Comer, beber, vestir

Transformar a vida nisso gera muita ansiedade inútil

Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós.” (I Pe 5:7)
A realidade humilhante do desemprego, a impotência da doença atroz, o assombro do acidente grave, tudo isso e muito mais tem o poder de abalar a estrutura psicológica e física de qualquer ser humano.
Ante tamanho estresse, a ansiedade pede licença pra morar na alma humana como uma porta interna aberta para outras patologias mais graves que tem seu habitat nas profundezas do ser.
Não por acaso a palavra de Deus determina de forma contundente que os seguidores de Jesus não devem viver ansiosos por nada, absolutamente nada. Isso porque Deus, que fez a estrutura do ser, sabe que a ansiedade enraizada, petrificada, cristalizada, adoece. Doença emocional e física. A pessoa envelhece rápido. A Bíblia Sagrada é categórica: a ansiedade é inútil! Não serve pra nada.
Demos atenção ao que Jesus ensina sobre isso: ele diz que o cristão ansioso é igual ao incrédulo que vive de um lado para o outro correndo somente atrás do que comer, beber e vestir (Mt 6:32). Transformam a vida em comida, bebida e roupa. Só isso. Que pobreza de espírito!
Como livrar-se da ansiedade? Resposta com o apóstolo Paulo: “Não andeis ansiosos por coisa alguma; antes em tudo sejam os vossos pedidos conhecidos diante de Deus pela oração e súplica com ações de graças”. (Fp 4:6)
Na prática é assim: toda vez que algo desagradável acontece, antes que a preocupação se agigante na alma, leve-se a questão a Deus por meio de oração e ações de graças, ou seja, em vez de estresse oração, em vez de reclamação gratidão. Por que assim? Porque a oração junto com a gratidão faz a memória lembrar que Deus já fez grandes coisas no passado e isso diminui muito a pressão interna, levando a pessoa a orar e a estar tranquila.
E qual a obra final disso? Resposta, de novo, com o apóstolo Paulo: “e a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus.”
Pronto: a paz de Deus toma o lugar da ansiedade. Não é magnifico?
É por isso que Pedro manda: “lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” E Jesus arremata: “Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?” (Mt 6:27)
Que diz você diante disso? Só há uma coisa a fazer: oração e ações de graças a Deus. Já!

Pr. José Lima, segundo secretário da Convenção Geral

Os filhos do quarto

Ainda há tempo para nós, pais, os resgatarmos

Antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mares,
hoje temos perdido eles dentro do quarto!
Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los,
mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes.
Quando entravam em casa não existia uma TV em cada quarto, nem dispositivos eletrônicos em suas mãos.
Hoje não escutamos suas vozes, não ouvimos seus pensamentos e fantasias, as crianças estão ali, dentro de seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança.
Quanta imaturidade a nossa!
Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que saibamos o que é…
Perdem literalmente a vida, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de modismos passageiros, que em nada contribuem para formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares.
Dentro de seus quartos perdemos os filhos pois não sabem nem mais quem são ou o que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar…
Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles tem sido influenciados e pais nem sempre já sabem o que seus filhos são.
Você hoje pode ler esse texto e amar, mandar para os amigos.
Pode enxergar nele verdades e refletir. Tudo isso será excelente.
Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes com filhos mortos dentro do quarto, então faço a você um convite e, por favor aceite!
Convido você a tirar seu filho do quarto, do tablet, do celular, do computador, do fone de ouvido, convido você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos na sala, ao seu lado por, no mínimo, dois dias estabelecidos na sua semana à noite (além do sábado e domingo).
E jogue, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidades de tê-los vivos, “dando trabalho” e que eles aprendam a viver em família, se sintam pertencentes no lar para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém ou terem um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal.

Cassiana Tardivo
Psicopedagoga

O túmulo vazio

Não estamos sós porque Ele ressuscitou

“Não está aqui, porque ressurgiu, como ele disse. Vinde, vede o lugar onde jazia” (Mt 28:6)
O vazio, o silencio, a decepção, a ausência, a impotência, a orfandade, a falta de significado, foi tudo o que restou na mente, alma e coração dos discípulos depois que Jesus morreu e foi sepultado.
Deixar quem amamos num túmulo e voltar pra casa, eis uma experiência atroz! Você olha o quarto, as roupas, o calçado, o retrato… Nada parece fazer sentido. A pessoa não está ali. Corpo que treme, alma que geme, olhos que se derramam. A morte é um horror humano. Três dias sem Jesus, três dias sem seu amparo, amor, carinho e proteção. Quem suporta?Dureza, dureza!
Mas, passado esse tempo profético “as marias” foram ao túmulo, e lá, ouviram de um poderoso anjo a notícia arrebatadora: “Não está aqui!” Como assim? “Porque ressurgiu, como ele disse.” Parecem incrédulas. “Vinde, vede o lugar onde jazia.” Vazio, túmulo totalmente vazio.
Joelhos no chão, mãos e olhos pra cima, bocas em louvor e honra Àquele que vive eternamente.
Pranto estancado, tristeza brecada, batimento acelerado, respiração ofegante, esperança que explode…
“Vamos, ide depressa, e dizei aos seus discípulos que ressurgiu dos mortos”. É o anjo de Deus apressado, a falar: “Eis que vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis.”
As “marias”, os discípulos e Jesus, num encontro inesquecível, num monte da Galiléia, no lugar eternamente marcado para a volta dele aos céus, de onde virá outra vez para buscar os que Ele redimiu com seu precioso sangue.
Atenção: o tempo que os salvos tiveram que ficar sem Jesus passou, acabou, encerrou. Nunca mais estarão sós, pois seu Senhor está vivo eternamente e recebeu todo o poder no céu e na terra.
Atenção: você crê na onipresença de Jesus? Espero que sim! Porque Ele de fato está em todos os lugares do universo simultaneamente, a excesso de um lugar, o túmulo.
Neste momento, Ele está aí, do seu lado, te olhando, sorrindo pra você, e lhe dizendo: “Filho, filha, não temas os graves desafios da vida nem a morte, eu a venci, e tenho em minhas mãos a tua vida. Eu te ajudo, te protejo e te amo. Vai dar tudo certo. Qualquer coisa pode falar comigo, tá bom?”

Pr José Lima de Farias, segundo secretário da Convenção Geral da IAP

Cristo, nossa Páscoa!

A morte e ressurreição de Jesus, o Cordeiro imolado em nosso lugar, nos trouxe libertação

Chocolates e coelhinhos que põem ovos! Para os mercadores, este é um ótimo período. É um consumo sem fim. Mas o significado verdadeiro da Páscoa tem sido esquecido até mesmo no meio cristão. Para você, pode haver a hipótese de que esta época do ano se resuma, de fato, apenas a chocolates e coelhinhos. Mas é sempre bom pensar no sentido real que esta celebração deve nos trazer.
A Páscoa simbolizava libertação. Antes da décima praga ser enviada sobre o Egito, Deus havia pedido para que Moisés celebrasse a Páscoa juntamente com o povo. Eles deveriam matar um cordeiro ou cabrito por família, e passar o sangue do animal nos batentes de suas casas, pois assim, quando Deus visitasse a cidade com a morte, Ele não feriria as casas que estivessem marcadas (Ex 12).
Assim como o povo do Egito foi liberto da sentença de morte que passaria pela cidade através do sangue que estava sobre suas portas, assim também nós fomos libertos da sentença de morte que estava sobre nós. Isso aconteceu quando Deus enviou seu filho para morrer em nosso lugar. A Palavra de Deus nos diz que nós estávamos mortos em nossos próprios pecados (Cl 2:13), mas Deus nos deu vida através de Jesus.
Quando Jesus chegou até João Batista, quando este estava pregando o arrependimento dos pecados, João logo declarou algo a respeito de Jesus. Ele diz: Este é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. (Jo 1:29). Não é interessante o fato de João ter se referido a Jesus como o Cordeiro de Deus? Isso acontece também em Apocalipse quando lemos a respeito do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13:8). Este que foi morto na eternidade é o próprio Cristo.
Assim como um cordeiro tinha de ser morto para que a morte não alcançasse o povo no Egito, Jesus, o Cordeiro que se entregou por nós, foi morto para que a sentença de morte não nos alcançasse, de modo que agora temos vida nele. Em Atos, vemos que o Filho de Deus foi entregue pelo conselho determinado e pela presciência de Deus, contudo, os ímpios o mataram (At 2:23). Ou seja, a própria Triunidade Divina, decidiu que Jesus se entregaria para morrer em nosso lugar.
Através da morte de Cristo, qualquer pessoa que se render de maneira verdadeira a Ele, já não vive mais sob a sentença do pecado. Agora, o apóstolo Paulo pergunta: Quem trará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica; quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou, pelo contrário, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus e intercede por nós (Rm 8:33-34). Já não há acusação nem condenação para aqueles que estão em Cristo Jesus.
É interessante o fato de Paulo dizer que Cristo Jesus é quem morreu, ou antes, quem ressuscitou. Isso nos aumenta a alegria, pois agora temos a esperança de que, não seremos apenas livres da sentença do pecado, como também um dia, quando Cristo voltar, seremos livres da presença do pecado que nos assedia. Em sua primeira carta aos Coríntios, Paulo diz que, se Cristo não ressuscitou, a nossa fé é inútil e ainda estamos em nossos pecados (1Co 15:17).
Assim como no Egito a Páscoa era sinal de libertação, para nós também é. Paulo ousa dizer que Cristo, nosso cordeiro pascal, já foi crucificado (1Co 5:7). A morte e a ressurreição de Jesus, o Cordeiro imolado em nosso lugar, nos trouxe libertação, pois foi o próprio Deus que nos libertou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, isto é, o perdão dos nossos pecados (Cl 1:13-14).
Pelo Cordeiro pascal que foi morto, convido você a meditar em uma melodia de Gerson Borges:
Salvador maravilhoso,
Deus que tomou meu lugar
Cordeiro entregue ao calvário
Morto pra nos salvar
Ô ôô, morto pra nos salvar.
[…]
Por isso nós te adoramos
Por isso vamos louvar
Pois dessa graça que sara
Só tu nos podes dar
Ô ôô, só tu nos podes dar.

Lucas Timóteo Moraes, seminarista pela Convenção Paranaense, é estudante de teologia no Centro de Estudos Teológicos Adventista da Promessa (CETAP).

Moscas de meias

Para Deus, não existe nada em toda a sua criação que não tenha valor

Assim como você, não dou muita atenção para mosca. Se uma vem me rondar, trato logo de afastá-las para longe. Mas, no início desta semana, soube de uma coisa legal sobre as moscas da região dos altos picos suíços. As moscas dali não são como as moscas daqui. As dessa região nascem com “meias”.
Meias? Sim. As patas dessas moscas têm bem mais pelos do que as demais que vivem em regiões mais quentes. Quem as fez assim? Não foi o acaso. Deus as criou assim. Deus sabe das coisas. Sabe que essas moscas não iriam aguentar o clima frio, sem essas “meias”. Como diz um irmão de uma das igreja aqui da região: “Esse é o nosso Deus”.
Eu não faço ideia de quanto tempo de vida têm as moscas, mas não deve ser muito. Mas, mesmo assim, Deus cuida delas, dando-lhe “meias” e “luvas” para o frio. Para Deus, não existe nada em toda a sua criação que não tenha valor. Assim sendo, aborte da sua mente essa ideia de que Deus não se liga em você.
Você vale muito mais do que uma mosca, pois foi criado um pouco menor do que os anjos (Sl 8:5). E se Deus cuida de uma mosca, não vai cuidar de você? Vai cuidar, sim. Cuidou ontem, cuida hoje e vai cuidar amanhã. Vai cuidar sempre. Assim, acalme a sua alma!

Pr. Genilson Soares da Silva, responsável pela IAP em Vila Camargo (Curitiba – PR)

O capacete da salvação

Nada é tão urgente como a boa notícia que em Jesus todos podem ser perdoados e aceitos.

“Tomai também o capacete da salvação” – Ef 6.17 (a)
As palavras “Tomai também” nos levam a entender que a parte da armadura oferecida a seguir seria indispensável para o Soldado Cristão, assim como o cinturão, a couraça, os calçados e o escudo. E realmente não podemos desprezar o “capacete da salvação”. O capacete romano era colocado no momento em que se antevia o combate, cuja finalidade era proteger a cabeça do soldado.
Não é difícil entender a figura de linguagem: A cabeça é onde está o cérebro, que é o nosso centro racional e emocional. E para o cristão, nada melhor que protegê-lo com a salvação, realizando o culto racional (Rm 12.1, 2), pensando nas coisas que são de cima (Cl 3.2) e ocupando-o com princípios que exaltam a salvação eterna (Fl 4.8).
Nesta direção, em duas coisas devemos refletir. Em primeiro lugar, a nossa salvação pessoal. A nossa profissão primária de fé. Assim, o nosso encontro com o Senhor Jesus (Jo 1.12), o nosso novo nascimento (Jo 3.1-7), a nossa propiciação (1 Jo 2.2), a nossa justificação (1 Co 6.11), a nossa confissão de vida espiritual (R 10.9, 10), a nossa fé que abraça a graça oferecida na cruz (Ef 2.8) não pode ser teórica, mas, real. Nas batalhas espirituais ardentes, a salvação pessoal nos dá segurança de que estamos no caminho certo. Por que a convicção da salvação é a proteção dos conceitos mundanos, o alvo final, a paz para prosseguir, a esperança para não desanimar. Por isso protege a nossa mente.
Em segundo lugar, a salvação é a nossa missão principal. Muitas são as atividades em nosso Ministério: assistência social, reuniões administrativas, visitações, aconselhamentos, reformas, construções… Todos elas são importantíssimas e indispensáveis, porém, nós, os soldados do Senhor, que já desembaraçamos dos negócios desta vida, que nos sentimos “alistados” para a guerra (2 Tm 2.4), não podemos esquecer que a missão suprema é proclamar a salvação. Todas as nossas ações devem refletir a salvação de Deus ofertada em Cristo. Nada é tão urgente como a boa notícia que em Jesus todos podem ser perdoados e aceitos. Nenhum sermão é tão profundo quanto a mensagem da cruz. Não importa onde: casamentos, aniversários, apresentações de bebês, inaugurações, formaturas… Nenhuma pauta da agenda pastoral é maior e mais urgente que a proclamação do amor salvador de Deus (Jo 3.16).
Este mundo tenebroso como o nosso, aguarda os soldados cristãos, que lutem o bom combate (2 Tm 4.7), que capturem todo raciocínio contrário à verdade e o submeta à vontade do Senhor (2 Co 10.5).

Pastor Elias Alves Ferreira é integrante da equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral

A vida Pós-Moderna

“Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Co 15.59).

Pastores recebendo centenas de pedidos de oração por emprego, cura de enfermidades, dilemas existenciais, familiares e econômicos. Seus whatsapp lotados de solicitações sobre os mais intricados problemas da vida e da alma.
Suas agendas entupidas com solicitações de temáticas que abordem os dilemas, desafios e soluções da vida Pós-Moderna.
Poucas chances, poucas expectativas, poucas esperanças de eles, por seus próprios e limitados recursos, atenderem a contento a demanda titânica.
Só lhes resta uma saída: irem até ao Pai, em oração contrita, pedir-lhe que abençoe seu povo nestes dias de tanta agonia, certos de que ele lhes dará a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

Pr. José Lima, segundo secretário geral da IAP

A corrida pastoral

Aprendemos com o apóstolo Paulo sobre o preparo espiritual para o ministério

O ministério pastoral, na visão de Paulo, é comparado a uma corrida. Quando Paulo escreveu sua última carta endereçada ao jovem pastor Timóteo, disse: “Combati o bom combate, acabei a carreira e guardei a fé”(2 Tm 4.7, grifo nosso). A ideia de Paulo aqui nesse texto é comparar os labores ministeriais com uma carreira.
Era o final da vida de Paulo, ele tinha autoridade para falar da lida pastoral, pois durante o percurso passou pela pista do sofrimento, foi rejeitado, sofreu naufrágio, foi espancado em plena praça pública, foi preso e abandonado. Foi difícil sua trajetória, no entanto, não desanimou diante da oposição e quando foi preso escreveu aos Filipenses: “… as coisas que aconteceram comigo contribuíram para o progresso do evangelho” (Fl 1.12).
O atleta precisa de preparo físico para a corrida e seu condicionamento será fundamental para cruzar a linha de chegada. Assim também é o ministério pastoral, é necessário preparo espiritual para se manter firme na corrida ministerial. É preciso preparo para encarar o púlpito, um aconselhamento, um estudo bíblico, uma reunião administrativa. Não tem segredo no preparo: Bíblia, oração, jejum, devocional diário e comunhão; com esses aparatos, nossa corrida será bem-sucedida e nossos passos seguirão firmes e fortes rumo à Canaã Celestial.
Na Olimpíada da Grécia em 2004, o atleta Vanderlei Cordeiro de Lima vinha liderando a maratona quando foi surpreendido por um fanático “religioso” irlandês que o agarrou e o beijou a face. Vanderlei perdeu a liderança, mas não desistiu da corrida e chegou em terceiro, mas há unanimidade em que ele foi o verdadeiro vencedor da maratona.
Quantos pastores têm sua carreira impedida antes de cruzar a linha de chegada? O que os têm impedido de correr: a depressão pastoral; o estresse; o desgaste; a família? Há pastores correndo sem preparo e outros sem entenderem o motivo pelo qual estão na corrida ou ignorando as regras existentes (2 Tm 2.5).
Paulo não reclamou da corrida ministerial, até mesmo na prisão ele louvava a Deus. Sua convicção na carreira era fortalecida em Cristo (Fl 4.13). É lamentável e triste ver pastores abandonando a corrida; reclamando do ministério, das ovelhas, do pasto, da denominação; guardando mágoas em seus corações; desonrando aquele que o chamou para fazer sua obra.
Paulo encerra sua corrida ministerial guardando a fé. Sua certeza e esperança é tão louvável que expressa o amor à vinda de Jesus: “Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm 4.8).
Pastores, estamos na mesma corrida, Cristo é o nosso alvo. Vale a pena correr em direção a ele, não importam as prisões e nem os sofrimentos. Essa é a parte árdua de toda caminhada, mas a medalha que será colocada em nosso peito não se compara a nenhuma vitória que alcançamos nesta vida.
Continuemos correndo! Se nos mantivermos firmes, nosso galardão é certo!

Pr. Thiago Rivoredo Braga e Marcilene Braga, casal ministerial da Convenção Norte.

O escudo da fé

“Embraçando sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.“ (Ef 6:16)

É muito claro na vida espiritual que existe uma guerra ininterrupta, na qual não somos vitoriosos por nós mesmos e que precisamos nos proteger. Dardos inflamados, ou se preferir “setas incendiadas”, são atiradas constantemente contra a nossa integridade. A Bíblia apresenta para a nossa defesa o “escudo da fé”.
A fé nos permite abraçar a graça oferecida por Jesus (Ef 2:8), a justificação espiritual e a paz com Deus (Rm 5:1). A fé é irmã inseparável do amor e da esperança (1 Co 13:13). É a chave para entendermos o futuro, o invisível, a criação, como agradar a Deus, o segredo da vida dos irmãos do passado e nos dar um motivo digno para viver (Hb 11). Por isso, a fé, é um escudo para nos proteger das setas inesperadas.
A mesma fé que um dia nos salvou, agora nos protege. A fé que nos levou a aceitar o convite especial de Deus, agora nos inspira a avançar, apesar do zumbido incessante dos dardos inflamados. A fé que nos libertou, agora nos impulsiona a “estar com Cristo onde a luta se travar”.
Mas o que seria essas setas incendiadas? Muita coisa pode estar incluída nesta expressão. Pode ser tudo que visa ferir ou matar o cristão como: pecados, obras da carne, ódio, dúvida, medo e tristezas. Porém, as mais comuns vêm das palavras como falsos julgamentos, calúnia, ofensas e insinuações maldosas.
E essas ações, como desde o princípio, têm como articulador o Maligno, que é sempre sutil.
Os escudos dos soldados romanos protegiam-nos por inteiro. Conforme Wiersbe, o tamanho era de 1,20m de altura por 60 cm de largura. Assim, também a fé, que é a confiança plena, a certeza de que cremos num Deus verdadeiro e nunca estamos sós, não pode afastar-se de nós. Ao contrário, deve estar conosco, como um escudo firme em nosso braço e à nossa frente, protegendo-nos inteiramente.
Setas incendiadas são lançados contra os filhos de Deus e, principalmente, contra quem trabalha para o Senhor. No entanto, diante de uma fé verdadeira, as setas não apenas são debeladas, mas sim, extintas. Em 1 João 5:4 lemos: “porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.
Pelo Senhor, avante.

Pr. Elias Alves Ferreira integra a equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral

Seguindo a nuvem

Precisamos abandonar nossas formas de “fazer acontecer”

“Faz-me conhecer o teu coração, ensina-me a ouvir a tua voz. Revela-me teus planos, mostra-me os teus caminhos…”
Estes versos de uma música trouxeram ao meu coração a lembrança da atuação do poder de Deus em minha vida nos últimos tempos.
No verso 17 do capítulo 9 de Números temos o relato de como Deus conduziu seu povo pelo deserto. A nuvem os conduzia e Moisés, apesar de seus conhecimentos geográficos da região, preferiu segui-la. Ele confiou em Deus para guiá-lo e livrá-lo durante o caminho.
Por vezes em nossas vidas nos garantimos em nossos conhecimentos a respeito de certa situação em que nos encontramos e insistimos em seguir o caminho para aquilo que consideramos ser a solução.
Em minha última experiência aprendi algumas coisas a este respeito:
1. Precisamos abandonar nossas formas de “fazer acontecer” e deixar Deus nos conduzir.
2. Precisamos esperar o “mover da nuvem”, descansando nos braços do Pai, pois Ele tem para nós infinitamente mais do que pedimos ou pensamos.
3. Precisamos ter a sensibilidade espiritual necessária para entender que, mesmo quando a nuvem estava parada no deserto, Deus agia. As crianças nasciam, os jovens casavam, trabalhavam etc.
Hoje entendo que estar parada, esperando “a nuvem se mover” em minha vida, não é necessariamente cruzar os braços. Deus tem usado minha vida de forma diferente, tem colocado uma nova forma de olhar as necessidades do Reino em meu coração.
Meu coração tem se alegrado na presença dele à medida que permito que Ele me conduza, procuro descansar nele e abandono os meus “considerados planos infalíveis”.
Prossigamos em seguir a nuvem…

Miss. Ilma Farias de Souza é educadora cristã, pedagoga e esposa de pastor, além de membro da equipe de Mulheres em Ministérios

Estamos calçados ou somos soldados de pés descalços?

… “e calçados os pés na preparação do evangelho da paz. “ (Ef 6:15)

O soldado cristão deve estar equipado para todas as situações. Assim como um soldado não poderia ir descalço para as batalhas, por que isto feriria os seus pés e o faria vulnerável nas lutas, o cristão não pode negligenciar o uso dos calçados apropriados. Esses calçados eram uma espécie de sandálias de couro e possuíam travas para que ficassem firmes nos locomoções e combates. Os pés formam a base do corpo, por isso deviam estar protegidos em terrenos pontiagudos e firmes em terrenos acidentados e escorregadios. Protegidos para se defender e “preparado” para atacar. Assim o Cristão deve estar protegido no seu dia a dia e de “prontidão” para invadir o reino do mal e libertar os cativos.
Paulo denominou estes calçados de “evangelho da paz”. Evangelho no grego é uma boa nova, uma boa notícia, uma informação importante. No nosso caso, denominamos “evangelho de Cristo”. E quando afirmamos isso, estamos dizendo que o que Ele fez e ensinou é uma boa notícia. Uma boa notícia de um Deus que, por amor; se fez carne, viveu entre nós; revelou, em seus ensinos e ações, como é viver de acordo com a vontade do Pai; pagou o preço pelos nossos pecados, morrendo numa cruz; ressuscitou ao terceiro dia; foi Ascenso aos céus; intercede por nós e voltará. Essas são as melhores e urgentes notícias que as pessoas precisam ouvir. Nenhuma notícia possui maior alegria do que esta, de que o Senhor deseja perdoar os pecados e dar uma vida nova e eterna.
Mas não dá para ir sem primeiro viver. O texto é claro em afirmar de que devemos estar “calçados”, com os pés “revestidos” desse evangelho. Com o evangelho não dá para ser teórico. Ou temos ou não temos. Estamos calçados ou somos soldados de pés descalços. É com os pés que nos locomovemos, e se eles forem figuradamente “revestidos” com o evangelho, nossos passos serão santificados e onde iremos levaremos este evangelho transformador. Será verdade as palavras de Isaías 52.7: “Quão formosos sobre os montes são os pés do que anuncia as boas-novas, que proclama a paz, que anuncia coisas boas, que proclama a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina!”
As Palavras de Jesus são transformadoras: “Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz…” – Jo 16.33. O evangelho é uma pessoa, e esta pessoa é Jesus e somente nEle temos paz verdadeira. O evangelho é da paz, produz paz para quem se dispõe a viver pela fé. O contexto de Efésios 6 é de guerra, mas apesar desse ambiente, num paradoxo, o soldado cristão experimenta esta paz e depois transmite-a. Não sem esforço, porque viver e transmitir este evangelho é uma guerra diária.

Pr. Elias Alves Ferreira integra a equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral

Correndo com perseverança

Não sabemos o que 2017 nos trará mas devemos avançar sempre!

Entramos há pouco em 2017, logo, o ano de 2016 será uma folha dobrada no tempo. Ocorre-nos de, ouvindo a leitura do escritor bíblico “aos Hebreus”1, desenvolver esta reflexão.
Que a nossa jornada terrena é remarcada por correrias ninguém duvida e nem discorda.
Consideremos o emblemático ano de 2016, que deu adeus ao presente e ingressou no passado. Este ano também terá uma folha que registrará a sua história e que também será dobrada e traz uma série de indagações.
Ninguém, em sã consciência, reúne condições de responder às inúmeras perguntas sobre o que irá acontecer e como será este 2017.
“O futuro a Deus pertence” é a resposta que frequentemente se ouve. E ela está correta. Faltam-nos condições para sabermos o que acontecerá, não somente no restante de 2017, mas até mesmo daqui a um minuto.
A propósito, a Palavra Bíblica inspirada referindo-se à ansiosa solicitude pela nossa vida adverte: “não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal”, que parafraseamos: bastam, para cada dia, os seus problemas, as suas vicissitudes, até mesmo em face do que expressa o verso 27 do mesmo capítulo 6 do Evangelho S. Mateus, no sentido de que os nossos cuidados, por maiores e mais legítimos que sejam, não podem acrescentar um côvado2 que seja à nossa estatura e, nem mesmo um minuto a mais em nossa existência, sabido que “Os meus tempos estão nas Tuas mãos…”3.
Oportuno considerar que, ao mesmo tempo em que não devemos ser presas de preocupações desmedidas quanto à nossa vida, com o que teremos para comer, beber e vestir, visto que aquele que cuida muito bem de nós, cuida igualmente das aves, alimentando-as, e vestindo de forma belíssima o frágil lírio do campo4, não devemos cruzar os braços, nem sermos relapsos e nem deixar de considerar o que o escritor da Epístola aos Hebreus remarca no verso primeiro do capítulo 12.
Não somos ilhas e nem estamos num deserto. Estamos permanentemente rodeados de testemunhas e, por isso mesmo, não podemos permitir que embaraços de qualquer ordem turbem a nossa jornada e nos desviem de Cristo, que é o autor e consumador de nossa fé.
Correr com persistência a carreira que nos está proposta quer dizer, em outras palavras, uma situação de certeza, de confiança, de tal modo que nada obnubile a nossa visão do alvo proposto e nem nos desestimule na continuação da jornada, por mais espinhosa e cheia de percalços que ela seja.
Significa mais: não arrepiarmos a carreira. Avançar sempre. Esteja claro o dia ou carregado de nuvens escuras, prenunciando tempestades ou não. Mesmo em circunstâncias tais, reprisando o poeta amazonense: “Faz escuro, mas eu canto”5, devemos levantar a cabeça e correr perseverantemente. Afinal, são os embates da jornada que nos enrijecem, da mesma maneira como os ventos fortes enrijecem o bambu e a palmeira.
“Corramos, pois, perseverantemente, sem olhar nem para a direita e nem para a esquerda, mas com os olhos fixos no alvo, no prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”6.
Perseverar sempre. Parar, desistir, nunca. Correr perseverantemente tendo Cristo como alvo, eis o segredo.


1Epístola aos Hebreus, cap. 12 e verso 1:”Portanto, visto que nós também estamos rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta”.
2S. Mateus, capitulo 6 e verso 34.
3Livro dos Salmos, nº 35 e verso 15 primeira parte.
4Mateus, capítulo 6 e versos 25 a 31.
5Poeta Thiago de Mello
6Carta de Paulo aos Filipenses, cap. 3 e verso 14.

Proteja-se!

A traição no casamento não acontece só com os outros!

Muitas vezes, um casamento vai bem, e acaba abalado por causa de um relacionamento inesperado com uma terceira pessoa. Começa de maneira inocente e agradável, torna-se cada vez mais envolvente. Por fim, traz complicações e desgraças para muita gente. Não foi um acidente ou “um grande amor que surgiu”. Foi um relacionamento do qual o casamento deveria ter sido protegido. Não seja ingênuo pensando que isto só acontece com os outros. Muita gente boa já caiu exatamente por ser ingênua assim. Lembre-se de 1 Coríntios 10.12. Por isso, proteja seu casamento…
Eis algumas dicas:
• Tenha bom senso em suas companhias
Evite gastar tempo desnecessário com alguém do sexo oposto. Muitos casos surgem por não se agir assim. Não significa que cada contato com alguém do sexo oposto seja porta para o adultério. Significa evitar oportunidades para cair. Companhia contínua cria intimidade. Intimidade com o sexo oposto traz problemas.
• Tome cuidado com as confidências
A pessoa mais íntima de alguém deve ser seu cônjuge. Segundo a Bíblia, são “uma só carne”, isto é, uma só pessoa. Se há aspectos de seu relacionamento que você não pode compartilhar com esposo(a) e compartilha com alguém do sexo oposto, a coisa está ruim. As pessoas tendem a se solidarizar com quem sofre e a proximidade emocional se torna perigosa. Um homem que se queixa de sua esposa para outra mulher está traçando um caminho perigoso. Isto vale para quem faz e para quem ouve confidências.
• Evite momentos a sós
Decida não ter momentos privados com alguém do sexo oposto. Se um(a) colega de trabalho pedir para ter um almoço com você, convide uma terceira pessoa. Se necessário, não se constranja em compartilhar os limites que você e seu cônjuge concordaram em ter no seu casamento. É melhor ser visto como rude que vir a cair em pecado.
• Vigie seus pensamentos
Cuidado com o que pensa. Se você só se detém nos defeitos de seu cônjuge, qualquer outro homem ou mulher parecerá melhor. Faça uma lista das coisas que inicialmente lhe atraíram em seu cônjuge.
Aumente o positivo e diminua o negativo. Evite filmes, conversas, sites e literatura que apologizam o adultério. Lembre de Colossenses 3.2. Valorize um ao outro.
• Evite comparações
Um homem trabalha com uma mulher perfumada, maquiada, bem vestida. Em casa encontra a esposa, com criança no colo, cabelo desfeito, banho por tomar. Uma mulher encontra um homem compreensivo com quem pode se abrir, e se sente mais à vontade com ele do que com o esposo. Ignoraram situações e contextos diferentes. Foram iludidos pelo irreal. Lembre-se do filho pródigo: o mundo lhe era fascinante, mas terminou num chiqueiro. As aparências iludem, porque o mundo em que vivemos em casa é o real. O mundo de relacionamentos fora de casa é sempre artificial.
• Evite a síndrome do retorno
É a idéia de que a vida sentimental e sexual caiu na rotina, e agora, a pessoa “renasceu”. Já vi inúmeros casos assim: “Eu renasci”, ou “Eu me senti jovem de novo”. Não banque o adolescente. Você é um adulto com responsabilidades e com uma pessoa com quem partilha a vida. Construa sua vida com seu cônjuge. Se sua vida conjugal se “fossilizou”, há outros
caminhos. Revigore-a com seu cônjuge. Há pessoas que sempre se fossilizam e pulam de relacionamento em relacionamento, procurando o que não produzem. Temos o que produzimos.
• Ponha o seu coração no seu lar
A solidez do casamento vem pelo tempo que os cônjuges gastam juntos. Conversas, risos, passeios, programas comuns. Se você não sai com seu cônjuge, marque datas para os próximos meses. Vocês devem ter um ao outro como o melhor companheiro. Mantenham o clima de namoro: querer estar junto com a pessoa. Orem juntos. Dificilmente duas pessoas que oram juntas brigarão entre si. Sejam parceiros espirituais.
• Invista em seu cônjuge
O marido da mulher virtuosa é conhecido quando se levanta em público (Pv 31.23). A idéia é que ele está bem vestido e vê o caráter dela pela roupa dele. Uma boa esposa é um bom tesouro (Pv 18.22). De bom tesouro cuida-se e evita-se perdê-lo. Marido: mulher bem tratada é um grande investimento; o retorno emocional é garantido. Mulher: marido bem tratado é um grande investimento; o retorno emocional é garantido.
• Busque ajuda
Havendo problemas, busque ajuda. Primeiro em DEUS. Lembre-se de Tiago 1.5. Busque orientação de pessoas mais experientes ou do ministério. Evite que o problema se avolume. Evite conselhos de gente que não tem o que dizer. Os amigos de Roboão lhe deram maus conselhos (1Rs 12.6-12). Nesta busca de ajuda, evite por mais lenha na fogueira. Evite também raiz de amargura (Hb 12.15). Busque ajuda e não um juiz a seu favor.
• Conclusão
Bons casamentos não acontecem por acaso. São produto de muito trabalho e da graça de Deus. Boa parte do trabalho é investimento emocional no relacionamento conjugal. Mas investir sem proteger é problemático. É preciso levantar cercas contra os problemas externos, porque os internos são mais vistos e os dois vivenciam. Não permita brechas. Não dê armas ao inimigo.

Autor desconhecido

A couraça da justiça

De forma figurada é onde está o nosso caráter, as nossas atitudes, os nossos sentimentos mais íntimos

“…e vestida a couraça da justiça. ” – Ef 6:14
A couraça era uma parte da armadura que protegia a frente, o peitoral do soldado. Na armadura romana nada protegia as costas, simbolizando que o soldado cristão não vira as costas ou foge do seu adversário.
Mas a parte superior do tórax, o peito, é onde está o órgão principal, o coração. De forma figurada é onde está o nosso caráter, as nossas atitudes, os nossos sentimentos mais íntimos.
Não é por acaso que Paulo a denomina de “couraça da justiça”. O soldado do Senhor deve ter um bom caráter, um comportamento justo, correto, na medida certa, equilibrado. Aliás, a carta de Efésios, trabalha o tempo todo para que a Igreja de Cristo viva separada do pecado.
Mas justiça própria? Não, ninguém consegue isso por si mesmo. Em primeiro lugar somos justificados pela graça, pelo perdão, pelo sangue de Jesus “o qual foi entregue por causa das nossas transgressões, e ressuscitado para a nossa justificação.” (Rm 4:25). Depois da justificação pelo Senhor, devemos viver de maneira digna do Evangelho. Ter um comportamento que glorifica a Deus. Manter-se vinculado às verdades reveladas na Bíblia. Isto nos faz fortes, destemidos, corajosos para encarar as dificuldades de frente pois estamos em paz, emocional e espiritualmente seguros.
Declarações faladas ou escritas não nos defendem, mas caráter ilibado sim. Nesta condição somos invencíveis. Falar e não viver é como um soldado sem couraça, com o coração, desprotegido. Fatalmente seremos derrotados e envergonhados.
Gostamos de justiça quando é executada em nosso favor. Quando nos pagam o que nos devem, nos dão um desconto, devolvem o que nos pedem emprestado, depositam o salário no dia certo, as coisas vão bem e nos elogiam. Por outro lado, achamos que é injustiça quando apontam nossos defeitos, não cumprem o compromisso que tinham conosco, coisas ruins acontecem, violam nossos direitos.
Mas, e quando as ações, as decisões, as palavras estão sob a nossa responsabilidade? Temos sido justos? São momentos para olhar para Deus e não esquecermos que “justiça e juízo são a base do teu trono; benignidade e verdade vão adiante de ti.” – (Sl 89:14). Deus governa tudo de forma justa. Sua soberania é infinitamente justa. Nosso desafio é imitá-lo em todas as nossas atividades. É ser como Daniel que apesar de viver numa sociedade corrompida e injusta vivia de forma excelente com Deus (Dn 6:3, 4).

Pr. Elias Alves Ferreira integra a equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral.

O cinturão da verdade

No calor das batalhas, somente a verdade permanece

Estai, pois, firmes, cingindo-vos com a verdade” – Ef 6.14 (a)
A primeira peça em destaque da armadura do soldado do Senhor é o cinturão. Paulo o denomina como o “cinturão da verdade”. O cinturão prendia não apenas a cintura, mas a região lombar. Com o cinturão ele prendia as roupas antes das demais peças da armadura, carregava a espada, era aliviado nas longas caminhadas, tinha equilíbrio e liberdade nos momentos das batalhas.
Isto nos lembra que a verdade deve estar em nosso íntimo, fazendo parte do nosso caráter. A verdade nos dá também segurança autenticando nossas atividades. Nos mantém em pé diante de acusações que venham ocorrer, produzindo alívio moral, emocional e espiritual. A verdade nos dá ainda a leveza e a destreza no momento em que temos que avançar contra o reino das trevas. É ela que nos autoriza, nos tornando aptos à simplicidade de carregar e manejar com autoridade a espada, a Palavra de Deus.
E como a verdade é indispensável! A Palavra de Deus é fonte da verdade (Jo 17:17). Jesus também é a expressão máxima da verdade que traz liberdade (Jo 14:6; 8:32; 36). Por isso, ela deve nos envolver como um cinturão para vencermos o pai da mentira (Jo 8:44). Toda a verdade está em Cristo e nas Escrituras. Assim como o cinturão dava liberdade e segurança para o soldado agir, é preciso conhecer e viver a verdade que está em Jesus, expressa nas páginas do Livro dos Livros. Primeiro como caráter e depois como conteúdo para ensino. Filosofias, crenças falsas, tradições humanas… Nada dessas crenças suportam o calor das batalhas. Somente a verdade permanece.
Em meio a tantos escândalos e mentiras de falsos cristãos, de “falsos evangelhos”, o Senhor te convida para fazer a diferença, para ser verdadeiro, íntegro, corajoso, que vive e proclama a verdade.
Se assim for, ouvirá um dia: “… Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.” – Mt. 25:21.

Pastor Elias Alves Ferreira é responsável pela IAP em Jales (SP) e integrante da equipe do Departamento Ministerial – Convenção Geral.

Igreja Adventista da Promessa

Que Deus preserve tua essência pura, humilde e bela

Pessoas e lugares humildes,
Histórias e enredos simples,
Narrativas e circunstâncias comuns,
Biografias sem holofotes,
Nordestinos, pernambucanos na origem,
Gente a se avolumar silenciosamente ao longo do tempo,
A contaminar diversas paragens do Brasil e do mundo.
Sem dólares, sem euros, sem libras, mas plenos do Espírito Santo,
Sem programa na TV, sem pregadores celebridades, sem poder político, mas com uma alegria que o dinheiro não compra.
Assim tu nascestes, Igreja Adventista da Promessa, como quem vem “da Galiléia” rumo “a Jerusalém”.
Que nas grandes capitais e nos ambientes urbanos Deus preserve a tua essência pura, humilde e bela,
Cuja fonte é Jesus, Salvador manso e humilde de coração,
Só assim poderás cumprir tua santa missão.
Parabéns por teus 85 anos!
Para a glória de teu fundador: Deus.

Pr. José Lima de Farias Filho, segundo Secretário Geral da IAP