Reinado absoluto

Deus é soberano, acima de qualquer instância de liderança

Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do hades não prevalecerão contra ela” (M. 16.18).
Eleições, aclamações, levantar de mãos, sorrisos, lágrimas, decepções, incertezas, certezas. Essas palavras, sentimentos e ações marcaram o fim de semana decisivo para o povo da Igreja Adventista da Promessa, nossa amada IAP.
Quanta gente saiu feliz, ao ver seus candidatos “prediletos” eleitos; quantos saíram decepcionados por não ter havido eleição; outros saíram chorosos por não ter visto seu candidato eleito. A IAP será presidida no próximo quadriênio (2016-2019) pelo pastor Hermes Pereira Brito, homem com larga experiência administrativa e espiritual. Pr. Hermes foi eleito por aclamação entre palmas, sorrisos e lágrimas de felicidade da Assembleia Geral que estava muito bem representada, com cerca de 1.400 irmãos.
Em sua fala, o atual presidente, Pr. Jose Lima de Farias Filho, disse que a igreja sempre o apoiou e que não seria diferente com o próximo presidente; relembrou o aspecto bíblico da liderança sobre grupos maiores e menores e que, agora, Pr. Hermes é responsável por liderar dezenas de milhares. Pr. Lima, com muito cuidado e visivelmente emocionado, enfatizou o quanto o Evangelho é poderoso e vence preconceitos, uma vez que a IAP tem seu primeiro presidente negro.
As diretorias das Convenções Regionais foram eleitas também, por voto nas urnas e por aclamação da Assembleia. Em todas elas, confiamos que o processo foi dirigido pelo Senhor da Igreja, aquele que cria e levanta líderes segundo o seu coração.
Independente do resultado da eleição e da sua reação, promessista, lembre-se do versículo que usei para iniciar esse artigo. Preste atenção no pronome que Jesus usa para referir-se à Igreja: o pronome possessivo “minha”. A Igreja é de ninguém mais, ninguém menos que Jesus, aquele que morreu e ressuscitou por ela, dando a ela seu precioso sangue para purificá-la de todo pecado e mancha.
Assim, não há motivos para desespero se o “seu” candidato não foi eleito, nem de muita comemoração se foi. Uma vez que a Igreja é de Jesus, ele a conduzirá por meio de homens, sejam eles queridos ou não pelo povo. A Igreja é de Deus, quem a governa é Deus. Quem reina sobre ela é Deus. Ele reina acima de qualquer superintendente regional, presidente geral, assembleia geral ou qualquer casa e cargo institucional. Confiantes no reinado de Cristo sobre sua Igreja, sirvamos a ele por meio dela de todo coração!
Eric de Moura

Assembleia de decisões

 
É bem claro nas Escrituras, que mesmo reinando e governando os céus e a terra (Sl 115.16), o Senhor nos tornou seus parceiros em muitos aspectos de seu governo. E para isso, em alguns destes desdobramentos de sua governança, nos delegou a responsabilidade de sermos usados como instrumentos de seu plano salvífico (1Pd 2.9-10).
Quando encarnado, nosso Senhor Jesus Cristo escolheu 12 homens, com quem haveria de dividir a tarefa da divulgação do Evangelho e do pastoreio de sua Igreja. O Evangelho nos mostra o homem Jesus, orando antes de escolher seus discípulos (Lc 4.12-13), afinal, aqueles homens levariam a cabo sua obra na Terra.
Em Atos 1, temos os apóstolos escolhendo outro discípulo que substituiria Judas (vv.21-26). Por meio de oração e de um sorteio, indicaram o nome de Matias. Em Atos 15, diante de um problema entre cristãos judeus e gentios, temos os apóstolos e anciãos crentes, decidindo questões doutrinárias relevantes na igreja primitiva (vv.1-29).
Nós, cristãos promessistas, como parte da Igreja de Cristo, chegamos a esta  51ª
Assembleia Geral, com o dever de escolher novos líderes, que darão prosseguimento a uma obra presidida pelo Espírito Santo. Temos de encarar este momento como uma oportunidade de avaliar como chegamos até aqui, que caminho temos percorrido e quais os próximos passos.
 
Por isso, é essencial…

  • Orar a Deus a fim de pedir direção para que cada pessoa que irá fazer sua escolha possa exercê-la de maneira coerente com a caminhada que devemos trilhar nos próximos anos.

 

  • Orar para que não haja tanta preocupação com os nomes eletivos, mas, que cada líder esteja voltado a ser usado pelo Espírito, para que possa fazer a vontade de Deus.

 

  • Orar pedindo a total interferência de Deus em todo o processo, a fim de que, apesar de nossas escolhas, a vontade dele prevaleça. E sabemos que prevalecerá.

 
Que nossas decisões sejam submetidas a Deus em oração e que a vontade dele seja feita. E temos dele a esperança, pois é o Senhor da Igreja.
 
Andrei Sampaio Soares congrega na IAP em Vila Medeiros (SP) e é colaborador do Departamento de Educação Cristã da IAP.

Guerra perdida

Assim como em Mariana (MG), a lama da velha natureza avança e se espalha

Uma nuvem confusa de destruição e selvageria brutal. Críticos e intérpretes políticos do mundo todo tentam explicar as causas e efeitos do grande terror espalhado no mundo pelo “Estado Islâmico”, em especial pelo atentado a Paris na noite da última sexta-feira (13), que matou 129 pessoas, durante quatro ataques terroristas simultâneos na capital francesa. O presidente da França, François Hollande, anunciou que o país está em guerra contra o grupo radical islâmico. Aliados à Rússia e aos EUA, os contra-ataques da França já somam mais de 20, somente via espaço aéreo.
“Quem vencerá? Uma guerra entre irmãos [humanos]: uma guerra perdida”. Juninho Afram, guitarrista do Oficina G3, revela de maneira objetiva o que resulta o interesse básico das guerras: a afirmação existencial egocêntrica. Uma guerra política ou civil vem sempre endossada pela oculta necessidade humana da afirmação orgulhosa e bestial de reconhecer-se como único deus de si mesmo. Atitude antiga e luciferiana. Por trás das motivações justificadas por ideologias e religiões que, aliás, tem ganho cada vez mais jovens e adeptos pelo mundo via rede e comunidades virtuais, está a sede suja de poder pelo poder; de destruição pela destruição.
Atualmente não há fato que ilustre melhor as tristes notícias de guerra e terror que se espalham rapidamente pelo mundo, do que o rompimento da barragem de resíduos de mineração da Empresa Samarco, no interior de Minas Gerais, na cidade de Mariana. Sim, a lama que explodiu e destruiu cidades e ainda está destruindo o rio Doce, vem avançando, avançando. Enquanto as pessoas se destroem baseando-se no Islamismo, Cristianismo ou Judaísmo, a lama da velha natureza avança e se espalha até que não tenhamos mais nenhuma referência do humano à Imago Dei sobre a terra. Quem vencerá? A poesia faz uma das perguntas mais retóricas que já conheci. A maioria das pessoas não entende o significado real de derrota ou vitória.
Quando Jesus Cristo deu o “salto em queda livre” mais fantástico da história, descendo ao mundo, vestindo vestes humanas, lavando nossos pés e tomando nosso cálice de morte na cruz, revolucionou completamente o sentido real de vitória! Afirmou-se como o maior, o melhor. Entretanto, foi o menor servo de todos, caminhou com humildade, trouxe paz e amor verdadeiro aos homens. Mesmo sabendo que o futuro é sombrio e que a guerra se multiplicará na Europa, no Oriente, Ásia, Ocidente e em toda terra; vale orarmos:
“Para que Jesus traga logo a completa multiplicação de sua paz, a impactante e definitiva manifestação de seu Reino pleno; mas ainda, para que Jesus comece aqui em meu coração, expulsando o desejo de guerra contra outras pessoas, o excesso de afirmação pessoal, o orgulho “bestializante”; nos ensinando a trilhar seu caminho de paz, amor e sofrida humildade!”
Ms. Marciel Diniz é responsável pela IAP em Japurá (PR)

Está difícil ser cristão

Não basta uma novela bíblica, é necessário uma vida bíblica

Os Dez Mandamentos, graças à novela da Record, se tornou um tema pop. Pelo que parece e se conversa animadamente nos bastidores das TVs, a novela bíblica é um filão muito rentável, vale a pena investir. Afinal, o público aprovou e quer mais, portanto o lucro é praticamente certo.
Mas os Dez Mandamentos, enquanto peça de dramaturgia televisiva é apenas isso, dramaturgia oportunista que conseguiu derrotar a emissora líder de audiência no horário, o que não é pouco, mas no fim é só um bom negócio.
Provavelmente mexeu com a curiosidade e a fé de alguns. Mas não será a régua que irá medir as práticas de vida da grande massa telespectadora. Ou seja, o tema bíblico é mais um produto para brigar no mercado. Mas poderia ser mais que apenas isso se a maioria dos cristãos do nosso Brasil resolvesse viver e interagir coerentemente com a mensagem bíblica. Para isso, seria necessário uma revolução de caráter frente ao ataque que a noiva tem recebido por meio de adultérios, traições, desvios de conduta, quebras de contrato, falsificações ministeriais, estrelismo gospel.
Dia a dia, as dificuldades e desafios para as práticas cristãs só aumentam. Ninguém, minimamente observador, leva a sério uma emissora que atravessa o mar vermelho num programa para fazer sua audiência paralisar numa fazenda com peões literalmente dispostos a qualquer coisa para se darem bem. Parece piada, mas é real e não tem a menor graça.
As pressões, os deboches, as leis, as afrontas, os currículos educacionais, as manifestações quase diárias, as violências amplamente protegidas por governos e ONGs, a sangria dos abusivos e exploradores impostos, a criação e manipulação de regras para favorecer poderosos de todas as alas e partidos, a falta de socorro para gente de bem, as proibições do que é certo e as aprovações do que é errado, o ataque incansável para a desconstrução da família judaico-cristã, a bala, a esperança e a vida perdidas só atestam os miseráveis tempos que vivemos.
A tradução da Bíblia Viva de II Timóteo 3.1 acerta em cheio: “É importante para você saber isto também, Timóteo, que nos últimos dias vai ser muito difícil ser cristão.” Observe que Paulo falava do futuro – “vai ser” – e nós vivemos esse futuro que chegou, “está sendo”.
Para enfrentar este tempo com relevância junto à sociedade na qual estamos inseridos, é necessário bem mais que novela bíblica, é necessário uma vida bíblica.
Eduardo Cunha é um exemplo deprimente do tipo de cristão que a mídia mostra e explora, induzindo incautos a acharem que todos os crentes têm o mesmo perfil. Porém, assim como ele, sabemos que existe muita gente, cada um topando uma corrupção sob medida, de acordo com suas proporções. É a fila furada, a ocupação da vaga exclusiva para deficiente, a cola na prova etc. Enfim, um completo desastre para a mensagem do evangelho, que é muito mais impactante pelo bom testemunho do que pela pregação meramente técnica, pois ninguém mais aceita o “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço.”
Se os Dez Mandamentos ficarem restritos ao número de capítulos de uma novela, nada mudará. Infelizmente, grupos teológicos reduziram a discussão para “você é da lei ou você é da graça?”, quando na Bíblia, mandamentos são fonte de bênção para uma vida de paz e harmonia. Como bem colocado por um dos meus professores na época de Seminário Presbiteriano do Sul, “a lei é graça e a graça é lei”.
Este é um tempo declaradamente difícil, não precisamos torná-lo ainda mais difícil. A fé continuará vendo os inimigos avançarem, as pragas caírem e o mar se abrir nos limites do desespero. Em outras palavras, vai ser muito difícil suportar as pressões deste tempo, mas em Cristo não será impossível. Siga em frente com confiança, o Deus que abre o mar nos espera na Terra Prometida.
Pr. Edmilson Mendes congrega na IAP em Pq. Itália (Campinas, SP), e integra a equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral e Convenção Paulista.

“Sola Gratia”, somente a graça

Somos totalmente incapazes de salvar-nos ou salvar outras pessoas

Continuando em nossa reflexão, pela proximidade do aniversário da Reforma Protestante, 31 de outubro, vamos abordar o princípio que enfatiza a graça de Deus: Sola gratia (somente a graça).
No século XVI, os homens que fizeram parte da Reforma defenderam com “unhas e dentes” a doutrina bíblica de que a salvação é somente pela graça. É interessante observarmos que além de defender o princípio bíblico da salvação pela graça, os reformadores reforçavam em seus ensinamentos o “sola”, ou seja, a palavra somente: somente pela graça. Conforme esse ensino, a graça não precisa das boas obras dos homens para atender a cobrança do perdão dos pecados. Somente a graça divina pode suprir a exigência deste perdão.
Não podemos ser salvos através daquilo que fazemos e de nossas obras, mas somente a graça divina pode nos livrar das consequências trágicas do pecado. Somos totalmente incapazes de salvar-nos ou de salvar outras pessoas, e por isso, somos também absolutamente dependentes da graça divina. Com relação a esta questão, a Bíblia nos ensina que o pecador é justificado somente pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Efésios 2:8).
Neste caso, a graça consiste no favor imerecido de Deus relacionado a cada um de nós. Não merecemos esse favor, mas o Senhor, em sua soberania, amor e misericórdia, resolveu conceder-nos a sua maravilhosa graça. Em Efésios 2.4 está escrito que Deus nos concedeu a vida por causa da sua misericórdia, “pelo grande amor com que nos amou”. O que fica claro para nós neste versículo? Que a fonte da nossa salvação é o próprio amor e a misericórdia do Senhor.
Eu e você não temos o que oferecer a Deus em troca da nossa salvação, e muito menos podemos ajudá-lo a salvar a nossa vida. O que podemos fazer é reconhecer a graça de Deus, aceitando assim, o seu favor imerecido a nós. Com isso, deixamos de lado a nossa autossuficiência, o nosso orgulho e vaidade, e a nossa arrogância de pensarmos que através das nossas boas obras podemos nos salvar ou salvar a outros. Não esqueçamos que a salvação sempre foi e sempre será pela graça, pelo favor imerecido de Deus ao ser humano. Esta graça veio a todos nós de forma plena e abundante por meio de Cristo. Somente nele o homem pode ser salvo.
É muito importante que reconheçamos a graça de Deus em nossas vidas. Através deste reconhecimento, temos a humildade necessária para sabermos que não somos “super-crentes” e que não temos qualquer direito de “colocar Deus contra a parede”, exigindo qualquer coisa do Senhor ou decretando que ele atenda às nossas vontades. Reconhecer a graça divina significa perceber que estávamos condenados por nossas próprias culpas e pecados, mas que, fomos justificados e perdoados por intermédio da nossa fé no Cordeiro de Deus, que veio tirar o pecado do mundo.
O Senhor, em sua infinita graça, não permitiu que as consequências do pecado destruíssem o ser humano, mas deu a oportunidade para que todo aquele que crer em Jesus seja salvo. Em sua Palavra, Deus é chamado de “Deus de toda a graça” (1Pe 5: 10), o que nos demonstra o quanto a graça divina é importante para nós.
Sola gratia somos salvos, isto é, somente pela graça. Que ao reconhecer e vivenciar essa verdade bíblica possamos ser gratos a Deus por ele ter nos alcançado por meio da salvação em Cristo Jesus. Além disso, que a graça divina nos motive a viver uma vida de santidade e consagração para “aquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2: 9)!
Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infanto Juvenil Regional.

Bíblia e cotidiano

Martinho Lutero lutou por colocar a Bíblia na mão do povo; mas o que fazemos dela hoje?

É de muita relevância conhecer os textos bíblicos, aplicando – os na nossa vida cotidiana, ao considerar a história que tem por detrás deles e a atuação de Deus para que chegassem intactos a nós. É de se admirar o que foi conservado.
A relação entre o ser humano e Deus por via dos textos bíblicos se dá no dia a dia, numa leitura diária reflexiva e piedosa que vise buscar: consolo ,conforto, sobriedade, esperança e alimento, mesmo num mundo em constante caos, onde vemos tragédias diariamente. Diz o profeta Jeremias: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança” (Lamentações 3.21).
Hoje, na era da tecnologia digital, quando temos no celular, no tablet muitas traduções da Bíblia, precisamos aproveitar para não nos distanciar do texto bíblico, ou só carregar conosco como mais um dos nossos vários arquivos digitais. Sem um exame criterioso, perde-se tudo de bom que os textos da Bíblia podem nos trazer.
Muitos judeus gostavam de afixar um mezuzá nos umbrais da porta, para relembrar a presença de Deus na casa e a libertação do povo do cativeiro egípcio. Willian L. Coleman nos diz que as versões originais do mezuzá eram mais elaboradas e continham um pergaminho onde estavam gravados, num dos lados, as passagens de Deuteronômio 6.4-9; 11.13-21.
Hoje podemos carregar todo o texto bíblico, diferente deles que se valiam oralmente dos conhecimentos adquiridos e assim repassavam uns aos outros. Será que temos aproveitado este privilégio?
É preciso valorizar a construção divina dos textos do AT com o NT. A ligação de ambos no levará a uma salutar compreensão daquilo que Deus propõe para nós. “No primeiro século, quando não se lia a Bíblia, pois o codex era muito caro e não dava para transportar os rolos, o primeiro testamento então era impossível de se ler no cotidiano, por isso a tradição oral, neste contexto, é de suma importância”, registrou Suely Santos, na revista Caminhando.
Hoje transportamos a Bíblia para qualquer lugar, com variadas traduções e comentários. Podemos não apenas ler, mas até ouvir, por que então a displicência diária com o texto bíblico ou usá-lo como um talismã de caixinhas de promessas ou postagens nas redes sociais de tão somente aquilo que nos agrada? É preciso voltar aos primórdios e observar o eixo de interpretação.
Na Reforma Protestante, Martinho Lutero publicou suas 95 teses em 31 de outubro de 1517 em frente à igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Assim, a Palavra de Deus passou a ter um cunho mais popular, pois Lutero pregava que todo mundo devia ler a Bíblia, que ele traduziu para o povo alemão, chegando a todas as camadas da sociedade.
Em todo o tempo, o uso da Bíblia deve ser natural no nosso cotidiano, primeiro devocionalmente, parafraseando o profeta Jeremias: “Achando-se as tuas palavras, logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e alegria do meu coração; porque pelo teu nome sou chamado, ó Senhor Deus dos Exércitos.” (Jeremias 15.16).
Pr. Omar Figueiredo dos Santos é responsável pelas IAPs em Jardim Paineira e Itaquera, na Convenção Paulistana Leste.

Um dos pilares da Reforma Protestante

“Sola fide”: somente a fé

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero pregou um texto que ficou conhecido como as 95 teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha. Essas teses tinham uma grande ênfase doutrinária e foram muito utilizadas pelo movimento que estava nascendo: a Reforma Protestante. O Protestantismo surgiu com a premissa de basear suas ideias e doutrinas somente nas Escrituras Sagradas e isso originou o que chamamos de “Cinco Solas”. Esses “Cinco Solas” são cinco princípios que foram considerados, pelos reformadores, como fundamentais para a vida e prática cristã.
Os “cinco solas” são: “Sola Fide” (Somente a fé); Sola Gratia (Somente a graça); Solus Christus (Somente Cristo); Sola Scriptura (Somente a Escritura); e Soli Deo Gloria (Somente a Deus, a glória). Como neste mês de outubro a Reforma Protestante comemorará 498 anos, acredito ser importante refletirmos sobre cada um dos seus princípios bíblicos e de que maneira temos vivido a nossa vida e prática cristã num mundo tão corrompido e distante de Deus.
Vivemos numa sociedade que precisa desesperadamente ser alcançada pelo evangelho de Cristo Jesus. Como igreja de Cristo, necessitamos ser constantemente reformados pela Palavra poderosa de Deus. Sendo assim, os princípios destacados por Lutero são tão atuais como nos dias em que foram enfatizados com a Reforma.
O primeiro “Sola” em que refletiremos é “Sola Fide”: isto é, somente a fé. A Bíblia enfatiza que somente por meio da fé em Deus e no sacrifício de Cristo no Calvário é que podemos ser salvos e alcançarmos a vida eterna (Jo 3: 16). Ela é fundamental para a nossa vida, pois “Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam” (Hebreus 11:6). Através da fé nos tornamos filhos de Deus (Jo 1: 12). É ela quem nos faz admitir que não temos qualquer condição de libertar-nos sozinhos dos nossos próprios pecados, das nossas culpas e dos nossos erros. Pela fé podemos entender que nossas atitudes e nossos méritos não são capazes de nos dar salvação (Rm 3: 10). É justamente por isso que necessitamos só e totalmente da pessoa e da obra do Cordeiro de Deus que veio tirar o pecado do mundo para nos livrar das terríveis consequências do pecado.
É interessante mencionar que o versículo bíblico que chamou a atenção de Lutero no que se referia à importância da salvação pela fé é Romanos 1: 17 – “O justo viverá pela fé”. A fé em Cristo não é um mero exercício intelectual, nem é um “pensamento positivo” e nem é “cega”. Pelo contrário, tal fé está profundamente relacionada à confiança no Senhor e em sua Palavra; é por intermédio dela que entregamos nossas vidas ao senhorio de Jesus, abandonamos o pecado e renunciamos a tudoo que pode nos afastar do nosso Senhor e Salvador.
Para todo aquele que se entregou a Jesus, ter fé significa necessariamente que desejamos aprofundar o nosso relacionamento com ele. É ela que nos move a caminhar em direção ao nosso alvo maior, que é o próprio Jesus, o Autor e Consumador da fé (Hb 12: 2). É somente pela fé em Cristo que podemos ser reconciliados com Deus e sermos considerados justos perante os olhos do Senhor. Não importa o que éramos ou o que fazíamos, a partir do momento em que colocamos nossa fé em Cristo, temos os nossos pecados perdoados, seja eles quais forem. Através da fé, somos alcançados pela maravilhosa graça de Deus.
 
Dsa. Claudia Duarte congrega na IAP em Votuporanga (SP) e é diretora do Departamento Infanto Juvenil Regional.

Sentindo na pele o que nós sentimos

“… mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens”. (Filipenses 2.7)

Empatia significa a capacidade de compreender o sentimento ou reação da outra pessoa imaginando-se nas mesmas circunstâncias. Foi exatamente assim que Jesus agiu.
Podemos destacar pelo menos três cenas onde o mestre demonstrou com atitudes “sentir na pele” o que nós sentimos. O primeiro cenário é uma cidade de Samaria, chamada Sicar. Jesus estava cansado, seus pés doíam, seu rosto estava suado e quente sob o sol escaldante do meio-dia. De fato, ele precisava descansar, então parou junto a um poço, despediu-se dos discípulos, certamente se espreguiçou e sentou-se no chão. Foi quando chegou uma mulher samaritana (João 4.6-7).
O segundo cenário é o mar da Galiléia. Ele estava com muito sono, bocejou e os olhos piscavam sem parar. O dia fora longo, agora, a noite havia caído e ele queria apenas tirar uma soneca. Em meio à viagem, ele decide dormir. O sono era tão profundo que nem o trovão, os ventos ou o balanço do barco o acordaram. Somente os gritos desesperados dos discípulos conseguiram interromper seu repouso (Mateus 8:24-27).
O terceiro e último cenário, não menos importante, é Jerusalém. Jesus estava totalmente irado! Podia-se ver em seus olhos. Seu rosto estava vermelho, os punhos estavam cerrados, o que tinha tudo para ser um dia normal no mercado do templo tornou-se um alvoroço. O que era um sorriso na face do Filho de Deus transforma-se em sobrancelhas contraídas e testa enrugada. A única coisa que voou mais alto do que as mesas e cadeiras foram as pombas batendo asas rumo à liberdade (João 2:13-16).
Sim, somos gratos a Mateus, Marcos, Lucas e João por esses retratos da humanidade de Cristo. Ele literalmente se pôs em nosso lugar, calçou nossos sapatos para ver onde apertam, sentiu a dor de perder um amigo, foi traído e cravado numa cruz sem ter culpa alguma. Esse é o Deus que se fez carne e se tornou homem como um de nós. Se o Mestre fez isso por nós, por que não podemos fazer o mesmo pelos outros?
Que Jesus possa nos mostrar como seguir o seu exemplo de profunda identificação. Que, em vez de julgar o nosso próximo, quando ele estiver exausto, triste ou irado, possamos nos colocar em seu lugar, ter compaixão dele e dispor-nos a servi-lo, como o Senhor fez por nós.
Diego da Silva Barros é diretor da UMAP, coordenador de Missões e Evangelismo na IAP em Piedade (Rio de Janeiro) e colaborador da equipe de Capelania Prisional da IAP.

Aprendendo com o Anthonny

No dia 12 de setembro, após a Escola Bíblica, escutei um agudo choro de criança. Era o Anthonny, um garotinho da IAP em Jardim Paneira (São Paulo, SP). Seu pai explicou que ele estava chorando por ter chegado atrasado na Escola Bíblica do Dijap. Fiquei sobremaneira admirado com tal gesto.
Comentei com o seu pai minha admiração por sua atitude, disse que eu estava do lado dele e ponderei: queria que todo o adulto da Igreja tivesse este sentimento demonstrado por aquele choro infantil. Porém, muitos não têm essa preocupação em chegar no horário correto da Escola Bíblica e participar com o mesmo espírito dos bereanos, ávidos pela Palavra de Deus e dispostos a aprenderem.
O desinteresse da Escola Bíblica é demonstrado no horário que alguns chegam, quando chegam. Vi uma frase numa rede social que bem poderia se juntar a este artigo: “Não diga que está disposto a morrer por Cristo se, pelos menos aos sábados, não consegue levantar para ir à Escola Bíblica.”
Ao imaginar que existiram homens que amaram as Escrituras ao ponto de morrer por elas, arriscando tudo que tinham, não amando as suas próprias vidas, como fez Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517, quando fixou na Igreja do castelo de Wittenberg, na Alemanha, suas 95 teses de defesa da salvação mediante a fé na pessoa do Senhor Jesus Cristo, revelado através do conhecimento da Bíblia Sagrada.
A IAP lança lições bíblicas relevantes, facilita virtualmente o acesso a todos os seus membros, realizou um seminário de revitalização da Escola Bíblica mas alguns continuam prejudicando a si mesmos e a seus filhos por um pouco de sono. “Ó preguiçoso, até quando ficarás deitado? Quando te levantarás da tua sonolência? Tirando uma pestana, cochilando um pouco, cruzando os braços para descansar, tua iminente pobreza te aterrorizará, e tua necessidade te assaltará como um ladrão armado.” (Provérbios 6.9-11).
A criança chorou porque chegou atrasada na Escola Bíblica. Naquele momento incentivei imediatamente ao seu pai a chegar no horário devido, aproveitando a disposição e o amor demonstrado pelo seu filho, que não podem ser desprezados.
Você já parou para pensar no desagrado que faz ao Senhor conscientemente ou inconscientemente quando não se atém ou detém nos “negócios do Pai”? (Lucas 2.49). Aprenda com o Anthonny, que está aprendendo com Jesus a amar a Escola Bíblica, e não se conforme em faltar ou chegar atrasado.
Pr. Omar Figueiredo dos Santos é responsável pelas IAPs em Jardim Paineira e Itaquera, na Convenção Paulistana Leste.

Você tem fome de quê?

As pessoas vão atrás das promessas materialistas, mas entretenimentos, viagens e dinheiro apenas iludem e preenchem momentos

Dentre os prazeres da vida, comer, sem dúvida, é um dos principais. Posto que é uma necessidade, realiza com eficácia o dito popular que diz que o bom mesmo, é quando conseguimos unir o útil ao agradável. Infelizmente e tragicamente, milhões ainda não usufruem este prazer e, consequentemente, não têm satisfeita sua necessidade básica de alimento, pois fome é o que enfrentam diariamente, enquanto, por outro lado, o desperdício de comida no mundo resolveria o drama destes milhões de famílias.
A fome não precisa de professor. Não é necessário explicar o que ela é e como dói. O faminto sabe, vive e sente no estômago, aprende sozinho. Até mesmo aqueles que nunca viveram uma mínima crise de alimento, conseguem imaginar, pois qualquer refeição rotineira que atrase um pouco mais, já é o suficiente para receber a voz de protesto: “Ai que fome! Não estou aguentando!”
Caso não haja solução ou socorro, a fome mata. Talvez aqui, com o dado objetivo e frio da consequência final provocada pela fome – a morte – consigamos compreender o estado atual do nosso mundo. Você tem fome de quê? Perguntou o poeta. De amor, de afeto, de carinho? De trabalho, de oportunidade, de serviço? De harmonia, de paz, de calma? De equilíbrio, de decência, de justiça? Do que você tem fome, afinal? Lembre-se, a fome não saciada, mata.
Simone Weil tem um pensamento que nos auxilia: “A alma só tem certeza de que tem fome. Uma criança não para de chorar se lhe dissermos que talvez não exista pão. Ela continua chorando do mesmo jeito.” Toda alma sabe que está com fome, sabe do que tem fome, sabe o que saciaria sua fome. E enquanto o alimento certo não for ministrado o choro não cessará, e isso até que morram todas as forças que alguém é capaz de reunir para chorar.
Gosto da comparação da fome da alma com o choro da criança faminta. Para uma criança não existem explicações racionais que a faça parar de chorar, ela nem entende os porquês apresentados. Possivelmente, a criança nem saiba qual alimento seja melhor, mais saudável, recomendável e seguro. O que ela quer é comida, senão chorará até perder as forças.
Olhe ao seu redor, verdadeiras multidões estão chorando, sabem que tem fome, sabem identificar a fome, mas não conseguem identificar o alimento correto para a fome que têm. Querem alegria, liberdade, prazer, conforto, status, posição, bens, poder, paixão. E vão atrás das promessas materialistas para matar uma fome que só aumenta, afinal, entretenimentos, sexo, viagens, carros, roupas, dinheiro, apenas iludem e preenchem momentos, mas não fazem nem cócegas na fome absurda que massacra a alma.
Ainda que não saiba, a fome escancarada na alma humana clama por Deus. Como procura saciar sua fome com coisas, filosofias e técnicas, mais fome tem. O resultado pode ser visto em escala global, gente estressada, desesperada, impaciente, irritada, depressiva, adoecida, terminal. Aumentam, então, crimes inexplicáveis, suicídios, abandonos, rejeições. Tudo por conta desta solução proposta pelo mundo, que apenas fabrica sorrisos fugazes há décadas com “sexo, drogas, rock’n roll” e afins, mas via de regra só faz aumentar a fome, as lágrimas e a morte de todos os sonhos que um dia foram sonhados.
Se você já tentou de tudo, se já foi em várias fontes à procura de matar sua fome, se já está em vias de desistir, aceite um conselho: experimente Deus. Sei que o conceito é vago e impossível de entendermos, por isso mesmo Ele se encarnou, para sentir nossas dores, viver nossas misérias e suportar a nossa morte, a fim de que pudéssemos viver a Sua vida.
Diante de um mundo tão cético e descrente, com fomes gritantes no Oriente e no Ocidente, cada um foge da sua particular fome migrando para aquilo que julga ser a solução, só não migra para Deus. Diante deste quadro recheado de almas que têm certeza que têm fome mas não sabem resolver seu dilema, finalizo com a surpreendente declaração de um autor ateu, Jean-Paul Sartre: “Que não existe Deus, eu não posso negar, que todo o meu ser clama por Deus, eu não posso esquecer.” O convite ainda continua, para todo aquele que receber o Filho. O Pai garante em Apocalipse 7:16, “Nunca mais terão fome…”, item prometido para a Nova Terra,o lar eterno que ainda está com portas abertas para toda classe social, nação, povo e língua.
 
Pr. Edmilson Mendes congrega na IAP em Pq. Itália (Campinas, SP) e integra a equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral e Paulista.

Relacionamentos superficiais

Como o Corpo de Cristo pode – e deve – ser diferente

Relacionar-se, conviver, partilhar, compartilhar valores, não é uma tarefa das mais fáceis, porém, ela é aprendida quando existe respeito ao ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, independente do seu credo religioso ou filosofia de vida.
Na igreja de Cristo, relacionar-se com o outro que ama a Jesus e que obteve de Deus a revelação da Sua Palavra também não é fácil, acrescentando-se que Jesus disse que o joio cresceria junto do trigo, pois a colheita é dele. O apostolo Pedro, por exemplo, mesmo convivendo e vendo o que Jesus fazia e como Jesus se comportava, demorou no seu processo de conversão, que só aconteceu quando Jesus foi entregue aos homens para concretização de sua missão. Pedro chorou amargamente quando a sua ficha caiu e percebeu a quem tinha negado (Lucas 22.62).
Como estamos convivendo com nossos irmãos? Qual a profundidade dos nossos relacionamentos? A hipocrisia e a mentira têm tido vez em nosso meio? Caso sim, com certeza, isso não provém de Deus e os nossos valores espirituais estão distorcidos e enfraquecidos.
A oração de Jesus ainda é válida: “Para que todos sejam um” (João 17.21a). A união em torno da estabilidade e do crescimento da igreja de Deus deve ser maior do que qualquer objetivo egoísta. Mesmo neste tempo de isolamento tecnológico, quando muitos se relacionam virtualmente, superficialmente, como dizia o poeta paraibano Augusto dos Anjos: “Cada um no seu canto, chora o seu pranto”. Em outras palavras: “cada um com seus problemas”.
Precisamos de gente de bem, discípulos e servos verdadeiros de Cristo, que através das Palavras de Deus, tragam conforto e solidariedade às pessoas e aos irmãos de fé, não com falsidades, fofocas e outros artifícios que menosprezam uns e projetam outros, não com interesses escusos, não para cumprir um protocolo “igrejeiro”, mas sim por causa do que Jesus nos ensinou, quando valorizou pessoas que o seguiam: “Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo te conheça” ( João 17.23).
A convivência com o padrão mundano, com toda a sua libertinagem, falsidade e hipocrisia afetou até os apóstolos de Cristo (João 12.6).  O que diríamos de nós, hoje, caso não estejamos de fato ligados à videira verdadeira? Estes padrões de comportamento podem nos atingir, chocando-se frontalmente com os valores e ensinos do Reino de Deus. Como posso analisar se não estou vivendo relacionamento superficial com meus irmãos de fé? Devo responder sinceramente estas inquietações: Gasto tempo na oração por eles? Ao mencioná-los aos outros, qual o sentimento que externo? Trato todos como gostaria de ser tratado (a), respeitado (a) e lembrado (a)?
Existe uma regra bíblica chamada: regra áurea ou regra de ouro. Ela diz que devemos nos enquadrar na lei concernente ao próximo e a Deus também: “Aqui está um guia simples e objetivo de conduta: pergunte a você mesmo o que quer que os outros façam a você, e, então, faça o mesmo a eles. Na verdade, nisso se resumem a Lei e os Profetas. (Mateus 7.12). Alguém já disse que os dentes podem ser postiços, mas a língua deve ser sempre verdadeira. Seja autêntico e Deus trabalhará no aperfeiçoamento do seu caráter e da sua personalidade através do fruto do Espírito.
Pr. Omar Figueiredo dos Santos é responsável pelas IAPs em Jardim Paineira e Itaquera, na Convenção Paulistana Leste.

A grande virada

O balanço da vida é importante, pois nos faz pensar no que fizemos e corrigir atitudes, para o futuro que nos resta


Recentemente, recebi de um irmão um CD gospel cantado por Elvis Aaron Presley, considerado o mais famoso músico de carreira solo do século XX. Fiquei vários dias ouvindo sua impressionante e inconfundível voz.  Uma dádiva de Deus. Sua fama ainda hoje é tão marcante que a mansão onde morou, em Memphis, no Tennessee, dizem, é o segundo endereço mais visitado nos Estados Unidos, perdendo apenas para a casa Branca. Sua morte prematura aos 42 anos no banheiro da mansão em 16 de agosto de 1977 ainda é rodeada de mistérios. Quais foram as últimas decisões de seu coração? Será que se reencontrou?
Enquanto lia sua intensa e curta trajetória, pude pensar em como a vida se apresenta a nós.  Chega um tempo em que, sensatamente, temos que olhar para o passado e pensar limpamente no futuro que nos resta. Admitir o quão frágil e curta a existência é. Tomar a decisão, ter coragem e enfrentar a realidade. Refletir sobre o que fizemos e deixamos de fazer. Notar as implicantes consequências de nossos atos e assumir por inteiro cada um deles, devolvendo no mínimo, duplicado, a quem tenhamos defraudado. Aos que negamos obediência, mais obediência, aos que negamos o amor, muito mais amor.
Verdade seja escrita, abaixo toda a resistência, por mais que outros possam ter contribuído, somos nós mesmos os maiores responsáveis por aquilo que nos acontece. Aqui vale lembrar a inerrante lei da semeadura, plantio e colheita. Se nos encontrarmos mal, com os celeiros da existência cheios de ervas daninhas, creiamos que há tempo de semear para uma nova e boa história. Sem vícios, enganos, culpas ou vaidades. Reeditar, refazer o que não fizemos bem. Simplificar, sentir prazer em servir, desintoxicar o EU.
A vida é generosa para todos e Deus ofertará, com certeza, aos homens de boa vontade, o momento racional para as grandes viradas. Quando a bondade e a misericórdia encontrarão lugar para descansar e agir em nós.
Quanto ao Elvis, com certeza, sabia como se reencontrar, pois poucos cantaram tão profundamente Amazing Grace (Maravilhosa Graça):
“Maravilhosa Graça que, perdido, me encontrou.
Estando cego, pude ver, Cristo me resgatou.
Quando sua graça me tocou, do meu medo livrou.
Quão preciosa é para mim a graça do Senhor.”
 
Pr. Ismael Narcizo é responsável pela IAP em Douradina (MS)

Quando o virtual compromete o real

A falta de autocontrole no uso da internet aprisiona cerca de 50 milhões de pessoas no mundo

Se você faz parte das mais de 50 milhões de pessoas do mundo que não suportam ficar off-line, cuidado: é possível que você seja um viciado em internet!

“Na internet os poderes são ilimitados, você pode ser quem quiser, pode viver seus sonhos mais extravagantes, pode tem milhões de amigos, pode acessar o conhecimento do mundo todo, se comunicar sem fronteiras. Pode jogar, paquerar, se mostrar, conquistar. Não há limites, e tudo isso na ‘segurança da sua casa’”, relata o psicólogo Odair Comin.

Segundo a também psicóloga Ângela Maria Bavaresco, “a internet faz parte do cotidiano da sociedade, possibilitando maior interação entre as pessoas, uma vez que rompeu com o padrão presencial, no qual era imprescindível a presença dos indivíduos, sendo, deste modo, utilizada também como forma de difusão dos relacionamentos afetivos. É justamente por vivermos numa geração em transição entre um modelo onde a forma de conhecer pessoas era exclusivamente o físico, presencial e real para uma possibilidade de estabelecimentos de relacionamentos através do espaço virtual”.

É impressionante como a internet e as redes sociais têm aproximado pessoas de várias partes do mundo. Porém, se atentarmos ao fato, na maioria das vezes, essa aproximação é fictícia. Existe na verdade um “relacionamento virtual”. Mas quando o uso da internet começa a ser prejudicial?

Penso em três aspectos que ficam nítidos na vida daquele que faz o mau uso da internet: quando a pessoa vicia-se e perde a noção do tempo que gasta conectada à rede; quando a pessoa utiliza a internet como um meio de fuga da crise conjugal e quando a pessoa faz deste meio de comunicação um acesso a toda sorte de textos, imagens e vídeos pornográficos. Apocalipse 21:8 fala sobre o destino daqueles que cometem tais atos: “Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte”.

Com certeza a internet nos proporciona muita praticidade na comunicação. Podemos nos comunicar com nossa família, nossos amigos, realizar transações bancárias e até assistir a cultos, quando estamos impossibilitados de ir à igreja. Ela faz o elo entre o virtual e o real. Porém, é necessário ter autocontrole e procurar fazer tudo para a glória de Deus. “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Co 10:31). Aqueles que souberem usar esse poderosíssimo meio de comunicação, estarão sempre à frente e melhor informados.

Colossenses 3:2 nos alerta para “Mantermos o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas”. Quando o cristão senta-se à frente do computador, ele tem o poder de decidir o que acessar, ouvir e baixar. Pensando sempre em Cristo, ele certamente irá tomar sábias decisões e fazer escolhas corretas. O apóstolo Paulo já sentia na pele a luta travada entre a carne e o espírito quando escreveu a sua carta aos Romanos, no capítulo 7, “Não entendo o que faço, pois não faço o que desejo, mas o que odeio (…) Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo”. Precisamos ser moderados e prudentes para não pecarmos, para isso contamos com nosso grande amigo e ajudador Espírito Santo.

Que possamos nos alimentar mais a Palavra de Deus, buscarmos ter mais intimidade com o Senhor, darmos valor ao tempo de qualidade com nossa família e controlarmos nossos impulsos para que tenhamos vidas espiritualmente saudáveis. Fazendo assim, estaremos agindo como “os que pertencem a Cristo Jesus, que crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” (Gálatas 5:24), segundo Paulo. Que o onosciente Deus nos conceda sabedoria e domínio próprio em todas as situações de nossas vidas.

Diego da Silva Barros é diretor da UMAP, coordenador de Missões e Evangelismo na IAP em Piedade (Rio de Janeiro) e colaborador da equipe de Capelania Prisional da IAP.

 

Prontos para a segunda milha

O cansaço e o desânimo não podem nos vencer, se estamos em Cristo
Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. (Mateus 5:41)
Como estão seu ânimo e sua disposição? O segundo semestre do ano já chegou e com ele as muitas “pressões”: por fora combates, temores por dentro (2 Co 7:5c), mas temos um nobre convite da parte de nosso Senhor: “Tende bom ânimo”! (Jo 16:33). E “ande a segunda milha”! Mas o que isso significa?
Jesus estava ensinando do alto do monte às multidões, mas especialmente aos seus discípulos, que se aproximaram dele (Mt 5:1).          Comentando o texto, Hendriksen (2001:436) diz que o verbo “forçar” refere-se à autoridade de convocação, de forçar ao serviço. É uma palavra tomada do idioma persa, que com toda probabilidade, foi tomada do babilônico. Quando alguém disponível ou seu animal fosse obrigado ao serviço social, sempre que necessário, deveria haver pressa em cumprir o mandato da autoridade em questão. É o que acontece hoje com os mesários que são convocados para trabalharem em épocas de eleição, por exemplo, e foi o que aconteceu com Simão de Cirene, quando foi forçado a carregar a cruz de Cristo (cf. Mc 15:21).
Mas o que Jesus está dizendo é que, em vez de mostrar má vontade, ficando amargurado ou ofendido com aquele que força uma pessoa a levar a carga, esta deveria atender a ordem com um sorriso no rosto. “Alguém te pediu que o acompanhasse levando sua carga ao longo de uma milha? Então vai com ele duas milhas! ”.
Assim precisa ser, também, quando alguém necessitar de nós. Devemos demonstrar prontidão (Ef 6:15), amando a bondade (Mq 6:8), com nosso próximo, líder ou não. E na obra do Senhor, não pode haver espaço para preguiça e desânimo. Pelo contrário, devemos contagiar uns aos outros, para estimular-nos ao amor e às boas obras (Hb 10:24) em todo tempo. Pois assim fomos incentivados por Cristo Jesus, através de sua obra na cruz, como Paulo e Epafrodito, que mesmo enfermos fisicamente, não desistiram do serviço cristão (Fp 2:25-30).
Portanto, como discípulos de Cristo, chamados para servir, por causa de Jesus e de seu evangelho, não vamos desanimar-nos e tão pouco desistirmos, mas nos fortaleceremos no Senhor e na força do seu poder (Ef 6:10) Porque Deus não nos deu o espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação (2 Tm1:7). Seja no segundo semestre ou no final do ano, em qualquer tempo e função; na igreja, no Pequeno Grupo ou no trabalho, em qualquer lugar: estejamos prontos para a segunda milha. Fazendo sempre mais e melhor do que nos fora pedido ou “forçado”.
Como ensinou o sábio pregador: Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma (Ec 9:10). Principalmente se for para o Senhor! Aos líderes humanos, obedeçam com respeito e temor, com sinceridade de coração, como escravos de Cristo, fazendo a vontade de Deus, servindo de boa vontade (Ef 6:5-7).
Deus nos habilite para servirmos cada vez mais e com muita alegria! Portanto, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil (1 Co 15:58). Amém.
 
Pr. Mateus Silva de Almeida é responsável pelas IAPs em Limeira e Piracicaba (Convenção Paulista).
 
 

Uma escolha difícil, porém sábia

Com Deus, aprendemos que renunciar à vida nos leva a ganhá-la

 
“Não se faz omelete sem quebrar os ovos”. Certamente, você já ouviu esse ditado popular. Ele é bastante utilizado quando queremos justificar prejuízos causados por escolhas erradas. É impossível seguir a Jesus sem renúncia, como bem disse o próprio Senhor no evangelho de Lucas, capítulo 9, verso 23: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me”.
“Abro mão dos meus sonhos, abro mão dos meus planos, abro mão da minha vida por Ti. Abro mão dos prazeres e das minhas vontades, abro mão das riquezas por Ti”. Esse é o refrão do louvor “Abro mão”, cantado pelo Ministério Toque no Altar. Renunciar não é fácil, sim é verdade. Mas Deus nos garante que “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24:13). Em toda nossa caminhada cristã precisaremos fazer escolhas, tomar decisões difíceis e lutar contra nossos desejos e vontades.
Por toda a Bíblia, iremos encontrar contraposições de escolha: Qual árvore: vida ou conhecimento? Qual jovem: Caim ou Abel? Entrar ou não na Arca? Terra Prometida (desconhecida) ou Ur dos Caldeus (tudo sob controle)? Sacrificar o filho a Deus ou não? Nínive ou Jope? As finas iguarias do rei ou água e legumes? A cruz (cálice amargo) ou a coroa? A mão no arado ou olhar atrás? Os pais ou o Reino? Deus ou as riquezas? Nós fomos feitos seres arbitrários, isto é, criados com a permissão de Deus para fazermos as nossas próprias escolhas: boas ou ruins, certas ou erradas. Na maioria das vezes (infelizmente, graças a nós mesmos), temos feito escolhas erradas, contrárias à vontade do criador. (*)
Há “pesos” em sua vida que precisam ser abandonados? Há pecados ocultos? Custa-lhe muito caro? Quero lhe encorajar dizendo: por Cristo vale a pena! Ore e abandone seus “ídolos”. A porta é estreita, não vai dar pra passar com uma mochila enorme! A decisão é exclusivamente sua! A renúncia, a entrega sem limites, o choro, a devoção, não deve ficar somente no dia do “sim” para Jesus, deve ser todo dia!
Eu e você sempre iremos preferir ter mais que uma opção para fazermos nossas escolhas, mas Jesus não nos dá tantas opções. Ele nos ensinou que precisamos escolher apenas uma entre duas opções. Há dois caminhos; há duas portas; há dois destinos; há duas multidões. E você, já fez a sua escolha? Aí vai uma boa dica para lhe ajudar: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendênci” (Deuteronômio 30.19). Que Deus te abençoe!
Diego da Silva Barros é diretor da UMAP em Piedade (Rio de Janeiro) e colaborador da equipe de Capelania Prisional da IAP.
(*) Texto adaptado da lição bíblica “Sermão do Monte, um ensino desafiador” da Editora Cristã Evangélica.

Nosso espelho

Jesus é o modelo para todos os pastores que Ele chama

No mês de julho, comemoramos o Dia do Pastor Promessista (22). É um momento ímpar de analisamos como estão os nossos pastores e suas respectivas famílias.Continue reading