministério é muito mais do que isso. É sonho que se sonha com os olhos abertos. Há muita alegria envolvida mas também, em muitas situações, você deverá estar preparada para dividir o seu esposo com muitas pessoas e tarefas, um dia após o outro.
É necessário estar preparada para acompanhá-lo em missões com casais, visitas a hospitais, comemorar aniversário de casamento fora da data, arrumar a mala dele quando for necessário viajar e ficar em casa sozinha, desistir de algum posto de trabalho para recomeçar a carreira em outra cidade, estado ou país, lembrando que o chamado para o ministério também é seu.
Deus fez a mulher para ser ajudadora, não atrapalhadora. Quando Deus viu que o homem estava só, fez com que ele dormisse um sono profundo e de sua costela fez a mulher, sua companheira (Gn 2. 21-24).
Nós precisamos entender que o chamado é glorioso, mas envolve renúncias. Se insistirmos em, por exemplo, não cortar o cordão umbilical com a família, desejando morar próximo, isso pode trazer sérios problemas. Uma vez que nossa escolha foi feita, precisamos entender que a vontade do Senhor é a melhor para nossa vida e que sempre encontraremos alegrias na família cristã, em cada igreja onde estivermos.
Se você vai se casar com um pastor, é hora de decidir com razão e oração, aproveitando a ocasião para questionar o coração.
Sou casada com um pastor há 20 anos e sei bem o que é deixar pai, mãe e filha, mas sou muito feliz porque o ministério não é só dele, eu aceitei o chamado também, para juntos fazemos a obra do Senhor.
Não se iluda pelas as aparências. Ore, espere e não se precipite na decisão de se casar. Mas se você se alegra com a ideia de ajudá-lo no ministério, provavelmente o chamado já começou tomar forma em seu coração. “Que a esposa deixe o marido feliz por chegar em casa, e que este a deixa triste ao partir. ’’ (Martinho Lutero) Que isso não aconteça por desentendimento, mas por amor.

Dsa. Andréa Cristina Machado congrega na IAP em Jd. Primavera – Sumaré (SP), é pedagoga, casada com pr. Elias Higino, mãe de dois filhos e integra a equipe do Ministério de Vida Pastoral (MVP) – Convenção Geral

O mito da mãe perfeita

Cobre-se menos e desfrute das alegrias da maternidade

Certamente, a maternidade é uma das fases mais importantes da vida da mulher. Para uma grande parte de nós, mães, a vida também se divide em “antes dos filhos nascerem” e “depois dos filhos nascerem”. Ser mãe é um presente, uma dádiva, um privilégio do Senhor para nós. Não é por acaso que Deus utiliza o amor materno para ilustrar o seu grande amor por mim e por você (Is 49: 15).
No entanto, sabemos também que a maternidade é um grande desafio, que muitas vezes tem os seus “altos” e “baixos”: o seu filho fala “eu te amo, mamãe” com o olhar mais doce e carinhoso da terra, mas logo em seguida, quase a enlouquece por brigar com o irmão. Existe até um ditado popular que diz: “Ser mãe é padecer no paraíso”. E em meio a todas essas questões, nós, mães, acabamos criando em nossas cabeças um mito: o mito da mãe perfeita.
Acho que uma das perguntas que sempre nos fazemos ao longo do maravilhoso (mas, desafiador) caminho da maternidade é: será que tenho sido uma mãe boa mãe? E aqui, o sentido é quase este: “será que acertei em todas as minhas palavras e atitudes ao lidar meu filho? Eu não devia ter deixado ele comer aquele doce antes do jantar… Ah, Senhor, acho que não disciplinei minha filha da forma como deveria”… Ou então: “Deus, estou tão confusa, acho que não devia ter corrigido minha filha da forma que fiz… Hoje estou tão cansada, acho que vou fazer um miojo para eles jantarem… Nossa, o filho da minha amiga com sete anos já sabe resolver uma equação de 1º grau, enquanto o meu mal lê ou escreve. Será que a culpa é minha?”
Quem nunca deixou o filho assistir mais televisão para poder arrumar a casa ou para ter mais alguns momentos de sossego, que atire a primeira pedra. Ou, quem nunca prometeu para si mesma que o filho não iria vê-la irritada ou impaciente, mas depois de poucos minutos perdeu a paciência com o menino? Todos esses pensamentos e situações certamente passam pela nossa cabeça. Muitas vezes, trazem culpa e pressão para as nossas vidas. Pressão e culpa desnecessárias e acabam nos trazendo muito desgaste e estresse, diga-se de passagem. Isso acontece justamente por causa de uma concepção de perfeição da maternidade: é o mito da mãe perfeita. Nós construímos em nossas mentes um tipo de mãe que não existe!
Não me entendam mal: como mães e servas de Deus precisamos estar no centro da sua vontade e fazer o melhor que pudermos para os nossos filhos. Devemos amá-los, cuidar deles e educá-los conforme os princípios bíblicos. Mas, a partir do momento em que eu penso que vou alcançar a perfeição na maternidade, isso só vai me causar angústia, mágoa, desespero e confusão. Porque não somos perfeitas, assim como nossos filhos não o são. Na verdade, o que acontece é que não estamos preparadas para lidar com as nossas falhas como mães. E não tem jeito, fazemos o nosso melhor, mas erramos e somos pecadoras, o que também se reflete na maternidade (talvez até mais do que em outras situações). Erramos quando não deveríamos falhar, falamos quando deveríamos calar, ou ficamos em silêncio quando deveríamos dialogar.
A maternidade é difícil. É linda, maravilhosa, um presente, mas ainda assim, é difícil. Por isso, reconhecer que falhamos e somos imperfeitas é muito importante porque nos aproxima da graça e do amor de Deus. É ele quem vai nos ajudar, dar sabedoria e fortalecer em nossos melhores (e piores) momentos da maternidade. Por isso, quando nos desfazemos do mito de que somos perfeitas, reconhecemos nossas imperfeições e defeitos, o que nos aproxima do Senhor. É ele que age em nossas vidas, nos ajudando a ser uma mãe conforme o seu coração.
Além disso, saber de nossas limitações nos dá a chance de ensinar a nossos meninos e meninas que também erramos e isso faz com que eles aprendam que é possível errar, mas que podemos consertar o erro, pois temos um Deus que nos perdoa e nos ajuda a acertar da próxima vez. Da mesma forma, reconhecer verdadeiramente que não somos mães perfeitas tira um grande peso e uma enorme pressão de nossos ombros, o que nos ajuda a vivenciar a maternidade com mais leveza, alegria e prazer. Certamente, esta é a vontade do Senhor para nós e para nossos filhos e filhas.
Sendo assim, gostaria de finalizar este texto refletindo nas seguintes questões com você, minha amiga mãe: você é capaz de perceber o impacto maravilhoso que está deixando na vida de seus filhos? Independentemente do fato de você trabalhar fora ou em casa. Fique tranquila, sei que você já cometeu erros, mas eu também os tenho cometido. Mas, você também consegue se lembrar das vezes em que acertou, ajudada por Deus? E os momentos em que esteve presente para o seu menino ou sua menina?
Pode ter sido sentada às 3 horas da manhã aninhando uma criança que teve um pesadelo. Ou fazendo almoço com uma dispensa bem limitada. Abrindo mão de algo que você precisa para que seus filhos possam ter o que necessitam. Ajudando numa tarefa de história. Dizendo não e impondo limites. Lendo um capítulo da Bíblia. Dobrando as roupas. Ouvindo as histórias do seu filho ou de sua filha, ou dos dois. Rindo e gargalhando. Limpando rostos sujos de comida. Pendurando desenhos na parede ou na porta da geladeira. Vendo-os dormir. Orando com eles ou por eles. Ensinando a respeito de Jesus.
Que o Senhor ajude a cada uma de nós a sermos mães conforme o seu coração: com limitações e imperfeições, mas que vivenciam a graça de Deus e são fortalecidas em Cristo!

Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infantojuvenil Regional da Convenção Noroeste Paulista.

Dia das Mães

É uma data festiva para você?

No próximo domingo, será celebrado o Dia das Mães. Essa data teve origem no Brasil em 1932, quando o então presidente Getúlio Vargas, a pedido das feministas da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio. A iniciativa fazia parte da estratégia das feministas de valorizar a importância das mulheres na sociedade, animadas com as perspectivas que se abriram a partir da conquista do direito de votar, em fevereiro do mesmo ano. (Fonte: Wikipédia).
As mídias preparam lindas propagandas com muitos corações e músicas melodiosas. Há festas nas escolas, as lojas são decoradas, há promoções nos comércios, enfim, existe uma grande movimentação pra celebrar essa data.
Mas, é uma data festiva para você?
Talvez, como eu, você seja feliz e tenha motivos para celebrar por ter filhos e por ter uma mãe, mas talvez essa data traga a você lembranças amargas. Talvez sua gravidez foi indesejada, talvez você não goste de ser mãe ou talvez você deseje intensamente ser mãe, mas por alguma razão não pode. Talvez essa data seja dolorosa porque a sua amada mãe já não está mais viva e você não pode dar aquele abraço carinhoso. Pode ser que você tenha uma mãe maravilhosa, presente, amiga, mas pode ser que sua mãe tenha problemas, vícios, e é você quem se torna responsável por ela. Pode ser que você converse com sua mãe todos os dias pelo telefone, WhatsApp, ou pessoalmente, passando em sua casa para um cafezinho, mas pode ser que você tenha discutido com ela e não estão se falando.
Pode ser que hoje você esteja se sentindo culpada por trabalhar muito e não ter tanto tempo para seus filhos, ou por ter perdido a paciência e dito coisas erradas e se sentir uma péssima mãe. Você pode ter abortado e rejeitado um filho.
São tantas realidades, são tantos sentimentos… então, como encarar esse dia?
Crendo que absolutamente todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28), crendo que absolutamente tudo o que Deus faz é bom e perfeito. Portanto, se sua mãe é amável ou não, estando presente ou não, você tendo filhos ou não, absolutamente tudo está debaixo do controle do nosso Amado Pai e Ele está usando tudo isso para aperfeiçoar o caráter de Cristo em sua vida.
A Bíblia diz ainda em Romanos 12.18: “Se for possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens”, Também em Mateus 18:15, diz: “Se um irmão pecar contra você, fale com ele em particular”. Faça o que for possível, peça perdão a sua mãe ou madrasta, peça perdão aos seus filhos, mas não permita que as adversidades sejam maiores que o amor de Cristo em sua vida.
Se você puder celebrar esse dia, faça-o! Mas se você não puder celebrar, glorifique ao Senhor que te ama e está cuidando de você, com um amor que não muda, não falha e não abandona!
Feliz dia do Criador das mães, dos pais, dos filhos, da vida!

Dsa. Danúbia Guarnieri é casada com Pr. Anderson Guarnieri, mãe do Caleb e da Lía. Atualmente, serve ao Senhor na IAP na Argentina.

Mãe e esposa de pastor

Quando somos jovens e procuramos alguém para nos casar, não pensamos em pastorado, a não ser quando namoramos um seminarista. No meu caso, me casei com um jovem crente, envolvido com a igreja, que foi chamado ao pastorado posteriormente. Fomos imensamente abençoados, Deus foi o nosso provedor.
Mas o maior milagre vivemos com nosso filho mais velho, em 1985, quando foi atropelado por um ônibus, em plena rodovia, e ressuscitou! Nessa época eu olhava para o céu e pensava “agora conheço o meu Deus e não o Deus do meu pai”.
Esse fato mudou minha existência. Quando veio o chamado ao pastorado, eu pensava: como vou dizer não, para quem sempre me diz “sim”? Isto nos impulsionou para o pastorado, que se iniciou em 1990. Deus foi o nosso preparo, porque nos deu direção em situações que pareciam impossíveis, pela graça de Jesus.
Nossos filhos cresceram aos pés do Senhor, que fez brotar a semente do evangelho no coração deles. Eu me lembro que num domingo, em que ia haver ceia, na igreja em que eles congregavam (porque optamos em mantê-los na igreja em que estavam acostumados), minha filha fez questão de congregar, mesmo não sendo batizada ainda. Quando voltamos para buscá-la, o poder de Deus se movia na igreja e ela foi batizada no Espírito Santo!
Um dia, Deus chamou meu marido para pastorear essa mesma igreja, e então passamos a congregar juntos. Sempre os conscientizamos de que o chamado era algo divino, especial e assim, nunca reclamaram de nada. Mesmo quando fomos enviados para Maringá (PR) e eles continuaram residindo em São Paulo sozinhos, ainda solteiros, mas sem a possibilidade de ir porque já estavam exercendo a vida profissional.
Hoje noto filhos de pastores que são avessos à igreja, porque talvez ouviram muitas reclamações da mãe: falta do esposo, falta de dinheiro. A Bíblia nos manda em tudo dar graças, que é o antídoto da reclamação. Acredito que com a ajuda de Deus conseguimos conciliar essas duas áreas tão importantes da nossa vida: o pastorado e a família.

Dsa. Deusa de Oliveira Teixeira congrega na IAP em Vila Medeiros (SP) e atua no Ministério de Vida Pastoral (MVP) – Convenção Geral

A dor da rejeição

Sou pastor e a igreja não me aceita. O que eu faço?

Esta frase expressa uma das maiores dores que um pastor pode enfrentar. A rejeição de uma Igreja.
Quando isso ocorrer, o pastor deve responder para si mesmo algumas perguntas:
• Foi salvo por Cristo? Se Jesus foi real, sente-se resgatado, justificado, salvo, com esperança maior de vida eterna, se há um referencial de salvação, se as palavras de 2 Co 5.17 (“Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas!”) são verdadeiras em sua vida? Não temas, você é de Cristo e habitação do Espírito Santo – 1 Co 12.13. Nada nos separará do amor do Salvador – Rm 8.31-39.
• Foi chamado por Cristo? Se há convicções interiores do seu chamado, se a motivação maior é de glorificar ao Senhor com o ministério, se tem certeza de que este é o seu lugar no Corpo de Cristo, lembre-se: Você é um presente de Deus para a Igreja – “E ele designou alguns para … pastores e mestres” – Ef 4.11. Ministério não é isenção da cruz, ao contrário remete-se à ela. Paulo, em seu ministério, enfrentou muitas situações adversas – 2 Co 11.23-28. No versículo 26 citou “… perigos dos falsos irmãos.” A igreja de Cristo não está isenta desses “não convertidos”, que agem na carne, que tiram a paz da igreja e do pastor. Caso não tenha se deparado com algum deles, se prepare, fatalmente irá encontrá-los. O que deve fazer? Expulsá-los da Igreja? Não, o padrão de Cristo é amá-los até o fim, como Ele fez com Judas – Jo 13.1.
• Houve erros? Ninguém é infalível, pode haver erros administrativos, de posicionamento e até no ensino da Palavra. É possível reparação? Reconsiderações, pedidos de perdão para quem de direito? Prestação de contas aos superiores? Aconselhar-se com membros idôneos? Faça o que for preciso. Não abandone a igreja ou o ministério. Não enterre seu egípcio na areia, como fez Moisés. Um dia vai ter de desenterrá-lo e será horrível o mau cheiro da putrefação. Encare tudo com muita humildade. “Pois todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado. ” – Mt 23.12.
Vida Devocional
Em todo tempo, independentemente de ter havido erro ou não, o que determina o sucesso no ministério pastoral é a vida devocional. A Bíblia Sagrada não deve ser apenas uma ferramenta de trabalho na qual se procura sermões para entregar à Igreja. Mas antes de tudo, deve ser alimento e segurança para a vida interior. A Bíblia deve ser fonte de riqueza e doçura – “ … as ordenanças do Senhor são verdadeiras, são todas elas justas. São mais desejáveis do que o ouro, do que muito ouro puro; são mais doces do que o mel, do que as gotas do favo. ” – Sl 19.9 e 10. Momentos de orações para a sua vida pessoal e familiar, e não somente pelos irmãos sob a sua responsabilidade, são fundamentais. Confissão e adoração são imprescindíveis para o ministério. Atente para esta oração de Davi: “Também guarda o teu servo dos pecados intencionais; que eles não me dominem! Então serei íntegro, inocente de grande transgressão. Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, Senhor, minha Rocha e meu Resgatador! ” – Sl 19. 13, 14.
Dois valores indispensáveis
A oração e a Bíblia devem nortear o sagrado ministério. A instituição do diaconato veio para liberar os apóstolos para essas duas coisas indispensáveis – “e nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” At 6.4. Não há dedicação sem priorização, entrega e perseverança. Este versículo expõe as vísceras do ministério pastoral: oração e Palavra. Nada deve ser mais importante que interceder e guiar o Povo de Deus através dos princípios bíblicos. Quando oramos pelos membros, deixamos o Senhor atuar. E quando “ministramos” a Palavra, estamos alimentando adequadamente o rebanho de Cristo, colocando-o na direção certa, sob a vontade de Deus.
Lembre-se
Moisés não precisou defender-se quando seus irmãos Arão e Miriã murmuraram contra ele. Deus mesmo cuidou deles e Miriã ficou leprosa sete dias – Nm 12. A traição sempre é muito dolorida, mas quando somos chamados, Deus cuida de nós e nos defende.
Jeremias pregou a Palavra de Deus por 40 anos sem resultado imediato e aparente. Somente quando o Reino de Judá foi para o cativeiro reconheceram o seu ministério. Persevere, apesar das adversidades. Lembre-se do Salmo 46. No tempo certo será honrado.
E se neste mundo, não vier reconhecimento, lembre-se de que: “Quando se manifestar o Supremo Pastor, vocês receberão a imperecível coroa da glória.” – 1 Pe 5.4.
Um abraço de quem já passou por isso

Pr. Elias Alves Ferreira é jubilado e integra a equipe do MVP – Ministério de Vida Pastoral da Convenção Geral

Trabalho – benção ou maldição?

Desde o Éden, o homem sente realização por planejar e executar suas tarefas

“O homem sai para seu trabalho, para o seu labor até o pôr-do-sol. Quão numerosas são as tuas obras, ó Senhor! Fizeste-as todas com perfeita sabedoria. A terra está repleta de tuas criaturas”. (Salmos 104.23-24 – K. James).
Vez ou outra ouvimos alguém dizer: “Mente vazia é oficina de Satanás.” De fato, o ócio é uma coisa ruim, pois o nosso corpo é uma “máquina” em constante funcionamento idealizada pelo criador para exercer os seus devidos movimentos.
Nossos pais, no Jardim do Eden, tinham o que fazer, e o trabalho era uma benção com sua rotina, sem maiores preocupações ou estresse. Penso eu que a única boa ansiedade que tinham era com a viração do dia, no pôr-do-sol, quando acabavam suas tarefas e Deus os visitava.
Era com muita alegria e afetividade que eles o recebiam. Imagino que cada dia eles tinham novidades para falar com Deus acerca das suas variadas obras: uma planta que desabrochou suas lindas pétalas floridas, a simetria das formigas e o seu trabalho organizado e cronometrado.
Adão, como lavrador, certamente semeava e via o progresso de sua plantação como benção de Deus, e o melhor, Ele podia agradecer pessoalmente o Seu criador pelos Seus feitos. Imagino a alegria de Deus antes da nódoa do pecado.
O texto do salmista fala sobre o trabalho, labor na rotina diária. (Labor significa trabalho, tarefa, labuta, é uma palavra com origem no latim labore, pressupõe uma atividade racional, onde o indivíduo tem que pensar, raciocinar).
Adão exercia no Eden suas funções, ele deve ter raciocinado bastante para nomear todos os animais domésticos, as aves do céu e a todas as feras (Gn 2.20).Foi um trabalho muito eficaz.
Igualmente, quando realizamos um trabalho que foi planejado, vem uma satisfação e alegria pelo dever cumprido. Segundo o salmista, o sair para trabalhar e voltar no término do dia é uma benção
Concluímos dizendo que o trabalho honesto e diligente é uma benção em muitos sentidos, pois ele está incluso entre as “numerosas, variadas obras perfeitas do Senhor” conforme nos ensina o salmista. Glórias a Deus pelo trabalho.

Pr. Omar Figueiredo congrega na IAP em Pq. Edu Chaves (São Paulo – SP)

Redescobrindo o Brasil

Pátria amada, idolatrada ou esquecida?
Em 22 de abril, o Brasil completa 518 anos. Nesta data, em 1500 d.C., as caravelas da esquadra portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral, chegaram ao litoral sul do atual estado da Bahia. De lá pra cá, muitas foram as descobertas e redescobertas em território nacional. Muitas são as histórias que remontam a nação brasileira. Esta data e os documentos registrados sobre a descoberta do Brasil são de suma importância para compreendermos a origem e a luta de nosso povo, para obter e manter a verdadeira “ordem e progresso” em nosso País até os dias de hoje.
No entanto, nossa pátria tem sido esquecida por muitos. Talvez, a maior razão seja o que de ruim já aconteceu e continua acontecendo em nossa nação, em função dos líderes que a governam. Contudo, a despeito de tanta corrupção abrigada, que resulta em tantos outros males, precisamos continuar a luta para resgatarmos nosso valor, como brasileiros. Afinal, é isso o que fazemos decente e honestamente, quando acordamos e batalhamos a cada novo dia, com esperança de um futuro melhor para nossos filhos e netos. Não podemos desistir do Brasil, tampouco esquecê-lo, precisamos redescobri-lo. Precisamos redescobrir nosso amor pelo Brasil. Mas como isso é possível? Olhando para Bíblia, a maior carta de amor de Deus pelas nações corrompidas através do pecado e todo mal nativo dele.
É da vontade de Deus que nossa pátria seja amada, o que Deus não quer, é que ela seja idolatrada. Mas, como estabelecer uma linha de equilíbrio entre o amor e a idolatria por nosso Brasil? Se você é cristão como eu, temos dupla cidadania, a terrena e a celestial. Aprendemos com a Bíblia, que a partir do Evangelho de Deus, temos de viver aqui sem nos esquecermos de lá. Podemos comprovar esta verdade, quando lemos o conteúdo da carta que Jeremias enviou de Jerusalém aos líderes, que ainda restavam entre os exilados, aos sacerdotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor deportara de Jerusalém para a Babilônia (Jr 29.1; cf. vs. 4-23).
Como deveria ser a vida e o relacionamento do povo de Deus na perversa, sanguinária e pagã Babilônia? Primeiro Deus diz para eles se estabelecerem nas cidades e se multiplicarem, para manterem assim sua identidade como povo:
 
Construam casas e habitem nelas; plantem jardins e comam de seus frutos. Casem-se e tenham filhos e filhas; escolham mulheres para casar-se com seus filhos e deem as suas filhas em casamento, para que também tenham filhos e filhas. Multipliquem-se e não diminuam” (vs 5-6).
 
Além disso, e o que é mais impressionante, Deus manda o povo prestar serviço a Babilônia: “Busquem a prosperidade da cidade para qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”.
A orientação do Senhor, mesmo diante de tudo o que a Babilônia representava de ruim para o povo de Deus, enquanto estivessem lá, é que este deveria não apenas aumentar sua tribo, mas também usar seus recursos para o bem comunitário. Os judeus exilados não atacariam, não desprezariam, nem fugiriam da cidade, mas a amariam e buscariam sua paz enquanto cresciam e se estabeleciam nela. É assim também que devemos viver nas cidades espalhadas pelo nosso Brasil afora. Somos convocados a ser os melhores patriotas possíveis desta nação, sobretudo, se de fato, recebemos o evangelho de Jesus. Temos de amar nossa nação, a partir do bairro onde moramos, sendo bons vizinhos, excelentes profissionais, cidadãos exemplares em nossas obrigações tributárias.
Enfim, a situação do País pode melhorar se seus cidadãos forem melhores a partir das pequenas coisas e mais elementares para a convivência. Além disso, se quisermos um Brasil melhor, precisamos conhecer mais sobre a política nacional e porque não seguir carreira (se esta for a vocação) ou preparar nossos filhos para serem políticos honestos e tementes a Deus?Pois é Deus quem governa através destes (Pv 8.15-16).
Deus ama nossa pátria, nós também devemos amá-la, sobretudo, pelas pessoas que dela fazem parte, pois estas são criadas à imagem do Deus Criador, conforme sua semelhança. E a morte de Cristo foi para redimir todas as coisas criadas, inclusive a nossa nação. Se você é brasileiro, ame sua pátria, existe muita riqueza nela, celebre sua história, Porém, jamais troque a glória de Deus. Nossa pátria deve ser amada, sim, idolatrada, não!
Este é o mal da humanidade: deixar a glória de Deus por causa de desejos carnais (cf. Rm1:18-32).Quando não vivemos para a glória de Deus, acima de tudo, então aderimos à idolatria. Sigamos o conselho de Pedro, o apóstolo de Jesus:
 
Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, naquilo em que eles os acusam de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem a Deus no dia da sua intervenção (1 Pedro 2:11,12).
 
Que possamos viver como viveu o nosso Senhor Jesus, quando veio do céu para uma pátria terrena. Ele viveu na terra como cidadão judeu, mas sem esquecer que era do céu, mas tinha uma missão aqui e para lá voltaria. Pois, assim como o Pai o enviou, fomos enviados por Jesus para sermos e fazermos discípulos em seu nome (Jo 17:4 e 18; 20:21). Deus abençoe o Brasil através do seu povo, que aqui participa de sua missão redentora, pela sua graça, para que todos os brasileiros vivam para gloria do único que é digno de recebê-la.
 
Pr. Mateus Silva de Almeida é responsável pela IAP em Piracicaba e Rio Claro (SP).
 
 

Insegurança jurídica

Só as leis de um Juiz perfeito e santo são eternas

Se perguntássemos a Platão qual o papel de um juiz, ele diria: “O juiz não é nomeado para fazer favores com a justiça, mas para julgar segundo as leis.” Seguindo no campo da suposição, imagine que nesta conversa alguém fizesse a seguinte objeção: “Mas as leis são difíceis e complexas para serem interpretadas por quem, como nós, não estudou…” Como estamos num bate papo imaginário, temos a liberdade de colocarmos juntos um filósofo de quatro séculos antes de Cristo, Platão, na mesma conversa com um contemporâneo dos tempos de Jesus, Sêneca, que passaria na frente de Platão e responderia: “A lei deve ser breve para que os indoutos possam compreendê-la facilmente.”
Se continuasse minha pesquisa, seria possível deixar interminável a conversa acima, tantas são as frases e citações que versam sobre lei, justiça e direito. Seria como se perder na floresta de Nárnia e ficar sujeito às ameaças da feiticeira branca, tamanho o emaranhado de interpretações, recursos, embargos, petições, depoimentos, delações, gravações, vídeos, códigos, instâncias, tribunais, acusação, defesa, promotoria, juízes, advogados, habeas corpus, requerimentos.
Faço parte dos leigos. Como a imensa maioria, estou acompanhando como posso este capítulo da história do nosso país. Um termo que não citei no parágrafo acima tem sido constantemente reclamado por esquerda e direita, assim como tem sido alertado e criticado por analistas e jornalistas: insegurança jurídica. Todos, em uníssono, tentam mostrar os perigos que a nação corre por conta da tal insegurança jurídica.
Uma situação já vivida por todos nós, na infância, explica. Lembra quando estávamos jogando qualquer jogo? Primos, irmãos e colegas de escola disputando cada lance, vibrando e empolgados com cada jogada, fosse um jogo de mesa tipo dominó, ludinho, batalha naval, dama, ou um jogo de bola, não importa, a adrenalina ia lá em cima, causada pela empolgação do jogo. Aí, do nada, um mau perdedor, simplesmente resolvia mudar a regra do jogo ou dar uma outra interpretação.
Pronto, a alegria era transformada em discussão, briga e cara feia, tudo acompanhado de protesto: “Pô, não é certo mudar a regra do jogo durante o jogo!” É isso. O risco das inseguranças jurídicas, de leis que mudam em curtos espaços de tempo, de leis que, conforme o caso, recebem a interpretação mais conveniente, é exatamente este: abalar relacionamentos e inviabilizar o bom convívio social.
Chegamos ao ponto. Leis precisam de segurança. Leis precisam ser estáveis. Leis, para tanto, precisam ser equilibradas por amor e justiça. Leis precisam ser eternas. Por tudo isso, leis precisam ser escritas na solidez de uma rocha e, de preferência, escritas e definidas por um Juiz perfeito e totalmente santo. Como bem afirmou Tiago em sua carta no capítulo 1 e versículo 17, tal lei só poderia vir “… do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.”
Eis a boa nova do evangelho eterno, eis a segurança da maravilhosa e imerecida Graça que recebe todo aquele que crê no Filho. O espírito da lei contido nos Dez Mandamentos são palavras de vida, é luz para o caminhante, é orientação segura para as decisões da vida, é, enfim, a pavimentação espiritual que dirige cada passo com confiança e fidelidade ao Deus legislador, o Único que legisla com vistas à nossa plena felicidade e realização. Fomos por Ele salvos graciosamente. Por isso, voluntariamente e prazerosamente, queremos andar pelos caminhos desta lei perfeita e jamais voltarmos à escravidão das leis que regem este velho e corrompido mundo. Éramos inseguros, no entanto agora, em Deus, temos segurança jurídica, afetiva, espiritual, comunitária e eternamente salvadora.

Pr. Edmilson Mendes congrega na IAP em Pq. Itália (Campinas, SP) e atua no Departamento Ministerial – Convenção Paulista e Geral.

Sabedoria nos relacionamentos

Tempo para tudo – calar ou falar

Existe um ditado popular que diz: “O falar é de prata e o ouvir é de ouro”. Certamente, este pensamento demonstra o valor de sabermos o que e como falamos, além de reforçar também o quanto é valioso e importante saber ouvir. Sobre isso, já ouvi até mesmo a frase: “temos dois ouvidos e uma boca. Isso significa que devemos ouvir muito mais do que falamos”. O fato é que todos nós já nos deparamos com situações em que pensamos: será que esse é o melhor momento para eu falar algo para aquela pessoa? Ou será que devo apenas ouvir? Saber o momento mais apropriado para falar e para calar é um desafio para todos nós, que enfrentamos situações que nos provam quase que diariamente. Reconhecer o momento de falar e o momento de calar influencia os nossos relacionamentos e a forma pela qual lidamos com as pessoas que estão à nossa volta.
A Bíblia Sagrada nos orienta da melhor maneira a respeito dessa questão. Em Eclesiastes 3. 7 está escrito que existe “tempo de calar, tempo de falar”. Ao longo dos oito primeiros versículos de Eclesiastes 3, lemos vários exemplos de situações que estão relacionadas ao versículo 1: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Precisamos entender e reconhecer que, pelo fato de existir um tempo para todas as coisas, consequentemente também existe o momento em que devemos calar e outro em que a melhor alternativa é falar.
Eclesiastes 3: 7 também nos ensina sobre a importância de calarmos e ouvirmos o outro. Esse ouvir não é simplesmente escutar as palavras que estão saindo da boca do outro, mas se preocupar, dar atenção, respeitar e sentir compaixão. É realmente nos interessarmos pelo outro e por seus dilemas, vitórias, frustrações, angústias e sucessos. É também não tomar partido numa determinada situação, mas ouvir o que aconteceu primeiro. Sobre isso, certa vez li uma frase bem interessante: “Se você não tem nada de bom para falar, nenhum elogio para dizer, nada de construtivo para acrescentar e nenhuma palavra de consolo para ofertar… é melhor calar!” Só se cala e ouve quem ama o outro. Um ponto muito interessante que podemos perceber em Eclesiastes é que o verbo ouvir é mencionado antes do falar. O que pode nos indicar que primeiro ouvimos o outro, e depois de o ouvirmos é que falamos (com amor, respeito e empatia).
Por outro lado, lemos que existe o tempo de falar. No entanto, aqui a orientação não é para que nós falemos tudo o que “vier em nossas cabeças” com a justificativa de estarmos sendo sinceros, sem nem ao menos nos preocuparmos em magoar ou ferir as outras pessoas. Precisamos ponderar e avaliar aquilo que falamos, pois se não agirmos desta maneira, nossas palavras podem causar um grande prejuízo para nós mesmos e para aqueles a quem falamos. Uma palavra insensata e/ou precipitada pode ser responsável por acabar com um relacionamento. Uma palavra falada não pode ser retirada, sendo assim, é imprescindível estarmos atentos para o que falamos, como falamos e em que momentos falamos. Quem não reflete no que vai falar, acaba pagando um alto preço por sua precipitação e insensatez.
Da mesma forma, reconhecer que existe um tempo para todas as coisas, inclusive para falar, nos ensina que não podemos ser omissos. Sempre vão existir momentos em que precisamos falar, seja para ensinar, corrigir, ajudar, entre outros. É importante compreendermos que, justamente nestas situações, as nossas palavras podem ser um instrumento de Deus para auxiliar, consolar, encorajar, discipular e compartilhar o evangelho com outras pessoas. Para que nossas palavras sejam usadas pelo Espírito Santo com o propósito de edificar e ajudar as pessoas é necessário que estejamos firmados em Cristo e em sua Palavra. E que sejamos transformados pelo Senhor diariamente.
Certamente, é um grande desafio cuidar daquilo que falamos (principalmente quando estamos irritados ou magoados), mas precisamos praticar a orientação da palavra de Deus que está registrada em Tg 1. 19 – “Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se”. Assim como em Eclesiastes, observamos em Tiago uma orientação clara sobre a importância de sabermos o momento de ouvir e o momento de falar. A partir do momento em que praticamos esse princípio bíblico, nossos relacionamentos são edificados e restaurados pelo Senhor. Finalmente, se precisamos de sabedoria para reconhecer o momento de calar e o de falar com as outras pessoas é só buscarmos em Deus que ele nos dará (Tg 1. 5).
Que cada um de nós entenda que existe o tempo de calar e de ouvir, e o tempo de falar. Além disso, que sejamos motivados a construir relacionamentos baseados no amor, no perdão, no respeito mútuo e na empatia. Esta é a vontade de Deus para todos nós.
 
Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infantojuvenil Regional da Convenção Noroeste Paulista.